Maryse Condé é uma das grandes escritoras da contemporaneidade, e uma das mais premiadas também. Mas, infelizmente, os romances dessa incrível mulher antilhana ainda são pouco conhecidos por aqui. Um dos raros publicados no Brasil é Eu, Tituba, feiticeira...negra de Salem, que lhe rendeu seu primeiro prêmio: o “Grand Prix littéraire da femme”, em 1986. Nele, Tituba (personagem real e também muito pouco conhecida) narra sua história, desde o seu nascimento nos arredores de Bridgetown, capital de Barbados, até o seu retorno para ilha caribenha, para terminar a sua curta existência. Entre o início e o fim, o meio: passado do outro lado das águas, em Boston e depois na pequena aldeia de Salem, onde a histeria coletiva e a hipocrisia condenaram à morte uma série de mulheres que ficaram conhecidas como as bruxas/as feiticeiras de Salem. Tituba era uma delas. Sua história-ficção é recontada por Condé, que parece mesmo nos enfeitiçar, pois é impossível fechar o livro antes do último ponto final.

Ana Boff de Godoy é professora de humanidades da UFCSPA.