Como é ser aluno de um gênio? Como se sente quem ouve e vê a apresentação de um pensamento em construção? Roberto Machado é um dos grandes professores de Filosofia do Brasil. Como escritor, também é brilhante. Eis que ele nos conta como foi ser aluno de Foucault nos anos 1970, em Paris. Os coadjuvantes desta história são Gilles Deleuze, Sartre, os cursos abertos nas universidades de Paris, dentre outros, uma história nada singela narrada em Impressões de Michel Foucault (n-1 edições, 2017). Termino esta pílula lamentando que não tenhamos a tradição de cursos abertos no Brasil, o que, me parece, seria a melhor expressão do que se entende como extensão universitária e decorre do reconhecimento de que as portas universitárias nunca deveriam estar fechadas, nem para os que não passaram por elas como alunos formais, tampouco para os que já não são mais alunos, mas entendem que sempre há algo mais a aprender. Ah, se não ficou claro, cursos abertos são cursos para os quais não é necessário qualquer inscrição ou vínculo institucional para assistir. São aulas oferecidas para qualquer um, basta chegar e assistir. Bacana, não? Talvez as lives de hoje sejam uma nova versão de tais cursos, mas sem o charme da presença de professor e alunos.

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.