Adoro viajar pra dentro dos livros e descobrir um pouco sobre a forma de viver em lugares completamente desconhecidos pra mim. Às vezes essa viagem é de pura delícia e encantamento; outras vezes, mal a viagem começa e penso: o que vim fazer aqui?! Mas seja qual for minha sensação inicial, acabo sempre descobrindo que, por mais distinta (e até assustadora) que seja a cultura de um lugar, o que vai dentro da gente, independentemente de onde estejamos no mapa, não é tão diferente assim. Pois foi isso que senti viajando com Adah, personagem (autobiográfica) da escritora nigeriana Buchi Emecheta, em seu livro Cidadã de segunda classe, escrito em 1974 - mas que só ganhou tradução para o português em 2018, pela editora Dublinense. E este, de fato, é um livro de viagem, pois Adah, enfrentando todas as amarras de sua cultura, parte para Londres a fim de realizar seu sonho. Um sonho que não foi cor-de-rosa, certamente, mas que possibilitou a ela a descoberta de si mesma.

Ana Boff de Godoy é professora de humanidades da UFCSPA.