
Há muitas resenhas sendo publicadas sobre O avesso da pele (Ed. Companhia das Letras, 2020), obra celebrada do patrono da Feira do Livro de Porto Alegre deste ano. E muito se pode dizer sobre esse livro poderoso, que li em um dia só, tamanho impacto que tive com a narrativa de um filho sobre a vida e a morte do pai, assassinado em uma abordagem policial. No jogo construído em que as vozes narrativas variam, Jeferson Tenório nos conduz com maestria por uma história que perpassa a memória da vida de um professor marcado pelo preconceito racial e pela exclusão. Esses aspectos poderiam ser pano de fundo da obra, se não saltassem das páginas, justamente por serem, ainda, tão determinantes dos destinos de pessoas negras. Trata-se de uma obra necessária para que entendamos concretamente a persistência do racismo estrutural no Brasil. A história nos angustia, mas é necessária. Posso dizer, sem nenhum medo de errar, que não é possível sair dela do mesmo jeito que se entrou.
Aline Vanin é linguista in(ter)disciplinar e professora no DEH.





