
Quando o vocalista do Talking Heads, David Byrne, se uniu ao grande nome da música vanguardista, Brian Eno, o resultado causou um pequeno furor no mundo da música, com o disco My Life in the Bush of Ghosts. O álbum é de 1981 e não sai da vanguarda há quarenta anos. A sonoridade é única e causou controvérsias com todo mundo, de ouvintes a gravadoras e a líderes religiosos. Mistura de sonoridades africanas e árabes com música eletrônica e rock experimental, consolidou ainda o uso do sample (trechos de músicas ou sons já existentes) como elemento da composição, como hoje faz o hip-hop e o tecno. Byrne e Eno colaram sobre o tecido sonoro que criaram as vozes mais variadas, de locutores de rádio a discursos políticos - e até um exorcismo. Inventaram, segundo o próprio Brian Eno, uma "visão psicodélica da África" que não envelheceu em nada.
Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.





