
Dino Buzzati soube aproveitar o tédio e a solidão de seu trabalho noturno como jornalista do Corriere della Sera para escrever um dos maiores romances da literatura do século XX (não em tamanho, por certo): O deserto dos tártaros (1940), que narra a história de Giovanni Drogo, um jovem oficial do exército, cheio de planos de ascender na carreira, designado para servir no Forte Bastiani, na fronteira do nada com lugar nenhum. O Forte, já quase vazio, vai se esvaziando ainda mais com o passar dos anos, uma vez que os veteranos vão solicitando transferência para outros lugares onde há mais o que fazer do que esperar pela invasão dos tártaros, um povo que habita mais o imaginário do que a probabilidade. Enquanto isso, Giovanni Drogo segue ali, estático, destituído de sonhos, ainda que dominado por uma grande ilusão. Essa alegoria se transformou em filme homônimo em 1976, dirigido por Valerio Zurlini, tendo o inesquecível ator Vittorio Gassman como protagonista. Um belo filme. Mas, como sempre, o livro é melhor.
Ana Boff de Godoy é professora de humanidades da UFCSPA.





