
Angela Davis é uma filósofa afroamericana que foi presa por 16 meses na década de 1970, após ser acusada falsamente de um crime que não cometeu. Ela não tem dúvidas de que sua libertação se deveu a um movimento internacional organizado para que ela fosse libertada. Se não fosse por este movimento, ela seria mais uma pessoa negra presa injustamente nos Estados Unidos. Tal experiência foi determinante para sua reflexão filosófica e acadêmica, e, há mais de 30 anos, ela luta pela abolição da prisão. Seu argumento não é ingênuo. Abolição, neste caso, não significa eliminação das prisões, mas diminuição significativa de uma instituição que surge, nos EUA, como forma de manter os corpos negros sob controle após a abolição da escravidão, e, nos dias atuais, é reflexo das desigualdades que permeiam as vidas de pessoas negras e brancas nos EUA. Acesso à educação pública de qualidade, a empregos e moradias dignos, evitaria que muitas pessoas negras entrassem no sistema carcerário. Leiam Angela Davis (Estarão as prisões obsoletas?, Difel, 2019; A democracia da abolição, Difel, 2020)! Assistam Angela Davis (Libertem Ângela Davis, 2014, documentário disponível no Netflix.)!
Ana Carolina da Costa e Fonseca, professora de Filosofia da UFCSPA





