O nome de João Bosco tem andado na boca do povo. Tanto pelo recente falecimento, por COVID-19, de seu grande parceiro, o poeta, letrista, cronista e ex-médico, Aldir Blanc, como pelo nada surpreendente revival da canção-emblema do regresso dos expatriados da Ditadura Militar que controlou o país por quase trinta anos: “O Bêbado e o Equilibrista”, brilhantemente interpretada por Elis Regina. Tão celebrado compositor e intérprete volta à carga com aquele que este que vos fala reputa ser um dos melhores, se não o melhor, disco de sua carreira, o Abricó-de-Macaco. Em um disco de quatorze músicas, podemos reconhecer o violão virtuoso e versátil de João, já consagrado em todos seus trabalhos anteriores, numa mescla de ritmos – samba tradicionalíssimo, samba do recôncavo, blues, um forró de pegada eletrônica – e sotaques de tirar o fôlego. Relê clássicos que ninguém imaginava que pudessem ser refeitos – “Água de Beber” – e faz versões de arrepiar até a medula de canções desconhecidas e sem-graçola – como “Profissionalismo é isso aí”, transformando-as em clássicos imediatos. Será que é um réquiem para seu parceiro, Aldir? O Abricó-de-Macaco foi lançado no fim de maio e está à disposição no Spotify e em outras plataformas eletrônicas.

William Kirsch é professor de língua inglesa do DEH/UFCSPA.