
Imagine viver em um mundo de violência física e psicológica, em que você não tem direito de expressar suas ideias, outras pessoas decidem o seu destino e você se encontra à margem de todas as histórias por causa de seu gênero e da cor da sua pele? Esse é o resumo da vida de Celie, personagem principal de A cor púrpura (1982), que ainda criança é abusada sexualmente pelo pai, engravida duas vezes e é dada em casamento a um vizinho bem mais velho, que a maltrata. A narrativa se desenvolve por meio das cartas que Celie escreve a Nettie, sua irmã que vai embora de casa muito jovem, fugida dos maus tratos, e a Deus. Embora o romance escrito por Alice Walker (primeira mulher negra a ganhar o Pulitzer por ficção!) esteja ambientado nos Estados Unidos da primeira metade do século XX, encontra ecos ainda hoje por nos fazer pensar sobre as relações sociais estabelecidas a partir das desigualdades de gênero, raça e classe. Esse é, talvez, um dos mais importantes romances da história da literatura contemporânea.
Aline Aver Vanin é linguista e professora do DEH/UCSPA.





