
O diretor americano Joseph Losey tinha o dom da provocação. Em O Criado (Reino Unido, 1963), Losey lança um olhar crítico sobre uma instituição da elite britânica: a relação entre o amo e o criado. Barrett (Dirk Bogarde) é um mordomo culto e educado, como quer o clichê do mordomo inglês. Ele é contratado por um jovem playboy londrino (James Fox). Parece o criado perfeito, mas logo tudo passa a se inverter sutilmente. Afinal, quem só sabe ser servido acaba se tornando escravo de quem o serve… O roteiro, adaptado pelo dramaturgo Harold Pinter, expõe as tensões de classe (mas também sexuais) que existem entre patrão e empregado. Quem gostou do recente filme coreano Parasita vai encontrar em O Criado um maravilhoso e clássico antecessor. Está disponível em streaming no site Petra Belas Artes.
Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.





