
Este momento de pandemia não está fácil pra ninguém. Mas já pensou como é nascer em meio à pandemia? E em como é parir nessa situação? Pois Talíria Petrone faz um precioso relato de seu período final de gestação (coincidente com o início da chegada da Covid-19 no Brasil), de seus medos, anseios, angústias e esperanças. (Re)nascer em tempos de pandemia: uma carta à Moana Mayalú (Boitempo, 2020) é o que título diz: uma carta à sua filha sobre a complexidade que envolve o nascer e o tornar-se mãe, mas é muito mais. É uma carta para todas as filhas e todos os filhos deste país. Desenhando, com as palavras, o retrato do Brasil, da situação de sua gente, de suas cores e suas dores, Talíria discorre sobre a dificuldade de ser mulher no Brasil; de ser mulher negra; de ser mulher negra e pobre; de ser mulher negra, pobre e mãe; de ser mulher negra, pobre e mãe de meninas no Brasil... de ser. Não é, de fato, uma carta cor-de-rosa, mas uma carta necessária e potente, que transborda amor pela sua filha que está por vir e pelo país pelo qual a autora luta todos os dias para (re)construir. É uma lição de amar, para o que “é preciso coragem para ser serena, coragem para se revoltar”.
Ana Boff de Godoy é professora do DEH/UFCSPA.





