Contar histórias é importante, e a história do feminismo ainda está sendo escrita e, portanto, contada. Mas, durante muito tempo, homens brancos contaram histórias com protagonistas igualmente homens e brancos. Mulheres e pessoas não brancas eram, no máximo, objetos que ilustravam as façanhas dos verdadeiros “heróis”. Precisamos conhecer o passado para compreender o presente. Saber o que já foi proibido para quase todas as mulheres (e que ainda é proibido para muitas) e valorizar as lutas do passado que nos permitem, no presente, fazer coisas corriqueiras como estudar, trabalhar fora de casa de modo igualmente remunerado, dirigir um carro, votar, escolher se e com quem casar, escolher continuar ou não casada, escolher ter ou não filhos, e quando, e com quem. Mulheres na luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade (Editora Seguinte, 2019), de Marta Breen e Jenny Jordahl, conta, de modo leve e lindamente ilustrado, parte da história de lutas e conquistas das mulheres. Ah, e não esqueça que elas podem contar essa história e você pode escolher ler e falar sobre ela, apenas porque muitas mulheres lutaram e morreram para que nós, no presente, sejamos, ao menos, um pouco mais livres do que nossas antepassadas. Então, olhe para o presente no modo crítico e responda: o que ainda precisamos fazer?

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.