
Leve e engraçada, e, ao mesmo tempo, profunda e inteligente. A série argentina Casi Feliz, ou Quase Feliz, como traduzida para português, apresenta a rotina de Seba, um radialista de Buenos Aires, quase famoso e, principalmente, quase feliz, como reverbera no belo tema de abertura que comparte o nome com a série – um bonito electro pop de arranjo infantil e letra arrebatadora do conjunto argentino Miranda!. Seba desliza por uma Buenos Aires linda e vibrante, evidentemente pré-pandemia, cheio de quase felicidades e problemas existenciais de sujeito urbano e branco de classe média. Nunca está presente: sempre está com a cabeça em outro lugar. É um caladão que vive de falar a milhões de pessoas no rádio. É um sem-graçola que vive de fazer humor, quase sempre do tipo em que as pessoas riem dele e não com ele. Notoriamente apaixonado por Pilar, sua linda e também problemática ex-mulher, não consegue conquistá-la de volta. Apesar de honestamente tentar, não consegue ser o bom pai que deseja para seus filhos, opa, “filhes”gêmeos. Ele tenta se conectar com as pessoas, mas sempre está na hora errada, no lugar errado ou fazendo a coisa errada – o que se traduz em cena hilariantes e outras honestamente miseráveis, mas prototípicas da miséria existencial que muitos de nós enfrentamos no cotidiano. Dá para rir e também para pensar na vida. Disponível na Netflix.
William Kirsch é professor de inglês do DEH/UFCSPA.





