Em partes dos continentes africano e asiático, mas também nas Américas, as mulheres não têm os mesmos direitos que os homens, homossexuais são perseguidos por motivos religiosos e as famílias têm uma rígida estrutura patriarcal. Pode parecer que as sociedades ocidentais nunca foram assim. O livro do historiador inglês Faramerz Dabhoiwala, As Origens do Sexo (2013), mostra o contrário. Noções tradicionais e repressivas sobre a sexualidade vigiam na Europa até os séculos XVII e XVIII. Para Dabhoiwala, o iluminismo do século XVIII foi uma ruptura. Marcou uma revolução nas concepções e nas práticas dos homens e mulheres das elites da época quanto à naturalidade e à individualidade de suas vidas sexuais. Queriam libertar-se da autoridade da comunidade e da religião nas suas camas. Ao mesmo tempo, a naturalização do sexo criou outras formas de exclusão, cavando um fosso ainda mais profundo entre o "normal" ou o "saudável" e o "anormal" ou a "aberração". Trata-se de um livro importante para quem quer entender a origem das nossas ideias modernas sobre o sexo e os limites em que elas ainda estão encerradas.

Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.