Primorosa a direção de João Jardim, bem como a direção de arte de Tiago Marques Teixeira e, ainda, a atuação de Tony Ramos no papel de Getúlio Vargas, controversa figura histórica do nosso país. Getúlio (2014) conta a história dos últimos dezoito dias de vida do estadista – nascido em São Borja e formado na UFRGS – menos do ponto de vista político e mais sob aspectos humanos daquele que dirigiu o país de forma ditatorial de 1934 a 1945 e, depois, eleito pelo voto popular, de 1951 a 24 de agosto de 1954, quando se suicidou. Ironia da vida, exatos onze anos antes morria Getulinho, um de seus cinco filhos. Alzira (Drica Moraes), a filha e fiel-escudeira do pai, ganha no filme o destaque merecido que a história não lhe deu. O filme respira entre balas de revólver – do atentado na rua Tonelero (a Carlos Lacerda) até o último suspiro de Getúlio – e nos leva a reviver os ares daquela época e daquelas tramas que, afinal, seguem se repetindo por linhas tortas na nossa história. Disponível no Netflix e no Youtube.

Ana Boff de Godoy é professora do DEH/UFCSPA.