
Foi a partir de uma postagem em um blog, intitulada Por que eu não falo mais com pessoas brancas sobre raça (Letramento, 2019), que o livro homônimo da jornalista britânica Reni Eddo-Lodge começou a ser gestado. Na obra, a autora aprofunda o seu manifesto que nos faz pensar sobre as violências que a população negra sofre por causa das estruturas racistas enraizadas profundamente no inconsciente coletivo. Ela disserta sobre temas urgentes, como o mito da democracia racial, que faz crer que a raça não é um fator determinante para os espaços que as pessoas negras ocupam, sobre privilégio branco, sobre como o sistema beneficia sobremaneira a branquitude. Também é didática ao explicitar o porquê de políticas inclusivas serem ainda necessárias para, de certa forma, reparar os danos sofridos em séculos de opressão (no Brasil, foram 338 anos de escravização!). Sobretudo, chama a atenção a violência e o poder que emergem pela linguagem nas referências às vidas negras. Apesar de pensar a sociedade britânica, o livro deve ser lido a partir da ótica de um país como o Brasil, que ainda carrega as marcas da escravização de milhares de vidas.
Aline Vanin é linguista e professora do DEH/UFCSPA.





