O exercício da empatia tem-se tornado cada vez mais necessário em tempos em que as muitas possibilidades de se viver geram sofrimento a quem ousa contrariar aquilo que é considerado a norma. Disclosure (2020), filme de Sam Fender e Amy Scholder, discute como a representação de pessoas trans na mídia mainstream contribui para moldar a maneira como percebemos quem rompe a oposição binária marcada sobre o corpo. O filme constrói uma narrativa a partir do olhar autoral de mulheres e homens trans sobre séries e filmes majoritariamente no contexto norte-americano. Cada depoimento é uma reflexão sobre a importância da representatividade trans no cinema e na TV para além de estereótipos, para oferecer a quem não se reconhece nas pessoas ao seu redor o entendimento de que não se está sozinha(o) no mundo. Revelar-se é um processo: numa época em que o conservadorismo avança de maneira assustadora e violenta, é necessário coragem para erguer a voz, e também para saber ouvir. O filme se soma a outras iniciativas de visibilidade às narrativas trans: recentemente a transativista Bruna G. Benevides reuniu registros de pessoas trans no cinema brasileiro (“11 filmes sobre ativistas trans que você precisa conhecer”). Numa linha de tempo, Bruna nos mostra como semelhanças e diferenças nas transgeneridades vividas por travestis e mulheres transexuais preservam a memória do movimento LGBTQIA+ para além de um dia ou um mês marcado pelo orgulho de ser quem se é.

Alexandre do N. Almeida é professor do Departamento de Educação e Humanidades e gosta de aprender um pouco mais sobre as infinitas possibilidades de existência.