
#MeToo é um movimento que toma força em 2017 e coloca em evidência os muitos homens assediadores e as muitas mulheres assediadas. De modo nunca antes visto, as mulheres passam a ser ouvidas quando fazem relatos de assédio. Finalmente, os outros passam a acreditar nos relatos das mulheres, e, com isso, mais mulheres tomam coragem e denunciam, o que dá ainda mais força aos primeiros relatos. Jeffrey Epstein: filthy rich é uma série documental lançada em 27 de maio de 2020 pela Netflix, que conta a história de um bilionário pedófilo que estabeleceu uma pirâmide (sexual) para ter acesso a adolescentes a quem ele pagava tanto para ter relações sexuais, quanto para que levassem até ele outras adolescentes. Por 200 dólares, as jovens eram contratadas para fazer massagens, que, invariavelmente, terminavam em abuso sexual. Pela pouca idade das vítimas, entende-se que elas não tinham condições de consentir. Ainda assim, e, apesar de pagar, muitas das relações sexuais foram explicitamente sem consentimento, ou seja, estupros. Os quatro episódios contam histórias pesadas e mostram a conivência de agentes do Estado que atuaram para proteger um homem violento. Passaram-se mais de 20 anos, desde a primeira denúncia, para que as vítimas fossem de fato ouvidas e, finalmente, um predador sexual voraz fosse preso. Devo avisar, que o bandido morre no final. A série é pesada, mas dá voz a muitas mulheres que sofreram em silêncio por décadas.
Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.





