Em A terceira vida de Grange Copeland (1970), Alice Walker narra o cotidiano de uma família negra do sul dos Estados Unidos por três gerações: a de Grange Copeland, um trabalhador rural oprimido pela sua condição de raça (e, consequentemente para aquela época, de classe); a de seu filho, o violento e infeliz Brownfield, que maltrata sua mulher, Mem; e a de sua neta, Ruth, a única que tem acesso à educação, mesmo que a muito custo. A obra trata das novas formas de escravidão sofrida pela população negra que, mesmo liberta, fica à mercê de "parcerias rurais" com proprietários de terras, do trauma do racismo cotidiano, da opressão sofrida pelas mulheres negras e pobres numa sociedade que as invisibiliza. Ao longo da narrativa, pipocam temas políticos como a luta pelos direitos civis, explicitando posicionamentos nos quais a própria autora se engajou ao longo da vida.

Aline Vanin é linguista in(ter)disciplinar e professora no DEH.