Há uma nova geração de escritoras negras que, dados os novos ventos, refletem sobre suas existências, escrevem, são publicadas e lidas. Jarid Arraes é uma quase balzaquiana que escreve cordéis, poesia e, no ano passado, publicou seu primeiro livro de contos, Redemoinho em dia quente (Alfaguara, 2019). Ela escreve com leveza sobre temas pesados: as várias facetas da loucura permeada pela pobreza, o ser sem rumo de quem não sabe que pode haver um rumo. Uma jovem mulher que escreve com a intensidade de quem conhece o sofrimento e sabe narrá-lo com suavidade, sem maltratar demais o leitor.

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.