
Um nazista culto e homossexual, que odeia a mãe e vive uma paixão incestuosa pela própria irmã gêmea... Não bastasse, ele viaja pelo Reich como oficial da SS, testemunhando e organizando assassinatos em massa de judeus, ciganos, deficientes, "associais", comunistas e outros indesejáveis. Essa flor de pessoa é Max Aue, o protagonista de As Benevolentes (Companhia das Letras, 2007), do franco-americano Jonathan Littell. Nesse romance-choque lançado na França em 2006 e ultrapremiado desde então, acompanhamos em terríveis e eletrizantes milhares de páginas as memórias de Max Aue, de Auschwitz a Stalingrado, das boates gay em Paris aos campos de extermínio na Polônia. Na sua tranquila velhice como um pacato burguês, Max Aue lembra e escreve - mas sabe, como o Orestes na tragédia de Ésquilo, que existem as Benevolentes, aquelas divindades da mitologia grega que punem a consciência do culpado, lembrando-o a toda hora seu crime.
Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.





