Prof Airton Stein
Departamento de Saúde Coletiva da UFCSPA
O artigo publicado por Cortegiani A. e colegas da Universidade de Palermo (Itália) e publicado no Journal of Critical Care apresenta o objetivo de realizar uma revisão sistemática da evidência em relação a cloroquina para o tratamento do Covid-19.
As bases de dados pesquisadas foram o Pubmed, Embase e três registros de ensaios para identificar estudos de cloroquina em pacientes com Covid 19. Foram incluídos seis artigos (uma carta, um estudo in vitro, um editorial, um artigo de consenso de expert e duas diretrizes clínicas) e 23 ensaios clínicos em andamento na China. A cloroquina parece ter sido efetiva em limitar a replicação do SARS-COV-2 (o vírus que causa o COVID 19) in vitro.
A conclusão deste artigo mostra uma evidência de efetividade pré-clinica e uma segurança do uso clínico, considerando que é utilizado para outras indicações há vários anos. Estes resultados justificam inclusão deste medicamento na pesquisa clínica de cloroquina em pacientes com Covid-19. Os médicos tem duas opções a partir deste estudo: aderir a “Utilizar uma Intervenção Não Registrada Monitorada de Emergência “ (Monitored Emergency Use of Unregistered Intervention – MEURI) ou propor um ensaio clínico para avaliar a efetividade.
 
Baseado nesta revisão sistemática, parece haver evidência suficiente pré-clínica em relação a efetividade da cloroquina para o tratamento do Covid-19, assim como evidência de segurança pelo uso de longo período para outras indicações e isto justifica pesquisa clínica neste tópico.
 
Em síntese trata-se de evidência pré-clínica. A hidroxicloroquina parece limitar a replicação de SARTS2-COV-2 in vitro. E isto não tem ainda indicação de uso clínico, há necessidade de indicar este medicamento para um ensaio clínico randomizado.
 
O outro estudo trata-se de um ensaio clínico randomizado aberto de Univ AM. E colegas da Meditrranee Infection, Marseille, França, que não é identificado onde foi publicado. O objetivo deste estudo tem o intuito de avaliar o papel da hidroxicloroquina na carga viral respiratória. O tamanho da amostra é pequeno e a conclusão do autor mostra que hidroxicloroquina está associado significativamente com uma diminuição de carga viral na Covid-19 e o seu efeito é reforçado pela azitromicina. Um problema metodológico é o desfecho escolhido, que se caracteriza como desfecho substituto (surrogate outcome), considerando que foi a carga viral e não desfechos clínicos como sintomas e mesmo mortalidade, os quais se caracterizam como desfechos de relevância clínica. Outro problema metodológico é que o estudo não foi randomizado. Em Marseile foram identificados como controle os pacientes que se recusaram de usar o tratamento ou faziam parte do critério de exclusão. Os pacientes atendidos em outros centros não receberam hidroxicloroquina e foram utilizados como controle. Este procedimento levou a alto potencial de viés de seleção. E um outro problema metodológico foi a interrupção do estudo e o tempo de acompanhamento de 14 dias foi provavelmente insuficiente para avaliar a efetividade deste medicamento.