Título do projeto

Eficácia e segurança de anfotericina B lipossomal em alta dose (10 mg/kg) para histoplasmose disseminada em AIDS: estudo randomizado de fase III

Edital e Agência financiadora

Edital MCTI/FINEP – MS/SCTIE/DGITIS/CGITS – Doenças Negligenciadas, Tropicais e Transmitidas por Vetores e Outras Doenças Com Populações Desassistidas 02/2021

Objetivos do projeto

Determinar a atividade e a segurança de dois regimes de L-AmB como terapia de indução para tratamento de HD em pacientes com AIDS: 10 mg/kg em dose única, versus 3 mg/kg por duas semanas, ambos seguidos por itraconazol 400 mg/dia, por um ano.

A importância da pesquisa

A histoplasmose é uma micose sistêmica endêmica nas Américas e no Brasil, frequentemente associada a altas taxas de morbimortalidade em pacientes imunocomprometidos, especialmente aqueles infectados pelo HIV. Nos pacientes com AIDS, a histoplasmose disseminada (HD) é considerada uma condição definidora da doença, sendo sua detecção e tratamento precoces cruciais para a sobrevivência. No entanto, existem importantes desigualdades no acesso a diagnósticos rápidos e terapias eficazes, agravando o impacto da doença no Brasil.

Enquanto nos Estados Unidos o diagnóstico de HD é realizado em 1 a 2 dias por meio da detecção do antígeno de Histoplasma na urina, no Brasil, o diagnóstico ainda depende de métodos como cultura fúngica e histopatologia, que podem levar semanas para fornecer resultados. Essa demora compromete o início do tratamento, aumentando as taxas de mortalidade. Além disso, embora a anfotericina B lipossomal (L-AmB) seja a terapia de primeira linha recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, ela não é custeada pelo Programa Brasileiro de AIDS, limitando seu uso. Os pacientes frequentemente recebem anfotericina B desoxicolato (d-AmB), associada a maior toxicidade e menores taxas de sucesso terapêutico, contribuindo para uma mortalidade superior a 45%.

Este estudo tem como objetivo avaliar a eficácia e segurança de dois regimes de L-AmB – dose única elevada (10 mg/kg) versus doses diárias (3 mg/kg por 14 dias) – como terapia de indução para HD em pacientes com AIDS. A pesquisa é de extrema relevância, pois, além de investigar uma abordagem terapêutica potencialmente mais acessível e prática, busca gerar evidências que possam subsidiar mudanças nas políticas públicas de saúde.

A adoção de regimes terapêuticos simplificados e eficazes, aliados a diagnósticos mais rápidos, pode reduzir significativamente as taxas de mortalidade, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e promover a equidade no acesso ao tratamento. Assim, este estudo representa um passo importante na luta contra a histoplasmose disseminada, reforçando o compromisso com a melhoria do cuidado à saúde dos pacientes com HIV/AIDS no Brasil.

Equipe

Alessandro Comarú Pasqualotto, UFCSPA

Daiane Flores Dalla Lana, UFCSPA

Roger Kirst, UFCSPA

Larissa Rocha Da Silva, UFCSPA

Diego Rodrigues Falci, UFCSPA

Marineide Gonçalves De Melo, UFRGS

Terezinha Menino Jesus Silva Leitão, UNIFESP

Marcus Vinícius Guimarães De Lacerda, UNB

Claudilson Jose De Carvalho Bastos, FBDC

Filipe Prohaska Batista, UNIFESP

Monica Baumgardt Bay, UFRN

Cassia Silva De Miranda GODOY, UFG

Renata De Bastos Ascenço Soares, UNB

Taiguara Fraga Guimarães, UFG