30/11/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/11/em-duas-semanas-omicron-causa-aumento-de-casos-na-africa-do-sul-mas-sem-reflexo-proporcional-no-numero-de-mortes-ckwmq2p0400d0014c76vnqhjc.html
Em duas semanas, Ômicron causa aumento de casos na África do Sul, mas sem reflexo proporcional no número de mortes
Especialistas alegam que é preciso esperar mais tempo para se ter noção real do impacto
Em meio a uma série de incertezas sobre a variante Ômicron, as estatísticas mostram que, nas primeiras duas semanas de dispersão, a nova variante causou aumento de novos casos de covid-19 na África do Sul sem reflexo proporcional em crescimento de mortes. Especialistas destacam que é preciso aguardar mais tempo para checar o impacto a médio e longo prazo.
A Ômicron foi rastreada pela primeira vez no país em novembro. Na primeira quinzena do mês, correspondia a 29% das amostras sequenciadas. Na segunda metade, já havia saltado para 90% de todas as coletas. Os dados são do portal Covariants.org, mantido pela Universidade de Berna, na Suíça.
A média móvel de casos saltou em duas semanas, de 290 por dia em 16 de novembro para 4.786 nesta segunda-feira, aumento de 1.550%, de acordo com estatísticas do Our World in Data. Todavia, a média móvel de novas mortes foi de 16,7 para 34 no mesmo período, crescimento de 103,5%.
ÔMICRON FAZ CASOS AUMENTAM NA ÁFRICA DO SUL, MAS SEM DISPARADA NAS MORTES
Nova variante da covid-19 avançou em meio à baixa vacinação (dados de 2021)
A cobertura vacinal na África do Sul é baixa: 24% da população com duas doses. Médicos do país afirmam à imprensa local que o aumento de hospitalizações é parecido ao de surtos por outras cepas.
— Precisamos olhar ao longo do tempo e ver que faixas etárias foram mais atingidas. Sabemos que houve um grande número de jovens analisados inicialmente. Há o tempo para a pessoa se infectar e ir a óbito. Com a variante Gama no Rio Grande do Sul, tivemos um período de 21 dias entre início da subida de casos e o início de mortes — comenta o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A vigilância genômica no continente africano, com a exceção de poucos países, como a África do Sul, é falha, o que impede análise sobre a dispersão da Ômicron em outras nações. Até o momento, já foi detectada em 18 países, incluindo o Brasil, segundo o site Gisaid, que compila dados de vigilância genômica ao redor do mundol.
Velocidade
Na África do Sul, o avanço da Ômicron levou menos de um mês, velocidade muito maior do que a Delta, que levou quase quatro meses para atingir 90% das amostras sequenciadas.
— Isso indica que a Ômicron é bastante transmissível. Dá para dizer que a média de novas mortes não aumentou tanto quanto a média de novos casos, o que talvez indique que essa variante não seja tão deletéria, mas é pouco o número de dias e de casos — afirma Afonso Barth, coordenador do Laboratório de Diagnóstico de Covid-19 do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da UFRGS.
Ele acrescenta que a expectativa da comunidade científica é de que as vacinas atuais ofereçam proteção contra os casos mais graves.
— Por mais que o vírus consiga fugir dos anticorpos produzidos pela vacina, existe a resposta imune celular, que ainda poderia debelar o processo de infecção. O Brasil atrasou a vacinação. Se isso foi ruim no início, agora temos uma população vacinada há menos tempo e, portanto, com nível de anticorpos maior. Muitas pessoas estão recebendo agora a terceira dose, então estão com resposta de anticorpos bem apta. O percentual de vacinados e essa vacinação tardia podem ajudar a ter menor circulação dessa variante — afirma Barth.
O médico Alessandro Pasqualotto, chefe do setor de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, diz que é cedo para dizer se a Ômicron é mais transmissível e propõe a seguinte reflexão: uma variante surge em regiões onde muitas pessoas estão sendo infectadas. Se há aumento de casos, a culpa é da nova variante ou é resultado do prévio descontrole da doença?
— O surgimento de nova variante pode ser produto do descontrole em um local com baixa vacinação. Se os humanos não vacinados estão aglomerando, há maior transmissão. Teríamos que isolar o comportamento humano dessa equação. É razoável acreditar que ela não aumente o número de mortes de modo significativo. A Delta explodiu no Brasil e não teve consequência maior. O que vale é reforçar a vacinação — diz o médico infectologista, professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
25/11/2021 – Viva Bem UOL
Link: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/11/25/o-futuro-chegou-diagnosticar-doencas-por-voz-ja-e-possivel-saiba-como.htm
O futuro chegou: diagnosticar doenças por voz já é possível; saiba como
Cada voz é única, com suas nuances de tons, timbres e potências. Através dela nos comunicamos, expressamos emoções e, acredite, até indicamos se estamos com algum problema de saúde. E não apenas os específicos de voz, fala e linguagem, como já acontece na prática clínica da fonoaudiologia há anos.
A novidade agora é que, por conta do avanço da tecnologia, os sons que emitimos pela boca também passaram a ser considerados como aliados no diagnóstico e monitoramento de uma ampla gama de doenças, como Parkinson, depressão, Alzheimer e, mais recentemente, covid-19.
A fonoaudióloga Nathália Nunes, consultora de mercado para saúde no Brasil e nos Estados Unidos e pesquisadora do tema, explica que a voz humana produz múltiplas frequências, algumas imperceptíveis ao ouvido, mas que podem ser captadas por sensores, dispositivos vestíveis, aplicativos e outras ferramentas computacionais —e eles, com o auxílio de algoritmos, inteligência artificial e técnicas de aprendizagem de máquina (machine learning), conseguem determinar os sinais das patologias.
"Por meio desses recursos são analisados o que chamamos de biomarcadores digitais vocais, estabelecidos após a análise das características típicas da nossa voz", informa a especialista, que em setembro deste ano deu uma palestra sobre o assunto no HIS (Healthcare Innovation Show), um dos principais eventos de saúde e tecnologia do país.
Na prática, funciona assim: centenas (ou milhares) de vozes de pessoas saudáveis são comparadas com vozes de portadores de distúrbios. Neste processo, realizado com o uso de programas de computador desenvolvidos especificamente para esta finalidade, a máquina "aprende" os padrões vocais das enfermidades e, a partir disso, consegue fazer a detecção —ela avalia, por exemplo, oscilações, flutuações, volume e vibrações.
"A linguagem, a fala e a voz são fenômenos complexos que resultam da coordenação entre a função cerebral e a pulmonar, e estão associadas a muitos processos neurológicos e fisiológicos. Por essa razão, alterações nos parâmetros podem indicar problemas de saúde", aponta Nathália. Leonardo Lopes, presidente da SBFa (Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia) e professor titular na UFPB (Universidade Federal da Paraíba), complementa que a produção desse trio (voz, fala e linguagem) é a função mais refinada do corpo humano, pois envolve um fino controle neurológico e uma série de conexões, que são influenciadas por diferentes áreas do cérebro e outros centros de controle e sensíveis a ala alterações biológicas e mentais, daí a possibilidade de fazer diagnósticos através deste mecanismo.
"Vários transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão, e neurológicos, como Parkinson e escleroses, têm manifestações na voz que podem ser detectadas por meio da extração de algumas das suas características acústicas", indica o especialista, que também é líder do LIEV (Laboratório Integrado de Estudos da Voz), da UFPB.
Segundo Lopes, isso é particularmente importante porque, enquanto muitas das doenças, em especial as mentais, têm um diagnóstico classicamente subjetivo, os biomarcadores vocais desenvolvem medidas padronizadas.
"Só é preciso que as pessoas entendam que nada disso substitui o componente humano. Trata-se apenas de uma ferramenta complementar para facilitar o diagnóstico e ajudar os profissionais da saúde na sua rotina."
Nunes reforça esse posicionamento: "As pessoas podem achar que a tecnologia vai fazer a identificação das doenças sozinha e que não será mais preciso ir ao médico. Mas não é isso. Seu uso se dará de forma a apenas auxiliar os especialistas no dia a dia."
Ao redor do mundo, diversas pesquisas e aplicações da voz para triagem, detecção e monitoramento de patologias têm sido realizadas. Uma delas é comandada pela organização norte-americana "Iniciativa de Voz do Mal de Parkinson", em parceria com o Centro Médico da Universidade de Rochester, e já alcançou 98,6% de precisão de detecção (ou seja, a porcentagem de amostras que foram corretamente identificadas como saudáveis ou com a enfermidade) em condições de laboratório.
Outra está sendo conduzida pela Clínica Mayo, dos Estados Unidos, e a empresa israelense Beyond Verbal. O foco desta são os biomarcadores vocais para rastreamento de hipertensão arterial pulmonar (HAP), moléstia grave que eleva a pressão arterial nos pulmões.
O Brasil também já tem algumas iniciativas do tipo. Dentre elas, destaque para o Spira (Sistema de Detecção Precoce de Insuficiência Respiratória por meio de Análise de Áudio), que está sendo desenvolvido desde 2020 por um grupo de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento da USP (Universidade de São Paulo).
Marcelo Finger, professor titular do DCC-IME (Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística) da instituição e coordenador do projeto, conta que, atualmente, são duas as frentes de trabalho: diagnóstico de insuficiência respiratória em decorrência da covid-19 e da própria patologia provocada pelo novo coronavírus.
"Criamos um programa que usa inteligência artificial para comparar vozes de pessoas infectadas pelo vírus com as de indivíduos saudáveis. Na primeira fase, coletamos 11 mil vozes, das quais conseguimos aproveitar 6 mil. A partir daí, 'treinamos' o sistema para inicialmente identificar se uma pessoa apresenta insuficiência respiratória. Depois, expandimos para a covid-19. Ao longo do tempo, chegamos a 97% de precisão nos resultados", indica o docente.
Por enquanto, o Spira é apenas um projeto de pesquisa, mas Finger acredita que ele tem chance de, em alguns anos, ser implementado na prática clínica para facilitar o trabalho de triagem dos pacientes pelas equipes médicas.
"E certamente será útil mesmo no pós-pandemia, uma vez que a insuficiência respiratória é um sintoma comum de outros problemas de saúde, como asma agudizada, H1N1 e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica)", aponta o professor.
De acordo com Lopes, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, a tendência é que cada vez mais biomarcadores vocais sejam desenvolvidos, para as mais diversas enfermidades, e que o rastreamento seja feito até mesmo no ambiente doméstico.
"No futuro, é bem provável que os smartphones ou os assistentes pessoais, após analisarem os dados de voz que ficam armazenados neles e identificarem alterações nos seus padrões, recomendem que os usuários procurem um médico."
Biomarcadores cardíacos
Se a área de diagnósticos vocais avança a passos largos, outras começam a ser estudadas com foco na saúde. Como a dos biomarcadores cardíacos. A medição da frequência do coração não é novidade. Hoje em dia, é feita, inclusive, de forma cotidiana por meio de pulseiras, relógios e celulares, sobretudo por quem pratica atividade física, porém, pesquisas têm utilizado inteligência artificial e aprendizagem de máquina para o reconhecimento de sintomas clínicos de algumas condições cardiovasculares até mesmo antes que elas se manifestem.
Por exemplo, cientistas britânicos da Universidade de Oxford e de outras entidades desenvolveram há pouco tempo um biomarcador derivado da análise de tomografias computadorizadas de rotina que pode identificar pessoas com alto risco de ataque cardíaco fatal. O resultado dessa análise foi publicado em 2019 no European Heart Journal (ou Jornal Europeu do Coração, em português).
Pedro Dal Lago, professor do Departamento de Fisioterapia da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e coordenador do projeto Maya, que se vale de tecnologias disruptivas para prescrever, incentivar e avaliar a prática de atividade física a partir dos sinais do coração, diz que cada pessoa tem uma espécie de assinatura cardíaca, uma frequência própria.
"Sabemos que o desenvolvimento das doenças cardiológicas muitas vezes afeta o ritmo dos batimentos do coração, e essa alteração pode ser medida ou mensurada por sinais capturados por equipamentos específicos, como os sensores que estamos desenvolvendo", afirma. "Por enquanto, esse não é o foco do nosso estudo, mas é uma das possíveis aplicabilidades no futuro."
Enquanto esse dia não chega, o trabalho atual de Lago, junto a pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) e UFPA (Universidade Federal do Pará), consiste em criar soluções para ajudar a aumentar a adesão aos exercícios físicos.
"Grande parte da população brasileira é sedentária, e isso é uma preocupação grande para o sistema de saúde. Porém, com a prática de forma segura e adequada, podemos diminuir a incidência das doenças crônicas, como as cardiovasculares, e até alguns tipos de câncer", aponta o fisioterapeuta.
"Com o nosso dispositivo, vamos poder mensurar a frequência cardíaca durante a realização da atividade física para sabermos se a intensidade está realmente adequada para cada perfil de pessoa, levando em conta gênero, idade e condição geral e, assim, se obter todos os benefícios resultantes dela", finaliza.
24/11/2021 – G1 RS
Link: https://g1.globo.com/saude/coronavirus/vacinas/noticia/2021/11/24/vacina-da-pfizer-protege-contra-infeccao-pelo-coronavirus-por-meses-apos-2a-dose-indica-estudo-em-israel.ghtml
Vacina da Pfizer protege contra infecção pelo coronavírus por meses após 2ª dose, indica estudo em Israel
Pesquisa feita com vacinados sugere que vacina protegeu não apenas de casos graves da doença, mas também da infecção pelo vírus; mesmo após 3 meses, apenas cerca de 10% das pessoas se infectaram.
Uma pesquisa feita em Israel publicada nesta quarta-feira (24) no "BMJ" apontou que a vacina da Pfizer contra a Covid-19 protegeu da infecção pelo coronavírus por pelo menos 3 meses após a segunda dose. Mesmo depois desse período, apenas 9,6% dos vacinados se infectaram com a doença.
A novidade do estudo é que ele mede a proteção contra a infecção pelo coronavírus, e não a capacidade da vacina de evitar casos graves ou morte pela Covid – que era a intenção original das vacinas contra a doença.
"Isso é uma coisa nova. Isso é maravilhoso. Em geral, as vacinas não são desenhadas para proteger da infecção. Elas são desenhadas para proteger da doença", explica a pesquisadora Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Veja os principais pontos do estudo:
Ao todo, foram reunidos dados de vacinação de 83.057 pessoas no país.
Todas haviam recebido duas doses da vacina, com 21 dias entre as doses, e, durante o estudo, ainda não haviam recebido a dose de reforço.
90 dias depois da segunda dose, só 7.973 pessoas haviam se infectado com o vírus, o equivalente a 9,6% do total de participantes.
O estudo não investigou a gravidade dos casos de Covid ou mortes pela doença.
"Que existam 9,6% de infecções 90 dias depois da segunda dose de uma vacina em particular, no meio de uma pandemia, não é uma coisa que altere significativamente os dados de eficácia de uma vacina, que de fato nem sempre está baseada em evitar infecções", reforça o pesquisador Oscar Bruna Romero, professor de doenças infecciosas e vacinas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
"A maior parte das vacinas se baseiam em evitar os efeitos graves das infecções e muitas vezes não conseguem evitar pequenas infecções alguns meses depois da vacinação. Esse é o primeiro ponto. Ninguém prometeu que as vacinas bloqueariam as infecções, sobretudo a primeira geração de vacinas", enfatiza o pesquisador.
Ele explica, entretanto, que 9,6% das pessoas terem se infectado NÃO quer dizer que a efetividade da vacina seja de 90,4%. Isso porque o cálculo de efetividade tem que levar em consideração a quantidade de pessoas que se infectaram entre os que não se vacinaram.
"Ainda tens que pensar que existem diversas variáveis que podem influir nesse número, como o excesso de confiança que os vacinados possam ter adquirido devido à publicidade positiva que essa vacina teve, em particular em Israel, e no mundo todo, fazendo aos cidadãos acreditarem que nunca iriam se infectar – e, em conseqüência, aceitando maiores riscos de exposição", pontua.
Bonorino completa:
"Isso nos diz o seguinte: o vírus, na população vacinada, vai parar de circular. O que o estudo diz é isso: se você vacinar as pessoas com intervalo de 21 entre as duas doses e esperar 3 meses, mesmo assim, só 10% das pessoas se infectam", diz a pesquisadora, que também integra o comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia.
"Ou seja: praticamente eliminou o vírus por 3 meses numa população em que não está todo mundo vacinado. É fantástico", acrescenta.
Segundo o "Our World in Data", monitoramento feito por cientistas ligados à Universidade de Oxford, apenas 62% da população de Israel já foi totalmente vacinada contra o coronavírus. Para comparação, no Brasil, esse percentual é de 61%, mas a vacinação começou antes no país do Oriente Médio e sua população inteira é menor do que a da cidade de São Paulo (cerca de 9 milhões contra 12 milhões de pessoas, aproximadamente).
"Tem uma questão religiosa lá [dos judeus ortodoxos]. Então, é impressionante [o resultado]. O vírus está circulando muito lá – como nos Estados Unidos. Aqui, a tendência é o vírus circular menos – a gente está vacinando quase todo mundo no Brasil. É maravilhosa a adesão, no Brasil, à vacina. Ainda bem. Quanto mais a gente vacina, menos o vírus circula", pontua Bonorino.
Intervalo menor entre doses
Um outro ponto do estudo de Israel é o fato de a segunda dose ter sido aplicada apenas 21 dias depois da primeira.
Apesar de esse ter sido o intervalo usado pela própria Pfizer nos ensaios clínicos, vários países – inclusive o Brasil –, ao menos inicialmente, usaram intervalos maiores entre uma dose e outra, para aumentar a quantidade de pessoas com a primeira dose recebida.
Depois, estudos mostraram que, quanto maior fosse o intervalo entre as doses, maior era a eficácia da vacina.
"O fato das pessoas terem sido vacinadas em outros países só com três semanas (21 dias) de intervalo, e não dois ou três meses como fazemos no Brasil, pode ter alterado a geração da memória imunológica – a verdadeira vacinação de longa duração – nos seus cidadãos", explica Bruna-Romero.
"Para se gerar memória imunológica, é necessário que o sistema imune amadureça completamente entre cada uma das doses, ou a seguinte dose pode eliminar a resposta que ainda esteja ativa da imunização anterior – fenômeno de exaustão imunológica. Tem vezes que, se o estímulo foi muito forte – como parece ser a vacina da Pfizer – deixar mais tempo entre as doses pode ser melhor", pontua o professor.
Mas isso significa dizer que, se as pessoas tivessem sido vacinadas com mais espaçamento entre primeira e a segunda dose, pode ser que tivesse levado mais tempo para se infectarem após a segunda dose?
Ainda não se sabe, segundo os especialistas ouvidos pelo g1.
"Não sabemos, porque a gente está fazendo esses estudos agora. Seria sensacional se o Ministério da Saúde ou a Pfizer, ou ambos, fizessem esse estudo aqui no Brasil, porque nós estamos tomando [as vacinas] com um intervalo maior", avalia Bonorino.
"Não dá para dizer se era esperado o inesperado esse número de infecções", completa Bruna-Romero.
"O que sim tínhamos que esperar era que a vacinação diminuísse o número de óbitos e internações em hospitais de pessoas graves, e essas diminuíram radicalmente, como estão diminuindo no Brasil ou nos outros países, ainda em aqueles que estão passando por novos picos de infecção. Então a conclusão é que as vacinas funcionam com certeza e funcionam muito bem", reforça.
Hora do reforço?
Para Carlos Zárate-Bladés, diretor do laboratório de imunorregulação da UFSC, os dados não justificam, por enquanto, a aplicação de uma dose de reforço 90 dias após a segunda – ao menos não no Brasil.
Se, eventualmente, houver novos surtos no país ou uma estagnação da vacinação – como está ocorrendo na Europa, por exemplo – esse reforço pode ser justificado.
"Mas não é essa a situação do Brasil agora, graças a Deus. Estamos indo muito bem na adesão das pessoas e, então, temos que trabalhar com a situação real nossa, aqui, agora. Mas eu acho que, em outros locais, essa situação deve estar, sim, sendo considerada, e, de fato, já está sendo aplicada em alguns países", pondera.
"Enquanto não tivermos mais gente chegando para ser internada, à UTI, de pessoas que foram vacinadas a partir de, por exemplo, 1 ano da vacina da Pfizer, aí, sim, já muda a situação e aí, sim, se faz análise de quando, então, deveríamos dar essa terceira dose", completa.
Bruna-Romero concorda que o reforço deve levar em conta um eventual aumento no número de casos graves de Covid-19 – e é habitual que esse tipo de dose seja necessária entre outras vacinas.
"Se faz há muitos anos nas vacinas tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola, na tríplice bacteriana contra difteria, tétano, coqueluche ou na vacina de hepatite B. Sempre tem que levar em consideração, sobretudo, a proteção real existente na nossa população", explica.
Enquanto a cobertura vacinal não aumentar, é importante manter o uso de outras medidas de prevenção, como o uso da máscara e o distanciamento, lembra Bonorino.
"A máscara é muito importante para proteger as pessoas. Ela protege a nível individual e a nível coletivo. Num lugar onde não está todo mundo vacinado, a máscara é fundamental. Então, enquanto as pessoas não estiverem totalmente vacinadas, máscara é crucial", reforça.
"À medida que vai chegando a 70%, 80% de vacinação – que é o que a gente sempre previu, desde o início – cada vez mais pode relaxar o uso de máscara. Aí deixa para usar máscara quando está num lugar fechado, com mais gente. São coisas que a gente tem que aprender a se proteger", conclui.
23/11/2021 – BBC com replicação no Correio Braziliense e no Portal UOL
Link BBC: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59256787
Link Correio Braziliense: https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/11/4965466-ou-ia-pra-aula-ou-comia-como-inseguranca-alimentar-esta-prejudicando-universitarios-brasileiros.html
Link UOL: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2021/11/23/ou-ia-pra-aula-ou-comia-como-inseguranca-alimentar-esta-prejudicando-universitarios-brasileiros.htm
'Ou ia pra aula ou comia': como insegurança alimentar está prejudicando universitários brasileiros
Ao sair com sua bicicleta para fazer entregas de comida a serviço de um aplicativo, a universitária Franciele Rodrigues, 29 anos, "reza" para receber algum pagamento em dinheiro — e, com isso, ter ela mesma alguma quantia em mãos para garantir sua alimentação para os próximos dias.
Ela concilia a graduação em fonoaudiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) com bicos de entregadora na capital gaúcha porque, desde que deixou de viver com sua família na periferia de Porto Alegre e se tornou universitária, "o bicho pegou" na tentativa de atender sozinha suas demandas de estudo, moradia e sustento.
Tudo isso se reflete em uma situação que ela conta já durar anos: ela vem comendo pouco e mal, o que já gerou consequências para sua saúde.
"Entrar na faculdade representou deixar de trabalhar e deixar de ter cuidado com minha saúde. Quando saí da casa dos meus pais e entrei na universidade, foi a primeira vez que precisei racionar comida para ter por mais tempo e diminuir a qualidade da minha dieta para ter o que comer no dia seguinte", contou Franciele por telefone à BBC News Brasil, dizendo já ter passado alguns dias sem comer nada nessa trajetória, além de ter tido anemia.
"Durante a pandemia, piorou essa questão da alimentação. O preço das coisas aumentou muito."
Situações como a narrada por Franciele, de insegurança alimentar entre universitários, têm ganhado a atenção de pesquisadores no Brasil e no exterior.
Não há dados nacionais ou de diferentes anos que possam demonstrar um aumento recente na insegurança alimentar destes estudantes no Brasil, mas pesquisadores da área sugerem que a piora em indicadores econômicos, cortes orçamentários para as universidades e a pandemia podem ter agravado o problema. Este período trouxe como consequência, por exemplo, o fechamento de restaurantes universitários (RU).
Por isso, diversas instituições anunciaram estar coletando informações e realizando pesquisas com estudantes sobre a questão alimentar deles durante a pandemia, como na Universidade de São Paulo (USP) e nas universidade federais de Uberlândia (UFU), do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), do Acre (UFAC), Rio Grande do Norte (UFRN), Mato Grosso (UFMT) e Paraná (UFPR).
Algumas resultados já foram publicados. Um artigo científico de março mostrou que 84,5% de 84 estudantes morando no Conjunto Residencial da USP (CRUSP) entrevistados online tinham algum nível de insegurança alimentar — definida por ao menos uma resposta afirmativa a perguntas como "nos últimos 3 meses, a comida acabou antes que você tivesse dinheiro para comprar mais?", "ficou sem dinheiro para ter uma alimentação saudável e variada?" ou "sentiu fome, mas não comeu porque não podia comprar comida suficiente?".
Já na dissertação de mestrado da nutricionista Natália Caldas Martins na Universidade de Fortaleza (Unifor), verificou-se que 84,3% de 428 universitários da rede pública da Bahia e do Ceará apresentaram algum grau de insegurança alimentar na pandemia — 35,7% leve, 23,6% moderado e 25% grave.
Estes universitários fazem parte de uma grande parcela da população brasileira em insegurança alimentar: eram 116,8 milhões de pessoas nessa situação no país em 2020, segundo estimou o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19. De acordo com a pesquisa, a parcela da população afetada cresceu significativamente nos últimos dois anos.
Café em falta e remédio para dormir e não sentir fome
Quando conversou com a BBC News Brasil, Franciele Rodrigues, que mora com o namorado, hoje desempregado, contou que a única proteína que eles tinha em casa naquela semana era ovo — e, mesmo assim, esse estava sendo racionado.
"Ontem, a gente comeu ovo meio-dia e de noite, só um arrozinho com feijão para ter (ovo) no almoço hoje", disse.
Na sua universidade, a UFCSPA, não há um restaurante universitário — a existência deles não é obrigatória por lei. Mas Franciele conta com bolsa alimentação de R$ 300 mensais, além de R$ 400 de auxílio-moradia.
Sem conseguir um emprego por conta da rotina de aulas e estudos e com aluguel e outras despesas a pagar, esse valor é insuficiente para se manter, ela diz.
"No primeiro mês de faculdade, fiquei sem dinheiro porque a bolsa demorou a sair. Teve dias que eu não comi. Ou ia pra aula, ou comia."
Com a pandemia, o namorado, que trabalhava em um restaurante, perdeu o emprego. Sem as aulas presenciais, ela deixou de conseguir vender lanchinhos e sucos que vendia na faculdade, perdendo mais um bocado de renda. Em 2020, a universidade organizou a entrega de cestas básicas mensais para alunos com vulnerabilidades como ela, mas Franciele diz que neste ano deixou de receber a doação.
Hoje, até o café está faltando em casa, e as frutas são raridade. Por outro lado, ovos, salsichas e hambúrgueres congelados passaram a protagonizar as refeições.
"Pulamos o café da manhã. Costumamos almoçar e jantar", conta Franciele, dizendo já ter perdido uma disciplina quando as aulas eram presenciais, por não ter o que comer. "Hoje, vejo que a situação está horrível mesmo para quem não pega assistência estudantil."
Para a estudante de turismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Juliana Castro, 21 anos, uma solução para conter a fome devido a refeições puladas tem sido dormir — às vezes através de remédios para isso. Durante sua trajetória universitária iniciada no segundo semestre de 2018, ela recebeu bolsas por alguns meses, não conseguiu empregos para complementar a renda e hoje conta estar endividada. Como essa situação financeira afeta diretamente sua alimentação, ela conta ter perdido quase 20kg nos últimos dois meses.
"Posso te dizer que o semestre passado eu passei acho que porque Deus quis. Eu não consegui ler texto, escrever então era fora de série", conta Juliana, que nasceu na pequena cidade de Palma (MG) e mora hoje em um alojamento da UFJF. "Não consigo me concentrar para fazer as coisas, fico com indisposição, cansaço. Já desmaiei por ficar sem comer. Fico com a barriga e a cabeça doendo de fome."
"Nos dias que eu não como nada, literalmente nada, eu só durmo. Às vezes eu tomo remédio para dormir, porque dormindo eu não sinto fome."
Desde o início da faculdade, a estudante teve a ajuda de amigos, que dividem com ela compras ou emprestam o dinheiro ou o cartão; e recebeu por algum tempo algumas bolsas, sempre com valores abaixo de um salário mínimo.
Juliana conta que durante dois anos recebeu uma bolsa vinculada ao Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), mas a vigência do benefício acabou. Ela também recebeu por alguns meses uma bolsa bancada por emendas parlamentares destinadas à Diretoria de Imagem Institucional da UFJF, precisando em contrapartida trabalhar em projetos de extensão. Entretanto, os pagamentos desta são irregulares.
Em nota, a UFJF afirmou que "dada a origem dos recursos — emenda parlamentar — o pagamento da bolsa dependia do envio de recursos financeiros pelo Congresso, o que não ocorreu de forma linear e seguindo prazos pré-estabelecidos".
A universidade afirmou que as bolsas pagas a alunos de graduação tinham até junho o valor de R$ 400, mas esses valores precisaram ser reduzidos para R$ 300 "em virtude das restrições orçamentárias às quais as universidades brasileiras foram submetidas".
Já a UFCSPA, onde estuda Franciele Rodrigues, afirmou em nota enviada à reportagem que está construindo um restaurante universitário, com previsão para abertura em 2022: "(…) cabe informar que a UFCSPA se tornou universidade federal em 2008, e desde então esta demanda (por um restaurante) tem sido apresentada pela comunidade universitária, demanda que está sendo encaminhada pela atual gestão."
"Salientamos a importância do PNAES que, mesmo com elevados cortes orçamentários, em conjunto com demais políticas públicas, tem sido um instrumento que colabora na segurança alimentar e na permanência estudantil no ensino superior", acrescentou a UFCSPA.
O impacto dos cortes para as universidades
O Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) foi criado em 2010 e repassa verbas a instituições federais de ensino superior para que estas forneçam, conforme suas políticas internas, assistência aos universitários na moradia, alimentação, transporte, inclusão digital, entre outros.
Entretanto, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, diz que estas ações estão prejudicadas no contexto de "corte de mais de R$ 1 bilhão" no orçamento das universidades federais, citando dado da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) sobre a diminuição de verbas entre 2020 e 2021.
A Andifes diz que os recursos para o PNAES já têm sido insuficientes nos últimos anos, e que idealmente deveriam chegar a R$ 1,5 bilhão. Entretanto, segundo levantamento da entidade, em 2021 houve a maior redução no orçamento para o programa nos últimos cinco anos: o valor executado diminuiu 15,78%, caindo de R$ 1 bilhão em 2020 para R$ 874 milhões em 2021.
Esses valores são nominais — ou seja, não consideram a variação da inflação. Portanto, a diminuição do orçamento é na realidade maior do que 15,78%.
Na outra ponta, isso se reflete na evasão dos estudantes, segundo a presidente da UNE.
"Uma vez que a crise econômica é muito maior agora, e mais estudantes e suas famílias perderam rendas, a verba destinada a esses programas e bolsas não acompanhou a necessidade. Ainda não temos dados sobre a evasão universitária no pós-pandemia, mas com certeza, eles devem se elevar", escreveu Brelaz à BBC News Brasil.
O Ministério da Educação não atendeu ao pedido de posicionamento da reportagem.
Estudante de Direito, Erisvan Bispo, 43 anos, sabe bem o que é o descompasso entre o valor das bolsas e as necessidades. Indígena, ele recebe a Bolsa Permanência no valor de R$ 900 e, no passado, recebia também auxílio moradia e alimentação.
A Bolsa Permanência foi criada em 2013 pelo governo federal. Trata-se de um auxílio financeiro destinado sobretudo a universitários indígenas e quilombolas em instituições federais.
Em 2019, Erisvan precisou optar por alguma das bolsas, pois uma regra da sua universidade, a Federal da Paraíba (UFPB), passou a vedar o acúmulo de auxílios estudantis com a Bolsa Permanência. Perto da sua casa em Mamanguape (PB) e no seu campus, não há restaurante universitário.
"Acompanhando o aumento do preço das coisas, você fica perplexo. Quando você pensa o quanto de dinheiro entra e o quanto tem que gastar, enlouquece", disse Erisvan à reportagem por telefone. "Direito é um curso que eu preciso me dedicar muito. Não é impossível estudar e trabalhar, mas para ficar com um coeficiente de rendimento alto, é difícil."
"Sem trabalho, eu dependo das políticas sociais."
O "preço das coisas", como disse o universitário, realmente tem subido consideravelmente na alimentação, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação nos alimentos e bebidas, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 11,7%, conforme registrado em outubro. Entre os 10 alimentos que mais tiveram aumento estão o pimentão (85,37%), açúcar refinado (47,8%), mandioca (40,7%), filé mignon (38%) e tomate (31,99).
Em nota, o professor Alfredo Rangel, pró-reitor de Assistência e Promoção ao Estudante da UFPB, afirmou que a universidade conta hoje com quatro restaurantes universitários e pretende abrir mais uma unidade em Mamanguape no ano que vem.
Ele acrescentou que, embora a UFPB tenha recebido um orçamento menor para assistência estudantil, a universidade conseguiu manter o valor e o número de bolsas normalmente ofertadas.
Também com orçamento apertado, no seu caso para bancar aluguel, moradia, internet, transporte e comida, Erisvan diz ter cortado da alimentação itens que chama de "supérfluos", como iogurte, queijo, biscoito recheado, goma para tapioca e frutas.
"A única carne que consigo comer é hambúrguer, calabresa e salsicha, porque é barato", afirma Erisvan, acrescentando ter perdido peso por conta da combinação falta de renda e estresse por todo este cenário.
Em um futuro próximo, ele diz depositar esperança em oportunidades de estágio remunerado e, a longo prazo, nos frutos que sua carreira pode trazer.
"Às vezes, por conta dos cortes (na educação superior), sinto revolta. Mas também sou muito grato por estar na universidade. Eu não acordo reclamando, lamentando… Eu sei que estou passando dificuldades para ter uma melhoria de vida. Acredito que algo de bom vai acontecer depois que eu me formar, depois da carteirinha da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)."
Vulnerabilidade da 'primeira geração'
Erisvan diz ter uma origem "paupérrima" e é o primeiro da família a ir para a universidade. Nascido em uma aldeia na serra do Ororubá, em Pernambuco, ele e a família migraram para São Paulo (SP) fugindo de conflitos por terra. Ele morou cerca de 30 anos na capital paulista e depois resolveu voltar a morar e estudar no Nordeste.
Assim como ele, Franciele Rodrigues e Juliana Castro também são da primeira geração de suas famílias a ir para a universidade.
Apesar de vir dos Estados Unidos, um dos maiores estudos já feitos sobre a insegurança alimentar nas universidades mostrou que estudantes de "primeira geração" — ou seja, cujos pais não tinham ensino superior —, aqueles com níveis socioeconômicos mais baixos, além de imigrantes e pessoas trans eram mais vulneráveis ao problema.
A pesquisa publicada em 2019, intitulada College and University Basic Needs Insecurity e realizada pelo Hope Center, entrevistou 86 mil estudantes em 123 universidades. Deste total, 45% foram considerados como sofrendo de insegurança alimentar nos 30 dias anteriores.
A nutricionista Tânia Aparecida de Araújo é uma das autores da pesquisa sobre a insegurança alimentar entre alunos vivendo no Conjunto Residencial da USP (Crusp) durante a pandemia. Ela diz que neste e em outros estudos realizados no Brasil, a baixa renda foi um dos fatores mais importantes para a insegurança alimentar dos universitários.
Dos alunos considerados em insegurança alimentar no Crusp, 92,6% tinham renda considerada insuficiente.
Para Araújo, é justamente a chegada de estudantes de baixa renda à universidade nas últimas décadas, movimento que ela atribui a políticas de inclusão dos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) e Dilma Rousseff (2011-2016), que impulsionou a insegurança alimentar nas universidades como tema de pesquisa.
"A gente tem agora mais pessoas de baixa renda entrando na universidade, o que é muito positivo, porque são ciclos de pobreza que podem ser quebrados. Mas antes, os universitários, principalmente de universidades públicas, eram de uma classe média branca. Agora, a gente realmente tem que dar atenção às políticas públicas para garantir, entre outras coisas, a segurança alimentar e nutricional desses estudantes", diz a pesquisadora, doutora em saúde pública pela USP.
A nutricionista aponta que, além da origem socioeconômica, os universitários ficam mais vulneráveis à insegurança alimentar à medida que deixam de ter redes de apoio como a alimentação e moradia na casa da família. Tendo que se virar sozinhos, muitos apelam às comidas ultraprocessadas como hambúrgueres e macarrão instantâneo porque são rápidas, práticas e baratas.
Ela também ressalta a importância dos restaurantes universitários mas diz que não deve-se esperar que eles contemplem integralmente todas as refeições dos alunos. Desejar comer em outros lugares além deles é legítimo — e em alguns casos necessário, como no caso de Juliana Castro, que teve problemas de intolerância a vários alimentos frequentes no cardápio do RU da sua universidade, como leite e carne de porco.
"A gente acha que a pessoa vulnerável tem que aceitar qualquer coisa, mas todo mundo tem direito de fazer suas escolhas alimentares. Por mais que tenha o restaurante universitário, é muito difícil você manter uma graduação fazendo todas as refeições, almoço e janta em um restaurante", diz Tânia Aparecida de Araújo, apontando para a importância das bolsas de auxílio, além dos RUs.
Para ela, os estudos têm se voltado para as universidades públicas justamente porque estas têm maior propensão a realizar pesquisas científicas — mas aponta que investigar a situação dos estudantes de faculdades particulares é também urgente, já que a presença de alunos de baixa renda nestas é grande, além do forte comprometimento financeiro que as mensalidades e financiamentos representam para eles.
Bruna Brelaz, da UNE, também aponta para diferenças entre os tipos de instituição. Enquanto as universidades federais contam o PNAES e a Bolsa Permanência, mesmo que aplicados de forma insuficiente na sua avaliação, as estaduais têm políticas e ações variando de acordo com a unidade federativa.
"Na nossa opinião, é preciso leis, decretos também estaduais, para garantir a manutenção desses direitos, além da regulamentação e constante fiscalização para as devidas condições de disponibilização deles", diz a presidente da UNE.
"Já nas universidades privadas, temos como realidade a falta de regulamentação, que dessa forma, não garante refeições com preço acessível, por exemplo", acrescenta. "Se alguma universidade privada institui esses restaurantes para estudantes ou vale alimentação é por iniciativa própria, mas sem haver uma regulamentação ou levantamento oficial."
22/11/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/11/pandemia-dos-nao-vacinados-entenda-os-riscos-de-quem-nao-toma-duas-doses-para-si-e-para-os-outros-ckwb8id7a00d4014cwodoanh8.html
“Pandemia dos não vacinados”: entenda os riscos de quem não toma duas doses para si e para os outros
Países na quarta onda registram cobertura vacinal abaixo dos 70%; Brasil e RS precisam aumentar população com esquema completo, alertam analistas
Em meio à quarta onda de covid-19 na Europa, analistas destacam cada vez mais os riscos gerados a si e ao outros por pessoas que não se vacinam — a ponto de um novo fenômeno se desvelar ao redor do mundo: a “pandemia dos não vacinados”.
A expressão descreve a piora de indicadores nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, onde a aplicação de duas doses empacou e não passa dos 70% da população. A situação mais crítica é em países do Leste Europeu, onde sequer 50% dos habitantes completaram o esquema vacinal.
De outro lado, nações com cobertura acima de 75%, como Portugal, Chile e Dinamarca, apresentam baixo índice de novas mortes, apesar de uma taxa de transmissão maior do que no Brasil — o que demonstra que a alta vacinação impede o aumento de casos graves, como mostram as estatísticas a seguir.
PAÍSES COM MAIOR VACINAÇÃO TÊM EPIDEMIA MAIS FRACA
Brasil e RS têm menor índice de novos casos e de novas mortes na última semana
(ver no link)
Analistas pontuam que a pandemia ainda não foi resolvida de vez porque muitas pessoas não se vacinaram, o que gera "bolsões" de alta transmissão da covid-19 e eleva o risco de surgirem novas variantes. Imunizantes reduzem — embora não impeçam — o contágio porque a pessoa vacinada carrega menor carga viral, transmite por menos tempo, e tosse e espirra menos.
— A pandemia atualmente é de não vacinados. A doença mais grave e a morte acontecem em não vacinados. Pessoas não vacinadas mantêm a circulação do vírus entre elas e acabam prejudicando também os vacinados, que acabam se contaminando — observa o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
No Brasil e no Rio Grande do Sul, a covid-19 apresenta tendência de queda, puxada também pelo grande número de pessoas que se infectaram e ainda apresentam imunidade natural — o Brasil é o 10º país com maior taxa de pessoas contaminadas. Mas há temores sobre o que pode ocorrer nos próximos meses, sobretudo com grandes aglomerações como as do Carnaval.
Ao alertar sobre a "pandemia de não vacinados" na Europa, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) destacou, em relatório da semana passada, que apenas 60% dos brasileiros estão com duas doses, índice semelhante ao de países na quarta onda, como Alemanha, Áustria, Holanda e Bélgica.
O sanitarista Christovam Barcellos, pesquisador da Fiocruz e um dos autores do relatório, entende que o Brasil está mais próximo de vivenciar uma piora parecida com a que ocorre em países da Europa Central, onde a vacinação está entre 60% e 70%, do que semelhante ao Leste Europeu.
— Não devemos ter um risco como na Rússia, com baixa cobertura vacinal e inverno muito frio. É possível termos um padrão mais parecido com Inglaterra e França: taxa razoável de vacinação e menos casos graves. Mas precisamos aumentar a testagem e conscientizar a população de que é preciso as duas doses para reduzir a transmissão e termos apenas doença leve no verão — diz o sanitarista.
Não vacinados jamais tiveram tanto risco de adoecer por coronavírus, destaca a médica epidemiologista Lucia Pellanda, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Dados da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) apontam que nove em cada 10 mortes por covid-19 na faixa etária até 39 anos são de pacientes sem vacinação completa. No grupo dos idosos, 99% dos indivíduos não receberam a dose de reforço.
— Quem tinha mais risco antes eram idosos, mas, agora, o risco maior é para quem não está vacinado. O vírus terá mais tendência a pegar quem não está vacinado, porque há menos pessoas não vacinadas — diz Pellanda.
Imunizantes são benéficos inclusive para quem já teve coronavírus: estudos mostram que esse grupo, ao ser vacinado, tem defesas maiores do que quem não teve covid e se vacinou. E, para quem tem covid longa, quando a doença provoca sintomas por meses, as vacinas têm apresentado redução dos transtornos.
— Os estudos demonstram que pessoas vacinadas transmitem menos do que não vacinados e por menos tempo. A pessoa, ao tomar a vacina, protege a si e aos próximos — resume o médico Eduardo Sprinz, chefe do setor de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretário nacional da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, lembra que estudos sugerem que, depois de seis meses, a imunidade gerada tanto pela vacina quanto pela infecção natural começa a cair — por isso, a importância da vacinação e da dose de reforço, sobretudo antes do Carnaval, quando será completado um ano do ápice da epidemia brasileira.
— Com a movimentação que temos agora, não acredito em nova onda (no Brasil) porque está difícil de a Delta encontrar novos suscetíveis. Mas, se tivermos o Carnaval, teremos um desastre. Tudo que fazemos agora tem certo controle de quem pode ir e vir, porque precisa estar vacinado ou com PCR. Mas um evento de massa sem controle tem grande probabilidade de encontro com quem não tem nenhuma proteção — afirmou Vecina Neto durante exposição no programa InfoVacina da Agência Bori, na semana passada.
A Fiocruz destaca que o alerta da epidemia de não vacinados na Europa aponta que, para evitar o avanço descontrolado do vírus, é preciso elevar a cobertura de duas doses, manter o uso de máscaras em ambientes fechados, exigir passaporte vacinal e distanciamento em locais de interação. A médica epidemiologista Lucia Pellanda observa que encontros ao ar livre trazem menor risco, mas que não é possível entender as flexibilizações atuais como sinônimo de fim da pandemia:
— Festas ao ar livre são menos problemáticas, mas Carnaval é mais problemático. O ideal seria usar máscara por mais tempo e observar com cuidado o resultado de cada flexibilização. Não temos uma cobertura no Rio Grande do Sul tão grande para flexibilizar tanto. Não podemos fazer o que esses países fizeram. Precisamos olhar para frente — conclui.
22/11/2021 – Notícias do Brasil
Link: https://br.noticias.yahoo.com/inclus%C3%A3o-docentes-negros-no-ensino-073000049.html
Inclusão de docentes negros no ensino superior pouco avança
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quem forma médicos, advogados, engenheiros e outros profissionais no ensino superior do Brasil são, sobretudo, pessoas brancas --e o cenário praticamente não mudou nos últimos anos.
Os dados oficiais são do Censo da Educação Superior do Inep-MEC (de 2019). As informações são baseadas em autodeclarações dos professores em exercício nas instituições de ensino superior públicas e privadas.
Por exemplo, pelo retrato, a USP --melhor universidade do país, de acordo com rankings nacionais e internacionais-- não chega a ter 4% de docentes negros.
Algumas universidades brasileiras são totalmente --ou quase-- brancas no seu corpo docente. Caso da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e das privadas do Contestado, Feevale, de Caxias do Sul e Católica de Pelotas. Todas essas instituições ficam no Sul do país.
É lá que está a menor participação de negros no corpo docente: apenas 6% de quem dá aula nas instituições de ensino superior sulistas se declara preto ou pardo. A taxa sobe um pouco no Sudeste (13%) e no Centro-Oeste (31%). No Norte e no Nordeste do país, pouco mais da metade dos professores que declararam cor/raça é negra.
Considerando todas as instituições de ensino superior, 23,6% dos docentes em exercício são pretos ou pardos. O avanço foi pequeno: em 2010, essa taxa era de 19,3%.
Os dados mostram que as políticas voltadas para inclusão racial têm observado resultados tímidos nas universidades brasileiras. E, pior, algumas dessas políticas estão próximas de expirar.
Caso da lei 12.990, de 2014, que determina reserva de 20% das vagas dos concursos públicos --incluindo para docentes nas universidades federais-- até 2024, quando termina sua vigência.
No ano de implementação dessa lei, o percentual de docentes negros especificamente nas universidades federais era de 24,4%. Agora, está em 28% --pouco acima da média nacional (de 23,6%), mas ainda bem abaixo da expectativa.
"O cenário quase não mudou", avalia Delton Felipe, historiador da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e diretor de Relações Institucionais da ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores Negros).
22/11/2021 – Notícias do Brasil
Link: https://noticias-do-brasil.com/rio-grande-do-sul/2021/11/22/curso-de-imunizacao-em-gestantes-para-profissionais-da-saude-tem-inscricoes-abertas-em-porto-alegre.html
Curso de imunização em gestantes para profissionais da saúde tem inscrições abertas em Porto Alegre
Gestantes foram vacinadas contra a Covid-19 em Porto Alegre — Foto: Prefeitura de Porto Alegre/Divulgação
Termina em 1º de dezembro o prazo para se inscrever em um curso de imunização em gestantes promovido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS).
O curso é de graça, online e tem carga horária de 20h. As inscrições podem ser feitas pela internet .
Dirigido a todos os profissionais e estudantes da área da saúde, os conteúdos dão conta de imunizações para as gestantes e para os recém-nascidos, abordando aspectos históricos, epidemiológicos e específicos.
A estrutura está dividida em três módulos, conforme abaixo:
Módulo 1: História da vacinação no Brasil e no mundo; Programa Nacional de Imunizações; Logística de distribuição de imunobiológicos e Rede de Frio
Módulo 2: Assistência pré-natal; Epidemiologia; Cobertura Vacinal
Módulo 3: Calendário Vacinal da gestante e da gestante vivendo com HIV; Imunobiológicos e esquemas vacinais; Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI)
Outras informações podem ser obtidas pelo email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
22/11/2021 – G1 RS
Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/11/22/curso-de-imunizacao-em-gestantes-para-profissionais-da-saude-tem-inscricoes-abertas-em-porto-alegre.ghtml
Curso de imunização em gestantes para profissionais da saúde tem inscrições abertas em Porto Alegre
Especialização é online, de graça, e dirigida a todos os profissionais e estudantes da área da saúde. Prazo encerra dia 1º de dezembro.
Termina em 1º de dezembro o prazo para se inscrever em um curso de imunização em gestantes promovido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS).
O curso é de graça, online e tem carga horária de 20h. As inscrições podem ser feitas pela internet.
Dirigido a todos os profissionais e estudantes da área da saúde, os conteúdos dão conta de imunizações para as gestantes e para os recém-nascidos, abordando aspectos históricos, epidemiológicos e específicos.
A estrutura está dividida em três módulos, conforme abaixo:
Módulo 1: História da vacinação no Brasil e no mundo; Programa Nacional de Imunizações; Logística de distribuição de imunobiológicos e Rede de Frio
Módulo 2: Assistência pré-natal; Epidemiologia; Cobertura Vacinal
Módulo 3: Calendário Vacinal da gestante e da gestante vivendo com HIV; Imunobiológicos e esquemas vacinais; Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI)
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22/11/2021 – Rádio Gêmeos FM
Link: https://www.radiogemeosfm.com.br/news-curso-de-imunizacao-em-gestantes-para-profissionais-da-saude-tem-inscricoes-abertas-em-porto-alegre
CURSO DE IMUNIZAÇÃO EM GESTANTES PARA PROFISSIONAIS DA SAÚDE TEM INSCRIÇÕES ABERTAS EM PORTO ALEGRE
Especialização é online, de graça, e dirigida a todos os profissionais e estudantes da área da saúde. Prazo encerra dia 1º de dezembro. Gestantes foram vacinadas contra a Covid-19 em Porto Alegre Prefeitura de Porto Alegre/Divulgação Termina em 1º de dezembro o prazo para se inscrever em um curso de imunização em gestantes promovido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS). O curso é de graça, online e tem carga horária de 20h. As inscrições podem ser feitas pela internet. Dirigido a todos os profissionais e estudantes da área da saúde, os conteúdos dão conta de imunizações para as gestantes e para os recém-nascidos, abordando aspectos históricos, epidemiológicos e específicos. A estrutura está dividida em três módulos, conforme abaixo: Módulo 1: História da vacinação no Brasil e no mundo; Programa Nacional de Imunizações; Logística de distribuição de imunobiológicos e Rede de Frio Módulo 2: Assistência pré-natal; Epidemiologia; Cobertura Vacinal Módulo 3: Calendário Vacinal da gestante e da gestante vivendo com HIV; Imunobiológicos e esquemas vacinais; Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI) Outras informações podem ser obtidas pelo email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. VÍDEOS: Tudo sobre o RS
Fonte: G1 RS
19/11/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2021/11/diversidade-racial-aumenta-nas-universidades-mas-ampliacao-da-presenca-de-negros-na-pos-graduacao-ainda-e-um-desafio-ckw6fll6f002w014ci3t8y6e8.html
Diversidade racial aumenta nas universidades, mas ampliação da presença de negros na pós-graduação ainda é um desafio
Mudanças estabelecidas sobretudo com a Lei de Cotas começam a se refletir no currículo e nas pautas debatidas nos cursos superiores
Com a Lei de Cotas e a crescente presença de alunos negros nas universidades, aos poucos as discussões internas nessas instituições, o que inclui os currículos dos cursos superiores, vão absorvendo as questões de diversidade racial (leia mais sobre isso na primeira parte desta reportagem).
A percepção do estudante de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Wellington Porto, 23 anos, por exemplo, é de que o debate sobre questões étnicas tem ganhado força nos últimos anos na instituição, embora ainda precise evoluir:
– Temos apoio de muitos professores, mas mudar o currículo de um curso fere muitos deles, que se sentem atacados, acham que a mudança não precisa ser agora, e o processo nunca se inicia. Estou me formando para ser professor e acho que o grande déficit, hoje, é na formação dos professores em uma educação antirracista.
Alan Alves de Brito, professor de Física e coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros, Indígenas e Africanos (Neab) da UFRGS, revela uma realidade em que o ingresso de pessoas negras na pós-graduação ainda é um desafio, bem como a ampliação da diversidade de professores – há menos de 1% de docentes negros na instituição.
– Se não pensarmos nisso, vamos fazer valer o “efeito tesoura”: as pessoas negras entram na graduação, mas são cortadas ao longo da carreira acadêmica. No mestrado, doutorado, pós-doutorado, a representatividade vai diminuindo de forma assustadora – comenta o coordenador do Neab.
Na pós-graduação, segundo balanço de 2019 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), 29% dos alunos eram pretos ou pardos, em uma realidade de 56% da população negra. Brito aposta na ampliação desse percentual para, com o tempo, aumentar também a presença de negros entre os professores. Hoje, há um grupo de trabalho sobre o assunto na UFRGS. A expectativa é de que uma resolução a respeito seja criada em alguns meses e padronize a oferta das vagas, que varia em cada unidade acadêmica. Para a entrada de servidores, já há reserva de 20% das vagas para pretos e pardos. Nos últimos concursos da UFRGS, entre 2016 e 2018, entraram 110 servidores técnicos e oito docentes negros.
– Já muda muito o mundo laboral. Trabalho na UFRGS há 36 anos, e, na última década, foram criados coletivos negros, instrumentos de pressão política. Isso qualificou a universidade e gerou ativo econômico para o povo negro – diz Edilson Nabarro, coordenador de Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas da UFRGS.
O debate sobre como manter os negros nas pós-graduações também existe na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) . Lá, ainda não há reserva de vagas, mas a intenção é de que os próximos editais de seleção incluam cotas. Na nomeação de professores, porém, a pró-reitora Mônica afirma que a reserva é mais desafiadora, já que as seleções costumam prever poucas vagas, e para áreas específicas.
21/11/2021 – Folha de São Paulo
Link: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2021/11/inclusao-de-professores-negros-no-ensino-superior-pouco-avanca-em-nove-anos.shtml
Inclusão de professores negros no ensino superior pouco avança em dez anos
Proporção foi de 19,3% em 2010 para 23,6% em 2019; leis sobre o tema estão perto de expirar
Quem forma médicos, advogados, engenheiros e outros profissionais no ensino superior do Brasil são, sobretudo, pessoas brancas —e o cenário praticamente não mudou nos últimos anos.
Os dados oficiais são do Censo da Educação Superior do Inep-MEC (de 2019). As informações são baseadas em autodeclarações dos professores em exercício nas instituições de ensino superior públicas e privadas.
Por exemplo, pelo retrato, a USP —melhor universidade do país, de acordo com rankings nacionais e internacionais— não chega a ter 4% de docentes negros.
Algumas universidades brasileiras são totalmente —ou quase— brancas no seu corpo docente. Caso da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e das privadas do Contestado, Feevale, de Caxias do Sul e Católica de Pelotas. Todas essas instituições ficam no Sul do país.
É lá que está a menor participação de negros no corpo docente: apenas 6% de quem dá aula nas instituições de ensino superior sulistas se declara preto ou pardo. A taxa sobe um pouco no Sudeste (13%) e no Centro-Oeste (31%). No Norte e no Nordeste do país, pouco mais da metade dos professores que declararam cor/raça é negra.
Considerando todas as instituições de ensino superior, 23,6% dos docentes em exercício são pretos ou pardos. O avanço foi pequeno: em 2010, a taxa de pretos e pardos era de 19,3%.
Os dados mostram que as políticas voltadas para inclusão racial têm observado resultados tímidos nas universidades brasileiras. E, pior, algumas dessas políticas estão próximas de expirar.
Caso da lei 12.990, de 2014, que determina reserva de 20% das vagas dos concursos públicos —incluindo para docentes nas universidades federais— até 2024, quando termina sua vigência.
No ano de implementação dessa lei, o percentual de docentes negros especificamente nas universidades federais era de 24,4%. Agora, está em 28% —pouco acima da média nacional (de 23,6%), mas ainda bem abaixo da expectativa.
"O cenário quase não mudou", avalia Delton Felipe, historiador da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e diretor de Relações Institucionais da ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores Negros).
Felipe tem se dedicado a avaliar o impacto das leis de inclusão racial na educação —como a 12.990 que, para ele, tem de ser prorrogada.
O problema é que muitas universidades têm feito uma leitura de que a reserva legal de 20% deve se dar em vagas para uma mesma área. Ou seja: se uma instituição, por exemplo, abrisse cinco vagas para docentes na área específica de "sistemas e materiais estruturais", então uma delas seria para um candidato negro. Só que isso nunca acontece.
E como resolver isso?
"É preciso considerar o total de vagas abertas para concurso docente em toda a universidade." Isso significa que se uma instituição abrir cinco vagas em diferentes áreas do conhecimento, pelo menos uma delas tem de aprovar um candidato negro.
Além da reserva de vagas, Felipe destaca também a importância da diversidade racial nas bancas de seleção dos concursos para docentes das universidades —pauta também do movimento feminista. São as bancas, afinal, que escolhem os candidatos aprovados.
"É preciso fazer valer as legislações e é necessário ir além", diz Alan Alves Brito, astrofísico da UFRGS. Para ele, ações afirmativas devem visar também a manutenção dos estudantes negros que ingressam no ensino superior. "Existe um efeito tesoura dos corpos negros, que vão desaparecendo ao longo da carreira."
A falta de diversidade de pretos e pardos no ensino superior brasileiro é velha conhecida do movimento negro do país. Ganhou força com a chamada Lei de Cotas, de 2012, que determina que 50% das vagas das instituições federais de ensino devem ser preenchidas por autodeclarados pretos, pardos, indígenas e por pessoas com deficiência.
"Nessa época, começa a integração de alunos negros no ensino superior, mas esses estudantes não tinham em quem se projetar", diz Felipe. "Era preciso aumentar o número de pessoas negras no serviço público. Constatou-se que a universidade brasileira era extremamente branca."
No ano que vem, a Lei de Cotas completa uma década e será revisada —o que foi definido em legislação complementar, de 2016. Há receios de que perca força sem bons resultados.
Hoje, a proporção de alunos pretos e pardos nas instituições de ensino superior brasileiras é maior do que a de docentes, mas também é desigual: não chega a 39% dos matriculados no Sudeste e nem a 17% no Sul.
Na pós-graduação, como a Folha já mostrou, só 1 em cada 4 matriculados em programas de mestrado e de doutorado no Brasil é negro. Em áreas como medicina e odonto, a participação dos negros cai para 1 em cada 10 cientistas em formação.
O diagnóstico sobre raça no ensino superior brasileiro é incompleto porque faltam informações. No Censo da Educação Superior, há dados declarados de cor/raça sobre pouco mais de dois terços dos professores de todas as instituições de ensino superior públicas e privadas do país.
Cerca de um terço dos professores preferiu não informar cor/raça (taxa que sobe para quase metade especificamente no caso das universidades federais). Em algumas universidades, a maioria dos docentes não declara informação sobre cor/raça, caso das federais do Amazonas, Rural do Rio de Janeiro, do Oeste do Pará e de Pelotas.
Nesse levantamento, a Folha se baseou nos dados declarados do Censo —e só menciona, no texto, universidades específicas que tiveram pelo menos dois terços do seu corpo docente com respostas declaradas para cor/raça (o que corresponde à média nacional).
19/11/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2021/11/como-com-impulso-das-cotas-a-diversidade-racial-esta-mudando-a-cara-das-universidades-federais-gauchas-ckw6dzta80026014chqofoayf.html
Como, com impulso das cotas, a diversidade racial está mudando a cara das universidades federais gaúchas
Nova realidade do Ensino Superior começa a se refletir no currículo, nas pautas debatidas nos campi e na própria feição das instituições
A última década foi de mudanças drásticas na cara das universidades federais. Demanda histórica dos movimentos negros, a criação, em 2012, da Lei de Cotas, que destina 50% das vagas em instituições federais de Ensino Superior (Ifes) a egressos de escolas públicas e, destas, no mínimo o proporcional ao número de pessoas pretas, pardas e indígenas registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em cada unidade da federação, fez com que começasse a circular pelos campi uma diversidade de estudantes que reflete mais o perfil populacional brasileiro. Se a cara mudou, contudo, mudanças curriculares que envolvam questões étnico-raciais seguem sendo um desafio que inclui outras variáveis, como a presença de mais de docentes negros nas cátedras.
Em 2010, 53,9% dos alunos das Ifes do país eram brancos e 40,8%, negros (pretos ou pardos). Esse índice quase se inverteu em 2018: passou para 43,3% e 51,2%, respectivamente, segundo a V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos Graduandos das Ifes. O percentual se aproxima da realidade brasileira, de 42,7% de brancos e 56,2% de pretos ou pardos, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2019.
No Rio Grande do Sul, três em cada quatro alunos das instituições federais eram brancos em 2018. Porém, o Índice de Inclusão Racial (IIR), que corresponde à razão entre a proporção de pretos, pardos e indígenas (PPIs) na universidade e a proporção na população, era o melhor do Brasil, ao lado de Rondônia, com 1,11. Ou seja: a proporção de PPIs em universidades e institutos federais gaúchos é maior do que a proporção dessa população no Estado.
Quando Carlos Daniel Vieira, 21 anos, ingressou no curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em 2018, não se sentia pertencente àquele espaço. Diz que, nos corredores, via poucas pessoas parecidas com ele e se sentia isolado. Aos poucos, porém, foi tendo mais colegas negros e, juntos, pautaram questões étnico-raciais. Aos poucos, a universidade se tornava mais a sua cara.
– Muita coisa mudou. Em 2018, foi a primeira vez que teve a verificação das autodeclarações étnico-raciais, que evita fraudes, e, desde então, a cada ano a cara da universidade está mudando, e isso em uma instituição com cursos da área da saúde, em que estatisticamente pessoas brancas dominam – ressalta Carlos.
Primeira pró-reitora negra da UFCSPA, Mônica Celestina de Oliveira, que comanda a área de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis, acompanhou, nos seus 10 anos de instituição, mudanças como a inclusão da disciplina de Relações Étnico-Raciais como obrigatória no curso de Gestão em Saúde e optativa em Enfermagem. Outras graduações também oferecem disciplinas eletivas com temáticas étnico-raciais.
Em 2020, outro passo foi dado: foi lançado o Grupo de Estudos Afrobrasileiros (Geab), com professores, alunos, técnicos e bolsistas. Eles promovem debates e levam questões para o conselho universitário. O Coletivo Negro Raça criou o podcast semanal PretoPod. A disciplina eletiva Saúde da População Negra e Questões Afrobrasileiras foi oferecida em 2020 e teve grande adesão: inicialmente prevista para ter 40 vagas, acabou sendo ministrada para 80 alunos, brancos e negros.
– Estamos discutindo que essas disciplinas hoje eletivas sejam obrigatórias, porque é um tema importante na formação. Isso ainda não se consolidou, porque a revisão da matriz curricular envolve vários aspectos, mas acredito que já exista uma mudança no ambiente da universidade, a partir dessa pluralidade inerente aos ambientes acadêmicos – pontua a pró-reitora.
Estudante de Psicologia na UFCSPA, Marina Helena Dias da Costa, 22 anos, cursou toda a Educação Básica em escolas particulares e nunca teve mais do que um colega negro. Na universidade, a presença de mais negros lhe motivou a se engajar em pautas étnico-raciais.
– Na Psicologia, estudamos o impacto de os negros não terem representantes nos espaços. Homens negros são remetidos a criminosos e mulheres negras, a objetos sexuais. Se a pessoa não vê outros negros na universidade, sendo professores, no mestrado e no doutorado, ela pode nem deixar esse sonho nascer – ressalta Marina.
Na área da saúde, a estudante entende que é importante analisar como o social pode adoecer. Aluno de Medicina, Carlos lembra que mais da metade da população que usa o Sistema Único de Saúde (SUS) é negra, mas ainda não há espaços consolidados para tratar da saúde de pretos e pardos. A presença de mais profissionais negros traz, em seu entendimento, um olhar mais apurado para essas questões.
– Se tu vais a um postinho, muitos dos pacientes são negros, mas o atendimento é feito por pessoas brancas. Um médico ou enfermeiro negro vai entender mais a vivência daquele paciente, toda a questão psicossocial por trás, e, muitas vezes, a pessoa vai se sentir mais à vontade– acrescenta Carlos.
Pensada para reduzir as desigualdades de acesso, a Lei de Cotas tem em seu centro a reserva de 50% das vagas em cada graduação para quem cursou todo o Ensino Médio em escola pública. Dentro dessas vagas, há modalidades voltadas para pessoas de baixa renda, para pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência.
A demanda por políticas públicas específicas para a população negra se iniciou em 1995, 17 anos antes da Lei de Cotas, quando a Marcha Zumbi dos Palmares levou um documento ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, como relata o professor e pesquisador da História da Cultura Negra no Brasil José Antônio dos Santos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os principais avanços, contudo, ocorreram nos anos 2000.
Na UFRGS, o debate ganhou força em 2006, fruto da pressão dos ainda poucos negros na universidade. A criação de cotas foi aprovada em 2007 e posta em prática no vestibular de 2008, com reserva de 15% das vagas para negros e 15% para egressos de escolas públicas. No processo seletivo anterior, 3,17% dos ingressantes eram negros. Houve protestos contra a reserva de vagas, sob o argumento de que a qualidade da instituição cairia – o que não ocorreu. Em 2007, pichações racistas foram flagradas no campus central. Com o tempo, porém, a discussão arrefeceu. Os percentuais de vagas aumentaram com a Lei de Cotas, em 2012.
– Foi um raro momento de discussão da relação racial no Brasil, o que só havia ocorrido antes da abolição da escravatura. Parte dos argumentos contrários eram semelhantes nas duas ocasiões. Esse debate foi fundamental para o entendimento das desigualdades raciais no país – observa José Antônio dos Santos.
Hoje, com três gerações de cotistas já graduados na universidade, o movimento negro estudantil está consolidado. Há alguns anos é feita uma foto dos negros da UFRGS na reitoria, sempre no dia 20 de novembro. A programação do Novembro Negro é movimentada – no dia 13, foi promovida a exposição O que os Negros Fazem na UFRGS, pelo Diretório Central de Estudantes (DCE), com banners com informações sobre trabalhos realizados por pretos e pardos.
– A ideia é de um questionamento dúbio, que pode vir de um racista, mas pode ser respondido de forma positiva: eles estão produzindo ciência, pesquisa, projetos sociais, possibilitados pela política de inserção de pessoas que não ocupavam esses espaços antes – resume Patrick Veiga, membro do DCE.
A situação das universidades federais do Interior
Na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), as ações afirmativas começaram nos anos 1990, para pessoas com deficiência. Em 2009, foi criado o Programa de Ação Inclusiva (Proai), que previa a bonificação de pessoas negras e indígenas oriundas de escolas públicas nos processos seletivos. Para além da Lei de Cotas, hoje a instituição também tem 10 vagas extras para indígenas e quilombolas em cada semestre. O currículo, no entanto, não sofreu tantas mudanças. A disciplina Sociedade, Educação e Relações Étnico-Raciais é oferecida como obrigatória em alguns cursos e, em outros, é optativa, sendo disponibilizada, no total, para 14 graduações. Na pós-graduação, desde 2019 há cotas de 20%, mas a permanência dos alunos também é um desafio.
– Muitas dessas pessoas têm mais camadas de vulnerabilidades e opressões e são mais atingidas em qualquer crise. A universidade tem o desafio de criar um ambiente acolhedor para essa diversidade – analisa Elisa Celmer, coordenadora de Ações Afirmativas, Inclusão e Diversidades da Furg.
A mudança no perfil dos alunos também não foi acompanhada pela mesma transformação no perfil dos docentes e dos currículos na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A coordenadora de Inclusão e Diversidade da instituição, Airi Sacco, avalia que, enquanto a “maioria esmagadora” dos professores for branca, a mudança curricular deve esperar:
– A política de cotas é um sucesso, mas precisamos também mudar o perfil do corpo docente, para a mudança ser ainda mais efetiva.
A coordenadora da UFPel acrescenta que, ainda que exista a reserva de 20% das vagas de servidores públicos a negros e indígenas, o índice dificilmente é cumprido. Entre os motivos, está o fato de a reserva só ocorrer em editais com mais de três vagas, e, muitas vezes, os processos seletivos serem menores. Outro empecilho é a necessidade de reavaliar cada critério de seleção, a fim de tornar as pontuações mais objetivas.
Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), uma política de cotas para a pós-graduação deve ser aprovada em breve, semelhante à reserva de vagas das graduações. A instituição, que aderiu às cotas em 2007, tem tradição na área de ações afirmativas, salienta Jerônimo Tybusch, pró-reitor de Graduação:
– Fomos precursores na realização de entrevistas com autodeclarados, para aferir a identificação. Nossa comissão se tornou referência e já fomos convidados a dar vários cursos e coordenar seleções.
De 2010 até hoje, de 71.131 alunos que ingressaram na UFSM, 6.426 são autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. Boa parte dos que ingressaram por questões socioeconômicas vão morar na casa do estudante da universidade, que atende 2,1 mil pessoas. Junto a questões de gênero e meio ambiente, o debate étnico-racial é pautado na disciplina Temas Transversais, que é obrigatória nas licenciaturas e, em breve, deverá ser também nos bacharelados.
17/11/2021 – O Sul
Link: https://www.osul.com.br/dilma-recebe-homenagem-especial-da-santa-casa/
Dilma recebe homenagem especial da Santa Casa
Em visita à Santa Casa de Misericórdia, no Centro Histórico de Porto Alegre, a ex-presidente Dilma Rousseff recebeu uma homenagem solene por sua sua atuação em prol da instituição de saúde durante o período em que comandou o Executivo federal (2011-2016). O evento incluiu a inauguração de uma placa e a entrega de uma réplica à petista.
A ex-mandatária – que completará 74 anos no dia 14 de dezembro – foi recepcionada no Salão Nobre pelo provedor Alfredo Englert e pelos vice-provedores Vladimir Giacomuzzi e Vilson Darós. Também participaram a reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Campos Pellanda, diretores-executivos e médicos.
Da área política, compareceram correligionários de Dilma Rousseff como o ex-governador e ex-ministro gaúcho Olívio Dutra (1999-2002), os deputados federais Henrique Fontana e Pepe Vargas (que também são médicos), juntamente com assessores e outros convidados. Quem também prestigiou a cerimônia foi a advogada e ex-candidata parlamentar Fernanda Mendes Ribeiro, ligada ao MDB.
“Sem viés político”
Alfredo Englert destacou na ocasião uma importante característica da Santa Casa, que é a de “expressar gratidão a todos que atuam em prol da instituição”. Ele fez questão de ressaltar algo fundamental, sobretudo em tempos marcados pela polarização: a Santa Casa não tem partido ou preferência política, mas a missão de levar assistência médica de qualidade a todos os que dela necessitam.
Em seguida, o diretor-geral Julio Matos fez uma breve prestação de contas da aplicação dos recursos cuja destinação à Santa Casa tiveram a decisiva participação da então presidente Dilma Rousseff. Ele mencionou como exemplo as emendas de bancada em 2009, 2011 e 2016 – ano em que a petista foi afastada do cargo (já em segundo mandato) por meio de um processo de impeachment no Congresso Nacional.
“Agradecimento legítimo”
Ao final da sessão solene, a ex-presidente (que também foi ministra das Minas e Energia no governo de Luiz Inácio Lula da Silva) se disse alegre e gratificada pela homenagem.
“O fato de eu não comandar mais o País torna este momento ainda mais especial”, discursou. “Trata-se de um agradecimento legítimo, despojado de qualquer viés político.”
Em seguida, Dilma Rousseff visitou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e unidades de internação do Hospital Santa Clara. O roteiro priorizou algumas das áreas modernizadas com os recursos no período em que ela estava no Palácio do Planalto.
15/11/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/11/uso-e-descarte-incorreto-de-remedios-pode-causar-prejuizos-a-saude-e-ao-meio-ambiente-projeto-da-ufcspa-orienta-sobre-o-assunto-ckw172sse00ae016f0oru84pm.html
“Uso e descarte incorreto de remédios pode causar prejuízos à saúde e ao meio ambiente; projeto da UFCSPA orienta sobre o assunto
Medicamentos vencidos podem ser entregues em farmácias de Porto Alegre, que se responsabilizam pela destinação correta
Durante um tratamento médico, devemos guardar nossos remédios na mochila, na geladeira ou em armários do quarto, da cozinha e do banheiro? E, após o término, descartamos o que sobrou no vaso sanitário, no lixo orgânico ou no lixo seco? Ou simplesmente os guardamos em casa para utilizá-los novamente quando preciso, mesmo sem uma nova prescrição?
São dúvidas como essas sobre uso, armazenamento e descarte correto de medicamentos que podem gerar uma série de problemas à população — entre eles, a poluição do meio ambiente e a intoxicação de crianças, adultos e animais, seja em decorrência de automedicação ou de consumo indevido de remédios.
Uma pesquisa realizada em 2019 pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio do Instituto Datafolha, mostrou que 77% dos brasileiros que haviam utilizado remédios nos seis meses anteriores tinham a automedicação como um hábito comum. O estudo também apontou que 57% dos entrevistados não usa os medicamentos prescritos conforme orientado, alterando a dose receitada, e que outros 22% tiveram dúvidas enquanto faziam seus tratamentos.
Em relação ao descarte de remédios que sobram ou vencem, 76% dos participantes indicaram que o fazem de forma incorreta. A maioria deles utiliza o lixo comum, enquanto 10% disseram jogar esse tipo de resíduo no esgoto doméstico, por meio de pias, vasos sanitários e tanques. Foi pensando em amenizar problemas assim que, em 2012, foi criado na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) o programa de extensão Cuidando da Farmácia Caseira.
O projeto tem como objetivo promover o uso racional e o armazenamento e o descarte adequados dos medicamentos vencidos ou sem uso. Kellen de Souza, professora da universidade e coordenadora do Cuidando da Farmácia Caseira, explica que o foco principal é alertar sobre os cuidados necessários com o estoque domiciliar de remédios, seja de uso eventual ou contínuo. Segundo ela, esse olhar é importante porque, muitas vezes, casos de intoxicação estão relacionados ao uso de medicamentos que sobram de tratamentos anteriores ou são adquiridos sem prescrição médica.
— Os medicamentos são produtos que têm substâncias químicas e há testes que determinam o prazo de validade deles, então, se expirou, não pode ser consumido, porque pode causar danos à saúde — alerta a docente, ressaltando que a ampla oferta de remédios com venda livre e a compra indiscriminada são alguns dos fatores responsáveis pelo alto volume de resíduos desse tipo.
A importância do descarte adequado
De acordo com a professora, o descarte adequado ajuda a evitar que as pessoas utilizem medicamentos vencidos ou incorretos e uma série de problemas ambientais, como a contaminação do solo, da atmosfera e dos lençóis freáticos. Quando jogados no vaso sanitário ou na pia, por exemplo, os remédios acabam caindo no esgoto e indo parar em cursos d'água e mananciais. E, quando atingem esses locais, não há como removê-los.
Por outro lado, quando descartados em lixo comum, seja orgânico ou seco, esses medicamentos podem prejudicar pessoas ou animais que tenham acesso aos aterros para onde os resíduos são encaminhados.
Para evitar o acúmulo desnecessário de medicamentos, é importante sempre ter orientação e acompanhamento profissional — o que ajudará a adquiri-los na quantidade adequada e a utilizá-los de forma racional. Kellen afirma que o ideal é descartar os remédios sempre que eles estiverem vencidos ou sobrando.”
15/11/2021 – G1 RS
Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/11/15/intervalo-da-dose-de-reforco-contra-a-covid-e-reduzido-de-seis-para-cinco-meses.ghtml
“Intervalo da dose de reforço contra a Covid é reduzido de seis para cinco meses em Porto Alegre
Medida visa reduzir casos graves e internações pela doença. Segundo levantamento, mais de 99% dos idosos que morreram de Covid no RS nas últimas 10 semanas estavam sem a dose de reforço
A Prefeitura de Porto Alegre anunciou, para esta terça-feira (16), a redução do intervalo de aplicação da dose de reforço da vacina contra a Covid-19. O espaço entre a segunda dose e o complemento passou de seis para cinco meses.
Já nesta terça, o município começa a atender idosos e profissionais de saúde que tomaram a segunda dose até o dia 16 de junho.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a decisão ocorre após reunião da Comissão Intergestores Bipartite, que envolve prefeituras e representantes Secretaria Estadual de Saúde (SES), na última sexta (12). Também é aguardada para esta terça a publicação da nota técnica com a orientação da SES para os demais municípios.
A SMS justifica a redução do prazo, citando o objetivo de vacinar mais rapidamente o grupo de idosos, evitando agravamento de casos e hospitalizações. Um estudo da SES mostra que 99,3% dos idosos que morreram de Covid entre 28 de agosto e a segunda semana de novembro no RS não tinham tomado a dose de reforço.
"A dose de reforço é fundamental exatamente para isso. É o momento de aqueles que não foram vacinados serem incentivados", comenta o epidemiologista Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Atualmente, o Rio Grande do Sul tem 818 mil pessoas com a dose de reforço, o que corresponde a 7,1% da população.”
15/11/2021 – Rádio Nova Salvador
Link: https://www.radionovasalvadorfm.com.br/news-intervalo-da-dose-de-reforco-contra-a-covid-e-reduzido-de-seis-para-cinco-meses-em-porto-alegre
INTERVALO DA DOSE DE REFORÇO CONTRA A COVID É REDUZIDO DE SEIS PARA CINCO MESES EM PORTO ALEGRE
Medida visa reduzir casos graves e internações pela doença. Segundo levantamento, mais de 99% dos idosos que morreram de Covid no RS nas últimas 10 semanas estavam sem a dose de reforço Homem sendo vacinado contra a Covid-19 em Porto Alegre Cristine Rochol/PMPA A Prefeitura de Porto Alegre anunciou, para esta terça-feira (16), a redução do intervalo de aplicação da dose de reforço da vacina contra a Covid-19. O espaço entre a segunda dose e o complemento passou de seis para cinco meses. Já nesta terça, o município começa a atender idosos e profissionais de saúde que tomaram a segunda dose até o dia 16 de junho. Veja quem pode se vacinar nesta terça na Capital Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a decisão ocorre após reunião da Comissão Intergestores Bipartite, que envolve prefeituras e representantes Secretaria Estadual de Saúde (SES), na última sexta (12). Também é aguardada para esta terça a publicação da nota técnica com a orientação da SES para os demais municípios. A SMS justifica a redução do prazo, citando o objetivo de vacinar mais rapidamente o grupo de idosos, evitando agravamento de casos e hospitalizações. Um estudo da SES mostra que 99,3% dos idosos que morreram de Covid entre 28 de agosto e a segunda semana de novembro no RS não tinham tomado a dose de reforço. "A dose de reforço é fundamental exatamente para isso. É o momento de aqueles que não foram vacinados serem incentivados", comenta o epidemiologista Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Atualmente, o Rio Grande do Sul tem 818 mil pessoas com a dose de reforço, o que corresponde a 7,1% da população. VÍDEOS: Tudo sobre o RS
10/11/2021 – Veja Saúde
Link: https://saude.abril.com.br/medicina/novos-habitos-ajudam-a-vencer-as-superbacterias-uma-preocupacao-mundial/
“Novos hábitos ajudam a vencer as superbactérias, uma preocupação mundial
Uso exagerado e errado de antibióticos é uma das causas do problema, que pode matar 10 milhões de pessoas nos próximos 30 anos
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um dos principais problemas da atualidade é a resistência bacteriana. Em linhas gerais, ela acontece quando a bactéria se adapta, tornando-se praticamente imune à medicação que tinha como objetivo eliminá-la. Ou seja, vai ficando cada vez mais difícil combatê-la.
Se não resolvida a tempo, essa questão poderá ser a causa da morte de mais de 10 milhões de pessoas no mundo nos próximos 30 anos. Afinal, não teremos mais remédios eficientes para lidar com esses micróbios.
Para conscientizar a população sobre essa luta foi criada a Global Respiratory Infection Partnership (Grip). A iniciativa visa promover o uso sustentável dos antibióticos, que é a questão mais relevante nesse contexto.
A seguir, entenda mais sobre a resistência bacteriana e quais hábitos podem ajudar a barrá-la.
Como surgiu esse problema?
Ele começou a ser observado a partir da descoberta do primeiro antibiótico, a penicilina, em 1928. Foram necessários apenas dois anos para que as bactérias evoluíssem a ponto de ficarem mais resistentes à ação desse medicamento. A situação foi piorando com o aparecimento de fórmulas semelhantes utilizadas de maneira descontrolada, o que deu espaço a mutações cada vez mais agressivas.
Hoje, o maior perigo está nas UTIs dos hospitais, segundo o infectologista Fernando Bellissimo Rodrigues, professor do departamento de Medicina Social da USP de Ribeirão Preto. “Observamos isso entre as vítimas da Covid-19 que permaneceram internadas por mais de três meses e acabaram morrendo não da doença, mas por infecções hospitalares graves, sem tratamento disponível”, exemplifica o médico.
A OMS divulgou uma lista de substâncias que estão sendo superadas por essas bactérias, mas especialistas alertam que a solução não está em criar medicamentos inéditos. “A indústria não consegue acompanhar o desenvolvimento desses micro-organismos, porque elaborar novas fórmulas leva tempo, é caro e dá pouco retorno financeiro”, explica Rodrigues.
O que fazer, então?
A melhor estratégia seria frear o surgimento dessas superbactérias. A primeira medida para isso já vêm sendo praticada por médicos, que é receitar antibióticos apenas quando é extremamente necessário. Se antes era comum adotar esse tipo de protocolo para qualquer infecção, hoje a avaliação deve ser mais criteriosa.
Uma infecção de garganta, por exemplo, pode ser causada por vírus, e não bactéria. “Nesses casos, é indicado tratar o alívio dos sintomas, como a febre, a dor e o mal-estar”, ensina Geraldo Druck Sant’Anna, especialista convidado pelo Grip e professor de otorrinolaringologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, da Santa Casa da capital gaúcha.
Os antibióticos são bem-vindos apenas para doenças de origem bacteriana e, quando receitados, precisam ser utilizados em doses corretas, dentro do prazo e nos horários indicados pelo médico.
Para ter ideia, tomar os remédios em horários errados abre uma janela de oportunidade para que a bactéria sobreviva à ação do medicamento e se desenvolva. Para diminuir esses vácuos, a orientação recebida pelos médicos é reduzir o tempo de prescrição. “Antes, tomava-se por três semanas. Agora, são cinco dias, dependendo de cada caso. Para infecção urinária, há opções de doses únicas, por exemplo”, esclarece Rodrigues.
“Se o uso do antibiótico é indiscriminado e sem controle, existe uma tendência natural para que a resistência bacteriana ocorra. Se estivermos falando de bactérias mais benignas, as consequências podem não ser tão sérias. Mas, no caso de micro-organismos mais agressivos, o resultado pode ser trágico”, alerta Sant’Anna.
Médicos já estão alertas sobre essa questão. Porém, de acordo com o professor da UFCSPA, é comum que, dentro do consultório, os pacientes insistam para receber a receita de antibióticos na esperança de resolver mais rápido uma infecção. É preciso quebrar essa corrente.
Herança da Covid-19: vacinação e higiene são armas contra superbactérias
Há outros hábitos da população capazes de ajudar a impedir o desenvolvimento de superbactérias. Lavar bem as mãos e utilizar álcool em gel, legados da pandemia do coronavírus, estão entre eles.
“A higienização tem o papel de prevenir doenças respiratórias e diarreias”, aponta Rodrigues. É fácil fazer a conta: quanto menos pessoas ficarem doentes, menos bactérias vão circular por aí.
Já nos hospitais, a prática impede que pacientes e equipamentos sejam contaminados e que os micro-organismos se utilizem desse ambiente para evoluir.
A cultura da vacinação também é primordial. “Temos diversos imunizantes. Um dos mais importantes protege contra a pneumococo, bactéria responsável pela pneumonia e outras doenças respiratórias. Ela pode provocar internações e o surgimento de cepas mais resistentes”, pontua o infectologista.
Cuidando das bactérias ‘do bem’
Quando os antibióticos entram em cena, eles não miram somente nas bactérias causadoras de doenças. Esses medicamentos acabam afetando até aqueles micro-organismos que existem para garantir o bom funcionamento do organismo.
“As chamadas ‘bactérias boas’, que habitam a pele, a boca, o intestino e a flora vaginal das mulheres, por exemplo, podem ser atingidas pelo remédio, levando a efeitos colaterais”, explica Sant’Anna.
A moda de priorizar produtos antissépticos é outra forma de matar os micróbios benéficos pra gente. “Quem está saudável deve evitar essas soluções. Não é preciso insistir em enxaguantes bucais quando não há o diagnóstico de gengivite nem usar sabonete íntimo frequentemente se não existe risco de uma doença ginecológica”, exemplifica Rodrigues.
A questão da agropecuária
Não está só na mão dos médicos e de seus pacientes evitar o uso indiscriminado de antibióticos. Essa classe de substâncias também é demasiadamente empregada pela veterinária, zootecnia e agricultura.
“Cerca de 60% a 80% dos antibióticos produzidos no mundo são voltados para a agropecuária”, conta Rodrigues. Os produtos são aplicados com diversas finalidades, que vão desde impedir o adoecimento do grão de café até estimular o crescimento do frango. “Já há outras soluções hoje, sendo possível limitar o uso desnecessário dessas ferramentas”, informa Rodrigues.
O consumo de antibióticos por humanos, animais e plantas também faz com que essas substâncias sejam liberadas no meio ambiente, contaminando solo e água. Assim, elas podem entrar em contato com bactérias capazes de evoluir. Isso só reforça que, quanto menos remédio circulando por aí de forma descabida, menos chance de esses micróbios se transformarem em ameaças mortais.”
10/11/2021 – BBC Brasil e Portal Terra
Link: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59228631
Link Portal Terra: https://www.terra.com.br/noticias/brasil/covid-19-como-se-determina-o-fim-de-uma-pandemia,c9405df2a0521fa0b25f820663c6a3a6fwd7qm22.html
“Covid-19: como se determina o fim de uma pandemia
A notícia de que São Paulo e outros oito Estados não registraram nenhuma morte por covid-19 na segunda-feira (8/11) foi recebida com muita comemoração e otimismo.
Embora o acontecimento seja simbólico e reforce a melhora contínua da pandemia no país durante os últimos meses, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que é preciso colocar o fato em perspectiva e ter em mente que ainda há um longo caminho a ser percorrido antes de decretar o fim da crise sanitária.
"Estamos de fato na melhor fase desde o início de 2021, com um decréscimo imenso em casos, hospitalizações e óbitos. Mas os anúncios de que ninguém morreu de covid-19 devem ser analisados com cautela, até porque existe um atraso nas notificações", pondera o médico Guilherme Werneck, membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
"E é preciso deixar claro que o fim da pandemia, quando realmente chegarmos lá, não significará o fim da covid", completa o profissional da saúde, que também é professor do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
O virologista Paulo Eduardo Brandão, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), concorda. "Com base no que sabemos sobre outros tipos de coronavírus, é provável que o Sars-CoV-2 [o responsável pela pandemia atual] se atenue com o passar dos anos e se torne um causador de resfriado comum. Mas a atual reemergência de casos na Europa mostra que ainda estamos longe disso", analisa.
Já a médica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, destaca a importância da saúde coletiva e o caráter global do desafio que enfrentamos. "Como o próprio nome já diz, a pandemia é um problema mundial. E, enquanto a situação estiver ruim em alguma região, todos nós continuaremos sob risco."
Mas como chegamos até aqui? E quais são as perspectivas mais otimistas e mais pessimistas para os próximos meses? Entenda a seguir como uma pandemia acaba — e o que pode acontecer na sequência dela.
Cenário positivo no Brasil e preocupante na Europa
Após um primeiro semestre muito duro, com centenas de milhares de casos e de mortes por covid-19, o Brasil está numa situação bem mais tranquila desde o final de julho e o início de agosto.
Para ter ideia, a média móvel diária de óbitos (que leva em conta os registros dos últimos sete dias) está atualmente em 236, de acordo com o painel do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).
Um número desses só havia sido observado em abril de 2020, quando o vírus começou a se espalhar pelo país. No pior momento da crise sanitária, essa taxa chegou a atingir, em abril de 2021, um pico de 3.124 mortes diárias.
A sequência de boas novas culminou com a notícia, divulgada na segunda-feira (8/11), de que São Paulo não registrou nenhuma morte por covid-19 em 24 horas, fato que não havia acontecido nenhuma vez desde o início da crise sanitária.
Nesse mesmo dia, outros oito Estados brasileiros não tiveram óbitos pela doença: Acre, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rondônia, Roraima e Sergipe. O Acre, aliás, está sem nenhum registro de morte há mais de dez dias.
Segundo os especialistas, há três ingredientes que ajudam a explicar essa melhora.
"É evidente que a vacinação é o principal deles. A partir de junho, momento em que a campanha ganhou força e a cobertura vacinal na população brasileira aumentou, tivemos uma queda substancial nas hospitalizações e nas mortes", observa Werneck.
"Não podemos nos esquecer também do enorme número de casos que tivemos, o que certamente contribuiu para criar uma imunidade, e a adesão às medidas não farmacológicas, especialmente o uso de máscaras", complementa o médico.
O cenário mais ameno permitiu que muitas cidades brasileiras aliviassem as restrições, que mantinham espaços de convivência, como restaurantes, bares e shoppings, fechados ou com horário de funcionamento e taxa de ocupação bem reduzidos.
Alguns prefeitos e governadores foram além e chegaram até desobrigar mais recentemente o uso de máscaras em alguns locais abertos.
Os especialistas, no entanto, temem que essa onda de otimismo e relaxamento reverta a tendência positiva e desperdice todas as conquistas do momento.
"É claro que a notícia de um dia sem mortes é excelente, mas não dá pra comemorar demais. Trata-se de uma data isolada e, quando vemos as estatísticas, ainda estamos com médias razoáveis de casos e óbitos por covid", diz o médico Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
"Temos que ter cuidado para que a situação no Brasil não volte a piorar, como acontece agora na Europa, que está com uma nova subida nos casos e nas hospitalizações após fazer a reabertura", aponta o especialista.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Europa voltou a ser o epicentro da pandemia, com uma piora considerável da situação no Reino Unido, na Alemanha, na Hungria, na Áustria e na Ucrânia.
Durante uma coletiva de imprensa no dia 4 de novembro, Hans Kluge, diretor regional da OMS, disse que a situação representa uma "grave preocupação" e que a região está "num ponto crítico para a ressurgência pandêmica".
A explicação para esse recrudescimento, segundo a avaliação do próprio representante da entidade, está no relaxamento das medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras e a prevenção de aglomerações, e a baixa taxa de vacinação em alguns países.
Não é possível afirmar que o mesmo cenário acontecerá no Brasil (até porque a campanha de imunização por aqui conta com uma maior participação popular), mas, até agora, a piora do cenário na Europa se repetiu alguns meses depois em nosso país.
"É possível escaparmos disso, a depender do comportamento das pessoas e das políticas públicas. Precisamos continuar com a vacinação e seguir com as camadas de proteção, como o uso de máscaras e o cuidado com as aglomerações e com a circulação de ar pelos ambientes", indica Pellanda.
Como uma pandemia acaba?
Por algum tempo, aventou-se a possibilidade de que a imunidade coletiva (ou imunidade de rebanho) seria capaz de dar um fim à covid-19: conforme as pessoas ficassem doentes (ou, preferencialmente, fossem vacinadas) o Sars-CoV-2 não encontraria mais hospedeiros e deixaria de circular.
Mas o surgimento de novas variantes, como a Alfa, a Beta, a Gama e a Delta, junto com o conhecimento de que a imunidade contra esse coronavírus não dura para sempre e varia muito de pessoa para pessoa, praticamente descartou essa ideia.
Hoje em dia, há uma maior concordância entre os cientistas de que a pandemia de covid-19 se transformará aos poucos em uma endemia.
Isso significa que a doença continuará a ser frequente em uma (ou em várias) regiões do planeta, com um número de casos e de mortes esperados todos os anos.
É isso o que ocorre com uma série de outras enfermidades, como a malária, a febre amarela ou a própria gripe.
"O desafio será estabelecer um patamar admissível de casos e óbitos, o que exigirá um consenso não apenas da comunidade científica, mas de toda a sociedade", antevê Werneck.
"E, para evitar que esses números voltem a subir novamente e tenhamos surtos ou epidemias no futuro, necessitamos de um sistema de vigilância muito forte, capaz de detectar aumentos repentinos e lançar mão de medidas preventivas. É o que acontece hoje com meningite e sarampo", exemplifica o médico.
Pellanda concorda com essa dificuldade em estabelecer os critérios que determinarão o fim da pandemia atual.
"Estamos num período de instabilidade dos dados e não sabemos bem como será o futuro. Por isso, devemos desconfiar de qualquer pessoa que tenha muita certeza agora do que vai acontecer", diz.
Exemplos do passado
Para entender os próximos passos do Sars-CoV-2, Brandão traça um paralelo histórico com outro tipo de coronavírus, o OC43, que possivelmente causou uma epidemia (ou até uma pandemia) no final do século 19.
"Você pode até nunca ter ouvido falar dele, mas provavelmente já foi infectado algumas vezes por esse vírus", brinca o cientista.
"Após ter 'pulado' de bovinos para seres humanos, ele era agressivo. Mas, com o passar do tempo, foi atenuado por ciclos sucessivos de infecção na nossa espécie. Atualmente, o OC43 é um dos principais causadores do resfriado comum, quadro que é autolimitado e não costuma causar sintomas mais graves", conta.
O virologista lembra que a "meta principal" de um vírus é se replicar, e não matar o seu hospedeiro. Portanto, um agente infeccioso que consegue criar essa "convivência pacífica" com o ser humano acaba atingindo seu objetivo com mais facilidade e permanece entre nós por um tempo prolongado.
Na contramão, um vírus muito agressivo, que mata rapidamente após a infecção, tem menos probabilidade de causar uma epidemia ou uma pandemia, já que a transmissão acaba prejudicada.
É o que acontece, por exemplo, como o Mers-CoV, um outro tipo de coronavírus responsável pela Síndrome Respiratória do Oriente Médio (ou Mers, na sigla em inglês): o índice de letalidade dele chega a 37%, mas os casos ficaram restritos a alguns países em 2011 e 2015.
Será que esse fenômeno de atenuação acontecerá com o Sars-CoV-2? Não dá pra ter certeza disso.
"Vivemos um momento em que esse coronavírus está dando as primeiras voltas ao redor da Terra. Já foram duas e ele está na terceira, com o aumento recente da transmissão pela Europa", explica Brandão.
"Por ora, não é possível afirmar categoricamente que o Sars-CoV-2 ficará mais ameno, a exemplo do OC43. Em termos evolutivos, essa é uma possibilidade que pode demorar alguns anos para acontecer", continua.
"Portanto, não é hora de baixar a guarda. Esse coronavírus não está atenuado e a relação não é amigável o suficiente a ponto de deixarmos que ele circule livremente pela nossa casa", completa o pesquisador.
Nessa mesma linha de raciocínio, não está descartada também a possibilidade diametralmente oposta: o surgimento de variantes do coronavírus ainda mais agressivas e com capacidade de driblar a proteção das vacinas disponíveis.
"Essa é uma realidade matemática: quanto mais o vírus se replica, mais versões dele aparecem e, consequentemente, maior o risco de surgirem mutações preocupantes", ratifica Brandão.
E isso só reforça a ideia de que o problema é global e deveria ser tratado como tal. "Em algumas nações mais pobres, a proporção de vacinados segue muito baixa. Isso abre o risco de bolsões de covid-19 que podem 'exportar' o vírus novamente para o resto do mundo", alerta Pellanda.
"A pandemia reforçou a noção de que toda a saúde é coletiva e está conectada com as pessoas ao redor e ao planeta inteiro. Enquanto um ser humano estiver em perigo, todos estaremos", completa a médica.
É justamente por isso que os especialistas batem tanto na tecla da vacinação e dos demais cuidados não farmacológicos (uso de máscaras, evitar aglomerações, cuidados com a ventilação…).
As medidas preventivas podem até ser um pouco aliviadas se a situação de momento num país ou numa região for boa, mas não é possível abandoná-las por completo (a exemplo do que foi feito em alguns países europeus), pelo menos durante os próximos meses ou anos.
O mesmo raciocínio também se aplica à imunização: é provável que teremos a aplicação de novas doses de vacinas contra a covid-19 de tempos em tempos.
Embora o fim da pandemia ainda seja cercado de mistérios e pareça apenas uma perspectiva distante, Brandão se lembra de um discurso feito pelo então primeiro-ministro britânico Winston Churchill em 1942, em meio à Segunda Guerra Mundial, após uma vitória importante dos aliados contra os nazistas.
Na visão do virologista, a frase se aplica perfeitamente ao atual estágio da covid-19 no mundo: "Esse não é o fim. Não é sequer o começo do fim. Mas é, talvez, o fim do começo."
04/11/2021 – Jornal do Comércio
Link: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/11/818969-apesar-de-controversa-retirada-de-mascaras-ao-ar-livre-vem-sendo-analisada-no-rs.html
"Apesar de controversa, retirada de máscaras ao ar livre vem sendo analisada no RS
Já permitida no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, e em vias de acontecer em São Paulo, a flexibilização do uso de máscaras ao ar livre ainda não tem previsão de ocorrer tão cedo no Rio Grande do Sul. O impedimento, que está sendo analisado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), está na lei federal que obriga, desde julho de 2020, a adoção do acessório para circulação em espaços públicos e privados em todo o território nacional.
O tema vem sendo debatido internamente no âmbito do governo gaúcho e já foi tema de reunião entre o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, defensor da retirada ao ar livre, e o governador Eduardo Leite. Após consulta do governo à PGE sobre o assunto, no entanto, a orientação é para a necessidade de aguardar mudanças na legislação federal, que podem vir por meio de decisão do presidente Jair Bolsonaro ou aprovação de nova lei. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, tramitam pelo menos quatro projetos nesse sentido, um deles, inclusive, de autoria do deputado federal gaúcho Bibo Nunes (PSL).
A análise do procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa, é de que não há, no momento, como avançar na flexibilização sem que haja a suspensão da lei federal que obriga o uso de máscara. E, nesse sentido, as medidas contrárias implementadas nos estados correm o risco de anulação.
Por meio de nota, a PGE reforça que a lei federal nº 14.019/20 determina a obrigatoriedade do uso de máscara cobrindo nariz e boca para circulação em espaços públicos e privados, em vias públicas, transporte coletivo, estabelecimentos comerciais e industriais, templos religiosos, estabelecimentos de ensino e demais locais fechados em que haja reunião de pessoas. "Por essa razão, a flexibilização do uso de máscara nesses ambientes depende de alteração na lei federal, o que somente pode ocorrer por nova lei federal ou Medida Provisória".
Manifestação nesse sentido também foi expressa no domingo (31) pelo governador, que começou a considerar a hipótese de retirada das máscaras ao ar livre após sua passagem pela Europa, no início de outubro, na primeira missão oficial do governo, onde pôde conferir de perto o andamento da flexibilização. "Sobre o uso de máscaras: mesmo que o melhor momento da pandemia e o avanço da vacinação nos permitam considerar retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras em alguns espaços, nada pode ser feito pelo Estado por conta de exigência da lei federal 14.019/2020, que se mantém vigente", apontou.
Para o prefeito Melo, no entanto, a retirada das máscaras ao ar livre já poderia ocorrer na Capital, amparada no avanço da imunização contra a Covid-19. "Sou favorável à liberação do uso de máscara em ambientes ao ar livre. Porto Alegre é uma das capitais que mais vacinou no País, tendo 98% da população com a primeira dose e 81% com imunização completa. As internações e casos graves têm caído. Há condições de, aos poucos, retomar a rotina", disse em postagem no Twitter.
Entre a comunidade científica o tema segue gerando polêmica e a visão é de que a máscara como equipamento de proteção individual (EPI) deve ser a última medida de enfrentamento à Covid-19 a ser deixada de lado, principalmente em função do andamento da imunização da população e da iminente possibilidade de surgimento de novas variantes do vírus.
Em junho, quando o presidente Bolsonaro afirmou que teria pedido análise do Ministério da Saúde sobre o fim da obrigatoriedade das máscaras para quem já foi vacinado, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, chegou a dizer que o movimento seria inverso ao que o País precisava. “Só vamos conseguir eliminar essa medida e diminuir as questões de distanciamento quando atingirmos um percentual de cobertura vacinal muito alto, uma baixa circulação viral e número de casos e óbitos reduzidos”, disse à epoca.
Coordenadora da Rede Análise Covid-19, a biomédica e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Mellanie Fontes Dutra defende que não é o momento de flexibilizar a máscara no Rio Grande do Sul, tanto em ambientes abertos quanto, especialmente, nos fechados, e condena a antecipação do debate."As máscaras ainda são muito importantes, especialmente no controle da transmissão e enquanto estamos ainda avançando na vacinação. Agora é muito inapropriado fazer a retirada da obrigatoriedade de máscaras, independente do ambiente, porque temos a necessidade de seguir abaixando ainda mais a transmissão do novo coronavírus", alerta.
Ela aponta ainda que países com cobertura vacinal menor que o Brasil, e que flexibilizaram o uso de máscara e retomaram várias atividades que aumentaram a mobilidade e as aglomerações, tiveram aumento rápido das contaminações, pelo momento inadequado da decisão.
"Nós temos alguns indicativos de que se flexibilizarmos muito, especialmente medidas que são efetivas contra a exposição e transmissão, poderemos ver uma subida de casos, porque ainda temos muita pessoas não vacinadas ou não vacinados completamente. E a grande maioria das hospitalizações são dos não vacinados. Haverá um momento em que isso (a retirada da máscara) será possível, mas será um momento de maior segurança e cobertura vacinal", ressalta."
04/11/2021 – Agora no RS
Link: https://agoranors.com/2021/11/programacao-gratuita-do-chc-santa-casa-nos-proximos-dias/
Programação gratuita do CHC Santa Casa nos próximos dias
O Centro Histórico-Cultural Santa Casa, em Porto Alegre, promove nos próximos dias uma série de atividades gratuitas. Confira a agenda:
Dia 6, às 15h | Santa Casa através das Memórias
Na edição de novembro, o projeto resgata a história da instituição a partir das memórias do médico Rogério Gastal Xavier, que trabalhou como voluntário na Enfermaria 29 da Santa Casa (1972-1975), e também na Enfermaria 4, já como Professor Assistente da FAMED/UFRGS (1976-1978). Transmissão ao vivo pelo Youtube do CHC Santa Casa.
Dia 8, às 20h | Live: O que a pandemia está fazendo (e ainda fará) com minha cabeça?
O encontro irá abordar o impacto do isolamento e do distanciamento social e como eles podem afetar as emoções, piorar transtornos mentais já existentes ou deflagrar transtornos em quem não tinha.
A live terá a participação dos médicos psiquiatras Ygor Arzeno Ferrão e Pedro Eugênio Mazzucchi Santana Ferreira. Transmissão ao vivo pelo Youtube do CHC Santa Casa.
Ygor Arzeno Ferrão: Professor Associado da UFCSPA, Preceptor da Residência Médica em Psiquiatria UFCSPA/HMIPV; Membro do Consórcio Brasileiro de Pesquisa em Transtorno Obsessivo Compulsivo.
Pedro Eugênio Mazzucchi Santana Ferreira: Professor Adjunto da Escola de Medicina da PUCRS, Professor do Curso de Especialização em Psiquiatria da PUCRS, Professor do Programa de Residência em Psiquiatria do Hospital São Lucas da PUCRS e Coordenador do Ambulatório de Psiquiatria das Adições do Hospital São Lucas da PUCRS.
Ciclo Histórias da Saúde | Dia 9, às 19h
Com o tema Projeto Rondon, a maior sala de aula do Brasil, a edição de novembro do Ciclo conta com a participação da médica pneumologista Mara Rúbia André Alves de Lima.
A palestra tem como proposta explorar a história de mais de 50 anos do projeto, coordenado pelo Ministério da Defesa em busca de soluções sustentáveis para a inclusão social e a redução das desigualdades regionais.
Além disso, também busca discutir as capacitações do Projeto Rondon na saúde, na educação, na cultura e nos direitos humanos, em comunidades vulneráveis; e refletir sobre as lições de vida e cidadania oportunizadas aos estudantes do ensino superior, fortalecendo a liderança e a responsabilidade social. Transmissão ao vivo pelo Youtube do CHC Santa Casa.
Mara Rúbia André Alves de Lima: Professora da Universidade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre, com doutorado (UFRGS) e especialização em Mídias da Comunicação (MEC). Foi pesquisadora no Asthma Center-Toronto General Hospital (Canadá) e prof. da Faculdade de Medicina da UFRGS.
Atualmente, é professora visitante (Fulbright Program) na Cátedra de Saúde Global da Rutgers University/New Jersey (EUA).
04/11/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2021/11/regina-navarro-lins-natalia-borges-polesso-e-mais-veja-os-destaques-da-feira-do-livro-nesta-quinta-ckvjtymyw007k017f1c0e8zgl.html
Regina Navarro Lins, Natalia Borges Polesso e mais: veja os destaques da Feira do Livro nesta quinta
Dia também terá autógrafos de Clara Corleone, Luís Augusto Fischer e Lelei Teixeira
Nesta quinta, a 67ª Feira do Livro de Porto Alegre recebe a psicanalista carioca Regina Navarro Lins para falar sobre o fim do amor romântico. Autora de 13 livros sobre afeto e sexualidade, incluindo o mais recente Amor na Vitrine – Um Olhar sobre as Relações Amorosas Contemporâneas (BestSeller, 2020), ela irá participar de um bate-papo virtual com o professor da UFCSPA Rodrigo de Lemos, às 19h30min.
Antes, às 18h, as escritoras Natalia Borges Polesso e Cristina Judar falam com Nanni Rios sobre o tema "Mulher, anseio e mundo". O dia também terá autógrafos de Clara Corleone, às 19h. Em Porque Era Ela, Porque Era Eu, a escritora foco na autoestima feminina e a forma como as mulheres se envolvem afetivamente com os homens.
As bancas dedicadas ao público infantojuvenil abrem às 10h e as da área geral, às 12h30min. A programação completa pode ser conferida no site do evento. Abaixo, confira os destaques desta quinta:
16h - Autógrafos de Na Antessala do Fim do Mundo
- Boca Migotto autografa na Praça de Autógrafos.
17h30 - Autógrafos de João aos Pedaços
Flávio Ilha autografa na Praça de Autógrafos.
17h30 - Autógrafos de Zeca, o Fotógrafo
Livro com fotografias do engenheiro José Gerbase Filho, que faleceu em maio deste ano. Participam da sessão sua filha, Juliana, e seus irmãos, Carlos, Antônio Carlos e Andréa.
17h30 - Autógrafos de Duas Formações, uma História
Luís Augusto Fischer autografa na Praça de Autógrafos.
17h30 - Autógrafos de E Fomos ser Gauche na Vida
Lelei Teixeira autografa na Praça de Autógrafos.
18h - Bate-papo “Mulher, anseio e mundo”
Buscando desvendar a relação entre literatura, voz e representatividade, Natalia Borges Polesso, autora de A Extinção das Abelhas (Companhia das Letras, 2021), conversa com Cristina Judar, que escreveu Elas Marchavam Sob o Sol (Dublinense, 2021) em uma transmissão ao vivo pelo site da Feira. A mediação fica por conta da jornalista e livreira Nanni Rios.
19h - Porque era ela, porque era eu
Clara Corleone autografa na Praça de Autógrafos.
19h30min - Bate-papo “O fim do amor romântico e as novas formas de amar”
Em Amor na Vitrine – Um Olhar sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, a psicanalista Regina Navarro Lins reflete que precisamos nos livrar do moralismo e dos preconceitos se quisermos viver melhor. Em papo virtual com o professor Rodrigo de Lemos, ela irá falar sobre sedução, idealização do amor romântico, vida a dois e solteiros versus casados. A transmissão é pelo site da Feira.
04/11/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/geral/noticia/2021/11/campanha-do-novembro-azul-em-caxias-mostra-por-que-o-diagnostico-precoce-do-cancer-de-prostata-e-fundamental-ckvl65ry0006t017f4t0h60xs.html
Campanha do Novembro Azul em Caxias mostra por que o diagnóstico precoce do câncer de próstata é fundamental
Homens que integram grupo de risco têm acesso gratuito a exame de sangue capaz de detectar a doença
O Novembro Azul — ação mundial de conscientização à prevenção do câncer de próstata — é mais um adotado pela prefeitura de Caxias do Sul. A campanha realizada no município pela Secretaria da Saúde (SMS) alerta para a importância do diagnóstico precoce, que pode ser verificado por meio de exame de sangue, o chamado antígeno prostático específico (PSA), disponível em todas as unidades básicas de saúde (UBSs) da cidade mediante agendamento de consulta. O teste é disponibilizado para homens que integrem grupo de risco: homens de 45 aos ou mais, com sintomas ou com fatores de risco (história familiar da doença ou negros); e homens de 50 anos ou mais em geral.
Segundo a SMS, esse é o segundo tipo de câncer mais comum em homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam para 65.840 novos casos de câncer de próstata a cada ano, entre 2020 e 2022.
— É um tumor que tem incidência mais concentrada em população masculina mais velha. Em alguns pacientes que tenham o perfil genético mais suscetível, ele vem de forma mais agressiva, por isso temos que rastrear. Não é um tumor muito fácil de detectar e preocupa porque homens não buscam exames de rastreio precoce na mesma frequência que as mulheres buscam para o câncer de mama — afirmou o diretor executivo da SMS, Dino de Lorenzi, em entrevista ao Gaúcha Hoje, na Gaúcha Serra, na quarta-feira (3).
Segundo ele, o cuidado menor com a alimentação e a dieta rica em proteína, especialmente na carne, são fatores de risco para o câncer de próstata. O agravamento da doença ocorre, em muitos casos, segundo ele, por uma questão cultural, na qual os homens evitam buscar exame para diagnóstico precoce, procurando atendimento somente quando já enfrentam alguma situação incômoda.
— Quando não é realizado o exame preventivo de toque ou de sangue se posterga a detecção de casos que poderiam ser mais agressivos e isso aumenta, portanto, o índice de mortalidade da doença — afirmou o diretor.
— Os sintomas são, geralmente, dificuldade para urinar. Vontade de urinar com mais frequência, mas em menor volume, é um sintoma bem característico; incapacidade de esvaziar completamente a bexiga, e isso atrapalha até mesmo o sono, porque ocorre durante a noite também, perturbando a qualidade de vida — completou.
Uma atividade que marca a campanha do Novembro Azul é exposição fotográfica Invictos, que retrata casos de superação. A mostra ocorre de 10 a19 de novembro na Câmara de Vereadores e na UBS São Caetano. O objetivo é a conscientização a respeito do tema retratando casos de pessoas que superaram a doença. A exposição é uma parceria da SMS e da Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan).
O que é a próstata
Localizada na parte baixa do abdômen dos homens, logo abaixo da bexiga e à frente do reto, a próstata é um pequeno órgão em formato de maçã que envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. Sua função é produzir parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides e é liberado durante a ejaculação.
Sobre a doença
O câncer de próstata é mais comum em homens com idades entre 50 e 70 anos. Em pessoas mais jovens, a doença acontece raramente, apenas quando há uma hereditariedade muito forte. Além disso, a maioria dos diagnosticados e tratados não morre. Em outras situações, no entanto, a doença pode avançar rapidamente, se espalhando para outros órgãos e levando o paciente a óbito.
Fatores de risco e prevenção
No Brasil, a recomendação é de que o homem procure atendimento para prevenção do câncer de próstata a partir dos 50 anos. Mas, se ele apresentar algum dos fatores de risco, deve consultar um especialista mais cedo, a partir dos 45 anos. Entre esses fatores, estão: histórico familiar, raça e sedentarismo.
O médico Ernani Rhoden, professor de urologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e chefe do Serviço de Urologia da Santa Casa de Misericórdia, explica que homens com histórico familiar têm duas vezes mais chances de ter câncer de próstata do que aqueles sem histórico. Assim como indivíduos negros, que podem apresentar a doença de forma mais agressiva e devem começar a avaliação médica cinco anos antes dos demais, mesmo com a ausência de sintomas.
Em relação ao sedentarismo, o especialista pontua que dietas hiperproteicas e hipercalóricas, com alto consumo de alimentos processados e decorrente obesidade, são fatores de risco para as neoplasias de forma geral. Considerando que a doença está relacionada ao envelhecimento masculino, ele salienta também que as regiões sul e sudeste do Brasil apresentam as maiores taxas de câncer de próstata no país — isso porque quanto maior a expectativa de vida, mais alto será o número de casos de neoplasia.
02/11/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/11/vacinacao-casos-e-mortes-confira-qual-era-a-situacao-da-pandemia-nos-paises-que-suspenderam-o-uso-de-mascaras-ckvin4nh6007v019mgf9ag2ym.html
“Vacinação, casos e mortes: confira qual era a situação da pandemia nos países que suspenderam o uso de máscaras
Discussão sobre retirada da obrigatoriedade do equipamento ao ar livre cresce no Brasil, mas assunto não é consenso entre especialistas
Com o crescimento da cobertura vacinal e redução de hospitalizações e mortes por covid-19, cresce no Brasil a discussão para desobrigar o uso de máscaras ao ar livre. A ciência já sabe que contaminações nesse tipo de ambiente têm menos chance de ocorrer, mas o assunto não é consenso entre especialistas em saúde – e cada país tomou a decisão de forma diferente.
De um lado, argumenta-se que a transmissão ao ar livre é muito baixa e que, portanto, suspender o uso de máscaras nesse tipo de ambiente não traria grandes prejuízos. De outro, afirma-se que aglomerações ao ar livre trazem grande risco de contaminação e que flexibilizar o acessório passará a equivocada mensagem de que a pandemia acabou.
No início de outubro, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) emitiu nota na qual afirma que se sente “no dever de apelar a todos os gestores do Sistema Único de Saúde para que mantenham o uso de máscara em caráter obrigatório, nos moldes atuais, como estratégia indispensável ao sucesso de nossos esforços contra a pandemia”.
O Conass afirma, ainda, que “é preciso que estejamos atentos às experiências frustrantes de alguns países que, acreditando ter superado os riscos, suspenderam a obrigatoriedade do uso de máscaras, afrouxaram as medidas de prevenção e, por isso mesmo, tiveram recrudescimento importante do número de casos e de óbitos, obrigando-os a retroceder”.
O maior receio é de que o Brasil repita a situação de Estados Unidos, Israel e Reino Unido, que deixaram de obrigar o uso de máscaras e viram nova onda de casos, hospitalizações e mortes, puxada pela variante Delta.
Um olhar para outras nações mostra que, em países onde a flexibilização do uso de máscaras ao ar livre não ocasionou piora da epidemia, a cobertura vacinal era mais baixa do que no Brasil, mas o número de novas infecções era melhor controlado.
Além disso, no geral, as nações flexibilizaram o uso do acessório quando havia maiores restrições às atividades – enquanto que, por aqui, atividades consideradas de alto risco, como casas noturnas e jogos de futebol, já são permitidas.
Na Alemanha, a decisão cabe aos Estados e, portanto, as liberações ocorreram em épocas diferentes – de forma geral, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório ao ar livre em junho, quando o país tinha quase metade da população com duas doses. Só depois é que foram liberadas as boates, por exemplo.
— Países que foram liberando mais cedo, como Israel, Estados Unidos e outros países da Europa, tiveram surgimento da Delta e impacto muito grande em aumento da mortalidade. Isso foi um alerta de que precisamos ter cuidado ao tomar essas decisões. Mas acho que, no Rio Grande do Sul, a gente tem percentuais de vacinação que nos permitem flexibilizar. Só nos preocupa a sensação de "liberou geral" — afirma o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
No Brasil, 72,6% da população recebeu a primeira dose 54,5% completou o esquema vacinal, segundo dados do portal coronavirusbra1.github.io. No Rio Grande do Sul, que apresenta a terceira melhor vacinação do país, 78% da população recebeu a primeira dose e 61,5%, duas doses.
Para a bióloga Mel Markoski, professora de Biossegurança na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante da Rede Análise Covid-19, o uso de máscaras deveria ser mantido até depois das festas de fim de ano e do Carnaval.
— Ao ar livre, é fato que tem corrente de ar e ação do sol, que neutraliza as partículas virais. Mas em uma aglomeração ao ar livre com pessoas sem máscara, não há tempo o suficiente para a dissipação dos aerossóis. Uma coisa é abolir o uso em uma cidade pouco populosa, outra é abolir em capitais e em praias. Se chegar daqui a um ou dois meses, houver crescimento de casos e precisar retornar o uso da máscara, vai ser muito mais difícil retomar. Basta pensar no fecha e abre do comércio no Rio Grande do Sul: as pessoas ficaram confusas e depois já não queriam segurar mais nada — afirma.
Compare a realidade entre os países
Brasil
- Cobertura vacinal de duas doses na população hoje: 54,5%
- Taxa de novos mortos por semana: 11,16/1 milhão de habitantes
- Taxa de novos casos por semana: 392,98/1 milhão de habitantes
Fonte: Our World in Data
Israel
- Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 61%
- Taxa de novos mortos por semana na época: 1,14/1 milhão de habitantes
- Taxa de novos casos por semana na época: 13,2/1 milhão de habitantes
Quando Israel flexibilizou o uso de máscaras ao ar livre e em ambiente fechado, na metade de junho, mais da metade da população ganhara a segunda dose da Pfizer. Todavia, houve grande crescimento no número de casos e, apenas 10 dias depois, o governo passou a obrigar, em caráter urgente, novamente o uso do acessório em ambientes fechados frequentados pelo público. Hoje, não é preciso portar máscara ao ar livre.
Reino Unido
- Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 53%
- Taxa de novos mortos por semana na época: 4,35/1 milhão de habitantes
- Taxa de novos casos por semana na época: 4.634/1 milhão de habitantes
O Reino Unido liberou o uso de máscaras ao ar livre e em ambiente fechado em 18 de julho. A partir daí, o governo entendeu que cada cidadão poderia tomar as próprias decisões para se proteger contra a covid-19. Mas, com a entrada da Delta, o país viveu semanas depois uma explosão de novos casos, hospitalizações e mortes – os casos mais graves estavam focados em não vacinados. Hoje, o Reino Unido tem um dos maiores índices de novos casos da Europa. Agora, funcionários do sistema público de saúde pressionam para que o governo volte a obrigar o uso do acessório em ambientes fechados.
Estados Unidos
- Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 38,4%
- Taxa de novos mortos por semana na época: 13,17/1 milhão de habitantes
- Taxa de novos casos por semana na época: 727,6/1 milhão de habitantes
Nos Estados Unidos, o uso de máscaras em ambientes abertos e fechados foi liberado em 13 de maio para os vacinados que completaram duas semanas com a segunda dose. No dia, a média móvel era de 628 mortes diárias. Semanas depois, os Estados Unidos viram uma nova onda de casos, hospitalizações e mortes surgir. Em julho, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) passou a recomendar o uso de máscaras ao ar livre em determinados Estados onde a incidência da covid-19 era alta.
Itália
- Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 25,9%
- Taxa de novos mortos por semana na época: 1,81/1 milhão de habitantes
- Taxa de novos casos por semana na época: 571,72/1 milhão de habitantes
O governo da Itália suspendeu o uso de máscaras ao ar livre em 28 de junho, quando cerca de 26% da população estava com duas doses. Mas a população foi orientada a sempre levar máscara ao sair de casa e usá-la se passar ou estiver em uma aglomeração de pessoas.
França
- Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 23,6%
- Taxa de novos mortos por semana na época: 2,18/1 milhão de habitantes
- Taxa de novos casos por semana na época: 817/1 milhão de habitantes
Na França, o uso de máscaras ao ar livre deixou de ser obrigatório em 17 de junho. O acessório, no entanto, ainda ficou exigido em parques de futebol e de diversão. Quando a decisão foi tomada, o registro de novos casos era 97% menor em comparação a abril, quando houve pico de contaminações. A cobertura vacinal era menor do que no Brasil, mas as taxas de novos casos e mortes eram menores.
Austrália
- Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 11%
- Taxa de novos mortos por semana na época: 0/1 milhão de habitantes
- Taxa de novos casos por semana na época: 1,75/1 milhão de habitantes
A Austrália, que à época optava por praticamente eliminar a covid-19 em vez de conviver com o vírus, começou a relaxar o uso de máscaras em 17 de maio, quando a vacinação atingia apenas 3% da população, mas não havia uma única morte pela doença no país há mais de um mês. Com a entrada da variante Delta, o país abandonou a estratégia “covid zero”. O uso de máscara não é exigido na maioria dos ambientes abertos e fechados, mas o país tem uma política de rastreamento elogiada mundo afora, o que permite ir atrás de quem teve contato com uma pessoa infectada e isolar todos.
Nova Zelândia
- Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 3,4%
- Taxa de novos mortos por semana na época: 0/1 milhão de habitantes
- Taxa de novos casos por semana na época: 26,75/1 milhão de habitantes
Na Nova Zelândia, o uso de máscaras no transporte público foi desobrigado em 23 de setembro. Nos mesmos moldes da Austrália, o país tinha uma cobertura vacinal baixíssima, de apenas 5,6%, mas a média móvel de novas mortes diárias era de zero e o país havia acumulado apenas 25 vítimas em toda a pandemia.
Portugal
- Cobertura vacinal de duas doses na população quando máscaras foram desobrigadas: 81,6%
- Taxa de novos mortos por semana na época: 5,51/1 milhão de habitantes
- Taxa de novos casos por semana na época: 819,4/1 milhão de habitantes
Em Portugal, que tem uma das maiores coberturas vacinais da Europa, o governo tornou opcional o uso de máscaras ao ar livre em 13 de setembro. O acessório passou a ser recomendado em aglomerações ou quando não for possível manter distanciamento e continuou obrigatório em instituições de ensino, lojas e shoppings, edifícios de uso público, cinemas, teatros, ônibus e locais de trabalho.”





