28/10/2021 – Matinal Jornal
Link:https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/agenda/ufcspa-apresenta-webinario-por-uma-universidade-antirracista/
"UFCSPA apresenta webinário “Por uma universidade antirracista”
Debater as relações étnico-raciais, no campo da saúde e no âmbito das universidades brasileiras, é o objetivo do webinário “Por uma universidade antirracista”. Serão quatro mesas temáticas, realizadas nos dias 3, 10, 16 e 23 de novembro, sempre às 19h, no canal da UFCSPA no YouTube.
O webinário é uma iniciativa do Núcleo de Inclusão e Diversidade (NID), organizado pelo Grupo de Estudos Afro-brasileiros (GEAB) e pelo Núcleo Cultural da UFCSPA.
Serão discutidas as relações étnico-raciais, abordando os privilégios da branquitude na formação social brasileira; os sentidos de saúde para pessoas negras e indígenas e a formação profissional neste campo; o acesso de pessoas negras às universidades e os desafios e possibilidades das Ações Afirmativas no Brasil; e as estratégias políticas e pedagógicas dos movimentos negros na contemporaneidade.
Programação
3 de novembro: “Se o novembro é negro, o resto do ano é branco? Pensando os privilégios da branquitude.”
Gladis Kaercher, professora da Faculdade de Educação da UFRGS.
Roberta da Silva Gomes, psicóloga, mestranda em Psicologia Social (UFRGS).
Mediação: Aline Aver Vanin, professora do Departamento de Educação e Humanidades da UFCSPA.
10 de novembro (quarta): “Sentidos de saúde para negros e indígenas”
Lucas Mendes, médico psiquiatra e pesquisador da Saúde Mental da População Negra.
Rejane Nunes, indígena Kaingang, psicóloga e mestranda em Psicologia Social (UFRGS).
Mediação: Carlos Vieira, graduando em Medicina da UFCSPA.
16 de novembro (terça): “Negras e negros nas universidades brasileiras”
Ivete Sacramento, ex-reitora da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e secretária municipal de Reparação de Salvador.
Fernanda Bairros, professora do Departamento de Saúde Coletiva da UFRGS.
Mediação: Mônica de Oliveira, pró-reitora da PROEXT e professora da UFCSPA.
23 de novembro (terça): “Estratégias políticas e pedagógicas no movimento de negras e negros”
Gleidson Dias, advogado e integrante do Movimento Negro Unificado (RS).
Fernanda Formigoni, graduanda em Ciências Sociais e integrante do Coletivo Negro Minervino de Oliveira.
Mediação: Marina Dadico, graduanda em Psicologia da UFCSPA."
26/10/2021 – Zero Hora
Colação ao vivo só em 2022
Maioria das universidades projeta para o ano que vem o retorno das formaturas presenciais; nas particulares, cenário é outro
Zero Hora26 Oct 2021ISABELLA SANDER Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Ainda não será neste ano que os alunos das universidades federais gaúchas colocarão togas para receber os diplomas e comemorar com seus familiares a almejada graduação. Com planos de retomada gradual das atividades presenciais, a maioria das instituições planeja para 2022 o retorno das formaturas presenciais. A exceção é a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que elaborou um plano de retorno das colações de grau ao Salão de Atos, mas sem previsão de apreciação pelo Comitê Covid.
Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), estão sendo feitas formaturas virtuais mensais, com estudantes de diferentes cursos simultaneamente. O plano é mudar o cenário no ano que vem.
– Inicialmente, serão somente formaturas externas. Mais adiante, as turmas menores voltarão às formaturas na UFCSPA – relata a reitora Lucia Pellanda, que explica que, devido à limitação de espaço, formaturas de cursos com muitos alunos, como Medicina, Enfermagem, Fonoaudiologia e Fisioterapia, já aconteciam fora do prédio da instituição antes da pandemia.
Destinada a cursos da área da Saúde, porém, a universidade conta com o apoio de muitos estudantes na manutenção, por enquanto, das solenidades no formato remoto. Formado em Biomedicina no dia 25 de agosto, Luís Felipe Castro, 28 anos, preferiu nem mesmo tirar fotos de toga, por entender que ainda não era seguro.
– Acho uma atitude prudente da UFCSPA. No momento, acho que é o ideal, porque as nossas condições epidemiológicas ainda não permitem que a gente retome de forma segura. É um passo de cada vez. Com todo mundo se vacinando, vamos começando a retomar a rotina, mas, agora, não se deve voltar – defende o novo biomédico.
Amanhã, será a vez de Luís Furtunato, 26 anos, se formar em Medicina pela UFCSPA. O dia não será celebrado como ele imaginava.
– É algo que a gente espera bastante, inclusive a família. É como se fosse um rito de passagem. Mas compreendemos também a situação que vivemos e que nem tudo pode ser como esperamos. Vamos nos reunir, eu, minha mãe e minha irmã, e comemorar nós três a ocasião – resume o jovem.
A turma de Luís pretende realizar uma colação de grau presencial quando tudo estiver liberado. Alguns cogitam também fazer festas, plano que não é compartilhado por Luís. Mesmo assim, o formando fez questão de participar da prova de toga, para ter em fotos o registro do rito de passagem.
Expectativa
Maior instituição de Ensino Superior do Rio Grande do Sul, a UFRGS elaborou um plano de retorno das colações de grau que prevê a realização de solenidades no Salão de Atos, seguindo uma série de protocolos e com limitação de número de formandos no palco e de convidados na plateia. O documento será analisado pelo Comitê Covid da universidade após a divulgação das novas diretrizes para o retorno gradual das atividades presenciais, que deve ser divulgado hoje. Atualmente, a UFRGS mantém a maioria das aulas no formato remoto, mas a previsão é de que um retorno gradual das atividades presenciais aconteça a partir de 17 de janeiro, quando começa o semestre letivo.
Por enquanto, as formaturas presenciais não estão permitidas. Na conclusão dos semestres de 2020/1 e 2020/2, contudo, foram liberadas cerimônias de formatura de gabinete com até cinco formandos e até dois convidados por formando. No caso de turmas mais numerosas, como a Medicina, as cerimônias se estenderam ao longo de quase um dia inteiro. No semestre de 2020/2, foram permitidos discursos e o uso de beca. Ainda assim, 66% dos estudantes preferiram as colações de grau totalmente virtuais.
A mais adiantada é a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), que prevê formaturas presenciais, ainda que com uma série de protocolos, já na fase dois do seu plano de contingência, que deve começar no dia 16 de novembro. Os eventos estão sujeitos à avaliação do Comitê de Monitoramento, de combate e prevenção à covid-19 na instituição.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA (UNIPAMPA) – deve publicar nesta semana novas normativas para as colações de grau de 2022. As solenidades deverão voltar a ser presenciais a partir de fevereiro de 2022
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA (UFSM) – prepara plano de contingência do Centro de Convenções, a fim de realizar lá formaturas presenciais em breve. Atualmente, algumas formaturas de gabinete já ocorrem de forma presencial, mas com restrição de participantes, a formatura oficial segue online. Para aqueles que se formaram nos semestres afetados pela pandemia, a instituição planeja uma grande formatura, em formato que ainda será avaliado
A UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS (UFPEL) – segue realizando somente cerimônias online. Estuda realizar uma formatura institucional, que congregue todos os cursos, no formato remoto, entre janeiro e fevereiro. As solenidades presenciais ocorrerão junto ao retorno das aulas presenciais, ao longo de 2022
UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL (UFFS) – o campus Erechim ainda terá uma formatura no modo remoto no dia 3 de dezembro. As seguintes ocorrerão em fevereiro e a perspectiva é de que sejam já presenciais, o que ainda depende de aprovação pelo Conselho de Campus
25/10/2021 – Correio do Povo
Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/rs-vive-os-primeiros-sinais-da-passagem-de-uma-epidemia-para-uma-endemia-diz-especialista-1.712590
“RS vive os primeiros sinais da passagem de uma epidemia para uma endemia, diz especialista
Caso cenário se confirme, Estado deve manter bons indicadores e registrar apenas casos concentrados de novos surtos
Mais de 20 meses depois do início de uma crise sanitária global provocada pelo coronavírus, o Rio Grande do Sul antevê os primeiros sinais de um processo de passagem de uma epidemia para uma endemia. Com quase 60% da população completamente vacinada, um dos melhores desempenhos do país, explosões de grandes surtos e colapso na rede hospitalar devem ficar mais distantes. As declarações são do virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-Ômica, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que investiga quais cepas circulam no país.
"Estamos entrando numa fase que começamos a ver os primeiros sinais de um processo de endemização. A gente não está livre da geração de novos surtos, mas vemos que o número de indivíduos internados em UTIs atinge muito mais pessoas sem esquema vacinal completo ou idosos acima de 80 anos, que ainda não tiveram a oportunidade de fazer a dose de reforço", explicou Spilki. De acordo com o especialista, caso o cenário de endemia se confirme, novos surtos devem ocorrer em pequenas proporções e ficar concentrados em asilos, hospitais e locais com aglomerações.
A endemia é caracterizada pela ocorrência recorrente de uma doença em determinada região, mas sem um aumento significativo no número de casos. Ou seja, a população convive com ela. Um exemplo de caráter endêmico no Brasil é a dengue, que ocorre durante o verão em certas regiões.
"O único jeito de debelar uma endemia é o avanço muito forte na vacinação, alcançando o máximo de pessoas com as duas doses do imunizante", apontou. Outro entrave enfrentando no Brasil, assim como em diversos países, é a falta de autorização de vacinas contra Covid para crianças menores de 12 anos. Enquanto esse grupo não é incluído no Programa Nacional de Imunizações (PNI), o virologista defende a manutenção de protocolos sanitários como uso de máscaras, limite de ocupação em espaços fechados e passaporte vacinal para participação de eventos.
O especialista descarta a possibilidade de novos picos de contágios e mortes impulsionadas por variantes, como ocorre hoje na Inglaterra. O país atingiu na semana passada os níveis de contágio mais altos desde janeiro quando estava em "lockdown" para conter a disseminação do vírus. "Nós apostamos que não vai haver novos surtos em grandes proporções. Até por causa do impacto que a variante Gama gerou, não imaginamos ver aquele filme de novo. Sei que em outros países da Europa estamos vendo isso acontecer. Hoje, maioria deles não tá conseguindo avançar no número de vacinados, como na Rússia, ou estão sofrendo cm os níveis de flexibilizações e não uso de máscara, como é o caso da Inglaterra", justificou.
Impacto da variante Delta no RS surpreendeu especialistas
Enquanto a variante Delta, registrada pela primeira vez na Índia, provocava explosão de novos casos no Reino Unido, Inglaterra e Rússia, por exemplo, a América Latina se preparava para um cenário preocupante. Porém, cinco meses depois do início da circulação da cepa no Brasil, os efeitos nos indicadores da pandemia surpreenderam positivamente os especialistas. O que tornou o país uma exceção é uma reunião de cuidados e mazelas: protocolos sanitários, a circulação da variante Gama e a demora na vacinação no país.
Para o professor de Infectologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e coordenador do Laboratório de Biologia Molecular da Santa Casa de Porto Alegre, um dos principais centros diagnósticos para Covid-19 no Rio Grande do Sul , Alessandro Comaru Pasqualotto, ocorreu uma leitura equivocada do significado real das variantes na pandemia de coronavírus. "Não é que as variantes transmitam mais, mas ela foram detectadas em momentos e locais do mundo onde havia mais transmissão porque havia mais aglomeração. Então, elas eram o reflexo, a consequência, e não a causa", destacou.
Para manter esse "escudo" contra o surgimento de novos cepas, a aposta é a vacinação em massa. "A nossa grande defesa contra o agravamento da epidemia é a vacinação. Agora, o quanto de vacinação é suficiente pra proteger contra eventuais avanços na epidemia decorrentes de aglomerações é difícil de medir. Mas o que parece claro é que tem funcionado".
Para o virologista Fernando Spilki, outros dois fatores também definiram o cenário frente à Delta. Uma delas foi a presença da variante Gama no primeiro semestre do ano, que teve comportamento agressivo em diversos estados brasileiros. "A Gama pode ter influído. Hoje estamos avaliando a resposta em pessoas que tiveram essa cepa. Pesquisamos no seguinte sentido: as pessoas que estavam muito expostas e que acabaram pegando a variante Gama podem ter tido uma resposta que as protegeu no momento que a Delta estava circulando".
25/10/2021 – TecMundo
Link: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/227508-vacinas-covid-19-nao-causam-aids-saiba-diz-ciencia.htm
“Vacinas contra covid-19 não causam Aids; saiba o que diz a ciência
O que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugeriu em sua transmissão ao vivo no Facebook na quinta-feira (21), que as vacinas contra a covid-19 estão causando Aids em quem as recebeu no Reino Unido, não foi uma fala polêmica ou imprecisa — foi uma informação falsa.
As supostas notícias lidas por Bolsonaro na transmissão afirmavam que relatórios do governo britânico indicavam que vacinados estariam com o sistema imunológico enfraquecido e adquirindo a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). Na verdade, os documentos fazem a vigilância dos efeitos das vacinas na população ao longo do tempo e não citam a Aids ou qualquer prejuízo causado ao sistema imune nos vacinados.
A agência de checagem independente Aos Fatos fez uma verificação completa dos fatos (que pode ser confirmada pelo leitor) aqui.
A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do comitê científico da SBI (Sociedade Brasileira de Imunologia), diz que as falas do presidente são lamentáveis.
"Trata-se de uma campanha organizada para desinformar e prejudicar as pessoas. É proposital e muito grave", afirma a cientista ao TecMundo.
Na noite do domingo (24), o Facebook decidiu tirar do ar o vídeo com a transmissão de Bolsonaro, mas o estrago já estava feito — milhares ou talvez milhões de brasileiros tiveram contato com uma informação falsa reproduzida pelo chefe do executivo e cabeça do governo brasileiro.
Até o momento, mais de 50% da população brasileira completou a vacinação com uma das vacinas contra a covid-19, e vários outros países estão com taxas semelhantes de vacinação. Embora nenhuma vacina contra nenhuma doença oferece proteção total e seja totalmente isenta de efeitos colaterais, assim como acontece com qualquer tratamento de saúde, os números da pandemia mostram que os imunizantes funcionam e são a melhor opção para combater a covid-19 e evitar ainda mais mortes.
O que diz a ciência?
Em outubro de 2020, um grupo de cientistas publicou uma carta na revista científica The Lancet, uma das mais respeitadas na área da saúde, fazendo um alerta sobre a relação entre vacinas contra covid-19 e Aids.
No texto, os pesquisadores relatam que, há cerca de uma década (ou seja, muito antes do surgimento da covid-19), um estudo com uma vacina experimental contra o HIV que usava o adenovírus do tipo 5 (Ad5) como vetor viral concluiu que os participantes homens não circuncidados que já haviam tido contato com o Ad5 e tiveram relação sexual sem proteção com pessoas soropositivas ou de status sorológico desconhecido tiveram um risco maior de contrair o HIV.
Vale lembrar que o sexo desprotegido é um comportamento de risco para o HIV, ainda mais em locais onde a circulação do vírus é elevada.
Bonorino diz que a carta está equivocada. "Os dados mostram que a vacina [experimental contra HIV] não funcionou, mas não provam que a vacina tenha causado Aids nessas pessoas", afirma.
A pesquisadora explica que o Ad5 é um vírus causador de gripe comum, e muitas pessoas já tiveram contato com ele. Assim, é plausível pensar que uma vacina que usa o Ad5 como vetor viral, contra o qual muitas pessoas já desenvolveram anticorpos, pode não funcionar muito bem.
Para o médico e pesquisador Bruno Filardi, há um risco clínico teórico de uma vez receber a vacina de Adenovírus 5 e a pessoa ficar mais suscetível a contrair o HIV após a exposição ao vírus do HIV.
"TEÓRICO pois o fenômeno foi visto no laboratório e apenas em estudos de vacina para HIV. Não para covid", escreveu o médico em seu perfil do Twitter.
Em outubro do ano passado, logo após a publicação da carta, alguns veículos de imprensa repercutiram o seu conteúdo, o que causou uma confusão ainda maior após as declarações de Bolsonaro na última semana.
As vacinas Sputnik V (russa) e o imunizante produzido pela chinesa CanSino usam o Ad5 em sua composição. Nenhuma das vacinas aprovadas no Brasil usa o Ad5 como vetor viral. Nem no Reino Unido, como pode ser verificado no site do Serviço Nacional de Saúde (NHS).
A vacina Sputnik V tem o Ad5 como vetor somente em uma das duas doses previstas, a outra aplicação conta com um adenovírus diferente.
Filardi afirma que não há relação estabelecida entre as vacinas contra a covid e a Aids. Para ele, o que foi visto no estudo com a vacina experimental contra HIV pode ser explicado ainda por um fenômeno comportamental do voluntário, que por pensar estar protegido contra a doença não segue protocolos de prevenção, como uso da camisinha.
De fato, os participantes do estudo que se infectaram fizeram sexo desprotegido com pessoas soropositivas ou de status sorológico desconhecido, como diz a carta publicada na Lancet. Esses resultados reforçam o que os cientistas vêm dizendo há décadas: que há comportamentos de risco que facilitam uma infecção: falta de camisinha (no caso da Aids) e recusar uso de máscara e distanciamento físico (no caso da covid-19).
Excesso de cautela
No dia 18 de outubro, a Autoridade Regulatória de Produtos de Saúde da África do Sul (SAHPRA) decidiu não aprovar o uso da Sputnik V no país, citando o possível aumento de risco de infecção pelo HIV. No domingo (24), a Namíbia seguiu a decisão da África do Sul e afirmou que deve suspender a aplicação da Sputnik V em seu território. Ambos os países, assim como outras nações no continente africano, sofrem com a alta circulação do HIV.
Em um comunicado divulgado pela agência Reuters, o ministro da Saúde da Namíbia disse que a decisão partiu do excesso de cautela.
As vacinas contra a covid não carregam nenhum elemento do vírus da Aids e não causam supressão no sistema imunológico, pelo contrário, elas estimulam e fortalecem o sistema imune para combater o SARS-CoV-2.
"As vacinas não enfraquecem a resposta imune, elas reforçam essa resposta. A prova disso é que a vacinação está fazendo diminuir os números de casos e mortes causadas pela covid-19", afirma Bonorino.
A decisão dos países africanos está relacionada à alta circulação do vírus do HIV no continente e ao risco ainda não comprovado de que as vacinas que usam o Ad5 podem aumentar o risco de se infectar com o HIV (mas somente nos casos em que há exposição ao vírus do HIV e comportamento de risco).
É importante repetir que o que está dito na carta publicada na Lancet em outubro de 2020 é que quem teve um risco maior de contrair HIV foram os participantes homens do estudo que receberam a vacina experimental e fizeram sexo desprotegido com pessoas infectadas pelo HIV ou de status sorológico desconhecido.
As vacinas causam alguma doença?
As vacinas não são feitas para causar doenças, mas sim para preveni-las. Para isso, elas usam um antígeno (um pedaço do patógeno ou ele inteiro e inativado) que ativa o sistema imunológico para produzir células de proteção contra um invasor específico.
Funciona assim: sempre que o corpo detecta um invasor que pode causar algum mal (bactérias, vírus etc.), inicia a produção de anticorpos e outras células de proteção voltadas para a eliminação do invasor recém chegado. Assim, as vacinas apresentam ao corpo um pedacinho do vírus que funciona como uma identidade para o corpo reconhecê-lo (o antígeno). É como se a vacina disse ao corpo: "Tá vendo esse cara aqui? Vai atrás dele e tira ele daqui!"
Quando a pessoa recebe a vacina, o corpo fica mais ágil e preparado para criar as células de proteção em massa e combater a infecção de uma maneira muito mais eficiente.
Mas e as pessoas que tomaram a vacina e tiveram febre e dores? Simples, a vacina necessariamente induz uma inflamação leve para ativar o sistema imunológico e, assim, dores ou febre podem aparecer. Isso é um sinal de que o sistema imune funciona.”
25/10/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/10/maioria-das-universidades-federais-no-rs-projeta-retorno-de-formaturas-presenciais-para-2022-ckv76zsan008p019mgpeaio31.html
“Maioria das universidades federais no RS projeta retorno de formaturas presenciais para 2022
UFRGS elaborou plano de retomada das colações de grau, mas depende da apreciação do Comitê Covid para validá-lo
Ainda não será neste ano que os alunos das universidades federais gaúchas colocarão togas para receber os diplomas e comemorar com seus familiares a tão almejada graduação. Com planos de retomada gradual das atividades presenciais, a maioria das instituições planeja para 2022 o retorno das formaturas presenciais. A exceção é a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que elaborou um plano que ainda depende de aprovação de um comitê, sem data prevista.
Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), são realizadas formaturas virtuais mensais, normalmente com estudantes de diferentes cursos simultaneamente. O plano é mudar o cenário no ano que vem.
— Inicialmente, serão somente formaturas externas, em que as turmas já locaram locais maiores. Mais adiante, as turmas menores voltarão às formaturas na UFCSPA — relata a reitora Lucia Pellanda.
Devido à limitação de espaço na universidade, formaturas de cursos com muitos alunos, como Medicina, Enfermagem, Fonoaudiologia e Fisioterapia, já aconteciam fora do prédio da instituição antes da pandemia.
Destinada a cursos da área da saúde, porém, a universidade conta com o apoio de muitos estudantes na manutenção, por enquanto, das solenidades no formato remoto. Formado em Biomedicina no dia 25 de agosto, Luís Felipe Castro, 28 anos, preferiu nem mesmo tirar fotos de toga por entender que ainda não era um momento seguro.
— Acho uma atitude prudente da UFCSPA. No momento, acho que é o ideal, porque as nossas condições epidemiológicas ainda não permitem que a gente retome de forma segura. É um passo de cada vez. Com todo mundo se vacinando, vamos começando a retomar a rotina, mas, agora, não se deve voltar — defende o novo biomédico.
Sem a solenidade de colação de grau para marcar o momento, a família de Luís Felipe usou a criatividade para celebrar o diploma do jovem, o primeiro a concluir uma graduação entre seus familiares, o que foi viabilizado por meio de auxílios estudantis e bolsas de iniciação científica. Em outubro, o biomédico foi a Serafina Corrêa, na Serra, pela primeira vez desde janeiro de 2020, para rever sua família. Foi surpreendido com uma faixa na frente da casa, parabenizando pela formatura.
— Minha avó é analfabeta e sempre quis que eu estudasse. Aí, ela pediu para minha mãe colocar a faixa na frente de casa. É algo muito especial ser o primeiro da família a me formar, porque a minha família não teve acesso à educação, então é um peso muito grande — observa Luís Felipe, que espera que seu irmão, de 17 anos, siga o mesmo caminho e também faça uma graduação.
Nesta quarta-feira (27), será a vez de Luís Furtunato, 26 anos, se formar em Medicina pela UFCSPA. O dia não será celebrado como o graduando imaginava.
— É algo que a gente espera bastante, inclusive a família. É como se fosse um rito de passagem. Mas compreendemos também a situação que vivemos e que nem tudo pode ser como esperamos. Vamos nos reunir, eu, minha mãe e minha irmã, e comemorar nós três a ocasião — resume o jovem.
A turma de Luís pretende realizar uma colação de grau presencial quando tudo estiver liberado. Alguns cogitam também fazer festas, plano que não é compartilhado por ele. Mesmo assim, o formando fez questão de participar da prova de toga, para ter em fotos o registro do rito de passagem.
(...)
Instituições privadas já retomaram
Enquanto isso, as universidades particulares já estão retomando as festividades presenciais.
Na Unisinos, por exemplo, desde setembro ocorrem cerimônias presenciais em quase todos os finais de semana, ainda que com restrição de tempo, ocupação, uso obrigatório de máscaras e, mais recentemente, obrigatoriedade de apresentação da carteira de vacinação. As solenidades atendem demandas represadas de colação de grau – em setembro, foram celebradas as graduações de quem se formou no semestre de 2020/1. Atualmente, é a vez dos graduandos de 2020/2, e, até setembro, serão festejadas as formaturas das turmas de 2021/1.
Antes da liberação dos eventos, a universidade já oferecia momentos para os graduandos nas formaturas de gabinete.
— Marcávamos, dentro dos protocolos, momentos de 15 a 20 minutos por aluno, para que ele pudesse tirar fotos com o diploma e com dois familiares. Muitos alunos se formaram nessa modalidade e se satisfizeram com isso, mas, para quem disse que queria fazer a solenidade quando possível, está sendo oferecida a recuperação das formaturas da pandemia — relata Luciana Curra, gerente de Serviços da Unisinos.
Primeira pessoa a conquistar o diploma de Ensino Superior em sua família, Leidiana Ferreira, 28 anos, sonhava com o momento de se arrumar, colocar a toga e receber o canudo em frente aos familiares. Por isso, além da colação de grau em gabinete do curso de Enfermagem, ocorrida em outubro de 2020, a jovem fez questão de participar da formatura, celebrada no último sábado (23) na Unisinos de Porto Alegre.
— A cerimônia sempre fez parte de um sonho meu. Consegui me formar com muito sacrifício, levei seis anos e meio e sou a única da minha família a ter Ensino Superior. Quero, com isso, incentivar meus irmãos — revela Leidiana.
Mesmo com tanto tempo de aulas remotas, a turma da nova enfermeira se manteve unida para organizar a formatura. Dos 19 concluintes, 17 se formaram na cerimônia do último sábado — apenas dois desistiram, por motivos de saúde. Em plena pandemia, segundo Leidiana, todos já estão empregados como enfermeiros.
Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), as cerimônias presenciais serão iniciadas em dezembro, pelo curso de Medicina. Até então, as solenidades foram adaptadas — em 2020/1, eram 100% online. Em 2020/2, muitas já puderam ter um formato híbrido, até que uma nova onda de aumento de casos, em março de 2021, fez com que fossem retomadas as atividades totalmente remotas. A flexibilização foi ocorrendo gradualmente e, em 2021/1, os formandos já podiam convidar até três pessoas para participar da celebração.
— Em agosto, tivemos uma experiência já mais próxima de uma formatura. Tivemos a entrada dos formandos, a entrega de diplomas por familiares e fotos no campus com grupos reduzidos. Para as turmas de 2021/2, nossa expectativa é oferecer cerimônias presenciais — diz Márcia Vieira, coordenadora da área de Relações Comunitárias da PUCRS.
Formandos dos semestres anteriores poderão ser encaixados nas turmas que estão se formando atualmente. Na formatura de Maju Braescher, 24 anos, por exemplo, além dos colegas das Engenharias deste semestre, haverá graduandos de semestres anteriores.
— Mesmo que seja uma comemoração pequena, ter essa oportunidade de comemorar, subir no palco, dá uma felicidade imensa. É muito gratificante poder fazer parte dessa turma que está retomando — revela Maju.
Os 45 formandos, que têm a data da solenidade prevista para 21 de janeiro, tomaram precauções, para o caso de o evento precisar ser adiado. Junto à produtora, assinaram um contrato flexível, que permite o adiamento de todo o pacote adquirido. Mas, por enquanto, tudo tem ocorrido nos conformes — no sábado (30), a turma deve fazer a prova de toga no campus, com a presença de alguns poucos familiares.”
22/10/2021 – ZH
Federais preparam retorno das atividades presenciais
A maioria das instituições no Rio Grande do Sul planeja volta à normalidade no primeiro semestre do próximo ano
Zero Hora22 Oct 2021ISABELLA SANDER Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Com o aumento da vacinação contra a covid-19 e a redução nos índices de casos e hospitalizações pela doença nos últimos meses, o clima entre as universidades federais é de retomada gradual das atividades presenciais. Com exceção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que ainda trabalha na finalização das diretrizes para um retorno mais amplo, as outras instituições têm aumentado o número de aulas práticas permitidas dentro dos campi.
A maioria delas planeja um retorno pleno, que inclua também aulas teóricas presenciais, ainda para o primeiro semestre de 2022, a ser iniciado entre março e maio do ano que vem.
A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) conta com um plano de contingência com três fases. Na segunda-feira, foi iniciada a fase um, na qual as atividades administrativas adotam formato híbrido de funcionamento. As atividades de ensino e extensão seguem remotas.
Em 16 de novembro, começa a fase dois e as atividades administrativas da Furg serão totalmente presenciais, mas com escalonamento entre servidores. Serão permitidas cerimônias de outorga de grau presenciais. Já a fase três está prevista para abril de 2022, quando todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão poderão ser retomadas, a depender do cenário sanitário.
Retomada
Também na segunda-feira, a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) retomou 125 disciplinas práticas na modalidade presencial. As aulas teóricas ainda devem ser mantidas no formato remoto. Apesar disso, ainda não há data definida para o retorno pleno.
Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), trabalhase com a possibilidade de retorno pleno das aulas presenciais no primeiro semestre de 2022, o que dependerá da manutenção dos baixos índices de contaminação e hospitalização por covid-19. O primeiro semestre letivo deverá começar entre março e abril do ano que vem.
Na Capital, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) está na fase dois de um programa elaborado pela instituição, composto por cinco fases. Ele já inclui aulas práticas. Somente na fase quatro, os cursos de verão, de inverno e de férias voltam a ser liberados. Por fim, na fase cinco, ocorre a retomada de todas as atividades presenciais, inclusive aulas teóricas. Ainda não há previsão de retorno pleno.
Programa
Com três campi distribuídos no Rio Grande do Sul, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) tem um programa de retomada das atividades presenciais composto por cinco Níveis de Segurança Operacional (NSO). O campus de Cerro Largo opera desde setembro no NSO 3, que permite o desenvolvimento de aulas práticas presenciais em laboratórios e áreas experimentais.
– A partir de novembro, quando se inicia o próximo semestre, seguiremos com as aulas práticas presenciais e poderemos ainda ter o retorno de parte das aulas teóricas presenciais – destaca o diretor do Campus Cerro Largo, Bruno München Wenzel.
No Campus Erechim, está em vigor o NSO 2 – mais brando do que o 3. Segundo a diretora em exercício do Campus Erechim, Sandra Pierozan, o planejamento é de retorno às atividades presenciais em 1º de fevereiro de 2022.
O primeiro semestre de 2022, a ser iniciado em abril, deverá retornar à presencialidade. Já no Campus Passo Fundo, apenas com o curso de Medicina, as atividades teóricas retornam gradualmente – cerca de 35% são presenciais. O retorno pleno deve ser em março.
A Universidade Federal do Pampa, por sua vez, (Unipampa) aprovou portaria para retomar as aulas presenciais em abril de 2022.
22/10/2021 – ZH
Aulas práticas liberadas gradativamente
O momento nas universidades federais gaúchas é de ampliação da oferta de aulas práticas no formato principal. A maior preocupação é com os alunos prestes a se formar.
A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) liberou em setembro a oferta de aulas práticas, voltadas principalmente para alunos que estão nesta etapa. É o caso da disciplina de Hematologia, ministrada pela professora Liane Rotta para 10 estudantes de Biomedicina e Farmácia.
– É uma disciplina teórico-prática. A parte teórica nós demos no formato remoto, mas a carga horária prática ficou pendente. Então, estamos fazendo aulas intensivas para completar a parte prática. Tem sido muito proveitoso, porque essas aulas desenvolvem as habilidades dos alunos e os preparam para os estágios – explica a professora, que tem sentido os alunos muito interessados pelas atividades.
A partir do dia 3 de novembro, será concluída a compensação das atividades práticas pendentes de 2020.
A Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) reabriu 125 disciplinas práticas na modalidade presencial na segunda-feira. Até então, apenas Medicina e Odontologia tinham práticas presenciais. Agora, cursos como Gastronomia voltaram a ter aulas práticas no campus.
Para 7 de fevereiro de 2022, quando se inicia o segundo semestre de 2021 na UFPEL, está previsto o retorno de todas as disciplinas práticas de todos os cursos.
Na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), disciplinas práticas essenciais para fases finais e intermediárias poderão ser oferecidas presencialmente.
Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por enquanto apenas cursos da área da Saúde têm aulas práticas ocorrendo de forma presencial. Entretanto, outros cursos já enviaram seus planos de contingência, que poderão ser aprovados nos próximos dias, permitindo a volta da presencialidade parcial.
No caso da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), o campus de Cerro Largo opera desde setembro com o desenvolvimento de aulas práticas presenciais em laboratórios e áreas experimentais, de forma escalonada. No Campus Erechim, mais atividades práticas passaram a ser permitidas a partir dessa semana. Já no Campus Passo Fundo, que conta apenas com o curso de Medicina, as atividades práticas ocorrem presencialmente desde agosto de 2020.
Na Unipampa, entre novembro de 2021 e janeiro de 2022, haverá a recuperação das atividades práticas represadas.
22/10/2021 – PodCast Direto ao Ponto do Correio do Povo
Link: https://www.spreaker.com/user/correiodopovo/2210-dp
“Entenda por que a variante Delta não piorou a pandemia da Covid-19 no Brasil
O aumento expressivo de hospitalizações e mortes nos Estados Unidos, Reino Unido e Israel, impulsivado pela variante Delta, acendeu um alerta aos gestores e especialistas brasileiros. Cinco meses depois, os dados mostram pouco impacto da cepa indiana no cenário brasileiro, que, inclusive, tem os melhores indicadores do último ano.
Para entender estes efeitos, o Direto ao Ponto conversou com o médico Alessandro Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e o virologista Fernando Spilki, que é coordenador da Rede Corona-Ômica, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que investiga quais cepas circulam no país.”
21/10/2021 – Correio do Povo
Link: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/variante-do-coronav%C3%ADrus-identificada-pelo-hospital-moinhos-de-vento-recebe-o-nome-de-p7-1.710716
“Variante do coronavírus identificada pelo Hospital Moinhos de Vento recebe o nome de P7
Cepa em circulação no RS foi identificada no ano passado em estudo feita pela instituição
A variante do coronavírus identificada em estudo genômico do Hospital Moinhos de Vento foi nominada de P7. A cepa foi identificada ainda em 2020 enquanto circulava no Rio Grande do Sul. O monitoramento da P7 foi feito entre os meses de abril e novembro do ano passado, com 340 amostras de 33 municípios, a partir de 33.788 exames diagnósticos de Covid-19 realizados para o Laboratório Central do RS – o Lacen.
De acordo com a epidemiologista do Hospital Moinhos de Vento, Eliana Wendland, que liderou a pesquisa, as 22 amostras identificadas atendiam a todos os critérios para que se considerasse uma nova cepa. No repositório online em que pesquisadores do mundo todo sugerem novas sequências do genoma SARS-CoV-2 a linhagens globais, o pesquisador da instituição, Fernando Hayashi Sant'Anna, apontou os critérios técnicos para que a linhagem fosse nominada.
O estudo foi realizado pelo Hospital Moinhos de Vento, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS), em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
O estudo
Na investigação, os pesquisadores “separam” o RNA do vírus, onde contém a informação genética dele. Utilizando um sequenciador, é realizada a leitura de fragmentos do RNA, que posteriormente é integrado, por meio de softwares específicos, para a montagem do genoma completo. Cada um dos genomas é, então, comparado com o primeiro genoma isolado de SARS-CoV2, de Wuhan (China), para identificar mutações.
Essas sequências são depositadas e comparadas a uma base de dados pública. Assim, é possível garantir que o vírus em circulação em solo gaúcho não é igual a nenhum outro existente. O artigo com esses achados passou pela fase de revisão e checagem sendo, posteriormente, disponibilizado para consulta.”
21/10/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/10/ampliacao-de-aulas-praticas-marca-retorno-gradual-em-universidades-federais-gauchas-ckv1dkc93008j017fcpiswea3.html
“Ampliação de aulas práticas marca retorno gradual em universidades federais gaúchas
Previsão é de que instituições retomem integralmente as atividades presenciais ao longo de 2022
O momento nas universidades federais gaúchas é de ampliação da oferta de aulas práticas no formato presencial. A exceção é a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que ainda trabalha na finalização das diretrizes para um retorno mais amplo. A maior preocupação é com os alunos prestes a se formar e que, devido à pandemia, não puderam cursar disciplinas cuja presencialidade é obrigatória, caso das realizadas em laboratórios e das que exigem saídas de campo.
Na Capital, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) liberou em setembro a oferta de aulas práticas, voltadas principalmente para alunos que estão perto de se formarem. É o caso da disciplina de Hematologia, ministrada pela professora Liane Rotta para 10 estudantes de Biomedicina e Farmácia. Normalmente com frequência semanal, a disciplina está sendo oferecida em formato intensivo.
— É uma disciplina teórico-prática. A parte teórica nós demos no formato remoto, mas a carga horária prática ficou pendente. Então, estamos fazendo aulas intensivas para completar a parte prática. Tem sido muito proveitoso, porque essas aulas desenvolvem as habilidades dos alunos e os preparam para os estágios — explica a professora, que tem sentido os alunos muito interessados pelas atividades.
Desde o início da pandemia, somente aulas práticas prioritárias eram disponibilizadas na UFCSPA, e sempre em locais externos ao campus. A retomada faz parte da fase dois de um programa elaborado pela instituição, composto por cinco etapas. Na fase três, a ser iniciada em 3 de novembro, será concluída a compensação das atividades práticas pendentes de 2020. Será ampliado o número de aulas práticas das 43 atuais para 102. Na fase quatro, os cursos de verão, de inverno e de férias voltam a ser liberados. Por fim, na quinta etapa ocorre a retomada de todas as atividades presenciais, inclusive aulas teóricas. Não há, porém, data prevista para que esse retorno ocorra.
O clima é de retomada também na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que reabriu 125 disciplinas práticas na modalidade presencial na segunda-feira (18). Até então, apenas Medicina e Odontologia tinham práticas presenciais. Agora, cursos como Gastronomia, que também têm muitos componentes cuja presencialidade é essencial, voltaram a ter aulas práticas no campus. Foram priorizadas demandas muito acumuladas e necessidades de formandos.
Para 7 de fevereiro de 2022, quando se inicia o segundo semestre de 2021 na UFPel, está previsto o retorno de todas as disciplinas práticas de todos os cursos. As aulas teóricas ainda devem ser mantidas no formato remoto. Não há definição de data para o retorno pleno de todas as atividades.
Planos de contingência
A organização das instituições é feita por meio de planos de contingência. Na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), ele é planejado em três fases, visando a um retorno lento e gradual à presencialidade. Na segunda-feira, foi iniciada a primeira etapa. Com isso, as atividades administrativas passam a adotar um formato híbrido, mas as de ensino e extensão seguem remotas.
Em 16 de novembro, começa a fase dois, e as atividades administrativas da Furg passam a ser totalmente presenciais, mas com escalonamento entre servidores. Disciplinas práticas essenciais para fases finais e intermediárias poderão ser oferecidas presencialmente. Já a fase três está prevista para abril de 2022, quando todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão poderão ser retomadas, a depender do cenário sanitário.
Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por enquanto, apenas cursos da área da saúde têm aulas práticas ocorrendo de forma presencial. Entretanto, outros cursos já enviaram seus planos de contingência, que poderão ser aprovados nos próximos dias, permitindo, assim, a volta da presencialidade parcial.
A instituição santa-mariense trabalha com a possibilidade de retorno pleno das aulas presenciais no primeiro semestre de 2022, o que dependerá da manutenção dos baixos índices de contaminação e hospitalização por covid-19. O primeiro semestre letivo deverá começar entre março e abril do ano que vem.
Com três campi diferentes no Rio Grande do Sul, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) tem um programa de retomada das atividades presenciais composto por cinco Níveis de Segurança Operacional (NSO). O campus de Cerro Largo opera desde setembro no NSO 3, que permite o desenvolvimento de aulas práticas presenciais em laboratórios e áreas experimentais, de forma escalonada.
— A partir de novembro, quando se inicia o próximo semestre, seguiremos com as aulas práticas presenciais e poderemos ainda ter o retorno de parte das aulas teóricas presenciais — destaca o diretor do Campus Cerro Largo, Bruno München Wenzel.
No Campus Erechim, o NSO 2 — mais brando do que o 3 — foi adotado nesta semana. Com isso, mais atividades práticas serão permitidas. Segundo a diretora em exercício do Campus Erechim, Sandra Pierozan, o planejamento é de retorno às atividades presenciais na unidade em 1º de fevereiro de 2022. O primeiro semestre de 2022, a ser iniciado em abril, deverá marcar o retorno definitivo à presencialidade, não havendo mais autorização legal para o oferecimento do ensino remoto.
Já no Campus Passo Fundo, que conta apenas com o curso de Medicina, as atividades práticas já ocorrem presencialmente desde agosto de 2020. As teóricas estão retornando gradualmente — cerca de 35% ocorrem de forma presencial. A retomada plena deve ocorrer em março.
A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) aprovou portaria para voltar às aulas presenciais também em abril de 2022. Entre novembro de 2021 e janeiro de 2022, haverá a recuperação das atividades práticas represadas.”
20/10/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/10/brasil-chega-a-50-da-populacao-com-esquema-vacinal-completo-contra-covid-19-ckut1ryp000cb017fe9w8qhkv.html
“Brasil chega a 50% da população com esquema vacinal completo contra covid-19
Apesar do atraso em iniciar a campanha, país supera cobertura de Estados Unidos e Alemanha; desigualdade entre Estados é desafio
Dez meses após a primeira dose aplicada na enfermeira Mônica Calazans, o Brasil superou, nesta quarta-feira (20), a importante marca de 50% de todos os 213 milhões de habitantes com esquema vacinal completo contra a COVID-19 — receberam, portanto, duas doses ou dose única da Janssen. A conquista surge após o país superar os 600 mil mortos pela doença e aproxima o Brasil do fim da pandemia.
Dados da plataforma coronavirusbra1, que reúne estatísticas das secretarias estaduais de Saúde, mostram que mais de 152 milhões receberam a primeira dose (71% de todos os brasileiros) e 107 milhões (50,19%) receberam o esquema completo. Outros 5 milhões, o equivalente a 2,5% da população, receberam a terceira dose.
Na prática, o Brasil já atingiu uma das metas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabeleceu que cada país finalize 2021 com 40% da população vacinada. A próxima meta é chegar até metade de 2022 com 70% de todos os habitantes com esquema completo. A nível nacional, o objetivo do Ministério da Saúde é vacinar com duas doses 85% de todos os brasileiros, segundo consta no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 - o que equivale a aplicar a segunda dose em mais 75 milhões de brasileiros.
A despeito das constantes críticas do presidente Jair Bolsonaro às vacinas — ele reafirmou há poucos dias que decidiu não se vacinar, contrariando o consenso da ciência de que essa é a saída para o fim da pandemia —, os brasileiros vêm apresentando maior adesão à campanha frente a outros países, herança da memória coletiva da maior qualidade de vida oferecida anos atrás por imunizantes que resolveram chagas como sarampo e poliomielite.
Ainda que tenha iniciado a aplicação meses depois de outros países, o Brasil aproveitou a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) para dar rápida vazão às doses — a ponto de aplicar mais de 1 milhão de vacinas em um dia.
Como resultado, o país é, em termos brutos, a quarta nação que mais vacinou com uma dose, atrás de China, Índia e Estados Unidos. Proporcionalmente, é o 15º país que mais aplicou a primeira dose — mais do que Alemanha e Estados Unidos, segundo dados do Our World in Data, projeto da Universidade de Oxford.
Ver gráfico pelo link acima.
— O Sistema Único de Saúde se mostrou muito capaz quando houve disponibilidade de doses. O resultado é que a campanha atingiu em curto espaço de tempo um grande número de pessoas imunizadas. Houve agilidade muito grande, e isso se refletiu em diminuição de casos e de mortalidade — afirma Guilherme Watte, epidemiologista na Santa Casa de Misericórdia e professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Próximos desafios
O desafio, agora, é reduzir a abstenção, buscar adolescentes, aplicar mais terceiras doses e elevar a cobertura de duas doses em adultos — neste indicador, o Brasil cai para a 37ª posição, bem atrás de países ricos e de vizinhos como Argentina e Uruguai.
— Em 1998, tivemos a epidemia de H1N1. O presidente da época comprou vacina em estudo e, no ano seguinte, quando as doses chegaram, já estava tudo organizado. Em três meses, vacinamos 88 milhões de pessoas. Com a covid, em três meses tínhamos vacinado 8,6 milhões. Agora que o Brasil tem vacina, está muito mais rápido. Nosso SUS é capilarizado: chega na periferia e vai de barco no Amazonas — destaca a médica epidemiologista Ligia Kerr, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
A epidemia no país começou a perder força em junho, destaca o último boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mês em que o ritmo de vacinação começou a engrenar. O resultado é que o nível de novos casos, hospitalizações e mortes caiu drasticamente: a média móvel de mortes desta sexta-feira (15) é de cerca de 330 vítimas por dia, segundo dados do Ministério da Saúde — no pior momento da epidemia, em abril, eram mais de 3,1 mil.
— É visível o impacto da vacinação no número de casos graves e na necessidade de hospitalização. Conseguir aplicar mais de 1 milhão de doses por dia é muito relevante. Se não houvesse a questão política que retardou a compra de vacinas, estaríamos em índices melhores — afirma Rodrigo Boldo, médico intensivista do Mãe de Deus.
A despeito da menor recusa vacinal por parte de brasileiros, Boldo destaca que a desinformação precisa ser combatida:
— Atualmente (a entrevista foi realizada na semana passada), 90% dos pacientes internados no Hospital Mãe de Deus são não vacinados. Talvez minha amostra seja enviesada porque quem interna é quem não se vacinou, mas são pacientes que chegam cegos, acham que é tudo armação. Um paciente internou, ficou entubado 20 dias e depois me perguntou quando poderia se vacinar — conta.
Até o surgimento da variante Delta, analistas entendiam que o país precisaria aplicar duas doses em cerca de 70% de toda a população para atingir a imunidade coletiva — quando vacinados protegem não vacinados —, e a epidemia acabaria no país.
No entanto, viu-se que a nova variante é altamente transmissível e que pode ser passada adiante também por vacinados (em menores níveis e por menos tempo do que não vacinados). A constatação exige elevar ainda mais a cobertura vacinal, para patamares por volta de 90% de todos os habitantes — quando atingirmos esse número, dizem analistas, a covid-19 será reduzida a baixíssimos patamares, o que permitirá maiores flexibilizações. A Dinamarca, por exemplo, dispensou todas as restrições após vacinar com duas doses 85% de todos os habitantes.
Cobertura vacinal desigual pelo país
A expectativa é de que, em breve, quando a transmissão cair, o coronavírus se tornará similar à gripe influenza, passível de ser controlado apenas com a vacinação. Antes da pandemia, o Brasil costumava registrar cerca de 2 mil mortes por influenza, cita a médica Flávia Bravo, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Dados de 2019 do Ministério da Saúde apontaram, no ano, quase 2,5 mil casos graves de influenza e mais de 1 mil mortes.
Mas os dados mostram que, ainda que a vacinação avance, a cobertura é desigual no Brasil. São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Paraná são os únicos Estados que vacinaram com duas doses mais de 50% de seus habitantes. Enquanto isso, Roraima e Amapá, regiões com maior dificuldade de acesso logístico, sequer chegaram aos 30%.
— A cobertura desigual, seja interna no país ou no mundo, pode trazer risco de entrada de nova variante ou de produção de uma supervariante que ultrapasse a imunidade de quem já esteve doente e dos já vacinados da região — observa a médica Ligia Kerr, também professora da Universidade Federal do Ceará (UFC).
A favor do Rio Grande do Sul está a alta vacinação no comparativo com outros Estados — é a terceira mais alta cobertura vacinal de duas doses do país, com cerca de 56% de todos os habitantes com duas doses e 77%, uma.
Ver gráfico clicando no link acima.
O Estado surfa na decisão de gestores de não reservar segundas doses no início da campanha e também pela cultura de vacinação contra doenças respiratórias do inverno, o que ensinou gestores, servidores da saúde e famílias gaúchas a se organizarem — e valorizarem — a ida ao posto para se imunizar.
O apreço pelas vacinas pode ser simbolizado por Porto Alegre, onde 97% de todas as pessoas com 12 anos ou mais, aptas a se imunizar, já buscaram a primeira dose. Até o momento, dentre os 497 municípios gaúchos, mais de 80 já vacinaram com esquema completo 70% de toda a população. Entre cidades com mais de 100 mil habitantes, a melhor cobertura é em Porto Alegre.
— Estamos no caminho. A vacina ajudou e está ajudando. É questão de mais alguns meses para que o impacto dessa doença seja o mínimo. Agora, é ter um pouco mais de paciência — observa o médico intensivista Rodrigo Boldo, destacando a necessidade de manter o uso de máscaras e evitar aglomerações.”
20/10/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/noticia/2021/10/da-suposta-suastica-na-redencao-ao-bolo-com-homenagem-a-hitler-por-que-o-rs-coleciona-atos-de-inspiracao-nazista-ckv02091q005n019mwsxsystu.html
“Da suposta suástica na Redenção ao bolo com homenagem a Hitler, por que o RS coleciona atos de inspiração nazista
Migração europeia, laços culturais, crise econômica e radicalização política são apontados por estudiosos como possíveis causas da relação do Estado com a ideologia
De tempos em tempos, o Rio Grande do Sul chama atenção no calor da repercussão e da polêmica resultante de alguma manifestação de cunho nazista, a maioria delas cometida por pessoas até então anônimas.
Somente agora, em outubro, ocorreram dois episódios. Primeiro, o piso de um recanto do Parque da Redenção, em Porto Alegre, reformado em 2020, e que supostamente teria pintura de resgate original com traços que lembrariam a suástica. Especialistas ouvidos por GZH refutaram a semelhança, mas, diante de incômodos e reclamações, o prefeito Sebastião Melo determinou a produção de um laudo pela Secretaria Municipal da Cultura sobre a obra. Ele disse que irá determinar a retirada da pintura caso sejam identificadas características nazifascistas.
Nem havia baixado a poeira da polêmica da Redenção, surgiu o caso de uma estudante de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que comemorou seu aniversário, em Pelotas, com um bolo que trazia estampada a face de Adolf Hitler, o líder da Alemanha nazista, responsável pelo assassinato de milhões de judeus e de outras minorias. Fotos e vídeos foram postados em rede social, o que pode eventualmente configurar delito de apologia ao nazismo, conforme previsão do artigo 20 da lei 7.716/89. A Polícia Civil investiga o caso e a deputada estadual Juliana Brizola (PDT) está requerendo apuração por parte do Ministério Público.
Embora sejam os mais recentes, não são casos isolados. Em 2005, skinheads esfaquearam dois judeus nas ruas do bairro Bom Fim, em um episódio trágico que marcou o Estado. A editora Revisão, que publicava livros revisionistas, antissemitas e de negação do holocausto, teve estande na Feira do Livro de Porto Alegre, sendo retirada somente após pressões de outros livreiros e da sociedade. Outro episódio emblemático foi o do grupo neonazista Neuland, que envolvia extremistas do sul do Brasil e culminou no assassinato de um casal membro da célula por disputa de poder na região metropolitana de Curitiba, em 2009. O crime resultou em uma prisão em Teutônia, no Vale do Taquari, além de outras no Paraná e em São Paulo.
Há várias possíveis explicações para o histórico de manifestações nazistas que pululam no Rio Grande do Sul historicamente. A mais óbvia delas é a forte imigração alemã e italiana para o Estado a partir do século 19.
— Temos um Estado com longa tradição autoritária na política, com colonização europeia bastante expressiva de alemães e italianos. Durante o período de ascensão de Mussolini na Itália e de Hitler na Alemanha, isso acabou engajando muitos imigrantes por aqui, inclusive os que já eram nascidos no Brasil. Eram militantes e simpatizantes, existiam reuniões em várias cidades para discutir o que acontecia na Alemanha e, além disso, as relações comerciais e o intercâmbio cultural eram muito fortes — diz Éder da Silveira, doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Os apontamentos do acadêmico podem ser identificados com um breve olhar para a sociedade civil gaúcha, suficiente para encontrarmos dezenas de associações e clubes tradicionais de origem germânica. Os laços, portanto, eram estreitos. Nos anos 1930, antes da queda na Segunda Guerra, era corriqueiro ver desfiles de simpatizantes do nazismo em Porto Alegre, com a bandeira vermelha contendo a suástica ao centro sendo ostentada.
Outra causa possível é a relação do Rio Grande do Sul com o integralismo, movimento originado como tentativa de criar um nacionalismo brasileiro de inspiração nazifascista.
— Naquela época, era bastante diferente de hoje a percepção que o mundo tinha da Alemanha se reconstruindo sob o comando do Hitler. Hoje somos sabedores da barbárie que aconteceu. Lá no começo, isso era denunciado por alguns intelectuais e autoridades europeias, mas não era amplamente reconhecido. E aqui no Rio Grande do Sul, nesse contexto, os imigrantes tinham engajamento e simpatia com o nazismo — diz Silveira, indicando uma carga histórica e cultural que pode ter influenciado as gerações posteriores.
As manifestações atuais no Estado também ocorrem em paralelo a uma percepção geral de crescimento das ideologias extremistas. Não trata-se de uma exclusividade gaúcha. Os ecos são percebidos também em outros Estados de colonização europeia tradicional, como Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
Presença no Sul
A juíza federal Claudia Dadico, da 7ª Vara Federal de Florianópolis, especializada em matéria criminal, passou a estudar os discursos de ódio em 2016, tendo concluído um doutorado em 2020, sob a perspectiva do Direito e das políticas de segurança pública diante do extremismo excludente.
Reproduzindo dados da pesquisadora e antropóloga Adriana Abreu Magalhães Dias, da Unicamp, a magistrada destaca que existem 349 células de inspiração nazista em atividade no Brasil.
— O meu estudo aponta que o ódio, mais do que sentimento, emoção ou fenômeno da natureza entre um indivíduo e outro, é um item estrutural da constituição do Estado. O Estado se organiza a partir da ideia da supremacia de um determinado grupo que está no poder. Mas, em determinados momentos da história, isso vai ser exacerbado. Estamos atravessando justamente um momento desses. É um fenômeno mundial de extrema-direita baseado em supremacia racial. Isso eclode com força no mundo e o Brasil não fica de fora — avalia Claudia.
O aquecimento da ideologia nazifascista, historicamente vinculada a perseguições e assassinatos em massa, também foi identificado pela ONG SaferNet Brasil, que atua na defesa dos direitos humanos na internet há 15 anos. Dados da instituição mostram que, em 2019, ela recebeu e processou 1.071 denúncias anônimas de neonazismo, as quais envolviam 544 páginas virtuais distintas.
Do total, 212 puderam ser removidas. Já em 2020, essa mesma estatística deu um salto: foram recebidas e processadas 9.004 denúncias a respeito de 3.884 páginas neonazistas distintas. Foram removidos 1.659 endereços eletrônicos. O crescimento nas denúncias, de um ano para o outro, foi superior a oito vezes.
Para Thiago Tavares, diretor-presidente e fundador da SaferNet Brasil, o contexto da política brasileira também é parte do aumento das manifestações neonazistas.
— A radicalização do discurso político e a postura belicosa do presidente Jair Bolsonaro e alguns membros do governo, utilizando-se muitas vezes de linguagem e iconografia que são cultuadas por grupos neonazistas, têm legitimado e empoderado as células extremistas que atuam principalmente na Região Sul do país, e amplificando o ódio, o preconceito e a intolerância contra quem pensa diferente — afirmou Tavares.
Relações com outros países
As declarações do dirigente da SaferNet vão ao encontro da recente reunião de Bolsonaro, divulgada em imagens, com a líder da extrema-direita alemã Beatrix von Storch, neta do ministro das Finanças de Hitler. Também marcante foi a manifestação do ex-secretário Especial da Cultura, Roberto Alvim, que copiou a estética e trechos de um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, ao divulgar o Prêmio Nacional das Artes do governo Bolsonaro. Alvim acabou caindo do cargo após a repercussão negativa.
Além da juíza Claudia, outros pesquisadores apontam o contexto internacional como causa, com avanço da extrema-direita em países como Estados Unidos, França, Hungria e Polônia, embora em alguns um certo refluxo seja observado. A vida real do indivíduo também é avaliada como meio de guinada aos extremos em tempos ruins.
— Em geral, os períodos de crise econômica permitem a radicalização política. São momentos que ajudam a florescer alternativas salvacionistas e autoritárias. Verificamos isso no eleitorado de Donald Trump, muito forte em regiões empobrecidas, de população branca e industrial dos Estados Unidos. Isso é até um espelhamento do período do nazifascismo, que se estruturou em uma Europa pós-Primeira Guerra Mundial empobrecida. A Alemanha vivia hiperinflação e o período era de muita miséria — diz Silveira.
Para a magistrada de Florianópolis, ainda há dificuldade no Brasil em identificar os crimes de ódio.
— O discurso de ódio já é um ato, mas o mais preocupante é quando esses discursos passam a incitar a violência, fazer apologia a criminosos, e criam um pano de fundo estimulante para a prática de delitos. Existe muita confusão por parte dos juristas em confundir discurso de ódio com liberdade de expressão. Manifestações desagradáveis são uma coisa, mas a incitação à violência e à exclusão de pessoas da vida social estão fora do que é a liberdade de expressão — avalia a juíza, autora do livro Crimes do Ódio - Diálogos entre a Filosofia Política e o Direito.”
20/10/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/10/universidades-federais-gauchas-preveem-o-retorno-pleno-das-aulas-presenciais-em-2022-ckv030w8c006b017flt139j7n.html
“Universidades federais gaúchas preveem o retorno pleno das aulas presenciais em 2022
Retomada deverá ocorrer no primeiro semestre letivo, a ser iniciado entre março e maio, dependendo da instituição
Com o aumento da vacinação contra a covid-19 e a redução nos índices de casos e hospitalizações pela doença nos últimos meses, o clima entre as universidades federais é de retomada gradual das atividades presenciais. Com exceção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que ainda trabalha na finalização das diretrizes para um retorno mais amplo, as outras instituições têm aumentado o número de aulas práticas permitidas dentro dos campi. A maioria planeja um retorno pleno, que inclua também aulas teóricas presenciais, para o primeiro semestre de 2022, a ser iniciado entre março e maio do ano que vem.
A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) conta com um plano de contingência com três fases, visando um retorno lento e gradual à presencialidade. Na segunda-feira (18), foi iniciada a fase um. Com isso, as atividades administrativas passam a adotar um formato híbrido. As atividades de ensino e extensão seguem remotas.
Em 16 de novembro, começa a fase dois e as atividades administrativas da Furg passarão a ser totalmente presenciais, mas com escalonamento entre os servidores. Disciplinas práticas e teórico-práticas essenciais para fases finais e intermediárias poderão ser oferecidas presencialmente e será possível realizar cerimônias de outorga de grau em formato presencial. Já a fase três está prevista para abril de 2022, quando todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão poderão ser retomadas, a depender do cenário sanitário.
Também na última segunda-feira, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) retomou 125 disciplinas práticas na modalidade presencial. Até então, apenas os cursos de Medicina e Odontologia tinham práticas presenciais. Foram priorizadas demandas muito acumuladas e necessidades de formandos.
Para 7 de fevereiro de 2022, quando se inicia o segundo semestre de 2021 na UFPel, está previsto o retorno de todas as disciplinas práticas de todos os cursos. As aulas teóricas ainda devem ser mantidas no formato remoto. Lá, não há definição de data para o retorno pleno.
Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por enquanto apenas cursos da área da Saúde têm aulas práticas ocorrendo de forma presencial. Entretanto, outros cursos já enviaram seus planos de contingência, que poderão ser aprovados nos próximos dias, permitindo, assim, a volta da presencialidade parcial.
A instituição trabalha com a possibilidade de retorno pleno das aulas presenciais no primeiro semestre de 2022, o que dependerá da manutenção dos baixos índices de contaminação e hospitalização por covid-19. O primeiro semestre letivo deverá começar entre março e abril do ano que vem.
Na Capital, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) liberou em setembro a oferta de aulas práticas, voltadas principalmente para alunos que estão perto de se formarem. Até então, somente aulas práticas prioritárias eram disponibilizadas, e em locais externos ao campus. A retomada faz parte da fase dois de um programa elaborado pela instituição, composto por cinco fases. Ainda não há previsão de retorno pleno.
Com três campi diferentes no Rio Grande do Sul, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) tem um programa de retomada das atividades presenciais composto por cinco Níveis de Segurança Operacional (NSO). O campus de Cerro Largo opera desde setembro no NSO 3, que permite o desenvolvimento de aulas práticas presenciais em laboratórios e áreas experimentais, de forma escalonada.
— A partir de novembro, quando se inicia o próximo semestre, seguiremos com as aulas práticas presenciais e poderemos ainda ter o retorno de parte das aulas teóricas presenciais — destaca o diretor do Campus Cerro Largo, Bruno München Wenzel.
No Campus Erechim, o NSO 2 — mais brando do que o 3 — foi adotado nesta semana. Com isso, mais atividades práticas serão permitidas. Segundo a diretora em exercício do Campus Erechim, Sandra Pierozan, o planejamento é de retorno às atividades presenciais na unidade em 1º de fevereiro de 2022. O primeiro semestre de 2022, a ser iniciado em abril de 2022, deverá retornar à presencialidade, não havendo mais autorização legal para o oferecimento do ensino remoto.
Já no Campus Passo Fundo, que conta apenas com o curso de Medicina, as atividades práticas já ocorrem presencialmente desde agosto de 2020. As teóricas estão retornando gradualmente — cerca de 35% ocorrem de forma presencial. O retorno pleno deve ocorrer em março.
A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) aprovou portaria para retomar as aulas presenciais também em abril de 2022. Entre novembro de 2021 e janeiro de 2022, haverá a recuperação das atividades práticas represadas.”
20/10/2021 – Gazeta do Povo (Podcast)
https://www.gazetadopovo.com.br/republica/uso-mascaras-covid-19/
Por que ainda é importante usar a máscara
- Algumas cidades já discutem a liberação do uso de máscaras para os próximos dias
*) Com a melhora nos números da pandemia no Brasil, há quem já esteja pensando nos próximos passos para a retomada de uma vida normal, na medida do possível.
É claro que é sempre bom lembrar: a pandemia não acabou.
De qualquer maneira, é nítido que as medidas restritivas para o combate à Covid-19 já diminuíram bastante. Ao mesmo tempo, seguem sendo tomadas, pelo menos na maior parte do país, algumas precauções. Entre elas está o uso das máscaras. O equipamento que virou obrigatório nos últimos tempos.
Até quando usar a máscara?
Será que essa medida vai ser necessária por ainda muito tempo? Pra quem já tomou as duas doses da vacina, já há locais seguros para ficar sem máscara? Será que já é hora de desobrigar o uso do equipamento?
Sobre estes assuntos fala este episódio do podcast 15 Minutos. A convidada é a dra. Melissa Markoski, que é bióloga, mestre e doutora em Biologia Celular e Molecular e professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/uso-mascaras-covid-19/
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19/10/2021 – Brasil 247
https://www.brasil247.com/saude/como-a-pandemia-da-covid-19-pode-ter-ajudado-a-criar-bacterias-superresistentes
Como a pandemia da Covid-19 pode ter ajudado a criar bactérias superresistentes
Crenças equivocadas e outros motivos promoveriam o consumo exagerado de antibióticos durante a pandemia, o que pode ajudar a tornar as bactérias mais resistentes. Organizações alertam para o assunto.
A pandemia de covid-19 pode acelerar o processo de evolução da chamada resistência bacteriana. Isso acontece quando esses micro-organismos conseguem se adaptar e se tornar refratários ao tratamento com antibióticos, dando origem a bactérias mais difíceis de combater.
Consideradas um desafio para a medicina, as chamadas superbactérias já eram motivo de preocupação das principais organizações de saúde antes mesmo do Sars-CoV-2 se espalhar pelos seis continentes e infectar mais de 235 milhões de pessoas. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2019, a estimativa era de que, até 2050, cerca de 10 milhões de pessoas morreriam, a cada ano, por doenças resistentes a medicamentos. Agora, a previsão está sendo revista.
Em fevereiro de 2021, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), afirmou, em um comunicado, que “a resistência aos antibióticos ainda é uma ameaça à saúde pública durante a pandemia” e que estava monitorando “de perto” a relação entre o uso desses fármacos para a doença e a resistência antibacteriana em todo o país. Antes disso, no fim de 2020, a regional europeia da OMS publicou um comunicado alertando sobre esse mesmo risco.
Uma pesquisa comportamental conduzida pela OMS em nove países europeus apontou um crescimento do uso de antibióticos durante a pandemia. Entre os que tomaram esses medicamentos, 79% a 96% afirmaram que os utilizavam acreditando que poderiam prevenir a infecção. Ainda de acordo com a entidade, 75% dos internados em estado grave receberam antibióticos, apesar de apenas 15% terem desenvolvido coinfecções causadas por bactérias, que justificariam a indicação.
Cenário no Brasil
No Brasil, o consumo de antibióticos também parece ter aumentado. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), só em 2020, a venda do antibiótico azitromicina cresceu 105%.
Esse fármaco pode integrar o tratamento de doenças respiratórias causadas por bactérias, porém não é indicado para uso preventivo ou para o combate da covid-19 em si. Nesse contexto, a azitromicina e outros possíveis antibióticos só entrariam em cena quando há uma clara suspeita de coinfecção por uma bactéria oportunista.
“O uso desnecessário ou indiscriminado de antibióticos pode, com o tempo, tornar infecções bacterianas simples em doenças difíceis de serem combatidas”, afirma Geraldo Druck Sant’Anna, médico e professor de otorrinolaringologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
O médico, que também é ex-presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORL-CCF), explica que as vias aéreas superiores — nariz e cavidade nasal, faringe e laringe — são a porta de entrada para vírus e bactérias causadores de diversas doenças. As infecções virais, mais comuns, são frequentemente tratadas equivocadamente com antibióticos.
“Ainda que no Brasil o consumo de antibióticos seja controlado com a retenção da receita médica desde 2010, é comum que pacientes peçam indicação aos médicos durante a consulta. Também não é incomum o médico prescrever o medicamento por avaliação equivocada, por precaução de piora do quadro ou por não poder acompanhar a evolução do estado de saúde nos próximos dias”, enumera o otorrinolaringologista. O diagnóstico correto, que considera histórico do paciente, tempo de sintomas e, quando necessário, exames laboratoriais, é fundamental para a indicação do tratamento correto. “Em infecções virais, é necessário observar e apenas tratar os sintomas com remédios, ajudando o paciente a passar pelo período natural da doença com menos desconforto”, ensina. A ingestão de líquidos e repouso também são eficientes no tratamento.
Como evitar a resistência bacteriana
- Use apenas antibióticos quando prescritos por um profissional de saúde certificado
- Nunca exija antibióticos se o seu profissional de saúde disser que você não precisa deles
- Nunca compartilhe sobras de antibióticos
- Previna infecções lavando regularmente as mãos, preparando os alimentos de forma higiênica, evitando o contato próximo com pessoas doentes, praticando sexo seguro e mantendo as vacinas em dia
O aumento da resistência bacteriana é ameaça à saúde pública mundial
Os mecanismos de resistência desenvolvidos pelas bactérias ameaçam a capacidade do tratamento de doenças infecciosas comuns, o que pode resultar em duração prolongada das condições e até a morte. De acordo com a OMS, a resistência aos antibióticos está colocando em risco conquistas da medicina moderna e podem tornar perigosos procedimentos como cesarianas, cirurgias comuns, quimioterapias e transplantes de órgãos.
Para ter uma ideia, cerca de 230 mil pessoas no mundo morrem de tuberculose multirresistente por ano, de acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2019.
(Fonte: Agência Einstein)
19/10/2021 – Portal de Camaquã
Link: https://www.portaldecamaqua.com.br/noticias/37353/nota-conjunta-de-instituicoes-do-rs-sobre-a-situacao-em-areas-kaingang.html
“Nota conjunta de Instituições do RS sobre a situação em áreas Kaingang
Relatos de perseguição, tortura e mortes nas terras indígenas de Serrinha, motivados por arrendamentos ilegais
As universidades e os institutos federais gaúchos vêm a público apontar a violência que está ocorrendo em áreas Kaingang no Rio Grande do Sul, a qual tem envolvido também estudantes de nossas instituições.
Temos relatos de perseguição, tortura e mortes nas terras indígenas de Serrinha, motivados por arrendamentos ilegais. É necessário que respeitemos os povos indígenas, suas culturas e modos de viver, e que possamos nos unir por melhores condições de vida em um planeta ameaçado tanto do ponto de vista ambiental quanto das relações sociais.
Enquanto instituições formadoras de pessoas e profissionais, é nossa responsabilidade defender os direitos humanos, culturais, sociais e de vida digna. Nesse sentido, esperamos que as instituições competentes enfrentem essa dura realidade, coibindo o arrendamento ilegal de terras indígenas, causa principal para essa escalada de violência na região, evitando mais tragédias e sofrimento.
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha – IFFAR
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – IFRS
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – IFSul
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA
Universidade Federal do Rio Grande – FURG
Universidade Federal de Santa Maria – UFSM
Universidade Federal de Pelotas – UFPel
Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA”
15/10/2021 – Portal da ABRASCO
Link: https://www.abrasco.org.br/site/noticias/saude-global-e-tema-de-curso-no-epi-2021/62662/
“Saúde Global é tema de curso no EPI 2021
Com a globalização das doenças, a iniquidade no sistema de saúde e as particularidades culturais de cada contexto, há necessidade de que os profissionais de saúde saibam como abordar as diversidades A fim de capacitar trabalhadores para lidarem com os desafios da saúde global, o 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia promove o curso “Saúde Global”, no dia 18/11, durante o pré-congresso.
O objetivo é apresentar uma introdução sobre conhecimentos e habilidades interdisciplinares para integrar conceitos básicos da carga global de doenças, controle e prevenção de doenças transmissíveis e não transmissíveis, resiliência do sistema de saúde e saúde ambiental. É necessário compreender inglês e espanhol, para esta atividade.
O EPI 2021 oferecerá 28 cursos para os participantes que desejam se aperfeiçoar mais em aspectos práticos da epidemiologia, em diferentes campos de atuação. As atividades têm vagas limitadas, que serão distribuídas mediante a confirmação da inscrição. Associados Abrasco têm desconto garantido: cada curso custa R$ 30,00 para associados e R$60,00 para não associados. Confira todos os cursos disponíveis no site do congresso.
Saúde Global
Público-alvo: Profissionais da saúde interessados em um contexto da saúde global, focalizando a saúde em múltiplos níveis intersetoriais e sociais.
Professores:
Airton T Stein (Ufcspa e Grupo Hospitalar Conceição)
Ana Beatriz Gorini da Veiga (Ufcspa)
Helena Barros (Ufcspa)
Mara Rubia Andre Alves de Lima (Ufcspa)
Jenifer Safi (Ufcspa)
Freddy Perez (OPAS)
Carga horária: 8 horas
Participe: após efetuar o pagamento da inscrição do EPI 2021, o menu Inscrição em Atividades estará disponível na área restrita dos congressistas.”
15/10/2021 – Jornal da USP
Link: https://jornal.usp.br/ciencias/rede-de-pesquisadores-investiga-como-os-povos-indigenas-tem-lidado-com-a-pandemia/
“Rede de pesquisadores investiga como os povos indígenas têm lidado com a pandemia
Projeto conta com 95 colaboradores organizados em quatro equipes espalhadas por todo o país, uma delas coordenada em parceira com professor da Faculdade de Saúde Pública da USP
Rede de pesquisadores investiga como os povos indígenas têm lidado com a pandemia
Projeto conta com 95 colaboradores organizados em quatro equipes espalhadas por todo o país, uma delas coordenada em parceira com professor da Faculdade de Saúde Pública da USP
Publicado: 15/10/2021 Atualizado: 19/10/2021 as 15:20
Por Sebastião Marcos Moura
Esse é um trecho de um relato de Dona Japira, pajé da Aldeia Novos Guerreiros (BA), importante educadora e liderança pataxó e uma das colaboradoras da pesquisa Plataforma de Antropologia e Respostas Indígenas à COVID-19 (PARI-c). Trata-se de uma rede de pesquisadores indígenas e não indígenas criada com o objetivo de investigar como a pandemia tem afetado os povos originários brasileiros e usar essas informações para contribuir de forma que as estratégias das instituições de saúde para contenção sejam eficientes e levem em conta os conhecimentos dessas comunidades.
O projeto é construído por cerca de 70 pesquisadores fixos e 25 colaboradores eventuais, trabalhando, de forma majoritariamente remota por causa do distanciamento social, em quatro equipes espalhadas pelo País (Equipe Brasil Meridional, Equipe Brasil Central e Amazônia Meridional, Equipe Norte Amazônico e Equipe Nordeste).
“Esse trabalho é todo pensado em redes preexistentes. A base dele são antropólogos que já tinham inserção de campo e relações afetivas de longo tempo com lideranças e comunidades indígenas. Por conta disso, foi possível fazer essas articulações com os colaboradores indígenas, não só como interlocutores, mas como pesquisadores também”, explica ao Jornal da USP Maria Paula Prates, coordenadora geral do trabalho e co-coordenadora da Equipe Brasil Meridional.
Segundo ela, um dos pontos mais importantes do projeto é a postura de levar a sério as noções indígenas do que é saúde e o enfrentamento da pandemia, propondo um diálogo entre esses entendimentos tradicionais e as respostas da saúde pública à crise sanitária.
Notas de pesquisas com as produções realizadas pelo grupo estão sendo publicadas mensalmente no site da Plataforma de Antropologia e Respostas Indígenas à COVID-19 (PARI-c) desde o começo de 2021, além de uma série de documentários sobre questões relativas à covid-19 dirigidos por autores indígenas. Foram 43 notas até agora, abordando não só a pandemia como outras ameaças enfrentadas pelos povos indígenas, a exemplo do PL 490/2007 e da tese do Marco Temporal.
Marco Temporal
A tese do Marco Temporal, criada pela bancada ruralista em 2009, é uma interpretação da Constituição Federal de 1988 segundo a qual serão consideradas terras indígenas apenas aquelas que estavam em posse dos povos originários até o dia da promulgação da Constituição, ignorando que muitas etnias não estavam mais nas suas terras naquele momento porque foram expulsas e massacradas. Ela está em debate no Congresso, na forma do PL 490/2007, e no Supremo Tribunal Federal, pelo julgamento de um recurso da Fundação Nacional do Índio (Funai) que questiona uma ação de reintegração de posse movida pelo governo de Santa Catarina em 2013, referente à terra indígena Ibirama-Laklanõ. A decisão criará um precedente e poderá impactar todos os processos de demarcação de terras indígenas atualmente em aberto no País.
O PL 490 atende diretamente aos interesses dos principais inimigos dos povos indígenas: latifundiários, empresários do agronegócio, grileiros e invasores de terras públicas, grupos com grande influência econômica e política e que estão investindo bastante dinheiro em lobby a favor da proposta. Ele é considerado pela Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib) um dos principais ataques do Poder Legislativo aos direitos dos povos indígenas reconhecidos pela Constituição. Mais de 6 mil indígenas de 176 povos de todas as regiões do País se reuníram em Brasília no “Acampamento Luta Pela Vida” para acompanhar o julgamento no STF e denunciar a agenda anti-indígena do governo Bolsonaro e do Congresso Nacional.
O PL aguarda votação no Congresso, sem data prevista. Se for aprovado no plenário, o texto ainda precisará passar pelo Senado antes de ser, eventualmente, sancionado. Já o julgamento da tese do Marco Temporal no STF foi adiado em 15 de setembro, após o ministro Alexandre de Moraes pedir mais tempo para analisar a questão, e ainda não tem data para ser retomado.
Estudos de caso
Além das notas, a PARI-c também está desenvolvendo nove estudos de caso explorando aspectos variados da vivência de povos indígenas de diversas regiões do País durante a pandemia, que serão divulgados nos próximos meses. São oito estudos de enfoques regionais (espalhados pelas regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sul/Sudeste), cujos títulos podem ser lidos aqui, e um estudo de abrangência nacional, que vai trazer uma análise de como foi a chegada da vacinação nas várias comunidades estudadas, junto a uma contextualização histórica de políticas de vacinação da população indígena.
Três elementos são recorrentes nos variados trabalhos. O primeiro é a diferença nas concepções indígenas do que é distanciamento social.
“Os Guarani Mbyá, habitantes do sul do Brasil, desde o princípio aderiram fortemente ao isolamento social e ao uso da máscara, mas esse isolamento social era algo que fazia muito sentido para eles por outros termos também. Na memória histórica dos indígenas, o branco é fonte de perigo, de doença”, explica Maria Paula Prates, que conduziu os estudos “Distanciamento social e seus entendimentos” e “Parto e cuidado em tempos de covid-19”.
“Não tem como a gente não ter contato com as outras pessoas da aldeia, que são parentes. O distanciamento social que a gente quer ter é dos jurua [não indígenas]. A gente escolhe certas pessoas para sair da aldeia, passar nas casas perguntando o que tá faltando e ir comprar. Na minha aldeia, a gente construiu um portão para o pessoal que não é da aldeia não entrar”, conta Araci da Silva, uma das pesquisadoras Guarani-Mbyá que participam da PARI-c.
Em entrevista ao Jornal da USP, ela comenta as dificuldades de se manter essas barreiras sanitárias: “Ficou bem difícil manter a contenção, pois, querendo ou não, as pessoas têm que sair para pegar alimento e outras coisas. A gente se cuidou por um ano e meio, mas mesmo se cuidando, quem sai entra em contato com o vírus. Nesse último mês de setembro, quase todo mundo pegou covid.”
Essa dinâmica do contato com os não indígenas como fonte de perigo também está presente no estudo sobre parto. Maria Paula Prates conta que um dos dados mais graves encontrados por ela foi a alta frequência de procedimentos desnecessários de episiotomia, um corte cirúrgico no períneo realizado durante o parto normal, em mulheres indígenas que pariram em hospitais. Em contraste, um dos curtas documentais nascidos do projeto, Nossos espíritos seguem chegando – Nhe’ẽ kuery jogueru teri, retrata as experiências de uma mãe e de uma parteira Guarani-Mbyá dentro da própria aldeia.
“A medicina branca pensa que a nossa não é verdadeira. Eu penso que, na medicina branca, falta amor. Eu não duvido da verdade e força da medicina branca, mas os médicos, muitos deles, não cuidam com amor, principalmente de nós que somos índios”, para citar outro trecho da fala de Dona Japira que abriu esta matéria.
O segundo elemento recorrente nos trabalhos é a atuação das mulheres indígenas dentro desse contexto, como descreve o professor da FSP José Miguel Nieto Olivar, um dos coordenadores dos estudos Parque das Tribos (Manaus/AM) & Kokamas (Alto Solimões): reivindicações territoriais, saúde e cuidado indígena no Amazonas e Mulheres indígenas e cosmopolíticas do cuidado no Alto Rio Negro, realizados no Norte Amazônico:
“Chama a atenção o protagonismo das mulheres do Rio Negro e também de contextos mais urbanos, como em Manaus, e seus conhecimentos cosmológicos e políticos pra encarar esta situação. São conhecimentos que as constituem enquanto mulheres indígenas: sobre plantas, rezas, adoecimentos, formas de cura e de acesso aos remédios, sementes, animais, relações de afetos e trocas numa terra que, por exemplo no Rio Negro, está protegida. E é também conhecimento de acesso a financiamentos, a projetos, a redes e sistemas de comunicação, às redes de cooperação nacional e internacional, ONGs, pesquisadores das áreas da saúde, redes de antropólogas e antropólogos em diversos lugares.
De acordo com ele, é evidente como as mulheres indígenas respondem à pandemia com base numa longa experiência relacional de força, cuidado e conhecimento com a qual enfrentam as mais diversas violências e como essa experiência relacional (indígena, feminina e cosmopolítica) mobiliza formas mais eficazes de proteção de corpos e territórios.
O terceiro elemento que atravessa esses estudos diversos é a ideia que as estratégias dos povos indígenas são diversas e se associam com as formas encontradas por esses povos para lidar com outras dificuldades anteriores à covid-19.
Isso aparece, por exemplo, no estudo Luta, vida e pandemia na terra apinajé, desenvolvido pela Equipe Brasil Central e Amazônia Meridional. Ele aborda a experiência dos Guardiões Apinajé, um grupo de jovens que têm se reunido desde 2014 para conter o consumo excessivo de bebidas alcoólicas nas comunidades, protestar contra o desmatamento em torno do território e reivindicar a melhoria e manutenção de estradas que ligam as aldeias ao município de Tocantinópolis e Maurilândia.
“Em 30 de março de 2020, representantes do movimento indígena propuseram em carta aberta um plano de prevenção e combate ao coronavírus elencando uma série de medidas, dentre elas, a implementação de barreiras sanitárias nas entradas e saídas das terras indígenas. No entanto, diante da recusa do poder público em colaborar com a operacionalização das barreiras, as próprias comunidades indígenas e suas associações de base se articularam para implementá-las”, narra a nota da PARI-c que apresentou os estudos temáticos.
Outra situação ilustrativa dessa dinâmica é a que foi observada durante o estudo Movimentos indígenas, pandemia e controle social: estratégias de mobilização e enfrentamento da COVID-19 pelos povos indígenas em Pernambuco e Paraíba entre os Kapinawá, do sertão pernambucano, que ficaram especialmente expostos em decorrência de uma fragilidade histórica que eles têm no acesso à água.
“Dentro da pandemia, havia a orientação de isolamento social, mas eles dependiam de caminhão-pipa para ter acesso à água. Em função disso, a comunidade se mobilizou, inclusive com uma vaquinha virtual, para construir cisternas”, conta ao Jornal da USP Spensy Pimentel, coordenador da Equipe Nordeste. O processo também foi documentado no curta Plantando Água, da diretora Graciela Guarani, vencedor da Mostra Audiovisual da IV Reunião de Antropologia da Saúde.
Esses casos explicitam como, em meio à incompetência do governo federal em conter a pandemia, os próprios povos indígenas se organizaram para enfrentar a crise sanitária, e que tanto as dificuldades como as soluções encontradas por eles estão diretamente associadas às lutas históricas dessas populações por seus direitos.
Valéria Macedo, que coordena a Equipe Brasil Meridional junto com Maria Paula Prates, comenta sobre essa relação, associando-a às reivindicações contemporâneas do movimento indígena. “A convergência da pandemia com o Levante pela Terra é muito significativo do que é saúde para os povos indígenas. A saúde diz respeito ao conjunto de relações necessárias para que a vida seja possível. O direito à terra, por exemplo, é central, pois é uma garantia dessa rede de relações com uma multiplicidade de seres, que incluem as plantas, os animais, os espíritos, relações que precisam de cuidado. Por isso a saúde e a política são necessariamente implicadas.”
Todo o material produzido pela Pari-c pode ser acessado na plataforma online e os documentários também estão disponíveis no canal do projeto no Youtube. A pesquisa é apoiada pelo Conselho Médico de Pesquisa (MRC), vinculado à agência de Pesquisa e Inovação do Reino Unido (UKRI), e é fruto de parcerias entre pesquisadores da Universidade de Londres (City University), no Reino Unido, da Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da Universidade do Sul da Bahia (UFSB), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da USP, no Brasil.”
14/10/2021 – Revista Pais e Filhos (Online)
Link: https://paisefilhos.uol.com.br/familia/avo-faz-homenagem-ao-1o-neto-a-se-formar-na-familia-com-grande-faixa-em-frente-de-casa/
“Avó faz homenagem ao 1º neto a se formar na família com grande faixa em frente de casa
Luís Felipe, de 28 anos, se formou em Biomedicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde, em Porto Alegre (RS).
Uma avó estendeu uma grande faixa m forma de homenagem ao primeiro neto da família a se formar em um universidade. Luís Felipe, de 28 anos se formou em biomedicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde, em Porto Alegre (RS).
"Minha vó diz que eu ter conseguido me formar em curso superior 'é orgulho demais para a gente que é muito pobre'. Sim, eu sou de família muito, muito pobre. Fui o primeiro da família a pisar em uma universidade para estudar. Tenho certeza de que meu irmão será o segundo, porque ele é muito inteligente. Só é preciso ainda termos investimentos adequados em educação para que mais gente pobre chegue lá", disse o neto.
Luís não via a avó desde antes da pandemia e quando decidiu visitá-la foi surpreendido com uma grande faixa homenageando-o. "Estava morrendo de saudades da família. Quero conseguir dar mais orgulho ainda pra minha família. E ter dinheiro para dar mais conforto também", disse o jovem, que hoje trabalha como coordenador de estudos clínicos.”
12/10/2021 – Zero Hora
Versão Impressa
UNIVERSIDADES CRITICAM CORTE DE VERBAS PARA A CIÊNCIA E DIZEM TEMER INTERRUPÇÃO DE PROJETOS
Zero Hora12 Oct 2021ISABELLA SANDER Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Reitores se mostram frustrados com a redução de cerca de R$ 600 milhões que seriam destinados a bolsas de apoio à pesquisa e a programas previstos pelo CNPQ.
O corte de 87% na verba do governo federal prevista para ciência e tecnologia – de R$ 690 milhões para R$ 89,8 milhões – pegou as universidades federais de surpresa. Procurados pela reportagem de ZH, reitores apontaram que a comunidade científica havia criado expectativas, diante do lançamento recente de edital com previsão de R$ 250 milhões para pesquisas, e que a mudança cria frustração e situação “vergonhosa”, que põe o Brasil “de joelhos” em relação a países que investem no setor.
O próprio ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, expressou, em rede social, descontentamento com a redução.
“Falta de consideração. Os cortes de recursos sobre o pequeno orçamento de ciência do Brasil são equivocados e ilógicos. Ainda mais quando são feitos sem ouvir a comunidade científica e o setor produtivo. Isso precisa ser corrigido urgentemente”, defendeu o ministro em rede social.
Os cerca de R$ 600 milhões cortados seriam destinados a bolsas de apoio à pesquisa e a projetos já agendados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Entre eles, estão os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTS), que incluem, por exemplo, o Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que realiza expedições à Antártica.
Outra iniciativa que deve sofrer cortes é o edital da Chamada Universal, que não era lançado havia três anos e, há pouco mais de um mês, foi publicado, com previsão de destinar R$ 250 milhões a pesquisas em todas as áreas.
Presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcus David afirma que a publicação de editais de chamamento para pesquisas havia dado esperança à comunidade científica, após reduções orçamentárias observadas desde 2016.
– Quando tivemos expectativa de ter algum investimento, ainda que muito aquém das nossas necessidades, esse projeto se frustra neste momento. Compromete a ciência e a tecnologia e seus laboratórios, mas também o próprio futuro do Brasil – destaca David. E prevê:
– O Brasil vai pagar a conta disso pelos próximos 15, 20 anos.
Pesquisas de tratamentos para câncer e covid-19 serão afetadas. Segundo a reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, boa parte das pesquisas que recebem aporte de recursos do CNPQ na instituição tem aplicações imediatas, que geram economia de recursos para o Brasil.
– Quando desenvolvemos uma intervenção mais barata dentro das nossas instituições, o país precisa comprar menos de fora. Então, na verdade, a gente economiza. Ou seja: é um investimento, e não um gasto – compara a reitora.
Câncer
De 30% a 40% dos estudos feitos na UFCSPA têm financiamento do CNPQ. Entre os projetos realizados na universidade, está pesquisa para desenvolver imunoterapia para o câncer e para o tratamento da covid-19, que recebeu o Prêmio Bolsista Iniciação Científica Tecnológica.
Um projeto para o uso de inteligência artificial para determinar o prognóstico para pacientes com câncer, premiado no concurso Falling Walls, e outros estudos, envolvendo o desenvolvimento de estratégias de reabilitação para pacientes recuperados da covid-19, novos tratamentos para queimaduras e novas terapias para enfrentar bactérias multirresistentes, também estão em andamento. Todos eles serão afetados pelos cortes.
A instituição tem buscado aportar recursos próprios nas pesquisas já em andamento.
As que começariam em 2022, entretanto, podem nem sequer sair do papel. Até mesmo as bolsas de mestrandos e doutorandos podem ser comprometidas.
– Com o tamanho desse corte de recursos, não temos como fazer a manutenção das bolsas. Temos alunos prodígios, que se destacaram e ganharam do CNPQ bolsas de R$ 2,2 mil, mais uma taxa de bancada (usada para comprar insumos para o laboratório) de R$ 300, e o governo fará cortes nesses trocadinhos. É a famosa fuga de cérebros: os estudantes querem ficar no Brasil, mas não conseguem – lamenta a pró-reitora substituta de Pesquisa e Pós-graduação da UFCSPA, Elizandra Braganhol.
Reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Paulo Burmann considera essa uma situação vexatória. Na instituição, a estimativa é de que pelo menos 200 projetos em andamento sejam afetados.
– É vergonhoso passar por um cenário orçamentário como esse. Havia perspectiva de retomada, que lutamos muito para acontecer. Nos deixa perplexos tamanha irracionalidade – ressalta Burmann, sinalizando, ainda, a importância da ciência no contexto da pandemia, com o desenvolvimento de experimentos com vacinas e produção dos imunizantes.
O reitor também destaca que o Brasil despendeu muitos recursos para formar pesquisadores que, agora, acabarão migrando para outros países:
– É uma irresponsabilidade com o recurso público. Um dos grandes pesos da balança comercial hoje é a importação da ciência, e estamos fazendo o caminho inverso: temos todo o custo de produção de cientistas e, depois, os exportamos, sem ganho algum. Tudo isso nos coloca novamente de joelhos em relação a quem investe em pesquisas – critica.
Além das universidades, o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) também sofrerá o impacto dos cortes. Lá, centenas de alunos recebem bolsas de iniciação científica para participarem de pesquisas de diferentes áreas – saúde, orientação a pequenos empresários, tecnologias para pessoas com deficiências, estudos com alimentos, mecânica, agricultura, entre tantos outros.
É uma irresponsabilidade com o recurso público. Um dos grandes pesos da balança comercial hoje é a importação da ciência, e estamos fazendo o caminho inverso.
PAULO BURMANN Reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
08/10/2021 – Zero Hora
Versão Impressa
SETENTA
Zero Hora9 Oct 2021Leia todas as colunas em gauchazh.com/cristinabonorino
Coluna Cristina Bonorino – Professora da UFCSPA
Há quase 30 anos ensino que, durante uma epidemia, o principal objetivo, depois de desenvolver uma vacina, é chegar aos 70% da população vacinada. Ali você começa a finalmente controlar a disseminação da doença na população. Então, é com um coração mais leve que escrevo hoje, logo depois de ler notícias de que Porto Alegre atingiu os 70% de vacinados (acima de 12 anos).
E, das diferentes cidades do Rio Grande do Sul, do Brasil e do mundo, por onde tenho amigos espalhados, que não vejo há quase dois anos, vêm notícias de números cada vez menores de casos e mortes. Sim, ainda precisamos vacinar as crianças, ainda precisamos usar máscaras, manter distância sempre que possível e dar reforços aos idosos e aos que tem doenças crônicas. Mas é inegável que o cotidiano começa a se transformar. Não necessariamente para o que era antes – mas algo que pode, e quer, ser melhor.
Curiosamente, a principal batalha não foi de saúde pública, e sim a enxurrada de mentiras e falsidades de um movimento anticiência, perpetuado pelas redes sociais. Essas empresas gigantes, os apps do seu celular, que sem nenhum critério, sem nenhuma fiscalização, são tão responsáveis pelas mortes no mundo quanto o vírus, junto com os que criaram as notícias falsas.
No dia em que o Facebook e suas outras redes caíram, sinceramente: que alívio. Quase um dia inteiro sem precisar desmentir alguma infâmia – serviço que tenho feito há 18 meses, em contato direto com diferentes veículos de comunicação. Desconfio seriamente que, ao desligar o botão do Whatsapp que abre e baixa vídeos e áudios, você automaticamente ganha vários pontos de QI. Experimente. E, apesar dos danos causados pela turma do “vamos criar um caos que assim a gente se dá bem”, vejo uma vontade de pensar um futuro diferente se desenhando na maioria das pessoas.
Como se chama o governo do Estado lançar um edital de milhões de reais para tecnologias inovadoras? Um começo. O que significa a Moderna anunciar uma fábrica de vacinas de MRNA na África? Fazer a coisa certa. Entre as duas iniciativas, existe um universo de distância, mas dá para traçar uma linha. Que conecta os efeitos positivos de se conseguir atravessar uma crise. Que se traduz numa vontade, numa esperança que renasce, de ousar mirar pra Lua – o moonshot, como se diz. Algo que parece inatingível – e que ao mesmo tempo sabemos ser possível.
Mas propagar e trazer para o mercado os resultados de pesquisas revolucionárias não garante o futuro. Nunca estaremos seguros sem estimular a ciência básica – aquela que garante que o conhecimento avança, movida apenas pela curiosidade e persistência daqueles que têm essa vocação.
Meu agradecimento e admiração eternos a todos os cientistas que não desistiram durante esse período, quando toda a esperança parecia perdida. Principalmente, aos brasileiros – que foram completamente abandonados e sucateados pelo atual governo, numa política constante de destruição das instituições públicas e de toda a iniciativa de educação e pensamento. Só hoje, desenhando florezinhas ao redor de um número 70 e um sinal de porcentagem, me permito pensar que talvez tudo, afinal, possa dar certo.
O COTIDIANO COMEÇA A SE TRANSFORMAR. NÃOPARAO QUE ERA ANTES – MAS ALGO QUE PODE, E QUER, SER MELHOR.
08/10/2021 – Portal PB Agora
Link:https://www.pbagora.com.br/noticia/saude/estudo-comprova-eficacia-do-uso-de-mascaras-secretario-reafirma-posicao-contraria-a-retirada/
Estudo comprova eficácia do uso de máscaras; secretário reafirma posição contrária à retirada
Símbolo de proteção na pandemia, máscaras reduzem em 87% a chance de contrair covid-19, aponta pesquisa. Com base nesses dados, os infectologistas são contra a retirada da máscara mesmo com o avanço da vacinação e a redução dos índices de contaminação, internações e óbitos pela doença.
O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) apontou o papel do uso de máscaras e do distanciamento social na prevenção contra a covid-19.
Na Paraíba, o Laboratório de Avaliação e Desenvolvimento de Biomateriais do Nordeste (Certbio), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), desenvolvendo uma máscara cirúrgica biodegradável, com material capaz de reter o vírus da covid-19 (SARS-CoV-2) e matá-lo. Apesar de ser descartável, a máscara tem durabilidade de até 24 horas seguidas de uso.
Recentemente, o projeto coordenado pelo professor Marcus Vinícius Lia Fook, produziu dez mil máscaras cirúrgicas a partir de uma substância proveniente da casca do camarão.
As máscaras foram entregues à Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (FapesqPB) para contribuir para a rápida implementação de soluções de monitoramento, análise e recomendações frente à pandemia do Covid-19 na Paraíba.
A principal diferença da máscara é a incorporação de substâncias químicas tóxicas, biocompatíveis, biodegradáveis e com atividades antimicrobianas. O material usado na produção da máscara é a quitosana. Um material que seria considerado como rejeito da indústria pesqueira, deixa de poluir o meio ambiente e passa a ser um material nobre utilizado no setor da saúde.
Além da barreira física de proteção, a máscara exerce uma barreira química através do biopolímero quitosana, que pode inativar o vírus que causa a Covid-19.
Apesar da eficiência das máscaras no combate ao Covid, alguns estados estudam a possibilidade de abandonar esse acessório, devido ao avanço da pandemia.
Na Paraíba, o secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, descartou por enquanto, a possibilidade atual da desobrigação do uso de máscaras de prevenção à Covid-19 no Estado. Geraldo Medeiros, pediu cautela sobre a não obrigação do uso da máscara, visto que a pandemia ainda não acabou.
“Será a última atitude. Liberar o desuso de máscaras agora é se antepor à Ciência”, afirmou.
Geraldo Medeiros enfatizou que a máscara é um elemento essencial na contenção da disseminação do coronavírus e isso já é comprovado cientificamente.
“A via inalatória, isto é, através da respiração, é que você, predominantemente, adquire a doença. Usando a máscara você se protege e protege as outras pessoas, então é um elemento que será o último a ser abandonado”, completou.
Ainda sobre este ponto, o secretário destacou que essa desobrigação também não deve ocorrer este ano, apesar de que não há como prever meses à frente, sendo necessários estudos constantes.
O fim da adoção do uso de máscaras para impedir a proliferação da covid-19 começa a ser discutida em algumas cidades brasileiras, a exemplo a exemplo de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e Florianópolis, no estado de Santa Catarina. São Paulo e Rio de Janeiro também estudam decretar o fim da obrigatoriedade.
A máscara de proteção respiratória tornou-se um dos principais símbolos da pandemia de covid-19 – acessório de proteção que virou uma constante para a população mundial em 2020 e também em 2021. Antes utilizada cotidianamente apenas em alguns países asiáticos, o que era visto com curiosidade por cidadãos de outros países, a máscara agora é utilizada em todo o mundo, consagrando-se como uma importante medida na contenção da disseminação do coronavírus.
07/10/2021 – Site da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus
Link: https://semsa.manaus.am.gov.br/noticia/ubss-de-manaus-participam-de-pesquisa-sobre-o-impacto-da-vacinacao-contra-o-hpv/
UBSs de Manaus participam de pesquisa sobre o impacto da vacinação contra o HPV
Para avaliar o impacto da vacinação contra o Papilomavírus humano (HPV), a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), vai participar de um novo estudo de Prevalência do HPV no Brasil (POP-Brasil 2). Coordenada pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde, com recursos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), a pesquisa vai acontecer em 27 capitais brasileiras, assim como ocorreu no primeiro estudo realizado entre 2015 e 2017.
Em Manaus, profissionais de cinco Unidades Básicas de Saúde (UBSs), localizadas nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e rural, participaram na quarta-feira, 6/10, do treinamento para a aplicação do questionário e coleta de material cervical, peniano e anal para o exame de detecção do HPV.
O público-alvo para o novo estudo é formado por homens e mulheres na faixa etária entre 16 e 25 anos, que já tenham tido relação sexual, considerando que o HPV é uma infecção sexualmente transmissível. A meta do estudo em Manaus é atingir 410 participantes.
Conforme a chefe do Núcleo de Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids) e Hepatites Virais da Semsa, enfermeira Rita de Cássia Castro de Jesus, o primeiro POP-Brasil foi realizado em Manaus no ano de 2017, com a participação de aproximadamente 227 pessoas, também envolvendo a faixa etária de 16 a 25 anos, em cinco Unidades de Saúde, para determinar a prevalência do vírus HPV e seus tipos.
“Na primeira pesquisa, o público-alvo foi selecionado na faixa etária de 16 a 25 anos porque representava uma população que em sua maioria não havia iniciado a vacinação contra o HPV. Na nova pesquisa, passado esse período de tempo, o público-alvo terá a mesma faixa etária, mas que já recebeu ou deveria ter recebido a vacina contra o HPV. Então, os novos dados da pesquisa poderão indicar se as pessoas vacinadas têm ou não algum tipo de HPV e, se tem o vírus, qual o tipo de HPV. As respostas para essas perguntas vão permitir avaliar se houve mudança na prevalência do vírus e o impacto da vacinação nesse público”, informou Rita de Cássia.
No Brasil, a vacinação contra o HPV foi incorporada ao Programa Nacional de Imunização (PNI) no ano de 2014.
A aplicação do questionário para a pesquisa e coleta de material para o exame, no município de Manaus, serão realizadas nas UBSs do bairro da Paz (zona Oeste), Ivone Lima (zona Leste), Morro da Liberdade (zona Sul), José Figliuolo (zona Norte) e Pau-Rosa (zona rural).
“A adesão é voluntária, com todos os dados coletados de forma sigilosa. E é extremamente importante que a população faça a adesão ao estudo para que Manaus possa ter informações exatas sobre o impacto da vacinação e a incidência do HPV, vírus que é um dos principais responsáveis pelo câncer do colo do útero, além de causar o câncer de pênis e boca, entre outros”, alertou Rita de Cássia.
A médica epidemiologista do Hospital Moinhos de Vento, Eliana Wendland, coordenadora do estudo, explicou que com a certificação dos profissionais da Semsa, treinados para realizar a entrevista e coleta de material para o exame, as Unidades de Saúde de Manaus poderão iniciar o trabalho para a pesquisa na próxima semana.
“O material coletado será analisado em laboratório central na Universidade Federal de Ciências em Saúde, no Rio Grande do Sul”, informou a coordenadora, ressaltando que o projeto trará informações importantes para o planejamento em saúde na área do HPV.
Prevalência
No estudo realizado no ano de 2017, a prevalência da infecção pelo HPV foi de 54,8% entre a população que participou da pesquisa em Manaus, um pouco acima do índice da região Norte, que ficou em 53,54%. A maior prevalência foi verificada na região Nordeste, com 58,09%, e na região Centro-Oeste com 56,46%, com a região Sudeste apresentando 49,92%, e a região Sul 49,68%.
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, o HPV é um dos principais causadores dos casos de câncer do colo do útero, que tem grande incidência no Amazonas, podendo ser prevenido com a vacinação contra o Papilomavírus, que é disponibilizada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, na rede municipal de saúde.
“Este mês, a Semsa, por conta da campanha ‘Outubro Rosa’ na prevenção ao câncer do colo do útero, tem intensificado a oferta da vacina e alertado para a importância de completar o esquema vacinal contra o HPV. Além disso, as unidades de Saúde ofertam o exame preventivo, que pode detectar de forma precoce as lesões precursoras do câncer, permitindo que, com o diagnóstico e tratamento adequado, seja possível evitar o desenvolvimento do câncer do colo do útero. O uso de preservativo nas relações sexuais, disponíveis de forma gratuita nas unidades de Saúde, também é uma forma de evitar a infecção pelo HPV”, informou a secretária.
Texto – Eurivânia Galúcio / Semsa
07/10/2021 – Portal Amazonas Notícias
Link: https://amazonasnoticias.com.br/cinco-ubss-em-manaus-participam-de-pesquisa-para-avaliar-impacto-da-vacinacao-contra-o-hpv/
“Cinco UBSs em Manaus participam de pesquisa para avaliar impacto da vacinação contra o HPV
Para avaliar o impacto da vacinação contra o Papilomavírus humano (HPV), a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), vai participar de um novo estudo de Prevalência do HPV no Brasil (POP-Brasil 2). Coordenada pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde, com recursos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), a pesquisa vai acontecer em 27 capitais brasileiras, assim como ocorreu no primeiro estudo realizado entre 2015 e 2017.
Em Manaus, profissionais de cinco Unidades Básicas de Saúde (UBSs), localizadas nas zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e rural, participaram na quarta-feira, 6/10, do treinamento para a aplicação do questionário e coleta de material cervical, peniano e anal para o exame de detecção do HPV.
O público-alvo para o novo estudo é formado por homens e mulheres na faixa etária entre 16 e 25 anos, que já tenham tido relação sexual, considerando que o HPV é uma infecção sexualmente transmissível. A meta do estudo em Manaus é atingir 410 participantes.
Conforme a chefe do Núcleo de Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids) e Hepatites Virais da Semsa, enfermeira Rita de Cássia Castro de Jesus, o primeiro POP-Brasil foi realizado em Manaus no ano de 2017, com a participação de aproximadamente 227 pessoas, também envolvendo a faixa etária de 16 a 25 anos, em cinco Unidades de Saúde, para determinar a prevalência do vírus HPV e seus tipos.
“Na primeira pesquisa, o público-alvo foi selecionado na faixa etária de 16 a 25 anos porque representava uma população que em sua maioria não havia iniciado a vacinação contra o HPV. Na nova pesquisa, passado esse período de tempo, o público-alvo terá a mesma faixa etária, mas que já recebeu ou deveria ter recebido a vacina contra o HPV. Então, os novos dados da pesquisa poderão indicar se as pessoas vacinadas têm ou não algum tipo de HPV e, se tem o vírus, qual o tipo de HPV. As respostas para essas perguntas vão permitir avaliar se houve mudança na prevalência do vírus e o impacto da vacinação nesse público”, informou Rita de Cássia.
No Brasil, a vacinação contra o HPV foi incorporada ao Programa Nacional de Imunização (PNI) no ano de 2014.
A aplicação do questionário para a pesquisa e coleta de material para o exame, no município de Manaus, serão realizadas nas UBSs do bairro da Paz (zona Oeste), Ivone Lima (zona Leste), Morro da Liberdade (zona Sul), José Figliuolo (zona Norte) e Pau-Rosa (zona rural).
“A adesão é voluntária, com todos os dados coletados de forma sigilosa. E é extremamente importante que a população faça a adesão ao estudo para que Manaus possa ter informações exatas sobre o impacto da vacinação e a incidência do HPV, vírus que é um dos principais responsáveis pelo câncer do colo do útero, além de causar o câncer de pênis e boca, entre outros”, alertou Rita de Cássia.
A médica epidemiologista do Hospital Moinhos de Vento, Eliana Wendland, coordenadora do estudo, explicou que com a certificação dos profissionais da Semsa, treinados para realizar a entrevista e coleta de material para o exame, as Unidades de Saúde de Manaus poderão iniciar o trabalho para a pesquisa na próxima semana.
“O material coletado será analisado em laboratório central na Universidade Federal de Ciências em Saúde, no Rio Grande do Sul”, informou a coordenadora, ressaltando que o projeto trará informações importantes para o planejamento em saúde na área do HPV.
Prevalência
No estudo realizado no ano de 2017, a prevalência da infecção pelo HPV foi de 54,8% entre a população que participou da pesquisa em Manaus, um pouco acima do índice da região Norte, que ficou em 53,54%. A maior prevalência foi verificada na região Nordeste, com 58,09%, e na região Centro-Oeste com 56,46%, com a região Sudeste apresentando 49,92%, e a região Sul 49,68%.
De acordo com a secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, o HPV é um dos principais causadores dos casos de câncer do colo do útero, que tem grande incidência no Amazonas, podendo ser prevenido com a vacinação contra o Papilomavírus, que é disponibilizada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, na rede municipal de saúde.
“Este mês, a Semsa, por conta da campanha ‘Outubro Rosa’ na prevenção ao câncer do colo do útero, tem intensificado a oferta da vacina e alertado para a importância de completar o esquema vacinal contra o HPV. Além disso, as unidades de Saúde ofertam o exame preventivo, que pode detectar de forma precoce as lesões precursoras do câncer, permitindo que, com o diagnóstico e tratamento adequado, seja possível evitar o desenvolvimento do câncer do colo do útero. O uso de preservativo nas relações sexuais, disponíveis de forma gratuita nas unidades de Saúde, também é uma forma de evitar a infecção pelo HPV”, informou a secretária.”
Texto – Eurivânia Galúcio / Semsa
05/10/2021 – Diário Gaúcho
Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/10/passaporte-vacinal-como-universidades-gauchas-tratam-o-tema-21111965.html
"Passaporte vacinal: como universidades gaúchas tratam o tema
UFRGS, UFCSPA e Unisinos ainda não exigem comprovante de vacinação contra o coronavírus para as atividades presencias que já foram retomadas; UFPel exige comprovante de pelo menos uma dose
Com a retomada parcial de atividades presencias, universidades do Rio Grande do Sul estão analisando se exigirão ou não de seus alunos e funcionários o chamado passaporte vacinal, que consiste na apresentação da carteirinha de vacinação contra a covid-19 para que o indivíduo possa acessar os espaços físicos das instituições. Em Pelotas, a UFPel retoma este mês as atividades práticas presenciais de alguns cursos e, nestes casos, está exigindo comprovação de vacinação com pelo menos uma dose de imunizante contra o coronavírus. Já instituições como UniRitter e Fadergs ainda estão debatendo o tema e não publicaram decisões.
Universidades como UFRGS, UFCSPA, FURG, PUCRS e Unisinos ainda não exigem comprovante de vacinação para os grupos de alunos, professores e funcionários que já retomaram, ainda que parcialmente, às atividades presenciais. A UFRGS informou que segue analisando as questões legais relacionadas à possibilidade de exigir o comprovante como condição para ingressar no ambiente universitário.
Por enquanto, as instituições de Ensino Superior que estão tendo atividades presenciais mas não exigem passaporte vacinal apostam em estratégias como a testagem de seus docentes e discentes e a difusão de informações sobre o uso correto de EPIs como formas de evitar a transmissão da doença nos ambientes acadêmicos.
Confira como algumas universidade gaúchas estão tratando o tema:
UFRGS
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) informou que, no momento, atua presencialmente uma parcela restrita da comunidade acadêmica, como alunos e profissionais da área da saúde e pesquisadores com trabalhos de pesquisa que dependem de cuidado contínuo. Antes de retornarem, os indivíduos são submetidos a teste RT-PCR para a covid-19 no Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS).
Ainda não há definição quanto à exigência de comprovação de vacinação no momento de uma retomada mais ampla das atividades presenciais na universidade.
— Com relação à vacinação, está em discussão se a universidade poderá exigir a comprovação para acessar-se seus espaços físicos, visto que, no momento, não existe legislação que ampare esta exigência. Assim, esta questão está sendo discutida, considerando-se o cuidado com a população que compõe a comunidade da UFRGS — disse a presidente do Comitê Covid/UFRGS, Marilia Borges Hackmann, em comunicado enviado a GZH.
Quanto ao retorno das atividades presenciais, vale a decisão publicada ainda em maio, que projeta que o próximo semestre letivo ocorra entre 17 de janeiro a 18 de maio de 2022, ainda em ensino remoto.
UFCSPA
A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) informa que possui um sistema dividido em cinco etapas para um retorno gradual ao ensino presencial. Atualmente, encontra-se na fase dois, que pressupõe aulas teóricas ainda em ensino a distância emergencial e aulas práticas prioritárias nos laboratórios e espaços da UFCSPA, priorizando as turmas que estão mais próximas da formatura. A evolução para as próximas etapas depende de decisão da Reitoria da universidade, com base na indicação do Comitê Técnico de Informações Estratégicas e Respostas Rápidas à Emergência em Vigilância em Saúde Referente ao Coronavírus."
04/10/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/10/passaporte-vacinal-como-universidades-gauchas-tratam-o-tema-ckud62swg003f017f3dvz1kvk.html
"Passaporte vacinal: como universidades gaúchas tratam o tema
UFRGS, UFCSPA e Unisinos ainda não exigem comprovante de vacinação contra o coronavírus para as atividades presencias que já foram retomadas; UFPel exige comprovante de pelo menos uma dose
Com a retomada parcial de atividades presencias, universidades do Rio Grande do Sul estão analisando se exigirão ou não de seus alunos e funcionários o chamado passaporte vacinal, que consiste na apresentação da carteirinha de vacinação contra a covid-19 para que o indivíduo possa acessar os espaços físicos das instituições. Em Pelotas, a UFPel retoma este mês as atividades práticas presenciais de alguns cursos e, nestes casos, está exigindo comprovação de vacinação com pelo menos uma dose de imunizante contra o coronavírus. Já instituições como UniRitter e Fadergs ainda estão debatendo o tema e não publicaram decisões.
Universidades como UFRGS, UFCSPA, FURG, PUCRS e Unisinos ainda não exigem comprovante de vacinação para os grupos de alunos, professores e funcionários que já retomaram, ainda que parcialmente, às atividades presenciais. A UFRGS informou que segue analisando as questões legais relacionadas à possibilidade de exigir o comprovante como condição para ingressar no ambiente universitário.
Por enquanto, as instituições de Ensino Superior que estão tendo atividades presenciais mas não exigem passaporte vacinal apostam em estratégias como a testagem de seus docentes e discentes e a difusão de informações sobre o uso correto de EPIs como formas de evitar a transmissão da doença nos ambientes acadêmicos.
Confira como algumas universidade gaúchas estão tratando o tema:
UFRGS
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) informou que, no momento, atua presencialmente uma parcela restrita da comunidade acadêmica, como alunos e profissionais da área da saúde e pesquisadores com trabalhos de pesquisa que dependem de cuidado contínuo. Antes de retornarem, os indivíduos são submetidos a teste RT-PCR para a covid-19 no Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS).
Ainda não há definição quanto à exigência de comprovação de vacinação no momento de uma retomada mais ampla das atividades presenciais na universidade.
— Com relação à vacinação, está em discussão se a universidade poderá exigir a comprovação para acessar-se seus espaços físicos, visto que, no momento, não existe legislação que ampare esta exigência. Assim, esta questão está sendo discutida, considerando-se o cuidado com a população que compõe a comunidade da UFRGS — disse a presidente do Comitê Covid/UFRGS, Marilia Borges Hackmann, em comunicado enviado a GZH.
Quanto ao retorno das atividades presenciais, vale a decisão publicada ainda em maio, que projeta que o próximo semestre letivo ocorra entre 17 de janeiro a 18 de maio de 2022, ainda em ensino remoto.
UFCSPA
A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) informa que possui um sistema dividido em cinco etapas para um retorno gradual ao ensino presencial. Atualmente, encontra-se na fase dois, que pressupõe aulas teóricas ainda em ensino a distância emergencial e aulas práticas prioritárias nos laboratórios e espaços da UFCSPA, priorizando as turmas que estão mais próximas da formatura. A evolução para as próximas etapas depende de decisão da Reitoria da universidade, com base na indicação do Comitê Técnico de Informações Estratégicas e Respostas Rápidas à Emergência em Vigilância em Saúde Referente ao Coronavírus.
No momento, não há exigência de vacina para o retorno, mas todos os trabalhadores e estudantes que já estão tendo atividades presenciais passaram por um curso de biossegurança, onde são ensinados cuidados contra o coronavírus em ambiente universitário e o uso correto de EPIs.
(...)
02/10/2021 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/10/rs-chega-a-50-da-populacao-com-esquema-vacinal-completo-contra-a-covid-19-cku8ztgrf00db017fupvl7i1l.html
"RS chega a 50% da população com esquema vacinal completo contra a covid-19
O painel de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde (SES) também aponta que 75% da população residente já tomou pelo menos uma dose da vacina
O Rio Grande do Sul chegou aos 50,3% da população residente com o esquema vacinal completo, neste sábado (2), quase nove meses depois do início da vacinação contra a covid-19. Isso significa que mais de 5 milhões de habitantes do Estado já receberam as duas doses da vacina ou a dose única contra o coronavírus.
O painel de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde (SES) também aponta que 75,2% da população residente já tomou pelo menos uma dose da vacina. A atualização é das 6h30min deste sábado.
Ao todo, já foram distribuídas 16.065.407 de doses no Estado. Segundo a secretária da Saúde do Rio Grande do Sul, Arita Bergmann, os indicadores demonstram agilidade na distribuição das doses e esforço dos municípios em suas estratégias de imunização.
— Só não podemos esquecer que quase 700 mil pessoas no Estado já poderiam ter recebido a segunda dose e ainda não voltaram aos postos. A superação da pandemia passa pela consciência coletiva da importância do esquema vacinal completo. É preciso que os gaúchos voltem para a D2 — alerta a secretária.
Segundo o chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Eduardo Sprinz, independentemente de os números da vacinação estarem avançando no Estado, é preciso manter cuidados como uso de máscara e distanciamento.
— O primeiro efeito seria quando chegasse em 30%, quando começariam a cair os números de casos graves. Com 50% de pessoas com o esquema vacinal completo, chegamos à fronteira para começarmos a liberar eventos públicos, com restrições. Estamos indo de acordo com o planejado lá atrás — comenta o infectologista.
Para o médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), ainda há espaço para a vacinação avançar, principalmente, na direção das crianças e dos adultos que não se vacinaram. E avançando, completa, a tendência é que os números da covid-19 sigam em queda."
01/10/2021 – GZH
Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/10/com-queda-de-24-setembro-e-o-mes-com-menor-numero-de-mortes-por-covid-19-no-rs-em-2021-cku8uvqv900c5019m79b92w3x.html
“Com queda de 24%, setembro é o mês com menor número de mortes por covid-19 no RS em 2021
Redução acompanha tendência nacional; em Porto Alegre, houve recuo de 19% em relação aos dados de agosto
Com o avanço da vacinação e a forte adesão dos brasileiros à campanha de imunização, o Brasil registrou em setembro 16.336 mortes por covid-19, o menor número do ano e 32% a menos do que no mês anterior, mostram estatísticas do Ministério da Saúde analisadas por GZH nesta sexta-feira (1º).
Em abril, o mês mais letal a nível nacional, o Brasil testemunhou a partida de 82.266 pessoas por conta da covid-19. Os dados mostram que o número de vítimas começou a cair de forma consistente a partir de junho, quando a vacinação começou a engrenar no país.
Nesta sexta-feira, o país chega a quase 70% de todos os brasileiros com uma dose da vacina contra a covid-19 e 43% com esquema vacinal completo. Cerca de 0,5% da população recebeu a terceira dose, mostram dados do Portal Covid-19 no Brasil.
O maior controle da epidemia também se expressa no Rio Grande do Sul, um dos Estados líderes de vacinação e com um dos menores índices de atraso para a segunda dose. Setembro terminou com 661 vítimas da covid-19, 24% a menos do que no mês anterior. O mês mais letal da epidemia gaúcha fora março, com 7.344 mortes.
Porto Alegre, uma das capitais com maior cobertura vacinal, registrou em setembro 131 mortes, 19% abaixo de agosto. O ápice de vítimas fora também em março, com 1.436 vítimas perdidas.
Ainda há espaço para a vacinação avançar, dizem especialistas
Virologista e infectologistas ouvidos por GZH destacam que a vacinação, o histórico de pessoas já infectadas — com grau de imunidade de curta duração — e a manutenção das restrições, sobretudo, do distanciamento e do uso de máscaras, estão ajudando a reduzir os números.
Para o virologista Fernando Spilki, da Universidade Feevale, estamos vivenciando um efeito importante da vacinação. Ele acrescenta também que uma parte da população adquiriu imunidade com um custo muito alto: o surto de covid-19 no primeiro semestre. Quanto à questão de evoluir para a retirada de máscara ou, como em outros Estados, abolir a máscara e usar testagem e passaporte vacinal, Spilki ainda considera inadequado mudar o hábito.
— As vacinas não têm, como principal característica, o bloqueio de transmissão. Mesmo indivíduos vacinados transmitem. Ainda há um contingente de pessoas não vacinadas, ainda temos pessoas que foram vacinadas há mais tempo e não receberam dose de reforço e podem estar com a imunidade mais baixa. As pessoas vacinadas transmitem menos, mas esporadicamente transmitem — afirma.
O médico Alessandro Pasqualotto, chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), acredita que os números já considerados positivos deverão seguir melhorando nas próximas semanas.
— Estes dados são o esperado para uma população de vacinados e que continua mantendo medidas de distanciamento e sem ter aberto tudo por completo, como ocorreu em outros países — afirma.
Pasqualotto reforça que ainda há espaço para a vacinação avançar, principalmente, na direção das crianças e dos adultos que não se vacinaram. E avançando, completa, a tendência é que os números da covid-19 sigam em queda.
De acordo com o chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Eduardo Sprinz, independentemente de os números da covid-19 estarem apresentando queda, é preciso manter cuidados como distanciamento e uso de máscara constantemente.
— Quando relaxamos nas medidas de proteção individual, surgem novos casos. Aumentando o número de casos, podem surgir novas variantes mais resistentes. Por isso, quanto maior for o tempo que estivermos protegidos pela máscara, menor será a chance de ocorrer um novo caso ou nova variante — justifica o médico.
Sprinz faz questão de reafirmar que a vacina tem o poder de curar a pandemia. Ele explica que quanto mais rapidamente vacinarmos a população, incluindo a terceira dose, maior será o controle da mortalidade causada pela infecção. Para ele, já é possível celebrar o controle da infecção para casos graves. O próximo passo, segundo ele, é controlar a pandemia em si.
— Em qual patamar ficaremos no controle da doença? Isso dependerá de quão rápido (surgirão) e quão melhores serão as próximas vacinas. Ainda não temos uma vacina 100% efetiva. Ainda estamos longe de eliminarmos a doença porque, para isso, é preciso quase uma inexistência de novos casos — finaliza.”





