30/09/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/09/professores-da-ufrgs-cobram-que-instituicao-apresente-plano-de-retorno-presencial-cku7b9jn4009y017fbtc8u964.html

Professores da UFRGS cobram que instituição apresente plano de retorno presencial

Sindicato que representa os docentes pedirá que a universidade elabore um calendário priorizando a retomada de aulas de laboratórios

A Adufrgs-Sindical, que representa os professores de instituições federais gaúchas de Ensino Superior, cobrará que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apresente um plano de retorno das atividades presenciais. A decisão foi tirada em assembleia geral, realizada nesta quarta-feira (29).

Segundo o presidente da Adufrgs, Lúcio Vieira, outras instituições, como o Instituto Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), já estão com planos de retomada elaborados e alguns campi iniciaram atividades práticas, mas, até agora, a UFRGS, maior universidade do Estado, não sinalizou como pretende fazer o retorno.

— Os professores estão preocupados com a falta de planejamento da universidade. Na medida em que a grande maioria dos professores e técnicos está vacinada com as duas doses e muitos dos alunos já receberam pelo menos uma dose, entendemos que as instituições devem começar a se preparar para essa retomada, de forma gradual e híbrida, sempre observando as condições sanitárias — destaca Vieira.

O sindicato pediu uma audiência com a reitoria da UFRGS, para pedir que a universidade elabore um calendário de retomada que priorize as aulas em laboratórios. A entidade visa que o retorno ocorra no semestre que vem, o que depende de um plano elaborado e aprovado.

A Adufrgs também pedirá, na audiência, que a instituição federal divulgue como está a execução orçamentária de 2021 e a previsão de orçamento para 2022. A preocupação do sindicato é que recursos para compras de máscaras, álcool gel e outros equipamentos que visem o atendimento dos protocolos sanitários e a oferta segura de alimentação aos alunos estejam assegurados.

 

Procurada, a UFRGS não respondeu à reportagem de GZH até o fechamento desta matéria sobre quando apresentará o plano de retomada ou quando deverá retomar atividades presenciais.

28/09/2021 – IG Saúde e Portal Giro Marília

Link: https://saude.ig.com.br/2021-09-28/uso-antibioticos-elevam-risco-resistencia-bacteriana.html
Link Giro Marília: https://www.giromarilia.com.br/noticia/saude/uso-indiscriminado-de-antibioticos-eleva-risco-de-resistencia-bacteriana/75562

Uso indiscriminado de antibióticos eleva risco de resistência bacteriana

Maioria das prescrições acontece em diagnósticos de infecções nas vias aéreas superiores

O brasileiro está mais que habituado com o uso dos antibióticos - medicamentos que inibem ou impedem o crescimento e causam a morte das bactérias. O que pouco se sabe, no entanto, é que o uso indiscriminado dessas substâncias pode causar grande dano à saúde individual do paciente e da população em geral - a chamada resistência bacteriana.

"[Resistência bacteriana] É quando as bactérias sofrem mudanças e ganham força, até ficarem praticamente resistentes aos antibióticos. O risco é que com o tempo, infecções bacterianas simples se tornam cada vez mais difíceis de ser combatidas, podendo levar a quadros mais graves ou até a morte", explica o Dr. Geraldo Druck Sant'Anna, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - Santa Casa de Porto Alegre - , e especialista convidado pelo Global Respiratory Infection Partnership (GRIP) - uma iniciativa que busca defender o uso racional de antibióticos no tratamento de infecções das vias aéreas superiores.

"Isso é mais comum e muito mais perigoso do que se imagina", alerta o Dr. Sant'Anna. "Tomemos como exemplo um paciente que sente dor de garganta. Caberá ao médico analisar e avaliar o quadro clínico para identificar se é uma infecção viral ou bacteriana. Essa análise é feita por algumas etapas, como o histórico do paciente, tempo de sintomas, e aspectos do exame clínico e, eventualmente, laboratorial", diz.

Uma pesquisa liderada pelo epidemiologista norte-americano Mark M. Ebbel revelou que 80% dos medicamentos prescritos para casos de infecções de vias aéreas foram indicados de maneira equivocada, já que grande parte dos sintomas eram relativos à problemas causados por vírus, como afirma o Dr. Sant'Anna.

"Uma avaliação equivocada ou até a insistência ou resistência de um paciente a determinadas condutas, podem resultar em prescrição de antibióticos desnecessariamente. E, a longo prazo, o uso indiscriminado ou em excesso pode criar a resistência bacteriana", explica.

O especialista ensina como essa resistência pode se tornar um problema a longo prazo para a medicina e, por consequência, para os pacientes.

"Até a descoberta da penicilina, em 1928, era comum pessoas morrerem de infecções consideradas simples, decorrentes de cirurgias e após a realização de partos, porque não tinham medicamentos adequados para prevenir as infecções pós-operatórias. O surgimento do antibiótico revolucionou a medicina, pois ele foi responsável por uma grande redução da taxa de mortalidade e aumentou a expectativa de vida da população em oito anos", conta.

"Porém, as bactérias são muito espertas e as primeiras consideradas muito resistentes foram percebidas dois anos após a descoberta da penicilina. Por isso a preocupação sobre a resistência bacteriana é enorme, latente e considerada uma das ameaças à humanidade."

Para tentar contornar a situação, o médico afirma que o primeiro passo é evitar os antibióticos sempre que possível - o que pode significar o pedido de uma investigação maior dos sintomas ao médico, e mais precisamente, não pedir pelo medicamento.

"Ainda que no Brasil o uso seja controlado com retenção de receita desde 2010, de acordo com determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é comum que pacientes peçam antibióticos ao médico durante a consulta ou o próprio médico, sobretudo quando o único ponto de contato com o paciente seja aquela consulta, acabe prescrevendo o medicamento por um aparente e equivocada precaução de quadro de piora, por não poder acompanhar a evolução do paciente nos dias a seguir".

Mesmo com a exigência do receituário, é essencial lembrar que a automedicação também não é uma boa opção. Segundo dados colhidos pelo Conselho Federal de Medicina, 77% da população brasileira faz uso de medicamentos sem qualquer orientação médica.

Sant'Anna chama atenção para a necessidade de um diagnóstico correto para as infecções virais, que não devem ser tratadas com esse tipo de medicamento, e faz o alerta: só os médicos podem avaliar corretamente a origem da infecção, orientando o melhor tratamento a seguir.

"Em caso de infecções virais, é necessário observar e apenas tratar os sintomas, com remédios para combater a dor e a febre, para que o paciente passe pelo período natural da doença com menos desconforto. Aumentar a ingestão de líquidos, repouso e evitar contato com outras pessoas também colaboram bastante para o tratamento. Mas atenção, só o médico é capaz de avaliar a origem da infecção, se viral ou bacteriana. Se houver dor ou febre há 48h, é fundamental que o médico seja consultado", finaliza.

24/09/2021 – BBC

Link: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-58673147

“Covid: o que alta em internação de idosos revela sobre efetividade da vacina e 3ª dose

As últimas estatísticas de casos, internações e mortes por covid-19 no Brasil trazem uma conclusão importante: as vacinas funcionam e protegem contra as formas graves da doença, mas algumas pessoas mais vulneráveis realmente precisam tomar uma terceira dose, apontam especialistas.

Um dos principais trabalhos a mostrar essa realidade é o Boletim Observatório Covid-19, publicado semanalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

No material, é possível ver claramente como a proporção de indivíduos acima de 60 anos que foram hospitalizados ou morreram por infecções respiratórias diminuiu ao longo de todo o primeiro semestre de 2021 — vale lembrar aqui que a campanha de imunização do Brasil se iniciou justamente pelos mais velhos.

Com o passar do tempo, porém, a participação relativa dessa faixa etária entre os acometidos pela pandemia voltou a subir de forma preocupante.

A reversão nas tendências exigiu adaptações no Plano Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, que anunciou que ofertaria uma terceira dose da vacina a alguns grupos a partir de setembro.

"Nosso trabalho enquanto cientistas é justamente coletar os dados e orientar ajustes nas políticas conforme a gente conhece melhor os imunizantes e seus efeitos na prática", diz a imunologista Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Outra mudança importante, que tem a ver com os aprendizados recentes, foi a necessidade de adotar estratégias mais inteligentes sobre o uso dos recursos disponíveis. Antes, num cenário de escassez de doses, a premissa era aplicar as vacinas que estivessem disponíveis em quem mais precisava. Hoje em dia, existe a possibilidade de indicar o uso de um imunizante ou outro para situações e públicos específicos.

Mas como chegamos até aqui? E como esses novos conhecimentos impactam a vacinação contra a covid-19 e podem ajudar a controlar a pandemia?

Como uma onda

Para entender todo esse cenário, precisamos olhar com mais atenção para os informes publicados pelo Observatório Covid-19 da FioCruz. Lá, é possível conferir que os indivíduos acima de 60 anos representavam 63% de todas as internações e 80% das mortes por Síndrome Aguda Aguda Grave (SRAG) registradas no Brasil durante a primeira semana de 2021.

E aqui vale uma ressalva: os serviços de saúde do país são obrigados a notificar ao Ministério da Saúde todos os casos de hospitalização por infecção respiratória. Essa base de dados de SRAG, portanto, permite ter uma ideia de como está a situação dessas doenças no país, embora não consiga detalhar especificamente qual o tipo de vírus (ou outro agente) que é o principal responsável por todas essas internações. Mas, durante a atual pandemia, considera-se que a maioria dos quadros infecciosos tenha mesmo a ver com o coronavírus.

Bom, mas o que aconteceu com esses números nos meses seguintes, conforme a campanha de vacinação contra a covid-19 avançava e protegia especialmente a camada mais velha da população brasileira?

Como era de se imaginar, os números despencaram: em meados de junho, os idosos passaram a representar 27% das internações e 34% das mortes por SRAG. A participação relativa deles nas estatísticas oficiais caiu pela metade.

Porém, a partir de julho e agosto, esses índices voltaram a subir significativamente entre essa população. Em algumas semanas de setembro, 54% das hospitalizações e 74% dos óbitos ocorreram entre os mais velhos.

E há pelo menos quatro fatores que ajudam a explicar esse fenômeno.

  1. Mais jovens vacinados

Como explicamos acima, a vacinação contra a covid-19 priorizou, num primeiro momento, os profissionais da saúde e os idosos.A meta era proteger aqueles que tinham mais probabilidade de infecção pelo vírus ou que corriam maior risco de sofrer com as complicações da doença, que exigem internação e intubação.

Com o passar dos meses, os mais jovens foram incluídos aos poucos na campanha, até que, nos meses de agosto e setembro, muitas cidades brasileiras já tinham aplicado ao menos a primeira dose em praticamente 100% de todos os indivíduos com mais de 18 anos.

"O avanço da vacinação com a primeira dose já permitiu que houvesse uma redução de risco dos mais jovens, que também passaram a ficar um pouco mais protegidos de hospitalizações e óbitos pela covid-19", analisa o infectologista Julio Croda, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Com isso, a participação relativa de cada faixa etária nos números de internações e mortes voltou a ficar "equalizada": como a infecção pelo coronavírus é muito mais perigosa para os idosos, eles voltaram a representar novamente uma fatia grande dos acometidos.

  1. Sistema imune dos mais velhos

O segundo ponto que ajuda a explicar esse aumento de hospitalizações de idosos por infecções respiratórias é o envelhecimento natural do sistema imunológico.

Conhecido entre especialistas como imunossenescência, esse processo foi descrito há tempos e tem a ver com uma menor efetividade das células de defesa com o passar das décadas.

E isso traz consequências práticas para a saúde: os idosos são mais suscetíveis às infecções, correm maior risco de desenvolver câncer e costumam responder menos aos imunizantes.

"A imunossenescência é algo natural e já prevíamos que poderia ocorrer uma maior perda de proteção das vacinas entre idosos", aponta Croda, que também faz pesquisas pela FioCruz.

  1. As variantes

O terceiro ponto tem a ver com o desenvolvimento de novas versões do coronavírus, como a Alfa, a Beta, a Gama e a Delta. Essas quatro, inclusive, são classificadas como variantes de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Elas começaram a aparecer no final de 2020, quando as primeiras vacinas contra a covid-19 já estavam na etapa final dos testes antes da aprovação pelas agências regulatórias.

Ou seja: os imunizantes foram desenhados para proteger contra as versões "mais antigas" do coronavírus. As novas linhagens, porém, trazem mutações genéticas importantes, que podem interferir na efetividade das doses.

"Nós temos dados que mostram essa queda de proteção das vacinas em relação à variante Delta, por exemplo", diz Croda.

A boa notícia é que, embora tenha ocorrido um certo prejuízo no desempenho, os imunizantes continuam a funcionar relativamente bem e garantem uma proteção, especialmente contra as formas mais graves da covid-19.

  1. O tipo de vacina utilizada

Nos primeiros meses de campanha, justamente o período em que os mais velhos tomaram as doses, a CoronaVac era o principal imunizante à disposição no Brasil.

Desenvolvido e fabricado pela farmacêutica chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan, em São Paulo, esse produto é baseado na tecnologia do vírus inativado, que é utilizada há décadas pela ciência.

Em resumo, amostras do coronavírus passam por uma série de procedimentos em laboratório, que inativam o agente infeccioso e impedem que ele se replique no nosso organismo. Mesmo assim, aquele material pode ser reconhecido pelo sistema imune, que gera um contra-ataque caso o vírus de verdade resolva aparecer pelo pedaço.

Mas há um problema nessa história: idosos costumam responder menos às vacinas de vírus inativado.

"A CoronaVac foi muito importante por ser a primeira a chegar e ajudou a diminuir o número de pessoas hospitalizadas e mortas por covid-19", destaca o imunologista Jorge Kalil Filho, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

"Quando utilizada em duas doses em indivíduos idosos ou com a imunidade comprometida, porém, ela não desencadeou uma resposta suficientemente elevada", completa o especialista, que também faz pesquisas no Instituto do Coração (InCor), na capital paulista.

Alguns trabalhos já demonstraram essa menor taxa de eficácia da CoronaVac em pessoas de idade mais avançada. Uma das evidências mais recentes nesse sentido vem de uma pesquisa conduzida pelo imunologista Manoel Barral-Netto, da FioCruz Bahia.

O cientista avaliou dados de mais de 75,9 milhões de brasileiros que tomaram a CoronaVac ou a vacina de AstraZeneca/FioCruz entre 18 de janeiro e 24 de julho de 2021.

Primeira conclusão: os dois imunizantes são efetivos e resguardam contra infecção, hospitalização e morte por covid-19, inclusive contra as variantes de preocupação que circulavam pelo país no período analisado.

Na população geral, a vacina AstraZeneca/FioCruz oferece 90% de proteção, enquanto na CoronaVac essa taxa ficou em 75%.

Quando analisamos essas porcentagens por faixa etária, porém, vemos como os idosos respondem menos às vacinas de vírus inativado: entre indivíduos de 80 a 89 anos, o produto de AstraZeneca/FioCruz trouxe uma proteção de 89,9%. Já a taxa da CoronaVac caiu para 67,2%.

E o tombo nos índices é ainda maior em quem tem mais de 90 anos: a AstraZeneca/FioCruz ficou com 65,4% de efetividade, enquanto a CoronaVac baixou para 33,6%.

"Já tínhamos suspeita da influência da idade na queda da efetividade, porque o mesmo ocorre com outras vacinas. O que fizemos foi delimitar claramente esse ponto de declínio. Essa é também a primeira comparação feita entre vacinas que usam diferentes plataformas", disse Barral-Netto, à Agência FioCruz de Notícias.

"A intenção é fornecer dados para embasar decisões dos gestores", acrescentou.

Cristina Bonorino destaca que esse e outros trabalhos reforçaram a necessidade de dar uma atenção especial aos idosos no atual momento.

"Os dados de vida real nos mostraram claramente que, a partir dos 70 anos, há uma queda grande na proteção e precisávamos fazer algo para melhorar isso", relata a pesquisadora, que também representa a Sociedade Brasileira de Imunologia.

Kalil concorda. "Começamos a ver que indivíduos acima de 80 anos começaram a ser hospitalizados e morrer mais e mais. Nós perdemos cerca de 2 mil indivíduos nessa faixa etária todos os meses e a tendência, infelizmente, é o aumento desse número", estima.

Mas o que pode ser feito para frear essa subida?

Dose extra

A exemplo do que foi feito em algumas partes do mundo, o Brasil decidiu ofertar uma terceira dose de vacina contra a covid-19 para idosos e indivíduos com imunidade comprometida.

O anúncio, feito no dia 25 de agosto pelo Ministério da Saúde, afirmava que esse público seria convocado para a campanha a partir da segunda quinzena de setembro, o que efetivamente está acontecendo em muitas cidades e Estados.

Esse movimento marca outra mudança importante nos esforços para dar um fim à pandemia: a adoção de uma estratégia mais inteligente no uso dos recursos disponíveis.

Você deve se lembrar que, durante os últimos meses, a frase "vacina boa é vacina no braço" se tornou praticamente um mantra e foram feitas muitas críticas aos cidadãos que queriam escolher um imunizante ou outro — eles foram apelidados até de "sommeliers de vacina".

Isso tinha a ver com a falta de doses e o pouco conhecimento sobre os melhores resultados de cada produto de acordo com algumas características gerais da população.

Mais recentemente, com o avanço da ciência e a maior disponibilidade de doses em território nacional, essa seleção otimizada da vacina mais recomendada para públicos específicos começou a fazer mais sentido.

Para as gestantes, por exemplo, o imunizante da AstraZeneca foi contra-indicado pelo maior risco de alguns eventos adversos. Essas mulheres passaram a receber, então, doses de Pfizer.

Isso acontece agora com os idosos. "O Programa Nacional de Imunizações e seu conselho consultivo, composto por 20 médicos e cientistas com grande experiência na área, chegaram à conclusão que seria melhor dar a vacina da Pfizer para indivíduos com mais de 70 anos", explica Kalil.

E essa decisão está baseada nas evidências, apontam os especialistas. "Nós temos estudos que mostram que uma terceira dose de Pfizer aumenta em 20 a 40 vezes a presença de anticorpos neutralizantes, em comparação aos níveis dessas substâncias após a segunda dose. Já com a CoronaVac, essa elevação chega, no máximo, a 10 vezes", compara Croda.

E aqui vale reforçar mais uma vez: CoronaVac e AstraZeneca/FioCruz são imunizantes efetivos, seguros e funcionam super bem nos mais jovens, como apontam os cientistas. Portanto, eles continuam a ser indicados e todos que tomaram a primeira dose precisam voltar ao posto na data indicada para assegurar um bom nível de proteção.

"As vacinas inativadas são muito boas para pessoas mais jovens e nem tão boas assim para os idosos. Para os mais velhos, elas foram importantes antes, no início da campanha, mas agora estamos num outro momento", conclui Kalil.

Para quem já passou dos 70 anos, portanto, a atual situação da campanha brasileira permite escolher a vacina da Pfizer como terceira dose para garantir uma resposta ainda melhor.

Do ponto de vista individual, a recomendação é ficar atento ao calendário de vacinação de sua cidade e ir ao posto para atualizar a proteção com uma terceira dose, caso você faça parte do público-alvo nas datas anunciadas.

Bonorino vai além e acredita que o ideal seria já programar não apenas uma, mas duas doses extras de vacina aos mais velhos. "Eu defendo que os idosos recebam duas doses da Pfizer. O que precisamos fazer é revacinar essa população", reforça.

E além de ofertar os imunizantes, a imunologista aponta a necessidade de o poder público educar a população sobre as outras formas de prevenção da covid-19, como o distanciamento físico, o uso de máscaras e a escolha de ambientes arejados e com boa circulação de ar.

"As pessoas acham que após a imunização estão liberadas para fazer qualquer coisa. Não é bem assim", diz. "Precisamos vacinar, vacinar e vacinar. Junto com isso, é necessário seguir com todos os outros cuidados para que a pandemia não se prolongue por mais um ano", finaliza.”

24/09/2021 – GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/entenda-por-que-a-contaminacao-de-queiroga-e-tereza-cristina-nao-significa-que-a-vacina-e-ineficaz-cktyvm4gr009w017l84dvnrux.html

"Entenda por que a contaminação de Queiroga e Tereza Cristina não significa que a vacina é ineficaz

Imunizantes permitem a entrada do vírus no organismo, mas impedem a replicação em grande escala, o que reduz sintomas graves e transmissão

  • Vacinados podem pegar covid, mas têm menos chance de adoecer gravemente
  • Vacinados infectados passam menos o vírus do que infectados sem vacina
  • Por poderem se infectar e passar o vírus sem saber, vacinados devem usar máscaras e zelar pela vida de idosos que ainda não receberam reforço e pessoas sem duas doses

Imunizados com duas doses, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, pegaram covid-19. Com uma dose, o Advogado-Geral da União, Bruno Bianco, também se infectou. Os diagnósticos foram usados por grupos antivacina para afirmar nas redes sociais que as vacinas falharam. Mas as alegações ignoram premissas básicas sobre imunizantes: servir para evitar casos graves, hospitalizações e mortes.

Infectado com covid-19 depois da viagem a Nova York ao lado do pai, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que recebeu a primeira dose da Pfizer, afirmou no Twitter que “o meu caso e o do Queiroga são exemplos que descredibilizam o passaporte sanitário. Sinto-me melhor do que ontem e nem te conto o que tomei”, escreveu Eduardo.

O argumento de que vacinas não protegem é falso e parte de uma equivocada premissa, jamais dita por cientistas, de que elas são infalíveis. Nenhuma vacina ou remédio, para qualquer doença, tem 100% de eficácia - o que explica a morte do ator Tarcísio Meira, por exemplo. Entretanto, imunizantes diminuem muito o risco de internação em hospital e morte por covid-19.

A redução de risco é indicada na porcentagem de eficácia apresentada para cada vacina pelos laboratórios. A Pfizer, ao anunciar que seu imunizante tem 95% de eficácia contra a variante original da covid-19, indicou que, entre todos os voluntários do estudo, 95% não adoeceram e 5%, sim. Destes, uma menor parcela foi hospitalizada e um grupo ainda menor morreu.

Críticas às vacinas confundem duas palavras-chave: infecção e adoecimento. A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), explica que todos os vacinados com duas doses ainda podem se infectar e transmitir covid-19 - mas bem menos do que não vacinados. A questão é que a maioria não adoecerá.

Vacinas contra a covid-19 não são o que cientistas chamam de “esterilizantes” - ou seja, não aniquilam o vírus quando ele entra no corpo. O que elas fazem é ensinar o sistema imune a combater o Sars-Cov-2 uma vez que ele adentre o organismo.

Portanto, quando um vacinado interage com alguém com covid-19 sem máscara ou em aglomeração, o vírus entrará no corpo e começará a se replicar. Contudo, como a vacina terá ensinado o organismo a gerar uma resposta imunológica contra o invasor, o nível de multiplicação do Sars-Cov-2 será menor e, por consequência, a taxa de transmissão para outras pessoas também será reduzida.

— Todas as vacinas controlam a doença e, em graus diferentes, a transmissão. Os vacinados vão se infectar, mas têm menos chance de ficarem doentes porque o vírus vai circular, mas em muito menor quantidade, por causa da resposta imune. Todos os estudos mostram que a vacinação controla a disseminação viral. Digamos que você tomou vacina, pegou covid e desenvolveu algum sintoma. Você estará mais protegido e transmitirá menos — resume a imunologista.

Bonorino acrescenta que vacinas permitem a entrada do vírus, em vez de matá-lo logo na “entrada”, porque o sistema imunológico atua em lógica de “ondas” do mar. Em resumo, as defesas não ficam o tempo todo em alerta: são ativadas quando o vírus entra no organismo.

— Há um gasto energético muito grande para fazer a resposta de defesa. O sistema imune responde a desafios. Quando ele controla uma infecção, a maioria das células geradas não morrem. Elas mantêm uma população especial, que a gente chama de memória, que são como células-tronco que se renovam no corpo. Quando houver novo desafio (novo contato com o vírus), as células de memória vão se clonar e multiplicar — diz a imunologista.

É justamente porque vacinados transmitem o vírus (lembrando, menos do que não vacinados) que autoridades rogam que todos sigam com o uso de máscaras, buscando encontros ao ar livre e evitando aglomerações.

Conforme mais pessoas atingirem o esquema vacinal completo, mais será comum que a covid-19 manifeste apenas sintomas leves, como dor de garganta, dor de cabeça e, talvez, leve febre. Isso exige que tais manifestações não sejam tomadas como simples alergia e motivem o autoisolamento.

A lógica é solidária: vacinados que se cuidam ajudam a salvar a vida de quem ainda não recebeu duas doses. Neste momento, idosos começam a tomar a dose de reforço porque já registram queda de imunidade. Se você convive com pais e avós mais velhos, usar a máscara e manter os cuidados conhecidos é zelar pela saúde dos entes queridos.

— Quando a pessoa tiver tosse, dor de garganta, dor de cabeça e sensação de febre, pode ser covid, mesmo estando vacinada. É preciso ter pensamento coletivo: não é só minha saúde, mas também para quem posso transmitir e que pode evoluir de forma grave, seja idoso que precisa do reforço ou alguém que ainda não tomou a segunda dose. Não é o momento de relaxar com o uso de máscara — sintetiza a médica Andréa Dal Bó, integrante da Sociedade Sul-Riograndense de Infectologia (SRGI).

Já há forte consenso entre médicos e governantes do Brasil e de outros países que a vacinação é a principal responsável por proteger pessoas e enfraquecer a epidemia. Na quinta-feira (23), o Brasil registrou 876 novas mortes por covid-19, número bem abaixo do registrado no auge da epidemia, em abril, com mais de 4 mil vítimas contabilizadas em um único dia.

Levantamento de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que, entre maio e julho, 91,49% das pessoas que morreram de coronavírus no Brasil não tinham duas doses.

Já nos Estados Unidos, onde o movimento antivacina é forte e há regiões onde a cobertura de duas doses sequer passa dos 40%, a Delta vem provocando nova piora - a média móvel de vítimas diárias chegou, na quinta-feira (23), a 2 mil, o número mais alto desde fevereiro.

— As vacinas atualmente utilizadas impedem que uma pessoa fique muito doente, vá para a UTI e tenha óbito por causa da covid. Basta ver as curvas atuais da evolução da doença no Brasil para ver que os números despencaram. O número de pessoas nas UTIs diminuiu dramaticamente. Duas palavras: vacina funciona — resume Breno Riegel dos Santos, médico e chefe do setor de Infectologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição."

23/09/2021 – Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/09/com-o-avanco-da-vacinacao-veja-como-encontrar-pessoas-com-menos-riscos-20646176.html

“Com o avanço da vacinação, veja como encontrar pessoas com menos riscos

Uso de máscaras, preferência por ambientes ao ar livre e encontros com poucos indivíduos são os principais cuidados recomendados por médicos infectologistas

Correção: o percentual da população total imunizada com duas doses ou vacina de dose única no Brasil é de 38,2%, e não 51,4%, como apontava o texto da reportagem entre 17h17min e 20h15min. O texto foi corrigido.

O que no ano passado parecia mera possibilidade enfim se transformou em real: a vacinação contra a covid-19 no Brasil engrenou e, a despeito dos percalços, avança. O Brasil já cobriu mais de 66% de toda a população com a primeira dose e 38,2%  com duas doses ou vacina de dose única. No Rio Grande do Sul, o índice é ainda maior – 72% e quase 45%, respectivamente. Como resultado, cada vez mais brasileiros flexibilizam o distanciamento – e atividades como ver amigos e familiares para uma cerveja ou jantar ganham terreno.

Se duas doses de vacina reduzem os riscos contra o coronavírus, há consenso entre especialistas que, ainda que a vacinação tenha avançado, o momento atual não permite suspender todas as medidas de proteção, sob pena de o Brasil “queimar a largada”.

O primeiro motivo é que, proporcionalmente, ainda há muitas pessoas se infectando (a despeito de ser em patamares distantes do início do ano). O segundo é que faltam muitos indivíduos para tomar as duas doses e idosos para receber a terceira.

O terceiro motivo, que gera mais preocupação, é que países que atingiram o patamar que o Brasil atingiu em cobertura vacinal e que flexibilizaram em demasiado o distanciamento – em alguns casos, suspendendo até o uso de máscaras – colheram resultado negativo: aumento de casos, hospitalizações e mortes, com consequente volta de restrições ao comércio.

— O momento é muito bom, mas ainda não atingimos o nível de vacinação desejado. Estados Unidos e Israel abriram em excesso com a crença de que o nível de vacinação era suficiente, no nosso nível atual. Precisamos aprender com o que aconteceu lá e nos adequarmos. As pessoas podem entrar em contato com outras, se respeitarem as medidas — resume o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Ainda que a variante Delta não esteja causando o estrago causada em outros países, médicos destacam que novas variantes sempre trazem surpresa e que, neste momento, ainda não é possível cantar vitória “antes da hora”.

O país está conseguindo manter a tendência de queda de casos e mortes porque, além da vacinação, muitos brasileiros mantêm o uso de máscaras, buscam encontros ao ar livre e governos ainda não liberaram todas as atividades por completo, diz o médico Alexandre Zavascki, professor do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

— Ainda estamos em níveis altos de infecção. Vacinação, uso de máscara e controle de ocupação de ambientes fechados precisam seguir por um tempo maior. Atividades que envolvem agrupamento de pessoas, principalmente se não for ao ar livre, são de maior risco, porque basta um estar infectado para passar a mais pessoas — diz Zavascki. — Mais importante do que ter álcool gel é ter janelas abertas — completa o médico.

O médico Fabiano Ramos, chefe da Infectologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), alerta que momentos de descontração entre amigos e familiares são os relatos mais comuns de pacientes que se infectaram com coronavírus.

— Grande parte das contaminações é de alguém que leva o vírus para a família. Em encontros de pessoas que não convivem no dia a dia, o ideal é manter a máscara. Quando houver alimentação, que seja em ambiente arejado e com distanciamento de ao menos 1,5 metro — diz o infectologista.

Veja os principais cuidados trazidos por especialistas:

(no link)

Fonte: Médicos infectologistas Alessandro Pasqualotto, da Santa Casa; Alexandre Zavascki, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre; Fabiano Ramos, do Hospital São Lucas da PUCRS”

23/09/2021 – GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/entenda-por-que-a-variante-delta-nao-causou-aumento-de-casos-e-de-mortes-no-brasil-cktxkw1lb002v018gfqwf2iiz.html

“Entenda por que a variante Delta não causou aumento de casos e de mortes no Brasil

Manutenção das restrições e de cuidados pessoais, principalmente o uso de máscaras, são  motivos apontados por especialistas

Após causar explosão de casos e de mortes na Índia e em países com vacinação mais avançada, como Estados Unidos, Reino Unido e Israel, governantes brasileiros e profissionais da linha de frente do combate à pandemia temiam que a variante Delta do coronavírus causasse forte impacto e piora da pandemia no Brasil. No entanto, quatro meses após o primeiro registro em território nacional, as estatísticas apontam que a covid-19 segue em tendência de queda no país.

Em consenso, cinco especialistas entrevistados por GZH citam que a manutenção das restrições, de cuidados pessoais e, sobretudo, do uso de máscaras, estão impedindo que a Delta provoque aumento em casos e mortes por coronavírus.

Soma-se a isso o avanço da vacinação e o histórico de pessoas já infectadas - portanto, com grau de imunidade de curta duração. Ao mesmo tempo, pontuam que é preciso manter os cuidados até a cobertura vacinal no país crescer.

— A questão não é tanto se a Delta é transmissível. A culpa não é tanto do vírus, mas das pessoas. Qualquer vírus, se ver um monte de gente perto, vai ser transmitido. Ainda que haja adesão insuficiente ao uso de mascara e heterogeneidade no país, quem conteve a Delta foi a vacinação e uso de máscara. A vacinação, onde foi feita rapidamente, transformou a covid de uma doença de UTI para uma doença de manejo em casa — resume o virologista Paulo Brandão, professor da Universidade de São Paulo (USP).

Depois de brigar com a variante Gama, originária de Manaus, a Delta venceu e já predomina no Brasil, diz o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-Ômica, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que investiga quais cepas circulam no país. Apesar do desfecho, duas falhas no controle da pandemia acabaram, ironicamente, reduzindo os impactos da vitória da Delta em solo brasileiro.

— Tivemos surto de Gama com pico muito alto por semanas a fio em um grande contingente de pessoas, o que gerou imunidade natural na população, ainda que não seja muito duradoura. E outro auxílio foi o atraso na chegada das vacinas: muitas pessoas receberam a segunda dose quando a Delta chegou, então a imunidade está muito recente — diz Spilki.

O grande número de infectados entre fevereiro e abril, período em que o Rio Grande do Sul vivenciou colapso hospitalar, contribuem, diz Spilki, porque os níveis de cobertura vacinal brasileira não explicam sozinhos o cenário atual. Afinal, a proporção de imunizados é próxima ou até menor do que a registrada em outras nações que enfrentaram piora da epidemia quando da chegada da Delta.

Hoje, 67% dos brasileiros de todas as idades receberam a primeira dose e quase 40%, duas. No Rio Grande do Sul, a cobertura é maior: 73% de todos os gaúchos receberam a primeira aplicação e 45% estão com o esquema completo.

Quando Israel liberou o uso de máscara e passou a permitir maior circulação de pessoas, mais da metade da população ganhara duas doses. Nos Estados Unidos, a mesma medida ocorreu quando 46% dos habitantes haviam tomado a primeira dose e 35%, a segunda.

— No Brasil, a Delta veio, mas a população manteve cuidados e uso de máscara que, se não eram exemplares, foram suficientes. Por esse motivo, a variante não causou estragos previstos. Mas, se tivermos Carnaval na semana que vem, por exemplo, a aceleração no número de casos pode crescer muito — diz o médico Alessandro Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), citando ainda que a redução do intervalo entre as doses da AstraZeneca e da Pfizer pode ter contribuído para proteger mais a população.

No Rio Grande do Sul, a Delta é predominante, afirma Richard Salvato, responsável pela Vigilância Genômica da Secretaria de Estado da Saúde (SES-RS). Entre 76 amostras de agosto analisadas pela Universidade Feevale e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 84% eram Delta.

— A imunidade adquirida após infecção dura até cinco ou seis meses. Em conjunto com a parcela de vacinados, há parcela importante da população com resposta imune. Temos, então, um número menor da população suscetível. Mas essa imunidade causada pela infecção tende a decair, o que seria um cenário para a Delta causar um estrago — afirma Salvato.

Outro fator a ser levado em conta é que, em nações ricas onde a variante provocou recrudescimento da epidemia, há bolsões de não vacinados - o caso mais notável é dos Estados Unidos. No Brasil, onde o movimento antivacina é mais incipiente, a boa-vontade da população com imunizantes gera menor espaço para a Delta circular. Em Porto Alegre, por exemplo, 92% dos habitantes acima dos 12 anos já foram atrás da primeira dose.

Para Cezar Riche, médico infectologista no Hospital Mãe de Deus, locais com alta cobertura vacinal, como Rio Grande do Sul, estão mais protegidos contra novas ondas geradas pela Delta. O alto índice de imunizados em Porto Alegre, capital com alta densidade urbana e, portanto, com maior risco, também traz benefícios.

— A Delta aumentou o numero de surtos em hospitais, colégios e ILPIs (instituições de longa permanência, ou asilos) do Estado, mas em impacto muito menor do que o Rio de Janeiro, por exemplo, onde havia uma política de flexibilização maior. Estamos expandindo a vacinação a menores de idade e, depois de começar a ver idosos se infectarem, estamos voltando a vaciná-los. Temos estratégias de barreira para tolerar não só a Delta, como qualquer outra variante que possa vir — diz o infectologista.

Cuidados ainda são necessários

A despeito do cenário positivo, analistas afirmam que a preocupação com a Delta ainda não é página do passado. Flexibilizações exageradas, grandes aglomerações e liberação do uso de máscara podem permitir que a variante — assim como outra que eventualmente surgir — causem nova piora da epidemia, ainda que em patamares menos perigosos.

— De forma alguma a gente pode deixar de lado a preocupação. Se nossa teoria de que estaríamos em momento mais tranquilo como resultado do número de contaminações pela Gama em março, essa imunidade não dura para sempre. Além disso, vírus continua se mutando. Já há sublinhagens da Delta, e elas podem trazer consequências prejudiciais ao controle da circulação do vírus — observa Richard Salvato, da Vigilância Genômica do governo do Rio Grande do Sul.”

21/09/2021 – GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/com-o-avanco-da-vacinacao-veja-como-encontrar-pessoas-com-menos-riscos-cktuhzevu008m01933ju40pg0.html

“Com o avanço da vacinação, veja como encontrar pessoas com menos riscos

Uso de máscaras, preferência por ambientes ao ar livre e encontros com poucos indivíduos são os principais cuidados recomendados por médicos infectologistas

Correção: o percentual da população total imunizada com duas doses ou vacina de dose única no Brasil é de 38,2%, e não 51,4%, como apontava o texto da reportagem entre 17h17min e 20h15min. O texto foi corrigido.

O que no ano passado parecia mera possibilidade enfim se transformou em real: a vacinação contra a covid-19 no Brasil engrenou e, a despeito dos percalços, avança. O Brasil já cobriu mais de 66% de toda a população com a primeira dose e 38,2%  com duas doses ou vacina de dose única. No Rio Grande do Sul, o índice é ainda maior – 72% e quase 45%, respectivamente. Como resultado, cada vez mais brasileiros flexibilizam o distanciamento – e atividades como ver amigos e familiares para uma cerveja ou jantar ganham terreno.

Se duas doses de vacina reduzem os riscos contra o coronavírus, há consenso entre especialistas que, ainda que a vacinação tenha avançado, o momento atual não permite suspender todas as medidas de proteção, sob pena de o Brasil “queimar a largada”.

O primeiro motivo é que, proporcionalmente, ainda há muitas pessoas se infectando (a despeito de ser em patamares distantes do início do ano). O segundo é que faltam muitos indivíduos para tomar as duas doses e idosos para receber a terceira.

O terceiro motivo, que gera mais preocupação, é que países que atingiram o patamar que o Brasil atingiu em cobertura vacinal e que flexibilizaram em demasiado o distanciamento – em alguns casos, suspendendo até o uso de máscaras – colheram resultado negativo: aumento de casos, hospitalizações e mortes, com consequente volta de restrições ao comércio.

 — O momento é muito bom, mas ainda não atingimos o nível de vacinação desejado. Estados Unidos e Israel abriram em excesso com a crença de que o nível de vacinação era suficiente, no nosso nível atual. Precisamos aprender com o que aconteceu lá e nos adequarmos. As pessoas podem entrar em contato com outras, se respeitarem as medidas — resume o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Ainda que a variante Delta não esteja causando o estrago causada em outros países, médicos destacam que novas variantes sempre trazem surpresa e que, neste momento, ainda não é possível cantar vitória “antes da hora”.

O país está conseguindo manter a tendência de queda de casos e mortes porque, além da vacinação, muitos brasileiros mantêm o uso de máscaras, buscam encontros ao ar livre e governos ainda não liberaram todas as atividades por completo, diz o médico Alexandre Zavascki, professor do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

— Ainda estamos em níveis altos de infecção. Vacinação, uso de máscara e controle de ocupação de ambientes fechados precisam seguir por um tempo maior. Atividades que envolvem agrupamento de pessoas, principalmente se não for ao ar livre, são de maior risco, porque basta um estar infectado para passar a mais pessoas — diz Zavascki. — Mais importante do que ter álcool gel é ter janelas abertas — completa o médico.

O médico Fabiano Ramos, chefe da Infectologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), alerta que momentos de descontração entre amigos e familiares são os relatos mais comuns de pacientes que se infectaram com coronavírus.

— Grande parte das contaminações é de alguém que leva o vírus para a família. Em encontros de pessoas que não convivem no dia a dia, o ideal é manter a máscara. Quando houver alimentação, que seja em ambiente arejado e com distanciamento de ao menos 1,5 metro — diz o infectologista.

Veja os principais cuidados trazidos por especialistas: (ver mais pelo link)”

17/09/2021 –  Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/09/suspensao-de-vacinacao-em-adolescentes-e-criticada-por-especialistas-uso-e-seguro-afirmam-20645737.html

“Suspensão de vacinação em adolescentes é criticada por especialistas; uso é seguro, afirmam

Dos 3,53 milhões de adolescentes vacinados, 1,5 mil tiveram efeitos adversos, o que representa 0,042% do total

Após o Ministério da Saúde divulgar nota técnica na noite de quarta-feira (15) na qual orienta a suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades contra a covid-19, quatro especialistas da área da infectologia e imunologia entrevistados por GZH criticaram duramente a decisão e destacaram que a aplicação do grupo é segura e eficaz.

Em coletiva de imprensa nesta quinta (16), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, justifica a decisão porque, dentre 3,53 milhões de adolescentes vacinados, 1,5 mil tiveram efeitos adversos, o que representa 0,042% do total. Dentre quem registrou efeito adverso, 95% recebera vacinas não liberadas para a faixa etária, o que é considerado erro de aplicação.

Dos cerca de 3,53 milhões de adolescentes vacinados no Brasil, 3,51 milhões receberam Pfizer, mas 15,6 mil receberam CoronaVac, 10,3 mil receberam AstraZeneca e 806, Janssen. No Rio Grande do Sul, ainda de acordo com a pasta, 57,9 mil adolescentes receberam Pfizer, porém 914 receberam CoronaVac, 838 AstraZeneca e 26, Janssen.

Queiroga ainda citou que uma pessoa morreu após receber uma dose da Pfizer - não está provada relação entre os fatos. Em nota, a farmacêutica destaca que “até o momento, não foi estabelecida relação causal entre o ocorrido e o imunizante da Pfizer”.

O Ministério da Saúde afirmou na nota que a média é de 16 casos de miocardite (inflamação em músculos cardíacos) a cada 1.000.000 de pessoas que recebem duas doses. O risco, considerado baixo, foi levado em conta na liberação de uso da Pfizer em países como Estados Unidos, Israel, Canadá, França, Chile e Itália.

Os estudos mostram que a Pfizer é segura para adolescentes e os raríssimos efeitos adversos não inviabilizaram a aprovação do imunizante pela Anvisa e pelas agências reguladoras dos Estados Unidos e da Europa, destaca o médico Antonio Carlos Bandeira, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

— É um equívoco neste momento propor a suspensão. Essa nota não tem nada técnico, não atende às necessidades que o país encara de continuar expandindo a vacinação até os 12 anos para não ter terceira onda. Ela precisa ser imediatamente revista. É um absurdo. Cada vacina pode ter um efeito colateral, mas muito raro — afirma o médico.

A decisão é um erro na visão da imunologista Cristina Bonorino, integrante do Comitê de Acompanhamento de Efeitos Adversos do governo do Rio Grande do Sul e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

la entende que, se prefeituras aplicaram em adolescentes AstraZeneca, CoronaVac e Janssen, o que não está autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a solução é acompanhá-los e orientar postos de saúde a tomar cuidado a partir de agora, e não suspender a aplicação da Pfizer em todos os jovens sem comorbidades.

— Os erros vacinais que o Ministério apontou não são razão para suspender a vacinação, e sim para aumentar campanha de esclarecimento. O evento adverso relatado não tem evidência de que esteja ligado à Pfizer. O ministro disse que há eventos adversos de pessoas que receberam a vacina errada, não falou de efeitos confirmados na vacina da Pfizer em adolescentes. Não tem razão para suspender a vacinação — diz a imunologista.

A situação parece lembrar a suspensão de uso da AstraZeneca em grávidas, porém há uma diferença: naquele caso, a Anvisa recomendou a suspensão de uso nas gestantes, enquanto que, hoje, a agência mantém a recomendação de uso da Pfizer em adolescentes.

— Eventos de miocardite são algo muito pequeno. Isso dá uma dimensão de que a vacina baseada em RNA mensageiro seja relativamente segura — afirma o médico Eduardo Sprinz, chefe da Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Sprinz acrescenta que, a despeito de o Ministério da Saúde citar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) é contra a vacinação de adolescentes, na verdade a entidade diz que eles não devem ser priorizados antes de países pobres aplicarem doses em adultos - o objetivo é incentivar a doação de imunizantes por nações mais ricas.

A médica Raquel Stucchi, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que a Pfizer já foi aplicada em milhões de adolescentes ao redor do mundo e que não há relatos de que efeitos adversos graves sejam comuns.

Se o Brasil vacinou 3,53 milhões de adolescentes, os Estados Unidos já aplicaram a primeira dose em 14 milhões de jovens e a segunda dose em 11,1 milhões, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção a Doenças (CDC).

— Não existe risco zero e vacina isenta de toda e qualquer reação, mas a frequência é muito menor do que o risco de adolescentes terem covid grave e serem internados. Se o evento adverso grave infelizmente aconteceu, mas os casos graves e a mortalidade são maiores, manter a vacinação é justificável. Essa nota técnica cria um cenário muito favorável para desinformação e desconfiança, tudo que a gente não precisa neste momento — diz a médica infectologista.”

16/09/2021 –  GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/suspensao-de-vacinacao-em-adolescentes-e-criticada-por-especialistas-uso-e-seguro-afirmam-cktnfyqdv009a0193fa2dknak.html

“Suspensão de vacinação em adolescentes é criticada por especialistas; uso é seguro, afirmam

Dos 3,53 milhões de adolescentes vacinados, 1,5 mil tiveram efeitos adversos, o que representa 0,042% do total

Após o Ministério da Saúde divulgar nota técnica na noite de quarta-feira (15) na qual orienta a suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades contra a covid-19, quatro especialistas da área da infectologia e imunologia entrevistados por GZH criticaram duramente a decisão e destacaram que a aplicação do grupo é segura e eficaz.

Em coletiva de imprensa nesta quinta (16), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, justifica a decisão porque, dentre 3,53 milhões de adolescentes vacinados, 1,5 mil tiveram efeitos adversos, o que representa 0,042% do total. Dentre quem registrou efeito adverso, 95% recebera vacinas não liberadas para a faixa etária, o que é considerado erro de aplicação.

Dos cerca de 3,53 milhões de adolescentes vacinados no Brasil, 3,51 milhões receberam Pfizer, mas 15,6 mil receberam CoronaVac, 10,3 mil receberam AstraZeneca e 806, Janssen. No Rio Grande do Sul, ainda de acordo com a pasta, 57,9 mil adolescentes receberam Pfizer, porém 914 receberam CoronaVac, 838 AstraZeneca e 26, Janssen.

Queiroga ainda citou que uma pessoa morreu após receber uma dose da Pfizer - não está provada relação entre os fatos. Em nota, a farmacêutica destaca que “até o momento, não foi estabelecida relação causal entre o ocorrido e o imunizante da Pfizer”.

O Ministério da Saúde afirmou na nota que a média é de 16 casos de miocardite (inflamação em músculos cardíacos) a cada 1.000.000 de pessoas que recebem duas doses. O risco, considerado baixo, foi levado em conta na liberação de uso da Pfizer em países como Estados Unidos, Israel, Canadá, França, Chile e Itália.

Os estudos mostram que a Pfizer é segura para adolescentes e os raríssimos efeitos adversos não inviabilizaram a aprovação do imunizante pela Anvisa e pelas agências reguladoras dos Estados Unidos e da Europa, destaca o médico Antonio Carlos Bandeira, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

— É um equívoco neste momento propor a suspensão. Essa nota não tem nada técnico, não atende às necessidades que o país encara de continuar expandindo a vacinação até os 12 anos para não ter terceira onda. Ela precisa ser imediatamente revista. É um absurdo. Cada vacina pode ter um efeito colateral, mas muito raro — afirma o médico.

A decisão é um erro na visão da imunologista Cristina Bonorino, integrante do Comitê de Acompanhamento de Efeitos Adversos do governo do Rio Grande do Sul e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Ela entende que, se prefeituras aplicaram em adolescentes AstraZeneca, CoronaVac e Janssen, o que não está autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a solução é acompanhá-los e orientar postos de saúde a tomar cuidado a partir de agora, e não suspender a aplicação da Pfizer em todos os jovens sem comorbidades.

— Os erros vacinais que o Ministério apontou não são razão para suspender a vacinação, e sim para aumentar campanha de esclarecimento. O evento adverso relatado não tem evidência de que esteja ligado à Pfizer. O ministro disse que há eventos adversos de pessoas que receberam a vacina errada, não falou de efeitos confirmados na vacina da Pfizer em adolescentes. Não tem razão para suspender a vacinação — diz a imunologista.

A situação parece lembrar a suspensão de uso da AstraZeneca em grávidas, porém há uma diferença: naquele caso, a Anvisa recomendou a suspensão de uso nas gestantes, enquanto que, hoje, a agência mantém a recomendação de uso da Pfizer em adolescentes.

— Eventos de miocardite são algo muito pequeno. Isso dá uma dimensão de que a vacina baseada em RNA mensageiro seja relativamente segura — afirma o médico Eduardo Sprinz, chefe da Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Sprinz acrescenta que, a despeito de o Ministério da Saúde citar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) é contra a vacinação de adolescentes, na verdade a entidade diz que eles não devem ser priorizados antes de países pobres aplicarem doses em adultos - o objetivo é incentivar a doação de imunizantes por nações mais ricas.

A médica Raquel Stucchi, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que a Pfizer já foi aplicada em milhões de adolescentes ao redor do mundo e que não há relatos de que efeitos adversos graves sejam comuns.

Se o Brasil vacinou 3,53 milhões de adolescentes, os Estados Unidos já aplicaram a primeira dose em 14 milhões de jovens e a segunda dose em 11,1 milhões, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção a Doenças (CDC).

— Não existe risco zero e vacina isenta de toda e qualquer reação, mas a frequência é muito menor do que o risco de adolescentes terem covid grave e serem internados. Se o evento adverso grave infelizmente aconteceu, mas os casos graves e a mortalidade são maiores, manter a vacinação é justificável. Essa nota técnica cria um cenário muito favorável para desinformação e desconfiança, tudo que a gente não precisa neste momento — diz a médica infectologista.”

15/09/2021 –  GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/quem-ja-pode-tomar-qual-vacina-sera-aplicada-e-mais-confira-perguntas-e-respostas-sobre-a-dose-de-reforco-contra-a-covid-19-cktm7hetm00cl0193sxzisjch.html

Quem já pode tomar, qual vacina será aplicada e mais: confira perguntas e respostas sobre a dose de reforço contra a covid-19

Na Capital, aplicação da terceira dose em idosos com 70 anos ou mais começou nesta quarta-feira

A segunda semana de setembro trouxe grandes novidades na campanha de vacinação contra a covid-19 no Brasil: idosos com 70 anos ou mais começam a receber a terceira dose, imunossuprimidos estão aptos para o reforço, adolescentes sem comorbidades ganham a primeira aplicação e certos municípios reduzem o intervalo entre as doses da Pfizer,  como no caso de Porto Alegre. Veja perguntas e respostas sobre as mudanças com o avanço da vacinação pelo país:

Quem pode tomar a terceira dose?

Todo idoso acima dos 70 anos que recebeu a segunda dose há mais de seis meses e imunossuprimido que recebeu  segunda dose há pelo menos 28 dias, independentemente do imunizante usado - seja CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer ou Janssen. Para isso, é preciso olhar para a data da carteira de vacinação, uma vez que, a cada dia que passa, potencialmente novas pessoas estão aptas. No Rio Grande do Sul, a terceira dose já vinha sendo aplicada em idosos com 60 anos ou mais que vivem em asilos.

Quem são os imunossuprimidos?

Pessoas com problemas no sistema imunológico por uma doença específica ou porque usam remédio contra alguma doença e cujo efeito colateral é reduzir as defesas do organismo. No Rio Grande do Sul, o grupo representa cerca de 49 mil pessoas, conforme Tani Ranieri, diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, entram no grupo: 

  •  Pessoas que realizam quimioterapia para câncer.
  • Transplantados de órgão sólido ou de células tronco hematopoiéticas (TCTH) em uso de drogas imunossupressoras.
  • Pessoas vivendo com HIV/Aids com CD4 <200 céls/mm3.
  • Uso de corticoides em doses =20 mg/dia de prednisona, ou equivalente, por =14 dias.
  • Uso de algumas drogas modificadoras da resposta imune.
  • Pacientes em hemodiálise.
  • Pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas (reumatológicas, autoinflamatórias, doenças intestinais inflamatórias).

A vacinação de imunossuprimidos está liberada em Porto Alegre?

Imunossuprimidos podem receber a dose de reforço a partir desta quinta-feira (16).

Qual vacina será aplicada na terceira dose?

O Ministério da Saúde orienta que a terceira dose seja com Pfizer. Caso não haja no estoque, é possível aplicar a AstraZeneca. Em São Paulo, o governo decidiu que poderá ser usada a terceira dose da CoronaVac, ao contrário do estabelecido pelo governo federal.

Quais os critérios para as cidades aplicarem a terceira dose na população?

Segundo Tani Ranieri, da Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS), o Estado já enviou doses o suficiente para todos os municípios começarem a aplicação de idosos com 70 anos ou mais. Os municípios, portanto, estão aptos a começarem em toda a faixa etária, como faz Porto Alegre.

Nem todos os municípios respeitam essa diretriz — em muitos casos, sob a justificativa de evitar aglomerações. Em Santa Maria e Alvorada, por exemplo, agora está liberada apenas a vacinação para pessoas com 85 anos ou mais.

É seguro tomar terceira dose de Pfizer se antes tomei CoronaVac? E se tomei AstraZeneca?

Especialistas na área de vacinação e infectologia entendem que sim. Há diversos estudos apontando que a medida, chamada de intercambialidade vacinal ou vacinação cruzada, oferece grande proteção com terceira dose de Pfizer e AstraZeneca. Não há estudos sobre o uso cruzado entre CoronaVac e Pfizer ou CoronaVac e AstraZeneca, mas analistas afirmam que, pela lógica de funcionamento das vacinas, a opção é segura e eficaz.

O médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), esclarece que, com base no funcionamento do sistema imune, não há por que pensar que a combinação faça mal. 

– A terceira dose confere proteção adicional às pessoas mais vulneráveis para não adoecerem de forma grave. Considerando a segurança da vacina da Pfizer e da CoronaVac, não há por que supor que é arriscado tomar outra dose. A aplicação cruzada estimula o sistema imune de formas variadas para o organismo se proteger melhor – diz Pasqualotto.

O médico Alexandre Zavascki, infectologista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e chefe da Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, explica que o sistema imunológico não vai “entrar em pane” com o uso de doses cruzadas.

– Não temos é ensaio clínico mostrando que a eficácia da terceira dose trocada é superior. Mas sabemos que isso eleva a quantidade de anticorpos neutralizantes e sabemos que há correlação entre a quantidade de anticorpos neutralizantes e o efeito protetor da vacina. Esse é o raciocínio – afirma o infectologista.

O médico Fabiano Ramos, chefe da Infectologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), esclarece que a CoronaVac é uma vacina com tecnologia extremamente segura e que estudos e vida real mostram que Pfizer e AstraZeneca também não oferecem riscos.

– A reação esperada é para o uso da vacina específica, não da intercambialidade – resume.

Como será o calendário em Porto Alegre?

Desde esta quarta-feira (15), todos os idosos com 70 anos ou mais que tomaram a segunda dose há seis meses (em 11 de março) podem fazer a terceira dose. Imunossuprimidos que tomaram a segunda dose há 28 dias podem buscar os pontos de vacinação a partir de quinta-feira (16).

A partir de quinta-feira (16), a vacinação também está liberada para adolescentes sem comorbidades com 15 anos ou mais. Segundo o vice-prefeito da capital, Ricardo Gomes (MDB), a faixa etária poderá cair para adolescentes de 12 anos na sexta-feira (17).

Para dialogar com sommeliers de vacinas que ainda não se vacinaram, o vice-prefeito ainda acrescentou que a cidade tem estoque para aplicar a primeira dose da Pfizer:

– Todas as vacinas funcionam, todas são boas. Mas se eventualmente alguém não se vacinou ainda por ter identificado que havia imunizante de outras farmacêuticas, agora comunicamos que temos estoque de vacina da Pfizer. Queremos ampliar ao máximo a vacinação – disse Ricardo Gomes.

Haverá aplicação de terceira dose em casa para idosos com saúde debilitada na Capital? Quando?

Sim, será possível agendar a terceira dose de idosos acamados, mas é preciso aguardar as equipes da prefeitura terminarem a aplicação em idosos que vivem em asilos, o que deve ocorrer na semana que vem, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. Detalhes serão divulgados pela prefeitura nos próximos dias.

Quais deverão ser os próximos grupos prioritários?

Não há, ainda, comunicação oficial do governo federal sobre quais serão os próximos grupos prioritários. O ministro da saúde, Marcelo Queiroga, encomendou pesquisa para averiguar se há aumento de hospitalizações e mortes de profissionais da saúde a fim de avaliar a possibilidade de terceira dose no grupo. Em outra frente, o Estado de São Paulo decidiu, por conta própria, aplicar a terceira dose em idosos de 60 a 69 anos.

O governo do Rio Grande do Sul segue instruções do Ministério da Saúde para avançar em outros grupos, mas tem a expectativa de incluir, a seguir, idosos entre 60 e 69 anos, cogita Tani Ranieri, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde.

— A gente já iniciou a vacinação de 60 anos em idosos ILPIs (Instituições de Longa Permanência, ou asilos) sem estar pactuado pelo Ministério da Saúde porque havia surtos. Acredito que mais adiante o Ministério incluirá idosos com 60 anos ou mais porque a partir dessa idade temos evidência de maior mortalidade. Já profissionais da saúde não são, com os dados do momento, grupo com maior risco. Se forem, eu diria que precisam ser os da linha de frente — diz Tani, reforçando que qualquer avanço depende de envio de novas doses pelo Ministério da Saúde.

O Conselho de Secretários Municipais do Rio Grande do Sul (Cosems-RS) afirma que é favorável à inclusão de profissionais da saúde, mas que aguarda autorização do Ministério da Saúde, explicou o presidente da entidade e secretário da Saúde de Canoas, Maicon Lemos.

Afinal, qual o intervalo para a segunda dose da AstraZeneca e da Pfizer?

O Ministério da Saúde anunciou na noite desta quarta-feira (15) que mantém a recomendação do intervalo de 12 semanas para aplicação da segunda dose da vacina AstraZeneca, abandonando a possibilidade de oito semanas, anunciada pelo ministro Marcelo Queiroga.

Atualmente, vigora no Rio Grande do Sul a orientação para que o prazo entre as aplicações de ambos os imunizantes seja de 10 a 12 semanas, conforme resolução, datada de 16 de julho, da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), que reúne a Secretaria Estadual da Saúde (SES) e secretarias municipais. 

Em Porto Alegre, o intervalo da AstraZeneca se mantém em 10 semanas, mas a prefeitura liberou por conta própria, na terça-feira (14), a redução do intervalo apenas da Pfizer porque possui doses em estoque. O intervalo passa a ser de oito semanas. A Capital gaúcha aguarda envio de novas remessas de AstraZeneca para tomar a mesma decisão.

Haverá vacinas suficientes com todas as mudanças?

O Ministério da Saúde afirma que sim, tendo em vista o anúncio de repasse de doses dos laboratórios farmacêuticos, mas gestores locais afirmam que ainda não.

Com as doses recebidas até agora, é possível aplicar a terceira dose em idosos de até 70 anos que receberam duas doses ou dose única da Janssen até seis meses atrás, além de imunossuprimidos que completaram o esquema até 28 dias atrás, esclarece o presidente do Conselho dos Secretários Municipais do Rio Grande do Sul (Cosems-RS).

O estoque não permite reduzir o intervalo da Pfizer e da AstraZenca, o que explica a medida não ter sido impelementada no Estado ainda, afirma Tani Ranieri, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde. A alteração ocorrerá quando o governo gaúcho receber novas remessas do Ministério da Saúde.

A Secretaria Municipal da Saúde da Capital informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que Porto Alegre apenas anuncia o avanço na vacinação quando há doses em estoque - uma forma de evitar problemas por atraso no repasse de laboratórios. Portanto, as medidas anunciadas para a cidade, como a vacinação de adolescentes, a terceira dose em idosos e a redução de intervalo da Pfizer foram tomadas com base no estoque.

13/09/2021 –  Conexão GloboNews 

Link: https://g1.globo.com/globonews/estudio-i/video/estamos-desde-o-inicio-com-falta-de-coordenacao-nacional-diz-especialista-sobre-antecipacao-da-2a-dose-diante-da-falta-de-vacinas-9854379.ghtml

‘Estamos desde o início com falta de coordenação nacional’, diz especialista sobre antecipação da 2ª dose diante da falta de vacinas


A médica imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Cristina Bonorino, comenta a antecipação da segunda dose de vacinas contra a Covid diante da falta de imunizantes pelo Brasil.

13/09/2021 –  GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/saiba-quais-sao-os-cuidados-mais-eficazes-contra-a-covid-19-um-ano-e-meio-apos-o-inicio-da-pandemia-cktj3zonu004q0193lrrybzwx.html

Saiba quais são os cuidados mais eficazes contra a covid-19, um ano e meio após o início da pandemia

Desde o começo da crise sanitária, ciência já comprovou que a principalmente forma de transmissão do coronavírus é pelo ar, e não pelo contato com superfícies infectadas

Depois de um ano e meio desvendando o coronavírus, a comunidade científica já acumula descobertas que permitem estabelecer diferenças de efetividade entre os cuidados preventivos que eram recomendados no início da crise sanitária e no momento atual.

A grande novidade entre os dois extremos temporais é campanha de vacinação — o que não habilita as pessoas a dispensarem os cuidados não farmacológicos, mesmo com o esquema vacinal completo (duas doses ou dose única, conforme o laboratório fabricante).

Em termos gerais, seguem válidas as mesmas recomendações, com mais atenção a determinados aspectos. A constatação de que a transmissão do coronavírus se dá muito mais pelo ar do que pelo contato com superfícies contaminadas ressalta quão fundamentais são o uso correto de máscara, a ventilação de ambientes e o distanciamento entre pessoas, mas não inutiliza o uso de álcool gel — que virou um quase sinônimo de protocolo inútil em memes que circulam pelas redes sociais. 

Melissa Markoski, bióloga, doutora em Biologia Celular e Molecular e professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), lembra que, no começo de 2020, acreditava-se que o sars-cov-2 agisse de forma muito semelhante ao H1N1, vírus causador da gripe e que também provocou uma pandemia. A onipresença dos frascos de álcool gel em locais públicos é, em parte, herança do aprendizado daquela época, mais de uma década atrás. A substância diminui a transmissão de agentes biológicos e ajuda no controle de infecção, prática fundamental em hospitais, por exemplo.

— Mas o coronavírus persiste muito mais em suspensão, com os aerossóis. Também se deposita em superfícies, mas o mais perigoso é o ar. Os vírus das gotículas em suspensão têm maior facilidade de penetrar nos nossos tecidos, conseguem chegar aos pulmões e à corrente sanguínea. A penetrância é maior — explica Melissa, também membro da Rede Análise Covid-19.

Há locais onde a limpeza das superfícies continua sendo fundamental. Em um restaurante, por exemplo, em que os ocupantes de uma mesa tiram as máscaras para ingerir alimentos e bebidas, além de conversar, é necessário limpar a área antes que os próximos clientes se acomodem. 

— Se alguém está contaminado ali, deposita muitas gotículas contaminadas — detalha Melissa, lembrando de um alerta do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), a agência nacional de saúde pública dos Estados Unidos. — No início do ano, o CDC publicou uma nota atentando para os aerossóis sem desmerecer os protocolos de limpeza de superfície — acrescenta. 

Lavar as mãos após tocar em corrimãos, maçanetas, assentos de transporte coletivo e outros pontos onde há grande circulação de pessoas continua sendo uma medida válida. “Dar banho” nas compras do supermercado, por outro lado, deixou de ser tarefa imprescindível, como pontua a médica infectologista Andréa Dal Bó, membro da Sociedade Rio-Grandense de Infectologia.

— Não existe mais algo que corrobore esse tipo de medida. O vírus se inviabiliza (nessas superfícies). Do ponto de vista sanitário, se as pessoas quiserem manter essa medida, é saudável, pensando em bactérias que possam estar levando para casa — afirma Andréa, destacando que deixar os sapatos do lado de fora da casa, antes de entrar, também é um bom hábito de higiene. 

Apesar da repetição exaustiva por parte de médicos e especialistas sérios e autoridades sanitárias, Andréa reforça um lembrete importante: 

— Não existe ainda nenhuma medicação preventiva para a covid-19. Nem vitaminas, nem zinco, nem cloroquina, nem ivermectina. 

Confira, a seguir, o detalhamento de quatro pontos essenciais para a prevenção da infecção pelo coronavírus, lembrando que tomar a vacina respeitando os intervalos em vigor entre as doses é o cuidado número um.

ALÉM DA VACINAÇÃO, O QUE FAZER PARA EVITAR A COVID-19

USO DE MÁSCARA

- Máscaras do tipo PFF2 ou N95: são as que mais protegem. Têm múltiplas camadas, poros menores e clipe nasal para melhor vedação. Os elásticos, presos atrás da cabeça e do pescoço, podem ser adequados para que o acessório cubra o nariz e a boca da melhor forma possível. Faça um teste depois de colocá-la: inspire e solte o ar para observar se há escapes. A médica infectologista Andréa Dal Bó indica que cada máscara pode ser usada por um turno único de 12 horas ou três turnos de quatro horas — depois, precisa ser descartada. Entre uma e outra utilização, acondicione-a em uma embalagem plástica ou de papel, deixando os elásticos para fora. Há especialistas que indicam um revezamento entre máscaras, respeitando-se um intervalo de alguns dias entre cada uso. 

— Máscara cirúrgica: com camada tripla e clipe sobre o nariz, é a segunda melhor indicação, conforme a bióloga Melissa Markoski. Andréa recomenda que, se necessário (no caso de o acessório ser muito grande e ficar frouxo), faça-se um nó nos elásticos perto do tecido — a sobra do tecido deve ser colocada para dentro do acessório — e não atrás das orelhas. 

— Máscara de tecido: deve ter três camadas (uma de poliéster entre duas de algodão) e pregas laterais, para dar maior amplitude. Também precisa ficar bem ajustada ao rosto, sem folgas ou áreas de escape. 

—Combinação de duas máscaras: a infectologista Andréa salienta que a máscara de tecido colocada por cima da máscara cirúrgica oferece proteção quase equivalente à da máscara profissional.

— É fundamental não ficar tocando na máscara, o que a deixa suja e contaminada. Quando tiver que manipulá-la, higienize as mãos antes e depois. 

— Tenha sempre em mente que a máscara só cumprirá o papel protetor tendo boa vedação permanentemente. Não adianta adquirir um estoque de máscaras PFF2 e não usá-las com plena vedação no rosto. 

DISTANCIAMENTO E VENTILAÇÃO DE AMBIENTES

— Quanto melhor a qualidade da máscara, mais segura a pessoa estará ao conversar com alguém a 1,5 metro de distância, frisa Melissa Markoski. As gotículas expelidas serão contidas por essa barreira, e o que eventualmente escapar de aerossóis se dispersará antes de atingir o interlocutor. Quanto mais simples e menos eficiente o tipo de máscara, maior deverá ser o distanciamento e a ventilação do ambiente. 

— O conceito de aglomeração pode dar a ideia de dezenas de indivíduos concentrados, mas um jantar que reúne dois ou três casais de amigos dentro de casa já pode configurar uma situação de grande risco. Melissa alerta para a importância do comportamento habitual de cada um: a pessoa com quem você vai se encontrar tem circulado sem restrições por diversos ambientes? Costuma frequentar restaurantes? São fatores que precisam ser considerados no momento de cogitar se encontrar com quem não mora na mesma casa. 

— Andréa destaca que encontros de familiares e amigos não devem acontecer, mas, se ocorrerem, precisam ser ao ar livre ou em locais muito bem arejados. Evite almoços e jantares sem o distanciamento adequado. Pessoas que comem próximas umas das outras em locais abertos também se expõem ao risco de infecção. Membros de uma mesma família, que residem juntos, podem se alimentar perto uns dos outros. 

— Abrir uma janela da sala, simplesmente, não torna o ambiente bem ventilado. É preciso ter fluxo de ar para uma renovação rápida. Abrir a janela que fica diante de uma porta, por exemplo, aumenta essa velocidade de circulação, mas essa renovação de ar ainda pode levar até 30 minutos, avisa Melissa

— Aparelhos de ar-condicionado domésticos não proporcionam renovação de ar, apenas recirculação — ou seja, o mesmo ar viciado é jogado de dentro do equipamento para fora, ininterruptamente. Se apenas coabitantes estiverem na casa, sem problemas. Mas, quando se reunirem pessoas que não moram juntas, é preciso manter uma janela aberta. 

— Ventilação em veículos de transporte público também é essencial. Peça ao motorista de táxi ou de aplicativo para abrir janelas opostas. Em ônibus e lotações, o ideal também é manter janelas abertas. 

— Em escritórios onde há refeitório, copa ou cozinha para alimentação dos funcionários, deve-se estabelecer escalas para a utilização desses espaços. O fato de dois colegas trabalharem juntos diariamente não os torna seguros um para o outro. A máscara deve ser retirada somente no momento da ingestão de alimentos, o que deve ser feito distante dos demais. Ao comer, liberamos gotículas ao redor, e quem estiver infectado estará colocando os demais em risco. 

— Uma reunião em que todos tiram as máscaras para tomar cafezinho já pode ser considerada uma aglomeração. Evite comer ou beber no ambiente de trabalho se não for estritamente necessário, buscando sempre lugares mais afastados dos demais colegas. 

HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS

— A transmissão do coronavírus é menor por contato, mas acontece. Por isso, profissionais de saúde continuam vestindo aventais e luvas ao lidar com pacientes infectados.

— Mantenha as mãos limpas pelo maior período possível de tempo, lavando-as com água e sabonete ou aplicando álcool em gel, esfregando bem as palmas, o dorso e entre os dedos. Sem perceber, tocamos o rosto com frequência, o que pode comprometer a eficácia da máscara ou contaminar boca, nariz e olhos diretamente. Quanto mais limpas as mãos estiverem, menor o risco de contaminação, diz Melissa.

— Continua valendo a orientação de higienizar as mãos após tocar em maçanetas e corrimãos ou outros pontos onde várias pessoas encostam. 

10/09/2021 –  Estadão – Estado de Arte

Link: https://estadodaarte.estadao.com.br/a-peste-camus-desastres-rdl/

Nossos desastres e nosso arquidesastre

Por Rodrigo de Lemos

Rodrigo de Lemos é doutor em Literatura pela UFRGS-RS e professor de Língua e Cultura Francesa na UFCSPA-RS. Escreve sobre Cinema e Literatura no Estado da Arte.

Enquanto o Mundo se Desfaz, livro de Rodrigo de Lemos — colaborador do Estado da Arte — é um ensaio sobre ler ‘A Peste’, de Albert Camus, em tempos de quarentena. Pela editora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, trata-se de uma alentada reflexão sobre a mensagem de Camus e La peste no mundo de hoje.

No Estado da Arte, além do link para download gratuito, o leitor encontra ‘Nossos desastres e nosso arquidesastre’ — trecho do livro que serve de paradigma para compreensão do ensaio camuseano e para um contato com a erudição e a elegância da prosa de Rodrigo.

Nossos desastres e nosso arquidesastre

O ensaio camusiano está muito longe de se regozijar na visão do mundo angélico ao fim das Reflexões sérias, de Defoe. Longe disso, está precisamente na ausência do divino — questão ainda mais candente do que a da possibilidade da sua mera inexistência — o problema comum a O mito de Sísifo e a O homem revoltado. Ademais, a constatação dessa ausência oferece um fio unificador dessa escrita de ideias com a alegoria de A peste, em especial nas dimensões histórica e moral.

Ambos os ensaios, separados por quase dez anos, articulam uma dialética entre o absurdo (cuja personificação é Sísifo) e a revolta (anunciada desde o título do segundo livro e encarnada no mito de Prometeu). São tantas maneiras distintas de evocar o que poderíamos chamar de nosso arquidesastre, subjacente aos nossos momentos de aparente normalidade e aos nossos desastres específicos, o qual descrevemos em seguida.

Permitimo-nos esta digressão a fim de expor como a perspectiva do arquidesastre pode afinar nossas concepções sobre a própria concepção de desastre (e da qual a peste em Orã é apenas uma ocorrência entre tantas, embora significativa). Ela opera uma importante inversão no modo de ver. Isso porque essa ideia do desastre, sempre ideia de um desastre, é primeira a surgir em nossa consciência quanto à do arquidesastre, antecedendo-a enquanto fenômeno e empiria; entretanto, na visão que doravante propomos, ela seria, na verdade, uma realidade secundária e ontologicamente dependente do arquidesastre, esse sim nossa condição primeva. Explica-se: o pensamento que só reconhece o desastre (ou desastres) pode inclinar-se a imaginar a errância do homem no mundo como uma caminhada de duração indefinida, tendo ele os pés solidamente firmes numa gigantesca planície terrosa, em aparência sem limites; um dia, sem que ele espere, um buraco, contingente e imprevisível — um desastre: peste em Orã, guerra, câncer, desamor, suicídio —, traga seus passos e interrompe a marcha; não fosse esse buraco, assim vai sua crença, ela poderia prosseguir continuamente.

Ora, a metáfora de nós mesmos e do que somos sofre importantes modificações ao seguirmos a picada aberta pelo pensamento do arquidesastre. Nela, somos patinadores condenados a deslizar sem trégua num infinito lago de gelo fino; sabemos que, em algum momento (agora, no próximo instante, em dois dias, em cinco anos), pela própria situação das coisas no tempo, o gelo vai romper; vão assomar (ou nos sorver) as potências selvagens e destrutivas do arquidesastre que esperam sob nossos pés, jazendo abaixo do branco liso em que patinamos, tranquilos; estamos conscientes de que o momento em que o buraco no gelo se alargar e em que o desastre se proclamar (ou um desastre: peste, guerra, câncer, desamor, suicídio) nada mais será do que a manifestação empírica e necessária do que estava dado a acontecer, sendo variável apenas o ponto em que o gelo quebraria, se hoje ou amanhã, bem como a forma específica e individual do desastre com que o arquidesastre nos absorveria em suas águas gélidas. E, no entanto, patinamos mais cem, mais duzentos metros, sabendo-nos aleatoriamente poupados; conseguimos terminar mais um parágrafo, concluir uma conversa ou um filme ou uma canção, aliviados, sem que o telefone toque com péssimas notícias, nem que caiamos da atmosfera, onde respiramos despreocupados, até as águas turvas, asfixiantes e enregelantes que jazem lá embaixo, embora nem sempre possamos vê-las. Daí esse sentimento, podemos supor, que assombra Rieux, de que não é dado a homem algum viver plenamente livre enquanto existirem os flagelos. Mas como patinamos sobre eles…

É bem verdade, não haveria, no pensamento do arquidesastre, nada nem ninguém a quem ser grato pelo adiamento momentâneo do nosso desastre pessoal e intransferível; mesmo assim, nossa inconsciência quanto a cada um dos pontos de gelo fino do imenso lago, e também nossa certeza de que toparemos forçosamente com alguma dessas zonas de desastre, ao menos permitem que sigamos na nossa patinação irresponsável e irrefletida, sem nos atirarmos de propósito no primeiro buraco aberto no gelo, por medo de podermos, um dia, ser sugados por ele; até mesmo podemos, em certos momentos, distraídos, apreciar a paisagem de pássaros e de montanhas ao nosso redor. Imbuídos do pensamento do arquidesastre, ao menos, somos capazes de pouparmo-nos ao ressentimento cósmico daquele que acredita na solidez dos seus passos sobre a terra e que, de súbito, vê-se confrontado à sua própria queda em algum buraco fatal. É que a consciência do arquidesastre inscreve na angústia a extensão inteira de uma vida que nela transcorre; talvez valha a pena esperar, em compensação, que ao menos possa poupar-nos a alguns dissabores humilhantes, posto que são fundados em expectativas fantasiosas quanto ao que é um homem e quanto ao solo em que pisa.

09/09/2021 – Porto Alegre 24 horas

Link: https://poa24horas.com.br/noticias/2021/09/covid-19-capital-faz-361-orientacoes-e-consultas-a-distancia-em-agosto/

“COVID-19: CAPITAL FAZ 361 ORIENTAÇÕES E CONSULTAS À DISTÂNCIA EM AGOSTO

Serviço é gratuito, exclusivo para moradores da Capital e está disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h

Foram realizadas 271 orientações e 90 consultas por telemedicina, em agosto, para pessoas com sintomas de Covid-19 na plataforma Conexão Santa Casa. Com início em maio, a iniciativa resulta de parceria entre a prefeitura, a Santa Casa de Misericórdia e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

O serviço é gratuito e exclusivo para moradores da Capital. Está disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, com acesso no site Conexão Santa Casa, ferramenta de telemedicina desenvolvida pela instituição. Após o cadastro, a pessoa passa primeiro pela orientação, em formato de videoconferência, quando obtém informações gerais da doença.

A etapa seguinte é a teleconsulta, feita por médicos, também por videoconferência. No atendimento, são avaliadas as queixas e sintomas e feita avaliação. Com o diagnóstico, é estabelecido o encaminhamento médico e, se for o caso, a solicitação de exames.

O atendimento é realizado por médicos e acadêmicos da UFCSPA e da Santa Casa, com equipes multidisciplinares. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) disponibiliza suporte da Vigilância em Saúde e acesso ao sistema de gerenciamento de consultas (Gercon), que possibilita, quando necessário, a emissão de autorizações para exames em laboratórios credenciados. O custo dos exames é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O quê: orientações e consultas por telemedicina a pessoas com sintomas de Covid-19

Quando: de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h

Onde: acesso no site Conexão Santa Casa

O atendimento é gratuito e exclusivo para moradores de Porto Alegre.”

09/09/2021 – O Sul

Link:https://www.osul.com.br/prefeitura-de-porto-alegre-realiza-271-orientacoes-sobre-o-coronavirus-e-90-consultas-por-telemedicina-em-agosto/

"Prefeitura de Porto Alegre realiza 271 orientações sobre o coronavírus e 90 consultas por telemedicina em agosto

Em agosto, foram realizadas 271 orientações e 90 consultas por telemedicina para pessoas com sintomas de Covid-19 na plataforma Conexão Santa Casa, em Porto Alegre. A iniciativa, que começou em maio, resulta de uma parceria entre a prefeitura, a Santa Casa de Misericórdia e a UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre).

O serviço é gratuito e exclusivo para moradores da Capital. Ele está disponível de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 20h, com acesso pelo site Conexão Santa Casa, ferramenta de telemedicina desenvolvida pela instituição. Após o cadastro, a pessoa passa primeiro pela orientação, em formato de videoconferência, quando obtém informações gerais da doença.

A etapa seguinte é a teleconsulta, feita por médicos, também por videoconferência. No atendimento, são avaliadas as queixas e sintomas. Com o diagnóstico, é estabelecido o encaminhamento médico e, se for o caso, a solicitação de exames.

O atendimento é realizado por médicos e acadêmicos da UFCSPA e da Santa Casa, com equipes multidisciplinares. A Secretaria Municipal da Saúde disponibiliza, quando necessário, a emissão de autorizações para exames em laboratórios credenciados. O custo dos exames é coberto pelo SUS (Sistema Único de Saúde)."

03/09/2021 – Zero Hora

Impresso

Alerta para manter consultas e exames

Desde o início da pandemia, especialistas alertam para a necessidade de os pacientes manterem consultas e exames, já que, caso contrário, há o risco de doenças, como o câncer, avançarem. O médico Rafael Vargas, oncologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor do curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), relata que esta já é a sensação percebida nos atendimentos:

– Não existem dados, mas há uma sensação, uma impressão geral de que os pacientes estão chegando em maior número e com uma apresentação (de câncer) mais avançada. Quanto mais o paciente esperar, pior pode ser o prognóstico. Ele pode estar com uma doença “curável”, mas, se esperar muito, a situação pode mudar. No câncer, o tempo é fundamental porque impacta na mortalidade e na qualidade de vida – alerta.

Conforme o especialista, há uma demanda reprimida grande em relação a consultas oncológicas, o que exige uma organização das filas por prioridade. Vargas também avalia que os hospitais precisarão de investimento:

– Talvez a gente vá precisar de mais recursos financeiros, humanos e de estrutura, porque senão o tempo para iniciar os tratamentos será muito grande. Existem outras doenças que precisam ser atendidas também, além do câncer. Os processos de diagnósticos e solicitação de exames terão que ter mais eficiência.

03/09/2021 – GHZ

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/por-que-o-rs-vai-liberar-pistas-de-danca-em-festas-fechadas-mas-nao-em-boates-e-shows-ckt4z5qw70099013br4b3tl0u.html

“Por que o RS vai liberar pistas de dança em festas fechadas, mas não em boates e shows?

Na visão do Executivo, comemorações para família e amigos permitem menos risco do que outros eventos.

O anúncio do Palácio Piratini de liberação de pistas de dança para festas infantis, eventos sociais (casamentos, baile de debutante, formatura etc) e eventos de entretenimento a partir de 1º de outubro animou o setor e gaúchos na expectativa de celebrar conquistas e datas afetivas. O informe, no entanto, deixou boates decepcionadas por ficarem de fora.

A liberação, a ser concretizada caso a epidemia mantenha a melhora ao longo de setembro, prevê pistas de dança com limite de 150 pessoas para eventos sociais fechados, focados em amigos e familiares – caso de encontro em clube, salão ou casa de festa. Se decidida e autorizada pelas associações regionais de municípios, a ocupação poderá chegar até 350 convidados. Máscaras serão obrigatórias.

Casas noturnas e de shows, entretanto, ficaram de fora do anúncio. Os estabelecimentos, liberados em maio, se reinventaram para funcionar como bares ou restaurantes. Representante das casas noturnas do Rio Grande do Sul, Marcos Paulo Magalhães diz que o setor não compreendeu por que ficou de fora.

— Não entendemos essa segregação. Não faz sentido liberar evento social, onde há pessoas da população de risco, e não casa noturna, onde a faixa etária de idade tem risco muito menor de ter complicação do vírus. Nosso setor está destruído, há 530 dias parado. Passou do aceitável. Abrimos caminho com avanço da vacinação e queda dos números da epidemia — afirma.

Magalhães diz que preocupações sobre uso de máscara são desnecessárias porque empresários farão cumprir os protocolos especificados no decreto, inclusive por interesse comercial.

— Quando a pessoa estiver em uma festa permitida, ela vai fazer vídeo. E o empresário não vai querer que vaze vídeo de todo mundo sem máscara. Dizer que pessoas podem não cumprir o decreto não é justificativa para deixar de emitir o decreto. Com Expointer para 15 mil pessoas, como a gente não pode permitir a abertura de casa noturna? — questiona.

A inclusão de boates e casas de show no decreto a ser lançado em 1º de outubro pode ocorrer e está em análise pelo Piratini, afirma Bruno Naundorf, coordenador do Grupo de Trabalho de Protocolos do governo do Estado.

Mas, de fato, na visão do Executivo, eventos sociais para família e amigos permitem menos risco do que festas com ingresso aberto, como boate ou show.

Dentre os argumentos citados, estão o pior controle do uso de máscara em casas noturnas e de show e o objetivo dos frequentadores destes espaços –mais afeitos, digamos, a trocar saliva.

— Esses eventos sociais, como festa de casamento ou festa de fim de ano, são pessoas da mesma família. É diferente de um lugar onde há pessoas de diversas localidades em que é mais difícil controlar o uso de máscara. Não queremos permitir reabertura e depois fechamentos. A ideia do Rio Grande do Sul é ter avanço gradual e seguro para a população. Mas estamos ainda em pandemia, não é vida normal ainda — afirma.

Comparação

O porta-voz do Estado acrescenta que não é possível comparar casas noturnas e de shows com a Expointer porque, no evento agrícola, o público ficará livre, será fiscalizado para o uso de máscara e terá outro foco.

— A Expointer não terá pessoas sem máscara. Se tiver, elas serão orientadas por monitores e, se não colocarem, podem ser convidadas a se retirar. Alimentação e bebida serão em lugar específico, e as pessoas irão para comprar máquinas agrícolas. A casa noturna não tem o mesmo público, com o mesmo objetivo e ingerindo o mesmo tipo de bebida. Não dá para comparar. Isso não significa que a casa noturna seja vilã, mas precisamos ter cuidados diferentes. Desde maio, casas noturnas podem funcionar — defende Naundorf.

O médico Alexandre Zavascki, chefe da Infectologia do Hospital Moinhos de Vento e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), diz que a diferença de risco entre festas íntimas e boates é pouca, uma vez que a covid-19 não é transmitida apenas pelo beijo, mas de forma aérea, e que em nenhum evento social as pessoas costumam manter a máscara.

 — Se tem uma pessoa infectada e o ambiente é fechado, o risco é tão grande em uma festinha de aniversário quanto em uma boate. A doença é transmissível pelo ar. Em uma festa de aniversário, as pessoas cantam, conversam e emitem partículas pelo ar. Boate é pior porque são locais extremamente fechados, têm música alta e as pessoas falam mais alto. Mas uma festa de aniversário com mais pessoas do que uma boate vai ter mais risco — diz.

Em boates e casas de shows, as pessoas podem ser mais propensas a beijarem desconhecidos, mas pistas de dança quebram o distanciamento social, afirma o médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Porto Alegre e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— Cada convidado tem suas relações interpessoais e pode ter pegado o vírus, mas estar assintomático. Não faz muito sentido permitir festas fechadas, mas não festas abertas. Em um casamento, todos se abraçam, e com o som alto as pessoas falam alto e ao pé de ouvido. Ao mesmo tempo, as pessoas já vão a bares sem máscara... A abertura está sendo perigosamente excessiva — diz o infectologista.”

02/09/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/09/com-mais-de-7-mil-consultas-represadas-rs-planeja-zerar-fila-da-oncologia-em-seis-meses-ckt37y56m006v013b233haud3.html

Com mais de 7 mil consultas represadas, RS planeja zerar fila da oncologia em seis meses

Hospitais farão mutirões para recuperar atendimentos que não foram realizados por causa da pandemia

De olho nos reflexos causados pela pandemia em outros atendimentos, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) traçou uma meta para recuperar a oferta de serviços a pacientes com câncer. Em seis meses, o objetivo é zerar a fila de espera por primeira consulta em oncologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul.

O assunto foi discutido em reunião na última terça-feira (31) que envolveu, além da SES, gestores hospitalares, entidades representativas do setor e Ministério Público Estadual.

Conforme o diretor do Departamento de Regulação Estadual, Eduardo Elsade, a estratégia definida é que os hospitais realizem mutirões de atendimentos. A SES já definiu o número de consultas que cada instituição precisa recuperar, oferecendo um percentual a mais em cada mês — número relativo ao que deixou de ser realizado por conta da pandemia. Em breve, eles organizarão a agenda e chamarão os pacientes.

— Estamos disparando hoje esses quantitativos para os hospitais e em breve eles já começam a colocar na agenda. Esta é uma proposta que a gente já queria colocar em prática no primeiro semestre deste ano, mas a pandemia nos atrapalhou, e os hospitais tiveram que destinar praticamente toda a sua capacidade de atendimento para a covid-19. Agora que acalmou, não dá para ficar sempre esperando a próxima variante, porque as outras doenças continuam — explica.

A proposta foi pensada juntamente a hospitais porque são essas instituições as habilitadas em alta complexidade para atender casos de oncologia. A partir da realização da primeira consulta, os pacientes são encaminhados para exames, procedimentos e, se necessário, cirurgias.

De março de 2020 a junho de 2021, hospitais do Rio Grande do Sul disponibilizaram 7.124 consultas de oncologia a menos em relação ao que deveria ter sido ofertado. Em Porto Alegre, são 3.667, e, no Interior, 3.457. São essas consultas represadas que serão recuperadas em mutirão.

Entre os motivos para o alto número de atendimentos não realizados estão a falta de capacidade dos hospitais nos meses de maior gravidade da pandemia e o receio de parte dos pacientes, que deixou de comparecer a instituições de saúde. Elsade pede que as pessoas que forem contatadas para o mutirão procurem não faltar às consultas:

— É importante que as pessoas não faltem às consultas agendadas porque a postergação do tratamento do câncer é trágica. Temos visto casos muito avançados chegando. Agora que estamos em uma situação melhor, queremos fazer o esforço de recuperar o que ficou para trás e atender todo mundo.

Presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Estado, Luciney Bohrer afirma que as instituições buscarão recuperar os atendimentos em oncologia dentro de cada realidade:

— A orientação é que, de acordo com as condições de cada hospital e região, as instituições consigam realizar os atendimentos oncológicos, dando prioridade para os mais graves. Nós temos várias realidades dentro do mesmo segmento. Temos hospitais operando com bom volume e hospitais começando a se organizar. Então os hospitais estão trabalhando para atender a pleno, mas cuidando a movimentação da variante Delta.

Alerta para manter consultas e exames

Desde o início da pandemia, especialistas alertam para a necessidade de os pacientes manterem consultas e exames, já que, caso contrário, há o risco de doenças, como o câncer, avançarem. O médico Rafael Vargas, oncologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor do curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), relata que esta já é a sensação percebida nos atendimentos:

— Não existem dados, mas há uma sensação, uma impressão geral de que os pacientes estão chegando em maior número e com uma apresentação (de câncer) mais avançada. Quanto mais o paciente esperar, pior pode ser o prognóstico. Ele pode estar com uma doença "curável", mas, se esperar muito, a situação pode mudar. No câncer, o tempo é fundamental porque impacta na mortalidade e na qualidade de vida — alerta.

Conforme o especialista, há uma demanda reprimida grande em relação a consultas oncológicas, o que exige uma organização das filas por prioridade. Vargas também acredita que os hospitais precisarão de investimento:

 — Talvez a gente vá precisar de mais recursos financeiros, humanos e de estrutura, porque senão o tempo para iniciar os tratamentos será muito grande. Existem outras doenças que precisam ser atendidas também, além do câncer. Os processos de diagnósticos e solicitação de exames terão que ter mais eficiência.

01/09/2021 – SBT Online – Projeto Comprova

Link: https://www.sbt.com.br/jornalismo/comprova/noticia/178726-enganoso-medico-americano-engana-ao-dizer-que-vacinas-enlouquecem-sistema-imunologico-e-agravam-covid-19

“ENGANOSO: Médico americano engana ao dizer que vacinas 'enlouquecem' sistema imunológico e agravam covid-19

Confira a verificação dos jornalistas integrantes do Projeto Comprova

ENGANOSO: O discurso do médico Dan Stock, propagado em publicação viral no Twitter, é enganoso ao associar vacinas ao aumento nos números de casos de covid-19 nos Estados Unidos. Ele sugere que os imunizantes provocam uma exacerbação da doença, mas não há evidências de que as vacinas estejam associadas ao fenômeno citado pelo médico. Stock também engana ao citar que máscaras são ineficazes para o controle da pandemia e ao recomendar um tratamento sem benefícios comprovados pela ciência. Em um compilado de documentos usados como evidências para sustentar sua afirmação, o médico lista estudos retratados, inconclusivos ou com conclusões que não corroboram com o seu discurso.

Conteúdo verificado: O vídeo mostra um discurso do médico americano Dan Stock em audiência a um conselho escolar, em Fortville, Indiana, nos Estados Unidos. Ele afirma que vacinas de covid confundem o sistema imunológico e fazem o organismo combater o vírus de uma maneira inadequada. O médico sugere que a vacinação pode provocar um fenômeno que exacerba a doença e associa os imunizantes ao recente aumento no número de infecções diárias no país. Stock ainda sugere que máscaras são inúteis para controlar a pandemia e que a vacina não oferece benefícios a pacientes recuperados da covid.

São enganosas as alegações do médico norte-americano Dan Stock de que vacinas de covid-19 confundem o sistema imunológico de pessoas imunizadas e as tornam suscetíveis a quadros mais severos da doença, em comparação com a infecção natural. Uma postagem que divulga o discurso do médico em audiência, na cidade de Fortville, Indiana, foi compartilhada mais de 10 mil vezes no Twitter. A plataforma adicionou um aviso ao conteúdo para alertar que o material é enganoso.

No vídeo, Stock cita um fenômeno conhecido, em inglês, como Antibody-Dependent Enhancement (ADE) que, segundo ele, agravaria casos de covid entre vacinados e poderia estar relacionado ao surto recente de casos da doença nos Estados Unidos. O país aplica os imunizantes da Pfizer/BioNtech (Comirnaty), Moderna e Janssen. Não há evidências, entretanto, que essa condição esteja associada com a doença, tampouco com as vacinas.

O médico ainda tira de contexto um estudo do Centro de Prevenção e Controle de Doenças Infecciosas (CDC) dos Estados Unidos que aponta a incidência de sintomas de covid em pessoas vacinadas em Barnstable, Massachusetts. O próprio estudo afirma que a pesquisa não deve sustentar conclusões sobre a efetividade das vacinas.

O vídeo também espalha desinformação ao sugerir que máscaras faciais são ineficazes para coibir a transmissão do novo coronavírus. As melhores evidências científicas indicam que a proteção é essencial para diminuir a exposição à doença. Por fim, Stock faz propaganda de um tratamento sem comprovação científica.

O Comprova considera enganosas as publicações cujos conteúdos confundem ou usam dados imprecisos, como faz Stock ao distorcer informações de estudos para atacar vacinas.

Como verificamos?

Para investigar o conteúdo, o Comprova apurou primeiramente a ocasião em que o discurso do médico foi gravado. A reportagem identificou que as alegações de Dan Stock ocorreram em 6 de agosto de 2021, durante uma audiência na Mount Vernon School Corporation, uma associação escolar que agrega instituições de ensino voltadas a crianças e adolescentes.

O passo seguinte foi investigar quem era o autor do discurso enganoso. O Comprova identificou que Dan Stock é um médico da família que diz praticar "medicina funcional". Trata-se de um modelo alternativo baseado em uma visão holística dos sistemas biológicos do corpo humano e na individualidade do paciente. Stock é proprietário de uma loja de suplementos.

Ao buscar pelo vídeo e o nome de Dan Stock no Google, o Comprova encontrou uma série de verificações de veículos estrangeiros (1, 2, 3, 4). Segundo uma verificação do site americano Politifact, o médico indicou por correio de voz que os documentos por ele apresentados aos diretores da associação escolar foram publicados em um blog conservador.

O Comprova analisou os 22 artigos listados no site e identificou estudos retratados por inconsistências técnicas, análises não científicas e até trabalhos que contradizem os próprios apontamentos do médico na audiência. Também consultamos o epidemiologista formado pela Universidade de São Paulo (USP) Julio Ponce, bem como a imunologista da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino para analisar as alegações de Stock na reunião.

A reportagem ainda recorreu a fontes documentais, como um editorial da revista Science que minimiza o risco de ADE em vacinas de covid, orientações do CDC e da Organização Mundial da Saúde (OMS) acerca de vacinas, bem como o painel de evidências de tratamentos para covid-19 dos Institutos Nacionais de Saúde americanos (NIH).

Contatamos o médico Dan Stock por um e-mail disponibilizado em seu perfil no Linkedin, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta reportagem.

Verificação

Não há evidências de que vacinas causam ADE

Ao contrário do que sugere Stock, não há evidências de que vacinas de covid-19 favorecem uma exacerbação da doença mediada por anticorpos. Essa condição, mais conhecida na língua inglesa como Antibody-Dependent Enhancement, descreve um fenômeno em que anticorpos gerados anteriormente por uma infecção natural ou induzidos por vacinas não conseguem neutralizar o vírus em uma nova infecção, e podem facilitar o ataque do patógeno às células do hospedeiro.

Durante seu discurso, o médico sugere que o fenômeno poderia estar associado com aumentos recentes nos números de casos em algumas regiões dos Estados Unidos. Stock cita que foram observados sinais de ADE em estudos com animais durante o desenvolvimento de vacinas contra a Sars, outro coronavírus que foi pivô de uma epidemia em 2003, na China. De fato, a possibilidade de ocorrência dessa condição foi uma preocupação de cientistas no desenvolvimento de vacinas contra a covid, mas nem os estudos pré-clínicos com animais nem ensaios em humanos identificaram evidências do fenômeno, ressalta um editorial da revista Science sobre o assunto, publicado em fevereiro deste ano.

O artigo evidencia ainda que a hipótese levou cientistas a adotarem estratégias para minimizar os riscos de ADE no desenvolvimento das vacinas contra a covid.Também não há evidências de que novas variantes possam desencadear a condição, tampouco o monitoramento de efeitos adversos realizado por agências sanitárias indicou qualquer sinal do problema.

Outra evidência que torna a hipótese improvável é que experimentos com tratamentos baseados em plasma convalescente (com anticorpos contra covid-19) não provocaram exacerbação da doença em voluntários. Até o momento, as evidências da vacinação no ?mundo real? mostram que os imunizantes são eficazes em prevenir formas graves da doença. Cerca de 99% das mortes e hospitalizações por covid-19, nos Estados Unidos, ocorrem em pessoas não imunizadas.

Vale ressaltar que o compilado de evidências citado por Stock não contém nenhum estudo que prove a ocorrência de exacerbação de covid mediada por anticorpos. Uma das pesquisas analisou casos de covid em profissionais de saúde vacinados e apontou que a maioria teve sintomas leves ou quadros assintomáticos.

Aumento de casos não é consequência da vacina

Para atacar a vacinação, o médico cita que em Barnstable, cidade de aproximadamente 44 mil habitantes em Massachusetts, 75% dos novos casos de covid-19 ocorreram em pessoas vacinadas. A informação foi retirada de um estudo do CDC, divulgado no final de julho, que avaliou 469 ocorrências da doença na cidade americana.

Os autores da pesquisa, no entanto, destacam no próprio relatório que o levantamento é insuficiente para fornecer conclusões sobre a eficácia das vacinas de covid, incluindo a variante delta, que atualmente corresponde à cepa predominante no país.

"À medida que a cobertura vacinal a nível populacional aumenta, é esperado que as pessoas vacinadas representem uma proporção maior de casos de covid-19. Em segundo lugar, infecções assintomáticas podem estar subrepresentadas por causa do viés de detecção", explicam os autores no texto.

Entre as pessoas completamente vacinadas, apenas quatro tiveram que ser hospitalizadas e nenhuma morte foi registrada. O estudo ainda afirma que a "vacinação é a estratégia mais importante para prevenir casos graves e óbitos" e recomenda a expansão de estratégias não farmacológicas, como o uso de máscaras em locais fechados, independentemente do grau de vacinação do indivíduo.

Como já explicou o Comprova, os imunizantes já aprovados por agências de saúde nos Estados Unidos e no Brasil foram desenvolvidos para prevenir casos sintomáticos da doença. Nenhuma vacina elimina totalmente o risco de contrair covid, embora reduzam significativamente as chances do paciente desenvolver formas graves. Segundo o CDC, as vacinas também reduzem o risco de pessoas espalharem o novo coronavírus para outras, mas não excluem completamente essa possibilidade.

Julio Ponce lembra que os recentes aumentos de hospitalizações por covid nos EUA estão associados a pessoas não vacinadas. "Mesmo que consideremos que alguns vacinados peguem a doença, eles têm um risco diminuído de agravamento. Em Indiana, onde o vídeo foi gravado, 96% dos novos casos são de pessoas que não se vacinaram", afirma.

Alerta especial para variante delta

O CDC alerta, entretanto, para casos raros em que vacinados são infectados pela variante delta. Apesar das vacinas serem "altamente eficazes" em evitar o agravamento de infecções desta cepa do novo coronavírus, diferentemente de outras variantes, a delta parece produzir quantidades similares de vírus tanto em pessoas não vacinadas quanto em pessoas totalmente vacinadas.

Por outro lado, a carga viral produzida pelas infecções da variante delta em pessoas totalmente imunizadas diminui mais rapidamente do que as infecções naqueles que não tomaram esquema vacinal completo. "Isto significa que as pessoas totalmente vacinadas [transmitem o vírus] por menos tempo do que as pessoas não vacinadas.", afirma o CDC.

Melhores evidências indicam que uso de máscaras é eficaz

Stock acerta ao afirmar que o novo coronavírus é propagado por meio de pequenas gotículas chamadas aerossóis. Ele desinforma, no entanto, ao sugerir que devido ao tamanho das partículas, o uso de máscaras não seria eficaz para coibir a transmissão da covid-19. Embora parte dos aerossóis possam escapar das máscaras, o equipamento ainda é essencial para controlar a pandemia.

Segundo o epidemiologista Julio Ponce, trabalhos científicos mostram que o uso da máscara promove uma redução bastante sensível de infectados em contexto de surtos de coronavírus. Ele cita um artigo publicado na conceituada revista de medicina JAMA, o qual afirma que antes da pandemia de covid, o uso comunitário de máscaras para reduzir a transmissão de vírus respiratórios era controverso devido a falta de evidências relevantes sobre a prática.

Ao longo da crise sanitária, entretanto, as evidências científicas cresceram. O artigo pontua que em trabalhos recentes, máscaras de pano de várias camadas bloquearam de 50% até 70% das gotículas pequenas exaladas por uma pessoa infectada. O relatório explica que as máscaras ainda servem como uma barreira contra as gotículas maiores.

O compilado de documentos de Stock contra o uso de máscaras reúne desde análises informais de postagens em blogs, estudos retratados por inconsistências técnicas (1, 2), trabalhos não conclusivos sobre a eficácia da medida (1), até mesmo pesquisas que, na verdade, sugerem benefícios das máscaras. É o caso, por exemplo, deste artigo que conclui que a análise mostra evidências de que estados americanos com regras para uso da proteção registraram uma maior queda nas taxas de diárias de covid, em comparação a outros que não adotaram a medida.

"O que pode ser colocado em contexto é que há máscaras que protegem mais do que outras. Os estudos que o médico menciona parecem ser aqueles feitos com máscaras cirúrgicas, que são adequadas para limitar a projeção de gotículas e aerossóis de quem as usa, mas não são tão eficazes para proteger de aerossóis possivelmente contaminados no ambiente", afirma Ponce.

O especialista pontua que, por esse motivo, máscaras PFF2/N95 são mais recomendadas para locais de alta exposição, uma vez que os equipamentos são capazes de filtrar até 95% de partículas pequenas.

Vacinas são importantes mesmo para recuperados da covid

Outra informação enganosa do vídeo corresponde à alegação de Stock de que as vacinas de covid não promovem benefícios a quem já se recuperou da doença.

De acordo com o CDC, pesquisadores ainda não estabeleceram por quanto tempo dura a imunidade conferida pela infecção natural ou pelas vacinas. Por outro lado, a agência diz que estudos indicam que os imunizantes podem aprimorar a proteção de pessoas que já se recuperaram da infecção.

Já a OMS afirma que a "maioria das pessoas infectadas com Sars-CoV-2 desenvolvem uma resposta imune nas primeiras semanas, mas ainda estamos aprendendo o quão forte e duradoura é essa resposta imune, e como ela varia entre diferentes pessoas, acrescentando que "mesmo que você tenha tido uma infecção anterior, a vacina age como um reforço que fortalece a resposta imune."

Em entrevista ao Comprova, a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre Cristina Bonorino explica que, no caso da infecção natural, o microorganismo evolui para escapar das respostas imunes do hospedeiro, e por isso nem sempre a imunidade deixada após a infecção é eficaz e duradoura.

"As vacinas, por outro lado, focam em estimular mecanismos importantes para controlar a multiplicação do microorganismo no indivíduo, sem a desvantagem do que acontece na infecção natural. Vacinas, portanto, geram respostas mais eficazes que a infecção natural", comenta a especialista.

A Agência Lupa fez uma verificação de boato semelhante

Tratamento divulgado pelo médico não tem comprovação científica

No vídeo, o médico faz propaganda de substâncias sem benefícios comprovados contra a covid-19 ao citar que tratou 15 pacientes com um protocolo de ivermectina, zinco e vitamina D. O relato de Stock, entretanto, não configura evidência de que o tratamento funcione.

Como já explicou o Comprova em outras verificações, para atestar a eficácia de um medicamento contra a covid, são necessários múltiplos ensaios clínicos randomizados com estrutura adequada e número extenso de participantes. O Painel de Diretrizes de Tratamentos para Covid, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), afirma que não há dados suficientes para recomendar a favor ou contra o uso da ivermectina para o tratamento da doença.

"São necessários resultados de ensaios clínicos adequadamente desenvolvidos, bem concebidos e bem conduzidos para fornecer orientações mais específicas e baseadas em evidências sobre o papel da ivermectina no tratamento da covid-19", diz o documento

No compilado de documentos de Stock constam estudos que sugerem potenciais benefícios da vitamina D no tratamento da covid-19. As diretrizes do NIH, entretanto, informam que também faltam mais dados para recomendar contra ou a favor do uso da suplementação da substância como terapia contra o novo coronavírus.

O órgão emitiu a mesma recomendação para o uso do Zinco, porém, o painel alerta contra a suplementação acima dos níveis de dieta recomendados, uma vez que o consumo excessivo da substância pode ocasionar deficiência de cobre no sangue e outras doenças.

Quem é Stock

Daniel "Dan" Stock se define no Linkedin como um médico de família experiente e com formação em medicina funcional, um ramo alternativo cujos métodos não têm comprovação científica. De acordo com a rede social, ele se formou na Indiana University School of Medicine em 1988.

Segundo o breve perfil de Dan Stock no Top NPI, um site pensado para auxiliar moradores dos Estados Unidos a encontrarem médicos próximos de onde moram, o profissional tem 33 anos de experiência na medicina e é licenciado para exercer a profissão pelo conselho estadual de Indiana.

Após falar ao conselho escolar da Mount Vernon School Corporation, no condado de Hancock, em Indiana, Stock publicou um texto no Linkedin para agradecer o "apoio esmagador de todos". O teor da mensagem sugere que as medidas adotadas no contexto do enfrentamento à covid-19 são atentatórias às liberdades individuais.

"Por favor, rezem por mim, por nossa própria liberdade que nosso próprio governo federal ameaça, mas como vocês, chamem vocês legisladores estaduais e locais e exijam que eles não sirvam aos especialistas selecionados pelos lobistas federais, mas a você", ele escreveu.

O Projeto Comprova enviou questionamentos ao profissional no endereço de e-mail disponibilizado por ele no Linkedin, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova checa conteúdos suspeitos sobre o governo federal, eleições ou a pandemia que tenham atingido alto grau de viralização. A postagem verificada nesta matéria alcançou mais de 10 mil visualizações no Twitter. Segundo agências de checagem estrangeiras, o mesmo discurso enganoso de Dan Stock atingiu milhões de usuários em outros países.

As alegações do médico são perigosas ao espalhar informações falsas para atacar medidas essenciais para o combate à pandemia, como o uso de máscaras e a vacinação em massa. Essas práticas são recomendadas e defendidas pelas principais agências de saúde no Brasil e no exterior e têm respaldo em evidências científicas relevantes.

O mesmo conteúdo foi verificado por uma série de veículos estrangeiros, incluindo Politifact, Associated Press, Agência Reuters e Verify This. Conteúdos semelhantes já foram desmentidos por veículos brasileiros, como o Estadão Verifica, Aos Fatos e Agência Lupa.

O Comprova também já verificou outras afirmações equivocadas sobre a imunização em massa contra a covid. Um boato recente afirmava enganosamente que não há lógica por trás da vacinação para conter a pandemia. Outro conteúdo tirou de contexto uma entrevista de uma autoridade de saúde americana na tentativa de desqualificar a segurança dos imunizantes usados no país. Uma terceira postagem distorcia dados de efeitos adversos da vacina da Pfizer em adolescentes.

Enganoso, para o Comprova, são conteúdos retirados do contexto original e usados em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Investigação e verificação

Estadão e O Povo participou desta investigação e a sua verificação, pelo processo de crosscheck, foi realizada pelos veículos Correio de Carajás, Piauí, Folha, Correio Braziliense, GZH, Correio e SBT.

Projeto Comprova

Esta reportagem foi elaborada por jornalistas do Projeto Comprova, grupo formado por 33 veículos de imprensa brasileiros, para combater a desinformação. Em 2018, o Comprova monitorou e desmentiu boatos e rumores relacionados à eleição presidencial. A edição de 2019 foi dedicada a combater a desinformação sobre políticas públicas. Agora, na quarta fase, o Comprova retoma o monitoramento e a verificação de conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal e eleições municipais, além de continuar investigando boatos sobre a pandemia de covid-19. O SBT faz parte dessa aliança.”

01/09/2021 – Folha de São Paulo - Online / Podcast O Resposta Imune

Link: https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2021/09/como-as-vacinas-funcionam-e-servem-de-escudo-coletivo-a-humanidade-ouca-podcast.shtml

“Como as vacinas funcionam e servem de escudo coletivo à humanidade; ouça podcast

Resposta Imune explica as diferenças entre imunizantes e como eles agem no corpo humano

Assim como o herói grego Aquiles que, ao ser mergulhado no rio Estige ficou protegido dos perigos das batalhas, o nosso corpo também cria uma proteção quando recebe uma vacina. Os imunizantes são um treinamento para que o sistema imunológico possa reagir se sofrer algum ataque.

No segundo episódio do Resposta Imune, podcast da Folha sobre como as vacinas mudaram o mundo, o jornalista Reinaldo José Lopes explica como os imunizantes protegem o organismo de bilhões de pessoas individualmente e, mais importante ainda, de maneira coletiva.

Para isso, ele conta com a participação da farmacêutica e divulgadora científica, Laura Marise de Freitas; do biomédico Lucas Zanandrez; e de Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do comitê científico da SBI (Sociedade Brasileira de Imunologia).

Ouça o episódio: (No link acima)

O Resposta Imune é publicado às quartas-feiras pela manhã nas principais plataformas de podcast. O podcast tem produção de Juliana Deodoro e edição de som de Luan Alencar. O apoio é da GSK.”