O biomédico Vlademir Vicente Cantarelli relata suas experiências internacionais e estimula estudantes a fazerem a diferença na sociedade

É difícil pensar em biomedicina sem imaginar microscópios, lasers, tubos de ensaio e o ambiente de um laboratório. Mas o biomédico Vlademir Vicente Cantarelli deixou claro na conferência de abertura da XII Mostra de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFCSPA que isso é possível e que essa área precisa, e muito, ir a campo para descobrir como lidar com uma série de doenças que ameaçam as populações mundo afora. O professor da UFCSPA é também consultor da World Health Organization/Europe e da American Society for Microbiology e, atuando por essas instituições, rodou o mundo levando suas contribuições científicas para outros países.
Cantarelli compartilhou com o público diversas experiências que a sua profissão lhe proporcionou. Em 2007, ao integrar uma missão de cooperação técnica em Moçambique, percebeu que a falta de infraestrutura, os recursos humanos escassos e o contexto social seriam desafios com os quais precisaria lidar na carreira, lição que nenhuma sala de aula ou laboratório seria capaz de proporcionar.
Contudo, os esforços e as pesquisas renderam frutos importantes. Com foco no estudo da microbiologia e no diagnóstico de meningite bacteriana, os trabalhos identificaram o pneumococo como o principal patógeno no país — característica diferente da observada em outros países africanos sobre os quais havia registros. Essa constatação científica permitiu que fossem adotadas estratégias de prevenção e tratamento mais eficazes. Como impacto, segundo o cientista, a incidência de casos despencou de 60 para apenas 5 a cada 100 mil habitantes.
"A gente gosta de pensar que isso salvou a vida de muitas crianças, com a vacina", destacou o cientista ao relembrar o marco.
Após essa experiência exitosa, o pesquisador seguiu relembrando momentos dos projetos de que participou e de que segue participando até hoje. Cantarelli já esteve em países como Botsuana, Costa do Marfim e Etiópia, entre outras nações africanas, levando contribuições para ajudar os pesquisadores locais a identificarem doenças infecciosas, como micoses e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Na Ásia, integrou missões no Vietnã e no Camboja. Em terras vietnamitas, contou como o país asiático conseguiu conter a disseminação do coronavírus durante o primeiro ano de pandemia. Recentemente, colaborou também com países asiáticos, como Uzbequistão, Cazaquistão, Turcomenistão e Armênia, contribuindo com seu conhecimento sobre processos laboratoriais. Nesses locais, percebeu que, para o combate a microrganismos nocivos, há maior defasagem de recursos humanos e de gestão do que de recursos tecnológicos.
Mensagem para os estudantes
O pesquisador defendeu que é preciso ter conhecimento sobre todas as áreas da microbiologia para poder acertar os diagnósticos. Por isso, incentivou os estudantes a buscar um entendimento amplo sobre esse campo do conhecimento.
"A gente separa vírus, fungos e bactérias para fins didáticos, mas precisa integrar tudo em algum momento. Quando uma amostra entra no laboratório, ela chega com todos esses microrganismos juntos", explicou.
Ao encerrar sua exposição, o pesquisador afirmou que, para transformar a sociedade, é necessário conhecer a realidade local e compreender contextos sociais para entregar uma pesquisa que contribua para a saúde da população. Entre os conselhos práticos para a formação acadêmica e profissional, o cientista incentivou os futuros profissionais a formularem problemas de pesquisa e a participarem de atividades de pesquisa e de extensão.
Outro ponto enfatizado foi o desenvolvimento de habilidades sociais, especialmente a clareza na comunicação e a capacidade de trabalho em equipe. Ainda, aconselhou os jovens a conversarem com seus colegas de profissão, afirmando que a troca de informações e experiências é fundamental para o desenvolvimento de um pesquisador. Ao final, respondeu aos questionamentos do público.
XII Mostra de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFCSPA
A XII Mostra de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFCSPA iniciou nesta terça-feira, 20, e vai até quinta, 22, com palestras, oficinas, mesas-redondas e apresentação de trabalhos acadêmicos. Hoje (20), a programação contou com, além da palestra de Cantarelli, com a mesa de abertura que reuniu o vice-reitor, Rafael Vargas, e os pró-reitores de Pesquisa e Pós-Graduação, Aline Pagnussat, de Graduação Substituta, Adriana Paz, e de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários, Luis Henrique Telles da Rosa, além de docentes convidadas. Houve também uma oficina sobre atualização do currículo lattes. O Coral UFCSPA se apresentou durante a solenidade de abertura.
Confira a programação completa para estas quarta e quinta: https://www.even3.com.br/xii-mostra-de-ensino-pesquisa-e-extensao-da-ufcspa-772467





