Artigo publicado na revista The Lancet Regional Health - Americas propõe que o sexo feminino seja compreendido como marcador de fatores sociais acumulados ao longo da vida
A professora de Genética Humana e orientadora do Programa de Pós-Graduação em Biociências da UFCSPA, Júlia Pasqualini Genro, é uma das autoras do artigo "Female sex: beyond risk prediction in mental health", publicado na edição de setembro da revista The Lancet Regional Health - Americas. O artigo propõe apresentar uma nova perspectiva sobre a forma como o sexo é tratado nos estudos da área. A proposta das pesquisadoras é que o sexo feminino deixe de ser interpretado apenas como um fator de risco ou uma variável de ajuste e passe a ser compreendido como um possível marcador de exposições sociais e estruturais relacionadas ao gênero, acumuladas ao longo da vida.
De acordo com a professora, a área da psiquiatria geralmente identifica o sexo feminino como fator de risco, mas trata o elemento como um fator não modificável. "Este trabalho é um comentário científico publicado em uma revista de alto prestígio, no qual propomos uma nova interpretação para o fator sexo na saúde mental. Argumentamos que o sexo feminino, frequentemente identificado como um dos principais preditores de problemas de saúde mental, pode estar refletindo, ao menos em parte, a exposição acumulada a desigualdades de gênero ao longo da vida, como violência, discriminação e outras desigualdades sociais", explica a pesquisadora.
A principal tese defendida pelas autoras é que o sexo feminino atua como um indicador indireto dessa exposição social acumulada. Com essa reflexão, propõe-se a investigação sistemática de fatores como violência, discriminação, desigualdade econômica e sobrecarga de cuidados para compreender por que meninas e mulheres apresentam maior risco de depressão, ansiedade e comportamento suicida, permitindo identificar mecanismos modificáveis para prevenção.
Para a docente da universidade, a mudança de perspectiva é fundamental para o avanço da área e para a formulação de intervenções no setor público. "Essa perspectiva amplia a compreensão sobre as causas das diferenças observadas entre homens e mulheres e reforça a necessidade de que pesquisas e políticas públicas investiguem e enfrentem esses fatores modificáveis, contribuindo para estratégias mais eficazes de prevenção e promoção da saúde mental", salienta a docente.
O trabalho científico também conta com a autoria da biomédica egressa da UFCSPA e aluna de mestrado do PPG-Biociências, Sofia de Lima Silva, da professora substituta de Genética Humana e pós-doutoranda no PPG-Biociências, Cibele Edom Bandeira, e da professora da PUCRJ, Patricia Bado.





