Com mais de 140 atividades, o UFCSPA Acolhe recebeu centenas de visitantes no campus central

Aconteceu neste sábado, 23 de maio, o evento anual de portas abertas da Federal da Saúde, o UFCSPA Acolhe. Com mais de 140 atividades gratuitas para a comunidade, a programação incluiu públicos de todas as idades, com ações para estudantes do ensino fundamental e médio, pessoas interessadas em cursos superiores e familiares.

A busca por uma vaga no ensino superior mobilizou estudantes de fora da capital gaúcha. Maria Antônia Rosário Brito, aluna do ensino médio, viajou de Osório especialmente para participar da programação e conheceu as instalações pela primeira vez. "Eu sempre tive uma paixão muito grande pela Santa Casa e pela universidade. Sempre que eu passava na frente, desde pequena, tive a sensação de ‘Nossa, eu quero estudar ali’", revelou a jovem, que participou da oficina de gesso e planeja ingressar na instituição nos próximos anos.

O interesse pelas carreiras da saúde também reuniu estudantes que se preparam para os exames de ingresso pelo cursinho popular. John Raphael Cardoso Ribeiro, morador de Porto Alegre que avalia cursar Medicina ou Enfermagem, comemorou a oportunidade de visitar o Museu de Anatomia Humana pela primeira vez. "Essa é uma experiência muito única, muito especial. O museu de anatomia é muito legal, de verdade", comentou.

A Liga de Ortopedia e Traumatologia promoveu uma oficina prática de gesso liderada pelos próprios acadêmicos. De acordo com o estudante de Medicina Rodrigo Pereira Leão, um dos ministrantes da atividade, o espaço também serviu para orientar os participantes sobre os desafios do vestibular. "A gente está falando para o público sobre os princípios do gesso, como que é feito, em que situações. E colocamos também a mão na massa, e o público pode fazer também", relatou Rodrigo.

Outras especialidades médicas ganharam abordagens dinâmicas para atrair a comunidade externa. O estudante Igor Ouriques levou para o campus o jogo da Liga de Medicina Interna, focado em temas do corpo humano de maneira simplificada. "A gente quis trazer uma proposta mais lúdica de trazer um jogo que fala sobre medicina, saúde e corpo humano, mas de forma bem simples, para provocar o interesse do público externo de vir para a faculdade e estudar em um dos nossos cursos", contou o atual presidente da liga.

A difusão de conhecimentos práticos foi o destaque no estande de Gastronomia, onde os estudantes e professores organizaram uma oficina de focaccias. A graduanda Laura Barreto explicou que a atividade demonstrou aos visitantes que a formação vai além do preparo de alimentos, envolvendo pesquisas sobre alimentos como azeites e queijos. "A interação está sendo muito especial, está sendo uma experiência muito diferente. Não costumamos ter a oportunidade de estar do outro lado, de ensinar as pessoas um pouco do que a gente aprende na UFCSPA", avaliou.

No campo da tecnologia aplicada à saúde, os estudantes apresentaram ferramentas voltadas ao desenvolvimento de sistemas e desmistificação de conceitos científicos. Integrante da empresa júnior Biocode, o aluno de Informática Biomédica Ivo Ricardo Iozekam destacou o potencial da carreira. "A gente está apresentando as atividades que a empresa júnior exerce, daquilo que está na fronteira entre saúde e tecnologia como o desenvolvimento de sistemas de informática e soluções tecnológicas para a saúde", resumiu o jovem, que participa da atividade pelo terceiro ano.

O contato direto com a população também permitiu que os graduandos de Física Médica esclarecessem dúvidas sobre o uso da radiação em tratamentos de saúde. A estudante Julia Roso, integrante da empresa júnior Iradiation, utilizou o jogo Mito e Verdade para combater receios comuns sobre o tema. "A gente trabalha muito esse contato com o público, de desmistificar, e tirar um pouco do medo das pessoas que elas têm em relação a coisas que são muito naturais pra gente", relatou a estudante, que também detalhou a atuação do físico médico em exames de imagem e na radioterapia.

A conscientização sobre temas sociais e de saúde pública norteou as atividades de ligas e projetos de extensão. Estudantes de Psicologia, por exemplo, celebraram a oportunidade de divulgar o projeto Descomplicando a Adolescência, focado em oficinas e materiais educativos para o público jovem. A relevância da formação acadêmica cidadã também foi reforçada pela Liga de Estudos de Gênero, Sexualidade e Saúde, que promoveu uma atividade de colagem conjunta sobre interseccionalidade. 

A Liga do Sangue participou da programação com dinâmicas lúdicas para desmistificar os critérios de doação e incentivar o gesto solidário. Para a estudante de Biomedicina Juliana Buscher, o contato com crianças e adultos durante o evento é recompensador. "Explicamos como funciona a doação de sangue e sua importância. Buscamos esclarecer alguns vínculos e curiosidades para conscientizar o público interno e externo da importância da doação, um ato tão simples, mas que salva tantas vidas", declarou Juliana.

A comunicação científica adaptada a diferentes idades pautou o estande do Grupo de pesquisa de Genética Clínica e do projeto Nossos Cromossomos. A professora de genética Bibiana de Oliveira chamou a atenção para a necessidade de traduzir termos acadêmicos em uma linguagem leiga ao abordar diagnósticos e exames para doenças raras. "Falar sobre ciência é algo fundamental, porque a ciência depende da comunidade, não para dentro da universidade, mas principalmente para a sociedade", pontuou a docente.

Orientações sobre planejamento de carreira e escolhas profissionais foram oferecidas pelo Grupo de Pesquisas em Psicologia, Trabalho e Saúde. De acordo com a professora do curso Mayte Raya Amazarray, a atividade envolveu a aplicação e interpretação de escalas com o público externo, mobilizando docentes, graduandos, mestrandos e egressos. "Está sendo o momento de promover a reflexão, junto aos participantes, para pensarem sobre os seus caminhos profissionais", sublinhou.

O papel da prevenção contra doenças virais transmitidas pelo ar também foi discutido a partir de um quiz interativo promovido pela Liga de Infectologia e Medicina Tropical. A coordenadora do grupo de pesquisa de vírus patogênicos, professora Ana Beatriz Gorini da Veiga, alertou sobre os riscos da baixa cobertura vacinal contra enfermidades como o sarampo, influenza e covid. "Às vezes, as coisas que quem trabalha com o assunto acha que estão meio normais, meio óbvias, não são tão óbvias assim para o público em geral. Então é muito bacana ver o interesse das pessoas e como a gente pode, de fato, contribuir com esse conhecimento", concluiu.

A programação do evento também abriu espaço para orientações sobre animais peçonhentos, promovendo uma troca de experiências com os visitantes focado na prevenção de acidentes. A estudante de Toxicologia Analítica, Ariele Evaldt Bock Aires, destacou que o público traz depoimentos sobre situações já vividas e que o espaço serve para ensinar medidas como evitar o acúmulo de entulhos e lixo. Um dos principais alertas  da atividade foi direcionado ao aumento considerável de escorpiões amarelos, na capital gaúcha, devido à facilidade de sua reprodução biológica.

O UFCSPA Acolhe também contou com a presença do personagem Zé Gotinha e de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que aplicaram vacinas contra HPV (9 a 19 anos) e Gripe para os grupos prioritários. Durante todo o evento, foram aplicadas vacinas em 270 visitantes, sendo 37 doses específicas para o HPV.

Sobre o Acolhe

As atividades ocorreram nos três prédios e no pátio da universidade, na Rua Sarmento Leite, 245, no Centro Histórico de Porto Alegre. Esta edição do UFCSPA Acolhe repetiu o formato inaugurado em 2025, com uma programação organizada em cinco setores: Arena UFCSPA, Feira de Profissões, Circuito do Conhecimento, Central de Informações e Programação Cultural.

Criado em 2017, o evento já recebeu cerca de 10 mil visitantes ao longo de suas edições. A iniciativa busca aproximar a universidade pública da população gaúcha, com atividades relacionadas à ciência, saúde, cultura, profissões, inclusão, tecnologia, alimentação, esporte e bem-estar.

A Feira de Profissões contou com estandes dos cursos de graduação da UFCSPA: Medicina, Biomedicina, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Gastronomia, Gestão em Saúde, Informática Biomédica, Nutrição, Psicologia, Química Medicinal, Tecnologia em Alimentos, Toxicologia e Física Médica. Também foram promovidos espaços de orientação sobre ingresso pelo Sisu, auxílios estudantis, experiências internacionais, inclusão e diversidade, apoio psicossocial e imprensa.

No Circuito do Conhecimento, o público pôde participar de oficinas, exposições, jogos, demonstrações e atividades interativas em diferentes áreas da saúde e da ciência. A programação cultural incluiu exposições, mostra sobre a memória cultural da UFCSPA, apresentações da Banda Comunitária e do Coral UFCSPA.