Professora Adriana Seixas no International Livestock Research Institute (Crédito: Adriana Seixas/Arquivo Pessoal)
Professora Adriana Seixas no International Livestock Research Institute (Crédito: Adriana Seixas/Arquivo Pessoal)

A professora da UFCSPA Adriana Seixas está entre os pesquisadores engajados no desenvolvimento de uma vacina contra o carrapato bovino, uma cooperação internacional que contou com a participação de universidades e institutos do Brasil, Canadá, Japão, Uruguai e Quênia. Trata-se de uma descoberta com expressivo potencial econômico: apenas no Brasil, estima-se que os danos diretos associados às doenças causadas pelo parasita bovino trazem um prejuízo anual de mais de três bilhões de dólares. Em nível mundial, as perdas podem chegar a 19 bilhões.

 

“Durante toda a minha vida acadêmica participei de grupos de pesquisa voltados ao desenvolvimento de vacinas para controle de carrapatos de importância médica e veterinária”, relata Adriana. Sua carreira acadêmica na área começou com a iniciação científica no Centro de Biotecnologia da UFRGS, com a progressão para o mestrado e doutorado com período sanduíche na Universidade de Alberta, no Canadá. Em 2011, foi chamada para pós-doutorado na Universidade de Hokkaido, no Japão, onde atuou na busca de antígenos conservados para desenvolvimento de vacina universal contra carrapatos.

 

A evolução dos estudos continuaria em Nairóbi, no Quênia, onde a docente realizou uma missão financiada pela CAPES em setembro de 2018 trabalhando com pesquisadores do International Livestock Research Institute (ILRI). “O instituto queniano atua com parceiros em todo o mundo para aperfeiçoar os papéis da pecuária na segurança alimentar e redução da pobreza, principalmente na África e na Ásia”, contextualiza. Uma colaboração fundamental, já que o ILRI, explica Adriana, conta com uma unidade de carrapatos que possibilita o acesso às espécies mais recorrentes no mundo, indispensável para o desenvolvimento de uma vacina universal. “Trata-se de um recurso biológico único, não encontrado em nenhum outro lugar do mundo”, comenta.

 

Os esforços para a criação da vacina também despertaram a atenção no outro lado da fronteira gaúcha – também se juntou à pesquisa um grupo de estudos da Universidade da República do Uruguai. “A colaboração de todos esses grupos permitiu caracterizar novas proteínas de carrapatos e tem sido uma oportunidade de realizar estudos comparativos entre espécies de interesse econômico e de saúde”, relata Adriana.

 

Professora Adriana Seixas no International Livestock Research Institute (Crédito: Adriana Seixas/Arquivo Pessoal)
Larvas de carrapato provenientes da postura de uma unica fêmea (Crédito: Adriana Seixas/Arquivo Pessoal)

A pesquisadora explica que existem mais de 900 espécies de carrapatos, sendo que uma única fêmea é capaz de colocar até 20 mil ovos. “São parasitas que se alimentam do sangue dos animais por até duas semanas”, salienta. A alternativa dos pecuaristas atualmente é o uso de acaricidas químicos, que, além de contaminarem a carne e o leite, é um método que vem tendo sua eficácia reduzida devido ao processo de seleção de linhagens resistentes da praga. “Isto mostra a necessidade de desenvolvermos métodos alternativos de controle desses parasitas, que não causem prejuízos a saúde e ao meio ambiente, como as vacinas”, esclarece.  

Os resultados obtidos até o momento possibilitaram que a docente depositasse seis pedidos de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Três desses pedidos, sendo dois nacionais e um internacional, foram viabilizados com o apoio do Núcleo de Inovação Tecnológica e Empreendedorismo em Saúde da UFCSPA, que auxilia os pesquisadores da instituição na redação e trâmites das solicitações. Neste sentido, Adriana recomenda aos acadêmicos que estão iniciando a carreira científica: “É importante que fiquem atentos para o potencial de suas descobertas, pois o pedido de depósito de patente precisa ser feito antes da divulgação do trabalho em qualquer meio”.

 

Embora as patentes ainda não tenham sido concedidas pelo INPI – no Brasil o processo leva em média dez anos –, as descobertas já despertaram o interesse de uma empresa internacional em testar o potencial comercial da vacina. “O estabelecimento de um acordo entre os pesquisadores da UFCSPA, UFRGS e a empresa está em andamento, sempre contando com o apoio do NITE-Saúde e do Escritório de Internacionalização”, informa a pesquisadora.