Estudo foi desenvolvido em parceria com docente da USP

A professora Daniele Botelho Vinholes, a mestranda do Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPG NUT) Gabriela Marques Costa e a bolsista de iniciação científica Julia de Souza Iparraguirre publicaram esta semana um estudo que avaliou o custo-efetividade dos alimentos servidos na rede municipal de ensino de Morro da Fumaça, em Santa Catarina. O artigo faz parte da nova edição da revista Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz, e aponta que a oferta de refeições completas é mais nutritiva e mais barata do que a de lanches na merenda escolar.

A pesquisa analisou o cardápio servido ao longo de 191 dias letivos em 2021, comparando 95 lanches e 96 refeições. Os lanches eram compostos, em sua maioria, por alimentos industrializados como bolachas, bolos prontos, sucos adoçados e pães, enquanto as refeições incluíam preparações caseiras como arroz com feijão, carnes, legumes e saladas. Para avaliar a qualidade das refeições, foi utilizado o Índice de Qualidade da Refeição (IQR), que considera critérios nutricionais como quantidade de proteínas, fibras, gordura saturada, sódio e presença de frutas, legumes e verduras.

Os resultados mostraram que, apesar de alguns lanches terem alcançado pontuações altas no índice nutricional, as refeições com alimentos tradicionais apresentaram melhor equilíbrio entre nutrientes e maior potencial de contribuição para uma alimentação saudável. O arroz com feijão, por exemplo, destacou-se pela combinação de proteínas vegetais, ferro e fibras alimentares, com menor teor de gordura saturada e sódio em comparação a itens ultraprocessados. Além disso, essas refeições tiveram melhor desempenho na análise de custo-efetividade, oferecendo benefícios nutricionais superiores por um custo mais baixo.

O trabalho foi desenvolvido em parceria com a professora Flávia Mori Sarti, da Universidade de São Paulo (USP), e defende o uso de ferramentas econômicas para apoiar decisões no planejamento dos cardápios escolares. A proposta é auxiliar gestores a otimizar o uso dos recursos públicos com foco na promoção da saúde alimentar dos estudantes.

A professora Daniele Vinholes afirma que embora o estudo tenha bons indicativos sobre a relação custo-benefício da oferta de refeições completas na merenda escolar, é necessária a realização de estudos complementares para a confirmação dos achados, dado que para  o cálculo dos custos foram considerados somente os gastos com os insumos alimentares: "em uma análise mais complexa, que considerasse os custos com mão de obra, gás, luz, água e demais gastos envolvidos, os resultados encontrados poderiam ser diferentes", pondera.

Confira a íntegra do estudo neste link.