EMERGE UFCSPA surge como estratégia para transformar pesquisas em soluções e fortalecer a cultura empreendedora na universidade

Aconteceu na última sexta-feira, 12 de setembro, no Teatro Moacyr Scliar, o lançamento do programa de inovação EMERGE UFCSPA. Com o auditório lotado pela presença de pesquisadores, estudantes e lideranças, a universidade oficializou a iniciativa organizada pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (ProPPGI) e pela recém-criada Agência de Inovação (Inova UFCSPA). O objetivo do evento foi apresentar as estratégias para capacitar a comunidade acadêmica a transformar conhecimento científico em soluções reais para o mercado, especialmente na área da saúde.

O programa UFCSPA EMERGE terá duração de 18 meses, com ações focadas no empreendedorismo científico, na criação de laboratórios para prestação de serviços tecnológicos e no desenvolvimento de empresas de base científica, as chamadas deep techs. A iniciativa conta com a assessoria da empresa Emerge Brasil, especializada em inovação tecnológica e transferência de conhecimento entre universidades e empresas. 

A abertura do encontro contou com o vice-reitor Rafael Vargas, que fez questão de contextualizar o momento desafiador vivido pelas universidades federais. “Para vocês terem uma ideia, há cerca de dez anos a nossa universidade tinha um capital para investir em infraestrutura de em torno de 30 milhões de reais por ano. Hoje, dispomos de cerca de 2,5 milhões”, comparou Vargas, chamando atenção para a necessidade de buscar novas fontes de receita e reforçar a missão da UFCSPA na formação de mão de obra qualificada para o Sistema Único de Saúde: “Acredito que a inovação hoje não é uma opção, é uma necessidade. É uma necessidade para seguirmos cumprindo a nossa missão”.

A pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Aline Pagnussat, mencionou o simbolismo da mudança de nome da pró-reitoria, que agora inclui oficialmente a inovação. “O nosso grande desafio era achar os caminhos para desenvolvê-la na prática”, explicou. Para isso, foi criada a Coordenadoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, responsável por integrar as atividades de pesquisa básica e aplicada, pós-graduação stricto e lato sensu e a nova Agência de Inovação. “A inovação e a educação empreendedora são o elo capaz de conectar a formação qualificada de recursos humanos, a pesquisa aplicada e a transferência de conhecimento. É muito mais do que criar uma startup. É cultivar um mindset transversal, desenvolver competências para resolver problemas complexos e promover impacto social”, detalhou.

Para a gestora, iniciativas já desenvolvidas na UFCSPA, como o Laboratório de Análise Sensorial de Azeites de Oliva e as negociações avançadas para licenciamento de três tecnologias protegidas, ilustram o potencial de impacto do programa. “Licenciar uma patente é muito mais do que proteger uma ideia, é transformá-la em impacto real. É quando a tecnologia sai da universidade e chega ao setor produtivo, tornando-se produto, serviço ou processo que muda a vida das pessoas”, explicou.

A programação do evento incluiu palestras e painéis com especialistas de diferentes instituições. Guilherme Camboim, diretor da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, abordou o papel da inovação em saúde no desenvolvimento do estado. Em seguida, Daniel Pimentel, diretor da EMERGE, e Aline Pagnussat apresentaram detalhes do programa e das ações da Inova UFCSPA. O painel “O desafio de inovar na academia: Da Pesquisa à Inovação de Impacto” também possibilitou que os participantes conhecessem experiências inovadoras lideradas pelos professores Eduardo Teixeira (PUCRS) e Paulo Drews (FURG).