Equipamentos de ultrassonografia portátil com inteligência artificial foram doados pela Santa Casa de Porto Alegre e serão utilizados na formação de estudantes da área da saúde

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) recebeu na última quarta-feira, 16, a doação de equipamentos de ultrassonografia portátil feita pela Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Os dispositivos, de última geração, passam a integrar a estrutura do Centro de Simulação da universidade, qualificando o ensino de estudantes da Medicina, Enfermagem, Fisioterapia e demais cursos.
A entrega simbólica dos equipamentos contou com a presença do vice-reitor da UFCSPA, Rafael Vargas; do Assessor Especial para Parcerias Estratégicas da Reitoria, Marcelo Faria; da coordenadora do curso de Medicina, Maria Eugênia Pinto; de Carla Rynkowski, médica de urgência e trauma e integrante da equipe técnica do Centro de Simulação, e do médico radiologista Luís Carlos Anflor Junior, todos professores da UFCSPA; além de Roberta Almeida, gerente de ensino e pesquisa da Santa Casa de Porto Alegre.
Durante o evento, docentes da universidade destacaram a mudança de paradigma representada pela incorporação da ultrassonografia à beira-leito na prática clínica e no ensino.
“Esse momento é simbólico, mas também estratégico. Estamos no início de uma nova gestão e começando o planejamento para o Centro de Simulação. Essa doação qualifica a formação e abre novas possibilidades para a pesquisa e para a assistência”, afirmou o assessor da Reitoria e membro do Centro de Simulação, Marcelo Faria.
Foram adquiridos e repassados à UFCSPA três transdutores, e três tablets, que serão conectados junto ao software que possibilita o uso do ecógrafo. “Quando o aluno entra na Medicina, a primeira coisa que ele quer é comprar um estetoscópio. Mas talvez, no futuro próximo, ele vá atrás de um ecógrafo. Isso porque o ultrassom portátil já faz parte do exame físico moderno”, afirmou o vice-reitor da UFCSPA.
A coordenadora do curso de Medicina, que também é da equipe de gestão do Centro de Simulação, professora Maria Eugênia Pinto, destacou que o uso do ultrassom já está sendo incorporado às práticas curriculares: “Esse é um momento muito significativo para a UFCSPA. A chegada desses equipamentos fortalece uma proposta que vínhamos construindo há anos, de integrar a ultrassonografia ao ensino desde os primeiros semestres. Já conseguimos avançar com aulas na emergência e na semiologia, e agora, com o Centro de Simulação equipado, será possível ampliar esse acesso de forma estruturada e contínua”, afirmou.
Tecnologia e inteligência artificial a serviço do ensino

Os equipamentos doados contam com tecnologia de ponta, incluindo inteligência artificial. Entre os recursos estão assistentes que orientam o posicionamento do transdutor, identificam estruturas anatômicas e até indicam o caminho correto para obter imagens cardíacas, pulmonares ou musculoesqueléticas.
“É como se o aluno tivesse um professor do lado dizendo: ‘isso é o fígado, isso é o átrio esquerdo’. A inteligência artificial reduz a curva de aprendizado e dá mais segurança, tanto para estudantes quanto para profissionais em formação”, explicou o demonstrador da empresa fornecedora.
A professora Carla Rynkowski também destacou que os ecógrafos portáteis permitem diagnósticos mais rápidos e intervenções mais seguras. “Hoje não existe mais UTI ou emergência sem ecógrafo. A tecnologia possibilita avaliar se há derrame pleural, líquido livre, trombose venosa profunda, entre outros, com agilidade e precisão”, afirmou.
A ferramenta também tem grande valor em procedimentos clínicos, como bloqueios de nervos periféricos. “A ecografia guiou um bloqueio que aliviou imediatamente a dor intensa da minha irmã após uma fratura grave. Essa tecnologia muda vidas na prática”, complementou Carla.
Para o professor Luís Carlos Anflor Junior, da área de Radiologia, o uso da inteligência artificial deve sempre estar acompanhado de orientação profissional. “É uma ferramenta muito poderosa para o ensino, mas precisa ser validada por quem tem domínio da anatomia e da patologia. Não substitui o radiologista, mas pode ser um grande aliado, se usado com responsabilidade”.
Compromisso com o SUS e com o acesso

Ao encerrar o encontro, o vice-reitor reforçou ainda que o objetivo da UFCSPA é formar profissionais preparados para atuar na linha de frente do SUS. “A gente não quer que nossos alunos fiquem apenas nos serviços de alta complexidade. A gente quer que eles levem esse conhecimento lá para a atenção básica, para onde está a maioria dos problemas de saúde da população brasileira”.
A expectativa é que o uso do ultrassom portátil se torne cada vez mais comum e acessível, inclusive com o barateamento da tecnologia.





