
A UFCSPA promoveu, nesta sexta-feira (13), um painel sobre os desafios atuais da pós-graduação e da inovação no Brasil, dentro da programação do 4º Congresso UFCSPA. A atividade foi conduzida pela pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da universidade, professora Aline Pagnussat, reunindo o professor Avelino Francisco Zorzo, coordenador de área da Capes e docente da PUCRS, e o professor Odir Dellagostin, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), em diálogo com a comunidade acadêmica.
Na abertura, o professor Avelino Zorzo destacou as mudanças já em vigor na avaliação dos programas de pós-graduação no país, com ênfase crescente no impacto das pesquisas. Segundo ele, a Capes hoje trabalha com três grandes eixos: planejamento e estrutura do programa, formação e produção científica, e impacto social e econômico. “Um terço da avaliação será dedicado ao impacto, incluindo publicações, desenvolvimento tecnológico, transferência de conhecimento e contribuição efetiva à sociedade”, explicou. Ele lembrou que, já no ciclo avaliativo de 2025 a 2028, todos os programas precisarão apresentar casos concretos de impacto em suas áreas de atuação.
Zorzo também apresentou a construção da Agenda Nacional de Formação de Pessoal de Pós-Graduação, alinhada ao Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), que busca integrar as demandas regionais à oferta de cursos de mestrado e doutorado. “Estamos dialogando com as pró-reitorias de pós-graduação de todo o país, considerando as necessidades de cada Estado a partir da interação com governo, setor produtivo, sociedade e academia”, afirmou.
A parceria entre universidade e empresas foi outro ponto de destaque, com o professor ressaltando o aprendizado mútuo nessas cooperações. Ele citou o exemplo de projetos internacionais em que empresas contratam engenheiros para desenvolver soluções pontuais, mas buscam as universidades para pensar fora da caixa e explorar caminhos ainda não percorridos pela indústria.
O professor Odir Dellagostin, por sua vez, compartilhou a experiência da Fapergs na ampliação do apoio à inovação no Rio Grande do Sul. “Por muito tempo, formamos mestres e doutores quase exclusivamente para atuar na academia. Precisamos também ampliar a presença desses profissionais no setor produtivo, nas empresas e indústrias”, defendeu.
Entre os programas destacados por Dellagostin estão o Centelha, voltado à criação de startups, e o Tecnólogo, que apoia empresas já estabelecidas a desenvolver novos produtos e processos. Como exemplo prático, o presidente da Fapergs citou o caso de uma empresa gaúcha de biotecnologia que, com apoio da fundação, conseguiu desenvolver um teste diagnóstico rápido para a detecção de doenças respiratórias, hoje já em uso por serviços de saúde.
Outro exemplo apresentado foi o do programa Doutor Empreendedor, que permite que recém-doutores possam receber apoio financeiro para transformar projetos de pesquisa em negócios inovadores, ampliando as opções de atuação profissional para além do ambiente acadêmico.
Dellagostin também abordou as iniciativas voltadas ao SUS, como o Programa Pesquisa para o SUS (PP-SUS) e o novo PP-SUS Inovação, que busca dar continuidade a projetos que já geraram protótipos ou produtos com potencial de aplicação no sistema público de saúde. “O SUS é um mercado estratégico e ainda muito dependente de tecnologias importadas. Precisamos transformar mais conhecimento gerado aqui em produtos desenvolvidos no país, com aplicação direta no sistema público de saúde brasileiro”, destacou.
Encerrando o encontro, a professora Aline Pagnussat destacou o trabalho institucional que vem sendo desenvolvido na UFCSPA para fortalecer a cultura de inovação e de impacto social, especialmente nas áreas de saúde e no atendimento ao SUS. Segundo ela, trata-se de um eixo estratégico que já vinha sendo construído na gestão anterior e que segue como uma das prioridades na atual gestão.
“Agradecemos a generosidade dos palestrantes em compartilhar suas experiências e contribuir com essa trajetória de consolidação da cultura de inovação na UFCSPA, alinhada à saúde pública e à nossa missão institucional”, afirmou a pró-reitora.
O painel reuniu estudantes de mestrado, doutorado e docentes da instituição, refletindo o crescente interesse da comunidade acadêmica em integrar o conhecimento científico à produção de impacto social, econômico e tecnológico.
Casos e trajetórias de empreendedorismo científico completam o debate

Dando continuidade à discussão, o Congresso também promoveu o painel Spin-offs acadêmicas: o desafio de levar a pesquisa da bancada para o mercado, trazendo exemplos concretos de pesquisadores e empreendedores que têm buscado transformar ciência em inovação.
A atividade também foi mediada pela professora Aline Pagnussat, que ressaltou a importância de construir pontes entre a produção acadêmica e as demandas da sociedade: "Transformar ciência em inovação ainda não é um caminho natural para nós na universidade, mas é um movimento que precisa ser incentivado, com espaço para as experiências reais de quem já ousou trilhar esse percurso."
Participaram do debate Rogério Carvalho de Assis Brasil (Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia), Mário Frota Jr (engenheiro biomolecular e empreendedor na área de bioengenharia do mar) e Felipe Ravanello (diretor de Inovação e Governança no CSBD - GeneseDB). Os convidados trouxeram diferentes perspectivas sobre o desafio de consolidar spin-offs acadêmicas, compartilhando suas experiências na criação de startups e no desenvolvimento de produtos e processos inovadores a partir do ambiente universitário.





