A professora da UFCSPA Carla Bittencourt Rynkowski é coautora de estudo publicado no JAMA sobre os níveis de hemoglobina em pacientes neurocríticos
Qual é o nível de hemoglobina seguro para que pacientes com traumatismo cranioencefálico e hemorragia cerebral tenham menos sequelas? Para responder esta pergunta, a professora da UFCSPA Carla Bittencourt Rynkowski, em coautoria com pesquisadores de 22 países, conduziu uma pesquisa que avaliou o impacto de duas estratégias de transfusão de sangue - uma abordagem "liberal", com transfusões mais frequentes, e uma abordagem "restritiva", com menos transfusões.
O objetivo da pesquisa foi determinar qual nível de hemoglobina seria mais seguro para pacientes neurocríticos, com o intuito de reduzir sequelas e melhorar a recuperação funcional. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente entre os dois grupos, sendo que, em média, aqueles na estratégia liberal receberam duas unidades de concentrado de hemácias, enquanto o grupo restritivo não precisou ser transfundido. Segundo Carla, o estudo foi em grande parte viabilizado pela contribuição do Hospital Cristo Redentor, que incluiu o maior número de pacientes entre as 72 unidades de terapia intensiva participantes.
Após 180 dias de acompanhamento, os pesquisadores observaram que 72,6% dos pacientes do grupo restritivo apresentaram desfechos neurológicos desfavoráveis, em comparação a 62,6% no grupo liberal. Além disso, os pacientes que receberam mais transfusões tiveram uma menor incidência de eventos isquêmicos cerebrais, com uma taxa de 8,8%, em comparação a 13,5% entre os pacientes do grupo restritivo.
A professora explica que o estudo fornece evidências sólidas sobre a importância de manter níveis mais elevados de hemoglobina em pacientes neurocríticos. "O estudo avalia especificamente se, para pacientes com hemorragia intracerebral ou traumatismo craniano, é melhor mantê-los com uma hemoglobina no nível menor seguro ou se eles devem ficar com valores um pouco mais altos", detalha.
Até o momento, ela acrescenta, os estudos realizados nessa área não conseguiam provar de forma conclusiva qual o melhor nível de hemoglobina a ser mantido. "Depois de muitas pesquisas, esta foi a primeira que demonstrou, com a melhor evidência científica disponível, que manter a hemoglobina mais elevada nesses pacientes reduziu as chances de sequelas e fez com que ficassem funcionalmente menos dependentes", explica.
A íntegra da matéria será publicada na próxima edição do Panorama UFCSPA





