A Federal da Saúde recebe o encontro do fórum regional de Pró-Reitores. Nos debates, a importância da pós-graduação para o país e a prospecção da ciência para o futuro

Pró-reitores de pesquisa e pós-graduação de instituições da Região Sul estão reunidos durante esta semana na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). No evento, aberto com a palestra da presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho, os gestores discutem a importância da pós-graduação para o desenvolvimento nacional e os novos cenários e desafios para o aperfeiçoamento de políticas de ciência e tecnologia.
A pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da UFCSPA, Dinara Moura, deu as boas vindas à UFCSPA, reforçando a especificidade da instituição na área da saúde e cumprimentando a comissão organizadora do evento.
Para o presidente do Forprop e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Charles Morphy Dias dos Santos, o evento aponta para a necessidade do diálogo entre as instituições e a Capes, como a agência reguladora das pós-graduações no país. “O Fórum é a representação da pesquisa e pós-graduação no país. Mais de 270 instituições compõem esse coletivo. E o convite para estar aqui, prontamente aceito pela Capes, mostra o diálogo que temos conseguido resgatar com as agências federais, o que foi muito difícil pra gente entre 2019 e 2022. Além disso, realizar o evento aqui em Porto Alegre tem um simbolismo forte, que representa o nosso papel como comunidade na reconstrução pós-enchentes”.
Denise Pires de Carvalho, que foi reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembrou das dificuldades enfrentadas pelas universidades nos últimos anos. “Nós estivemos juntas na Andifes num período muito difícil, no qual não havia diálogo e havia desrespeito. Mas, vamos olhar pra frente, porque o Brasil precisa que olhemos para frente”.
A presidente da Capes também falou sobre a presença do órgão no Sul. “Eu precisava vir ao Sul para discutir os impactos e possibilidades de a Capes agir no sentido de mitigar os efeitos das enchentes no estado, e as diretorias finalísticas, à exceção da do Ensino Básico, estão todas aqui para fazer esse diálogo”, complementou.
A UFCSPA é uma das 100 primeiras instituições do mundo ranqueadas pela Times Higher Education, a primeira do Brasil no critério de saúde e bem-estar, ao lado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e ganhadora duas vezes do prêmio Capes Elsevier. Esses dados foram destacados pela reitora, Lucia Campos Pellanda, que também falou do poder de transformação social das universidades.
"Um professor, uma professora pode transformar vidas e trajetórias. Nesta época de anticientificismo, em que as universidades do mundo inteiro estão observando o desinteresse dos jovens pelas instituições e pela ciência, a solução está nesta sala em que estão os pró-reitores de pesquisa e pós graduação. Não só soluções para nosso país, mas como inspiradores para as próximas gerações”, afirmou Pellanda. “A universidade muda história de vidas mesmo, e é também através da pesquisa que a gente pode fazer isso. Após a emergência climática no nosso estado, as universidades mostraram novamente o seu papel, assim como aconteceu na pandemia. Respondemos prontamente. E, hoje, não tem como reconstruir nosso estado sem ciência”, complementou a reitora da UFCSPA.
Pesquisa e Pós-Graduação no Brasil

O Brasil está em 13º lugar na lista internacional da produção acadêmica, considerando o número de artigos científicos publicados. “O Brasil sofreu com pandemia e subfinanciamento, retrocedendo décadas nos últimos anos e, mesmo assim, se manteve neste lugar, mostrando uma grande resiliência dos seus pesquisadores”, afirmou Denise Pires de Carvalho em sua palestra de abertura.
A presidente da Capes detalhou informações sobre o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG), que completará, em 2025, 60 anos. Aspectos como os números de programas de excelência, com notas 6 e 7, a importância do financiamento com bolsas e outros recursos e a colaboração nacional e internacional foram apontados como elementos de destaque.
“Estamos consolidando nosso Sistema, especialmente pelo avanço dos programas de excelência, em nível de internacionalização. É na pós-graduação que produzimos conhecimento de ponta, ou seja, o Brasil depende dos programas stricto sensu nesse quesito”, explicou.
Dados apresentados pela Capes dão conta ainda de que áreas como a de biotecnologia e a da saúde despontaram nos últimos anos. Para a presidente, “a pesquisa tem que ser vista como uma questão de soberania nacional, com produção de alta tecnologia. Caso contrário, todo nosso conhecimento pode sair do país como commoditie se não envolvermos ciência e tecnologia nacional”.
Entre as metas apontadas por Carvalho para a Capes estão: aumentar a quantidade de mestres e doutores no brasil, garantir a qualidade das pesquisas, aumentar a mobilidade acadêmica, reduzir as assimetrias, aumentar a internacionalização e promover a inclusão e a equidade na pós-graduação.
O Encontro do Fórum de Pró-reitores de Pesquisa e Pós-Graduação da Região Sul segue até esta quarta-feira, 4.





