Mesa-redonda discutiu cuidados e intervenção de saúde em populações vulnerabilizadas
Na tarde desta quarta-feira, 19, no Salão Nobre da UFCSPA, o público do 3o Congresso pôde compartilhar experiências de profissionais de saúde que atuaram na situação de emergência de saúde e sanitária que viveram os Yanomami, em Roraima, este ano. A Dra. Suzana Grubel, Médica de Família e Comunidade, e Denise Garczynski, Enfermeira, participaram da Missão coordenada pelo ministério da saúde junto aos indígenas. A mesa foi coordenada pela Dra. Maria Amélia Mano (UFCSPA).
Para ambas as profissionais, a experiência diante da emergência de saúde dos indígenas possibilitou a expansão do componente humano na prática profissional, além de ampliar o conhecimento sobre outras realidades culturais de povos dentro do nosso próprio país.
“Em toda minha história já tinha trabalhado com pessoas com dificuldades de acesso à saúde, mas não tinha experiência vulnerabilidade em saúde de comunidades indígenas. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família lançou um chamado de voluntariado e eu fui. Por que me voluntariei? Enquanto cidadã, assistindo aos programas de televisão e assistindo à profunda devastação, vendo as imagens principalmente das crianças, eu me senti de certa forma como parte do problema”, relatou Grubel.
Segundo censo de 2022, 1,6 milhão de pessoas se declaram indígenas. Desses, 700 mil estão em terras indígenas. No Distrito Sanitário Especial Indígena que atendia os Yanomami, os casos eram de extrema gravidade.
“Essa experiência mostrou que o trabalho dos profissionais de saúde que estavam lá é um trabalho que foi uma gota num oceano. A gente tem que lembrar que fazemos muito pouco, a gente tem que olhar para as pessoas indígenas que estão em sofrimento. Olhar já é importante, saber que eles existem, lembrar nossos filhos que os povos tradicionais e fundadores estão sendo reduzidos já é suficiente”, concluiu a médica.
Segundo a enfermeira Denise, “muitas pessoas perguntavam: o que tu vais fazer lá? Eu respondia: o que der. Era uma Missão humanitária em saúde”. Ainda de acordo com a profissional, havia um ciclo vicioso de doenças em que pacientes transmitiam doenças para acompanhantes que precisava ser interrompido.
Os casos variavam entre tuberculose, infecção respiratória, desnutrição grave, verminose, e outras patologias, ao mesmo tempo. Ainda para Denise, “conhecer a realidade do Norte fez a gente aqui do Sul pensar muito nas nossas condições. Certamente, nossos maiores aprendizados foram: fortalecimento do trabalho em equipe, resiliência e espiritualidade.
O 3º Congresso UFCSPA ocorre até sexta-feira, 20, com diversas atividades. Confira a programação completa neste link.





