“Negras e negros nas universidades brasileiras” foi tema do webinário “Por uma universidade antirracista”, na noite de terça-feira, 16, no YouTube da UFCSPA

“Negras e negros nas universidades brasileiras” foi tema do webinário “Por uma universidade antirracista”, na noite de terça-feira, 16, no YouTube da UFCSPA, com a mediação da professora e pró-reitora da PROEXT Mônica de Oliveira.

A primeira ministrante foi a professora do departamento de saúde coletiva da UFRGS Fernanda Bairros que, desde a graduação em Nutrição, atua com as relações étnico-raciais na saúde. “A nossa presença na universidade tem muita importância porque nós estamos enegrecendo a ciência. A nossa produção de conhecimento vem também ao encontro de uma luta contra o racismo dentro da ciência. Houve um epistemicídio, um apagamento histórico de toda a produção intelectual da população negra”, explicou.

Fernanda destacou que os avanços dentro e fora da universidade são fruto de uma luta antirracista antiga, protagonizada pelo movimento negro, de mulheres negras e de quilombolas. “Nós não estamos sós. É uma luta coletiva. Se hoje eu estou professora de uma universidade federal do Rio Grande do Sul é porque outras vieram atrás e lutaram para que este espaço fosse garantido. Sabemos o quanto a educação tem um papel importante nessa luta antirracista e na construção de uma sociedade de fato democrática”.

A pesquisadora acrescentou que a luta de negros e negras na universidade deve fortalecer a luta antirracista dentro e fora da universidade e formar profissionais mais conscientes, rompendo com o racismo científico que a universidade produziu por tanto tempo. 

A segunda palestrante da noite foi a ex-reitora da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e secretária municipal de Reparação de Salvador, Ivete Sacramento, uma das pioneiras do movimento negro na capital baiana. Quando reitora, em 2002, a universidade foi uma das precursoras a adotar o sistema de cotas para afrodescentes tanto para a graduação quanto para a pós-graduação. A professora leu a carta anônima, que recebeu no dia seguinte à aprovação das cotas. 

Distinta criola, achei ridícula a sua aparição na televisão nesta manhã, enfocando os 40% de vagas para negros. Vá se catar mulher! Se estes negros esvaziam a sala de aula e lotam as cadeias é por instinto e maldade, típicos da raça negra...afinal ser gente é privilégio de poucos, não é pra todo mundo”. Ivete destacou que, segundo esta máxima racista, até no século XXI, negro ainda não é gente, continua na mesma condição de escravizado, por isso uma política de reparação, de devolver às pessoas o que historicamente lhes foi tirado, gera tanta polêmica.

Ivete lembrou que nunca houve tantas ações afirmativas, mas que agora existe o movimento para desqualificar a própria universidade e alerta: “Vencemos uma etapa de racismo que é entrar na universidade, mas não é qualquer universidade. É uma universidade pública e de qualidade! Nós, negros e negras, que conseguimos chegar, com o esforço e militância de muitos, a esta universidade pública, temos que preservá-la”.

Na terça (23) o webinário encerra com a mesa temática “Estratégias políticas e pedagógicas no movimento de negras e negros”. Agende-se e não perca!

O evento é uma iniciativa do Núcleo de Inclusão e Diversidade (NID), organizado pelo Grupo de Estudos Afro-brasileiros (GEAB) e pelo Núcleo Cultural da UFCSPA.