Documento fala sobre variantes do vírus e reitera a importância da manutenção dos cuidados.

O Comitê Técnico de Informações Estratégicas e Respostas Rápidas à Emergência em Vigilância em Saúde Referente ao Coronavírus da UFCSPA (COE) divulgou nesta sexta-feira, 12, uma nova nota relativa ao panorama da epidemia. Segue abaixo a íntegra do documento:

SARS-CoV-2: Transmissão, Mutações e Eficácia das Vacinas

O surgimento de variantes do SARS-CoV-2, vírus que causa a COVID-19, tem causado preocupações e dúvidas, como por exemplo o risco que essas variantes podem ser mais transmissíveis ou causarem sintomas mais graves, ou da vacina não ter efeito contra elas.

É importante lembrarmos que os vírus sofrem muitas mutações, principalmente os vírus de RNA, que é o caso do SARS-CoV-2. As mutações ocorrem cada vez que o vírus se replica dentro da célula hospedeira e é um fenômeno natural. Algumas dessas mutações podem alterar as características do vírus, como, por exemplo, aumentar a sua capacidade de infectar a célula, ou sua transmissibilidade, ou, ainda, sua patogenicidade, causando sintomas mais graves ao hospedeiro. E é assim que surgem as novas variantes virais.

No caso do SARS-CoV-2, as variantes que mais têm causado preocupação são a B.1.1.7, que surgiu na Inglaterra e parece ser 50% mais infecciosa; P.1, que surgiu em Manaus; e a B.1.351, que surgiu na África do Sul. Algumas vacinas (como por exemplo a da AstraZeneca) parecem não ser eficazes contra esta última variante. Já a variante P.1, circulante no Brasil, possui muitas mutações semelhantes à B.1.351, mas ainda não se sabe qual a eficácia da vacina para essa variante. O que se sabe é que indivíduos previamente infectados por outras variantes do SARS-CoV-2, apesar de possuírem anticorpos contra o vírus, não estão bem protegidos contra uma infecção pela variante P.1.

Cabe lembrar que a vacina não garante que uma pessoa não vá se infectar – ou seja, não protege contra infecção; o efeito principal da vacina é evitar que a pessoa vacinada desenvolva sintomas graves da doença. Desta forma, a vacina reduz o risco de a pessoa infectada apresentar um quadro grave ou mesmo morrer de COVID-19.

Desta forma, o COE ressalta a importância das medidas de controle para evitar infecção contra o coronavírus mesmo para as pessoas já vacinadas. Usar máscara, lavar bem as mãos e evitar aglomerações seguem sendo as melhores formas de proteger a si e aos demais. Quanto mais o vírus é transmitido na população, mais ele se replica e, consequentemente, mais mutações e mais variantes virais surgem. Portanto, devemos fazer todo o possível para reduzir a circulação do vírus, prevenir infecções e reduzir as oportunidades de evolução do SARS-CoV-2 para variantes resistentes às vacinas existentes.

Referências:
Corum J, Zimmer C. Coronavirus variants and mutations. Coronavirus Variant Tracker – The New York Times. Feb 8, 2021.

Dorp LV et al. No evidence for increased transmissibility from recurrent mutations in SARS-CoV-2. Nature Communications 2020; 11:5986. https://doi.org/10.1038/s41467-020-19818-2

Peck KM, Lauring AS. Complexities of Viral Mutation Rates. Journal of Virology 2018; 92:e01031-17. https://doi.org/10.1128/JVI.01031-17