Os profissionais de saúde que atuam em unidades de internação clínica têm agora um novo recurso tecnológico para auxiliar na avaliação do risco de suicídio de pacientes. Produto de uma tese de doutorado desenvolvida pelo egresso do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Ezequiel Teixeira Andreotti, o aplicativo contém questões sobre suicidalidade para serem respondidas por pacientes internados e orientações direcionadas às equipes hospitalares de acordo com cada caso. “O objetivo do m-Health é evitar ou amenizar o índice de suicídio no ambiente hospitalar, criando estratégias eficazes para a equipe multidisciplinar”, detalha Andreotti.

Premiada em dois eventos acadêmicos no mês de novembro (o Congresso de Clínica Psiquiátrica e o Congresso Cérebro, Comportamento e Emoções), a ferramenta recebeu durante o processo de construção uma série de contribuições de especialistas, como o orientador Ygor Arzeno Ferrão e o professor Sílvio César Cazella.

De acordo com o egresso do PPG-Ciências da Saúde, a composição das perguntas foi precedida por uma revisão sistemática dos instrumentos já disponíveis na literatura acadêmica para mensuração do risco de suicídio. As duas ferramentas escolhidas, a BSI e a C-SSRS, foram submetidas à avaliação de três profissionais – um médico psiquiatra, um enfermeiro e um enfermeiro especialista em saúde mental – visando à elaboração de uma nova escala de detecção de risco suicida, denominada Detect-S.

Dividida em três seções, a Detect-S traz 24 questões a respeito de intenção, comportamento, plano e ideação suicida. “Após a elaboração inicial da escala, a Detect-S foi encaminhada para avaliação de 27 especialistas com produção científica na temática do suicídio nos últimos 10 anos”, acrescenta Andreotti. A escala foi então adaptada para uso em dispositivos móveis, permitindo que pesquisadores e profissionais de saúde aplicassem os questionários no ambiente hospitalar.

As respostas coletadas são contabilizadas pelo aplicativo, que passa a emitir avisos sobre a prioridade de intervenção médica e de enfermagem sobre o paciente avaliado. O idealizador do m-Health enfatiza que o nível de prioridade segue o esquema de cores utilizada no protocolo de Machester, separado pelas categorias “nenhum risco” (azul), “risco baixo” (verde), “risco moderado” (amarelo) e “risco alto” (vermelho). “As condutas dos profissionais do hospital específico foram norteadas não apenas conforme manuais sobre manejo de risco de suicídio disponibilizado no software, mas sobretudo de acordo com os protocolos de assistência dos hospitais em questão, se existentes”, complementa.

O próximo passo do projeto é a implementação da ferramenta em hospitais de Porto Alegre, como a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Presidente Vargas. “Pretendemos também ampliar sua aplicação em ambulatórios, clínicas e até mesmo universidades”, projeta Andreotti.