25/03/2022 – GZH

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Universitários que iniciaram a faculdade durante a pandemia conhecem a rotina nos campi após dois anos de graduação

Estudantes que começaram seus cursos em 2020 e 2021 têm agora os primeiros contatos com as atividades presenciais

Ir de manhã para a faculdade, almoçar no campus, descansar em gramados ou saguões e esperar junto com colegas para ter outra aula mais tarde é uma rotina familiar para quem já passou por uma graduação. Esse cotidiano, porém, está sendo uma novidade para muitos estudantes que iniciaram suas formações nas universidades nos últimos dois anos, enquanto a pandemia mudou a forma de estudar, com todas ou parte das aulas de forma remota.

Em cinco grandes instituições de Ensino Superior gaúchas – PUCRS, UFPel, UFRGS, UFSM e Unisinos – pelo menos 35 mil alunos ingressaram ao longo de 2020 e 2021. O número pode ser maior, visto que a UFRGS, por exemplo, ainda não tem dados consolidados de 2021.

Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), cerca de 5 mil estudantes começaram suas graduações nesses dois anos. Uma delas é Laura Eleutherio, 20 anos, que está no terceiro semestre do curso de Arquitetura e Urbanismo da instituição. A jovem iniciou os estudos no começo de 2020 e se decepcionou com a perspectiva de fazer as aulas no formato remoto.

— Acho que todos os estudantes se sentiram decepcionados. A gente era calouro, queria viver o campus, o contato com os colegas. Foi bem difícil ficar só em casa, mas, com o passar do tempo, a gente foi se acostumando — lembra Laura.

Um pouco do vínculo com os colegas se formou durante a realização de trabalhos em grupo, mesmo que à distância – mas mais superficial, nem perto do que a graduanda desejava. No ano passado, a jovem chegou a ter algumas aulas presenciais, ainda que em períodos isolados, sem a criação de uma rotina de ida à universidade. Em 2022, chegou o momento de experimentar o mundo universitário.

— Eu venho para a faculdade de manhã, porque faço iniciação científica, e fico aqui o dia inteiro, porque moro longe, em Gravataí. Minhas aulas começam à tarde e vão até de noite. Está sendo incrível ter essa experiência de conhecer meus colegas e professores, ter essa troca, ter contato com alunos de outros cursos — conta Laura, salientando que a novidade também pode ser desafiadora e cansativa, já que, pela primeira vez, os estudantes estão tendo que sair do conforto de suas casas.

O ensino também teve ganhos, na opinião da futura arquiteta:

— Os professores tentavam dar o seu melhor, mas era muito difícil no formato remoto. Também dava vergonha de perguntar algo para o professor, em uma sala virtual lotada. Agora, tu sente mais a integração com a turma e fica mais à vontade. Minha graduação vai ser separada entre antes e depois do presencial — resume a jovem.

Para ter um pouco do gostinho das aulas presenciais, Sofia Borges, 19 anos, que cursa o quinto semestre de Biomedicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), teve uma ideia: fazer um curso que desse noções básicas aos alunos sobre como se trabalha em um laboratório. A proposta foi fruto de uma experiência difícil com as aulas remotas.

— Foi bem complicado se adaptar ao estudo em casa. Demorou mais de meio ano para a turma e os professores se acostumarem com a plataforma e, mesmo depois, eu odiei, porque é muito ruim ficar em casa, ainda mais quando tu ainda não tem os teus amigos na faculdade. Por isso, no segundo semestre de 2021, eu e uma amiga começamos a fazer uma movimentação para voltar — relata a universitária.

A jovem lembra que conversou com coordenação e professores e percebeu que muitos tinham vontade de voltar ao presencial, mas, como já havia um calendário aprovado em andamento, o que era possível naquele momento era oferecer uma atividade extracurricular. Foi criado, então, o Curso de Instrumentação Laboratorial, para estudantes de Farmácia e Biomedicina.

— A adesão nos surpreendeu. O curso envolveu uns 100 alunos. Achávamos que só pessoas que entraram na faculdade durante a pandemia teriam interesse, mas pessoas de semestres mais adiantados também quiseram — destaca Sofia.

Na UFCSPA, a previsão é de que 100% das aulas práticas e 50% das teóricas voltem para a presencialidade em abril. A retomada total deve acontecer de forma gradual entre maio e julho. Mas, para Sofia, a experiência do curso e a iniciação científica em um laboratório da universidade, iniciada em 2021, mas tornada presencial em 2022, já fizeram uma grande diferença em seu aprendizado.

— Nesse mês em que eu fui todos os dias para a UFCSPA eu já aprendi tanta coisa. Tu pega o jeito muito rápido, agora sinto que posso fazer na prática aquilo que, quando me ensinaram, parecia muito mais difícil do que é na vida real — comenta a graduanda.

Já veterano em graduações, Luis Henrique Severo, 35 anos, desbrava seu terceiro curso, agora de Psicologia, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Formado em Educação Física, ele começou a nova faculdade em janeiro de 2021. Sente que as aulas remotas não lhe incomodaram tanto quanto seus colegas mais novos, mas, mesmo assim, representaram desafios.

— No início, a turma começou as aulas remotas motivada de conhecer os colegas, alguns abriam câmeras, outros não. Até consegui vários vínculos sociais que achava que, no online, não iriam acontecer. No segundo semestre isso se manteve, mas, no último, eu vi que as pessoas, inclusive eu, já estavam um pouco cansadas disso de estar em casa o tempo inteiro — analisa Luis.

Por enquanto, as aulas do estudante seguem remotas. Algumas atividades, no entanto, já estão presenciais, como o projeto de extensão do qual ele faz parte, de acompanhamento terapêutico. O universitário afirma que a experiência tem sido boa especialmente no que se refere a conversas não vinculadas às aulas em si.

— Agora temos as conversas entre aulas, que o online não tem. No online, a gente entra na sala virutal, dá oi, espera o professor começar e, quando termina a aula, todo mundo sai da sala e acabou. Tu volta para a tua casa instantaneamente. No presencial não: tu entra, conversa com os colegas, tem aula quando chega o professor, conversa mais um pouco no intervalo e depois na saída — descreve o aluno de Psicologia, que avalia que esses momentos entre os estudos ajudam no próprio aprendizado.

Raquel Soltof Fulber, 21 anos, cursa o quinto semestre de Medicina na Feevale. Diz que teve seu sonho frustrado ao longo desses dois anos.

— Depois de um vestibular tão difícil, em que todo mundo luta tanto para conseguir passar, começa a faculdade, o sonho e, do nada, para tudo e todo mundo tem que ir para casa. No início, a faculdade é uma coisa que a gente quer muito. Os estudantes de Medicina sonham em usar o jaleco, o estetoscópio, conviver com o paciente. Essas são motivações pra não desistir de estudar para o vestibular. Foi frustrante — admite a jovem.

Em disciplinas práticas, como Anatomia, a estudante relata que, mesmo com o esforço dos professores, ficaram lacunas de aprendizagem que só agora, no presencial, devem ser preenchidas. Ela sente que só agora, sem revezamento e com aulas todos os dias, está realmente vivendo a faculdade.

— Está sendo incrível ver os amigos, os pacientes, os professores. Vamos começar a ter prática no hospital no início de abril e estamos muito empolgados — conta Raquel.

24/03/2022 – Portal Embrapa

Link: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/69182204/curso-producao-integrada-de-oliveira-realiza-modulo-presencial-em-produtores-de-azeite-do-sul-gaucho?p_auth=w3uW6hS6

Curso Produção Integrada de Oliveira realiza módulo presencial em produtores de azeite do Sul gaúcho

Em torno de 40 participantes do Curso Produção Integrada de Oliveiras (PIO) realizaram visita técnica presencial em olivais nos municípios de Dom Pedrito/RS e Bagé/RS, nos dias 16 e 17 de março. A atividade faz parte de módulo prático do curso on-line promovido pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) e disponibilizado na Vitrine de Capacitações On-line da Embrapa (Plataforma e-Campo).

Na tarde do dia 16 de março, a visita ocorreu na propriedade da Rigo Agropecuária, em Dom Pedrito/RS. A atividade abrigou um Dia de Campo com três estações: “Implantação de olival”, com o engenheiro agrônomo da Carlotto Consultoria em Olivicultura, Fabrício Carloto Ribeiro; “Boas práticas na aplicação de defensivos agrícolas”, com técnicos do Senar/RS; e “Condução de olival e colheita”, com o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Clima Temperado, Enilton Coutinho, e com o engenheiro agrônomo da Rigo Agropecuária, Samuel Francisco Gobi.

Já na manhã do dia 17, os participantes realizaram visita guiada ao lagar do Azeites Terra Pampa, em Bagé/RS, acompanhados pelo engenheiro agrônomo responsável pelo lagar da propriedade, Emerson Menezes. Na sequência, foram realizadas duas palestras sobre a cultura, no auditório da Embrapa Pecuária Sul (Bagé, RS): “Qualidade de frutas e processamento x azeite”, com o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Rogério Jorge; e “Instrução Normativa 01/2021 e análise sensorial”, com o professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Juliano Garavaglia.

Além dos pesquisadores presentes, também compareceu ao evento o analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Clima Temperado Janni Haerter, responsável pela condução do curso na Plataforma e-Campo. Dentre os presentes - todos previamente inscritos e participantes dos cinco módulos on-line do curso - estiveram representantes de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, além do Rio Grande do Sul.

Sobre o Curso

O Curso Produção Integrada de Oliveiras foi realizado entre os meses de janeiro e março para difundir conhecimentos sobre a olivicultura e seu respectivo sistema de produção e para formar responsáveis técnicos (RT) e auditores com certificação pela Embrapa e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para as áreas de campo e indústria. O público-alvo são produtores, agrônomos, técnicos, estudantes e outros interessados no tema. A expectativa é que novas turmas sejam oferecidas em breve, via Plataforma e-Campo, disponível no link: https://www.embrapa.br/e-campo.

23/03/2022 – UnB Notícias

Link: https://noticias.unb.br/76-institucional/5581-reitoras-destacam-seguranca-no-retorno-as-atividades-presenciais

Reitoras destacam segurança no retorno às atividades presenciais

Em live, dirigentes de universidades públicas e epidemiologista da Fiocruz frisam melhora nos dados da pandemia e necessidade de máscaras e vacinação

A volta ao ensino presencial, neste momento, é uma vitória da ciência. Essa foi a conclusão apresentada pelos participantes da live “Os desafios do retorno às atividades presenciais nas universidades”, parte do projeto de webinários “O Futuro em tempos de pandemia: vida, sociedade e ciência”. Os prejuízos acadêmicos após dois anos de ensino remoto, a importância de medidas não farmacológicas, a escassez orçamentária e o arrefecimento da pandemia foram os principais temas discutidos pelas médicas e reitoras Denise Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e pelo epidemiologista Rivaldo Venâncio, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O encontro ocorreu na noite de terça-feira (22) e foi mediado pela reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão.

Lucia Pellanda apresentou um panorama do momento atual da pandemia e as lições desse período. “Precisamos de vacina e medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras, e pensamento coletivo”, disse. A reitora da UFCSPA destacou que um dos maiores aprendizados da pandemia foi a importância de evitar a transmissão respiratória, que inclui uso de máscara, ventilação e distanciamento. “Ao ar livre, na praia, não precisamos tanto de máscaras porque temos duas variáveis importantes, a ventilação e o distanciamento. Mas em um ambiente fechado, sem distanciamento, precisamos usar máscara.”

“Nós vivemos um momento em que a circulação do vírus está diminuindo, a partir de todos os indicadores que podemos verificar. O Brasil é um grande mosaico e sabemos que existem localidades com cenários diferentes. Mas há, indiscutivelmente, uma melhora”, afirmou Rivaldo Venâncio, da Fiocruz. Para ele, além da situação epidemiológica favorável, uma série de razões justificam a volta ao presencial nas universidades, como reestabelecer o pleno desenvolvimento de projetos de pesquisa, os laços de convivência entre docentes, estudantes e colegas de trabalho, proteger o patrimônio e reconstruir as redes de proteção social.

Para a reitora da UFRJ, as universidades e instituições de ciência orgulharam o Brasil pelo trabalho desenvolvido durante a pandemia. Mas, agora, os prejuízos acadêmicos precisam ser sanados com o retorno às atividades presenciais. “Neste momento nós precisamos retomar porque são 24 meses de ensino remoto e isso não é o ideal. Nós sabemos que o aprendizado precisa da presencialidade”, destacou Denise Carvalho, que apontou diferenças entre a educação a distância praticada há anos nas universidades e o ensino emergencial remoto.

Denise explicou que agora não é necessário ter distanciamento dentro das salas de aula, mas não pode ocorrer superlotação, com estudantes sentados no chão, por exemplo, acima da capacidade máxima do ambiente. “É fundamental estar de máscara e manter a capacidade permitida das salas de aula”, ressaltou.

Ela contou que não houve surto após o retorno de estudantes e docentes do Colégio de Aplicação da UFRJ (da educação infantil ao ensino médio), nem entre os internos da Medicina e os estagiários de términos de cursos. “Isso mostra que as medidas não farmacológicas e a vacinação permitem a volta com segurança.”

A UFCSPA também não parou durante toda a pandemia, inclusive por ser uma universidade da área da saúde. A vacinação e os equipamentos de proteção individual resguardaram os estudantes e profissionais. “Não tivemos surtos, nem nos picos de transmissão das variantes”, garantiu Lucia Pellanda.

ORÇAMENTO – A reitora Márcia Abrahão ressaltou a escassez orçamentária que, neste ano, mais uma vez assola as instituições de ensino superior, além de situações diferentes entre as universidades brasileiras e as condições físicas preexistentes. “Não é o caso da UnB, mas sabemos que muitas universidades não podem dar apoio aos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, exemplificou. “Não fizemos todas as reformas ideais para ter uma ventilação maior em nossos espaços. Não recebemos nem um centavo de investimento do governo federal no ano passado”.

De acordo com a reitora Denise Carvalho, a UFRJ também não recebeu recursos para investimento e há prédios tombados, problemas graves de infraestrutura, vazamentos e banheiros que não funcionam. “Não temos verba sequer para ampliar os contratos de limpeza. Estamos fazendo as manutenções dentro do que o orçamento permite”, disse. “No lugar de ter 20% de corte, em 2021, deveríamos ter tido 20% de aumento pra retornar pós-pandemia em condições melhores daquelas que tínhamos antes.” Ela descreve que o ambiente ideal seria com a possibilidade de ministrar aulas híbridas, com internet de qualidade, câmeras e equipamentos de som.

“As universidades respondem aos anseios da sociedade. Imediatamente nos transformamos em fábricas de álcool em gel, em fábricas de equipamentos de proteção, fizemos mais de 3 mil projetos de pesquisa em covid, sequenciamos o vírus mais rapidamente. Enfim, tudo isso mostra a qualidade da ciência brasileira. Mas acho que chegamos no limite do que podemos entregar em função desses sucessivos cortes no orçamento”, lamentou Lucia Pellanda. A UFCSPA já teve R$ 20 milhões para investimento e agora tem pouco mais de R$ 1 milhão. “Precisamos que a sociedade nos ajude a sair do teto de gastos.”

23/03/2022 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/saude/coronavirus/2022/03/decisao-politica-especialistas-avaliam-liberacao-da-mascara-em-lugares-fechados/

‘Decisão política’: Especialistas avaliam liberação da máscara em lugares fechados

Combinação de variante mais contagiosa com flexibilizações no momento errado pode causar aumento de casos e mortes

Ao completar dois anos do início da pandemia do novo coronavírus no Brasil, o Rio Grande do Sul e outros estados do País entram numa nova fase da crise sanitária ao flexibilizarem o uso de máscara em ambientes abertos e, principalmente, em ambientes fechados. A medida foi sendo adotada nas últimas semanas após a diminuição dos novos casos e melhora nos dados de internações hospitalares depois da fortíssima onda de contaminação causada pela variante ômicron desde o final de 2021. O contexto da população cansada e do uso já não vir sendo muito respeitado facilitou a decisão dos governantes.

Apesar da melhora recente nos indicadores da pandemia, o cenário ainda é de incerteza. Por um lado, estados como o Rio Grande do Sul e a cidade de Porto Alegre apresentam boa cobertura vacinal da população com duas doses, fator que especialistas concordam permitir já não usar máscara em ambientes ao ar livre, desde que sem aglomerações. Porém, a flexibilização em ambientes fechados causa apreensão e até desalento entre alguns especialistas ouvidos pelo Sul21.

Para o médico Eduardo Sprinz, chefe do serviço de infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), a decisão de desobrigar o uso de máscara em ambientes fechados é muito mais uma decisão política, com provável viés de obter ganho eleitoral, do que ancorada no bom senso.

Sprinz pondera que o atendimento nos hospitais e a taxa de positividade de covid-19 nos dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARG) estão estáveis nas últimas semanas e que o melhor seria esperar mais tempo para avaliar se haverá tendência de crescimento de novos casos.

Por sua vez, a bióloga e imunologista Cristina Bonorino é enfática em criticar a flexibilização do uso de máscara em ambientes fechados no atual momento da crise sanitária. Ela recorda que no começo da pandemia pouco se sabia sobre o novo coronavírus, e que ao longo dos últimos dois anos muito foi sendo aprendido. A liberação das máscaras agora, ela lamenta, é como ignorar todo o conhecimento acumulado sobre o crise sanitária.

“Hoje a gente sabe exatamente o que fazer. E pra acabar com a pandemia, não é tirando máscara. Isso é absolutamente inacreditável”, afirma. Ela critica a flexibilização das máscaras em ambientes fechados como sendo uma decisão eminentemente política e não de saúde pública. “A gente sabe o que não fazer. Então por que fazer? É muito triste ver isso.”

Professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Cristina afirma que a pandemia um dia vai acabar e que é sabido o que precisa ser feito para que esse dia chegue. A questão, todavia, é fazer a coisa certa, como vacinar a população mundial. Enquanto houver países sem acesso aos imunizastes ou outros com baixa cobertura vacinal, a tendência é de que novas variantes surjam. E não há nenhuma garantia de que novas variantes serão mais brandas.

“Estamos voltando para uma visão individual num momento em que se precisa de atitude coletiva. É decepcionante ver pessoas que tiveram um comportamento melhor durante a pandemia, jogar tudo isso fora agora. Só que com a vida dos outros”, se revolta a professora, também membro do comitê científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia.

Se o atual momento já permite flexibilizações na rua, parques e áreas ao ar livre, desde que sem aglomerações, ambos os especialistas dizem que o sinal verde para não usar mais máscara em lugares fechados agora é uma atitude política, para apaziguar eleitores em ano de eleição.

Nova onda

Países asiáticos como China, Coréia do Sul e Hong Kong enfrentam atualmente uma alta expressiva no número de casos causada pelo vírus B.A2, uma subvariante da ômicron, ainda mais contagiosa.

Segundo o infectologista Eduardo Sprinz, coordenador dos estudos da vacina de Oxford/AstraZeneca no RS, a situação é consequência desses lugares ainda não teriam sido afetados pela ômicron, ao contrário dos países europeus ou mesmo o Brasil. No caso de Hong Kong, que sofre agora com alta taxa de mortalidade, a chegada da variante ainda encontrou uma população idosa não vacinada, o que tornou o momento mais grave.

Sprinz pondera que na Europa, a subvariante da ômicron tem causado nova onda de aumento de casos, mas isso não tem se refletido em aumento de mortes na mesma proporção devido à cobertura vacinal e ao uso de novos medicamentos que evitam a progressão do doente para um quadro grave. No Brasil, apenas um desses remédios está disponível, o Rendesivir, que deve ser usado nos primeiros cinco dias da infecção. O medicamento, porém, é caro.

No caso do Brasil, o cientista de dados e coordenador da Rede Análise Covid-19, Isaac Schrarstzhaupt, tem alertado que a análise dos gráficos da situação da crise nos estados já aponta para a estabilização da queda de novos casos, ainda em patamar alto. A estabilização pode significar o que os especialistas chamam de “reversão de tendência”, ou seja, o início de um possível aumento da contaminação.

Sprinz avalia que, caso se confirme tal aumento no Brasil, causado pela subvariante B.A2, a onda de mais contágio será continuação da ômicron. A diferença, ele destaca, é que agora o possível aumento da contaminação encontrará uma população desprotegida sem a máscara.

“Não imagino que seja uma nova onda, segue sendo a onda da ômicron, e também é consequência das medidas de flexibilização”, explica.

Por isso, o infectologista e professor de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), alerta para a importância das pessoas tomarem a terceira dose da vacina. A perda da imunidade é ainda mais relevante em quem tomou as duas doses há mais de seis meses.

Cristina Bonorino avalia que a flexibilização geral do uso de máscara, combinado com a subvariante mais contagiosa da ômicron, deverá sim aumentar o número de casos no RS nas próximas semanas e meses. A alta taxa de vacinação dos gaúchos com duas doses deverá conter o aumento de vítimas fatais, com as pessoas pertencentes ao grupo de risco – idosos, imunussuprimidos e com comorbidades – sendo as mais desprotegidas.

“Pela taxa de vacinação, seria esse a ideia, mas é sempre imponderável saber como vai ser…qual vai ser a variante…há muitas coisas imponderáveis e, por isso, o certo é não correr risco”, conclui.

22/03/2022 - GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/03/mascara-no-bufe-risco-de-transmissao-da-covid-19-por-saliva-na-comida-e-baixo-mas-uso-na-fila-aumenta-protecao-cl12g96ib006r017cnf84yfwj.html

Máscara no bufê: risco de transmissão da covid-19 por saliva na comida é baixo, mas uso na fila aumenta proteção

Enquanto esperam para servir-se, pessoas tendem a ficar mais próximas umas das outras; por isso, acessório é indicado principalmente para quem apresentar sintomas gripais

Com a desobrigação do uso de máscara em locais abertos e fechados, há quem defenda que o acessório poderia ser mantido em algumas situações. Uma delas é o bufê de restaurantes e refeitórios. GZH ouviu especialistas para entender se é benéfico que as máscaras sigam sendo utilizadas nesses ambientes e se há risco de as gotículas de saliva expelidas na comida provocarem contaminação por covid-19.

Professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Melissa Markoski lembra que os perdigotos que saem da boca, mesmo que não sejam vistos a olho nu, têm alcance considerável. As gotículas maiores de saliva podem se depositar até dois metros à nossa volta. Já os aerossóis, bem menores, que voam quando a gente fala ou tosse, vão mais longe e podem se espalhar por até oito metros.

Nesse sentido, defende ela, seria interessante que a população adotasse o hábito de colocar a máscara no rosto quando for para a fila da comida.

— Esse senso de proteção ao próximo deveria ser bem trabalhado no pós-pandemia. Assim como os orientais já vêm fazendo desde a gripe aviária. Quando estão gripados, eles usam máscara, ou até mesmo quando vão visitar alguém doente — diz a professora.

É verdade que a máscara deveria se tornar um hábito dos brasileiros toda vez que apresentarmos sintomas gripais, observa a médica infectologista Andréa Dal Bó, do Hospital Virvi Ramos, de Caxias do Sul. Isso evita a transmissão da gripe e da própria covid-19. Mas, segundo ela, não há comprovação de que a saliva que entra em contato com a comida tenha potencial de infectar alguém.

— Não há risco de transmissibilidade significativa. O que vemos são muitos restaurantes adotando protetores salivares, o que é mais higiênico mesmo. Sobre a transmissão da covid-19 pelos alimentos, não há estudos que comprovem — frisa.

Para a infectologista Caroline Deutschendorf, coordenadora da Comissão de Controle de Infecções Hospitalares do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, a máscara no bufê é necessária para evitar contágios na fila, quando uma pessoa fica tão perto da outra que pode transmitir doenças pelas vias aéreas.

— Em um bufê com muita gente na fila, sem distanciamento, o risco de contágio aumenta. Em se tratando de gotículas na comida, o risco de transmissão é ínfimo. Seria mais pela questão de ser nojento mesmo — diz.

Já os enterovírus, causadores de problemas gastrointestinais, como vômito e diarreia, também têm baixo risco de contaminação quando se trata das gotículas em alimentos. Muito pior é quando esses vírus se depositam em superfícies mais sólidas, observa a infectologista.

— Os enterovírus podem ser transmitidos pelo contato, mas basicamente pelo contato da mão com colheres e superfícies contaminadas. Teria que ser uma partícula muito grande de saliva para contaminar uma comida — acrescenta.

O infectologista Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, faz coro com as colegas. Na avaliação dele, não há motivo para que as pessoas se preocupem em manter a máscara quando estiverem se servindo no bufê por medo da contaminação da comida - a não ser que seja uma medida de higiene adotada por motivos pessoais.

— É um risco baixo o suficiente para não ser uma preocupação da sociedade. Mas vai ter gente que vai querer usar máscara por esse motivo ou por outro, porque vai se sentir mais seguro. É um direito de cada um — conclui o médico.

 22/03/2022 - Unipampa

Link: https://unipampa.edu.br/portal/reitor-da-unipampa-palestra-em-conferencia-municipal-da-igualdade-racial-de-porto-alegre

Reitor da Unipampa palestra em Conferência Municipal da Igualdade Racial de Porto Alegre

O reitor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Roberlaine Ribeiro Jorge, participou da cerimônia de abertura da 5ª Conferência Municipal da Igualdade Racial de Porto Alegre, realizada no dia 18 de março. O tema do evento foi “Enfrentamento do racismo e das outras formas correlatas de discriminação étnico-racial e de intolerância religiosa: política de Estado e responsabilidade de todos nós".

Em sua palestra, Roberlaine Ribeiro Jorge, discutiu o papel do povo negro nos espaços de poder, refletindo sobre as perspectivas futuras do negro na sociedade brasileira. Na oportunidade, o reitor apresentou a Unipampa para a assistência presencial e virtual, ressaltando as políticas de inclusão que vem sendo implementadas desde a sua criação.

A 5° Conferência Municipal da Igualdade Racial de Porto Alegre teve o apoio da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da Associação Satélite Prontidão. O convite ao reitor foi feito pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de Porto Alegre e pelo Conselho Municipal dos Direitos do Povo Negro.

Reitor visita acervo de Oliveira Silveira e Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária

Além da participação na Conferência, o reitor, Roberlaine Ribeiro Jorge, cumpriu outras agendas na capital gaúcha. Na oportunidade, visitou o acervo de Oliveira Silveira, o Poeta da Consciência Negra. A Unipampa concedeu, em 2021, a Oliveira Silveira, o título de Doutor Honoris Causa, “homenagem merecida e que orgulhou toda a comunidade unipampeana”, destaca o reitor.

Ainda na sexta-feira, 18, Roberlaine Ribeiro Jorge esteve na Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), reafirmando as parcerias na luta pela preservação e reconhecimento da Cultura Mbyá-Guarani.

19/03/2022 – BBC Brasil

Link: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60793953

O que aconteceu nos países que acabaram com as restrições contra a covid

Alemanha, Áustria, Reino Unido, China, Coreia do Sul… Foram vários os países da Europa e da Ásia que tiveram um aumento no número de casos de covid-19 nos últimos dias.

A nova subida acontece após uma queda vertiginosa nas infecções pelo coronavírus, registrada entre o final de janeiro e o início de março, momento em que a onda provocada pela variante ômicron arrefeceu em boa parte do globo.

Esse período também foi marcado pelo fim da maioria das medidas preventivas, como o uso de máscaras em lugares fechados, especialmente nas nações europeias.

Alguns governos chegaram até a decretar o fim da pandemia e anunciaram que a covid passaria a ser encarada como uma endemia.

Mas como explicar esse repique nos casos? O alívio das restrições é suficiente para justificar a retomada das curvas? E será que o Brasil, que passa por um momento de queda nas estatísticas da pandemia, passará por uma piora daqui a algumas semanas? A BBC News Brasil ouviu especialistas para entender esse cenário e encontrar possíveis respostas para todos esses questionamentos.

Variante ômicron, versão 2.0

O aumento de casos em alguns países europeus e asiáticos acontece em um momento em que a BA.2, uma variante "prima-irmã" da ômicron (a BA.1) começa a se tornar dominante em muitos territórios.

Para ter ideia, a BA.2 apareceu em 68,6% das amostras que foram sequenciadas no Reino Unido entre os dias 27 de fevereiro e 6 de março. A ômicron "original" representou 31,1% dos casos no mesmo período.

Esse mesmo padrão de crescimento da linhagem BA.2, que substitui aos poucos a BA.1, pode ser observado em outros países, como Áustria, Coreia do Sul e Alemanha.

Há poucas semanas, a BA.1 reinava absoluta em muitos desses locais. Mas a variante perdeu a dianteira, de acordo com o Instituto Sorológico da Dinamarca, porque a BA.2 tem uma capacidade de transmissão 1,5 vez maior em comparação com a BA.1. E a BA.1 já era um dos vírus mais contagiosos que surgiram no último século.

"Todas as ondas que vimos nesta pandemia tiveram um componente em comum: o surgimento de uma nova variante do vírus", interpreta o médico Marcio Sommer Bittencourt, professor associado da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

A boa notícia é que a BA.2 não parece estar relacionada a um quadro mais grave do que o observado até agora com a BA.1.

"As análises preliminares não encontraram evidências de um risco maior de hospitalização após a infecção com a BA.2, em comparação com a BA.1", escreve a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido num relatório publicado no dia 11 de março de 2022.

Vale lembrar que probabilidade de sofrer complicações da covid também está relacionada à quantidade de vacinas que um indivíduo tomou ou às infecções prévias.

Ou seja: quem tem pouca ou nenhuma imunidade contra o coronavírus pode experimentar consequências muito piores do que alguém que está com as doses em dia, especialmente se considerarmos os grupos de risco (como idosos e portadores de doenças crônicas).

Outro aspecto que traz uma perspectiva otimista para esse novo aumento de casos é que ele tende a subir e cair rapidamente, a exemplo do que ocorreu com a BA.1: em países onde a BA.2 virou dominante há algumas semanas, como Dinamarca e Holanda, o registro diário de infecções já está em queda novamente, como é possível observar no gráfico a seguir.

No entanto, uma elevação de casos também pode suscitar um aumento de hospitalizações e óbitos, ainda mais nos lugares com uma grande parcela da população suscetível pela baixa cobertura vacinal ou pela ausência de ondas maiores até então.

Ainda não se sabe se esse novo aumento de casos na Europa e na Ásia está acometendo apenas quem não teve covid recentemente e não foi vacinado, ou se também inclui uma proporção de indivíduos que se infectaram com a ômicron "original" recentemente.

Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que "os estudos que avaliaram a taxa de reinfecção em algumas populações sugerem que a infecção com a BA.1 proporciona uma forte proteção contra a BA.2, ao menos pelo curto período em que os dados estão disponíveis".

"Isso é algo que ainda precisa ser estudado, mas vemos que esse aumento de casos é mais intenso nos países que não têm uma taxa de vacinação adequada ou não tiveram grandes ondas anteriormente, como a Alemanha", observa Bittencourt.

"Já Portugal, que está com uma alta cobertura vacinal e teve mais casos de infecção prévia, parece possuir uma 'bagagem imunológica' maior e não experimenta um aumento de casos agora", compara o médico.

Liberou geral

Embora a alta transmissibilidade da BA.2 seja a principal explicação para o cenário europeu atual, existe um segundo elemento que precisa ser considerado: o fim de quase todas as medidas restritivas que marcaram os últimos dois anos.

Em alguns países, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório em lugares abertos e fechados, não há mais políticas de testagem em massa, nem a recomendação de que pacientes infectados com o coronavírus fiquem em isolamento.

A mudança nas políticas públicas estimulou mais encontros e aglomerações, contextos onde o vírus consegue se espalhar em escala geométrica e criar novas cadeias de transmissão. E isso, junto com a maior taxa de contágio da BA.2, ajuda a explicar essa nova subida de casos em algumas partes do mundo.

Passados dois anos desde o início da pandemia, a política de "covid zero", seguida à risca em lugares como Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Austrália e Nova Zelândia, foi abandonada na maioria dos países. O único local que continua apostando nessa estratégia é a China.

Mesmo entre os pesquisadores da área, soa quase como uma utopia a ideia de eliminar completamente a covid-19 de uma região através de medidas como o lockdown no atual contexto.

"Do ponto de vista da saúde pública, o fechamento total das atividades pode até fazer sentido. Mas o custo de parar tudo também traz custos sociais e econômicos muito grandes", pondera Bittencourt.

"No início da pandemia, com o risco da doença muito alto, o fechamento era necessário, por mais caro e custoso que isso fosse", diferencia o médico. "Atualmente temos vacinas e muitas pessoas foram infectadas, então o risco é menor, logo as medidas podem ser calibradas para essa situação."

Isso não significa que o extremo oposto dessa postura, a liberação completa de todas as restrições, faça sentido.

Para explicar esse ponto de vista, a médica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, faz um paralelo entre a covid-19 e o futebol.

"Às vezes, sinto que a pandemia se assemelha a uma partida, em que estamos ganhando de 1 a 0 e simplesmente abandonamos o campo antes de o juiz dar o apito final", compra.

"Quando as coisas começam a melhorar um pouco, há uma pressa para dizer que a covid não é mais um problema e podemos acabar com todas as medidas preventivas."

"E o que a experiência nos mostra é que não existe uma solução simples para dar um fim de verdade à pandemia. Precisamos insistir com as vacinas, as máscaras e o cuidado com as aglomerações até o final desta partida", conclui a especialista.

A médica e epidemiologista Eleonora D'Orsi, professora do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina, concorda. "Em muitos lugares, houve uma estagnação na cobertura vacinal com duas ou três doses e, para piorar, todos os cuidados preventivos foram deixados para trás."

"E estamos lidando com uma doença sobre a qual não conhecemos todos os efeitos de longo e médio prazo. Vários estudos nos indicam que a covid não é simples e afeta outras partes do corpo além do sistema respiratório", alerta.

Já o bioinformata Marcel Ribeiro-Dantas, pesquisador na área de saúde do Instituto Curie, na França, entende que muitos desses países fizeram tudo o que podiam e o relaxamento das medidas era um passo natural e razoável.

"Houve um esforço grande do governo e da população de muitos países europeus para conter a pandemia. Os primeiros lockdowns aqui na França foram drásticos e todo mundo ficou trancado em casa", lembra o pesquisador.

"Com a estafa natural após dois anos de restrições e a ampla disponibilidade de vacinas e tratamentos efetivos, parece inevitável que alguns países diminuam as restrições."

"A questão é conseguir transformar obrigações da lei em recomendações que as pessoas sigam no dia a dia. Quando você consegue conscientizar a população sobre a necessidade do uso de máscaras em alguns ambientes, por exemplo, isso passa a fazer parte de uma nova cultura daquele local", completa o especialista.

Essa onda vai chegar ao Brasil?

Enquanto os casos sobem em partes da Ásia e da Europa, o Brasil se encontra numa situação oposta: as médias móveis de casos e mortes por covid seguem em queda desde janeiro, quando o país registrou o pico da variante ômicron.

Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que não dá pra dizer que esse mesmo cenário de agravamento em curso no exterior também se repetirá no país.

Em outros momentos da pandemia, coisas que impactaram profundamente o Brasil — como a variante gama — não tiveram o mesmo efeito no cenário internacional.

E o inverso também aconteceu: embora tenha sido avassaladora na Índia e nos Estados Unidos, a variante delta não foi tão desastrosa do ponto de vista da mortalidade nas cidades brasileiras.

Até fevereiro, a BA.2 representava apenas 0,4% das amostras sequenciadas no Brasil, segundo a Rede Genômica da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz). A BA.1, a ômicron original, está presente em praticamente 99% de todo o material analisado em laboratório nesse período.

Bittencourt entende que, diante de uma situação mais estável da pandemia, "é hora de discutir algumas medidas e ajustar a intensidade delas".

"É claro que isso não significa abandonar completamente o uso de máscaras. Elas são necessárias no transporte público, mas não precisam ser usadas em lugares abertos."

"Mas precisamos ter em mente também que o Brasil flexibilizou a maior parte das medidas há tempos. Shoppings, restaurantes e casas noturnas estão funcionando normalmente", completa.

Pellanda acredita que o desafio é fazer essa comunicação sobre o manejo e a prevenção da covid de forma adequada e contextualizada. "As pessoas precisam avaliar o risco individual e de cada local em que elas estiverem", diz.

"É errado encarar as máscaras como algo ruim e limitador. Elas precisam ser incorporadas em algumas situações, da mesma maneira que fizemos com o uso do cinto de segurança nos carros e com a proibição de fumar em estabelecimentos fechados", argumenta.

Entre o fim da pandemia e uma nova piora no número de casos relacionada à BA.2 e ao relaxamento das medidas de prevenção, o caminho mais adequado e seguro em qualquer país do mundo continua bem parecido: acompanhar o que está acontecendo e adequar os cuidados à situação de momento.

19/03/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/03/com-novo-decreto-em-vigor-uso-de-mascara-nao-e-mais-obrigatorio-em-casas-geriatricas-de-porto-alegre-cl0xzjq890011017cf8ux52f6.html

Com novo decreto em vigor, uso de máscara não é mais obrigatório em casas geriátricas de Porto Alegre

Utilização da proteção facial nesses locais passa a ser apenas “fortemente recomendada”

A partir da publicação do novo decreto da prefeitura de Porto Alegre, no final da tarde desta sexta-feira (18), as chamadas instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), não precisam mais exigir o uso de máscaras.

O documento assinado pelo prefeito Sebastião Melo mantém obrigatória a máscara no transporte público e nos estabelecimentos de saúde, como hospitais e consultórios, mas, nas casas geriátricas, a medida passa a ser apenas “fortemente recomendada”.

Apesar da mudança, especialistas ressaltam que é fundamental que o grupo a partir de 60 anos continue com a proteção facial principalmente em ambientes fechados. Trata-se de um dos públicos de alto risco para complicações da covid-19, entre outras doenças respiratórias. Cuidadores e outras pessoas que convivem com idosos também precisam utilizar o acessório.

Lucia Pellanda, epidemiologista, professora e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), destaca um aspecto importante em relação à vacinação.

 — Já faz mais tempo que os idosos tomaram a dose de reforço, e talvez seja necessário repensar, agora, outro reforço. Não consigo pensar em tirar as máscaras neste momento, principalmente em espaços fechados. Todos os locais que tenham alguma relação com saúde precisam, necessariamente, continuar com a recomendação forte de uso de máscara, independentemente de qualquer decreto — diz Lucia.

Carlos Gomes, gerente-geral do Asilo Padre Cacique, afirma que nenhuma mudança referente a máscaras será implementada neste momento. Cem idosos são atendidos no local atualmente. O quadro de funcionários soma 88 colaboradores, que também continuarão com a proteção.

— Estamos mantendo o nosso protocolo interno. Aguardamos mais uma reunião da equipe técnica, e isso será avaliado com o tempo. Temos que cumprir nossa missão aqui dentro: cuidar desses idosos carentes.

18/03/2022 – Sou _Ciência / Unifesp          

Link: https://souciencia.unifesp.br/destaques/noticias/reitoras-discutem-desafios-e-dificuldades-na-gestao-de-universidades-publicas

Reitoras discutem desafios e dificuldades na gestão de universidades públicas

Durante o debate do SoU_Ciência, reitoras decidiram trabalho conjunto em prol de políticas públicas que facilitem o acesso de mais mulheres na ciência, nas universidades e em cargos de liderança em nosso país

Nesta quarta, 16, o Centro SoU_Ciência realizou debate virtual com reitoras de algumas universidades federais, dentro do conjunto de atividades que o centro está realizando ao longo deste mês especial da Mulher.

O debate virtual “A Gestão das Mulheres na Universidades” aconteceu pelo canal do centro no Youtube e foi acompanhada, ao vivo, por quase uma centena de mulheres e homens, pesquisadores e representantes de universidades de todo o país e também da Europa.

Com mediação da pesquisadora Soraya Smaili, professora da Unifesp e coordenadora do SoU_Ciência, as reitoras falaram sobre os desafios da mulher na gestão universitária, de como enfrentaram e ainda enfrentaram preconceitos dentro do próprio setor de educação e na sociedade. Durante o debate, elas também se mostraram confiantes, determinadas e felizes por estarem abrindo caminhos para outras mulheres na sociedade brasileira. 

Participam deste debate as reitoras Marcia Abrahão, da Universidade de Brasília (UnB); Sandra Goulart, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. (UFCSPA); Claudia Marliéri, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP); Isabela Andrade, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Ana Beatriz Oliveira, da Universidade Federal De São Carlos (UFSCar); Joana Guimarães, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); e Denise Pires de Camargo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Sobre os desafios de ser mulher e gestora de uma universidade federal hoje no Brasil, muitas questões acabaram sendo abordadas. Ana Beatriz Oliveira, da UFSCar, destacou o machismo como um problema enfrentado dentro das universidades. “A universidade é um recorte de nossa sociedade e o machismo se faz presente ainda, infelizmente. É uma luta diária ter o respeito dentro de vários espaços e esta questão de gênero é um dos maiores desafios que enfrentamos. Mas, acredito sim que é muito importante ocuparmos estes espaços e prepará-los para as próximas que virão”, comentou.

Claudia Marliéri, da UFOP, fez questão de ressaltar que as mulheres que conseguem acessar o mercado de trabalho e se destacam em suas funções, como as próprias reitoras das universidades, acabam enfrentando um processo violento de desqualificação intelectual e sanidade mental. “Além disso, muitas vezes tentam nos diminuir interrompendo nossas falas, como já mencionou aqui a Ana Beatriz. Mas estes desafios no fortalecem para que possamos fazer este enfrentamento de uma forma melhor e coletiva”, ressaltou.

Denise Pires de Camargo, da UFRJ, primeira mulher a assumir a reitoria da universidade, falou sobre as barreiras que as reitoras ainda enfrentam para colocar suas ideias dentro dos espaços. “Os cargos de maior destaque, historicamente, sempre foram delegados aos homens, não apenas dentro das universidades, mas também em cargos de gestão e públicos, mas estamos lutando e mudando este quadro, com muito trabalho e determinação. As mulheres podem sim assumir reitorias e se candidatar aos cargos que elas quiserem porque estamos rompendo este teto de vidro, porque merecemos, e continuaremos lutando com a voz cada vez mais alta”.

Isabela Andrade, da UFPel, disse ter se identificado nas falas das amigas reitoras em vários aspectos, mas principalmente nos relatos de tentativas de silenciamento dentro das universidades. “Aqui em Pelotas temos duas mulheres na gestão da universidade hoje, estamos reitora e vice-reitora, e temos dentro da universidade um grupo bastante diverso entre homens e mulheres; com mulheres ocupando cargos altos de gestão, mas por nomeação. Nos cargos de gestão eleitos, no entanto, o percentual ainda é de 25%, bem reduzido, e precisamos ampliá-los. Enfrentamos ainda questões bastante negativas, mas o que vejo hoje aqui é um apoio maior das mulheres, professoras, técnicas, estudantes, porque elas se identificam conosco como mulheres que conseguiram assumir cargos de liderança e conseguem exercer esta liderança. Isso tem sido muito importante e é representativo, porque mostra que todas nós podemos estar em qualquer espaço e a importância do impacto que isso pode causar em todas as demais meninas”.

Joana Guimarães, da UFSB, primeira mulher negra eleita para a reitoria de uma universidade federal, ressaltou a visão que muitos ainda têm dentro das universidades, de que as mulheres precisam ser doces, cuidadoras, e que as mulheres que são mais firmes em suas atitudes, falas e ações acabam não sendo tão bem entendidas em suas funções e cargos de gestão. “Além disso, é importante falar também que muitas mulheres da nossa área de educação, assim como tantas outras, continuam com esta visão de que sua primeira função é cuidar da família -  uma pressão cultural de nossa sociedade - , e que muitas delas ainda não se candidatam a cargos de gestão ou deixam suas carreiras de lado, por conta disso.  Esse é um trabalho muito importante que devemos trabalhar com nossas estudantes. Precisamos nos libertar deste peso que carregamos ao longo do tempo”, enfatizou.

Lucia Pellanda, da UFCSPA, disse sentir mais os feitos do machismo hoje ao ocupar um cargo de gestão. “Não sei se eu não me dava conta disso antes, mas hoje percebo muito isso nas relações dentro e fora da universidade. Aqui somos também reitora e vice-reitora e no Dia da Mulheres colocamos em nossas redes sociais da que temos 75% de mulheres na pós-graduação; 65% de docentes, 57% de técnicas e 68% de alunas na graduação. Além disso, nas 6 pró reitorias, 5 são mulheres. Por conta disso enfrentamos após a publicação brincadeiras do tipo – “Quando vão abrir cotas para homens?”. Só que durante 60 anos a universidade foi predominantemente masculina e ninguém nunca estranhou ou reclamou disso. Estamos vivendo um momento mesmo muito difícil para ser mulher, para ser reitora, para defender a educação, a saúde, a ciência, mas não vamos desistir e continuar lutando”, disse.

Desafios superados

Marcia Abrahão, da UnB, também primeira reitora da universidade, é geóloga e afirmou estar acostumada a “quebrar pedras” (uma brincadeira dos profissionais da área). Também disse que muitas vezes, como reitora, já foi vista como “dura demais”.  “Nossos desafios são enormes, já tive que levantar sim a voz para manter o controle de algumas situações, mas vejo que talvez nosso principal desafio seja representarmos outras mulheres e sermos exemplo para elas. Precisamos deixar legados para que essa situação não permaneça no Brasil e em nossa sociedade”, frisou.

Sandra Goulart, da UFMG, disse ser importante as comemorações do Mês da Mulher para destacar a importância de se trabalhar para pensar o papel das mulheres na nossa sociedade neste momento. “E fico muito feliz de estar aqui hoje neste debate porque é exatamente isso que estamos fazendo neste momento. Nós já avançamos muito, não tenho dúvidas, mais ainda estamos muito longe de onde precisamos e queremos estar. Todas nós que estamos hoje aqui furamos este teto de vidro, mas fico muito triste quando olho tantas que não conseguiram chegar, por mais que quisessem, e por mais que tentassem”.

Durante este bate-papo aberto, franco e descontraído, que durou mais de duas horas, as reitoras também discutiram a necessidade de união e de um trabalho conjunto em prol de políticas públicas que facilitem o acesso de mais mulheres na ciência, nas universidades e em cargos de liderança em nosso país.

18/03/2022 – UnB Notícias     

Link: https://noticias.unb.br/76-institucional/5571-live-discute-desafios-do-retorno-as-atividades-presenciais-nas-universidades

Live discute desafios do retorno às atividades presenciais nas universidades

Márcia Abrahão conversa com epidemiologista da Fiocruz e reitoras da UFRJ e da UFCSPA

Na próxima terça-feira (22), a reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, vai coordenar uma edição do ciclo de debates O futuro em tempos de pandemia: vida, sociedade e ciência. As convidadas são as reitoras e médicas Denise de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Lucia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e o epidemiologista Rivaldo Venâncio, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

As duas reitoras também participam de Grupo de Trabalho da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que elaborou diretrizes para o retorno presencial nas universidades federais. O encontro está marcado para as 19h e será transmitido pelo canal da UnBTV no YouTube.

 “A proposta é que as reitoras apresentem a situação da pandemia no mundo e no Brasil e compartilhem as recomendações da Andifes, além da experiência com as atividades presenciais nas universidades. Convidamos a Fiocruz, que coordena esforços importantes em nível nacional, para contribuir com a visão sanitária”, explica Márcia Abrahão.

A pandemia de covid-19 impôs inúmeros desafios sociais, políticos e econômicos. Na UnB, os impactos acadêmicos são substanciais. Vão desde um descompasso entre o ano letivo e o ano civil, já que a Universidade teve que atrasar um semestre para se preparar para o ensino remoto, até a reorganização do calendário dos processos seletivos. Atualmente, a UnB prevê a compatibilização do semestre letivo com o civil a partir de janeiro de 2023. Além disso, acarretou a impossibilidade de oferta do período letivo de verão e outros desafios, como evasão, efetividade da aprendizagem e a saúde mental da comunidade universitária.

RETOMADA SEGURA – Na UFRJ, mais de 9 mil servidores estão trabalhando presencialmente. Em fevereiro, o Grupo de Trabalho Multidisciplinar para Enfrentamento à Pandemia da universidade fluminense emitiu uma nota técnica com a recomendação da retomada de todas as atividades acadêmicas presenciais, no primeiro período letivo de 2022. As aulas começam em 11 de abril. Na UFCSPA, as aulas iniciam em 25 de abril.

Na UnB, os servidores retornaram ao trabalho presencial, de forma gradual, desde 7 de dezembro, após um ano e oito meses de atividades remotas. Na parte acadêmica, desde janeiro, cerca de 15% das turmas da Universidade aprovaram a realização de alguma atividade presencial nos campi.

11/03/2022 – Sul 21

Link: https://sul21.com.br/noticias/saude/coronavirus/2022/03/covid-19-uso-de-mascara-ao-ar-livre-deixa-de-ser-obrigatorio-em-porto-alegre/

Covid-19: Uso de máscara ao ar livre deixa de ser obrigatório em Porto Alegre

Na prática, o não cumprimento da determinação já vinha acontecendo na cidade. Uso em ambiente fechado segue sendo exigido

O uso de máscaras em ambientes abertos públicos e privados não será mais obrigatório em Porto Alegre. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (11), ocorre no dia seguinte da reunião feita entre membros do governo municipal e médicos para consultar a opinião deles sobre o tema. Na ocasião, os especialistas foram favoráveis à flexibilização, com algumas ressalvas e considerações. Entre elas, que se aguardasse mais alguns dias para avaliar o impacto das aglomerações do Carnaval no número de novas contaminações.

O Decreto 21.413 foi publicado nesta sexta em edição extra do Diário Oficial de Porto Alegre (Dopa) com os detalhes sobre a desobrigatoriedade. Por outro lado, as máscaras seguem obrigatórias em locais fechados, ao menos por enquanto. Isso porque o governo do prefeito Sebastião Melo (MDB) anunciou que fará nova reunião na próxima sexta-feira (18) para avaliar o cenário epidemiológico e discutir novas flexibilizações.

Ao menos no encontro de ontem, os especialistas consultados foram favoráveis a manter a obrigatoriedade do uso de máscara em locais fechados.

Atualmente a Capital tem 85% da população vacinável (maiores de 5 anos) com esquema vacinal completo, e tem apresentado queda nos índices de contaminação e internação hospitalar depois do expressivo aumento nos meses de janeiro e fevereiro.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), houve redução de casos confirmados pela 6º semana epidemiológica consecutiva. A Região 10, composta por Porto Alegre, Cachoeirinha, Alvorada, Gravataí, Viamão e Glorinha, apresenta a menor taxa de contaminação acumulada em sete dias, com 160 casos. A média do Estado é de 300.

Durante o anúncio da flexibilização, o secretário extraordinário de Enfrentamento ao Covid-19, Cesar Sulzbach, ressaltou a importância da vacinação e o uso de máscaras, mesmo em locais ao ar livre, para pessoas não imunizadas e imunocomprometidas – ressalvas feitas pelos médicos consultados, além de casos de aglomerações (mesmo ao ar livre) e outras situações de muita proximidade pessoal.

“É preciso enfatizar bastante que quem não está vacinado deve usar e sempre manter cuidados: o risco não é zero”, afirmou Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), após a reunião de ontem. “É super importante dizer que, se deixar de ser obrigatória, não quer dizer deixar de ser recomendada”, completou.

11/03/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/03/grupos-com-mais-risco-de-adoecer-devem-ser-cautelosos-ao-dispensar-mascara-dizem-especialistas-confira-quais-sao-cl0n22yit001k017c1up235ah.html

Grupos com mais risco de adoecer devem ser cautelosos ao dispensar máscara, dizem especialistas; confira quais são

Uso da proteção ao ar livre foi desobrigado em Porto Alegre em ambientes abertos nesta sexta-feira

Moradores de Porto Alegre não precisam mais utilizar máscaras ao ar livre a partir desta sexta-feira (11). Decisão semelhante foi anunciada nesta terça-feira (15) pelo governo do Rio Grande do Sul. A liberação abrange a população geral, mas especialistas em saúde destacam que alguns grupos de maior risco devem seguir usando máscaras em ambientes externos, a despeito da decisão oficial.

GZH entrevistou três especialistas sobre o assunto: a médica epidemiologista Lucia Pellanda, integrante do Comitê Científico do Palácio Piratini; o médico infectologista Cezar Riche, do Hospital Mãe de Deus; e a bióloga Mel Markoski, professora de Biossegurança na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante da Rede Análise.

— A máscara deixar de ser obrigatória não quer dizer que deixou de ser recomendada. A máscara continua sendo fortemente recomendada a todos — salienta a epidemiologista Lucia Pellanda.

Imunossuprimidos

Pessoas com sistema imunológico deficiente devem usar máscaras mesmo em ambientes abertos porque são mais vulneráveis a adoecer gravemente por covid-19. Desde o início da pandemia, é um dos grupos de maior risco — motivo pelo qual são os únicos aptos a tomar quarta dose da vacina.

O termo imunossuprimidos designa pacientes com câncer em uso de quimioterapia e radioterapia, pacientes transplantados em uso de drogas imunossupressoras, pacientes em hemodiálise, pacientes que usam mais de 20mg de corticoide por dia, pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas (reumatológicas, autoinflamatórias, doenças intestinais inflamatórias), pessoas com imunodeficiência primária grave, pessoas vivendo com HIV/Aids com CD4 abaixo de 200 céls/mm3.

Pessoas com sintomas respiratórios

Pessoas vacinadas, sobretudo com três doses, estão mais protegidas contra a covid-19, o que pode reduzir sintomas e confundir o coronavírus com uma gripe comum ou alergia. Você deve usar máscara ao sair de casa se tiver sintomas que indiquem possível infecção por covid-19, como nariz entupido, coriza, tosse, espirros e dor de garganta. Desta forma, evitará que outra pessoa seja contaminada.

Pessoas não vacinadas

Pessoas não vacinadas são as mais vulneráveis à covid-19 e, portanto, devem seguir usando máscaras. Se você não pôde tomar a vacina por ter alguma alergia a um componente do imunizante, o risco é maior de se infectar em um momento no qual a transmissão viral está em queda, mas ainda é alta.

Pessoas com comorbidades graves

A ideia aqui é que estas pessoas têm maior risco de adoecer gravemente por covid-19. Segundo definição do Ministério da Saúde no Plano Nacional de Operacionalização contra a Covid-19 (PNO), são pessoas com as seguintes doenças:

Diabetes

Doenças do coração e cardiovasculares

Doenças pulmonares

Hipertensão grave

Doenças neurológicas graves

Doença renal crônica

Obesidade mórbida

Hemoglobinopatias graves

Síndrome de Down

Cirrose hepática

— O risco ao ar livre é baixo, mas você tem que olhar para os grupos de pessoas expostas. Se você tem maior tendência a desenvolver sintomas severos, o risco sofre influência. Pessoas com comorbidades precisam se proteger mais. Nos estudos, a maioria dessas pessoas tende a desenvolver sintomas mais severos — diz Mel Markoski, professora de Biossegurança na UFCSPA.

A prefeitura do Rio de Janeiro, que também liberou o uso ao ar livre, orientou que pessoas com doenças crônicas graves devem seguir usando máscaras ao ar livre.

Idosos

Idosos, sobretudo de idade mais avançada e com comorbidades, devem ter mais atenção para o uso de máscaras, uma vez que são os pacientes que internam com mais frequência, observa o médico infectologista Cézar Riche, do Hospital Mãe de Deus.

— Quem deve ter mais preocupação são imunossupressos, que não terão suas defesas naturais adequadas, idosos e pessoas comorbidades que são fatores de risco para covid. Isso tudo considerando que são pessoas vacinadas.  O idoso mais frágil deve seguir usando máscara, porque é o que a gente costuma atender na emergência. Ele pode se beneficiar do uso de máscara — afirma Riche. 

11/03/2022 – G1 

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/03/11/prefeitura-de-porto-alegre-anuncia-fim-da-obrigatoriedade-do-uso-de-mascaras-em-locais-abertos.ghtml

Prefeitura de Porto Alegre decreta fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos

Anúncio foi feito pelo prefeito Sebastião Melo (MDB), nesta sexta-feira (11), nas redes sociais.

A Prefeitura de Porto Alegre publicou um decreto retirando a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos. O anúncio havia sido feito pelo prefeito Sebastião Melo (MDB), nesta sexta-feira (11), nas redes sociais.

"Publicaremos em breve o decreto que retira a obrigatoriedade do uso de máscaras em espaços abertos de Porto Alegre. Decisão tomada com base na realidade da pandemia e da vacinação na Capital", diz.

O documento está disponível na página da prefeitura na internet. O decreto estabelece que "fica dispensado o uso de máscara de proteção individual para circulação em espaços abertos públicos e privados, em vias públicas e demais locais abertos de uso coletivo".

Ainda, fica dispensado o uso de máscara de proteção individual para circulação nos espaços abertos das instituições de ensino. As escolas "não deverão estabelecer diferenciação, de qualquer natureza no tratamento dos alunos, em relação ao uso de máscara de proteção individual ou adesão à vacinação para o ingresso e permanência no interior do estabelecimento".

Na quinta-feira (10), o Executivo se reuniu com especialistas em saúde para avaliar a viabilidade da medida. Participaram cientistas como Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Alexandre Zavascki, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); e Fernando Spilki, da Feevale. Eles ponderaram a possibilidade da liberação, mas cobraram responsabilidade na adoção da prática.

Em nota publicada na quinta, a Associação Médica Brasileira (AMB) afirmou que "uma flexibilização indiscriminada pode ampliar os riscos à população, ainda mais à parcela não vacinada ou com esquema incompleto e principalmente os imunocomprometidos". O posicionamento foi seguido pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Na próxima sexta (18), a prefeitura irá avaliar a liberação do uso de máscaras em locais fechados.

Nesta semana, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) negou recurso do governo do estado que pedia a derrubada da liminar que obriga o uso de máscaras por crianças menores de 12 anos. Com isso, segue sendo obrigatório o uso da proteção para essa faixa etária.

08/03/2022 – Jornal do Comércio     

Link: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2022/03/836818-porto-alegre-inicia-nesta-quinta-debate-sobre-retirada-de-mascaras-ao-ar-livre.html

Porto Alegre inicia nesta quinta debate sobre retirada de máscaras ao ar livre

A avaliação do contexto local da pandemia nos próximos 10 dias deverá balizar a decisão da prefeitura de Porto Alegre de liberar o uso de máscaras em locais abertos. A flexibilização do acessório, já defendida pelo prefeito Sebastião Melo em outras oportunidades, será tratada nesta quinta-feira(10), em reunião da gestão municipal com especialistas em saúde e representantes de universidades e da Região Metropolitana.

A intenção de Melo é se antecipar ao debate pela desobrigatoriedade das máscaras nos espaços abertos da cidade, que vem ganhando força, principalmente após outras capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e o Distrito Federal terem liberado a população do uso.

Pesam por aqui o fato de o Executivo gaúcho não ter se posicionado a respeito- principalmente após a judicialização da questão da retirada das máscaras para as crianças-, a estabilização dos indicadores da pandemia ainda em patamares altos e os fatores volta às aulas presenciais e retomada das atividades após o Carnaval, que podem impactar em uma nova onda de casos de Covid-19 nos próximos dias.

Em novembro do ano passado a possibilidade de flexibilização das máscaras começou a ser questionada no Estado, mas a orientação da Procuradoria Geral do Estado (PGE) foi para a necessidade de aguardar mudança na lei federal, que obriga desde julho de 2020 a adoção do acessório para circulação em espaços públicos e privados em todo o território nacional.

Segundo o prefeito, o não uso de máscaras já é frequente em eventos, na praia e em outros locais mais movimentados, o que justificaria a intenção de liberá-las oficialmente, pelo menos ao ar livre. No entanto, convém analisar e debater a ideia com o meio científico. "Esse prazo, nos próximos dez dias, vai ser muito decisivo do ponto de vista da pandemia. Então, a prefeitura está adiantando o debate. Já expressei isso em outros momentos, penso que nos espaços livres nós já não devíamos usar mais máscaras. Está na hora de fazermos um debate científico sobre isso, não vamos fazer uma coisa no achismo. Porto Alegre tem a obrigação de fazer esse debate, e vamos fazê-lo", comentou Melo.

De acordo com a prefeitura, o debate técnico de quinta-feira contará com a participação de especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), da Pontifícia Universidade Católica (PUC), da Universidade Feevale e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (Ufcspa).

Coordenadora da Rede Análise Covid-19, a biomédica e professora da Unisinos Mellanie Fontes Dutra é uma das principais vozes em defesa das manutenção das máscaras. Por meio de postagens nas redes sociais, ela tem destacado que "desobrigação não significa deixar ser recomendado" e que o uso do acessório deveria ser reforçado. "As máscaras seguem importantes, reduzem o risco de exposição, a chance de transmissão, protegem as crianças na volta às aulas e, se todos usam, os locais são mais seguros", destacou por meio do Instagram.

Já a reitora da Ufcspa, Lucia Pellanda, fez uma alusão ao futebol para expressar a necessidade de permanência dos cuidados com a Covid-19. "Cada vez que as coisas começam a melhorar, paramos de jogar. E aí o vírus faz mais um 7x1. Estamos cansados, mas é justamente para evitar essa prorrogação interminável que precisamos manter a estratégia de jogo: vacina, máscaras, ventilação e cuidados. Depois de apanhar tanto, já era pra gente ter aprendido como funciona esse jogo: é jogo coletivo, não individual", enfatizou também pelas redes sociais.

 À reportagem, ela avaliou que em atividades ao ar livre sem aglomeração o risco de contaminação é menor, o que pode dar margem ao avanço do debate pela retirada das máscaras em ambientes externos. "É possível liberar ao ar livre, mas com alguns cuidados e bom senso, e pensando sempre que não ser obrigatório não quer dizer que não seja recomendado. As pessoas devem continuar usando e não deveriam ser discriminadas por causa disso", reforça.

Lucia destaca que "em um mundo ideal", o uso de máscaras não deveria ser considerado uma obrigação, mas sim um cuidado em relação ao outro, e lembrou o costume comum em alguns países asiáticos de adotar a máscara ao primeiro sinal de uma simples gripe.

"É um aprendizado, que nem foi com o cinto de segurança e o não fumar em local fechado, fomos aprendendo e se precisou de alguma legislação. Acho que no futuro vamos ter lugares em que continuaremos usando máscara e outros com mais flexibilidade, e isso sempre vai depender do raciocínio do risco da atividade e do lugar", completa.

08/03/2022 – GZH          

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/03/uso-de-mascara-em-locais-abertos-deixa-de-ser-obrigatorio-em-cinco-capitais-e-no-df-cl0i4k0lh001y01653gv9qj39.html

Uso de máscara em locais abertos deixa de ser obrigatório em cinco capitais e no DF

Porto Alegre avalia flexibilizar cobrança. Já cidade do Rio não cobra mais a proteção nem em espaços fechados

Com a queda no número diário de casos de covid-19 no país, o uso de máscara ao ar livre deixou de ser obrigatório em pelo menos cinco capitais — Belo Horizonte, Boa Vista, Cuiabá, Rio de Janeiro e São Luís. A mudança engloba ainda o Distrito Federal. Na capital fluminense, o acessório também deixa de ser cobrado em locais fechados a partir desta terça-feira (8).

Em 12 capitais ainda é cobrado o uso de máscara tanto em locais abertos quanto em fechados. É o caso de Porto Alegre, Aracaju, Belém, Curitiba, Goiânia, Macapá, Recife, Palmas, Porto Velho, São Paulo e Vitória. Já em Campo Grande, é exigido o uso de máscara em ambos os casos, mas desobriga a medida caso a pessoa pratique algum exercício físico.

Até o momento, as outras nove capitais — Fortaleza, Florianópolis,  João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Rio Branco, Salvador, Teresina — ainda não informaram qual a posição que assumirão com relação à flexibilização do protetor facial.

Apesar da prefeitura de Florianópolis ainda não assumir uma posição, em Balneário Camboriú, também em Santa Catarina, o uso da máscara de proteção individual passa a ser facultativo tanto em ambientes fechados quanto ao ar livre. A medida não se aplica aos hospitais, unidades de pronto-atendimento público ou privado e às pessoas que estão infectadas com o vírus ou com suspeita de estarem contaminadas. O documento com a decisão foi publicado por meio de decreto na segunda-feira (7).

Posicionamento dos Estados

A discussão sobre a obrigatoriedade da máscara também está ocorrendo na esfera estadual. Em pelo menos cinco Estados — Maranhão, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul —, além do Distrito Federal, já houve a regulamentação da flexibilização do uso do protetor facial.

No caso do Rio Grande do Sul, ainda há discordâncias entre os setores. O Estado havia flexibilizado, em 26 de fevereiro, a obrigatoriedade do uso de máscara para crianças de seis a 11 anos. Em 3 de março, apesar da medida ainda continuar valendo, foi emitida uma nota do governo estadual recomendado o acessório.

No sábado (5), uma liminar da Justiça voltou a obrigar o uso do protetor para crianças. No domingo (6), a Procuradoria  Geral do Estado (PGE) recorreu da decisão.

Capital gaúcha

A prefeitura de Porto Alegre também está reavaliando a obrigatoriedade do uso de máscara em espaços públicos abertos. A decisão acontecerá após um debate que será realizado nessa quinta-feira (10). Prefeitos de outras cidades da Região Metropolitana e convidados técnicos estarão presentes no encontro.

De acordo com a assessoria do gabinete do prefeito Sebastião Melo, serão chamados representantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e da Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo (Feevale).

07/03/2022 – Jornal A Voz da Serra via G1

Link: https://avozdaserra.com.br/noticias/mascaras-usar-ou-nao-usar-com-palavra-os-especialistas

Máscaras: usar ou não usar? Com a palavra, os especialistas

Eles falam em "comportamentos", e não "locais" de risco: mesmo em espaços abertos há casos em que a proteção facial precisa ser mantida

Reportagem do portal de notícias G1 ouviu especialistas para saber o que acham sobre o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras contra a Covid-19, tanto em espaços abertos  quanto em locais fechados, como decidiu o comitê técnico nesta segunda-feira, 7.

Eles dizem que é preciso ter cautela com o cenário epidemiológico e que, mesmo em espaços abertos, há casos em que o cuidado precisa ser mantido. “Temos que pensar em comportamentos de menos riscos, não locais”, define Beatriz Klimeck, doutoranda em Saúde Coletiva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) por trás da página "Qual Máscara?".

Em quais situações é seguro deixar de usar máscaras?

“Menos de 1% dos eventos de transmissão ocorre ao ar livre. Nessa ótica, faz sentido [a liberação das máscaras em espaços abertos]”, diz Vitor Mori, pesquisador na Universidade de Vermont e membro do Observatório Covid-19 BR. Contudo, Mori explica que a questão não é apenas flexibilizar. Ele ressalta que é preciso uma comunicação mais efetiva do poder público e cobra que uma exigência com mais rigor do uso de máscaras em locais fechados.  “Todo o gestor está em busca disso [dessas flexibilizações], mas precisamos reforçar que ao ar livre não é risco zero”, acrescenta.

Quando temos uma situação com pessoas aglomeradas, falando próximas umas às outras, em um grande evento como um show ou um jogo de futebol, por exemplo, por mais que o risco seja pequeno (menos de 1%), esse índice aumenta por causa da quantidade de pessoas, argumenta Melissa Markoski, professora de Biossegurança da UFCSPA e membro da Rede Análise Covid-19. “Então, mesmo o risco sendo baixo, se temos mais pessoas conversando, por mais tempo, próximas umas às outras, você acaba permitindo a transmissão do vírus se não tivermos a barreira da máscara", afirma Melissa.

O que é uma aglomeração?

Mori explica que um problema na avaliação de riscos em espaços onde há aglomerações é que esse é um conceito muito abstrato. Ele ainda acrescenta que, embora a premissa "quanto mais pessoas, mais riscos" esteja correta, o fato de ter muita gente num determinado local aberto não faz com que o risco seja equivalente ao de um espaço fechado. "Às vezes a gente tem a impressão de que quando vemos muita gente, temos uma aglomeração, mas não necessariamente isso é um contexto de risco tão grande assim", diz.

"Aconteceu muito no começo da pandemia, com aquelas imagens de praias, locais abertos, bem ventilados, onde o ar circula bem. As pessoas falavam, isso é uma aglomeração. Não, é um ambiente aberto, e o risco é bem menor".

Quando ainda devo me preocupar com o risco de contaminação e devo continuar usando máscaras?

Os especialistas ainda defendem que espaços fechados e com alta densidade de pessoas exigem o uso de máscaras. Mesmo nos EUA, onde houve liberação em regiões com bons indicadores, o governo federal exige o uso de máscaras em aviões, trens e outras formas de transporte público.

Carlos Zárate-Bladés, imunologista e pesquisador do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ressalta que é preciso levarmos em conta que não existe um lugar “seguro”, mas sim uma forma de exposição que oferece menos riscos. Ele explica que, como o vírus se espalha por microgotículas que são exprimidas por nós quando falamos e respiramos, quando o ambiente é fechado elas podem ficar por até duas horas no ar, tempo suficiente para serem inaladas por outra pessoa.

Já em ambientes abertos, onde há a circulação de ar, a contaminação é mais difícil. "Se é um ambiente que as pessoas conversam muito, se é um ambiente que estimula o aumento da taxa de frequência respiratória, como academias, por exemplo [temos uma zona de maior risco]", diz Markoski.

A questão toda tem a ver com o distanciamento, o período de exposição e o índice de vacinação, avaliam os especialistas.

Já Klimeck, especialista em Saúde Coletiva, faz um alerta sobre outros espaços que exigem atenção. "O ideal é pensarmos não apenas no lugar aberto que você vai frequentar, mas no trajeto até lá. Você vai passar por um elevador no seu prédio? Vai passar no mercado. É sempre bom levar em consideração toda a situação", diz.

Existem pessoas que ainda devem usar máscaras 100% do tempo?

O imunologista Zárate-Bladés ressalta que políticas gerais de saúde como a liberação das máscaras englobam a maioria dos casos, mas que é preciso uma avaliação particular de riscos. "Precisamos ser precavidos. Se você tem comorbidades, fale com seu médico, para ver se ele libera você mesmo em ambientes abertos", diz o imunologista Zárate-Bladés.

Markoski explica que algumas pessoas imunossurpimidas (pessoas com câncer, HIV, transplantados e outros com o sistema imune fragilizado) mesmo completamente vacinadas, não possuem um resposta tão desejada para a vacinação, por não possuírem uma memória imunológica tão efetiva. A bióloga acrescenta que essas pessoas com comobirdades e também aquelas com obesidade não devem abolir o uso das máscaras mesmo em ambientes abertos porque o risco da contaminação é maior nesses casos. "Então essas pessoas precisam evitar a contaminação. E para elas fazerem isso, ela precisam continuar apostando também nas medidas não farmacológicas", diz.

"A gente sabe menos a respeito sobre a eficácia das vacinas nessas pessoas. A pessoa continuar se protegendo é bom. É um pouco chato, isso. Mas é preciso", acrescenta Zárate-Bládes

Quando deve acontecer a liberação em ambientes fechados?

Na Inglaterra, desde o início de janeiro a máscara não é mais obrigatória, seja em espaços fechados ou abertos. Fora isso, o governo também anunciou que o passaporte de vacinação para eventos com grande público não será mais exigido. Países como Suíça, Lituânia, Dinamarca e Áustria também anunciaram flexibilizações do tipo nas últimas semanas.

“Se alguma flexibilização é possível, é ao ar livre”, defende o pesquisador Victor Mori. Para o especialista, os ambientes fechados deveriam ser os últimos a serem flexibilizados. Ele explica que a grande maioria dos eventos de transmissão ocorrem nesses locais e que identificar a circulação do vírus nessa situação é difícil, pois, por exemplo, são raros os espaços fechados que utilizam equipamentos de monitoramento de CO2 (aparelhos que indicam a baixa circulação do ar e maior risco de permanência de aerossóis).

Fora isso, Melissa Markoski cita outros cenários de preocupação, como a lenta taxa de vacinação na África e na Índia e o fato de que as variantes do novo coronavírus tendem a surgir entre as pessoas não vacinadas. "Eu acho que vai demorar bastante ainda. Precisamos esperar esse comportamento pós-Carnaval, observar se até o início de abril os índices vão cair e se nesse meio tempo não irá surgir nenhuma variante de preocupação no mundo", diz.

Aliado a isso, Beatriz Klimeck argumenta que a retirada do uso de máscaras em qualquer espaço envia uma mensagem de que estamos num momento de menos risco, o que, para a pesquisadora, é preocupante.

“A única medida preventiva que temos para a Covid-19 é o uso de máscaras. E estamos nessa corrida para liberar uma medida que é bastante efetiva e pouquíssimo custosa para a população”, diz Klimeck.

05/03/2022 – G1

Link: https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/03/05/se-for-opcional-quando-ainda-devo-usar-a-mascara-contra-covid-e-seguro-ficar-sem-ela-nos-espacos-abertos.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=share-bar-desktop&utm_campaign=materias

Se for opcional, quando ainda devo usar a máscara contra Covid? É seguro ficar sem ela nos espaços abertos?

Especialistas falam em comportamentos de menos riscos, não 'locais', e ressaltam que mesmo em espaços abertos há casos em que o cuidado precisa ser mantido, mas que sim existem dados que podem basear a retirada das máscaras em determinados espaços.

A obrigatoriedade do uso de máscaras começa a cair progressivamente no Brasil e já é uma realidade em países como os EUA. Quando deixar de usar máscaras é seguro e quando devo me preocupar?

O g1 ouviu especialistas que apontam que é preciso ter cautela com o cenário epidemiológico, e que mesmo em espaços abertos há casos em que o cuidado precisa ser mantido, mas que sim existem dados que podem basear a retirada das máscaras em determinados espaços.

“Temos que pensar em comportamentos de menos riscos, não locais”, define Beatriz Klimeck, doutoranda em Saúde Coletiva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) por trás da página "Qual Máscara?".

Abaixo, nesta reportagem, veja respostas para as seguintes perguntas:

Em quais casos é seguro deixar de usar máscaras?

Quando ainda devo me preocupar com o risco de contaminação?

Existem pessoas que precisarão usar máscaras 100% do tempo?

Quando deve acontecer a liberação também em ambientes fechados?

Veja as respostas:

 

1 - Em quais situações é seguro deixar de usar máscaras?

“Menos de 1% dos eventos de transmissão ocorrem ao ar livre. Nessa ótica faz sentido [a liberação das máscaras em espaços abertos]”, diz Vitor Mori, pesquisador na Universidade de Vermont e membro do Observatório Covid-19 BR.

Contudo, Mori explica que a questão não é apenas flexibilizar. Ele ressalta que é preciso uma comunicação mais efetiva do poder público e cobra que uma exigência com mais rigor do uso de máscaras em locais fechados.

Quando temos uma situação com pessoas aglomeradas, falando próximas umas às outras, em um grande evento como um show ou um jogo de futebol, por exemplo, por mais que o risco seja pequeno (menos de 1%), esse índice aumenta por causa da quantidade de pessoas, argumenta Melissa Markoski, professora de Biossegurança da UFCSPA e membro da Rede Análise Covid-19.

“Temos que pensar em comportamentos de menos riscos, não locais”, acrescenta Klimeck.

O que é uma aglomeração?

Já Mori explica que um problema na avaliação de riscos em espaços onde há aglomerações é que esse é um conceito muito abstrato.

Ele ainda acrescenta que, embora a premissa "quanto mais pessoas, mais riscos" esteja correta, o fato de ter muita gente num determinado local aberto não faz com que o risco seja equivalente ao de um espaço fechado.

"Às vezes a gente tem a impressão de que quando vemos muita gente, temos uma aglomeração, mas não necessariamente isso é um contexto de risco tão grande assim", diz.

"Aconteceu muito no começo da pandemia, com aquelas imagens de praias, locais abertos, bem ventilados, onde o ar circula bem. As pessoas falavam, isso é uma aglomeração. Não, é um ambiente aberto, e o risco é bem menor".

2 - Quando ainda devo me preocupar com o risco de contaminação e devo continuar usando máscaras?

Os especialistas ainda defendem que espaços fechados e com alta densidade de pessoas exigem o uso de máscaras. Mesmo nos EUA, onde houve a liberação em regiões com bons indicadores, o governo federal exige o uso de máscaras em aviões, trens e outras formas de transporte público.

Carlos Zárate-Bladés, imunologista e pesquisador do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ressalta que é preciso levarmos em conta que não existe um lugar “seguro”, mas sim uma forma de exposição que oferece menos riscos.

O imunologista explica que, como o vírus se espalha por microgotículas que são exprimidas por nós quando falamos e respiramos, quando o ambiente é fechado elas podem ficar por até duas horas no ar, tempo suficiente para serem inaladas por outra pessoa.

Já em ambientes abertos, onde há a circulação de ar, a contaminação é mais difícil.

"Se é um ambiente que as pessoas conversam muito, se é um ambiente que estimula o aumento da taxa de frequência respiratória, como academias, por exemplo [temos uma zona de maior risco]", diz Markoski.

A questão toda tem a ver com o distanciamento, o período de exposição e o índice de vacinação, avaliam os especialistas. Markoski cita um estudo de 2020 publicado no periódico 'British Medical Journal' e diz que é sim possível estabelecermos zonas de maior e menor risco de contaminação.

Na pesquisa, os cientistas avaliaram que fatores como o uso de máscaras, o tempo de exposição, o nível de ventilação, a ocupação do lugar e o modo como as pessoas conversam em determinados ambientes influenciam no grau de risco de contágio pela Covid-19.

Já Klimeck, especialista em Saúde Coletiva, faz um alerta sobre outros espaços que exigem atenção.

"O ideal é pensarmos não apenas no lugar aberto que você vai frequentar, mas no trajeto até lá. Você vai passar por um elevador no seu prédio? Vai passar no mercado. É sempre bom levar em consideração toda a situação", diz.

3 - Existem pessoas que ainda devem usar máscaras 100% do tempo?

O imunologista Zárate-Bladés ressalta que políticas gerais de saúde como a liberação das máscaras englobam a maioria dos casos, mas que é preciso uma avaliação particular de riscos.

"Precisamos ser precavidos. Se você tem comorbidades, fale com seu médico, para ver se ele libera você mesmo em ambientes abertos", diz o imunologista Zárate-Bladés.

Markoski explica que algumas pessoas imunossurpimidas (pessoas com câncer, HIV, transplantados e outros com o sistema imune fragilizado) mesmo completamente vacinadas, não possuem um resposta tão desejada para a vacinação, por não possuírem uma memória imunológica tão efetiva.

A bióloga acrescenta que essas pessoas com comobirdades e também aquelas com obesidade não devem abolir o uso das máscaras mesmo em ambientes abertos porque o risco da contaminação é maior nesses casos.

"Então essas pessoas precisam evitar a contaminação. E para elas fazerem isso, ela precisam continuar apostando também nas medidas não farmacológicas", diz.

"A gente sabe menos a respeito sobre a eficácia das vacinas nessas pessoas. A pessoa continuar se protegendo é bom. É um pouco chato, isso. Mas é preciso", acrescenta Zárate-Bládes

4 - Quando deve acontecer a liberação em ambientes fechados?

O Rio, que havia liberado o uso da proteção desde outubro do ano passado, anunciou nesta semana que planeja estabelecer o fim da obrigatoriedade das máscaras em qualquer lugar já na próxima segunda (7), algo que é criticado pelos especialistas ouvidos pelo g1.

Na Inglaterra, desde o início de janeiro deste ano, a máscara não é mais obrigatória em ambientes fechados ou locais públicos. Fora isso, o governo também anunciou que o passaporte de vacinação para eventos com grande público não será mais exigido. Países como Suíça, Lituânia, Dinamarca e Áustria também anunciaram flexibilizações do tipo nas últimas semanas.

“Se alguma flexibilização é possível, é ao ar livre”, defende o pesquisador Victor Mori.

Para o especialista, os ambientes fechados deveriam ser os últimos a serem flexibilizados. Ele explica que a grande maioria dos eventos de transmissão ocorrem nesses locais e que identificar a circulação do vírus nessa situação é difícil, pois, por exemplo, são raros os espaços fechados que utilizam equipamentos de monitoramento de CO2 (aparelhos que indicam a baixa circulação do ar e maior risco de permanência de aerossóis).

Fora isso, Melissa Markoski, cita outros cenários de preocupação, como a lenta taxa de vacinação na África e na Índia e o fato de que as variantes do novo coronavírus tendem a surgir entre as pessoas não vacinadas.

"Eu acho que vai demorar bastante ainda. Precisamos esperar esse comportamento pós-Carnaval, observar se até o início de abril os índices vão cair e se nesse meio tempo não irá surgir nenhuma variante de preocupação no mundo", diz.

Aliado a isso, Beatriz Klimeck argumenta que a retirada do uso de máscaras em qualquer espaço envia uma mensagem de que estamos num momento de menos risco, o que, para a pesquisadora, é preocupante.

De acordo com dados das secretarias de Saúde, o Brasil registrou em fevereiro maior número de mortes por Covid desde agosto. Fora isso, nesta semana, a Fiocruz indicou que há uma tendência de aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças no Brasil e que os idosos (a partir dos 60 anos) voltaram a ser os grupos com maior incidência semanal de casos e óbitos por SRAG com confirmação de Covid-19.

“A única medida preventiva que temos para a Covid-19 é o uso de máscaras. E estamos nessa corrida para liberar uma medida que é bastante efetiva e pouquíssimo custosa para a população”, diz Klimeck.

05/03/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/03/parte-das-universidades-federais-do-rs-condicionara-matricula-a-vacinacao-veja-quais-cl0e79yr10018017c8isnc6si.html

Parte das universidades federais do RS condicionará matrícula à vacinação; veja quais

Com exceção da UFRGS, as demais instituições cobrarão passaporte vacinal para a entrada nos campi

O início das aulas de 2022 será marcado pela exigência de passaporte vacinal contra a covid-19 para a entrada em quase todas as instituições federais de Ensino Superior localizadas no Rio Grande do Sul. A exceção é a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde a determinação da reitoria se difere das orientações de outras faculdades. Entre as demais instituições, há aquelas que cobrarão a comprovação das doses já na hora da matrícula e outras que pedirão o documento logo em seguida.

Na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a confirmação do processo de matrícula em disciplinas presenciais está condicionada à comprovação do esquema vacinal completo, ou seja, com, pelo menos, duas doses. O documento precisava ser apresentado por meio de cadastro dentro do sistema acadêmico Cobalto até a última quinta-feira (3).

Na hipótese da não efetivação do esquema vacinal completo decorrer de expressa contraindicação da vacina por motivo de saúde, regularmente comprovado por atestado médico, a matrícula poderá ser mantida. Nesse caso, o acesso às dependências da UFPel será condicionado à apresentação pelo estudante de teste RT-PCR ou teste antígeno negativos para covid-19 realizados nas últimas 72 horas.

A exigência do comprovante na hora da matrícula também ocorrerá para calouros do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). Para os veteranos, a comprovação deverá ser apresentada até o primeiro dia de aula, sob pena de terem a matrícula trancada de forma compulsória.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) já exige o comprovante de vacinação contra uma série de doenças para aqueles estudantes que se matricularem em disciplinas práticas ministradas em serviços de saúde. Para as aulas teóricas, previstas para serem retomadas a partir de 25 de abril, a instituição confirmou que exigirá a comprovação, mas ainda não definiu detalhes. No entanto, a tendência é de que o documento seja demandado já na hora da matrícula.

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), depois de fazer a matrícula, o estudante deverá anexar o comprovante vacinal no Portal do Aluno. Caso não o faça, será impedido de acessar as dependências da instituição. Esse mesmo sistema será adotado pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

04/03/2022 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/03/retomada-das-aulas-presenciais-ocorre-em-marco-e-abril-nas-universidades-federais-do-rs-cl0cwdcqm004y0165s2x94ea9.html

Retomada das aulas presenciais ocorre em março e abril nas universidades federais do RS

Com exceção da UFRGS, todas as outras exigirão comprovante vacinal contra a covid-19 para atividades presenciais

Após meses de indefinição, parece que a retomada das aulas presenciais nas universidades federais gaúchas irá deslanchar. A maioria dessas instituições de ensino prevê o retorno das atividades teóricas – últimas a voltarem – para as salas de aula  - entre março e abril.

Com exceção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), todas as outras exigirão comprovante de vacinação contra a covid-19 para a participação presencial de alunos, professores e funcionários. Instituições como a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) condicionarão a matrícula dos estudantes em atividades presenciais à apresentação da comprovação.

Confira abaixo como está a previsão de retomada em cada instituição federal de Ensino Superior do RS:

UFFS

A mais adiantada entre as instituições é a Universidade Federal da Fronteira Sul, que, no RS, tem campi em Cerro Largo, Erechim e Passo Fundo. Em Cerro Largo, os cursos diurnos já funcionam desde novembro do ano passado com aulas teóricas presenciais. No início de fevereiro, os demais cursos também voltaram às salas de aula. Em Erechim, todo o campus funciona presencialmente desde 1º de fevereiro. Em Passo Fundo, a retomada total ocorrerá na próxima segunda-feira (7).

Em todos os campi será exigido comprovante vacinal para alunos, professores e funcionários. Estudantes e servidores não imunizados terão de apresentar atestado médico que justifique a falta da vacina ou, em casos de não aplicação por opção pessoal, deverão apresentar em intervalos mínimos de 72h um teste negativo para covid-19.

IFRS

No Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), as aulas presenciais estão sendo retomadas nos diferentes campi entre o final de fevereiro e o início de abril. A previsão é de que o ano letivo ocorra no formato presencial, com o cumprimento de protocolos de prevenção à covid-19. Caso haja agravamento dos indicadores da pandemia até o dia 31 de março, cada campus poderá determinar uso temporário e parcial de ensino remoto.

Os alunos que estão ingressando neste ano no IFRS tiveram de apresentar o comprovante de aplicação de ao menos uma dose na hora da matrícula. Para os que já estudavam na instituição, é necessário apresentar o documento até o primeiro dia de aula, sob pena de terem a matrícula trancada.

UFPel

As aulas, correspondentes ao segundo semestre letivo de 2021, voltarão na próxima segunda-feira, em formato híbrido – aulas práticas presenciais e teóricas remotas. O retorno totalmente presencial está previsto para agosto, quando será iniciado o semestre letivo seguinte, a depender do cenário sanitário na ocasião. Os servidores da UFPel voltaram a trabalhar presencialmente nesta quinta-feira (3).

A UFPel está condicionando a confirmação do processo de matrícula em disciplinas presenciais à comprovação do esquema vacinal completo contra a covid-19. São exigidas pelo menos duas doses do imunizante.

UFRGS

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) já adiou duas vezes o retorno às atividades presenciais. Inicialmente, a previsão era de retomada no dia 17 de janeiro, o que foi adiado para 7 de março. Um novo adiamento passou a volta às salas de aula para 14 de março. Nessa data, deve ocorrer o retorno presencial de pelo menos 50% das atividades.

A instituição vive um impasse interno com relação à exigência de comprovante vacinal. Enquanto a reitoria definiu que a comprovação não será exigida para acesso às dependências da universidade, o Conselho Universitário (Consun) publicou resolução na qual a exigência está prevista. Faculdades também têm dito publicamente que o passaporte vacinal será obrigatório.

Furg

A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) entrará em sua última fase do plano de retomada das atividades presenciais no dia 4 de abril. Está previsto o retorno de todas as atividades em caráter integral de carga horária e capacidade física, o que pode ser revisto, a depender dos indicadores sanitários. Atualmente, apenas atividades práticas estão permitidas em sala de aula.

A instituição exigirá a comprovação da vacinação para a entrada de qualquer pessoa em suas dependências. O comprovante deverá ser anexado no Sistema Furg, após a realização da matrícula.

UFCSPA

A retomada gradual das atividades presenciais na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) está prevista para 5 de abril, quando começa o novo ano letivo. É nesta data que a instituição entra na quinta e última fase do Programa de Retomada Presencial Progressivo, quando ocorre o retorno de 100% das atividades práticas. Até 50% dos componentes teóricos deverão ser retomados presencialmente em maio e até 100% em julho.

Na Fase 5, haverá exigência de comprovante vacinal para a participação em atividades presenciais. Os detalhamentos da forma como ocorrerá essa comprovação para as aulas teóricas ainda serão definidos. Para aqueles que fazem práticas em serviços de saúde o passaporte vacinal já é exigido, não só com previsão de doses contra a covid-19, mas também contra outras doenças, como tétano e hepatite.

UFSM

Na UFSM, o retorno das aulas presenciais está marcado para o dia 11 de abril. No entanto, poderão ocorrer atividades à distância, desde que compreendam até 40% da carga horária total do curso.

Calouros deverão anexar o comprovante de vacinação contra a covid-19 no Portal do Aluno antes do início do semestre letivo. O passaporte vacinal também será cobrado dos demais estudantes, professores e funcionários.

Unipampa

A retomada das aulas presenciais na Universidade Federal do Pampa (Unipampa) deve ocorrer no dia 25 de abril em todos os campi. A data marca o início do primeiro semestre letivo de 2022. A instituição já contava com a oferta de atividades práticas presenciais desde 10 de novembro.

A partir de 25 de abril, todas as aulas voltam a ser presenciais. Para participar, o estudante precisará apresentar comprovante vacinal.

03/03/2022 – Secretaria da Saúde do RS

Link: https://www.estado.rs.gov.br/comite-cientifico-divulga-nota-tecnica-informativa-sobre-uso-de-mascara-em-criancas

Comitê Científico divulga nota técnica informativa sobre uso de máscara em crianças

O Comitê Científico de apoio ao enfrentamento à Covid-19 no Rio Grande do Sul, que é integrado pela Secretaria da Saúde (SES), publicou nota técnica nesta quinta-feira (3/3) recomendando fortemente o uso adequado de máscaras por crianças de seis a 11 anos. Seguindo decreto estadual, a proteção deve ser usada com supervisão de um adulto.

A nota complementa o Decreto Estadual 56.403, publicado em 26 de fevereiro, que revogou a obrigatoriedade do uso da máscara nessa faixa etária. “Apesar de não ser obrigatório, continuamos percebendo o uso de máscaras em crianças como extremamente necessário para diminuir os casos de Covid-19 e, principalmente, evitar que elas transmitam o vírus para pessoas da família com maior risco de ter agravos”, disse a diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Cynthia Molina Bastos.

A recomendação leva em consideração o retorno às aulas presenciais nas escolas do Estado e que muitas crianças já tenham o hábito de usar as máscaras. A biomédica Mellanie Fontes-Dutra, com mestrado e doutorado em Neurociências pela UFRGS e professora da Escola de Saúde da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), afirma que a nota reforça a importância da adesão ao uso de máscara no cenário atual. A desobrigação não implica na perda da importância do uso dessa medida nesse momento, pelo contrário. Segundo Mellanie, a recomendação fortalece esse entendimento, para se evitar ainda mais o risco de exposição e transmissão principalmente nas crianças.

“De forma geral, a máscara traz mais benefício às crianças dessa faixa de seis a 11 anos do que malefícios, mas cada caso deve ser observado em particular. O uso do item não impede a transmissão do coronavírus, mas é comprovado que diminui consideravelmente”, explicou a professora do Departamento de Estatística da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) Suzy Alves Camey, representante da instituição no comitê. A retirada da obrigatoriedade tem, segundo ela, o papel de aliviar tensões no dia a dia, evitando situações em que o uso é inviável e as crianças acabam enfrentando algum constrangimento.

A médica epidemiologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Eliana Wendland, também integrante do Comitê Científico, lembra que a mudança retorna às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o uso de máscaras por crianças. “No momento em que há obrigatoriedade, se deixa de dar conta de crianças que são exceções”, disse, citando como exemplo crianças de três ou quatro anos que têm dificuldades com a máscara, com autismo, necessidades especiais e surdas.

Eliana alerta, no entanto, que a retirada da obrigatoriedade não significa que as máscaras deixaram de ser necessárias. “Não quer dizer que é para retirar máscaras e ninguém mais usar. Neste momento, as máscaras continuam sendo recomendadas. É preciso ter bom senso sobre quando pode e quando não pode, se tem uma aglomeração ou não”, salienta.

A nota ainda especifica que a máscara deve ser usada por crianças entre dois e cinco anos de acordo com a tolerância delas e sob supervisão de um adulto, além de reforçar a necessidade do distanciamento social e ventilação adequada, em especial quando houver crianças sem a proteção no ambiente.

O documento foi escrito em conjunto entre as instituições que fazem parte do Comitê Científico na tarde de quarta-feira (2/3), em reunião virtual.

02/03/2022 – G1 RS / RBS TV

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/03/02/veja-o-calendario-letivo-das-principais-universidades-publicas-e-privadas-do-rs.ghtml

Veja o calendário letivo das principais universidades públicas e privadas do RS

Instituições planejam aulas presenciais ao longo de 2022. Em algumas universidades, há a exigência do passaporte vacinal.

Universidades públicas e privadas do Rio Grande do Sul ainda ajustam seus calendários, com impactos da pandemia de Covid-19. Algumas instituições iniciam 2022 recuperando atividades referentes ao ano passado ou já planejam atividades presenciais. Confira abaixo a situação das principais universidades do estado.

O governo do estado exige uso de máscara, principalmente em locais fechados ou com maior número de pessoas, além da disponibilização de água e sabão ou álcool 70% ao público.

Universidades públicas

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Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA

A UFCSPA projeta a retomada das atividades práticas a partir do início do primeiro semestre acadêmico de 2022, marcado para 25 de abril, com previsão de realização de 100% delas de forma presencial até o mês de julho.

A imunização é exigida para eventos presenciais, como formaturas. Em relação às atividades didáticas no campus, o tema ainda será avaliado com o avanço das fases de retorno presencial.

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02/03/2022 – Rádio Mais Alegria

Link: https://www.radiomaisalegria.com.br/site/noticias/veja-o-calendario-letivo-das-principais-universidades-publicas-e-privadas-do-rs

VEJA O CALENDÁRIO LETIVO DAS PRINCIPAIS UNIVERSIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS DO RS

Instituições planejam aulas presenciais ao longo de 2022. Em algumas universidades, há a exigência do passaporte vacinal. Sala de aula na Escola de Administração da UFRGS, em Porto Alegre

Instituições planejam aulas presenciais ao longo de 2022. Em algumas universidades, há a exigência do passaporte vacinal.

Universidades públicas e privadas do Rio Grande do Sul ainda ajustam seus calendários, com impactos da pandemia de Covid-19. Algumas instituições iniciam 2022 recuperando atividades referentes ao ano passado ou já planejam atividades presenciais. Confira abaixo a situação das principais universidades do estado.

O governo do estado exige uso de máscara, principalmente em locais fechados ou com maior número de pessoas, além da disponibilização de água e sabão ou álcool 70% ao público.

Universidades públicas

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Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA

A UFCSPA projeta a retomada das atividades práticas a partir do início do primeiro semestre acadêmico de 2022, marcado para 25 de abril, com previsão de realização de 100% delas de forma presencial até o mês de julho.

A imunização é exigida para eventos presenciais, como formaturas. Em relação às atividades didáticas no campus, o tema ainda será avaliado com o avanço das fases de retorno presencial.

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