31/12/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/12/veja-a-posicao-das-universidades-federais-gauchas-sobre-a-proibicao-do-passaporte-vacinal-na-volta-as-aulas-ckxuroygn004z0188p26abw1u.html

Veja a posição das universidades federais gaúchas sobre a proibição do passaporte vacinal na volta às aulas

Ministério da Educação publicou um parecer sobre o tema na quinta-feira (30) proibindo a exigência do esquema vacinal pelas instituições federais

Um dia após o Ministério da Educação proibir que instituições de ensino federais exijam o comprovante da vacinação contra a covid-19 no retorno às atividades presenciais, as universidades gaúchas reagiram à determinação. Na quinta-feira (30), um parecer  sobre o tema foi publicado no Diário Oficial da União, assinado pelo ministro Milton Ribeiro, definindo que "não é possível às instituições federais de ensino o estabelecimento de exigência de vacinação contra a covid-19 como condicionante ao retorno das atividades educacionais presenciais".

Algumas universidades, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), acataram a decisão por reconhecerem que há um viés de inconstitucionalidade já pontado em nota da consultoria jurídica do MEC ligada à Advocacia-Geral da União (AGU), que se baseia em um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Já outras instituições, entre elas a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), defenderam o exercício de sua autonomia constitucional e emitiram notas com duras críticas ao posicionamento do MEC – as duas universidades reforçam que a vacinação é a principal estratégia para a garantia da segurança sanitária.

A seguir, confira o posicionamento das universidades gaúchas sobre proibição para a exigência do passaporte vacinal a alunos, funcionários e visitantes:

UFRGS

Em seu site, a universidade divulgou a seguinte nota: "Na manhã desta quinta-feira (30), foi publicado, no Diário Oficial da União, o Despacho de 29 de dezembro de 2021, que orienta universidades e institutos federais a seguirem a decisão do Supremo Tribunal Federal de que a exigência de vacinação contra a covid-19 como condicionante para o retorno das atividades educacionais presenciais somente pode ser estabelecida mediante lei federal. Sendo assim, diante da decisão judicial, o despacho consolida o entendimento de que universidades e institutos federais não têm competência legal para estabelecerem tal exigência".

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da UFRGS confirmou que a instituição está "respeitando a decisão do STF" e "neste sentido, a Administração Central, de sua parte, não visualiza o que possa ser comentado ou posicionado além do que já está posto".

UFSM

Em nota publicada em seu site, a universidade reafirmou que "a vacinação é a principal estratégia para a garantia da segurança sanitária" e, por isso, "a UFSM não vê obstáculo na exigência do esquema vacinal à sua comunidade acadêmica".  O texto termina defendendo que "com distanciamento, uso de máscaras e higienização das mãos, objetiva-se um retorno seguro e responsável" e "todas as medidas para proteção da saúde e valorização da vida serão tomadas respeitando a autonomia universitária e a ciência".

A reportagem também procurou a instituição que, pela assessoria de imprensa, confirmou que "a questão será discutida ainda pelo COE-E UFSM e pelo do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE)" e "qualquer decisão será tomada com base em pareceres técnicos e, se assim for definido, a Universidade poderá pedir o comprovante".

UFPel

Já a UFPel, em manifestação publicada em seu site, afirmou que "recebeu com perplexidade" o despacho MEC. Ainda segundo o texto, a "o Conselho Universitário da UFPel (CONSUN) decidiu por unanimidade a exigência de comprovação da vacinação para todos no acesso presencial aos seus espaços. Tal decisão ensejou a emissão da Portaria 2006, de 06 de dezembro de 2021, que regulamenta a exigência do passaporte vacinal na universidade".

A UFPel afirma ainda que "vem atuando de forma destacada no enfrentamento da pandemia da COVID-19 em diversas frentes, reconhecidas nacional e internacionalmente, e não pode se abster de adotar tal medida em ato coerente com o conhecimento científico produzido por sua própria comunidade".

FURG

Em nota, a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) afirma que "está estudando as implicações do parecer e do despacho do ministro". O Conselho Universitário da FURG, instância máxima deliberativa da universidade e que zela pela autonomia universitária, há alguns meses decidiu pela exigência do comprovante de vacinação na instituição. Ainda segundo o posicionamento, "por enquanto não há previsão de revisão dessa deliberação".

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) salientou, em nota, "a defesa da autonomia de cada universidade nesta e em outras questões, pois as instituições têm a capacidade de avaliar as melhores estratégias para proteger a saúde da comunidade, de acordo com os indicadores epidemiológicos locais e evidências científicas".  O texto também esclarece que, hoje, "a imunização é exigida para eventos presenciais, como formaturas realizadas nas dependências da universidade". Já em relação à exigência do comprovante para participação em atividades didáticas no campus, a UFCSPA explica que "o tema ainda será avaliado pelas instâncias decisórias da UFCSPA, como o Conselho Universitário, com o avanço das fases de retorno presencial".

Unipampa

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) manifestou, em nota publicada em seu site, "sua preocupação em relação ao despacho do senhor Ministro da Educação, Milton Ribeiro". O texto ressalta ainda que a Unipampa "considera a liberdade individual um direito fundamental, e sempre é necessário defendê-lo, com exceção de situações em que essa liberdade individual coloca em risco a coletividade, como no caso em questão". Ao fim da manifestação, a universidade fixa posição a favor do passaporte vacinal: "Por isso, estranhamos a não obrigação do passaporte, pois ela proporciona segurança à saúde e ao bem-estar de todos. Portanto, dentro da autonomia universitária, bem como da aceitação pela comunidade, reiteramos a exigência do passaporte vacinal na Unipampa".

31/12/2021 – G1 RS

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/12/31/universidades-do-rs-discutem-comprovante-de-vacina-para-volta-presencial-apesar-de-parecer-do-mec.ghtml

Universidades do RS discutem comprovante de vacina para volta presencial apesar de parecer do MEC

Governo Federal determinou que instituições de ensino não podem exigir a vacinação contra a Covid-19 para o retorno às aulas presenciais.

O último dia de 2021 foi de trabalho para as reitorias das universidades do estado, apesar do recesso. O Ministério da Educação (MEC) determinou que as universidades federais não podem exigir comprovante de vacinação contra a Covid-19 para o retorno às aulas presenciais, mas o ministro do STF Ricardo Lewandowski suspendeu a decisão.

No Rio Grande do Sul, algumas instituições de ensino decidiram que a imunização é obrigatória para que os alunos frequentem as aulas.

 

  • Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - em definição
  • Universidade Federal de Rio Grande (Furg) - exige comprovante de vacinação
  • Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) - não exige comprovante de vacinação
  • Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) - exige comprovante de vacinação
  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - não exige comprovante de vacinação
  • Universidade Federal do Pampa (Unipampa) - exige comprovante de vacinação

 

Leia abaixo o posicionamento de cada uma das reitorias das universidades.

Segundo o texto, em vez de cobrar o imunizante, as instituições devem aplicar os protocolos sanitários determinados em resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) para evitar o contágio.

O presidente Jair Bolsonaro e seus aliados são contrários ao chamado passaporte da vacina, que é a exigência da vacina para acessos a determinados locais.

Especialistas em saúde, no entanto, entendem que a medida é essencial para estimular a vacinação daqueles que ainda não se vacinaram e, assim, conter a pandemia de Covid, que volta a crescer no mundo todo.

Posicionamentos das reitorias

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

 A ideia é retomar o próximo semestre presencial. A reitoria ainda discute quais serão as medidas de segurança exigidas para a retomada. Existe a possibilidade da exigência do esquema vacinal completo.

"Mas a gente ainda está esperando também um posicionamento do próprio governo do estado, do próprio município, que nos afeta. Mas o nosso entendimento é exigir. Só que a gente não pode esquecer que nós já estamos com a universidade funcionando com aulas práticas acontecendo e nós não estamos exigindo. Claro que, com a volta de todos os nossos alunos, o risco é maior, e aí sim a exigência talvez seja uma das possibilidades".

"Nota da reitoria da UFSM sobre Despacho Ministerial de 29/12/21

A UFSM, desde março de 2020, tem baseado suas decisões na ciência, colaborando com o combate à pandemia da COVID-19. Exercendo a autonomia universitária, suspendeu as atividades presenciais adotando o sistema do Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) para as ações acadêmicas e o trabalho remoto para o setor administrativo. Neste período, campanhas de vacinação, testes RT-PCR e pesquisas nestas temáticas foram fomentadas, entre tantas outras ações.

Com as condições sanitárias favoráveis, o retorno presencial administrativo foi gradual, bem como o acadêmico, em que foram priorizadas as aulas práticas. Estas decisões sempre foram baseadas em pareceres técnicos do Centro de Operações de Emergência em Saúde para Educação - COVID 19 - UFSM (COE-E UFSM), decretos estaduais e em evidências epidemiológicas.

O debate do calendário acadêmico e da possibilidade da presencialidade dos estudantes para o próximo semestres já foi deflagrado na UFSM. Da mesma forma, as decisões serão baseadas em pareceres do COE-E UFSM e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE).

Reafirmamos que a vacinação é a principal estratégia para a garantia da segurança sanitária e a UFSM não vê obstáculo na exigência do esquema vacinal à sua comunidade acadêmica. Com distanciamento, uso de máscaras e higienização das mãos, objetiva-se um retorno seguro e responsável. Todas as medidas para proteção da saúde e valorização da vida serão tomadas respeitando a autonomia universitária e ciência".

Universidade Federal de Rio Grande (Furg)

Já estava exigindo comprovante de vacinação porque as atividades administrativas estão funcionando em regime alternado de escala. Parte dos servidores está trabalhando de forma remota e outra parte presencial. Todos os dias da semana a universidade está funcionando presencialmente. E algumas atividades práticas dos estudantes que não puderam ser convertidas para o formato remoto estão acontecendo presencialmente. No final de abril, quando vai começar o primeiro semestre de 2022, deve ser presencial.

"É um requisito essencial para trazer a segurança que as atividades presenciais plenas demandam. Então era um assunto que estava totalmente tranquilo até o Ministério da Educação fazer esse movimento. Devia estar discutindo políticas estruturantes para superar os desafios da retomada presencial, que vão ser muitos, da vulnerabilidade socioeconômica dos estudantes, vulnerabilidade psicológica, um conjunto de coisas muito importantes que a gente deveria estar discutindo, para discutir uma coisa que já estava resolvida, completamente resolvida. Então é lamentável realmente", conta Danilo Giroldo, reitor da Furg.

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Lucia Pellanda, reitora da universidade, disse à RBS TV que "ainda não tínhamos aprovado o passaporte, estávamos em estudo". No entanto, ele acabou não sendo aprovado porque "nosso caso é bem particular".

"Já é obrigatória para todos os que estão em serviços de saúde. E os demais, temos altíssimo índice de vacinação e conscientização. Combinamos que sempre no início das aulas os professores abordem o tema. Mas acreditamos que cada universidade é diferente e deve poder decidir o que é melhor. Exigimos para eventos e estamos avaliando exigir em outras situações, como biblioteca, etc", disse.

"Nota oficial

A UFCSPA realizou um enorme esforço de conscientização da comunidade universitária e da população em geral.

Desta forma, temos uma proporção muito elevada de imunização entre servidores e discentes, inclusive com grande parte tendo se vacinado ainda na fase I, por estar em serviços de saúde trabalhando no enfrentamento da pandemia.

Neste momento, a imunização é exigida para eventos presenciais, como formaturas.

Desde antes da pandemia, é exigida a imunização para os estágios nos serviços de saúde, como por exemplo, hepatite e tétano, entre outras.

Há várias estratégias importantes para aumentar a cobertura vacinal, como campanhas informativas, busca ativa e passaporte vacinal.

O fundamental é que cada universidade tenha autonomia para avaliar as melhores estratégias para proteger a saúde da comunidade, de acordo com os indicadores epidemiológicos locais e evidências científicas.

É importante ressaltar que as universidades também cumprem um papel essencial na produção de evidências científicas que demonstram os benefícios da vacinação."

Universidade Federal de Pelotas (Ufpel)

"Nota oficial

A Gestão Central da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) recebeu com perplexidade o despacho do Ministério da Educação (MEC) publicado nesta quinta-feira, 30 de dezembro de 2021, no Diário Oficial da União.

Esse documento demonstra o entendimento do MEC quanto à impossibilidade de as Instituições Federais de Ensino exigirem a vacinação contra a COVID-19 de sua comunidade como condicionante ao seu retorno às atividades presenciais.

O Conselho Universitário da UFPel (CONSUN) decidiu por unanimidade a exigência de comprovação da vacinação para todos no acesso presencial aos seus espaços. Tal decisão ensejou a emissão da Portaria 2006, de 06 de dezembro de 2021, que regulamenta a exigência do passaporte vacinal em nossa Universidade.

A vacinação contribui para a preservação da saúde da comunidade acadêmica e está comprovada sua máxima importância para o controle da pandemia. Em especial, e de forma indispensável, com o avanço da variante Ômicron no país e a evidente eficácia da vacina no seu enfrentamento.

A UFPel vem atuando de forma destacada no enfrentamento da pandemia da COVID-19 em diversas frentes, reconhecidas nacional e internacionalmente, e não pode se abster de adotar tal medida em ato coerente com o conhecimento científico produzido por sua própria comunidade."

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

"Nota oficial

Na manhã desta quinta-feira (30), foi publicado, no Diário Oficial da União, o Despacho de 29 de dezembro de 2021, que orienta universidades e institutos federais a seguirem a decisão do Supremo Tribunal Federal de que a exigência de vacinação contra a covid-19 como condicionante para o retorno das atividades educacionais presenciais somente pode ser estabelecida mediante lei federal. Sendo assim, diante da decisão judicial, o despacho consolida o entendimento de que universidades e institutos federais não têm competência legal para estabelecerem tal exigência."

Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

Desde outubro deste ano, exige passaporte vacinal. A Unipampa está em 10 municípios.

Dentro da autonomia que a universidade tem, ela resolveu suspender as aulas presenciais no dia 12 de março de 2020, antes das outras instituições.

"A gente considera inoportuno com toda essa questão agora da variante, desse momento da pandemia na Europa, então quando vem uma medida dessas nos pegou assim totalmente de surpresa. E dentro da universidade isso aí tem se dado de forma muito tranquila. A comunidade aceitou, não chegou nenhum movimento contrário por que eu acho que todo mundo tem o entendimento, a liberdade individual vai até onde atinge o próximo, onde atinge a coletividade", disse o reitor Roberlaine Ribeiro Jorge.

27/12/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/12/novo-reitor-da-ufsm-quer-desburocratizar-e-modernizar-a-instituicao-ckxpbr7zg00dp0188qyeqaeod.html

Novo reitor da UFSM quer desburocratizar e modernizar a instituição

Luciano Schuch foi nomeado na sexta-feira (24) e ficará à frente da universidade pelos próximos quatro anos

Depois de seis meses de processo eleitoral, o novo reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi nomeado na sexta-feira (24). Aos 47 anos, Luciano Schuch assume a gestão até o final de 2024 e tem entre suas principais bandeiras desburocratizar a instituição, fazendo nela uma reforma administrativa, e viabilizar sua modernização, por meio de investimento em tecnologias da informação e da comunicação.

Enquanto docente, a trajetória de Schuch na universidade começou em 2009, como professor do curso de Engenharia Elétrica. Mas sua história na UFSM é bem mais antiga: iniciou ainda na década de 1990, como estudante, e prosseguiu nos anos seguintes, quando cursou Mestrado e Doutorado na mesma área. Nos últimos quatro anos foi vice-reitor, apoiando a gestão de Paulo Burmann.

Não à toa, um dos objetivos do novo reitor é aproximar ainda mais da instituição os moradores das cidades de Santa Maria, Cachoeira do Sul, Palmeira das Missões e Frederico Westphalen, onde a universidade possui campi:

— Queremos que a sociedade enxergue a nossa universidade através dos nossos alunos, fazendo extensão, e através de nossas pesquisas, que geram uma qualidade de vida cada vez maior para a nossa população. É a nossa universidade pensando no futuro da nação brasileira — destaca Schuch.

Schuch assume a gestão da UFSM em um contexto de holofotes para as eleições nas universidades federais. O processo eleitoral envolve, primeiro, uma consulta interna à comunidade acadêmica, que aponta as três chapas mais votadas. O resultado dessa consulta é encaminhado ao Conselho Universitário, que o valida e encaminha os nomes da lista tríplice para o governo federal. Lá, o presidente da República dá a palavra final sobre qual dos três assumirá a reitoria.

Via de regra, o nome mais votado costuma ser respeitado. Em 2020, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro escolheu a chapa que ficou em terceiro lugar na lista tríplice para tomar posse na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), gerando indignação em parte da comunidade universitária. O mesmo aconteceu na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em 2021, e na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em 2019.

Nos processos eleitorais de outras três instituições, no entanto – Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em 2019, e Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em 2021 – os mais votados das listas tríplices foram oficializados como reitores.

No caso da UFSM, Schuch foi, de fato, o escolhido pela comunidade acadêmica. Com mais da metade dos votos na pesquisa de opinião eletrônica da qual participaram docentes, estudantes e técnicos da universidade, o novo reitor venceu também a votação dos Conselhos Universitários e teve sua eleição confirmada pela nomeação, nesta sexta-feira, assinada por Bolsonaro e pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Para Schuch, o processo de escolha dos reitores precisa ser rediscutido em nível nacional, por ser conturbado e difícil de entender por parte da sociedade, uma vez que envolve uma série de etapas que, no caso desta eleição, levaram quase seis meses para serem concluídas. Mesmo assim, o reitor comemora o resultado.

— Que bom que a democracia e a autonomia universitária foram respeitadas. Por mais que sempre tenhamos dito que é preciso respeitar a posição do presidente de escolher qualquer um da lista tríplice, lutamos por essa autonomia. A vontade da comunidade tem que ser respeitada, pois isso fortalece muito as instituições — analisa o novo gestor.

Mesmo projeto, novo olhar

Vice-reitor da gestão passada, Schuch afirma que seu projeto é o mesmo de seu antecessor, mas com uma “nova forma de enxergar, um pouco mais dinâmica”. O foco será na relação com a comunidade, por meio de projetos de extensão, em parceria com outras instituições de ensino, e da área de inovação, a fim de desenvolver novas tecnologias para serem usadas pela sociedade.

Os processos administrativos da UFSM já ocorrem exclusivamente de forma digital – não há mais papel circulando dentro da universidade, decisão que visou uma maior sustentabilidade, agilidade e economia. Para os próximos anos, a busca será por mais rapidez também nas decisões, com uma estrutura administrativa menor e menos conselhos a serem consultados.

— Hoje temos quase 900 chefias dentro da universidade. Estamos tentando reduzir um pouco essas estruturas. Ter muitos níveis hierárquicos faz com que uma tramitação precise passar por todos aqueles níveis. Outro ponto é que, muitas vezes, nossos processos precisam tramitar em quatro conselhos. Então, demora quatro meses para aprovar uma resolução, um convênio ou um contrato. Queremos desburocratizar a estrutura e reduzir os carimbos — explica o reitor, salientando que a legislação permite que os processos passem por um único conselho superior.

O debate sobre essa reforma administrativa era parte da campanha da chapa de Schuch e já vem ocorrendo dentro das unidades de ensino e, nesses espaços, os debates devem ser encaminhados nos próximos dias para os conselhos. Já a proposta formal da própria reitoria ainda não está sendo discutida, mas deve ser apresentada no final de janeiro. A intenção do reitor é que a mudança ocorra nos próximos seis meses.

Além da reforma estrutural, a nova reitoria prevê investimento em tecnologias de informação e comunicação – a ideia é, em vez de construir novos prédios e espaços, qualificar os já existentes, dotando-os de laboratórios mais modernos e redes wi-fi mais potentes, para permitir que os pesquisadores consigam desempenhar suas funções.

Outra área que já recebeu investimentos nos últimos anos e deve crescer ainda mais é a de fontes energéticas renováveis. A UFSM tem implementado usinas fotovoltaicas em seus campi e pretende trocar a subestação que alimenta toda a universidade. Além disso, quer avançar no quesito eficiência energética, com a instalação de pontos de iluminação inteligentes, que reduzam a luz em horários de menos movimento, mas identifiquem quando uma pessoa está vindo e, nesse momento, aumentem a iluminação, a fim de dar mais segurança. O entrave, contudo, é a necessidade de recursos para tudo isto.

— Nos últimos dois anos tivemos uma redução de custos, devido à pandemia, e usamos esse dinheiro nessa área. Agora, com a retomada da presencialidade, nosso custo com terceirizados e manutenção aumentará bastante e vai começar a faltar para esses investimentos — alerta Schuch.

O orçamento aprovado pelo Congresso para a UFSM, para 2022, é de R$ 120 milhões – o mesmo de 2019, quando a inflação era bem menor. A aposta do novo reitor, porém, é de que o investimento em eficiência energética e a redução do uso do papel sigam gerando economia, assim como a redução de gastos com alguns serviços terceirizados em áreas como limpeza, segurança e transporte, a fim de o orçamento ser readequado.

25/12/2021 – Yahoo Notícias / Vida e Estilo

Link: https://br.vida-estilo.yahoo.com/e-possivel-um-bebe-prematuro-sobreviver-090019723.html

Bebê mais prematuro do mundo: por que é tão raro (e incrível)?

A chegada do bebê norte-americano Curtis Zy-Keith Means foi bastante incomum. Em julho de 2020, sua mãe, Michelle Butler, deu à luz a ele e à sua irmã gêmea com apenas 21 semanas e um dia de gestação. A menina, que estava menos desenvolvida, infelizmente faleceu no dia seguinte.

Mas Curtis não só sobreviveu como se tornou o bebê mais prematuro do mundo a conseguir se desenvolver fora do útero – feito que garantiu seu lugar na história e nas páginas do Guinness Book.

Ela foi rapidamente transferida de seu hospital local para a Universidade do Alabama em Birmingham (UAB), que é considerada um dos principais departamentos de neonatologia e pediatria do país.

Ela foi rapidamente transferida de seu hospital local para a Universidade do Alabama em Birmingham (UAB), que é considerada um dos principais departamentos de neonatologia e pediatria do país.

Quando entrou em trabalho de parto, a mãe foi transferida do hospital em que estava para a Universidade do Alabama, que tem um dos principais departamentos de neonatologia e pediatria do país. A experiência da equipe, de acordo com seu relato ao Guinness, foi essencial para que seu filho sobrevivesse.

Por que casos como o de Curtis são tão excepcionais

Uma gravidez normalmente dura 40 semanas, o total de 280 dias. Em teoria, Curtis ainda precisaria passar 132 dias no útero. Quando nasceu, ele tinha apenas 420 g – o mesmo que o peso aproximado de uma manga.

"A equipe médica me disse que normalmente não mantêm bebês nessa idade", disse Chelly ao Guinness World Records.

Para a maioria dos bebês nascidos tão cedo, as chances de um futuro são mínimas. Isso por que várias partes do seu corpo ainda não estão desenvolvidas, como explicamos, com a ajuda de especialistas, a seguir:

Pulmões

“Com tão pouco tempo de vida, a musculatura respiratória ainda está muito fraca, quase inexistente, e o bebê não consegue manter oxigenação sozinho. Sem ter o arcabouço ósseo que forma a caixa torácica completamente formada, a hora que ele criar pressão negativa para o ar seja tragado, em vez de expandir, os pulmões podem ser comprimidos”, explica Lucas Fadel, coordenador da UTI Pediátrica e Neonatal da Santa Casa de São José dos Campos.

Cérebro

A pressão arterial, que nos prematuros é muito baixa, ainda é muito maior do que as veias e artérias estão preparadas para suportar. “O risco de rompimento é alto e não é incomum que eles tenham sangramentos ou até hemorragias no cérebro. Uma alteração mínima na pressão arterial, até por mudar esse bebê de posição, pode levá-lo à óbito ou causar sequelas”, aponta Fadel.

Sistema gastrointenstinal

De acordo com Mariana González, professora de Neonatologia da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre) e membro do Conselho Científico da ONG Prematuridade, por ainda não estar pronto para receber alimentos, o bebê fica sujeito a um longo tempo de alimentação por via venosa, sem a chance de receber o leite materno, alimento de extrema importância por ajudar a construir a imunidade dos recém-nascidos.

Então, por que Curtis sobreviveu?

“Os bebês que têm irmãos gêmeos, como era o caso dele, pelo espaço compartilhado no útero, amadurecem um pouquinho antes do tempo. Isso pode ter contribuído”, avalia González.

Outro fator importante, observa a especialista, foi a experiência da equipe e os recursos do local onde ele nasceu. “Sem dúvidas foram profissionais altamente qualificados e comprometidos, que acreditaram nesse bebê.”

Volta para casa

Para a surpresa e a alegria de todos, Curtis respondeu extraordinariamente bem ao tratamento e, com o passar dos dias e das semanas, ficou cada vez mais forte.

Após 275 dias (cerca de nove meses) sob os cuidados o hospital, Curtis foi para casa em abril de 2021. Ele completou um ano de vida em julho, e após esse primeiro aniversário, foi oficialmente colocado no Guinness Book como o bebê mais prematuro a sobreviver.

24/12/2021 – G1 RS

Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/12/24/vacinacao-completa-reduz-em-87percent-risco-de-morte-por-covid-aponta-vigilancia-em-saude-do-rs.ghtml

Vacinação completa reduz em 87% risco de morte por Covid, aponta Vigilância em Saúde do RS

Pesquisa mostra que, entre idosos com a dose de reforço aplicada, risco de morte reduz em 95%.

Uma pesquisa do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) do Rio Grande do Sul mostra que a vacinação completa contra o coronavírus reduziu em 87% o risco de óbitos pela Covid-19. O estudo cruzou o número de vacinados entre agosto e novembro com os registros de casos de hospitalizações e óbitos pela doença no período.

Em idosos com a dose de reforço, a efetividade da imunização chega a 95%. Já entre adultos menores de 60 anos, a eficácia também é superior a 90%, neste caso com as duas doses.

A epidemiologista Lúcia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) destaca os resultados e reforça a cautela para este momento da pandemia. Na Capital, já é confirmada a transmissão comunitária da variante ômicron.

"A gente conseguiu uma grande conquista, que as vacinas reduziram muito o número de casos, e agora está vindo uma nova variante. Enquanto não estiver o mundo inteiro vacinado, pode existir esse risco de desenvolver uma nova variante", alerta.

Outro número envolvendo idosos impressiona. A taxa de óbitos dos que receberam todas as doses é 24 vezes menor do que a de pessoas que não se vacinaram. O índice de mortes entre idosos que não tomaram nenhuma dose é de 4,16 mortes a cada 100 mil pessoas por dia. Já entre os que receberam até o reforço, o número é de 0,17 óbitos a cada 100 mil pessoas por dia.

Até o dia 9 de dezembro, quando o vacinômetro da Secretaria Estadual da Saúde foi atualizado pela última vez, o Rio Grande do Sul somava 77,6% da população com uma dose aplicada e 69,7% com as duas doses ou a dose única. O reforço já havia chegado a 11,9% dos moradores do estado.

22/12/2021 – Matinal Jornalismo /  Roger Lerina

Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/notas/coral-virtual-ufcspa-canta-folia-do-divino-de-marcelo-delacroix/

Coral Virtual UFCSPA canta “Folia do Divino” de Marcelo Delacroix

Concerto América Latina, do Coral Virtual UFCSPA, lança seu quinto vídeo, desta vez com música brasileira. Na nova apresentação, disponível no YouTube do Coral UFCSPA, o grupo canta Folia do Divino, composta por Marcelo Delacroix e Rubem Penz, com o arranjo do regente Marcelo Rabello dos Santos. A canção interpretada por 45 vozes, conta com participantes de oito cidades gaúchas e uma do exterior.

Folia do Divino é uma manifestação folclórica e cultural tradicional brasileira. Delacroix conta que musicou a letra de Rubem Penz inspirado em lembranças de cortejos de Terno de Reis em Maquiné/RS, conduzidos pelo Mestre Renato, músico, construtor de viola e rabeca.

A canção integra Tresavento, último álbum de Marcelo Delacroix, lançado em 2020 e indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor álbum de cantor e compositor. O cantor, compositor e educador musical possui cinco discos gravados e dois Prêmios Açorianos de Música. Ao longo de 2021 o Concerto América Latina apresentou as canções Tu voz, mi voz (Uruguai), Todos Juntos (Chile), Mariposa Teckincolor (Argentina) e El Pescador (Colômbia). Todas as canções podem ser assistidas no YouTube do Coral UFCSPA.

21/12/2021 – G1

Link: https://g1.globo.com/saude/coronavirus/vacinas/noticia/2021/12/21/um-ano-depois-do-1o-vacinado-quais-as-licoes-sobre-eficacia-imunidade-e-vencedores-da-corrida-das-vacinas.ghtml

Um ano depois do 1º vacinado, quais as lições sobre eficácia, imunidade e 'vencedores' da corrida das vacinas?

Imunidade de rebanho em 70%? Eficácia das vacinas contra a ômicron? Veja o que dizem os especialistas.

Há pouco mais de um ano no mundo – e um pouco menos de um ano no Brasil – as primeiras doses das vacinas contra a Covid-19 eram aplicadas. O fantasma da pandemia ainda existe e não se sabe se um dia ele irá sumir, mas, o que já é possível afirmar sobre a imunização contra coronavírus? Onde a ciência evoluiu e aonde ela chegou?

Um ano depois...

...quais países ficaram à margem da corrida da vacinação e quais conseguiram alcançar as maiores taxas?

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, afirma já existem vencedores da tal "corrida da vacina":

"Está claro que quem ganhou que foram os países que investiram em ciência e tecnologia. As vacinas vieram da Europa e dos Estados Unidos”. A especialista avalia que "vivemos um grande problema mundial", mas que não é tratado como tal.

Etiópia, Tanzânia e Nigéria vacinaram apenas menos 2% de sua população com o esquema completo – com uma dose, menos de 10%. Ou seja: mais de 90% das pessoas não estão nem parcialmente protegidas.

Cientistas entrevistados pelo g1 avaliam que a disseminação do coronavírus em países por falta de acesso aos imunizantes, excluídos socialmente do planeta, continuará a gerar novas variantes. O caso mais recente, da ômicron, foi detectado na África do Sul, país com 25% dos cidadãos imunizados.

...a eficácia apontada nos estudos foi confirmada na efetividade?

Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração, explica que eficácia e efetividade são conceitos diferentes: "quando você fala nos estudos clínicos, se chama eficácia. Quando você vê o desempenho da vacina na população em geral, isso se chama efetividade".

As eficácias das vacinas são diferentes: vacinas de RNA mensageiro e vetor viral são as mais eficazes, enquanto vacinas de vírus inativado tendem a ser menos. No entanto, todas elas se provaram importantes para evitar hospitalizações e mortes.

Sobre a efetividade, Kalil explica que, no começo, era "muito boa": "algumas pessoas tinham recém se vacinado e a cepa que estava circulando ainda era a de Wuhan. Aí, de repente, começaram a circular novas variantes e a efetividade das vacinas caiu".

Entre as lições aprendidas em relação à duração da proteção das vacinas, segundo Renato Kfouri, infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), foi a de que as vacinas para vírus respiratórios não têm uma longa duração de proteção.

"A proteção se perde com o passar do tempo. Se perde mais rapidamente quanto mais idade tem o indivíduo, se perde a depender das vacinas. Vacinas inativadas são as primeiras a perder proteção, como no caso da CoronaVac. E se perde também em relação ao desfecho. Primeiro você perde proteção contra as formas mais leves, depois as moderadas. A proteção para as formas graves é preservada por mais tempo", disse Kfouri.

Quais os principais eventos adversos e qual o impacto deles entre os vacinados? Estão superados?

Segundo Kalil, "os eventos adversos são raros e muito leves". Mesmo após a aprovação e a aplicação das vacinas, poucos foram os casos de efeitos colaterais comprovados relacionados às vacinas contra a Covid.

Entre as situações que mais repercutiram no Brasil, está a morte de uma gestante após receber uma dose e desenvolver trombose. O caso, bastante raro, chegou a levar a uma suspensão da aplicação da vacina da AstraZeneca no grupo. No entanto, um estudo demonstrou que grávidas e puérperas que desenvolvem um quadro grave de Covid-19 e não receberam a vacina têm cinco vezes mais chances de morrer em relação às que, mesmo graves, foram imunizadas com duas doses.

"As pessoas precisam entender que os efeitos colaterais possíveis são nada em comparação com os que existem com a doença", argumenta. "A doença por si só é grave, pode levar à morte, tem o pós-Covid que é complicado, leva à perda de memória, pode ter problema cardíaco, uma série de coisas".

De acordo com Kalil, e também outros entrevistados pelo g1, a chance de desenvolver um evento grave após a vacina se comprovou bastante rara e, portanto, o risco/benefício dos imunizantes contra a Covid-19 se mostrou inquestionável no último ano.

Qual a vacina que se mostrou mais efetiva contra o coronavírus?

As vacinas de RNA mensageiro, como a da Pfizer, demonstraram ter uma taxa de efetividade mais alta, segundo Bonorino e Kalil.

No Brasil, temos vacinas de diferentes tecnologias: Pfizer, de RNA mensageiro; AstraZeneca e Janssen, de vetor viral; e CoronaVac, de vírus inativado.

Já existe alguma indicação de qual seria o percentual da imunidade de rebanho pela vacinação?

Com base em estudos em outras epidemias virais, especialistas chegaram a opinar inicialmente que 60% ou 70% da população com o esquema vacinal completo poderia garantir a imunidade de rebanho — quando a taxa de proteção do grupo influencia na redução da transmissão do vírus. No entanto, com o tempo, a taxa prevista passou a ser de 100%.

"A gente aprendeu que imunidade de rebanho não é possível de se obter. Até hoje vemos gente falando em porcentagem, mas não é possível estipular. Primeiro que é um vírus zoonótico, não acomete só em seres humanos, acomete também em animais. Você não consegue controlar, erradicar e eliminar a transmissão", explica Kfouri.

“É um vírus que tem mutações, as variantes surgem e escapam da infecção prévia. Quem já teve a infecção, a imunidade não perdura. Pode escapar até das vacinas. É também uma doença que permite reinfecção, diferente de sarampo, catapora, caxumba, rubéola, que você tem uma vez na vida".

O que já se sabe sobre campanhas futuras? Devemos tomar todos os anos?

De acordo com os entrevistados pelo g1, esta é uma informação que ainda não foi confirmada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem um grupo que estuda a possibilidade. Entretanto, o foco da entidade é vacinar toda a população mundial.

Para Kfouri, a vacinação no futuro vai depender do momento da pandemia.

"No período pós-pandêmico, não há sentido em ficar vacinando toda a população. Teremos, provavelmente, uma vacinação de grupos vulneráveis, algo semelhante com o que a gente faz na gripe. Até lá [o período pós-pandêmico], precisaremos manter altas taxas de proteção", explica Kfouri.

O gerente-geral de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes, disse que segue acompanhando dados sobre a vacinação, mas ainda não existe uma resposta definitiva para a pergunta.

"O que vai trazer essa resposta para a gente é esse acompanhamento da capacidade neutralizante, dos anticorpos neutralizantes, e do número de casos que vão surgindo na população ao longo do tempo".

...o que o enfrentamento de outras variantes (sobretudo a delta) indica sobre como as vacinas se sairão contra a ômicron?

Segundo a OMS, as evidências sugerem um pequeno declínio na eficácia das vacinas contra casos graves e morte por Covid-19 e um declínio na prevenção de doenças leves ou infecções. Especialistas dizem, no entanto, que ainda é cedo para avaliar o real efeito dos imunizantes no mercado contra a nova versão do vírus.

Em nota divulgada no dia 8 de dezembro, a Pfizer e a BioNTech informaram que estudos preliminares demonstram que 3 doses de sua vacina contra a Covid-19 neutralizam a variante ômicron.

Já a Universidade de Oxford disse em 30 de novembro que não há evidências de que as vacinas contra o coronavírus não prevenirão doenças graves da ômicron, mas acrescentou que está pronta para desenvolver rapidamente uma versão atualizada com a AstraZeneca, caso necessário.

A Janssen – braço farmacêutico do grupo Johnson&Johnson – disse que está avaliando a eficácia do seu imunizante ao mesmo tempo em que desenvolve uma vacina específica para a variante.

"Começamos a trabalhar para projetar e desenvolver uma nova vacina contra a ômicron e vamos progredir rapidamente em estudos clínicos, se necessário", disse Mathai Mammen, chefe global de pesquisa da unidade farmacêutica da J&J.

Por último, no dia 7 de dezembro, a Sinovac, laboratório chinês que desenvolveu a CoronaVac, anunciou que está desenvolvendo uma versão da CoronaVac adaptada à variante ômicron. A expectativa é a de que a atualização do imunizante fique pronta em três meses – até fevereiro de 2022.

19/12/2021 – Revista Medicina S/A

Link: https://medicinasa.com.br/criancas-covid/

Crianças têm resposta imune diferenciada para SARS-CoV-2

Crianças infectadas pelo vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, costumam apresentar uma forma mais leve da doença quando comparadas aos adultos, e a mortalidade de crianças pela doença é menos frequente, segundo o infectologista pediátrico do PROADI-SUS e do Hospital Moinhos de Vento, Marcelo Comerlato Scotta.

No estudo “Pediatric COVID-19 patients in South Brazil show abundant viral mRNA and strong specific antiviral responses“, que será publicado na Nature Communications, revista científica de alto impacto, os pesquisadores demonstraram que, apesar de apresentarem títulos virais semelhantes aos dos adultos, as crianças apresentam uma resposta imune diferencial.

A pesquisa faz parte do Estudo COVIDa, projeto realizado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), numa parceria com o Ministério da Saúde e os Laboratórios de Imunoterapia e Imunovirologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento. A iniciativa foi criada com o objetivo de gerar dados sobre o comportamento do vírus e avaliar resposta imune contra o novo coronavírus.

A próxima etapa, que já está em andamento, avalia a memória imunológica desenvolvida pelas crianças após a infecção, estudando o período de 3 a 6 meses depois; por quanto tempo ficam protegidos; e quais as diferenças e semelhanças da resposta de memória nas crianças e adultos com o passar do tempo.

Dados obtidos

Foram analisadas amostras de 91 pacientes diagnosticados com Covid-19, representando grupos de crianças; adultos com doença leve; e adultos com doença grave. As crianças, todas com sintomas leves, apresentaram respostas específicas robustas contra o vírus, tanto de anticorpos como de células T, com diferenças importantes no tipo de células responsáveis pela resposta antiviral. O nível geral de resposta não é diferente dos adultos, mas a qualidade de resposta observada é o grande achado do estudo. Esses achados contribuem com o melhor entendimento sobre a resposta contra o vírus e podem auxiliar em estratégias de enfrentamento da pandemia, como desenvolvimento de vacinas.

O estudo tem impacto internacional, porque contribui para desvendar os mecanismos da resposta imune em crianças infectadas por Covid-19, que é diferente do que se observa em adultos.

O responsável técnico pelo Estudo COVIDa no Hospital Moinhos de Vento, Renato T. Stein, explica que o estudo contempla uma série de análises que ajudarão também a traçar um panorama aprofundado do comportamento do vírus SARS-CoV-2 em populações com diferentes níveis socioeconômicos. “Iniciamos a coleta de amostras em maio de 2020, praticamente no início da pandemia, levando em conta diversas particularidades, desde níveis socioeconômicos, faixas etárias e até mesmo padrões genéticos que podem influenciar no comportamento do vírus. Várias análises ainda estão em andamento, no entanto, é inegável a relevância de uma pesquisa desse porte sendo feita durante a pandemia no Brasil. A partir dos resultados iniciais que mostram um evidente padrão de resposta diferenciada entre adultos e crianças, começam a surgir propostas de intervenções e medicações ajustadas para esses grupos etários”.

A análise das amostras foi conduzida na UFCSPA, nos laboratórios de Imunoterapia, liderado pela Cristina Bonorino, e Imunovirologia, liderado pelo Luiz Rodrigues. A especialista comenta sobre a importância da iniciativa. “O estudo é um dos poucos que analisa em detalhe a imunidade em crianças com Covid-19, abordando a resposta de anticorpos e de células imunes à infecção natural pelo SARS-CoV-2. O Estudo COVIDa também traz dados detalhados sobre a imunidade de adultos, cruciais para o mapeamento da imunidade da população brasileira atingida pelo vírus, dada a escassez de dados nessa área” .

O Superintendente de Responsabilidade Social do Hospital Moinhos de Vento, Luis Eduardo Mariath, destaca que a parceria com o Ministério da Saúde por meio do PROADI-SUS está alinhada aos objetivos da organização.

“Estamos fomentando ciência e geração de conhecimento com importante retorno à comunidade. Em um momento extremamente desafiador, unimos esforços, reforçando o nosso compromisso de gerar mudanças positivas e entregar conhecimento para a sociedade”.

19/12/2021 – Jornal O Sul

Link: https://www.osul.com.br/brasil-corre-risco-de-sofrer-novo-surto-de-covid-veja-em-5-pontos/

Brasil corre risco de sofrer novo surto de Covid? Veja em 5 pontos

O Brasil corre risco de sofrer uma nova alta nos casos de Covid-19? Segundo especialistas, apesar da melhora na quantidade de casos e mortes no País, sim.

Eles apontam que, além do risco trazido pelas festas de fim de ano, há um cenário de incerteza por causa da variante ômicron, da cobertura vacinal e das medidas de saúde pública.

Aqui, você vai entender, em 5 motivos, por que a situação da pandemia no Brasil – e no mundo – ainda é incerta:

Novas variantes

O surgimento da ômicron – variante identificada no fim de novembro na África do Sul, mas que já circulava antes na Europa e já foi detectada no Brasil – acrescentou mais incerteza sobre o futuro da pandemia, mesmo em países que já atingiram uma alta cobertura vacinal.

Isso porque, entre outros pontos, ainda não se sabe tudo sobre a capacidade da ômicron de driblar a proteção vacinal. Um estudo feito na própria África do Sul apontou uma queda na capacidade da vacina da Pfizer, por exemplo, de proteger contra internação em casos de Covid causados pela variante. Mesmo assim, o nível de proteção ficou em 70%.

“É esse o grande desafio, a grande questão, um certo temor de quem trabalha com isso: que surjam variantes que não obedeçam à proteção vacinal, ou seja, escapem à proteção vacinal. Ou seja, [se isso acontecer], teria que readaptar as vacinas para essa nova vertente, o que evidentemente gera muito tempo”, pondera Maurício Barreto, coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia e professor emérito da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Também há indícios de que a ômicron se transmita com mais facilidade do que as outras variantes.

“É uma variante nova ainda, pouco conhecida, mas que vem gerando ondas de preocupação nos responsáveis”, completa Maurício Barreto.

Para Jarbas Barbosa, médico e epidemiologista brasileiro diretor-assistente da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a ômicron ainda é uma incógnita.

“Nós tivemos variantes que ficaram mais contidas, como a própria variante anterior que foi identificada na África do Sul [a beta]. E tivemos variantes que se espalharam rapidamente, como a delta. A ômicron ainda é uma incógnita. Então eu diria que é cedo para fazer qualquer afirmação, otimista ou pessimista, sobre isso”, diz.

Cobertura vacinal incompleta

A vacinação vem avançando rapidamente no Brasil – até o dia 16 de dezembro, cerca de 66% da população estava totalmente vacinada – mas os índices ainda são desiguais e crescem com velocidades diferentes entre os Estados.

Enquanto o Estado de São Paulo, por exemplo, tem quase 78% da população com duas doses de vacina (índice mais alto do País), o Amapá só tem 39,14% dos moradores totalmente imunizados – índice semelhante ao de Roraima (39,68%), os mais baixos do Brasil. O Maranhão e o Acre também ainda não alcançaram 50% de cobertura vacinal com duas doses.

Até os índices de primeira dose estão baixos em alguns Estados: em Roraima, por exemplo, só 55% da população recebeu alguma dose de vacina, o menor percentual do País. Em São Paulo, o índice é de 82%, o maior.

Jarbas Barbosa, da Opas, explica que, diferente do que se achava até o ano passado, será necessário atingir 100% de cobertura vacinal contra a Covid-19. Antes, acreditava-se que chegar a um determinado percentual de cobertura – como 70% – já garantiria a imunidade coletiva, ou imunidade de rebanho.

“Isso já caiu por terra. Nós não temos nenhuma evidência ainda que isso [imunidade coletiva] ocorra com a Covid-19. Esse fenômeno da imunidade de rebanho é bem conhecido para doenças como o sarampo – mas a vacina do sarampo impede a transmissão. A vacina da Covid não impede transmissão”, esclarece.

“Por isso que é importante continuar vacinando, é importante manter as medidas de saúde pública e a vigilância – ampliar testagem, fazer mais sequenciamento genético, ou seja, ter essas medidas de proteção”, conclui Barbosa.

O fato de as vacinas contra a Covid terem proteção menor contra a infecção do que contra quadros graves é outro motivo de risco de um novo surto da doença – ainda que com menos casos graves do que nas “ondas” anteriores, aponta Maurício Barreto, da Fiocruz Bahia.

“Se você perguntar: ‘pode ter um surto?’ Pode. Agora, pode ter tantas formas severas como antes? Eu acredito que não. Mesmo que tenha um surto, nós vamos estar mais protegidos contra formas severas, tendo em vista que parte da população brasileira já tem vacinação, duas doses, e uma parte já está, inclusive, recebendo a terceira dose, principalmente os mais idosos. Isso forma uma cadeia de proteção contra a doença, as formas severas”, explica.

Essa queda na proteção contra infecção foi vista com ainda mais força contra a variante ômicron, por exemplo, lembra Jarbas Barbosa, da Opas.

“Pessoas vacinadas, elas se protegem, elas diminuem muito o risco de ter uma forma grave ou morrer pela pela Covid. Elas reduzem a possibilidade de transmitir, mas elas ainda transmitem [a doença]. Com a variante ômicron, nós temos um cenário com mais essa incerteza”, avalia.

Existe, ainda, a dúvida sobre quanto tempo dura a imunidade induzida pelas vacinas – daí veio, por exemplo, a necessidade da dose de reforço.

“A imunidade dada pela CoronaVac e pela vacina produzida pela Sinopharm começam a declinar depois de 6 meses, isso também já é um fato. Então você teria que revacinar, ou seja, não é um fato dado que quem vacinou 80% [da população] agora, tranquilo, acabou a pandemia, abre tudo. Isso não é verdade. As evidências que a gente tem não falam para isso”, pontua Barbosa.

O especialista resume os desafios pela frente: é necessário completar as duas doses da vacina, dar a terceira dose quando há recomendação e monitorar o comportamento da variante ômicron frente às vacinas que temos hoje.

Medidas de saúde pública e as festas de fim de ano

O fator “festas de fim de ano”, assim como a chegada das férias de verão e o carnaval, também trazem riscos de novos surtos, apontam os especialistas, por causa das aglomerações. Mais de 100 cidades brasileiras já cancelaram as festas de Ano Novo e ao menos 70 não terão carnaval.

“Este é um risco. Por exemplo, cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, que atraem muitas pessoas de outros locais onde não tem uma cobertura vacinal tão elevada, têm a probabilidade de atrair também pessoas não vacinadas”, aponta o médico Airton Stein, professor e epidemiologista na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

“Este período de maior circulação de pessoas do próprio País e de outras regiões do mundo podem desencadear surtos de novos casos. Se não controlados imediatamente pelo serviço de vigilância epidemiológica de cada cidade, podem desencadear um aumento de novos casos de Covid-19. Também é importante fazer uma vigilância genômica para identificar qual o tipo de mutação que está circulando na região”, acrescenta.

Maurício Barreto, da Fiocruz Bahia, faz observações semelhantes.

“Pensando no ponto de vista estritamente da transmissão do vírus, grandes eventos são reais possibilidades de reativação e de propagação rápida do vírus e de introdução de novas formas. O carnaval em Salvador, o carnaval em Recife, atraem pessoas do Brasil inteiro – do mundo inteiro, inclusive. Você tem turistas internacionais que vêm pra cá”, pondera.

“Então vão ser momentos de alto nível de exposição, em que a população se adensa muito. O carnaval é uma coisa muito junta, muito massiva, de pessoas muito próximas, durante horas. São possibilidades reais de circulação e de introdução e reintrodução de variantes novas. Eu acho que é um momento de incertezas”, avalia.

Existe, ainda, a dúvida sobre o futuro da obrigatoriedade do uso das máscaras e da adesão por parte da população.

O governo de São Paulo, por exemplo, havia anunciado a liberação do uso de máscaras ao ar livre a partir do dia 11 de dezembro. Diante do surgimento de casos da ômicron no estado, entretanto, o governo recuou da decisão.

O médico epidemiologista Bernardo Lessa Horta, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, lembra que, se as pessoas passam a se expor mais porque estão vacinadas, o risco de se infectarem aumenta – apesar da redução trazida pela vacina.

“A vacina resolve o caso grave, mas ela não barra totalmente a transmissão da doença. Se eu digo [que] a vacina tem uma eficácia de 80%, 90%, o que quer dizer isso? [Quer dizer que] ela reduz em 80% a tua probabilidade individual de adoecer. Agora, se, por ter sido vacinada, tu passa a te expor mais, a tua probabilidade de adoecer aumenta. Então talvez o ganho que tu vai ter por ter sido vacinada é muito menor”, diz.

“Agora, se tu mantém mais ou menos o teu comportamento anterior, medidas de proteção – usa máscara, anda com álcool gel, evita grandes aglomerações – tá mantendo o teu nível [de exposição] baixo. Tirando os 80%, tá reduzindo um monte a chance de adoecer. É fundamental se vacinar, é fundamental continuar usando máscara, continuar usando álcool gel, álcool 70, e evitar aglomerações – essas são as coisas básicas”, reforça.

Tendências nos Estados

Para Airton Stein, da UFCSPA, a melhor forma de analisar a situação de cada região é o número de casos novos e se está ocorrendo maior tendência de aumento.

“No entanto, ainda está ocorrendo [um] número de casos novos e há uma diminuição de realização de testes diagnósticos em sintomáticos respiratórios. Portanto, este é o principal alerta à população”, adverte Stein.

Ele reforça que “há necessidade de verificar a curva epidêmica em cada região do país e verificar a tendência de novos casos (incidência)”, pois essas informações “é que devem definir as políticas locais de saúde em relação ao uso de máscara em ambientes abertos.

Segundo o boletim epidemiológico mais recente da Fiocruz sobre casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no país, o InfoGripe, já existe uma tendência de aumento de em vários Estados brasileiros.

Quase todos os casos (99%) de SRAG no Brasil hoje são causados pela Covid-19. No entanto, por causa do surto recente de gripe (vírus Influenza) que vem ocorrendo no País e do ataque que o Ministério da Saúde diz ter sofrido em seus sistemas, o InfoGripe afirmou, em nota, não poder dizer, com certeza, que esse aumento é por causa da Covid e não da gripe, que também pode levar a quadros de SRAG.

Influenza ou Covid-19?

De acordo com a fundação, até a semana que terminou em 4 de dezembro, 12 das 27 unidades federativas tinham mostrado tendência de crescimento nos casos de SRAG nas seis semanas anteriores: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo.

No boletim, a Fiocruz diz que, apesar de o crescimento ser lento, ele é sustentado – e recomenda uma “reavaliação das medidas de prevenção da transmissão de vírus respiratórios, especialmente em relação aos eventos de final de ano para evitar agravamento do cenário epidemiológico”.

17/12/2021 – Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do Rio Grande do Sul

Link: https://planejamento.rs.gov.br/palestra-sobre-engajamento-no-trabalho-marca-ultimo-forum-de-gestao-de-pessoas-de-2021

Palestra sobre engajamento no trabalho marca último Fórum de Gestão de Pessoas de 2021

Entrando no clima do engajamento foi o tema da palestra da psicóloga Ana Cláudia Souza Vazquez nesta sexta-feira (17/12), durante o 28º Fórum de Gestão de Pessoas do RS. Professora e pró-reitora de Gestão com Pessoas na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Ana Cláudia afirmou que a percepção do clima positivo é principalmente gerada pela relação com a liderança e a equipe.

O engajamento no trabalho “é um estado mental positivo e disposicional de elevado prazer e realização profissional que a pessoa sente com o que produz”, definiu a psicóloga e mestre em Saúde Coletiva. Ela destacou o papel da chefia imediata, como liderança que inspire, encoraje, conecte e elogie/incentive os colaboradores. Os recursos do trabalho e pessoais, acrescentou, são fundamentais para manter a energia, a motivação e o bem-estar, influenciando na saúde e no desempenho.

Na abertura do fórum, foi exibido um vídeo publicitário do governo estadual, seguindo-se gravação de um depoimento do governador Eduardo Leite. Em sua fala, Leite destacou a prioridade dada à Gestão de Pessoas durante a atual administração, em que houve a elevação da área a um patamar estratégico. Na sequência, como já é tradição, houve um retorno sobre a edição anterior, seguindo-se exposições sobre as atividades realizadas no ano de 2021 e planejamento para 2022, bem como pesquisa sobre Clima e Engajamento, entre outros.

Transmitida online pela manhã, a edição desta sexta-feira foi a última de 2021. Com periodicidade mensal, os fóruns são organizados pela Subsecretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), com apoio da Escola de Governo (Egov).O objetivo é compartilhar informações e experiências que permitam a padronização dos procedimentos internos entre todos os setores de RHs do governo estadual.

17/12/2021 – GZH e Diário Gaúcho

Link GZH: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/12/vacina-contra-covid-19-e-importante-e-segura-para-criancas-destacam-especialistas-em-saude-ckxagivma002r0188raq5914l.html
 Link Diário Gaúcho: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/12/vacina-contra-covid-19-e-importante-e-segura-para-criancas-destacam-especialistas-em-saude-23205221.html

Vacina contra covid-19 é importante e segura para crianças, destacam especialistas em saúde

Médicos infectologistas e imunologista afirmam ainda que estudos clínicos não comprovaram reações graves ao imunizante da Pfizer. Presidente Jair Bolsonaro criticou decisão da Anvisa

As mais recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL), levantando dúvidas sobre a segurança do imunizante da Pfizer em crianças de cinco a 11 anos, foram repudiadas por especialistas em saúde e em vacinas. A segurança na aplicação nos menores foi destacada como importante para pais protegerem seus filhos contra a covid-19 e ajudarem no controle da pandemia.

Bolsonaro afirmou que pediu a divulgação do nome dos técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) responsáveis por aprovar a liberação do imunizante para crianças; falou que "estudará" se vacinará a filha; e citou declarações de técnicos da agência sobre efeitos colaterais, como febre, para alegar que o produto pode trazer riscos a ponto de convencer pais a não levarem os filhos ao posto de saúde.

A Anvisa não é a primeira agência reguladora a liberar o produto para crianças de cinco a 11 anos. Também o fizeram União Europeia e Estados Unidos – cujas agências reguladoras são referência para o mundo –, além de nações como Colômbia, Uruguai, entre outros.

Para liberar a vacina da Pfizer para crianças, a Anvisa consultou diferentes associações da área da saúde, como as sociedades brasileiras de Infectologia, Imunologia, Pediatria, de Pneumologia e Tisiologia, e de Saúde Coletiva.

Todas reuniram alguns dos maiores especialistas do país para analisar os efeitos da vacina da Pfizer e emitir pareceres à agência reguladora. A imunologista Cristina Bonorino, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), afirmou, em parecer emitido à Anvisa representando a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), que a vacina é recomendada para crianças e que os benefícios superam os riscos.

— A gente não mede adequadamente o número de infecções em crianças, a maioria é assintomática, por isso, o número de crianças infectadas é subestimado, e provavelmente essas crianças se infectaram múltiplas vezes com diferentes variantes – destacou.

– Sabemos pelos dados do nosso grupo (de pesquisa) que as crianças se infectam, têm altos títulos virais e contribuem provavelmente muito para a transmissão do vírus. Isso precisa ser interrompido para a gente impedir o surgimento de novas variantes. Os efeitos adversos não são muito diferentes do visto pelos adultos. No caso da miocardite associada a algumas vacinas, há estudos mostrando que em pessoas de 16 anos ou mais, o risco é estimado em 0,001%, e mesmo assim a maioria dos casos não é grave — esclareceu Bonorino.

O médico Fabiano Ramos, chefe do setor de Infectologia do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e coordenador do estudo da CoronaVac na instituição, esclarece que febre é uma reação possível para qualquer vacina.

— Algumas vacinas, como qualquer medicação, podem trazer efeitos colaterais. No estudo, isso foi extremamente raro. Tem a questão da miocardite, mas dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, órgão dos Estados Unidos) e de acompanhamento de vida real mostraram que o risco é muito baixo, muito menor do que a própria doença pode causar — esclarece.

O CDC explica, em sua página online, que, em estudos clínicos (com pessoas), os efeitos colaterais das vacinas “foram amenos e similares aos de adultos e ao de outras vacinas recomendadas a crianças”.  A instituição cita que o efeito mais comum foi dor no braço e que efeitos semelhantes vão embora após alguns dias. Acrescenta que algumas crianças não têm nenhum efeito colateral e reações alérgicas graves são raras.

“Nos estudos clínicos conduzidos com milhares de crianças, nenhuma grande preocupação foi identificada após a aplicação. Efeitos colaterais foram amenos e não tiveram efeitos duradouros”, segue o CDC. “Vacinar o seu filho de cinco anos ou mais o protege de pegar covid-19. Também o protege da doença grave, hospitalização e de desenvolver complicações a longo prazo se ele pegar covid-19”, afirma o órgão, referência no mundo.

O médico infectologista Alexandre Zavascki, chefe do setor de Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, médico no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tranquiliza que vacinar crianças “é muito seguro”.

— Os estudos com crianças abaixo de 11 anos mostram que elas tiveram praticamente nada de efeito adverso. E um ponto favorável é que elas têm resposta imunológica muito boa a duas doses de vacina, inclusive a CoronaVac, que poderia e deveria ser usada para esse grupo. Ao longo dos últimos dois anos, tivemos uma profusão muito rápida de informações, então, você tinha muita informação preliminar sendo liberada. No começo, se achava que criança não transmitia. Isso colou nas pessoas. Mas, pela metade do ano, já víamos que não era bem assim. Agora, na metade do ano, já sabemos que criança é vetor. Vimos muitos casos de crianças que passaram para seus avós, que não tiveram um bom desfecho. Crianças são importantes para o controle da epidemia. Além de ser proteção para elas, porque há covid longa em crianças — diz Zavascki.

Até o fim de novembro, 1.412 casos de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica foram registrados no Brasil, dos quais 85 resultaram em óbito, segundo o mais recente boletim epidemiológica do Ministério da Saúde sobre o tema. A doença causa cansaço, febre alta e persistente, manchas vermelhas no corpo, conjuntivite, lábios rachados, dor no abdômen, diarreia, dor de barriga, vômito e erupções cutâneas – não necessariamente há problemas respiratórios.

13/12/2021 – Jornal de Piracicaba

Link: https://www.jornaldepiracicaba.com.br/omicron-e-vacinas-o-que-se-sabe-ate-agora-sobre-a-nova-variante/

Ômicron e vacinas: o que se sabe até agora sobre a nova variante

Estudos, ainda preliminares, mostram que a nova cepa pode escapar parcialmente de uma primeira barreira de proteção oferecida pelos imunizantes.

Ao mesmo tempo que a variante Ômicron do coronavírus avança pelo mundo, pesquisas tentam medir o quanto as vacinas usadas até agora são capazes de proteger a população. Os estudos, ainda preliminares, mostram que a nova cepa pode escapar parcialmente de uma primeira barreira de proteção oferecida pelos imunizantes. E sugerem um caminho: doses de reforço.

Considerada uma variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Ômicron foi identificada na África do Sul em 24 de novembro. Até esta quarta-feira, já estava em 57 países, incluindo o Brasil. O temor tem relação não só com o número de mutações, mas com a localização dessas variações dentro do vírus. Das 50 alterações genéticas na cepa, 32 estão na proteína spike, aquela que permite a entrada do vírus nas células humanas. Grande parte das vacinas usa a proteína spike para induzir a resposta imune – por isso, alterações nessa parte do vírus preocupam tanto.

As primeiras pesquisas para testar o impacto da variante na proteção das vacinas ainda são preliminares, não foram revisadas por outros cientistas e coletaram poucos dados. Esses estudos são realizados em laboratório: cientistas analisam a interação entre amostras de sangue de vacinados (com anticorpos) e a nova variante. As primeiras conclusões são de que há queda na capacidade da vacina de produzir anticorpos que neutralizam a Ômicron – o que os cientistas já esperavam.

Segundo uma pesquisa realizada na África do Sul com 12 pessoas, houve declínio de 41 vezes nos níveis de anticorpos neutralizantes contra a nova variante em vacinados com a Pfizer. O estudo, do Instituto de Pesquisa em Saúde de Durban, também apontou que a proteção parece ser maior entre os que já tinham se infectado antes de tomar a vacina. Para Alex Sigal, virologista que conduziu o estudo, os dados trazem boas notícias, apesar de ser preocupante a queda de anticorpos. Ele temia que as vacinas pudessem não fornecer proteção contra a variante. Havia o risco de que a Ômicron tivesse encontrado uma nova “porta” para entrar nas células – o que tornaria os anticorpos de vacinas inúteis.

Outra pesquisa preliminar, do Instituto Karolinska, na Suécia, e da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, mostrou que a redução na capacidade de neutralização dos anticorpos é variável. Em algumas amostras, quase não houve diminuição e, em outras, houve queda de 25 vezes em relação ao “vírus original”. “A neutralização não é completamente perdida, o que é positivo”, afirmou Ben Murrell, do Karolinska, nas redes sociais.

Insuficiente

Nesta quarta, um novo estudo, realizado pela Pfizer e pela BioNtech, indicou que, com um esquema de duas doses, a quantidade de anticorpos neutralizantes contra a variante Ômicron diminui, em média, 25 vezes em relação aos produzidos contra o vírus original. E “duas doses podem não ser suficientes para proteger contra a infecção” pela nova variante, conforme informaram as empresas. A pesquisa analisou 39 amostras.

Essa queda em anticorpos neutralizantes era esperada pelos cientistas – justamente por causa do número de mutações da Ômicron – e deve ocorrer com outras marcas de vacinas. Mas as últimas pesquisas não significam que as vacinas são ineficazes contra a Ômicron. Especialistas ponderam que os anticorpos analisados até agora em laboratórios não são a única barreira. As vacinas também induzem outros tipos de resposta imune, como as células T, que matam células infectadas e são importantes para evitar que uma pessoa infectada adoeça. “A Ômicron escapa mais do que as outras (variantes). Mas, provavelmente, ainda vamos ter proteção em termos de hospitalização, de doença sintomática”, diz Cristina Bonorino, imunologista e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI). A expectativa é de que a vacinação evite a forma grave da covid-19, mesmo com a Ômicron. Cientistas, no entanto, só poderão confirmar isso com análises no mundo real.

Nesta quarta, a Pfizer anunciou que vacinados “devem estar protegidos contra formas graves”, já que o mecanismo de ativação de células T não parece ter sido afetado pelas mutações da Ômicron. “Sabemos que temos uma proteção clínica (com as vacinas), mas não em relação à infecção e transmissão”, diz o virologista Fernando Spilki, da Universidade Feevale e coordenador da Rede Corona-ômica.Br, do Ministério da Ciência eTecnologia.

Reforço

“Está claro com os dados preliminares que a proteção é aumentada com uma 3.ª dose da nossa vacina”, disse Albert Bourla, CEO da Pfizer. Ele também disse que é possível que a população venha a precisar de uma 4.ª dose.

Na mesma linha, o cientista Xiangxi Wang, pesquisador principal do Laboratório de Infecção e Imunidade do Instituto de Biofísica da Academia Chinesa de Ciências, afirmou nesta quarta que uma 3.ª dose da Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, produz anticorpos capazes de reconhecer a Ômicron. Ele citou uma triagem de mais de 500 unidades de anticorpos neutralizantes obtidos após a 3.ª dose. “Cerca de um terço apresentou grande afinidade de ligação com a proteína spike das cepas de preocupação, incluindo a Ômicron”, afirmou. Segundo o Butantan, os cientistas ainda vão testar a capacidade de neutralização desses anticorpos contra o vírus para confirmar a eficácia.

“Dar a terceira dose é o que temos agora”, afirma Jorge Kalil, imunologista da Faculdade de Medicina da Faculdade da Universidade de São Paulo (USP). Ele lembra que o desenvolvimento, a testagem e a aprovação de uma vacina completamente adaptada à Ômicron podem levar meses.

Uma vacina adaptada da Pfizer estaria disponível “até março”, segundo a farmacêutica. A AstraZeneca informou que a plataforma de vacina desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford “permite responder rapidamente a novas variantes que possam surgir”. A Johnson & Johnson informou que está testando amostras para medir a atividade neutralizante da Janssen contra a Ômicron. Paralelamente, a companhia busca uma vacina específica para a variante “e irá desenvolvê-la, conforme for necessário”, afirmou.

“Se não vacinarmos, vão surgir variantes que escaparão da vacina. Por enquanto, quem se vacinou está razoavelmente protegido e quem não se vacinou deve se vacinar, mesmo tendo tido a doença”, acrescenta Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

13/12/2021 – Portal da Secretaria da Saúde do RS

Link: https://saude.rs.gov.br/pesquisadores-do-cevs-e-de-universidades-realizam-primeira-reuniao-da-comissao-tecnica-da-vigilancia-genomica

Pesquisadores do Cevs e de universidades realizam primeira reunião da comissão técnica da vigilância genômica

Foi realizada nesta segunda-feira (13) a primeira reunião da Comissão Técnica da Vigilância Genômica do Estado, que reúne pesquisadores do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) e universidades gaúchas. O objetivo dessas reuniões, que passam a ser periódicas, é alinhar entre as entidades o monitoramento das variantes do coronavírus que circulam pelo Estado.

Além dos servidores do Cevs, participaram do encontro pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, por meio do Instituto de Ciências Básicas da Saúde e Hospital de Clínicas), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Feevale. Essas entidades são as que hoje realizam testes que identificam as variantes do SARS-CoV-2 (causador da covid-19) que circulam pelo Estado, assim como o Laboratório Central do Estado (Lacen) e Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CDCT), ambos ligados ao Cevs. A intenção é unificar e uniformizar entre os participantes da comissão os critérios, métodos e fluxos para a vigilância genômica.

De acordo com o especialista em saúde do Cevs, Richard Steiner Salvato, esse alinhamento auxiliará a melhor direcionar os recursos e insumos. “A comissão vem para deixar essa área da vigilância mais abrangente, agregando ao trabalho que o Estado realiza esses demais centros de pesquisa que temos para um conhecimento mais amplo e alinhado”, comenta. “Quanto mais soubermos os tipos de coronavírus que estão aqui circulando, melhor embasados estaremos para tomar as ações necessárias”, acrescenta. Richard comenta ainda que, fora o coronavírus, passará por esse comitê as discussões sobre doenças que essa vigilância genômica colabore, como por exemplo a febre amarela, dengue e HIV.

10/12/2021 – Isto É Dinheiro via Estadão

Link Isto é: https://www.istoedinheiro.com.br/omicron-e-vacinas-o-que-se-sabe-ate-agora/
Link Estadão: https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,omicron-o-que-se-sabe-sobre-eficacia-das-vacinas-contra-variante,70003921153
Link Terra: https://www.terra.com.br/noticias/coronavirus/omicron-e-vacinas-o-que-se-sabe-sobre-a-eficacia-da-pfizer-astrazeneca-e-coronavac-contra-a-cepa,7870dc77131f9401702a8a0f6b9d25ac8q8efjbl.html
Link Exame: https://exame.com/ciencia/variante-omicron-e-vacinas-contra-covid-19-o-que-se-sabe-ate-agora/

Ômicron e vacinas: o que se sabe até agora

Ao mesmo tempo que a variante Ômicron do coronavírus avança pelo mundo, pesquisas tentam medir o quanto as vacinas usadas até agora são capazes de proteger a população. Os estudos, ainda preliminares, mostram que a nova cepa pode escapar parcialmente de uma primeira barreira de proteção oferecida pelos imunizantes. E sugerem um caminho: doses de reforço.

Considerada uma variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Ômicron foi identificada na África do Sul em 24 de novembro. Até esta quarta-feira, já estava em 57 países, incluindo o Brasil. O temor tem relação não só com o número de mutações, mas com a localização dessas variações dentro do vírus. Das 50 alterações genéticas na cepa, 32 estão na proteína spike, aquela que permite a entrada do vírus nas células humanas. Grande parte das vacinas usa a proteína spike para induzir a resposta imune – por isso, alterações nessa parte do vírus preocupam tanto.

As primeiras pesquisas para testar o impacto da variante na proteção das vacinas ainda são preliminares, não foram revisadas por outros cientistas e coletaram poucos dados. Esses estudos são realizados em laboratório: cientistas analisam a interação entre amostras de sangue de vacinados (com anticorpos) e a nova variante. As primeiras conclusões são de que há queda na capacidade da vacina de produzir anticorpos que neutralizam a Ômicron – o que os cientistas já esperavam.

Segundo uma pesquisa realizada na África do Sul com 12 pessoas, houve declínio de 41 vezes nos níveis de anticorpos neutralizantes contra a nova variante em vacinados com a Pfizer. O estudo, do Instituto de Pesquisa em Saúde de Durban, também apontou que a proteção parece ser maior entre os que já tinham se infectado antes de tomar a vacina. Para Alex Sigal, virologista que conduziu o estudo, os dados trazem boas notícias, apesar de ser preocupante a queda de anticorpos. Ele temia que as vacinas pudessem não fornecer proteção contra a variante. Havia o risco de que a Ômicron tivesse encontrado uma nova “porta” para entrar nas células – o que tornaria os anticorpos de vacinas inúteis.

Outra pesquisa preliminar, do Instituto Karolinska, na Suécia, e da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, mostrou que a redução na capacidade de neutralização dos anticorpos é variável. Em algumas amostras, quase não houve diminuição e, em outras, houve queda de 25 vezes em relação ao “vírus original”. “A neutralização não é completamente perdida, o que é positivo”, afirmou Ben Murrell, do Karolinska, nas redes sociais.

Insuficiente

Nesta quarta, um novo estudo, realizado pela Pfizer e pela BioNtech, indicou que, com um esquema de duas doses, a quantidade de anticorpos neutralizantes contra a variante Ômicron diminui, em média, 25 vezes em relação aos produzidos contra o vírus original. E “duas doses podem não ser suficientes para proteger contra a infecção” pela nova variante, conforme informaram as empresas. A pesquisa analisou 39 amostras.

Essa queda em anticorpos neutralizantes era esperada pelos cientistas – justamente por causa do número de mutações da Ômicron – e deve ocorrer com outras marcas de vacinas. Mas as últimas pesquisas não significam que as vacinas são ineficazes contra a Ômicron. Especialistas ponderam que os anticorpos analisados até agora em laboratórios não são a única barreira. As vacinas também induzem outros tipos de resposta imune, como as células T, que matam células infectadas e são importantes para evitar que uma pessoa infectada adoeça. “A Ômicron escapa mais do que as outras (variantes). Mas, provavelmente, ainda vamos ter proteção em termos de hospitalização, de doença sintomática”, diz Cristina Bonorino, imunologista e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI). A expectativa é de que a vacinação evite a forma grave da covid-19, mesmo com a Ômicron. Cientistas, no entanto, só poderão confirmar isso com análises no mundo real.

Nesta quarta, a Pfizer anunciou que vacinados “devem estar protegidos contra formas graves”, já que o mecanismo de ativação de células T não parece ter sido afetado pelas mutações da Ômicron. “Sabemos que temos uma proteção clínica (com as vacinas), mas não em relação à infecção e transmissão”, diz o virologista Fernando Spilki, da Universidade Feevale e coordenador da Rede Corona-ômica.Br, do Ministério da Ciência eTecnologia.

Reforço

“Está claro com os dados preliminares que a proteção é aumentada com uma 3.ª dose da nossa vacina”, disse Albert Bourla, CEO da Pfizer. Ele também disse que é possível que a população venha a precisar de uma 4.ª dose.

Na mesma linha, o cientista Xiangxi Wang, pesquisador principal do Laboratório de Infecção e Imunidade do Instituto de Biofísica da Academia Chinesa de Ciências, afirmou nesta quarta que uma 3.ª dose da Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, produz anticorpos capazes de reconhecer a Ômicron. Ele citou uma triagem de mais de 500 unidades de anticorpos neutralizantes obtidos após a 3.ª dose. “Cerca de um terço apresentou grande afinidade de ligação com a proteína spike das cepas de preocupação, incluindo a Ômicron”, afirmou. Segundo o Butantan, os cientistas ainda vão testar a capacidade de neutralização desses anticorpos contra o vírus para confirmar a eficácia.

“Dar a terceira dose é o que temos agora”, afirma Jorge Kalil, imunologista da Faculdade de Medicina da Faculdade da Universidade de São Paulo (USP). Ele lembra que o desenvolvimento, a testagem e a aprovação de uma vacina completamente adaptada à Ômicron podem levar meses.

Uma vacina adaptada da Pfizer estaria disponível “até março”, segundo a farmacêutica. A AstraZeneca informou que a plataforma de vacina desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford “permite responder rapidamente a novas variantes que possam surgir”. A Johnson & Johnson informou que está testando amostras para medir a atividade neutralizante da Janssen contra a Ômicron. Paralelamente, a companhia busca uma vacina específica para a variante “e irá desenvolvê-la, conforme for necessário”, afirmou.

“Se não vacinarmos, vão surgir variantes que escaparão da vacina. Por enquanto, quem se vacinou está razoavelmente protegido e quem não se vacinou deve se vacinar, mesmo tendo tido a doença”, acrescenta Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

09/12/2021 – Época Negócios

Link: https://epocanegocios.globo.com/Empreendedorismo/noticia/2021/12/unicamp-e-1-colocada-no-ranking-de-universidades-empreendedoras.html

Unicamp é 1ª colocada no Ranking de Universidades Empreendedoras

USP e Universidade Federal de Viçosa, em MG, completam o top 3 no levantamento geral, que considerou adaptação ao ensino remoto durante a pandemia

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, foi a primeira colocada no Ranking Universidades Empreendedoras (RUE), lançado nesta semana pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior). A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, completam o pódio. Ao todo, o levantamento analisou 126 instituições de ensino e 24 mil alunos.

No ranking geral, foram avaliadas as capacidades das instituições em se adaptaram ao ensino remoto, dado o contexto da pandemia de covid-19. Categorias específicas, como extensão e inovação, também foram analisadas separadamente — veja abaixo.

Completam o ranking das dez melhores colocadas: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), em São Paulo; Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Universidade Federal do Ceará (UFC); Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais; Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em Minas Gerais; e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (PR).

Cultura empreendedora

O Ranking Universidades Empreendedoras ainda considerou outras categorias de destaque para a premiação. Em cultura empreendedora, que analisa a participação de alunos e professores nas dinâmicas da instituição, incluindo a formação da matriz curricular, as cinco melhores foram:

Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB), no Ceará;

Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais;

Universidade Cidade de São Paulo (UNICID);

Universidade de Uberaba (Uniube), em Minas Gerais;

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul.

Extensão

Extensão analisa o incentivo ao desenvolvimento de pesquisas e compartilhamento externo dos estudos. Se destacaram:

USP;

UFV;

UFMG;

Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo;

Unicamp.

Inovação

Já em Inovação, o ranking considera a produção de tecnologias e conhecimento. O top 5 foi:

Unicamp;

Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), no Rio de Janeiro;

UFRS;

USP;

Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), em Santa Catarina.

Internacionalização

O quesito avalia a contato das instituições com o ecossistema internacional, e as conexões para viabilizar soluções inovadoras. As melhores colocadas foram:

USP;

Unicamp;

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS);

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ);

Universidade Federal de Jataí (UFJ), em Goiás.

Infraestrutura

Nesta parte, o ranking analisa a percepção dos estudantes sobre as atividades desenvolvidas e a aproximação do parque tecnológico local. As melhores colocadas foram:

Universidade do Vale do Taquari (Univates), no Rio Grande do Sul;

UFV;

PUC-RS;

UFRS.

Capital financeiro

No tópico, foram considerados os orçamentos das instituições, a partir dados autodeclarados e dividindo o valor global pelo número de alunos. Se destacaram:

Unicamp;

USP;

Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes);

Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA);

Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

08/12/2021 – Prefeitura de Porto Alegre / Secretaria Municipal de Saúde

Link: https://prefeitura.poa.br/sms/noticias/ambulatorio-pos-covid-faz-mais-de-600-atendimentos-em-diferentes-especialidades

Ambulatório pós-Covid faz mais de 600 atendimentos em diferentes especialidades

Em quase cinco meses de funcionamento, o ambulatório de reabilitação pós-Covid realizou 605 atendimentos nas áreas de fisioterapia, psicologia, enfermagem, nutrição, fonoaudiologia, acupuntura e osteopatia. Voltado a pessoas que apresentam sequelas de diferentes gravidades em razão do coronavírus, o serviço entrou em operação dia 12 de julho e funciona no Centro de Saúde IAPI (rua Três de Abril, 90, bairro Passo d’Areia).

No total, 147 pessoas foram avaliadas e 68 seguem em acompanhamento. A coordenadora do ambulatório, fisioterapeuta Aline Casaril, explica que a idade média dos pacientes é de 54 anos. “Oitenta e seis por cento deles passaram por internação hospitalar que durou cerca de 30 dias e um terço utilizou ventilação mecânica”, relata. Mais da metade do público é feminino, somando 58%.

Em novembro, houve uma redução na entrada de pacientes devido à diminuição do número de casos da doença, segundo Aline. “O que vemos é que a recuperação das sequelas é lenta para algumas pessoas, requerendo mais tempo de permanência no serviço, portanto, seguimos com 68 pessoas em acompanhamento”, afirma.

Entre as principais sequelas apresentadas estão fadiga, dor, perda de força, formigamento nas mãos e pés, ansiedade e insônia. Os pacientes também relatam perda de memória, tosse noturna, tontura, alteração da pressão arterial, azia e dificuldade para engolir.

A equipe é composta por profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), além de acadêmicos e professores dos cursos de fisioterapia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e de fisioterapia, enfermagem, psicologia e nutrição da Unisinos. “Esse reforço foi muito importante, pois o trabalho qualifica o serviço e permite aumentar consideravelmente a quantidade de pacientes atendidos”, diz a coordenadora. 

Como funciona – O encaminhamento é realizado após consulta nas unidades de saúde. No momento do atendimento, os profissionais avaliam e verificam se há necessidade de direcionar o paciente ao ambulatório. Casos mais graves são encaminhados ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre, que possui esse tipo de serviço em atividade há mais tempo.

Dados de atendimento do ambulatório pós-Covid (12 de julho a 24 de novembro):

- Fisioterapia: 366 atendimentos, com dois profissionais locais e acadêmicos da UFCSPA e Unisinos, em torno de 60 atendimentos por semana.

- Psicologia: 52 atendimentos com profissional local e 5 encontros no grupo de atendimento virtual com acadêmicos Unisinos.

- Enfermagem: 25 atendimentos de com ênfase em saúde mental, pelos acadêmicos da Unisinos.

- Nutrição: 28 atendimentos de com profissional local e 12 atendimentos de nutrição com acadêmicos da Unisinos.

- Fonoaudiologia: 31 atendimentos de com profissional local.

- Acupuntura: 52 atendimentos.

- Osteopatia: 39 atendimentos

08/12/2021 – Viva Bem UOL

Link: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/12/08/cha-de-hortela-age-contra-ansiedade-e-ate-previne-cancer-veja-beneficios.htm

Chá de hortelã alivia sintomas da ansiedade e da rinite; veja benefícios

A hortelã é considerada uma planta medicinal com propriedades analgésicas, digestivas, antigripais. O chá de hortelã, dessa maneira, torna-se um grande aliado na manutenção do bem-estar, da saúde e no combate dos sintomas de algumas doenças. É importante destacar que a planta é do gênero Mentha, que possui mais de 25 espécies diferentes. No Brasil, o mais comum é chamar de hortelã as variações da Mentha piperita, e de menta as da Mentha spicata.

As folhas de hortelã contêm óleos essenciais como mentol, mentona e limoneno, além de possuir antioxidantes, riboflavina, ácido fólico e vitaminas A, B6, C, K e E. Tudo isso faz com que o chá da planta ofereça inúmeros benefícios ao organismo. Selecionamos os principais:

Melhora problemas digestivos

Alívio de gases e cólicas no intestino, de quadros de azia e de refluxo são alguns dos efeitos que o chá pode proporcionar. De acordo com Rafael Soares, médico pela UFSCPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), nutrólogo e dermatologista, isso acontece porque a hortelã melhora a produção de secreções digestivas e tem um efeito antiespasmódico, que diminui contrações intestinas, resultando em relaxamento. Com isso, é possível eliminar melhor os gases, toxinas, assim como reduzir as dores e o desconforto.

Alivia sintomas de asma, congestão nasal, rinite e sinusite

A hortelã possui ácido ascórbico, mentol e tinol em sua composição, o que promove ação expectorante e descongestionante.

Diminui a cólica menstrual

O mecanismo é semelhante ao que acontece com os problemas digestivos, já que o mesmo efeito relaxante no intestino e no estômago também acontece com a musculatura uterina.

Pode aliviar dores de cabeça e enxaqueca O chá age como vasodilatador e ativa a circulação do sangue, o que pode ajudar a aliviar dores de cabeça e enxaqueca. Diminui sintomas de estresse, ansiedade e alivia dores musculares A presença do mentol aumenta o fluxo sanguíneo, promove a sensação de relaxamento e pode ser um excelente calmante natural. Ajuda a manter concentração O chá de hortelã promove mais disposição, pois melhora os níveis de energia, reduz a fadiga e oferece mais agilidade mental, se consumido ao longo do dia. "É uma excelente opção para beber ao estudar, por exemplo, pois favorece o foco e a concentração", diz Gustavo Feli, médico do desenvolvimento físico e mental com foco em nutrologia e medicina da longevidade pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (SC), pós-graduando em nutrologia pela USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto. Neste caso, é indicado o chá de hortelã-pimenta, tipo obtido do cruzamento entre Mentha aquatica e Mentha spicata.

Ajuda a regular o colesterol

Além de resultar na melhora do fluxo da bile, a hortelã facilita a quebra de moléculas de gordura, o que ajuda a controlar o LDL, conhecido como colesterol "ruim".

Fortalece o sistema imunológico

 A grande quantidade de vitaminas e minerais, como fósforo e cálcio, faz da planta um alimento poderoso para a imunidade.

Age como antibacteriano

Ele dificulta o crescimento de bactérias não apenas no trato digestivo, mas também na boca, matando os germes que podem causar a halitose. Algumas pesquisas inclusive já mostraram que o extrato de hortelã tem potencial antimicrobiano inclusive contra a candidíase.

Benefício em estudo

Algumas pesquisas analisam o potencial anticâncer da planta. Uma delas, por exemplo, publicada no periódico Frontiers in Pharmacology em fevereiro de 2020, testou o extrato de mental em animais e em modelos de células tumorais. Os resultados mostraram que o extrato pode diminuir a viabilidade, vitalidade e sobrevivência de células tumorais. Entretanto, mais estudos são necessários para corroborar essas descobertas.

Como fazer o chá de hortelã?

É possível comprar saquinhos prontos e fazer com água quente, mas a opção com a planta é ainda melhor. Dessa forma, usa-se o processo de decocção ou infusão. No primeiro, adicione as folhas secas de hortelã em uma panela com água e deixe no fogo até ferver. Após a fervura, basta coar e beber. Já para o segundo método, é preciso ferver a água, adicionar a folha da erva fresca e picada em um bule com o líquido e deixar tampado por, aproximadamente, 15 minutos antes de ingerir o líquido.

Além dessas três formas de fazer o chá, Feli indica uma terceira, que ajuda a tirar o máximo proveito da planta: "É possível macerar a hortelã, colocando folhas frescas em um pilão com um pouco de água, e amassando até ficar em pequenos pedaços. Depois, é só usar para o que desejar, como os chás", sugere.

Qual o melhor horário para beber chá de hortelã?

Para escolher quando e como consumir o chá de hortelã, é necessário avaliar para qual finalidade seria. Por exemplo, se o objetivo é cuidar do trato digestivo, ele pode funcionar melhor após refeições mais pesadas ou depois de comer carne vermelha —como a digestão desse alimento é bastante lenta, o chá de hortelã auxilia nesse processo.

O chá ajuda a emagrecer?

Essa é uma dúvida comum, mas, segundo os especialistas consultados, o chá de hortelã não ajuda a emagrecer. Soares afirma que, principalmente a Mentha piperita, aumenta a absorção intestinal de alguns ativos, por isso uma pessoa que já está em processo de emagrecimento vai absorver melhor os ativos que podem contribuir na perda de peso, o que não quer dizer que a hortelã, diretamente, é a responsável. "A Mentha piperita não é termogênica, mas pode aumentar o gasto metabólico de forma secundária, facilitando a ação de outros alimentos que a gente sugere ao paciente. Além disso, com as propriedades antiespasmódica e anti-inflamatória, que melhoram a digestão, os nutrientes também são melhor absorvidos", diz.

Existem pessoas que não podem consumir chá de hortelã?

As contraindicações, de acordo com Feli, são para pessoas que possuem hérnia de hiato, refluxo gástrico grave, mulheres grávidas e que estão amamentando. O chá de hortelã também não está liberado para crianças menores de cinco anos, "pois o mentol que constitui a hortelã pode causar falta de ar e asfixia", diz o nutrólogo.

02/12/2021 – Diário Gaúcho

Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/12/com-omicron-brasileiros-devem-completar-esquema-vacinal-e-privilegiar-espacos-abertos-22529933.html

Com Ômicron, brasileiros devem completar esquema vacinal e privilegiar espaços abertos

Medidas de prevenção não mudam diante da nova variante, mas cuidados precisam ser reforçados, orientam médicos

Com a confirmação oficial de casos de covid-19 no Brasil causados pela variante Ômicron, médicos e especialistas da saúde pública destacam que cuidados, talvez relaxados nos últimos tempos, devem ser reforçados — o que inclui usar máscaras em ambiente fechado, privilegiar encontros em espaços abertos e tomar, sem atraso, duas doses da vacina e o reforço.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que os cuidados para a Ômicron são os mesmos para as outras variantes, incluindo evitar aglomerações desnecessárias e, principalmente, completar o esquema vacinal — medidas também recomendadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

— Nossos hospitais têm leitos disponíveis, nossas salas de vacinação têm vacinas para vacinar todos os brasileiros que estão aptos para tomar essas vacinas — declarou o ministro.

Médicos ouvidos pela reportagem citam que a população não deve ficar alarmada — ainda há poucas informações sobre os riscos da Ômicron. Esclarecem, ainda, que frequentar ambientes ventilados e testar casos suspeitos são outras estratégias adequadas contra o coronavírus, independentemente da variante.

— Temos que manter o mesmo cuidado em relação à Delta, extremamente transmissível, mas que conseguimos controlar. Meu foco não é tanto na variante, mas no comportamento humano: é mais preocupante não querer testar se tiver sintoma, não completar o esquema vacinal e se aglomerar em ambiente fechado do que a chegada da variante — afirma Cezar Riche, médico infectologista no Hospital Mãe de Deus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que há indícios de que a Ômicron seja mais transmissível e que é esperado crescimento de casos, o que reforça a necessidade de uso de máscaras em ambientes fechados.

Não se sabe ainda se a nova variante é mais transmissível do que a Delta. Tampouco há conhecimento sobre se é mais letal: na África do Sul, cresceram as hospitalizações, mas pode ser devido ao aumento de casos em uma área de baixa vacinação — 24% dos sul-africanos estão com duas doses.

Se diferentes regiões do Brasil discutem desobrigar o uso de máscaras ao ar livre, a piora da epidemia causada pela Delta em países europeus e a chegada da Ômicron devem motivar a manutenção da regra atual, diz a médica infectologista Danise Senna Oliveira, professora de na Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

— Estamos em situação melhor do que quando surgiu a variante da Amazônia porque a cobertura vacinal é boa. Mas, agora, é hora de dar um passo atrás e reforçar as medidas de proteção. Estávamos avançando para liberar o uso de máscaras ao ar livre. Provavelmente, precisaremos frear. Mesmo países com vacinação mais avançada do que o Brasil tiveram que voltar atrás nessa recomendação. É a hora de manter os cuidados que temos no momento, incluindo máscara, álcool gel e o maior distanciamento possível — diz Danise, coordenadora do estudo da CoronaVac no Hospital-Escola da universidade.

A avaliação de Danise conversa com a declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom — na segunda-feira (28), ele afirmou que “o surgimento da Ômicron é outro lembrete de que, apesar de muitos de nós acharmos que estamos cansados da covid-19, ela não está cansada de nós”.

As farmacêuticas já estão estudando a eficácia de suas vacinas contra a Ômicron. Um executivo da Moderna, imunizante amplamente utilizado nos Estados Unidos, já declarou que a eficácia dos produtos deve cair na comparação com a Delta, mas que a proteção contra casos graves e mortes deve perdurar.

A perspectiva é de que a covid-19 seja reduzida, na maior parte das vezes, a meros sintomas como dor de garganta, coriza e dor de cabeça, o que pode confundir a doença com rinite alérgica ou resfriado. Por isso, a menor alteração corporal deve motivar a busca por teste PCR e o isolamento, sobretudo antes das festas de Natal e Ano-Novo, para evitar infectar pais e avós.

— Quem tem algum sintoma não pode esperar perder paladar e olfato para achar que está com covid. Se tem tosse, dor de garganta, coriza e desconforto, comunique o empregador e busque a testagem. O momento ideal é do terceiro ao sétimo dia após o início dos sintomas — acrescenta o infectologista Cezar Riche, ressaltando que ceias devem ser feitas ao ar livre ou ambientes bem arejados.

Se uma nova variante está à espreita, hoje brasileiros estão mais protegidos contra a covid-19, seja por vacinação ou pela imunidade adquirida após infecção natural, destaca o médico Airton Stein, professor de Epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Até esta quarta-feira (1º), quase 63% dos brasileiros receberam duas doses ou dose única da Janssen. No Rio Grande do Sul, a cobertura é de 69% e, em Porto Alegre, 72,8%.

— O sistema imune das pessoas não está mais tão suscetível ao Sars-Cov-2 quanto no início, quando não tinha nenhuma defesa contra esse vírus. A Ômicron não terá tanta facilidade de gerar casos graves, a imunidade é muito maior do que no início da epidemia — diz Stein, ressaltando que a imunidade decai com o tempo, o que exige dose de reforço.

Para quem planeja férias, Stein diz que dá para viajar, mas é prudente escolher um destino com maior cobertura vacinal e curva de casos e de mortes controladas. Também é recomendado privilegiar espaços que exijam passaporte vacinal.

— É uma proteção. Para outras doenças, temos que fazer vacina da febre amarela para entrar em uma série de países. O contato é mais seguro entre pessoas vacinadas, principalmente com o reforço — diz o médico de família e epidemiologista.

Quais os sintomas?

A OMS destaca que não há informações atualmente sugerindo que os sintomas causados pela Ômicron sejam diferentes dos gerados por outras variantes. Relatos iniciais apontavam infecções em universitários — portanto, estudantes jovens que costumam ter sintomas mais leves —, mas a entidade destaca que é preciso aguardar mais dias para entender se de fato a nova cepa gera outros efeitos no corpo.

01/12/2021 – Portal Canaltech

Link: https://canaltech.com.br/saude/vacinas-atuais-funcionam-contra-variante-omicron-203265/

Vacinas atuais funcionam contra variante Ômicron?

Muito se especula sobre o que está por vir depois da descoberta da variante Ômicron (B.1.1.529) do coronavírus, no dia 24 de novembro, identificada na África do Sul. Dúvidas sobre quais os sintomas, a letalidade, quão transmissível ela é ou se as vacinas disponíveis farão efeito ainda não foram respondidas — mas alguns especialistas já começaram a traçar possíveis cenários.

Por conta do alto número de mutações — 50 ao todo, sendo mais de 30 na proteína spike (S), que ajuda o vírus a entrar na célula humana — a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a B.1.1.529 como variante de preocupação (VOC). Ainda não é sabido se a nova cepa será capaz resistir aos imunizantes disponíveis.

Cientistas de todo o mundo tentam responder essas questões. Stéphane Bancel, executivo-chefe da farmacêutica Moderna, disse em entrevista ao jornal Financial Times que, ao que parece, haverá uma queda importante da imunidade. Ele só não sabe quão impactante isso será e que teremos que esperar os dados — que só devem sair nas próximas semanas.

As vacinas serão eficazes contra a variante Ômicron?

Os imunizantes desenvolvidos até agora se mostraram eficientes no combate de outras cepas do coronavírus, como a mais contagiosa até então, a Delta. Contudo, a grande quantidade de mutações na Ômicron é o que coloca o mundo em alerta.

As vacinas de mRNA, como aquelas desenvolvidas por Pfizer e Moderna, trazem consigo parte do código genético do vírus SARS-CoV-2 com edições para que nossas células "leiam a mensagem" do RNA e fabriquem a proteína S. Depois de introduzido no organismo, o sistema imunológico identifica o antígeno e gera uma resposta de combate capaz de nos proteger caso sejamos infectados pela covid-19.

Por outro lado, há doses, como da AstraZeneca e a CoronaVac, formuladas com o chamado vetor viral, um vírus inativado que possui um código genético em seu interior. Nesse caso, a resposta imunológica é um processo semelhante ao anterior. Nosso corpo identifica o agente invasor e trabalha produzindo células de defesa.

O imunologista Jorge Kalil Filho, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, falou à BBC que o caso da Ômicron é um pouco diferente. Segundo ele, essa variante traz muitas mutações em lugares estratégicos, como a região da espícula que se liga ao receptor das células — a proteína S. "E isso abre a possibilidade de que os anticorpos neutralizantes parem de funcionar como observado até agora", disse.

Possíveis cenários para a Ômicron, segundo a ciência

Ainda não há dados suficientes para saber se a B.1.1.529 irá driblar a imunidade adquirida nesses quase dois anos de pandemia. Mas, especialistas já traçaram situações que podem ocorrer, levando em consideração os dados de vacinação e resposta imunológica até agora.

No primeiro deles, a imunidade de quem já teve covid-19 ou tomou as doses recomendadas de vacina continua suficientemente alta. Numa segunda possível situação, pode haver queda na imunidade, porém boa parte de quem está vacinado ou já foi infectado continua com um nível bom de proteção contra as formas mais graves da doença. E por último, a perda da defesa adquirida é grande, e parte da população volta a ficar mais vulnerável, especialmente os mais velhos e pessoas com comorbidades.

É importante ressaltar que todos esses cenários são especulações traçadas com base nas informações disponíveis até o momento. Os pesquisadores estão tentando buscar respostas nas amostras de sangue de pessoas vacinadas ou recuperadas da covid e testando em laboratório para ver a reação do material com a Ômicron.

Kalil Filho acredita que essa estratégia nos dá uma ideia sobre se os anticorpos conseguem neutralizar a nova variante de uma maneira parecida ao que acontecia com as outras versões anteriores do coronavírus. Além disso, outro jeito de monitorar a perda de efetividade das vacinas é observar o que acontece nos lugares onde a variante circula com mais intensidade e comparar os testes de diagnóstico com o número de casos ao número de pessoas vacinadas.

Casos da Ômicron no mundo

Com apenas uma semana de conhecimento da variante pela OMS, a nova cepa do coronavírus já está presente em todos os continentes e em dezenas de países, incluindo o Brasil. A África do Sul está enfrentando um surto de infecções causadas pela Ômicron.

Waasila Jassat, especialista de saúde pública no Instituto Nacional para Doenças Comunicáveis sul-africano, disse em entrevista coletiva que cerca de 87% dos internados na província não estão completamente vacinados. Além disso, há um número alto de crianças pequenas precisando de hospitalização.

A a imunologista Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, ouvida pela reportagem da BBC, disse que o grande problema é justamente esse. Se continuarmos nessa situação de não vacinar grande parte do mundo, como os países mais pobres da África e da Ásia, uma hora ou outra vai surgir uma nova variante com mutações que conseguem escapar totalmente das vacinas.

A Organização Mundial da Saúde continua a recomendar que o mundo não flexibilize as medidas de restrição como o uso de máscaras e distanciamento social. A indicação é que os países continuem avançando com as campanhas de vacinação para toda a população indicada.

Posição da Anvisa sobre vacinas e Ômicron

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciou que está trabalhando com outros órgãos internacionais e farmacêuticas para acelerar a resposta sobre os possíveis impactos da variante Ômicron.

Em nota, o órgão regulador afirma que a expectativa é que nas próximas semanas os dados sobre nova cepa já estejam disponíveis para avaliação. Em caso de doses de reforço, a Anvisa afirma o compromisso de atuar com agilidade na permissão das atualizações das vacinas.

O comunicado também diz que a agência já encaminhou um pedido de atualização a todas as desenvolvedoras de imunizantes autorizados no país — Pfizer, Butantan, Fiocruz e Janssen — para entender o andamento dos estudos sobre imunização. Mas reconhece que é preciso tempo para que as análises genéticas da Ômicron estejam disponíveis.

Enquanto isso, a recomendação é que toda a população mantenha a prevenção contra a covid-19, adotando medidas de precaução como o uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social. Além disso, reforça a necessidade de vacinação para todos, bem como as doses de reforço disponíveis.

01/12/2021 – BBC Brasil

Link: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59485348

Ômicron: qual a previsão de novas vacinas

Classificada como uma variante de preocupação no dia 26 de novembro, a ômicron segue cercada de incertezas e especulações. Um dos aspectos que levanta mais dúvidas tem a ver com a imunidade: será que as vacinas disponíveis atualmente são capazes de barrar uma infecção (ou ao menos diminuir a gravidade da doença) causada por essa nova versão do coronavírus?

Por ora, não há nenhuma evidência de que os imunizantes perdem completamente a capacidade de proteção — os estudos que avaliam essa questão estão em andamento e devem ter seus resultados preliminares divulgados ao longo da próxima semana. A vacinação continua indicada como a principal estratégia para se proteger contra a covid.

Porém, de forma geral, boa parte dos especialistas espera que ocorra, sim, uma queda na efetividade das doses. Essa expectativa tem a ver com as mutações encontradas na ômicron que aparecem em outras variantes e com algumas simulações feitas em computador.

Mas ninguém sabe ainda responder ao certo a magnitude dessa diminuição da efetividade ou se haverá a necessidade de desenvolver novas vacinas capazes de conter especificamente a ômicron.

Uma das previsões mais pessimistas veio do executivo-chefe da farmacêutica Moderna, Stéphane Bancel, numa entrevista ao jornal Financial Times. "Me parece que haverá uma queda importante [da imunidade]. Só não sei quanto, porque precisamos esperar os dados. Mas todos os cientistas com quem conversei dizem que 'não vai ser bom'", declarou.

Na contramão, o ministro da Saúde de Israel, Nitzan Horowitz, acredita que "há espaço para otimismo". "Nos próximos dias, nós teremos informações mais precisas sobre a eficácia das vacinas contra a ômicron. Mas alguns indicadores iniciais revelam que os indivíduos vacinados continuam protegidos contra essa variante", declarou, durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (30/11).

Nos últimos dias, representantes de alguns laboratórios afirmaram que estão desenvolvendo versões atualizadas de seus imunizantes. Foi o caso de Pfizer/BioNTech, Moderna, AstraZeneca e Janssen.

Mas, caso a necessidade de novas vacinas contra a ômicron fique realmente comprovada, quanto tempo demoraria para elas ficarem prontas?

O que falta descobrir

Identificada na África do Sul no final de novembro, a ômicron logo chamou a atenção dos especialistas pela quantidade e pela variedade de mutações, muitas delas localizadas na proteína S.

Esse "S" é a inicial de spike, ou espícula em português. Essa proteína fica na superfície do coronavírus e tem a função de se conectar no receptor das células humanas para dar início à infecção.

Na perspectiva das vacinas disponíveis, essa estrutura é muito importante. A maioria dos imunizantes tem como base justamente a tal da proteína S.

As vacinas de mRNA (como aquelas desenvolvidas por Pfizer e Moderna) trazem na sua formulação um pedacinho de código genético com instruções para que nossas próprias células fabriquem a proteína S. Na sequência, esse material é identificado pelo sistema de defesa, que gera uma resposta imunológica capaz de nos proteger de uma infecção de verdade.

Já nos imunizantes de vetor viral (caso de AstraZeneca e Janssen), o produto traz um vírus inofensivo para seres humanos que possui um código genético em seu interior. Daí, o processo é mais ou menos igual: nossas células produzem a proteína S e o sistema imunológico faz o seu trabalho de montar uma resposta contra o invasor.

 Agora, se a ômicron traz mutações importantes justamente na proteína S, existe a probabilidade de as células de defesa não reconhecerem mais essa nova versão do coronavírus e não lançarem um contra-ataque efetivo. E isso, por sua vez, aumenta o risco de infecção mesmo entre os vacinados ou aqueles que tiveram covid-19 anteriormente.

"Essa variante traz muitas mutações em lugares estratégicos, como a região da espícula que se liga ao receptor das células", observa o imunologista Jorge Kalil Filho, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

"E isso abre a possibilidade de que os anticorpos neutralizantes parem de funcionar como observado até agora", completa.

De novo: ainda não se sabe se isso vai acontecer na prática e o quanto a ômicron é realmente capaz de "driblar" a imunidade prévia. Mas há alguns cenários possíveis, como você confere a seguir (do mais otimista para o mais pessimista):

1) A imunidade de quem já teve covid-19 ou tomou as doses recomendadas de vacina continua suficientemente alta;

2) Há uma perda da imunidade, mas boa parte de quem está vacinado ou já foi infectado continua com um nível bom de proteção contra as formas mais graves da doença;

3) A perda da imunidade é grande e boa parte da população volta a ficar mais vulnerável, especialmente os mais velhos e aqueles com o sistema imunológico comprometido.

Há quem aposte em cada um desses cenários e nas possíveis variações e combinações entre eles. Mas isso ainda não passa de uma aposta ou de uma especulação.

É justamente para acabar com essas dúvidas que diversos grupos de pesquisa estão trabalhando nos últimos dias. Uma das formas de encontrar respostas é pegar amostras de sangue de pessoas vacinadas (ou recuperadas da covid) e ver no laboratório como as células imunes delas reagem ao ômicron.

Essa estratégia nos dá uma ideia se os anticorpos conseguem neutralizar a nova variante de uma maneira parecida ao que acontecia com as outras versões anteriores do coronavírus", explica Kalil Filho.

"Outra maneira de conferir essa eventual perda de efetividade das vacinas é observar o que acontece nos lugares onde a ômicron circula com mais intensidade. Será preciso acompanhar a população, fazer testes de diagnóstico, ver quantas pessoas ficaram doentes, quantas tiveram quadros mais graves e quantas estavam vacinadas", continua o especialista.

"A partir daí, é possível fazer cálculos estatísticos para determinar o tamanho do problema", completa.

Outra etapa mais complexa é entender como ficarão outros aspectos importantes da imunidade que não dependem necessariamente dos anticorpos, como a atuação dos linfócitos T, uma unidade de defesa que destrói as células infectadas pelo coronavírus. 

Boa parte dessas investigações já está em curso, sob a liderança das próprias farmacêuticas e de grupos de estudos independentes. A expectativa é que os primeiros resultados saiam até a próxima semana.

Até agora, todas as novas versões do vírus que causaram maior preocupação (alfa, beta, gama e delta) continuam a ser barradas pelas vacinas. "Os dados de vida real nos mostram um bom nível de proteção contra essas variantes", informa a imunologista Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

"O grande problema é que, se continuarmos nessa situação de não vacinar grande parte do mundo, como os países mais pobres da África e da Ásia, uma hora ou outra vai surgir uma nova variante com mutações que conseguem escapar totalmente das vacinas", alerta a especialista, que também integra a Sociedade Brasileira de Imunologia.

"Estamos diante de um problema global cujas soluções são pensadas de maneira local. Assim fica difícil acabar com a pandemia", critica.

O que será feito na sequência?

Vamos supor que essas pesquisas em andamento mostrem que a realidade se aproxima do cenário 2 (perda da imunidade, mas ainda com um nível suficiente de proteção contra as formas mais graves da covid).

Nesse caso, os especialistas podem indicar, por exemplo, uma dose extra das vacinas já disponíveis. Há diversos estudos mostrando que esse booster, como é conhecido o reforço em inglês, aumenta os níveis de anticorpos contra o coronavírus.

A terceira dose, aliás, já está sendo aplicada de rotina nos países com a campanha de vacinação mais avançada, como é o caso do Brasil.

Agora, se o cenário 3 se concretizar (perda grande da imunidade e muita gente vulnerável), a situação fica um pouco mais complicada: pode ser necessário desenvolver novos imunizantes que consigam barrar especificamente a ômicron.

Farmacêuticas como Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen, inclusive, anunciaram nos últimos dias que estão desenvolvendo novas versões de seus produtos para contemplar a nova variante.

A Pfizer anunciou que conseguiria desenvolver um novo produto em cerca de 100 dias. Já a Moderna calcula que levaria "alguns meses" para ter uma versão atualizada de seu imunizante.

Em tese, a parte técnica desse processo nem é tão complicada assim: tanto nas vacinas de mRNA (Pfizer e Moderna) quanto nas de vetor viral (AstraZeneca e Janssen), basta trocar aquele código genético que "ensina" nossas células a fabricar a proteína S por uma versão mais aproximada ao que se observa na ômicron.

Ou seja: na mais otimista das hipóteses, todo esse processo demoraria por volta de seis meses para ser finalizado, segundo os próprios cálculos dos laboratórios.

"O desafio maior vem a seguir: fabricar, distribuir e vacinar todo o mundo, num momento em que a maioria da população global ainda não recebeu suas doses", aponta Bonorino.

Segundo a imunologista, a adaptação e a atualização das vacinas não exigiria longos testes clínicos, como aconteceu para a aprovação da primeira leva de imunizantes entre o final de 2020 e o início de 2021.

"É mais ou menos o que acontece com a vacinação contra a gripe, em que temos alterações no produto utilizado a cada ano de acordo com as cepas do vírus influenza que circulam com mais intensidade naquele momento", exemplifica.

Esse processo, claro, exigiria toda uma discussão entre os especialistas e a criação de regras regulatórias que ainda não existem até agora, pois a covid-19 é uma doença relativamente nova.

Órgãos como a Anvisa no Brasil e o FDA nos Estados Unidos precisam definir essas normas e como seria feita essa mudança dos produtos, caso isso se mostre realmente necessário.

O que fazer até lá?

Não custa reforçar: por enquanto, falamos apenas de cenários hipotéticos. Não se sabe se a ômicron realmente escapa da imunidade e se haverá necessidade de criar novas vacinas.

Portanto, é vital que a campanha de vacinação contra a covid-19 continue a evoluir e que todo mundo receba as suas doses no momento indicado. O recado vale inclusive para a terceira aplicação em todos os adultos, como anunciado pelo Ministério da Saúde em novembro.

Em relação a isso, não há dúvidas entre os especialistas: os imunizantes em uso são efetivos e oferecem proteção, especialmente contra as formas mais graves da covid-19.

E, mesmo se a ômicron se mostrar realmente uma péssima notícia, as demais formas de prevenção continuarão a funcionar contra ela: o uso de máscaras de boa qualidade, o cuidado com as aglomerações, a lavagem de mãos e circulação de ar pelos ambientes seguem como recomendações básicas para diminuir o risco de transmissão e infecção com o coronavírus.

01/12/2021 – GZH

Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/12/com-omicron-brasileiros-devem-completar-esquema-vacinal-e-privilegiar-espacos-abertos-ckwnyvgr3009z014cek55xti9.html

Com Ômicron, brasileiros devem completar esquema vacinal e privilegiar espaços abertos

Medidas de prevenção não mudam diante da nova variante, mas cuidados precisam ser reforçados, orientam médicos

Com a confirmação oficial de casos de covid-19 no Brasil causados pela variante Ômicron, médicos e especialistas da saúde pública destacam que cuidados, talvez relaxados nos últimos tempos, devem ser reforçados — o que inclui usar máscaras em ambiente fechado, privilegiar encontros em espaços abertos e tomar, sem atraso, duas doses da vacina e o reforço.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que os cuidados para a Ômicron são os mesmos para as outras variantes, incluindo evitar aglomerações desnecessárias e, principalmente, completar o esquema vacinal — medidas também recomendadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

— Nossos hospitais têm leitos disponíveis, nossas salas de vacinação têm vacinas para vacinar todos os brasileiros que estão aptos para tomar essas vacinas — declarou o ministro.

Médicos ouvidos pela reportagem citam que a população não deve ficar alarmada — ainda há poucas informações sobre os riscos da Ômicron. Esclarecem, ainda, que frequentar ambientes ventilados e testar casos suspeitos são outras estratégias adequadas contra o coronavírus, independentemente da variante.

— Temos que manter o mesmo cuidado em relação à Delta, extremamente transmissível, mas que conseguimos controlar. Meu foco não é tanto na variante, mas no comportamento humano: é mais preocupante não querer testar se tiver sintoma, não completar o esquema vacinal e se aglomerar em ambiente fechado do que a chegada da variante — afirma Cezar Riche, médico infectologista no Hospital Mãe de Deus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que há indícios de que a Ômicron seja mais transmissível e que é esperado crescimento de casos, o que reforça a necessidade de uso de máscaras em ambientes fechados.

Não se sabe ainda se a nova variante é mais transmissível do que a Delta. Tampouco há conhecimento sobre se é mais letal: na África do Sul, cresceram as hospitalizações, mas pode ser devido ao aumento de casos em uma área de baixa vacinação — 24% dos sul-africanos estão com duas doses.

Se diferentes regiões do Brasil discutem desobrigar o uso de máscaras ao ar livre, a piora da epidemia causada pela Delta em países europeus e a chegada da Ômicron devem motivar a manutenção da regra atual, diz a médica infectologista Danise Senna Oliveira, professora de na Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

— Estamos em situação melhor do que quando surgiu a variante da Amazônia porque a cobertura vacinal é boa. Mas, agora, é hora de dar um passo atrás e reforçar as medidas de proteção. Estávamos avançando para liberar o uso de máscaras ao ar livre. Provavelmente, precisaremos frear. Mesmo países com vacinação mais avançada do que o Brasil tiveram que voltar atrás nessa recomendação. É a hora de manter os cuidados que temos no momento, incluindo máscara, álcool gel e o maior distanciamento possível — diz Danise, coordenadora do estudo da CoronaVac no Hospital-Escola da universidade.

A avaliação de Danise conversa com a declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom — na segunda-feira (28), ele afirmou que “o surgimento da Ômicron é outro lembrete de que, apesar de muitos de nós acharmos que estamos cansados da covid-19, ela não está cansada de nós”.

As farmacêuticas já estão estudando a eficácia de suas vacinas contra a Ômicron. Um executivo da Moderna, imunizante amplamente utilizado nos Estados Unidos, já declarou que a eficácia dos produtos deve cair na comparação com a Delta, mas que a proteção contra casos graves e mortes deve perdurar.

A perspectiva é de que a covid-19 seja reduzida, na maior parte das vezes, a meros sintomas como dor de garganta, coriza e dor de cabeça, o que pode confundir a doença com rinite alérgica ou resfriado. Por isso, a menor alteração corporal deve motivar a busca por teste PCR e o isolamento, sobretudo antes das festas de Natal e Ano-Novo, para evitar infectar pais e avós.

— Quem tem algum sintoma não pode esperar perder paladar e olfato para achar que está com covid. Se tem tosse, dor de garganta, coriza e desconforto, comunique o empregador e busque a testagem. O momento ideal é do terceiro ao sétimo dia após o início dos sintomas — acrescenta o infectologista Cezar Riche, ressaltando que ceias devem ser feitas ao ar livre ou ambientes bem arejados.

Se uma nova variante está à espreita, hoje brasileiros estão mais protegidos contra a covid-19, seja por vacinação ou pela imunidade adquirida após infecção natural, destaca o médico Airton Stein, professor de Epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Até esta quarta-feira (1º), quase 63% dos brasileiros receberam duas doses ou dose única da Janssen. No Rio Grande do Sul, a cobertura é de 69% e, em Porto Alegre, 72,8%.

— O sistema imune das pessoas não está mais tão suscetível ao Sars-Cov-2 quanto no início, quando não tinha nenhuma defesa contra esse vírus. A Ômicron não terá tanta facilidade de gerar casos graves, a imunidade é muito maior do que no início da epidemia — diz Stein, ressaltando que a imunidade decai com o tempo, o que exige dose de reforço.

Para quem planeja férias, Stein diz que dá para viajar, mas é prudente escolher um destino com maior cobertura vacinal e curva de casos e de mortes controladas. Também é recomendado privilegiar espaços que exijam passaporte vacinal.

— É uma proteção. Para outras doenças, temos que fazer vacina da febre amarela para entrar em uma série de países. O contato é mais seguro entre pessoas vacinadas, principalmente com o reforço — diz o médico de família e epidemiologista.

Quais os sintomas?

A OMS destaca que não há informações atualmente sugerindo que os sintomas causados pela Ômicron sejam diferentes dos gerados por outras variantes. Relatos iniciais apontavam infecções em universitários — portanto, estudantes jovens que costumam ter sintomas mais leves —, mas a entidade destaca que é preciso aguardar mais dias para entender se de fato a nova cepa gera outros efeitos no corpo.

01/12/2021 – Jornal O Sul

Link: https://www.osul.com.br/devido-a-baixa-procura-teleatendimento-de-pacientes-com-sintomas-de-covid-19-e-encerrado-em-porto-alegre/

Devido à baixa procura, teleatendimento a pacientes com sintomas de Covid-19 é encerrado em Porto Alegre

O serviço de telemedicina voltado a moradores de Porto Alegre com sintomas de Covid-19 foi finalizado na terça-feira (30) em razão da baixa procura por atendimentos nas últimas semanas.

A iniciativa da prefeitura, em parceria com a Santa Casa de Misericórdia e a UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), iniciou em abril do ano passado.

De acordo com a reitora da UFCSPA, Lucia Pellanda, foram realizados mais de 5,2 mil atendimentos gratuitos por meio da plataforma Conexão Santa Casa, ferramenta de telemedicina desenvolvida pela instituição. “Tenho certeza de que as ações foram bem sucedidas. Em momentos críticos da pandemia, trouxemos um importante resultado para toda a comunidade”, destacou Lucia.

O atendimento foi realizado por uma equipe multidisciplinar de profissionais e acadêmicos da UFCSPA e da Santa Casa. “É fundamental valorizar os 65 voluntários que trabalharam 24 horas por dia, honrando, assim, o exercício de suas profissões”, destacou o diretor médico e de ensino e pesquisa da Santa Casa, Antônio Kalil.

A Secretaria Municipal da Saúde disponibilizou, durante os 19 meses, suporte da Vigilância em Saúde e acesso ao sistema de gerenciamento de consultas.  O sistema possibilitou a emissão de autorizações para exames em laboratórios credenciados. Os custos dos exames foram cobertos pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

“Esse sistema facilitou o atendimento, possibilitando que o paciente com suspeita de Covid-19 não necessitasse sair de casa para receber uma orientação ou avaliação. Um serviço de extrema importância durante uma pandemia”, disse o secretário Mauro Sparta.