30/11/2022 - GZH

Link: UFSM propõe processo seletivo que inclui vestibular e provas seriadas; veja como funciona em outras instituições | GZH (clicrbs.com.br)

UFSM propõe processo seletivo que inclui vestibular e provas seriadas; veja como funciona em outras instituições

Hoje, a universidade utiliza o Sisu para preencher quase 100% de suas vagas

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) apresentou para a comunidade acadêmica nesta quarta-feira (30) uma proposta de mudança nas formas de ingresso nas graduações da instituição. Atualmente, com exceção de editais específicos para refugiados e indígenas, o acesso à universidade acontece por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

A proposta, que ainda precisa ser aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), prevê que 30% do ingresso aconteça pelo Sisu, outros 30% por um vestibular feito pela UFSM e 40% ocorra por meio de um processo seletivo seriado (PSS) – este último envolve a aplicação de provas parciais entre estudantes ao final de cada um dos três anos do Ensino Médio.

Caso aprovada, a mudança acontecerá de forma gradual até 2026. Será iniciada no segundo semestre de 2023, com a retomada do vestibular para o preenchimento de 30% das vagas e o Sisu para as 70% restantes. Como o PSS prevê a realização de provas parciais ao longo de três anos, esse percentual será mantido até 2025 – a partir do ano seguinte, os três exames já terão sido realizados entre os alunos de Ensino Médio e será possível destinar 30% das vagas para essa forma de seleção. O mesmo candidato poderá concorrer nas três formas de ingresso. Funcionaria da seguinte forma:

Primeiro semestre de 2023: 100% Sisu 

Segundo semestre de 2023: em julho de 2023, realização de prova vestibular. Ingresso 70% por Sisu e 30% por vestibular

2024: realização das provas PSS1 e vestibular. Ingresso 70% por Sisu e 30% por vestibular

2025: realização das provas PSS1 e PSS2 e do vestibular. Ingresso 70% por Sisu e 30% por vestibular

2026: realização das provas PSS1, PSS2 e PSS3 e do vestibular. Ingresso 40% por PPS, 30% por Sisu e 30% por vestibular

Na proposta apresentada pela universidade, também está prevista a oferta de até 5% de vagas extras para quilombolas, até 5% para pessoas trans e até 5% para pessoas com deficiência. A instituição propôs, ainda, que sejam destinadas vagas para medalhistas de Olimpíadas de Conhecimento, para idosos e para atletas de alto rendimento. Editais específicos para refugiados e imigrantes em situação de vulnerabilidade e para indígenas, já existentes, serão mantidos.

Todas essas mudanças só serão postas em prática caso sejam aprovadas pelo Cepe. A expectativa da reitoria é de que a análise aconteça até fevereiro de 2023, para que a aprovação esteja vigente já em março.

O uso do PSS não é novidade na UFSM, que utilizou essa forma de ingresso, entre outras, como o vestibular, antes de 2014, quando aderiu à seleção pelo Sisu. A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) também conta com o Programa de Avaliação da Vida Escolar (Pave) que, na prática, funciona nos mesmos moldes do PSS. Na instituição pelotense, 20% das vagas são preenchidas a partir do desempenho em provas aplicadas durante o Ensino Médio.

Durante o evento de apresentação da proposta, o reitor da UFSM, Luciano Schuch, destacou que julga ser importante a revisão constante da forma de ingresso na universidade e que, com o Sisu, as instituições têm enfrentado altas taxas de evasão de estudantes.

— Por mais que permita um acesso democrático para alunos de qualquer lugar do país, sempre enxergamos que o Sisu gerava uma falta de identidade do estudante com a instituição. Essa discussão já existe há alguns anos especialmente nos campi fora da sede: quanto mais se vai para o Interior, mais difícil o aluno do Sisu se identificar com aquela cidade e permanecer — relata o reitor, que verificou a mesma situação nos campi de Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul.

Schuch observou que, diferentemente de 15 anos atrás, hoje dificilmente os estudantes precisam se deslocar mais de 200 quilômetros para chegar a um campus de uma instituição de Ensino Superior pública, devido à criação de universidades e institutos federais no Interior. Por isso, entende que o aluno que sai de outro Estado para estudar em Santa Maria o faz por opção, e que esse cenário precisa ser levado em conta na hora de se definir o processo seletivo.

— Queremos mais o sentimento de pertencimento, e que o aluno esteja vocacionado para aquele curso. Queremos que ele escolha o curso que deseja e vá atrás da nota, e não o contrário — explica o reitor.

Formas de ingresso variadas

A forma de ingresso varia muito em cada uma das instituições federais gaúchas. Das sete universidades, quatro utilizam, atualmente, apenas o Sisu como forma de ingresso regular, com exceção para processos específicos de ações afirmativas: a UFSM, a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Nenhuma das três últimas tem discussões em andamento, hoje, para mudar seus processos de seleção.

Nas outras três universidades, duas utilizam parcialmente o Sisu para preencher suas vagas – a Universidades Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que adota o sistema para ocupar 30% das posições, e a UFPel, que o utiliza para 80% das vagas, enquanto os outros 20% são definidos por meio do Pave. Há, ainda, vestibulares específicos na instituição para quilombolas e indígenas. Também não há debates acontecendo para modificar a forma de ingresso nessas instituições.

Já na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), realiza-se uma Chamada por Nota do Ensino Médio, específica da instituição. Uma comissão permanente foi criada para se debater a adesão ao Pave, adotado pela UFPel. Não há prazo para essa definição.

Nos institutos federais, a escolha de formas de ingresso também é diversa. No Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), a depender do campus, a seleção acontece com prova própria, por sorteio ou por uso da nota no Enem. Também há uma seleção para cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) a partir de informações sobre a situação escolar e de vida dos candidatos.

No Instituto Federal Sul-riograndense (IFSul), a seleção, até então, se dá com 50% das vagas preenchidas a partir de um vestibular de redação e 50% pelo Sisu. Se as vagas não são preenchidas, é feita uma seleção pelas notas do Ensino Médio. Para o ano que vem, a tendência é de que o processo seja modificado e seja feita uma prova normal por áreas de conhecimento.

No Instituto Federal Farroupilha (IFFar), a seleção acontece a partir da nota no Enem. Os candidatos podem escolher o resultado de qualquer prova entre 2009 e 2022.

29/11/2022 - Jornal do Comércio

Link: Coral Viva La Vida encerra temporada 2022 do Música na UFCSPA (jornaldocomercio.com)

Coral Viva La Vida encerra temporada 2022 do Música na UFCSPA

Apresentação desta quarta (30) terá entrada franca

O espetáculo Canções de Amor, do Coral Viva La Vida, é atração desta quarta-feira (30), às 20h, no Teatro Moacyr Scliar da UFCSPA (rua Sarmento Leite, 245). O grupo encerra a temporada de 2022 do projeto Música na UFCSPA, com entrada franca.

29/11/2022 - G1 RS

Link: Universidades do RS projetam impacto com novo bloqueio de verbas federais | Rio Grande do Sul | G1 (globo.com)

Universidades do RS projetam impacto com novo bloqueio de verbas federais

UFCSPA, UFPel, UFSM e Unipampa afirmam que bloqueio irá afetar serviços até o fim do ano. MEC diz buscar soluções, sem detalhar impacto da medida.

Instituições de ensino superior da rede federal relatam ter recebido informes de novos bloqueios de verbas por parte do Ministério da Educação (MEC). No Rio Grande do Sul, algumas universidades e institutos federais (IFs) já projetam impactos para o fim do ano. Veja abaixo.

O MEC divulgou nota na qual diz que busca "soluções", mas não detalha o impacto da medida. "O Ministério da Educação (MEC) informa que recebeu a notificação do Ministério da Economia a respeito dos bloqueios orçamentários realizados. É importante destacar que o MEC mantém a comunicação aberta com todos e mantém as tratativas junto ao Ministério da Economia e à Casa Civil para avaliar alternativas e buscar soluções para enfrentar a situação", afirma.

Além das universidades listadas abaixo, o g1 contatou UFRGS, FURG, IFSul, IFRS e IFFarroupilha. Essas instituições não haviam respondido até a atualização mais recente desta reportagem.

O Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) diz que o governo "retirou todos os limites de empenho distribuídos e não utilizados pelas instituições". O valor bloqueado não é citado, mas a entidade alerta para o risco de o bloqueio virar um corte definitivo no orçamento deste ano.

O limite de empenho é uma especie de contingenciamento de despesas que ocorre quando a receita prevista não se realiza. O empenho é a reserva do dinheiro que será pago a um determinado bem ou serviço.

UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre afirma que o bloqueio não afetará o funcionamento da instituição e prestação de serviços terceirizados. No entanto, as ações de contratações em andamento ou que estão aguardando liberação de recursos serão severamente afetadas.

Entre elas, a UFCSPA cita os programas de manutenção SIE, Projeto Clínica da Família, impermeabilização de lajes do campus, equipamentos, aquisição de EPIs, contratações para o restaurante universitário e uma licitação.

Nas redes sociais, a reitora Lucia Pellanda protestou contra os bloqueios. "Todo o planejamento por água abaixo! Obras urgentes, contratos com a licitação em andamento, contas a pagar. Desesperador!", escreveu.

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24/11/2022 - GZH

Link: Universidades gaúchas reforçam recomendação do uso de máscaras contra a covid-19 | GZH (clicrbs.com.br)

Universidades gaúchas reforçam recomendação do uso de máscaras contra a covid-19

Pedidos ocorrem em um cenário de aumento de casos e de circulação de novas subvariantes no Estado

O aumento de casos de covid-19 e a circulação de novas subvariantes motivou novas manifestações de universidades do Estado quanto ao uso de máscaras de proteção facial. Na semana passada, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) recomendou “fortemente” a utilização do equipamento em ambientes fechados e em locais com grande número de pessoas.

Apenas neste mês, o Estado registrou a presença de duas novas subvariantes da Ômicron. A primeira identificação, da BQ.1, ocorreu no dia 6, em uma amostra coletada de um morador da Região Metropolitana. A segunda, chamada BE.9, foi encontrada no exame de um paciente de Gramado, na Serra, na terça-feira (22).

Nesta semana, GZH questionou oito das principais instituições de Ensino Superior do Estado sobre o uso de máscaras de proteção facial no ambiente acadêmico. A exemplo da UFRGS, três delas recomendaram “fortemente” o dispositivo. Ainda que recomendada pelas instituições, a utilização de máscaras não é obrigatória em nenhuma delas no momento.

Veja o posicionamento de cada universidade:

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UFCSPA

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) também orienta “fortemente” o uso de máscaras "bem ajustadas" nas áreas internas da universidade, frente ao cenário epidemiológico atual da covid-19 no país. Também reforça a importância da vacinação em dia, automonitoramento dos sintomas e higienização constante das mãos para mitigar o risco de contágio, entre outras medidas sanitárias.

22/11/2022 - Viva Bem UOL

Link: Covid-19: sem vacina, criança se reinfecta mais e isso ameaça o seu futuro - 22/11/2022 - UOL VivaBem

Covid-19: sem vacina, criança se reinfecta mais e isso ameaça o seu futuro

Enquanto, no Brasil, a vacinação das crianças contra a covid-19 mal e mal engatinha, com falta de abastecimento da CoronaVac para os pequenos entre 3 e 4 anos e autorização do governo para vacinar com Pfizer somente os bebês de 6 meses a 2 anos e 11 meses que tenham alguma comorbidade, um estudo recém-publicado na prestigiada Frontiers in Immunology merece destaque. Ele é brasileiro e pode ampliar o nosso olhar para a necessidade de vacinar a criançada.

Não que já não existissem bons motivos para os pais levarem seus filhos ao posto a fim de protegê-los do Sars-CoV-2. Mas os argumentos eram, até então, basicamente os dois de sempre — que continuam válidos, fique bem entendido.

Um deles seria evitar que meninos e meninas infectados, em grande parte das vezes assintomáticos, acabem levando uma enorme carga do coronavírus naquela visita à casa dos avós e de outras pessoas ou mais velhas ou com o organismo vulnerável por qualquer motivo de saúde. Não resta dúvida de que crianças espalham viroses tanto quanto brinquedos pelo chão.

Outro é prevenir casos graves. Diga-se que esse argumento é forte à beça. Fraca é a ideia de que a covid-19 não mata quem está curtindo a infância. No nosso país, de acordo com a Fiocruz, a cada dois dias uma criança com menos de 5 anos morre por causa dela.

Mas, agora, os pesquisadores brasileiros chegam com um terceiro motivo para dar a vacina, que é cortar a oportunidade de as reinfecções na meninada fazerem maiores estragos, comprometendo o seu amanhã.

Escarafunchando a intimidade do sistema imunológico, os autores desse estudo multicêntrico, envolvendo diversas instituições de respeito, entenderam ainda mais por que as crianças dificilmente adoecem pra valer quando são infectadas pelo Sars-CoV-2. De fato, a maioria apresenta sintomas leves, quando muito.

No entanto, nelas, os mecanismos de defesa que conseguem a proeza de barrar a manifestação da doença não fazem muita coisa além disso. Em outras palavras, não conferem imunidade ao organismo por muito tempo. Ou seja, as crianças que testam positivo para a covid-19 logo ficam à mercê do Sars-CoV-2 outra vez.

Riscos futuros "Ninguém sabe o que sucessivas infecções por esse vírus poderão causar lá adiante", alerta a imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre) e líder do trabalho.

Mesmo sem pensar muito em futuro, há evidências de que reinfecções podem resultar em quadros mais graves do que os anteriores. "Não dá para dizer, 'o que o meu filho teve parecia um resfriadinho comum e tudo bem', achando que, por isso, ele está imune", afirma a pesquisadora. "Sem contar que crianças também são capazes de apresentar covid longa, com sintomas principalmente neurológicos."

Passados uns anos, porém, a coisa toda pode se tornar bem mais complicada, para não dizer preocupante. "Ninguém consegue dizer se o Sars-CoV-2 não poderá causar danos que só aparecerão quando essa criança crescer", afirma a professora.

Não seria algo inédito, nem exclusivo do coronavírus. Ora, uma lesão provocada pelo HPV na adolescência, o papilomavírus humano, às vezes se transforma em um câncer de útero décadas depois.

"Assim como a infecção pelo vírus de Epstein-Barr, ao causar mononucleose na infância, está associada a um maior risco de esse indivíduo ter esclerose múltipla na vida adulta", comenta a imunologista, acrescentando mais um exemplo.

Daí que, para ela e seus colegas, deixar as crianças sem vacina e sendo reinfectadas pelo Sars-CoV-2 é arriscar a saúde de toda uma geração, que talvez pague um preço alto mais para frente.

Por que a criança raramente adoece? Essa foi a primeira pergunta que o time de cientistas se fez — e que time! Entre os 26 autores do estudo estão pediatras do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, gente da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) que ficou de olho nos anticorpos neutralizantes, especialistas em estatística da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e de sistemas computacionais do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, além de brasileiros que hoje estão em universidades americanas, como a da Califórnia e Harvard, só para eu citar alguns.

Para encontrar respostas, eles observaram como se comportavam as defesas de 33 crianças a partir do momento em que foram infectadas pelo Sars-CoV-2 em outubro de 2020, quando não havia vacinas nem sequer para os adultos. Todas tinham no máximo sintomas leves.

Na sequência, os cientistas foram ver o que acontecia com o sistema imunológico de gente mais velha que tinha sido infectada pelo vírus da covid-19 na mesma época. Detalhe: foram 33 adultos que só tinham sintomas leves e outros 33 que, infelizmente, desenvolveram quadros severos da doença.

"A primeira análise foi na fase aguda da infecção e, ali, notamos uma grande diferença", explica a professora Cristina Bonorino. O organismo infantil recepcionava o Sars-CoV-2 com batalhões de linfócitos T, que são citotóxicos, isto é, capazes de destruir as células do corpo invadidas por vírus. De prontidão, esses linfócitos não davam muita margem para o causador da covid-19 avançar e provocar sintomas mais importantes.

Já nos adultos os linfócitos T demoraram muito mais para surgir, dando prazo generoso para o vírus da covid-19 se replicar. E não era só isso: o sistema imune dos adultos respondia muito mais à proteína "S", aquela porção usada para invadir as nossas células e que é mais típica do Sars-CoV-2.

"Os linfócitos T das crianças, por sua vez, respondiam bem mais à proteína 'N' do núcleo capsídeo", revela a professora, referindo-se a uma espécie de invólucro do material genético do vírus. Eis a hipótese para explicar por que esses linfócitos não perdem tempo para dar as caras: essa proteína "N" é igual àquela encontrada em diversos coronavírus que dão muito resfriado em crianças. Elas, com certeza, já entraram em contato com esses outros vírus algumas vezes e seu sistema imune, portanto, consegue ser mais ágil diante do Sars-CoV-2.

Depois da fase aguda Os pesquisadores examinaram amostras de sangue de todos os participantes mais duas vezes — três e seis meses depois do diagnóstico. No fundo, havia a expectativa de que as crianças, por receberem o vírus da covid-19 a pauladas, desenvolveriam uma boa imunidade depois do primeiro contato com ele, blindando-se por um bom período contra reinfecções. Mas que nada!

Quando os pesquisadores olharam para os festejados anticorpos neutralizantes em janeiro e em abril de 2021, já não encontraram diferenças entre crianças e adultos com quadros leves da doença. A derrocada dessas moléculas capazes de reduzir as reinfecções era evidente nos dois grupos que, vale repetir, até então não tinham sido vacinados.

Apenas os adultos que tiveram quadros graves, com necessidade de hospitalização e tudo mais, tinham adquirido alguma imunidade. Bem, diria que ela lhes custou caro.

Mas vacina evitaria reinfecção?! As vacinas — em crianças ou em adultos — evitam principalmente quadros graves de covid-19. Mas, de fato, não impedem ninguém de pegar uma nova subvariante de ômicron, por exemplo. Ainda mais aqui, já que ainda não temos disponíveis aquelas que são bivalentes e contemplam versões mais recentes do coronavírus.

"Mas, não importando a idade, quando a pessoa não está vacinada o Sars-CoV-2 se mantém ativo e se replica em seu organismo por cerca de dez dias", informa Cristina Bonorino. "Com uma dose da vacina, porém, esse tempo cai para sete dias. E, com duas doses ou mais, para no máximo quatro dias."

Ora, o período mais curto não só reduz a chance de o coronavírus passar para mais gente, como limita o período em que pode causar baderna nos diversos órgãos. "Logo, em tese, isso diminui a probabilidade de complicações futuras", resume a professora.

Além de permanecer por pouco tempo antes de ser derrotado pelos anticorpos induzidos pela vacinação, o vírus se replica menos porque encontra um ambiente que definitivamente não facilita a sua sobrevivência. "Isso também corta o risco de sequelas", assegura a imunologista. Portanto, não hesite: só a vacinação dá essa garantia de futuro aos pequenos. E aos graúdos também.

21/11/2022 - Matinal Jornalismo

Link: Érico Moura apresenta show “Fluxo” no projeto Música na UFCSPA - Matinal Jornalismo

Érico Moura apresenta show “Fluxo” no projeto Música na UFCSPA

O cantor, compositor e instrumentista Érico Moura sobe ao palco do Teatro Moacyr Scliar, na UFCSPA, para apresentar Fluxo, seu mais recente show. Integrando o projeto Música na UFCSPA, o espetáculo ocorre na noite de quarta-feira (23/11), às 20h, com entrada gratuita.  O músico apresentará canções do pop à MPB, passando pelo rock e o folk. Neste espetáculo, o artista se debruça, de forma intimista e minimalista, sobre seu repertório autoral, pinçando canções dos seus três álbuns e apresentando novos singles. Uma das novidades é Rosa, lançada em setembro de 2022, além de algumas canções inéditas.  Acompanhado pelo multi-instrumentista Gian Becker ao piano, trompete e backing vocal, Érico traz seu violão preparado com afinações inusitadas, criando uma atmosfera pampeana. O projeto Música na UFCSPA seleciona, anualmente, por edital público, apresentações musicais que serão realizadas no teatro da universidade.

21/11/2022 - Folha de São Paulo

Link: Covid: gasto com campanha infantil foi de R$ 8 milhões - 21/11/2022 - Equilíbrio e Saúde - Folha (uol.com.br)

Saúde gastou R$ 8 milhões com campanha de vacinação infantil da Covid

Campanha de imunização teve baixo alcance, avaliam especialistas; pasta investiu cerca de R$ 143 mi com campanha para adultos

O governo federal gastou R$7,87 milhões com a campanha de vacinação infantil contra Covid em 2022. O valor destoa dos investimentos feitos no passado em outras fases da pandemia, incluindo o gasto de cerca de R$ 23 milhões para incentivar o tratamento precoce, que não tem comprovação cinetífica.

Em 2021, o Ministério da Saúde gastou aproximadamente R$142,16 milhões e, em 2022, R$1,67 milhões para divulgar a vacinação de adultos, incluindo gastos para a campanha de reforço - um total de R$ 143,83 milhões, portanto.

Os dados foram obtidos pela Folha via LAI (Lei de Acesso à Informação) e compreendem o período dejaniero de 2021 até julho de 2022. Procurada, a Saúde afirmou que atuou desde o início da pandemia para informar a população sobre a imunização.

Para especialistas, o baixo investimento da pasta na imunização infantil explica ao menos em parte porque a campanha de vacinação para essa faixa etária está estagnada, conforme mostrou reportagem da Folha.

De acordo com o IBGE, as crianças representam cerca de 17% da população brasileira, o equivalente hoje a 36,5 milhões dos 215,4 milhões de habitantes do país.

Até o último dia 7, no país, 13,9% das crianças de 3 a 4 anos receberam a primeira dose do imunizante contra Covid, e só 4,2% receberam as duas doses, segundo dados do DataSUS. Na faixa etária de 3 a 11 anos, até o último domingo (20), 52,88% receberam a primeira dose, e 36,18% as duas doses do imunizante, de acordo com o consórcio de veículos de imprensa.

Já a população adulta atingiu 84,67% da população com pelo menos uma dose e 80% com esquema primário vacinal completo (duas doses ou dose única), segundo dados do consórcio de veículos de imprensa.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a demora em iniciar a vacinação de crianças e a falta de ampliação do público-alvo podem estar relacionados a um menor interesse do governo na imunização desse grupo.

Governo federal gastou 18 vezes menos com campanha de imunização infantil

[Veja o gráfico pelo link acima]

Para o infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda, o governo federal ainda não enxerga essa população como prioritária. "Quando olhamos todos os dados que foram gerados no Brasil, podemos dizer que as crianças são o grupo etário que apresenta maior risco de hospitalização e de óbitos", diz.

Segundo ele, o alcance da campanha pode ser considerado limitado. "É um número bem restrito, que vai gerar puco impacto. O ideal seria adquirir em torno de 21 milhões de doses para ofertarmos essa vacina para todas as crianças entre 6 meses e 5 anos."

Croda destaca que não houve alocação de recursos para realizar aquisição de vacinas para 2023. "O que podemos prever para o próximo ano é um apagão de doses de vacinas; os contratos estão vencendo e não temos renovação, em termos de oferta adequada de acordo com o quantitativo por estados", afirma.

Para o pediatra e diretor de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBO), Renato Kfouri, a chegada de vacinas para os mais novos ocorrem um momento em que o cenário epidemiológico já não preocupa mais tanto a população, apesar da alta recente de casos no país.

"Criou-se a falsa percepção de que as crianças não precisam ser vacinadas porque os sintomas não são intensos quanto nos mais idosos, mas a Covid sozinha causou mais mortes em crianças do que a soma de todas as outras doenças para as quais já existem vacinas", explica.

Segundo ele, houve um boicote do governo à vacinação infantil. "Não conseguiram com os idosos, com grávidas, com os adolescentes, mas no público infantil, o receio dos pais foi muito grande. Pela primeira vez, a situação se inverteu: os pais e responsáveis, que tomaram a vacina, não querem vacinar seus filhos", lamenta.

A imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Cristina Bonorino, classifica a ação de não proteger as crianças omo um ato criminoso. "Nós sabemos que o vírus pode causar sequelas neurológicas e que a [incidência] de Covid longa em crianças aumenta a cada dia. Não sabemos o que vai acontecer com essas crianças, e isso é responsabilidade do governo federal", afirma.

Procurado, o Ministério da Saúde informou por meio de nota que trabalha desde o início da pandemia para "divulgar amplamente todas as medidas de prevenção contra a doença, incluindo a importância de completar o ciclo vacinal com todas as doses recomendadas para conter o avanço da doença e atingir a máxima proteção contra os vírus".

 

Disse, ainda, que a pasta realizou, de março de 2022 até agora, 39 campanhas de comunicação sobre a Covid, incluindo "medidas preventivas e reforço da importância da campanha de vacinação e da dose de reforço", com investimento de mais de R$ 400 milhões, incluindo 25 mil inserções em TVs, 400 mil inserções em rádios, 965 milhões de impressões e mais de 837 milhões de inserções em mídia exterior segundo a nota.

Em relação à vacinação infantil, a pasta esclarece que "não houve atraso na aquisição e incorporação das vacinas pediátricas" e que "solicitou reserva dos imunizantes ainda em 16 de dezembro [de 2021], logo após a autorização da agência reguladora [Anvisa]". "O primeiro lote chegou em 13 de janeiro, considerando o menor tempo de produção e logística necessárias para sua chegada. A vacinação de crianças de 3 a 5 anos teve início em julho de 2022".

21/11/2022 - Rádio Itatiaia

Link: Os desafios para a alimentação das crianças - Rádio Itatiaia | A Rádio de Minas

Os desafios para a alimentação das crianças

Especialistas apontam quais são os aliados da alimentação saudável para crianças e quais são os principais desafios enfrentados pela família quando o assunto é comida de verdade

Como se alimentar de maneira saudável é um desafio constante na rotina de todas as famílias. Mas, na prática, não é tão fácil reproduzir o que tanto se sabe na teoria. Tratando-se de crianças então, o desafio é ainda maior. Especialistas ouvidas pelo Ministério da Saúde apontam desafios da alimentação infantil e dão dicas de como melhorar a relação com a comida.

O leite materno é o primeiro alimento da criança. Ele é o alimento ideal, pois é totalmente adaptado às necessidades do bebê nos primeiros anos de vida. Um dos primeiros desafios é iniciar a amamentação exclusiva e mantê-la mesmo quando a mãe retornar ao trabalho ou até mesmo quando a criança for para a creche. O Ministério da Saúde recomenda que a criança seja amamentada já na primeira hora de vida e por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses. A dica é contar com uma rede de apoio dentro de casa, no trabalho e na creche para manter esse vínculo.

Planejamento da alimentação

“A chegada da criança é uma oportunidade para a família se conectar mais com a alimentação saudável”, explica a professora associada do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Inês Rugani. Por isso, o planejamento da alimentação deve fazer parte da rotina da casa, pois facilita na hora de oferecer alimentos à criança e à toda família. “A habilidade culinária doméstica não é só saber cozinhar e temperar, é todo esse planejamento, é simplificar, deixar adiantado algumas preparações para que se possa ter um dia a dia tranquilo neste aspecto. Para que a alimentação não seja um problema, mas um espaço de cuidado e de exercício do afeto”, reforça a professora Rugani.

Alimentação complementar

Outro desafio passa pela introdução alimentar. Para a nutricionista e professora da pós-graduação da Pediatria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Márcia Vitolo, no primeiro ano de vida é importante garantir que a criança receba uma alimentação adequada, pois ela não tem autonomia e depende totalmente da família. A dica é oferecer alimentos naturais, da época e manter a regra de não oferecer açúcar antes dos dois anos de idade. “Não dar açúcar nos primeiros anos de vida retarda o prazer pelo açúcar, a criança não vai dar preferência a esse tipo de alimento”, informa Vitolo.

Elsa Giugliani, Professora titular de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) reforça a importância de começar a alimentação complementar de forma favorável. “Na fase dos dois primeiros anos de vida está se construindo os hábitos alimentares da criança”, destaca. Por isso é importante oferecer alimentos saudáveis para as crianças e evitar a oferta dos não saudáveis.

Não substituir as refeições principais por lanche é mais um desafio da alimentação infantil. O recomendado é ofertar comida e garantir que a criança pequena esteja com fome na hora de se alimentar. “Isso quer dizer que a criança não deve ter comido nada antes da refeição e nem ter tomado suco. O suco tira o apetite da criança e recupera a glicose sem muito esforço”, frisa Márcia Vitolo. A família e os cuidadores devem estar atentos aos sinais de fome e de saciedade da criança.

Fique ligado

Outros desafios também merecem destaque: evitar a exposição a telas durante a alimentação; evitar a exposição à publicidade que estimule o consumo de alimentos ultraprocessados (formulações industriais que normalmente tem pouca comida de verdade na sua composição); ter acesso às informações adequadas sobre alimentação saudável; mudar hábitos familiares que desfavoreçam a alimentação saudável.

Qual o exemplo você quer deixar para seus filhos?

Há mais uma série de dicas do que podem ajudar a família e a criança a se alimentarem melhor: ofertar bons alimentos às crianças pequenas; tornar a hora da comida um momento prazeroso; estipular uma rotina alimentar; preparar os próprios alimentos e envolver a criança na escolha e preparação (quando possível); deixar a criança se alimentar no tempo dela; não focar na quantidade, mas na qualidade do alimento ofertado.

Todas as especialistas entrevistadas pelo Ministério da Saúde destacaram que o ambiente familiar impacta na forma como a criança vai se relacionar com a comida. Por isso, a dica final é investir na oportunidade de toda família poder se alimentar melhor.

17/11/2022 – Viva Bem UOL

Link: Covid-19: reinfecção pode ter efeito cumulativo e causar mais complicações - 17/11/2022 - UOL VivaBem

Covid-19: reinfecção pode ter efeito cumulativo e causar mais complicações

Para quem um dia já testou positivo para covid-19, nestes tempos de subvariantes de ômicron se espalhando feito poeira ao vento, talvez seja necessário rever aquela história de que menos mal se por acaso pegar o vírus de novo. Afinal — uns podem pensar —, o organismo já estaria imunizado ou, quem sabe, uma nova infecção teria poucos sintomas, como a de outra vez.

entanto, um estudo publicado na semana passada na revista científica Nature avisa: se eu fosse você, não botava tanta fé nisso e me cuidaria bem mais. Pois um bis do Sars-Cov-2 pode ser pior do que o primeiro contato que teve com esse vírus, provocando mais estragos da cabeça aos pés, como se eles fossem capazes de se acumular.

Os autores, que são da Universidade de Washington e da Veterans Research and Education Foundation, nos Estados Unidos, afirmam que, se você compara quem só teve covid-19 uma única vez com quem se reinfectou com o coronavírus, o risco de problemas cardíacos e pulmonares, diabetes, doença renal, disfunções neurológicas e outras encrencas passa a ser muito maior na turma que testou positivo mais de uma vez. E, atenção, isso foi notado mesmo quando os cientistas colocaram lado a lado pessoas que tomaram a vacina.

A ameaça de ir parar no hospital e morrer de covid-19 ou por causa de uma dessas complicações até seis meses depois também aumenta em quem se reinfecta. Será que dá para acreditar nisso e ficar com medo sem fazer ressalvas? Não, claro que não. O trabalho tem vários aspectos que fazem a gente questionar se o que ele achou de fato aconteceria da mesma forma com qualquer pessoa. Mas também não é para dar de ombros. Seus resultados são um pedido para todo mundo ter mais cautela.

Como foi o estudo Os pesquisadores se debruçaram sobre os dados de mais de 5 milhões de pessoas atendidas pela rede que cuida da saúde dos veteranos americanos. Delas, 443 mil foram diagnosticadas com covid-19 uma vez. Já outras 40,9 mil pegaram o Sars-CoV-2 duas ou mais vezes. "O trabalho tem uma força estatística poderosa devido ao tamanho da população estudada", nota André Báfica, que é professor associado de imunologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Para ele, a pergunta levantada pelos colegas americanos é importantíssima. Isso porque, até hoje, apesar de oficialmente mais de meio bilhão de pessoas terem contraído o coronavírus desde o início da pandemia, mal e mal se conhece o impacto das reinfecções no organismo. 

"A informação alarmante que eles apresentam é a seguinte: a quantidade de infecções pelo Sars-CoV-2 de um indivíduo está associado ao risco de patologias em diversos órgãos a longo prazo. Ou seja, esse perigo aumenta conforme o número de reinfecções", comenta o imunologista, um dos pesquisadores mais respeitados do país na busca de soluções para a covid-19.

"Isso significa", continua ele, "que existiria um efeito cumulativo. Portanto, ter uma segunda infecção é mais grave para a saúde do que só ter uma e, pior ainda do que pegar a covid-19 duas vezes, é ficar com o vírus três vezes ou mais."

Mesmo depois da vacina As pessoas analisadas no estudo foram divididas em três grandes grupos. Um deles era o de quem conseguiu passar ileso pela pandemia e não tinha sido diagnosticado com covid-19 até aquele momento. O segundo era de quem pegou a doença uma única vez e, finalmente, havia o grupo de quem se reinfectou mais tarde. Neste último, os pesquisadores ainda diferenciaram quem teve a infecção duas, três ou — credo! — quatro vezes ou mais.

Então, cruzaram com os registros dos problemas que toda essa gente experimentou ao longo de seis meses a partir do instante em que testou positivo no serviço de saúde pela primeira vez ou na reinfecção, mas sempre usando como grupo controle, ou parâmetro, aqueles sortudos que nunca souberam o que era estar com um Sars-CoV-2 no corpo. As comparações do trabalho eram sempre feitas depois de apontarem quantos em cada mil indivíduos de cada um desses grupos foram flagrados com diabetes, problemas de coagulação e outras questões hematológicas, doença do coração e muito mais.

Os gráficos do artigo científico deixam claro que o risco para qualquer um dos males listados, sem contar a ameaça de morrer, sempre aumenta entre quem contraiu o coronavírus em relação a quem escapou da covid-19. E ele vai crescendo na medida em que sobe o número de reinfecções. Com as pessoas vacinadas, esse padrão não foi diferente. Será que isso, então, quer dizer que a vacina não funcionaria? Já imagino a nuvem dessa pergunta passando sobre a sua cabeça e respondo: nada disso!.

Isso quer dizer que, se você compara quem se vacinou com quem não se vacinou, o risco de quadros graves é invariavelmente bem menor na primeira turma. No entanto, se você compara pessoas vacinadas entre si, verá que o perigo de ter algum problema é sempre maior entre aqueles que, muitas vezes por excesso de confiança, de algum modo se descuidaram e contraíram o vírus múltiplas vezes. Aliás, se duvidar, como estamos vendo agora, com o povo sem máscara em lugares fechados e deixando o álcool em gel para as mãos esquecido em algum canto.

Qualquer pessoa corre maior perigo ao se reinfectar? Por mais que o trabalho tenha sido bem conduzido, ele não é perfeito. "A maioria dos dados usados é referente a uma população de homens brancos", repara o professor André Báfica. "Esse é um ponto de cautela. Precisamos de novos estudos com populações com uma diversidade maior."

Sim, em tese os resultados poderiam ser diferentes dependendo da etnia, da idade — lembrando que os reservistas analisados são mais velhos — e até do sexo. Infelizmente, a pesquisa não incluiu mulheres. Logo, por enquanto não dá para saber se as reinfecções são igualmente ameaçadoras para uma senhora da mesma idade dos reservistas ou para um rapaz jovem, por exemplo.

"Independentemente disso, como esse é o primeiro estudo que mostra de uma maneira sistematizada que as reinfecções são capazes de elevar o risco de problemas médicos, seus achados já servem para sugerir que ações de saúde pública sejam implantadas o mais rápido possível para evitar as reinfecções causadas pelas novas subvariantes circulando por aí."

De infecção em infecção A imunologista Cristina Bonorino, professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), no Rio Grande do Sul, conta: "Noutro dia, observei com colegas que a gente quase nunca fica examinando o que acontece quando uma pessoa tem uma reinfecção por qualquer vírus, presumindo que ela ficaria protegida mais tarde, principalmente por conta de vacinas".

Segundo ela, no fundo o que o trabalho americano revela é que, a cada vez que o Sars-CoV-2 nos reinfecta, há uma diminuição da expectativa de vida. "Talvez seja uma característica dele. Mas talvez a mesma coisa aconteça com outros vírus, despertando em nós a curiosidade de realizar mais estudos levantando quantas vezes alguém teve infecções virais, como bronquiolite na infância, sarampo e tantas outras."

Será que, de infecção em infecção aparentemente curada, nosso corpo acumularia problemas capazes de atrapalhar a vida? Mais um enigma que a pandemia traz para a ciência resolver.

11/11/2022 – GZH

Link: RS apresenta sinal de aumento nos casos de covid entre pessoas acima de 60 anos  | GZH (clicrbs.com.br)

RS apresenta sinal de aumento nos casos de covid entre pessoas acima de 60 anos

Especialistas afirmam que população deve completar o esquema vacinal e reforçar outros cuidados

O mais recente boletim InfoGripe Fiocruz, divulgado na quinta-feira (10), sinaliza para um aumento nos casos de covid-19 na população adulta do Rio Grande do Sul e outros três Estados brasileiros: Amazonas, Rio de Janeiro e São Paulo, que têm elevação mais clara nas faixas etárias a partir de 18 anos. No território gaúcho, entretanto, a tendência de crescimento é observada apenas na população acima dos 60 anos, conforme a Agência Fiocruz de Notícias. Para especialistas, é preciso que principalmente as pessoas mais velhas e com comorbidades busquem completar seu esquema vacinal contra a doença.

O InfoGripe reúne dados inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) até 7 de novembro. De acordo com o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, ainda não é possível afirmar que esse crescimento nos quatro Estados esteja relacionado especificamente com as novas sublinhagens recentemente identificadas em alguns locais do país. O pesquisador destaca ainda que, como os dados laboratoriais demoram a entrar no sistema, “é esperado que os números de casos das semanas recentes sejam maiores do que o observado nesta atualização, podendo inclusive aumentar os  Estados em tal situação”. 

Segundo o boletim, no Rio Grande do Sul, ainda não se observa tendência de aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). O mesmo pode ser dito de Porto Alegre,  diferentemente das capitais do Amazonas, Rio de Janeiro e São Paulo, que registram essa tendência na população adulta.

Ana Gorini da Veiga, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e pesquisadora de infecções virais, aponta que uma significativa porcentagem da população gaúcha apresenta doenças cardiovasculares e crônicas, que são fatores de risco para desenvolver um quadro mais grave de covid-19. Essas enfermidades também são mais comuns na população idosa, o que poderia ser uma das explicações para que gaúchos com faixa etária acima de 60 anos apresentem mais positividade do que em outras regiões do país. Há, ainda, a questão da maior longevidade no Sul, que pode contribuir. 

Ela também destaca que, mesmo que esses casos possam estar relacionados à nova variante e que ocorra o chamado escape vacinal (quando alterações do vírus não são reconhecidas pelos anticorpos que a gente produz após tomar o imunizante), é importante manter as vacinas atualizadas, porque, de qualquer forma, elas conferem uma certa proteção. 

A importância da cobertura vacinal

De acordo com a última atualização do painel da Secretaria Estadual de Saúde (SES), nesta sexta-feira (11), 82% das pessoas entre 60 e 69 anos estão com esquema vacinal completo, enquanto 90% dos idosos de 70 a 79 tomaram todas as doses disponíveis para sua faixa etária. Já em relação ao grupo de 80 anos ou mais, somente 80% completou o esquema de imunização. A pasta considera a população residente do RS na casa dos 11,4 milhões e o esquema vacinal é reconhecido como completo apenas quando o indivíduo recebeu todas as doses previstas para sua idade.  

O infectologista do Hospital Moinhos de Vento e coordenador-médico das unidades externas da instituição Paulo Ernesto Gewehr Filho enfatiza a importância das vacinas e das doses de reforço, comentando que outros Estados brasileiros já implementaram inclusive a quinta dose. Ele ressalta que não se vacinar de forma adequada expõe as pessoas à nova variante e a uma chance maior de desenvolver um quadro grave da doença: 

— Acho que a quinta dose tem que ser implementada de uma forma mais rápida neste momento e para populações selecionadas primeiro, como os imunodeprimidos, idosos, pacientes que estão fazendo tratamento com quimioterapia, doentes crônicos. Vemos desde o início da pandemia que o vírus vai se tornando mais transmissível e escapando da proteção das vacinas, mas elas continuam protegendo contra as doenças mais graves, então, o importante é manter a vacinação atualizada e encaminharmos para a quinta dose. 

Gewehr Filho comenta ainda que a grande maioria dos pacientes que internam com quadros graves são aqueles com doses atrasadas ou não vacinados. Neste grupo, aqueles com fatores de risco e idade avançada são os que mais adoecem. Por isso, os especialistas reafirmam a necessidade de que essa população com comorbidades mantenha os cuidados, como uso de máscara em situações de risco e higienização constante das mãos com água e sabão ou álcool gel.  

— A pandemia ainda não terminou, embora o impacto dela tenha diminuído bastante. Então para pessoas de grupos de risco, em situações com ambientes fechados, mal ventilados, com pessoas não vacinadas ou que apresentem sintomas respiratórios, recomendamos que essas situações sejam evitadas ou que se utilize máscara cirúrgica, no mínimo, ou uma N95 — diz Gewehr Filho.

Questionada sobre a necessidade de reduzir saídas, a professora da UFCSPA considera não ser necessário e ressalta que é preciso pensar também na saúde mental das pessoas, que foi muito afetada durante os períodos mais críticos da pandemia: 

— Mantendo os cuidados, utilizando a máscara de forma adequada, o risco é extremamente reduzido e dá para manter a alegria deles. 

04/11/2022 – Portal Prefeitura de Porto Alegre

Link: Abertas as inscrições para o Congresso Porto Alegre Cidade Educadora | Prefeitura de Porto Alegre

Abertas as inscrições para o Congresso Porto Alegre Cidade Educadora

As inscrições para o 1° Congresso Porto Alegre Cidade educadora: Cidade de Paz e Oportunidades estão abertas e podem ser realizadas aqui. O evento, que ocorre nos dias 29 e 30 de novembro, é promovido pela Prefeitura de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal de Transparência e Controladoria (SMTC).     

No dia 29, durante a manhã, o público poderá assistir gratuitamente palestras com a representante do Brasil no Grupo Arquitetura e Infância da União Internacional de Arquitetos, a professora Beatriz Goulart. Também ministram palestras a diretora da Delegação para América Latina da Associação Internacional de Cidades Educadoras (Rosário/Argentina), professora Laura Alfonso, e o professor Marcio Tasqueto, representando a Universidade de Passo Fundo e Universidade Franciscana. A ação será das 8h30 às 12h, na Universidade Federal de Ciências e Saúde de Porto Alegre (UFSCPA).

Durante o turno da tarde, ainda no primeiro dia de congresso, os participantes terão a oportunidade de vivenciar nove percursos, em seis rotas programadas na atração Experiências Educadoras: Rota dos Museus, Rota da Inovação, Rota das Comunidades, Rota Territórios Negros, Rota das Escolas e Rota Mobilidade Humana. “Os participantes terão a oportunidade de vivenciar diferentes práticas educativas, por meio do contato com a cultura, com ecossistemas de inovação, arte e comunidade local”, destaca Ferenci

Já em 30 de novembro, Dia Internacional das Cidades Educadoras, a Unisinos de Porto Alegre será a sede do Congresso. Durante a manhã, serão realizados debates sobre a decisão de ser uma cidade educadora, percursos e possibilidades, e novos caminhos para Porto Alegre. No turno da tarde, a temática permeia as interações digitais e os relatos do 1° Congresso Popular de Educação para a Cidadania. 

Programação completa

Inscrições aqui.

29/11 - 8h30 às 12h (UFSCPA - rua Sarmento Leite, 245- Centro Histórico)

9h - abertura do evento- cerimonial

10h - Mesa de Abertura: Cidade Educadora: Cidade de Paz e Oportunidades

(Participantes: professora Beatriz Goulart (representante do Brasil no Grupo Arquitetura e Infância da União Internacional de Arquitetos), professora Laura Alfonso (diretora da Delegação para América Latina da Associação Internacional de Cidades Educadoras - Rosário/Argentina) e professor Marcio Tasqueto (Universidade de Passo Fundo/Universidade Franciscana)

11h - Atração Cultural: Orquestra Rosariense

12h - Encerramento

29/11 - 14h às 17h30 - Rotas de Experiências Educadoras

Todas as rotas têm vagas limitadas e, quando necessário, fornecem transporte.

Cada participante poderá participar de apenas uma.

Conheça abaixo as rotas disponíveis:

Rota 1 – Rota dos Museus 

Rota 2 – Rota da Inovação 

Rota 3 – Rotas das Comunidades 

Rota 4 – Rota Territórios Negros 

Rota 5 – Rota das Escolas 

Rota 6 – Rota Mobilidade Humana 

30/11 - 9h às 17h30 - (Unisinos Porto Alegre - av. Dr. Nilo Peçanha, 1600 - Boa Vista)

9h - credenciamento

9h30 às 10h - Coffee + Atração Cultural: Banda Terminal 470

10h às 11h30 - Mesas Redondas (simultâneas):

Mesa Redonda: A decisão de ser uma Cidade Educadora, percursos e possibilidades.

(Participantes: professores Valter Morigi (Porto Alegre/RS), Rodrigo D. Smolareck (Alegrete/RS, a confirmar) e Anita Carneiro (Porto Alegre/RS)).

Mesa Redonda: Novos caminhos para Porto Alegre, uma Cidade Educadora.(Participantes: coordenadores dos Grupos de Trabalho Porto Alegre Cidade Educadora)

12h às 13h – Almoço.

13h – Credenciamento

13h30 às 14h30 - Palestras Temáticas (simultâneas):

Palestra: A cidade que emerge das interações digitais

(Participante: professor Daniel de Andrade Bittencourt – Porto Alegre/RS)

Palestra: Relatos do 1° Congresso Popular de Educação para a Cidadania

(Participantes: Sociedade Civil Organizada que promoveu o 1° Congresso Popular de Educação para a Cidadania)

14h30 às 16h30 - Sessões Técnicas - Apresentação de Trabalhos/Relatos de Experiências

16h30 às 17h30 - Momento Network com café + Exposição Faces Educadoras + Atração Cultural: Rapper Gangster

17h30 - Encerramento

01/11/2022 – Portal Poder Judiciário Tribunal de Justiça do Estado do RS

Link: Autismo é tema de encontro do Comitê da Saúde do CNJ/RS - Tribunal de Justiça - RS (tjrs.jus.br)

Autismo é tema de encontro do Comitê da Saúde do CNJ/RS

O Comitê Executivo Estadual da Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) debateu na tarde desta terça-feira (1º/11) sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Conduzido pelo Coordenador do Comitê, Desembargador Ney Wiedemann Neto, o encontro híbrido foi realizado no Labee9 do TJRS com transmissão online.

Primeiro a abordar o tema, o pediatra Renato Santos Coelho, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), apresentou dados sobre o que é o transtorno, como é feito o diagnóstico e quais as metodologias utilizadas. Embora trabalhe na área há mais de 30 anos, o médico pontua que há muitas questões a serem respondidas pela neurociência. Relacionado a um transtorno do neurodesenvolvimento, o Autismo, segundo o pediatra, é de difícil diagnóstico, especialmente os casos leves. Destacou que o diagnóstico é baseado no comportamento, no déficit de interação social, falta de habilidades de comunicação e nos comportamentos repetitivos e restritos.

Segundo o pediatra, com a evolução da neurociência, o diagnóstico que era dado por volta dos 4 e 5 anos de idade, reduziu para 2 anos e meio.

“Não se pode perder tempo de intervir. Trabalhos científicos mostram que o resultado é melhor quando temos intervenções mais cedo. Isso para aproveitar a neuroplasticidade (capacidade do sistema nervoso modificar sua estrutura e função em decorrência dos padrões de experiência). Além de melhorar a funcionalidade da criança, a adaptação social, interação, traz qualidade de vida para ela e para a família”, afirma.

Publicado no final do ano passado, o relatório do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC), órgão norte-americano de pesquisas, apontou que a cada 44 crianças nascidas nos Estados Unidos uma tem autismo. Conforme o médico, estima-se que 1% da população mundial tenha TEA e no Brasil seriam mais de 2 milhões de pessoas. O pediatra observa que metade das pessoas com TEA possui algum grau de deficiência intelectual.

A estratégia de intervenção a ser adotada, segundo o médico, depende de cada criança. E que o tratamento, em termos de frequência e intensidade, deve ser individualizado de acordo com a idade da criança, as condições da família, para auxiliar no processo, e da região onde mora. Ressaltou que o tratamento exige a participação de diferentes profissionais como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e, muitas vezes, medicação. O médico afirma que atualmente há mais de 50 métodos comportamentais.

Finalizou a apresentação com relatos sobre a experiência no Projeto Acolher, da Unimed Federação. Médico consultor do Programa, o pediatra disse que a iniciativa acompanha mais de 200 famílias que necessitam de atendimento em TEA, além de qualificar profissionais para atuação na área.

Presentes ao evento, a Secretária Adjunta de Saúde do Estado, Ana Lúcia Pires Afonso da Costa e a Enfermeira na área de Saúde Mental da Secretaria, Fernanda Barreto Mielke, falaram sobre a política pública que vem sendo adotada, especialmente sobre o TEAcolher, programa de atendimento a pessoas com TEA.

“As pessoas não sabem o que fazer com o meu filho. É uma fala frequente que reforça a necessidade de uma política pública para trabalhar a pauta”, diz Ana Lúcia, informando que a partir de 2019 os serviços começaram a ser reunidos em rede.

Fernanda detalhou como foram pensados os 28 Centros Regionais de Referência em TEA e os sete Centros Macrorregionais que funcionam em instituições dos municípios com APAES. Com a política sendo desenhada, uma das iniciativas já colocadas em prática, em atenção à recente lei federal, é a identificação das pessoas com TEA.

“A Carteira de Identificação da Pessoa com TEA (CIPTEA) além de ser um documento importante para estatísticas e execução de políticas públicas, permite que haja um atendimento em caso de crise na rua, por exemplo. O QR code da carteira possui dados do médico que assiste a pessoa, além de informar onde ela mora”, observa a Enfermeira.

Estiveram presentes e são membros do Comitê a Assessora Jurídica da Secretaria Estadual da Saúde, Maria Cláudia Mulinari, Procuradoras do Estado Alessandra Flores Wagner e Lucia Wazen de Freitas, o Diretor de Auditoria do SUS na SES/RS, Bruno Naundorf, o Diretor Operacional, de Intercâmbio e Regulação da Unimed Federação/RS, Paulo Roberto de Oliveira Webster, a Diretora do Departamento Médico Judiciário, Ana Maria Simões Ribeiro e o representante do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus), Felipe Bauer Pinto da Costa, além de demais integrantes do comitê e participantes através da plataforma Zoom.

Mais informações sobre a CIPTEA podem ser obtidas clicando aqui.

A próxima reunião do Comitê da Saúde CNJ/RS está prevista para o dia 6/12/22.

01/11/2022 – Revista Amazônia Latitude

Link: Amazônia pode virar berço de novas epidemias, alerta pesquisa (amazonialatitude.com)

Destruição da Amazônia pode transformá-la em berço de novas epidemias, revela pesquisa

Segundo autor do estudo publicado na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências, a luta contra a crise climática é, também, uma luta pela saúde da humanidade

Ações humanas como o desmatamento na Amazônia podem fazer com que novas doenças, epidemias e pandemias surjam a partir da floresta, segundo o estudo “Synthesizing the connections between environmental disturbances and zoonotic spillover” (“Sintetizando as conexões entre distúrbios ambientais e transbordamento zoonótico”, em tradução livre), publicado em setembro nos Anais da Academia Brasileira de Ciências.

O estudo foi feito por 19 pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), na França, entre outras instituições. Trata-se de uma revisão narrativa que discute o conceito de spillover – salto de agentes causadores de doenças de uma espécie para outra – com base na literatura científica selecionada pelos autores em bases de dados internacionais.

“Spillover pode ser traduzido como ‘salto de patógenos’ entre diferentes hospedeiros”, explica Joel Henrique Ellwanger, biólogo, doutor em Genética e Biologia Molecular e um dos autores do estudo. “O termo é usado para abordar um patógeno que foi transmitido de uma espécie selvagem para a população humana.”

No estudo, os autores explicam o conceito de salto de patógenos, os agentes causadores de doenças, com base em exemplos e modelos de diferentes regiões do mundo. Ao final, pela afinidade dos autores, se aprofundam na temática sobre a Amazônia.

O salto dos agentes causadores de doenças de uma espécie para outra é algo que acontece espontaneamente na natureza, por diversos fatores, que envolvem desde o estresse das espécies até o compartilhamento de habitat. Mas algumas ações humanas – chamadas de distúrbios antropogênicos – podem intensificar esse processo e colocar a espécie humana em contato direto com animais hospedeiros de diferentes patógenos. Em humanos, esses agentes podem se transformar em doenças e originar novas epidemias e pandemias.

Entre as ações humanas que podem gerar eventos de spillover estão o desmatamento, a caça e comercialização de animais selvagens, a mineração e o avanço da área de cidades para regiões onde há vida selvagem.

“Os distúrbios antropogênicos facilitam os eventos de spillover porque aproximam os humanos das populações de animais silvestres e seus patógenos, além de atrapalharem o funcionamento de serviços ecossistêmicos e mecanismos ecológicos que regulam e mantêm a circulação normal de patógenos entre as populações de animais silvestres”, diz Ellwanger.

Ou seja, distúrbios antropogênicos podem, por exemplo, reduzir populações de predadores e, consequentemente, aumentar populações de espécies transmissoras. Os autores citam como exemplo a proximidade entre humanos e morcegos – que podem ser vetores de diferentes patógenos – em inúmeras partes do mundo, e a grande quantidade de cães – que podem transmitir a leishmaniose – em centros urbanos na América Latina.

Em relação à Amazônia, a principal preocupação dos pesquisadores são os mosquitos. Já existem espécies transmissoras de várias doenças, como o mosquito Anopheles (Nyssorhynchus) darlingi, que é um vetor da malária. As ações que promovem o desmatamento da floresta podem resultar no aumento dessas populações de mosquitos e em uma maior proximidade do ser humano com elas, o que pode aumentar as chances de infecção dos humanos.

De acordo com o biólogo Ellwanger, as principais atividades humanas que acontecem na Amazônia e podem transformá-la em berço de novas doenças são a mineração, o plantio de monoculturas e a criação de gado.

“Essas atividades estão relacionadas de forma direta com o desmatamento. Por esse motivo, podemos dizer que o principal fator antropogênico a ser monitorado e controlado na Amazônia é o desmatamento, pois ele é um reflexo das atividades de exploração e degradação que ocorrem na floresta”, afirma.

O estudo destaca, ainda, que os custos de lidar com uma pandemia são maiores que os custos de prevenção, lidando com as atividades que podem originá-la.

“Os custos para mitigar uma pandemia como a de COVID-19 são muito maiores (estimados entre US$8,1 trilhões e US$15,8 trilhões) do que o montante necessário para evitar os principais fatores que provocam eventos de doenças infecciosas emergentes, estimado entre US$17,7 bilhões e US$26,9 bilhões por ano”, escrevem os autores.

“Em outras palavras, as ações de conservação protegem o meio ambiente, limitam a propagação de doenças infecciosas e são mais baratas do que suportar o fardo de eventos de doenças infecciosas emergentes”, diz a pesquisa.

As medidas de prevenção sugeridas pelos pesquisadores envolvem a proteção e criação de mais terras indígenas (TIs), visto que a preservação florestal nas TIs é maior, e o controle do desmatamento. Os autores alertam para o perigo da proposta de lei 191/2020, que abre as terras indígenas à mineração e outras atividades de exploração de recursos naturais.

Segundo o estudo, o desmatamento na região amazônica diminuiu cerca de 70% entre 2005 e 2012, em parte devido a políticas governamentais que terminaram sob o governo que tomou posse em janeiro de 2019. “Mas o potencial para controlar o desmatamento através de políticas governamentais continua sendo uma lição essencial”, afirma o estudo.

Uma lição essencial, inclusive, para o combate à crise climática. Ellwanger salienta que as atividades antropogênicas conectadas aos eventos de spillover estão ligadas, também, à crise climática. Afinal, o desmatamento e o crescimento desenfreado de cidades, sem a devida preocupação ambiental, são responsáveis pelo aumento na liberação de gás carbônico, um gás de efeito estufa, na atmosfera.

Um dos exemplos mais práticos utilizados por Ellwanger é o de que o aumento da temperatura do planeta e de chuvas pode favorecer a proliferação de mosquitos e de patógenos transmitidos pela água.

Florestas como a Amazônia têm um papel fundamental na regulação do clima regional e global. Por isso, explica o biólogo, o combate ao desmatamento no Brasil é uma estratégia fundamental para o controle das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, para reduzir os riscos relacionados às doenças infecciosas emergentes.

“O controle do desmatamento na Amazônia e das mudanças climáticas é uma questão de saúde pública urgente”, diz.

Para Ellwanger, o estudo é um alerta para os riscos de saúde pública associados com a devastação da Amazônia. E o controle do desmatamento na Amazônia e das mudanças climáticas é, além de um tema ambiental, uma questão de saúde pública urgente.

01/11/2022 – GZH

Link:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/11/tecnologia-utilizada-nas-vacinas-contra-a-covid-19-representa-esperanca-para-pacientes-com-cancer-cl9rfv4y700720170ufa8z7ug.html

Tecnologia utilizada nas vacinas contra a covid-19 representa esperança para pacientes com câncer

Especialistas discutem viabilidade de imunizantes que poderão ajudar a tratar diversos tipos de tumores

Uma tecnologia estudada há décadas se tornou amplamente conhecida com o advento das vacinas contra a covid-19 e agora está entre as protagonistas no esforço global de vencer o câncer, principal causa de morte no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O casal de pesquisadores que fundou a empresa de biotecnologia alemã BioNTech em 2008 — e firmou parceria com a gigante farmacêutica americana Pfizer para produzir um dos imunizantes mais aplicados durante a pandemia — prevê para 2030 a disponibilidade de vacinas para tratar diversos tipos de tumores.  

O foco de estudos da BioNTech, idealizada pelos médicos Ugur Sahin e Ozlem Tureci, esteve, desde o princípio, na imunoterapia, que utiliza o potencial do sistema imunológico do corpo humano para combater o câncer, doenças infecciosas e outras enfermidades graves. A tecnologia de mRNA, o RNA mensageiro, muito comentada ao longo da crise sanitária do coronavírus, busca criar anticorpos ao agente que ameaça a saúde. Em vez de inserir o sars-cov-2 atenuado ou inativo no organismo (plataformas de outros imunizantes), a vacina de mRNA ensina as células a sintetizarem uma proteína que estimula a resposta imunológica do corpo.   

O caminho percorrido pela BioNTech nessa especialidade já era bem estruturado quando surgiu a necessidade urgente de vacinar bilhões de pessoas na pandemia. Esforços se voltaram para dar conta da emergência, daí uma das bases para a velocidade com que os imunizantes puderam ser ofertados à população. 

De volta à trilha do objetivo primordial, a empresa da Alemanha pretende continuar investindo em estudos em andamento para desenvolver vacinas que possibilitem novas abordagens para cânceres de pele (melanoma), colorretal e de cabeça e pescoço, entre outros. Uma vacina personalizada seria capaz de ensinar as defesas do paciente a atacar a doença. No caso da covid-19, o elemento-chave da dose era parte da proteína Spike do vírus. Para o câncer, deve ser um marcador presente nas células tumorais, a serem diferenciadas das sadias.  

Câncer é uma definição genérica para um grande grupo de males. Outros termos usados são tumores malignos e neoplasias. O câncer se caracteriza pela rápida multiplicação de células anormais que crescem para além dos limites e podem, eventualmente, invadir outros órgãos, causando o que se chama de metástase, o espalhamento da doença.  

— Cada passo, cada paciente que tratamos em nossos estudos sobre câncer nos ajudam a desvendar mais sobre o que combatemos e como fazer isso. Enquanto cientistas, sempre hesitamos em dizer que teremos uma cura para o câncer. Temos um número de descobertas e continuaremos a trabalhar nelas — disse Ozlem Tureci, que atua como chefe médica da BioNTech, em entrevista recente a um programa de TV da BBC.  

Segundo oncologistas consultados pela reportagem de GZH, as vacinas contra o câncer são um objetivo factível no horizonte de alternativas de tratamento, mas precisam ser aguardadas com paciência. Sérgio Roithmann, oncologista do Hospital Moinhos de Vento e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), destaca que vacinas para prevenção já existem: contra o HPV (câncer de colo de útero, para meninas, e, para ambos os sexos, orofaringe e canal anal) e a hepatite B (fígado).  

— Há muito tempo está se tentando vacina como forma de tratamento do câncer, não de prevenção. Tivemos experiências decepcionantes, mas existem agora tecnologias novas que mudam o jogo. Esse casal e a BioNTech já vêm estudando há muito tempo. Vacinas estão em fase experimental, mas já existem alguns pequenos estudos e indícios de que são capazes de desencadear reação do organismo contra a doença. Há testes em animais e poucos pacientes. Existem muitas dúvidas ainda, mas essa é uma área que vai crescer — comenta Roithmann. 

O oncologista ressalta vantagens das vacinas de mRNA em relação a produtos anteriores:

— São seguras e razoavelmente bem toleradas. Não mudam o DNA. Não envolvem infectar células com vírus. A tecnologia é rápida e relativamente pouco cara em contraste com outros tratamentos. Não é hipercara, portanto os produtos deverão ser mais acessíveis. Pode ativar todo o sistema imunológico, com dois tipos de resposta importantes: anticorpos e imunidade celular. Tem uma série de benefícios potenciais em relação a outros tratamentos.

Pedro Liedke, oncologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e da Oncoclínicas Porto Alegre, onde também atua como diretor técnico, explica que as pesquisas podem obter imunizantes para prevenir o retorno de tumores operados ou tratar pacientes. Um imunizante já aprovado pelo FDA, órgão que regula medicamentos nos Estados Unidos, tem sido aplicado em homens com câncer de próstata metastático, mas não para curá-los. O HCPA integra uma iniciativa internacional, em fase de recrutamento de voluntárias, para testar uma vacina para câncer de mama triplo negativo (tipo que corresponde a cerca de 15% dos cânceres nesse local). Depois da cirurgia e do tratamento convencional, algumas pacientes, atendendo a pré-requisitos do protocolo, receberão a vacina. Já há resultados preliminares, e agora é o momento de testar a fórmula.  

Quanto às investigações na linha do mRNA, Liedke espera resultados melhores do que os já observados até o momento. 

— Vacina para cura do câncer ainda me parece distante. Vamos levar alguns anos. Acho que é algo viável associado a outros métodos. As vacinas estimulando as células do corpo a reconhecer as células do câncer junto com remédios que impeçam que as células do câncer se escondam. Teremos que ter uma associação de técnicas — opina o especialista do HCPA e da Oncoclínicas. 

Há estudos com outras vacinas, não apenas de autoria da BioNTech — as farmacêuticas Moderna e MSD firmaram parceria, por exemplo. E existem, também, pesquisas que se baseiam em outras tecnologias, não só na da plataforma de mRNA.  

Um dos problemas atuais para pacientes oncológicos é enfrentar o retorno da doença após cirurgia que, à época, pareceu completa.  

— A vacina pode complementar o tratamento cirúrgico, antes de o câncer voltar. Imagine o cenário com cirurgia para melanoma, câncer de pâncreas ou intestino em que, depois, tenta-se sensibilizar o corpo da pessoa (com a vacina). Se sobrou alguma célula maligna, o corpo a destrói antes que a doença volte — exemplifica Roithmann. 

— Câncer disseminado não responde mais a tratamentos convencionais ou imunoterapia, e talvez essas vacinas possam contribuir — completa.  

De acordo com o docente da UFCSPA, as pesquisas traçam objetivos para muitos anos à frente porque falta muito a ser compreendido.  

— Não sabemos ainda se serão respostas duradouras, se serão para todos os tipos de câncer, se será preciso ter vacina específica para cada tumor, um produto para todos ou personalizado. Tecnologia já existe, mas agora teremos que selecionar o tipo de tumor que trataremos, em que fase da doença. Teremos que provar que isso é melhor do que as outras coisas que estão sendo desenvolvidas, então teremos que testar. Não sabemos qual será a forma mais eficaz, mas, independentemente disso, acho que o futuro será promissor. A pandemia, nesse sentido, vai ajudar os pacientes com câncer. Aprendemos a lidar com esse tipo de tecnologia e com velocidade. Estou razoavelmente otimista — afirma Roithmann. 

O câncer no mundo 

 O câncer é a principal causa de morte em todo o mundo. Em 2020, foram 10 milhões de óbitos — o equivalente a cerca de um óbito por câncer a cada seis mortes em geral.

Os tipos mais frequentes são de mama, pulmão, colorretal e próstata.

Em torno de um terço das mortes em decorrência de câncer estão relacionadas a tabagismo, obesidade, ingestão de álcool, baixo consumo de frutas e vegetais e falta de atividade física.

Infecções que podem provocar câncer, como HPV e hepatite, correspondem a aproximadamente 30% dos casos de câncer em países de renda baixa e média baixa.

Muitos casos da doença podem ser curados quando detectados precocemente e tratados de forma adequada.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS) 

Prevenção 

O risco de câncer pode ser reduzido com a adoção e manutenção de alguns hábitos: 

Não fumar.

Manter peso adequado de com dieta saudável, que inclua frutas e vegetais.

Praticar exercícios com regularidade.

Evitar ou reduzir o consumo de álcool. 

Tomar as vacinas contra o HPV e a hepatite B se você fizer parte dos grupos com essa indicação.

Evitar exposição prolongada à radiação ultravioleta (sol e bronzeamento artificial) e/ou aplicar protetor solar (além de outras forças de proteção contra o sol, como uso de roupas e acessórios).

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)

 

 

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