28/02/2022 – Grupo Ceres de Comunicação
Link: https://radioceres.com.br/blog/2022/02/23/centro-inedito-sobre-doencas-raras-sera-inaugurado-em-2022-em-porto-alegre/
Centro inédito sobre doenças raras será inaugurado em 2022 em Porto Alegre
Este dia 28 de fevereiro é celebrado como o Dia Mundial das Doenças Raras. A data chama a atenção para as necessidades dos pacientes e seus cuidadores, com conscientização pelo acesso rápido ao diagnóstico e tratamento. Em todo o mundo, estima-se que 300 milhões de pessoas vivem com essas enfermidades. Somente no Rio Grande do Sul, são cerca de 600 a 700 mil indivíduos. A literatura médica registra entre seis e oito mil dessas doenças, como a fibrose cística, imunodeficiências, fenilcetonúria e atrofia muscular espinhal.
Um dos principais desafios sobre esse tema é a jornada do paciente, que pode levar anos até chegar ao diagnóstico e tratamento da doença, passando por diferentes especialidades e exames, alguns muito específicos e sofisticados. Para mudar essa realidade, um projeto inovador está surgindo no Rio Grande do Sul: a Casa dos Raros.
Localizada em Porto Alegre, a Casa dos Raros será um centro pioneiro na América Latina para ampliar o acesso ao diagnóstico rápido e preciso, proporcionar o melhor tratamento disponível, fomentar pesquisas e treinar profissionais na área de doenças raras. A primeira unidade será inaugurada ainda em 2022, contando com especialistas altamente qualificados e diversos equipamentos de ponta.
A iniciativa faz parte da Rede de Apoio aos Raros, uma integração entre os setores público e privado em torno dos pacientes. O grupo já conta com parceiros como Santa Casa de Misericórdia, Hospital Moinhos de Vento, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Prefeitura Municipal de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal da Saúde – e logo anunciará outros importantes aliados para oferecer uma atenção multidisciplinar ao tema, valendo-se da posição de destaque da capital gaúcha na área da saúde.
“Porto Alegre é um polo privilegiado em qualidade, inovação e capital humano. Com a Casa dos Raros e a Rede de Apoio, uniremos essa estrutura e experiência para levar uma assistência de excelência aos pacientes, num trabalho capaz de transformar a realidade dessa população e de suas famílias”, destaca o geneticista Roberto Giugliani, idealizador da Casa. O médico, fundador do Serviço de Genética Médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, é uma das maiores autoridades mundiais em genética e doenças raras.
A instituição conclama todo o Estado a se unir nessa iniciativa, com a integração na Rede de Apoio e, também, com aporte de recursos para a aquisição de equipamentos e manutenção das atividades. As doações podem ser feitas por pessoas físicas, empresas, organizações e demais atores da sociedade civil. Para saber como contribuir, mais detalhes estão disponíveis em www.casadosraros.org.br.”
28/02/2022 – Brasil de Fato
Link: https://www.brasildefato.com.br/2022/02/28/rs-especialistas-criticam-decisao-do-governo-de-tirar-obrigatoriedade-de-mascaras-em-criancas
"RS: especialistas criticam decisão do governo de tirar obrigatoriedade de máscaras em crianças
De acordo com novo decreto, o uso de máscara só será obrigatório para crianças acima de 12 anos
No último sábado (26), o governador Eduardo Leite assinou o Decreto 56.403, em que extinguiu o uso obrigatório de máscara de proteção individual para crianças menores de 12 anos. De acordo com o texto, para as crianças entre seis e 11 anos, a máscara passa a ser protocolo recomendado, caso convivam com pessoas que tenham alto risco de desenvolvimento de doenças graves. O uso obrigatório permanece para os maiores de 12 anos.
O governo alega, como justificativa, que o decreto teve como base um parecer técnico da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Segundo o parecer, ainda que exista legislação federal preconize o uso obrigatório para pessoas acima de 3 anos, como não há uma atualização da legislação e como nos últimos 24 meses não se apresentaram evidências robustas que comprovem o benefício da obrigatoriedade do uso de máscaras em algumas faixas etárias, concluiu-se que não há base técnica que suporte a obrigatoriedade de máscaras indiscriminadamente na faixa etária de 3 anos até 11 anos.
A justificativa da SES também reforça a importância da vacinação para que vírus respiratórios sejam mitigados. Cerca de 40% do público infantil entre 5 e 11 anos já foi vacinado contra o coronavírus desde o início da imunização para essa faixa etária no estado, o que contribui para o controle do vírus nos ambientes.
Para um retorno às aulas seguro, precisamos oferecer proteção
A decisão do governo do estado gerou críticas de especialistas da área de saúde, pelas redes sociais, que pedem a revogação do mesmo. “Governo Eduardo Leite assina decreto suspendendo a obrigatoriedade do uso de máscaras em crianças de 6 a 12 anos. Justamente a faixa em que o número de vacinados é baixo. Na volta às aulas, com a ômicron ainda em alta, que medida inteligente, que grande contribuição à saúde pública infantil!”, escreveu o infectologista Alexandre Zavascki, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
De acordo com Alexandre, além de estarmos em um momento de alta transmissão, as demais considerações não se aplicam mais seja porque já foram descartadas pela ciência, seja porque o acesso a máscaras é totalmente distinto de 2020. O infectologista ainda destaca que a Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda que qualquer pessoa com mais de 2 anos, independentemente do status de vacinação, use uma máscara facial bem ajustada quando estiver em público.
Por fim pede que o decreto seja revogado e que a decisão teria sido em caráter eleitoreiro. “Exmo. Gov. do Estado do Rio Grande do Sul, Sr. Eduardo Leite, se o senhor deseja agradar eleitor bolsonarista, sugiro-lhe, respeitosamente, que passe a tomar cloroquina ou ivermectina, mas não use a saúde de crianças de escada para sua ascensão política. Revogue o decreto já!”.
Para a reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, as máscaras continuam sendo a medida mais segura, efetiva e simples de evitar surtos e suspensão das aulas. “O estado desobrigar o uso de máscaras em crianças não quer dizer que as escolas e pais devem liberar para não usar mais.”
Ela também destaca o "posicionamento da Sociedade Brasileira de Pediatria que recomenda ‘fortemente o uso de máscaras por crianças a partir de dois anos de idade, por serem instrumentos eficazes para a redução da transmissão de vírus respiratórios, bem como a adoção de outras ações para contenção do avanço da pandemia”.
“Pessoal do RS: é muito importante que as crianças de 6-12 anos sigam usando máscara sempre que possível. A cobertura vacinal do público infantil é inferior a 30% (notícia de 10 dias atrás). Para um retorno às aulas seguro, precisamos oferecer proteção”, escreveu a biomédica, pesquisadora e divulgadora científica pela Rede Análise, Mellanie Fontes-Dutra.
Para o pediatra e médico popular Alexandre Bublitz retirar as máscaras das crianças nesse momento de volta às aulas é criminoso. “Com a volta às aulas, com o pico da Ômicron e com baixa adesão à vacinação infantil, retirar as máscaras das crianças pode ter efeitos catastróficos. Usem máscaras nas escolas. Salvem Vidas.”
Entidades também pedem a revogação do decreto
Em nota assinada pelo Comitê Estadual em Defesa das Vítimas da Covid-19, pelo Conselho Estadual de Saúde (CES/RS), CPERS Sindicato, Associação Mães e Pais pela Democracia, Associação Vida e Justiça em Defesa dos Direitos das Vítimas da Covid-19, Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico), Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS) e Conselho Municipal de Saúde/ Porto Alegre, Sindicato dos Enfermeiros no RS (SERGS), as entidades pedem a imediata alteração do decreto, para que assegure a obrigatoriedade do uso de máscaras para todas as pessoas com idade acima de dois anos.
“Com uma semana de aulas presenciais, os registros de casos positivos para a covid-19 já extrapolam as projeções mais negativas - consequência da baixa cobertura vacinal para a faixa etária de 5 a 11 anos (43,9%), aliada à alta taxa de transmissão da variante Ômicron. A esses casos se somarão aqueles resultantes das aglomerações do feriado de Carnaval. A taxa de óbitos também cresceu, sendo o estado com a segunda maior taxa do país: 3,31 óbitos/100 mil habitantes enquanto a média nacional é 2,39”, destaca a nota.
A bancada dos deputados estaduais do PT também criticou a decisão do Executivo estadual e pede a revogação do decreto. “A decisão do governador, sem ouvir os órgãos e autoridades de Saúde pública do estado, não poderia vir em pior momento. O cenário é de volta total às aulas presenciais, de altas taxas de contaminação da variante ômicron e de baixo percentual de vacinação da população infantil. Um governador que comemora superávit nas finanças deveria neste momento comprar máscaras para distribuir para os estudantes da rede pública, organizar mutirões de vacinação nas escolas e promover uma campanha de conscientização para a volta às aulas em segurança. Governador Eduardo Leite: Revogue o decreto já!”, destacam. Veja aqui a nota completa.
Associação entra com ação civil contra Decreto
A Associação Mães e Pais pela Democracia (AMPD) ajuizou, nesta segunda-feira (28), no plantão do Foro Central de Porto Alegre, ação civil pública n. 50286200620228210001, em que sustenta a ilegalidade do Decreto n. 56.403/2022, publicado pelo governo do estado no último sábado e que acabou com a obrigatoriedade do uso de máscara por crianças com menos de 12 anos de idade.
Nela a entidade destaca que o decreto é ilegal, pois o Supremo Tribunal Federal já decidiu que os Estados e Municípios podem criar legislação com medidas mais restritivas que o governo federal, jamais mais flexíveis, como pretende com seu ilegal decreto.
“Se o governador entende que a legislação federal se mostra equivocada, que procure convencer o governo federal a mudá-la, ou questione a sua legalidade em Juízo. O que não é possível é, a pretexto de não concordar com a norma superior, pretender modificá-la com Decreto Estadual, hierarquicamente incapaz de revogar norma federal”, afirmou Júlio Sá, advogado da entidade.
O processo está nas mãos do juiz plantonista do Foro Central de Porto Alegre e a AMPD espera antes de quarta-feira uma liminar de antecipação de tutela que suspenda a eficácia do decreto e mantenha a obrigatoriedade do uso de máscara pelas crianças não excepcionalizadas pela Lei Federal, finaliza a nota."
Veja aqui o texto da ação.
Confira abaixo a nota completa do Comitê e entidades
"Nota de Repúdio ao Decreto Nº 56.403, de 26 de Fevereiro de 2022
Neste sábado de Carnaval, a população gaúcha foi surpreendida por um decreto do governador Eduardo Leite suspendendo a obrigatoriedade do uso de máscaras para crianças com até 12 anos de idade.
Entidades e organizações representativas da saúde, da educação e em defesa das vítimas da Covid-19 se perguntam o porquê de tal medida, que contraria os organismos internacionais e nacionais de saúde. Desde janeiro de 2022 a Academia Americana de Pediatria (AAP), o Centro Americano de Controle de Doenças e o National Health Service (NHS) recomendam o uso de máscaras por crianças acima de dois anos de idade, posição também defendida pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Além do que, em razão da regra federal, o governo estadual não poderia flexibilizar o uso de máscaras, poderia tão somente ampliar o uso para mais faixas etárias.
Com uma semana de aulas presenciais, os registros de casos positivos para a Covid-19 já extrapolam as projeções mais negativas - consequência da baixa cobertura vacinal para a faixa etária de 5 a 11 anos (43,9%), aliada à alta taxa de transmissão da variante Ômicron. A esses casos se somarão aqueles resultantes das aglomerações do feriado de Carnaval. A taxa de óbitos também cresceu, sendo o estado com a segunda maior taxa do país: 3,31 óbitos/100 mil habitantes enquanto a média nacional é 2,39.
Para enfrentar com responsabilidade este cenário, largamente previsto por especialistas e até mesmo óbvio, o Governador deveria providenciar distribuição gratuita de máscaras PFF2/N95, organizar equipes de vacinação para percorrer as escolas públicas e promover campanha pública efetiva pela vacinação de todas as pessoas.
Por tudo isso, o decreto do Governador é inaceitável. Ainda mais que tal decisão foi tomada sem ouvir os órgãos e autoridades de saúde e de educação públicas do Estado, muito menos as representações de trabalhadores e do controle social.
O Comitê Estadual em Defesa das Vítimas da Covid-19 e as entidades abaixo-assinadas solicitam a imediata alteração do decreto, para que assegure a obrigatoriedade do uso de máscaras para todas as pessoas com idade acima de dois anos."
Conselho Estadual de Saúde - CES/RS
CPERS Sindicato
Associação Mães e Pais pela Democracia
Associação Vida e Justiça em Defesa dos Direitos das Vítimas da Covid-19
Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 - Avico
Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul – Coren-RS
Conselho Municipal de Saúde/ Porto Alegre
Sindicato dos Enfermeiros no RS – SERGS
Sindisaúde-RS
Fonte: BdF Rio Grande do Sul
27/02/2022 – Sul 21
Link: https://sul21.com.br/noticias/saude/coronavirus/2022/02/especialistas-criticam-decisao-que-desobrigou-uso-de-mascaras-por-criancas-no-rs/
Especialistas criticam decisão que desobrigou uso de máscaras por crianças no RS
Decreto transformou em recomendação o uso de máscaras entre 6 e 11 anos; especialistas apontam momento errado e decisão política
Após o governador Eduardo Leite (PSDB) anunciar, na noite de sábado (26), a publicação de um decreto que desobrigou o uso de máscaras para crianças entre 6 e 11 anos, diversos especialistas se manifestaram nas redes sociais contra a decisão.
“Erradíssima a decisão de abolir as máscaras em crianças no RS – exatamente o grupo que recém começou a se vacinar”, disse o epidemiologista Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Em 2020, Hallal coordenou a pesquisa de prevalência realizada em parceria entre a UFPel e o próprio governo do Estado.
Também epidemiologista, a reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda se posicionou contra a decisão e destacou que as máscaras seguem sendo a medida mais segura e efetiva de evitar novos surtos de covid-19 e, consequentemente, a suspensão de aulas.
“O estado desobrigar o uso de máscaras em crianças não quer dizer que as escolas e pais devem liberar para não usar mais. As máscaras continuam sendo a medida mais segura, efetiva e simples de evitar surtos e suspensão das aulas. Quando não se usa direito, não é sinal de que não funciona e que o melhor é desistir. É sinal de que precisamos tentar usar direito”, escreveu.
O decreto publicado pelo governo estadual no sábado extinguiu a obrigatoriedade do uso de máscaras para crianças de até 12 anos como protocolo de enfrentamento da covid-19. A partir do decreto, o uso de máscaras cobrindo boca e nariz passa a ser recomendado para crianças entre 6 e 11 anos para circulação em espaços públicos e privados acessíveis ao público. A obrigatoriedade é mantida apenas para maiores de 12 anos.
O governador afirmou o decreto foi elaborado com base em um parecer técnico da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Conforme o parecer técnico que embasa o regramento, assinado pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), “ainda que exista legislação federal que preconize o uso obrigatório para pessoas acima de três anos, considerando o longo período em que não há atualização da legislação, considerando que nos últimos 24 meses não se apresentaram evidências robustas que comprovem o benefício da obrigatoriedade do uso de máscaras em algumas faixas etárias, considerando que sem benefício comprovado é obrigação dos profissionais da saúde primar pelo não malefício, considerando que a orientação é garantir o uso adequado de máscara, conclui-se que não há base técnica que suporte a obrigatoriedade de máscaras indiscriminadamente na faixa etária de três anos até 11 anos”.
Contudo, o médico infectologista Alexandre Zavascki, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fez um “fio” no Twitter criticando a decisão do governador.
O governo estadual se baseou em um posicionamento da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2020 que orientou que o uso de máscaras entre 6 e 11 anos seja recomendado, mas Zavascki diz que essa orientação já está defasada. O médico destaca que a Academia Americana de Pediatria (AAP) emitiu um parecer, em janeiro deste ano, em que “recomenda fortemente” o uso de máscaras para qualquer pessoa acima de 2 anos e independente do status de vacinação.
Zavascki pontuou que o Rio Grande do Sul vive hoje um momento de alta transmissão de covid-19. “Em suma, o parecer técnico do decreto apresenta razões claras para o uso da máscara. Sobre obrigatoriedade, omite as recomendações atualizadas de algumas entidades sobre o uso de máscaras entre 6-11 anos e se utiliza de um posicionamento defasado da OMS sobre uso nesta faixa etária”, escreveu.
Posteriormente, ele pediu a revogação do decreto e avaliou que o governador tomou a decisão por questões políticas. “Exmo. Gov. do Estado do Rio Grande do Sul, Sr. Eduardo Leite, se o senhor deseja agradar eleitor bolsonarista, sugiro-lhe, respeitosamente, que passe a tomar cloroquina ou ivermectina, mas não use a saúde de crianças de escada para sua ascensão política. Revogue o decreto já!”, escreveu Zavascki.
O caráter político da decisão de Leite também foi denunciado por Mariana Varella, editora-chefe do Portal Drauzio Varella e pós-graduanda da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).
“Governador do RS, Eduardo Leite revoga a obrigação do uso de máscara, que passa a ser recomendada e não mais obrigatória, para crianças de 6 a 12 anos. Pela quantidade de mensagens de apoio no Instagram do governador, dá pra ver q a ciência é o q menos importa nessa decisão”, disse.
25/02/2022 – Sul 21
Link: https://www.osul.com.br/iluminacao-especial-em-predios-de-porto-alegre-chama-a-atencao-para-o-dia-mundial-das-doencas-raras/
"Iluminação especial em prédios de Porto Alegre chama a atenção para o Dia Mundial das Doenças Raras
Ao longo das últimas noites, as fachadas de três prédios públicos da área central de Porto Alegre têm recebido uma iluminação especial em azul, verde e rosa, devido ao Dia Mundial das Doenças Raras, celebrado nesta segunda-feira, 28 de fevereiro. São eles o Palácio Piratini, Assembleia Legislativa e Centro Administrativo Fernando Ferrari.
Nesta segunda-feira, será a vez dos estádios do Inter (bairro Cristal) e do Grêmio (Humaitá) serem coloridos pela luzes decorativas. O objetivo é chamar a atenção para a importância da conscientização sobre o assunto, já que em todo o planeta 300 milhões de pessoas sofrem com esse tipo de problema de saúde – cerca de 650 mil delas só no Rio Grande do Sul.
A iniciativa é resultado da mobilização capitaneada pela Rede de Apoio aos Raros, grupo multidisciplinar que integra os setores público e privado em torno de objetivos relacionados ao assunto.
Dentre os parceiros estão instituições como e prefeitura de Porto Alegre, Santa Casa de Misericórdia, Hospital Moinhos de Vento e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Além destes, outros importantes aliados devem ser anunciados em breve.
Integração
As luzes projetadas sobre as sedes de órgãos públicos e estádios de futebol também têm por finalidade divulgar a Casa dos Raros, centro inédito na América Latina e que deve ser inaugurado ainda neste ano na capital gaúcha, cidade de destaque no setor da saúde.
Um prédio já está sendo construído no bairro Santa Cecília (Zona Leste) para abrigar a instituição e também foi “pintado” nesta semana com as três cores da campanha.
“O espaço foi idealizado para ampliar o acesso diagnósticos rápidos e precisos, além de proporcionar tratamento, estimular pesquisas e treinar profissionais na área de doenças raras”, salientam os protagonistas da iniciativa.
25/02/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2022/02/porto-alegre-tera-instituicao-dedicada-a-doencas-raras-cl02a31eh000b01656jm11mys.html
Porto Alegre terá instituição dedicada a doenças raras
Casa dos Raros, que deve ser inaugurada ainda em 2022, busca ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, além de fomentar pesquisas e treinar profissionais
Em dezembro de 2021, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução inédita sobre as doenças raras. No texto, o organismo reconhece os desafios vividos pela população que sofre com essas enfermidades, desde o acesso ao diagnóstico e ao tratamento até o preconceito social. O documento incentiva a criação de redes de profissionais e centros especializados na área, com foco na pesquisa e na qualidade de vida.
Um ano antes da formalização do documento, em Porto Alegre já começava a surgir uma instituição alinhada a essas premissas: a Casa dos Raros, que será inaugurada ainda em 2022. Trata-se de uma iniciativa inédita na América Latina e vai ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, bem como fomentar pesquisas e treinar profissionais na área.
A Casa dos Raros contará com uma equipe capacitada e instalações com o que há de mais moderno na genética. Um dos objetivos é encurtar a jornada do paciente que hoje, até descobrir qual doença tem, passa por inúmeros especialistas e exames. Uma espera que pode levar anos. As unidades de atendimento clínico e laboratorial irão atuar de forma abrangente e concentrada para acolher aos que precisem.
Haverá ainda um setor de pesquisa, para desenvolver novas técnicas de diagnóstico e tratamento, e um programa de educação e treinamento, para capacitar profissionais com as melhores estratégias de diagnóstico e tratamento. Atenção especial será dada à terapia gênica, com duas salas dedicadas para o preparo de vetores, construídas de acordo com as especificações da Anvisa para essa atividade.
A iniciativa conta com apoiadores públicos e privados e do terceiro setor. Nossa Capital é um polo privilegiado de inovação em saúde, com hospitais, universidades e centros de pesquisa reconhecidos internacionalmente. O grupo já conta com importantes parceiros, como a Santa Casa de Misericórdia, o Hospital Moinhos de Vento, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), aos quais logo deverão se somar outras instituições de destaque no cenário regional e nacional.
A unidade da Casa dos Raros na capital gaúcha será a primeira de uma rede nacional. Uma segunda já está sendo projetada em São Paulo, e na sequência, pretendemos cobrir as demais regiões do país, sempre atuando com esse modelo integrado e multidisciplinar de atendimento, pesquisa e formação em doenças raras.
Convidamos a todos a apoiar e fazer parte dessa iniciativa. É o começo de uma transformação capaz de mudar a realidade das doenças raras não somente no Estado, mas em todo o país — mais de 13 milhões de brasileiros vivem com uma de até 9 mil diferentes condições.
Com a Casa dos Raros, Porto Alegre se torna o farol da esperança para essa população _ conjugando capacidade técnica, espírito inovador e capital humano para levar assistência a esta importante parcela da comunidade. Contamos com o apoio de todos nessa causa.
(*) Professor do Departamento de Genética da UFRGS, médico geneticista do Hospital de Clínicas e cofundador da Casa dos Raros"
23/02/2022 – Rádio Studio FM [87.7]
Link: https://www.studio.fm.br/2022/02/centro-inedito-sobre-doencas-raras-sera-inaugurado-em-2022-em-porto-alegre/'
"Centro inédito sobre doenças raras será inaugurado em 2022 em Porto Alegre
Casa dos Raros atuará para ampliar acesso ao diagnóstico preciso, tratamento adequado, pesquisas inovadoras e treinamento na área
Este dia 28 de fevereiro é celebrado como o Dia Mundial das Doenças Raras. A data chama a atenção para as necessidades dos pacientes e seus cuidadores, com conscientização pelo acesso rápido ao diagnóstico e tratamento. Em todo o mundo, estima-se que 300 milhões de pessoas vivem com essas enfermidades.
Somente no Rio Grande do Sul, são cerca de 600 a 700 mil indivíduos. A literatura médica registra entre seis e oito dessas doenças, como fibrose cística, imunodeficiências, fenilcetonúria e atrofia muscular espinhal.
Um dos principais desafios sobre esse tema é a jornada do paciente, que pode levar anos até chegar ao diagnóstico e tratamento da doença, passando por diferentes especialidades e exames, alguns muito específicos e sofisticados. Para mudar essa realidade, um projeto inovador está surgindo no Rio Grande do Sul: a Casa dos Raros.
Localizada em Porto Alegre, a Casa dos Raros será um centro pioneiro na América Latina para ampliar o acesso ao diagnóstico rápido e preciso, proporcionar o melhor tratamento disponível, fomentar pesquisas e treinar profissionais na área de doenças raras. A primeira unidade será inaugurada ainda em 2022, contando com especialistas altamente qualificados e diversos equipamentos de ponta.
A iniciativa faz parte da Rede de Apoio aos Raros, uma integração entre os setores público e privado em torno dos pacientes. O grupo já conta com parceiros como Santa Casa de Misericórdia, Hospital Moinhos de Vento, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Prefeitura Municipal de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal da Saúde - e logo anunciará outros importantes aliados para oferecer uma atenção multidisciplinar ao tema, valendo-se da posição de destaque da capital gaúcha na área da saúde.
"Porto Alegre é um polo privilegiado em qualidade, inovação e capital humano. Com a Casa dos Raros e a Rede de Apoio, uniremos essa estrutura e experiência para levar uma assistência de excelência aos pacientes, num trabalho capaz de transformar a realidade
dessa população e de suas famílias", destaca o geneticista Roberto Giugliani, idealizador da Casa. O médico, fundador do Serviço de Genética Médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, é uma das maiores autoridades mundiais em genética e doenças raras.
A instituição conclama todo o Estado a se unir nessa iniciativa, com a integração na Rede de Apoio e, também, com aporte de recursos para a aquisição de equipamentos e manutenção das atividades. As doações podem ser feitas por pessoas físicas, empresas, organizações e demais atores da sociedade civil.
Para saber como contribuir, mais detalhes estão disponíveis em www.casadosraros.org.br."
22/02/2022 – Setor Saúde
Link: https://setorsaude.com.br/programa-de-inovacao-e-empreendedorismo-na-area-da-saude-tem-inscricoes-prorrogadas/
“Programa de inovação e empreendedorismo na área da Saúde tem inscrições prorrogadas
Os 10 projetos de maior destaque serão apresenados na South Summit Brazil 2022 em Porto Alegre
Seguem abertas até o dia 7 de março as inscrições para o Programa de Inovação e Empreendedorismo na área da Saúde:
Unicred Porto Alegre Health Alliance. A ação construída de forma colaborativa entre a cooperativa, universidades, hospitais, empresas e entidades tem o objetivo de desenvolver soluções inovadoras com potencial de negócio, além de oferecer qualificação em metodologias de desenvolvimento de inovações e apoiar o sucesso profissional de seus participantes.
Participara do programa as instituições que compõem a Aliança para a Inovação, Universidade Federal do Rio Grande so Sul (UFRGS), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), também Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), Universidade Feevale, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Hospital São Lucas da PUCRS (HSL), Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Hospital Ernesto Dornelles (HED), Fundação Médica do Rio Grande do Sul (FUNDMED), GROW+, Ventiur, Kital, o movimento Pacto Alegre e a Associação Gaúcha de Satartups (AGS).”
21/02/2022 – Acústica FM
Link: https://www.acusticafm.com.br/nao-abandone-seu-tratamento-siga-indo-ao-medico-enfatiza-oncologista.html
“Não abandone seu tratamento, siga indo ao médico", enfatiza oncologista
Pandemia reduziu em mais de 50% a procura por exames preventivos e tratamentos de câncer no RS
Com o avanço da pandemia de Covid-19, ocorreu um afastamento de pacientes portadores de comorbidades, de clínicas e hospitais. Essa situação ocasionou a omissão de casos graves de tumores e outras doenças. Na manhã desta segunda-feira (21), o oncologista, Rafael Vargas, conversou com a Rádio Acústica FM, sobre esta situação.
O doutor Rafael Vargas é médico oncologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor do curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
19/02/2022 – Folha de São Paulo
Link: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/02/veja-o-que-se-sabe-sobre-a-quarta-dose-de-vacina-contra-covid.shtml
Veja o que se sabe sobre a quarta dose de vacina contra Covid
Reforço com terceira injeção mantém alta proteção contra a variante, mas grupos vulneráveis podem precisar de mais uma aplicação, dizem especialistas
O vírus Sars-CoV-2 mudou com a variante ômicron, mais transmissível e capaz de escapar parcialmente dos anticorpos produzidos pela vacinação.
Com isso, muitas pessoas passaram a se infectar mesmo vacinadas. Os chamados escapes vacinais já eram conhecidos para outras cepas do vírus de maneira menos frequente, mas agora aparecem em maior número com a nova onda da Covid em todo o mundo.
Felizmente, as vacinas mantêm sua proteção contra casos graves, internações e mortes, e a maioria dos sintomas em pessoas já vacinadas com reforço é leve, sem necessidade de internação.
Porém, em alguns casos, mesmo indivíduos que receberam as três doses se hospitalizam, e por isso as autoridades de saúde e governos avaliam a aplicação de uma quarta dose dos imunizantes.
O primeiro país a adotar uma quarta dose foi Israel, no dia 3 de janeiro. Nos Estados Unidos, ela já é recomendada para pessoas imunossuprimidas acima de 5 anos de idade.
O Ministério da Saúde brasileiro também aprovou a quarta aplicação para pessoas imunossuprimidas acima de 12 anos, como as transplantadas, vivendo com HIV, em tratamento para câncer, que fazem hemodiálise ou que usam medicamentos imunossupressores.
Em 9 de fevereiro, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), fez um anúncio dizendo que toda a população iria receber uma quarta dose no estado, mas voltou atrás e disse que o estado estava, na realidade, avaliando a possibilidade. No mesmo dia, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga disse que ainda não há previsão de quarta dose e que a prioridade é o reforço na população.
O que dizem os estudos sobre a necessidade e eficácia de uma quarta dose?
Até agora, não há evidências suficientes que comprovem a necessidade de uma quarta dose das vacinas de maneira irrestrita.
Em Israel, um estudo com reforço da Pfizer mostrou que há um aumento da quantidade de anticorpos no sangue após a quarta dose semelhante ao observado no pico com a terceira dose, mas o mesmo não preveniu infecções. A pesquisa avaliou 274 profissionais da saúde que receberam três doses de imunizantes de mRNA (Pfizer ou Moderna) mais uma dose de Pfizer.
De acordo com um outro estudo de Israel, a quarta dose da Covid não impediu a infecção por ômicron, mas o período curto de reforço (apenas um mês) pode não ter sido o suficiente para impedir a entrada do vírus.
Por outro lado, a ciência já demonstrou que as vacinas induzem um tipo de resposta protetora celular, que é de memória, respondendo rapidamente quando há contato com o vírus verdadeiro.
"Essa proteção celular, embora não seja medida, ela está lá, então mesmo quando há o decaimento de anticorpos neutralizantes, sabemos que o indivíduo vacinado com três doses está protegido", afirma a imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Cristina Bonorino.
Para ela, a terceira dose é necessária, mas falar sobre uma quarta injeção ainda é muito cedo.
Quais países já adotaram uma quarta dose e para quais pessoas ela é indicada?
Até o momento, poucos países incluíram a quarta dose para a sua população. São eles: Israel, para todos os profissionais de saúde e pessoas acima de 60 anos; Canadá, para a população acima de 18 anos três meses após tomar a última injeção; Dinamarca, para os indivíduos com maior risco e acima de 60 anos; o Chile, que começou a vacinar sua população com 55 anos ou mais em fevereiro; e, mais recentemente, a Suécia, para idosos acima de 80 anos, e a Coreia do Sul, para trabalhadores de saúde e pessoas vulneráveis.
Outros países, como Reino Unido, Estados Unidos e o próprio Brasil recomendam a quarta dose apenas para imunossuprimidos: com mais de 18 anos, no Reino Unido, acima de 5 anos, nos Estados Unidos, e com 12 anos ou mais, no Brasil.
O que sabemos em relação ao perfil de segurança da quarta dose?
De maneira geral, os efeitos adversos que ocorrem com as doses de reforço da vacina são leves, e espera-se que o mesmo seja observado com a aplicação da quarta dose. No estudo de Israel com 274 voluntários, os principais eventos adversos foram locais (80%), desaparecendo em até dois dias.
Estudos mostram também que a frequência de eventos adversos pós-vacinação diminui com os reforços. Isto não significa que eles devam ser negligenciados, avalia o pediatra e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri.
"É importante destacar que com mais de 11 bilhões de doses das vacinas contra Covid aplicadas em todo o mundo, os efeitos colaterais graves são raríssimos. Mas nem por isso devemos deixar de pensar que uma quarta dose deve ser aplicada sem os dados [de segurança], que ainda não conhecemos. Por isso é preciso investigar", afirma.
A eficácia das vacinas diminui com o passar do tempo? O que muda com a variante ômicron?
Os estudos feitos até agora mostram que duas doses das vacinas ou a dose única da Janssen, frente à ômicron, têm eficácia reduzida.
Segundo um levantamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a eficácia da dose de reforço cai após quatro meses. Mesmo com a queda, a proteção continua alta, em torno de 78%, diz o órgão.
Já uma pesquisa nacional feita no Reino Unido apontou que, no contexto da ômicron, a dose de reforço proporciona uma proteção 20 vezes maior para hospitalização e óbito comparado a indivíduos com apenas duas doses. O recorte etário foi acima de 50 anos.
"Isso é um dado que mostra que para as pessoas com mais de 50 anos, imediatamente após um reforço, a proteção das vacinas é recuperada de 59% para 95%, ou seja, é fundamental a terceira dose", explica Julio Croda, pesquisador da Fiocruz.
Porém, Croda avalia que os idosos no Brasil, que receberam o reforço em sua maioria em setembro ou outubro de 2021, precisam de uma quarta dose justamente por essa diminuição da proteção.
Recentemente, uma pesquisa indicou que um reforço da Pfizer seis meses depois em pessoas com duas doses de Coronavac recupera a eficácia de 72,5% para 97,3% contra casos graves. A pesquisa não incluiu o período de circulação da ômicron.
Ainda há idosos, principalmente no estado de SP, que foram vacinados com duas doses de Coronavac e um reforço também de Coronavac, para os quais não há dados de proteção após quatro meses.
"Para esse grupo é urgente uma quarta dose, porque eles já têm maior risco e não receberam a proteção de reforço com a Pfizer", afirma a infectologista Rosana Richtmann, que integra o comitê de assessoramento do governo federal para vacinas.
Para ela, a prioridade no momento atual é resgatar as pessoas que já estão aptas para um reforço e não o fizeram.
Croda concorda com a recomendação, mas diz que as campanhas não devem ser excludentes. "Não devemos cair no mesmo erro do passado de achar que é preciso primeiro completar a terceira dose antes de iniciar a quarta, porque os idosos com mais de 80 anos estão em muito alto risco para hospitalizações e óbitos", avalia.
Teremos uma vacinação anual da Covid como é com a gripe ou iremos receber reforços a cada quatro meses?
Ainda não sabemos por quanto tempo a pandemia da Covid irá durar, mas especialistas acreditam que o coronavírus Sars-CoV-2 vai se tornar um vírus endêmico, como o vírus influenza. Cientistas já trabalham, no entanto, para uma vacina combinada da gripe com o coronavírus.
"Precisamos de vacinas melhores e este ano devemos ter novidades, inclusive vacinas que possuem um tempo de duração maior da proteção ou com maior eficácia para neutralização do vírus no nariz, como as vacinas de spray nasal", diz a infectologista e professora da Unicamp Raquel Stucchi.
Até lá, porém, é preciso acelerar a vacinação das pessoas com esquema incompleto, diz Stucchi. "O discurso de muitas pessoas hoje é que não vão tomar o reforço porque a ideia de dar reforços sucessivos causa desconfiança, e precisamos melhorar a comunicação reafirmando a importância das vacinas e, principalmente, da dose de reforço."
19/02/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/02/maioria-das-universidades-gauchas-tera-aulas-presenciais-neste-semestre-mas-sem-exigir-passaporte-vacinal-ckzszxb48002v017canrh7ui6.html
Maioria das universidades gaúchas terá aulas presenciais neste semestre, mas sem exigir passaporte vacinal
GZH consultou instituições públicas e privadas para saber como serão as atividades em 2022; confira
Mesmo após um início de ano marcado pelo avanço da variante Ômicron do coronavírus no Rio Grande do Sul, a maioria das universidades gaúchas retomará suas atividades presenciais neste primeiro semestre de 2022. O retorno das aulas no Ensino Superior está previsto, em grande parte, para ocorrer entre a próxima segunda-feira (21) e o começo de março — algumas poucas instituições já iniciaram seus calendários acadêmicos nesta semana, e outras devem retomar somente em abril.
O comprovante de vacinação contra a covid-19, no entanto, será exigido pela minoria das universidades. Entre as 14 instituições privadas consultadas pela reportagem de GZH, por exemplo, nenhuma prevê a exigência. Já entre as públicas, somente a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) enfrenta impasse pela decisão (saiba mais abaixo).
Nesta sexta-feira (18), o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para derrubar a diretriz do Ministério da Educação (MEC) que proibiu a exigência do comprovante de vacinação, ou passaporte vacinal, em universidades e instituições de ensino federais. Em seu voto, o ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo, disse que a ordem do MEC contraria as evidências científicas, ao desestimular a vacinação, e viola a autonomia universitária. A conclusão do STF é que as universidades têm legitimidade para exigir o passaporte da vacina na volta às aulas presenciais.
Confira, abaixo, as datas e modelos de retorno previstos pelas universidades gaúchas, bem como protocolos de prevenção que serão adotados e seus posicionamentos sobre a exigência do passaporte vacinal:
Universidades públicas
UFRGS
As aulas referentes ao primeiro semestre de 2022 da UFRGS terão início em 13 de junho e término em 20 de outubro. Já as atividades de 2022/2 vão de 17 de novembro a 19 de abril de 2023. Uma portaria do Comitê Covid UFRGS, publicada em 28 de janeiro, adiou para 7 de março o retorno restrito das atividades presenciais nos campus da universidade.
De acordo com o documento, esse retorno contempla os cursos de graduação e de pós-graduação, a pesquisa e a extensão “no que se refere às atividades práticas e àquelas que não poderão ocorrer por meio remoto, as aulas práticas em laboratórios, atividades de campo, trabalhos de conclusão de curso em todos os níveis que necessitem atividades presenciais, estágios, funções administrativas e técnicas necessárias para garantir estas atividades e funções essenciais”.
A portaria determina ainda que o modelo de retorno presencial restrito deve ser avaliado permanentemente, para “ampliar quando possível as atividades a serem desenvolvidas presencialmente, na direção do retorno pleno presencial das atividades na UFRGS”, e que a retomada deve acontecer de forma gradual e escalonada, “considerando critérios sanitários, acadêmicos e requisitos administrativos e técnicos”.
Em relação à exigência do passaporte vacinal, a universidade enfrenta um impasse. A portaria nº 630, de 28 de janeiro de 2022, emitida pelo reitor da UFRGS, traz o entendimento de que não pode haver essa exigência, mas o conselho universitário da instituição aprovou resolução nº 213 de 5 de novembro de 2021 que exige a comprovação vacinal contra a covid-19 – o que também está previsto no Plano de Retorno Presencial.
Diante disso, o Gabinete do Reitor encaminhou a questão para apreciação da Procuradoria Federal junto à UFRGS, que deliberou que não há base legal para a exigência. Com base nisso, a instituição incluiu um aviso em seu site oficial afirmando que não exige o comprovante de vacinação. No entanto, Fórum de Direções da universidade emitiu uma nota pública se manifestando a favor do passaporte, sendo apoiado por algumas Unidades Acadêmicas, que também se posicionaram publicamente.
UFCSPA
Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o primeiro semestre deste ano iniciará em 25 de abril, de forma híbrida. Progressivamente, até o mês de julho, as atividades se tornarão 100% presenciais. O fim do semestre está previsto para 20 de agosto, enquanto as aulas do segundo serão de 19 de setembro a 23 de dezembro, com recesso entre 2 e 28 de janeiro de 2023.
A instituição reforça que o retorno presencial será adotado se as condições epidemiológicas permitirem. Além disso, para as atividades presenciais realizadas no campus da instituição, a UFCSPA exigirá a apresentação de passaporte vacinal contra a covid-19. A decisão foi aprovada pelo Conselho Universitário em 10 de fevereiro, mas os detalhamentos e formas de execução dessa ainda serão definidos em uma sessão futura, que será divulgada junto à comunidade universitária.
(...) Ver demais no link.
18/02/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2022/02/voce-tem-medo-de-ficar-doente-saiba-quando-este-temor-vira-um-problema-e-como-identificar-os-sintomas-ckzpjhbkd0028015pck4dm8fa.html
Você tem medo de ficar doente? Saiba quando este temor vira um problema e como identificar os sintomas
Entenda o que é o transtorno de ansiedade de doença e veja os riscos da automedicação
Uma sensação corporal comum, como um formigamento após passar muito tempo com a perna cruzada, é erroneamente interpretada como sintoma de um tumor na medula, gerando grande certeza ou preocupação.
Segundo especialistas, a situação descrita é um exemplo de como o transtorno de ansiedade de doença pode se manifestar. A condição psíquica, também conhecida como hipocondria (termo menos utilizado hoje em dia por causa da conotação pejorativa associada à palavra hipocondríaco), é caracterizada pelo medo excessivo e desproporcional de ter ou contrair alguma enfermidade grave.
Pacientes com esse tipo de transtorno de ansiedade costumam ter relações peculiares com seus corpos, já que a atenção é retirada do mundo externo e focada em si próprio. Assim, qualquer alteração corporal é hipervalorizada, de forma muito obsessiva e não da perspectiva do autocuidado, explica a psicóloga clínica e psicanalista Camila Allegretti, diretora administrativa da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS):
— Muitas vezes, esse paciente vai interpretar erroneamente os sinais e alterações normais do corpo ou, até mesmo, as próprias funções e sensações corporais. Tudo se torna muito aflitivo e angustiante.
De acordo com Analuiza Camozzato, professora de psiquiatria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e chefe do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa de Misericórdia, o medo desses indivíduos se mantém mesmo após avaliações médicas e exames físicos e laboratoriais constatarem que a doença não existe. Ou seja, eles não se convencem de que não estão doentes.
O trecho do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), de 2014, sobre transtorno de ansiedade de doença destaca que as preocupações desses pacientes acerca de quadros de saúde não diagnosticados também “não respondem a medidas de tranquilização médica apropriadas, exames diagnósticos negativos ou um curso benigno” e que “as tentativas do clínico de tranquilizar o indivíduo e aliviar o(s) sintoma(s) geralmente não ajudam a diminuir as preocupações e podem até aumentá-las”.
Além disso, o documento aponta que indivíduos com essa condição se tornam facilmente “assustados por doenças”, como quando descobrem que alguém ficou doente ou leem uma reportagem relacionada à saúde. Dessa forma, essas preocupações assumem um lugar de destaque na vida da pessoa, afetando atividades cotidianas e relações sociais e de trabalho.
Quando a preocupação com a saúde vira problema
As especialistas sinalizam que a preocupação com a saúde pode ser considerada uma doença quando extrapola o limite, causando muito sofrimento ou prejuízo em determinado aspecto da vida da pessoa, ou quando o cuidado com a saúde é tão rígido que impede a pessoa de viver, já que ela só fica pensando no adoecimento e na morte.
— Uma coisa é estar atento ao corpo e tomar medidas para prevenir doenças, outra é interpretar funções vitais ou qualquer mínima alteração corporal como um grave padecimento e ficar extremamente angustiado apenas com base em uma ideia infundada — esclarece a psicanalista Camila Allegretti.
Para a professora da UFCSPA Analuiza Camozzato, um paciente com transtorno de ansiedade de doença sabe identificar que o medo é desproporcional, mas, mesmo assim, não consegue deixar de ter esse comportamento. E exemplifica:
— A pessoa tem medo de ter covid-19, faz o teste e dá negativo. Está sem sintomas, mas faz o teste de novo, é avaliada por médicos, só que continua com medo. É reassegurada de que não tem a doença, mas a preocupação não passa, é desproporcional.
Quem já tem algum quadro clínico, como hipertensão, também pode ser diagnosticado com o transtorno. Neste caso, pode haver uma preocupação excessiva de se ter um acidente vascular cerebral (AVC), por exemplo.
Outro ponto importante é que as preocupações sempre envolvem doenças graves, com desfechos catastróficos, que causam muita angústia. Assim, uma dor de cabeça normal do dia a dia já pode ser considerada sintoma de tumores no cérebro e um incômodo nos olhos devido ao uso de telas pode ser interpretado como um câncer, que fará com que a pessoa fique cega de uma hora para outra.
Prevalência e subtipos
As estimativas de prevalência do transtorno de ansiedade de doença citados pelo DSM-5 baseiam-se nos dados de diagnóstico de hipocondria dos dois manuais anteriores. Conforme o documento, a prevalência em um a dois anos de ansiedade acerca da saúde e/ou convicção de doença em levantamentos em comunidades e amostras populacionais vai de 1,3% a 10%. Já em populações médicas ambulatoriais, as taxas em seis meses a um ano ficam entre 3% e 8%. Homens e mulheres são acometidos pela doença na mesma proporção.
Analuiza Camozzato comenta que esse transtorno geralmente começa na adolescência ou na fase adulta e vai piorando com a idade, sendo raro em crianças.
— É uma condição crônica, ou seja, os pacientes passam a vida toda tendo essa preocupação excessiva. Mas pode mudar o foco da preocupação, não é sempre a mesma doença, pode ser mais de uma — salienta.
Há dois subtipos de pacientes: aquele que busca o cuidado médico, utilizando com frequência o sistema de saúde ao consultar com diferentes profissionais e realizar diversos exames e procedimentos, e o que evita o cuidado porque acredita que tem a doença, mas tem um medo excessivo de diagnosticá-la.
Causas e fatores de risco
De acordo com Analuiza Camozzato, não se sabe exatamente qual a causa dessa condição, mas algumas situações podem aumentar o risco: contexto familiar onde se tem muita discussão e preocupação com a saúde; histórico de doença grave na infância ou em alguém da família; diagnóstico prévio de transtorno de ansiedade generalizada; costume de ler muito conteúdo relacionado à saúde na internet.
Além disso, a diretora administrativa da SPRGS reforça que uma doença mental é sempre resultado da estrutura psíquica da pessoa, que é formada por características genéticas e por traços que são adquiridos no decorrer da vida. Desta forma, sujeitos que tenham essa estrutura abalada, como aqueles com maior nível de ansiedade, são mais suscetíveis a desenvolver a condição.
— Os pacientes que trazem esse sofrimento podem apresentar alguns pontos frágeis na estrutura psíquica. Por consequência, se sentem mais vulneráveis, tendo medo excessivo de serem acometidos por alguma doença — comenta Camila Allegretti.
Por vezes, existe um conflito interno, que gera angústia, e o paciente projeta no externo, resultando no medo de uma doença. Isso, segundo a psicanalista, é uma forma inconsciente de autodefesa, já que pode haver uma tentativa ineficaz de resolver a situação indo a consultas, fazendo exames e buscando tratamento para o suposto problema.
No contexto da pandemia
Não há dados específicos sobre o aumento de diagnósticos de transtorno de ansiedade de doença durante a pandemia. Entretanto, a psicanalista Camila Allegretti relembra que a chegada do coronavírus intensificou as questões psíquicas de forma geral, resultando no surgimento de novos casos e no agravamento de patologias já existentes.
Ela destaca que o distanciamento social e a necessidade de uma atenção maior com a saúde também fizeram com que as pessoas ficassem mais voltadas para si, o que impacta diretamente os pacientes com esse transtorno:
— Esses pacientes já canalizam de forma excessiva o investimento em si, então com certeza a angústia se intensificou, principalmente porque todo mundo estava voltando a atenção para o vírus e suas manifestações no corpo.
O risco da automedicação
Entre os principais riscos do transtorno de ansiedade de doença, estão a automedicação, a incapacitação e um grande impacto na qualidade de vida do paciente.
O risco de automedicação está relacionado à vontade de tratar a doença que a pessoa tanto teme ter. Vinícius Sabedot Soares, coordenador médico de governança clínica do Hospital São Lucas da PUCRS, afirma que é bastante comum pacientes consultarem várias vezes em pronto-atendimentos, só para renovar a receita de um medicamento controlado, que foi prescrito em algum momento, porque acreditam que têm uma doença e precisam daquela medicação, mesmo que não apresentem nenhum sintoma atualmente.
Já o impacto na qualidade de vida tem relação com a quantidade de tempo gasto com as preocupações com a saúde, alerta a professora Analuiza Camozzato. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) também destaca que, com frequência, o transtorno interfere “nas relações interpessoais, perturbam a vida familiar e comprometem o desempenho profissional”.
Camila Allegretti concorda, afirmando que, muitas vezes, o foco da vida de quem sofre com essa questão será comprovar que tem a doença e que, para isso, podem peregrinar em diferentes médicos, fazer inúmeros exames — por vezes até invasivos —, frequentemente se ocupando com alguma doença e pesquisando a respeito durante longos períodos. Por este motivo, a psicanalista enfatiza que se trata de uma doença muito incapacitante em alguns casos, já que a pessoa fica tomada pela angústia.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do transtorno de ansiedade de doença é feito por psicólogos e psiquiatras. No entanto, o primeiro a identificar os sinais e sintomas pode ser o médico clínico, pois é o profissional que costuma ter o contato inicial com esses pacientes, esclarece Analuiza Camozzato:
— É possível notar que a preocupação é excessiva, desproporcional. Os pensamentos catastróficos em relação à doença são indicativos para os médicos. E é importante que todos os profissionais entendam que é uma doença, porque dizer para aquela pessoa que “é coisa da sua cabeça” é o pior para ela. A recomendação é explicar que existe esse transtorno e encaminhar para um psiquiatra.
O problema é que, diante da mudança excessiva de médicos, o diagnóstico pode demorar. Segundo Vinícius Sabedot Soares, do Hospital São Lucas da PUCRS, um fator que dificulta, especialmente em serviços de pronto-atendimentos, é que as consultas costumam ser rápidas, com duração em torno de 15 minutos, e que não existe uma relação prévia com aquele paciente. Por isso, às vezes os sinais passam despercebidos.
No sistema privado de saúde, existe mais uma questão: muitas vezes, o paciente consegue marcar consultas diretas com especialistas, sem passar por um clínico, e pode ir trocando de médicos quando quiser.
— A pessoa que tem esse transtorno costuma criar uma expectativa em relação à consulta, achando que vai receber um pedido de exames e receita médica. Então, se ela não recebe isso, fica insatisfeita e troca de profissional — aponta o coordenador médico.
Para Soares, a identificação desses pacientes depende muito da sensibilidade do clínico geral, que precisa perceber os sinais de angústia. Além disso, sinaliza que é necessário ter muito tato para conseguir abordar o assunto sem afastar o paciente, que já está com algum sofrimento:
— Alguns pacientes sabem que têm o problema, mas não estão abertos para receber contraponto, daí é mais difícil. Outros, estão abertos. Então, se você consegue identificá-los em uma consulta, é mais fácil ter uma conversa esclarecedora e encaminhar para um psicólogo ou psiquiatra.
Já o tratamento envolve principalmente psicoterapia cognitivo-comportamental, que serve para fazer com que os indivíduos entendam que a preocupação é excessiva, identifiquem os comportamentos e tentem corrigi-los ou eliminá-los. Apesar de ser um quadro crônico, a professora Analuiza Camozzato ressalta que, quanto mais cedo ocorre o diagnóstico, maior as chances de melhora.
Camila Allegretti esclarece que a psicoterapia ajuda o paciente a entender os motivos para esse medo excessivo e o que realmente lhe gera angústia, para então conseguir lançar mão de outras ferramentas internas, que muitas vezes precisam ser construídas, para lidar melhor com essas questões. Em determinados casos, também pode ser necessário utilizar medicações, como antidepressivos, até que a pessoa fique menos angustiada e consiga se beneficiar da terapia.
Além dos médicos clínicos, o encaminhamento do paciente a um especialista pode partir de familiares e amigos que conseguem perceber os sinais. Allegretti afirma que indivíduos que convivem com quem tem transtorno de ansiedade de doença devem primeiro acolher o sofrimento da pessoa, sem nunca minimizar ou dizer que “não é nada”.
18/02/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2022/02/aos-83-anos-morre-nelson-de-nonohay-ex-secretario-da-saude-do-rs-e-um-dos-fundadores-do-instituto-de-cardiologia-ckzsvrstk001x017c7w6xdjsj.html
Aos 83 anos, morre Nelson de Nonohay, ex-secretário da saúde do RS e um dos fundadores do Instituto de Cardiologia
Nonohay chefiou a primeira unidade de tratamento intensivo coronariano do Rio Grande do Sul, a segunda do Brasil
O médico Nelson Carvalho de Nonohay, ex-secretário da Saúde do Rio Grande do Sul e referência na área de cardiologia, morreu nesta sexta-feira (18) devido a complicações decorrentes de uma pneumonia bacteriana. Ele tinha 83 anos.
Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Nonohay especializou-se em cardiologia em 1966, na quinta turma de residentes dessa especialidade na atual Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Foi um dos membros-fundadores da Fundação Universitária de Cardiologia (IC-FUC) — Instituto de Cardiologia, criada em 1966 com o objetivo de desenvolver o ensino e pesquisa e aprimorar a assistência médica em cardiologia no Rio Grande do Sul, que veio a se tornar uma das maiores referências no país na especialidade.
Nonohay exerceu suas atividades no IC-FUC desde que concluiu a residência. Foi o primeiro chefe e organizador da primeira unidade de tratamento intensivo coronariano do Estado, a segunda do Brasil. Exerceu também a chefia da unidade de assistência médica do IC-FUC. Ocupou o cargo de diretor-secretário da FUC e, nos últimos anos, atuou como presidente do Conselho Diretor.
Foi, ainda, médico da Varig e presidente da Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul nos anos de 1975 e 1983. Entre 1990 e 1991, foi secretário de Saúde do Rio Grande do Sul no segundo governo estadual de Sinval Guazzelli.
Torcedor do Grêmio, foi conselheiro do seu time de coração entre 1983 e 2007.
Nonohay deixa deixa três filhos, Juliana, Laura e João, e cinco netos. Os atos fúnebres serão realizados no sábado (19), das 8h às 12h, na sala 2 do Crematório Metropolitano, em Porto Alegre.
18/02/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2022/02/covid-longa-onde-tratar-as-sequelas-da-doenca-em-porto-alegre-e-na-regiao-metropolitana-ckzsv9jnz000k017p5clhj06c.html
Covid longa: onde tratar as sequelas da doença em Porto Alegre e na Região Metropolitana
Falta de ar, fraqueza muscular, dificuldade de concentração e perda de cabelo são algumas das queixas relatadas por pacientes que superaram o vírus, mas agora lidam com outras situações
A covid-19 vai embora, mas pode deixar sequelas físicas e até psicológicas. Problemas como falta de ar, fraqueza muscular, dificuldade de concentração e perda de cabelo são algumas das queixas relacionadas à covid longa, etapa que surge quando a doença já foi vencida, mas cujos estragos demandam atenção especial.
Confira, abaixo, centros de saúde em Porto Alegre e na Região Metropolitana que tratam das sequelas do pós-covid. São serviços oferecidos por hospitais, universidades e centros de saúde, com atendimento gratuito, via Sistema Único de Saúde (SUS), ou particular e convênio.
Centro de Saúde IAPI - Ambulatório Pós-Covid
Início do atendimento: 12 de julho de 2021
Localização: Rua Três de Abril, 90, bairro Passo d’Areia, em Porto Alegre
Tipo de atendimento: totalmente gratuito, oferecido após encaminhamento pelas unidades básicas de saúde
Profissionais: agentes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), além de acadêmicos e professores dos cursos de fisioterapia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e de fisioterapia, enfermagem, psicologia e nutrição da Unisinos. Casos mais graves são encaminhados ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Sequelas que pode tratar: fadiga, dores, perda de força, formigamento nas mãos e pés, ansiedade e insônia. Os pacientes também relatam perda de memória, tosse, tonturas, alteração da pressão arterial, azia e dificuldade para engolir
Hospital São Lucas da PUCRS - Ambulatório Pós-Covid
Início do atendimento: 15 de abril de 2021
Localização: Espaço de Saúde Marcelino Champagnat, no Hospital São Lucas da PUCRS, que fica na Avenida Ipiranga, 6.690, em Porto Alegre
Telefone: (51) 98502-1128
Tipo de atendimento: particular e por convênios
Profissionais: 12 especialistas das áreas de pneumologia, neurologia, endocrinologia e cardiologia, além de profissionais da fonoaudiologia, psicologia, nutrição e fisioterapia
Sequelas que pode tratar: avaliação clinica geral de complicações de diversas naturezas, desde motoras (cansaço, fraqueza), pulmonares (falta de ar) e cardíacas (palpitação) até queda de cabelo. Em caso de necessidade, o paciente é encaminhado às especialidades ou para o centro de reabilitação
Hospital Mãe de Deus - Serviço de Recuperação Pós-Covid
Início do atendimento: 11 de janeiro de 2021 para toda a população
Localização: ambulatório do hospital, no subsolo, com entrada pela Rua José de Alencar, 286, em Porto Alegre
Telefone: (51) 3230-6000
Tipo de atendimento: particular e por convênios
Número de profissionais: oito especialistas em clínica médica e alguns em medicina intensiva
Sequelas que pode tratar: conforme avaliação realizada, o paciente receberá um plano de tratamento personalizado
Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Serviço de Fisiatria e Reabilitação
Início do atendimento: setembro de 2020
Localização: prédio do Hospital de Clínicas, com entrada pela Rua Protásio Alves, 211, em Porto Alegre
Telefone: (51) 3359-8430
Tipo de atendimento: totalmente gratuito, oferecido após encaminhamento pelas unidades básicas de saúde
Número de profissionais: quatro médicos, seis fisioterapeutas, um terapeuta ocupacional, um fonoaudiólogo, três enfermeiros, um psicólogo, um assistente social, dois educadores físicos e um nutricionista
Sequelas que pode tratar: problemas de moderados a graves, principalmente pacientes com dores envolvendo o pós-covid, além de fraqueza muscular, fadiga, dificuldades de mobilidade
Santa Casa de Porto Alegre - Serviço de Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica
Início do atendimento: maio de 2021
Localização: Pavilhão Pereira Filho, na Rua Professor Annes Dias, 295, em Porto Alegre
Telefone: (51) 3214-8331
Tipo de atendimento: particular e convênio Fusex
Número de profissionais: nove (áreas de fisioterapia, nutrição, psiquiatria, pneumologia e enfermaria)
Sequelas que pode tratar: cansaço, falta de ar ao realizar esforços com redução da capacidade motora. Objetivo é restabelecer a funcionalidade, força e resistência do paciente
Universidade Feevale - Rede de Apoio e Reabilitação Pós-Covid-19
Início do atendimento: outubro de 2021
Localização: no Centro Integrado de Especialidades em Saúde (CIES), na Rua Rubem Berta, 200, em Novo Hamburgo, e no Centro Integrado de Psicologia (CIP) e no Centro de Estética e Cosmética, na ERS-239, 2.755, também em Novo Hamburgo.
Telefone e e-mail: (51) 3586-8813 / Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Tipo de atendimento: totalmente gratuito, oferecido a pessoas maiores de 18 anos, com confirmação prévia de covid-19 e em situação de vulnerabilidade social e financeira
Requisitos: É necessário apresentar teste PCR positivo no período de manifestação da doença, comprovantes de encaminhamentos a serviços especializados e exames complementares realizados enquanto esteve doente. Também é preciso ter disponibilidade para consultas durante a semana, no turno da manhã ou tarde, além de passar por uma avaliação socioeconômica.
Número de profissionais: cerca de 15 profissionais e 30 estudantes envolvidos na equipe multiprofissional, formada por enfermeiros, fisioterapeutas, médicos, nutricionistas, biomédicos, farmacêuticos, psicólogos, educadores físicos e esteticistas
Sequelas que pode tratar: sequelas e/ou limitações físicas, cognitivas ou psíquicas causadas pela doença ou pelo tempo de internação
Hospital Moinhos de Vento - Sala de Reabilitação Cardio-Pulmonar
Início do atendimento: julho de 2021
Localização: prédio do hospital, na Rua Ramiro Barcelos, 910, Bloco C, Unidade E3, em Porto Alegre
Telefone: (51) 3314-3434
Tipo de atendimento: ambulatoriais particulares
Número de profissionais: quatro profissionais para avaliação (médica, nutricionista, psicóloga e fisioterapeuta), e um fisioterapeuta que conduz as sessões
Sequelas que pode tratar: focado em pacientes com doenças cardiológicas e pulmonares, o programa é constituído de sessões que trabalham as valências de força, resistência e instruções sobre os problemas de saúde e seus principais cuidados. No mesmo espaço, a instituição elaborou protocolos de atendimento para pacientes com sequelas da covid-19 relacionadas a queixas respiratórias e físicas.
17/02/2022 – Diário Gaúcho
Link: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2022/02/escolas-driblam-dificuldades-na-alfabetizacao-com-mascaras-transparentes-e-videos-saiba-como-a-familia-tambem-pode-ajudar-23234343.html
Escolas "driblam" dificuldades na alfabetização com máscaras transparentes e vídeos; saiba como a família também pode ajudar
Pode ser mais difícil aprender a ler e a escrever sem enxergar a boca dos professores
Não é só de desenhos de letrinhas que se faz a alfabetização de uma criança. O processo de ensinar a ler e a escrever, que é complexo e costuma levar três anos para ser concluído, tem sido ainda mais desafiador durante a pandemia. Primeiro devido à suspensão das aulas nas escolas, depois em virtude da restrição de recursos permitidos nas atividades remotas e, agora, por conta do uso de máscaras por parte de professores e alunos, o que impede que se enxergue o movimento da boca usado para articular as palavras. Docentes e instituições de ensino têm usado a criatividade para superar essas perdas.
No colégio La Salle Santo Antônio, bairro Santo Antônio, na Capital, o ano letivo de 2022 começou com a adoção de máscaras com transparência na região da boca por parte dos professores. Segundo o supervisor educacional da escola, Fávaro Lummertz, a instituição entendeu que a aquisição dessas máscaras era importante para amplificar a oralidade.
— Professores de Música, de Língua Inglesa e titulares do primeiro e do segundo ano do Ensino Fundamental usarão máscaras fechadas com transparência, para que os alunos possam fazer leitura labial. Vimos essa necessidade nas atividades que trabalhem a consciência fonológica — relata Lummertz.
O supervisor educacional observa que o resultado final do número de crianças que terminaram alfabetizadas em 2021 não teve diferença na comparação, por exemplo, com 2019. No entanto, destaca que as crianças ficam mais atentas e motivadas quando conseguem ler o lábio do professor.
— A parte mais importante do desenvolvimento da consciência fonológica é ouvir, mas, quando tu vês o estímulo da teatralização e o movimento da boca na hora de falar, isso chama a atenção para as próprias palavras — avalia.
No colégio João XXIII, bairro Santa Tereza, a professora Amanda Eccel Dorneles conta que enfrentou o desafio de alfabetizar nessas novas condições com a produção de vídeos e descrevendo os movimentos da boca e da língua para seus alunos. Para driblar o abafamento do som causado pela máscara, a docente também usava microfone. Quando as aulas aconteciam no pátio – a instituição conta com salas de aula completas em seu jardim – a educadora às vezes baixava um pouco a máscara, para demonstrar a articulação para as crianças.
— Para uma porcentagem pequena de alunos talvez tenha havido um pouco de impacto na alfabetização, mas, de modo geral, as crianças foram muito bem. Elas têm essa predisposição muito grande de superar dificuldades e deram um show nisso — analisa, ressaltando que foi mais desafiador lidar com as questões emocionais que os pequenos apresentaram durante a pandemia do que com a alfabetização em si.
O uso de plataformas digitais de leitura foi uma das estratégias usadas no Colégio Marista Rosário, bairro Independência. Na visão da coordenadora pedagógica dos Anos Iniciais da escola, Luiza Emmel, a visualização da boca é uma das possibilidades, mas existem outras, no processo de alfabetização.
— Usamos estratégias de reconhecimento fonológico através de rimas, imagens, palavras destacadas, buscando o desenvolvimento da oralidade de uma forma lúdica, mas com uma intencionalidade. Os professores foram incríveis: buscaram alternativas e hoje posso dizer que as crianças aprenderam muito bem — pontua Luiza.
Para evitar a retirada da máscara em sala de aula, os professores também gravavam vídeos e áudios para utilizar em sala de aula ou como tema de casa, com o som de palavras. Nas plataformas de leitura, as crianças podiam ouvir a história ou ler o livro em voz alta, gravar a leitura e enviar para apreciação da professora.
Na rede pública, mais desafios
Na rede pública, os recursos restritos de uma parte dos alunos dificultou ainda mais o processo de aprendizagem e demandou criatividade dos docentes. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dolores Alcaraz Caldas, bairro Restinga, a professora Letícia Staudt precisou lidar com um revezamento de alunos que impossibilitou que algumas famílias levassem seus filhos às aulas. Com isso, as turmas contavam com em torno de cinco a 10 estudantes presentes.
— O processo de alfabetização foi bem insatisfatório, insuficiente e até frustrante essa experiência, ainda mais com a máscara. É importante que, na alfabetização, a gente articule as palavras com as crianças, para mostrarmos os sons das letras, e isso, com a máscara, fica bastante prejudicado — lamenta Letícia.
Em meio a outros desafios, como adaptar as crianças ao uso da máscara e o cuidado com o distanciamento, a docente, no desespero para ensinar, às vezes colocava o face shield e baixava a máscara para articular as palavras.
— Me peguei baixando a máscara, sempre bem distante das crianças. Mas nunca permaneci sem máscara — explica.
No período de aulas remotas, no qual a escola enviava atividades por WhatsApp para os alunos fazerem em casa, muitas mães reclamaram para Letícia que não conseguiam tornar a alfabetização atraente para seus filhos e pediram que ela fizesse vídeos com o conteúdo. A professora fez, mas não gostou do resultado.
— Me virei nos 30 e fiz um canalzinho no YouTube com os vídeos. Para a minha surpresa, a audiência foi baixíssima. Embora elas pedissem, muitas não tinham Wi-Fi em casa e não conseguiam assistir — relata Letícia.
Com o retorno presencial, em agosto, um aspecto favorável da presença de poucos alunos em sala de aula foi a possibilidade de oferecer um ensino mais individualizado a cada criança. A docente fez atividades com alfabeto móvel, carimbos, letrinhas, tintas e material de contagem e conseguiu “dar aquela aula dos sonhos, que se aprende na faculdade e que em uma turma normal, de 25 alunos, fica difícil”. O resultado foi um fim de ano com crianças muito mais familiarizadas com o alfabeto, ainda que não totalmente alfabetizadas.
Fátima Hartmann, também professora da Dolores Alcaraz Caldas, considera que a aprendizagem do sistema de escrita alfabética depende da compreensão bem orientada das relações entre a oralidade e a escrita, o que acontece ao se visualizar o movimento da boca e ouvir com clareza os sons. Por isso, também adotou como estratégia a produção de vídeos. Ao contrário de Letícia, considera a experiência como proveitosa.
— São vídeos bem simples, usando nossos celulares, mostrando o movimento da boca e os sons de letras e fonemas. Aquilo que seria feito sem a máscara em sala de aula, se não houvesse pandemia. Isso contribui muito para o aprendizado das crianças e é uma boa alternativa, aliada às metodologias pedagógicas utilizadas em sala — recomenda Fátima.
No ano passado, como poucas crianças retornaram ao ensino presencial na escola, os vídeos eram reproduzidos nos grupos de WhatsApp das turmas. Para este ano, a ideia é utilizá-los em sala de aula.
Consciência dos sons
A dificuldade gerada pela máscara é no desenvolvimento da consciência fonoarticulatória – a posição dos órgãos da boca quando se fala uma palavra. Quando a criança está aprendendo a ler e a escrever, ela ainda não relaciona automaticamente, por exemplo, a letra “S” ao som que ela produz. Enxergar o som sendo emitido pelo professor ou por outros colegas auxilia na formação dessa consciência, como explica Rochele Paz Fonseca, neuropsicóloga pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e presidente da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia.
— A máscara cobre dois terços do nosso rosto. Com os professores usando máscara, as crianças perdem a pista fonoarticulatória, para que eles saibam a que som corresponde. O ideal seria usar essas máscaras com transparência, ou mostrar fotos da boca para cada som — analisa Rochele.
A docente defende que o melhor seria que as crianças não usassem máscaras, para que, pelo menos, treinem o aprendizado das palavras com seus colegas. Ela também destaca que a proteção, com o tempo, acaba grudando na boca e impedindo que o pequeno faça alguns sons. Mesmo assim, considera muito melhor abrir as escolas com o uso de máscara pelos alunos do que não abri-las.
A fonoaudióloga Letícia Pacheco Ribas, que é professora do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), conta que, ao contrário da linguagem oral, a leitura e a escrita não são habilidades inatas do ser humano e, por isso, necessitam de uma instrução formal. A língua portuguesa é um idioma cujas palavras costumam ter correspondência entre o fonema e o grafema (ou seja, o som e a escrita das palavras são semelhantes), o que facilita o aprendizado para a criança, mas, mesmo assim, há desafios na alfabetização.
— A diferença entre “F” e “V”, por exemplo, é muito pequena. A criança pode fazer confusões quando está no início da aprendizagem, especialmente com o uso da máscara, que deixa o som abafado — avalia a especialista.
Estratégias como o uso de microfones são importantes, de acordo com Letícia, porque ressaltam a voz, assim como o uso de máscaras com transparência. Ela acha, porém, que o pior já passou: o maior impacto foi no período sem aulas e com atividades remotas, que não permitia a frequência e a intensidade necessárias para se ensinar alguém a ler e a escrever.
Professora da área de Fonoaudiologia Educacional da UFCSPA, a fonoaudióloga Fabiana de Oliveira considera o uso de vídeos mais eficaz do que as máscaras com transparência, que podem embaçar com a respiração. A docente não considera, entretanto, que o uso da máscara chegue a retardar a alfabetização.
— O principal é que a criança escute o som e consiga demonstrar, através de outras formas, que aquele som corresponde àquela letra. O professor vai ter que articular bem, projetar melhor sua voz, talvez buscar outro tipo de recurso visual, o que gera uma demanda maior para o professor, mas é algo contornável — afirma Fabiana.
Como a família pode ajudar
A fonoaudióloga Fabiana ressalta que, como a família não precisa usar máscara quando está com a criança, pode ajudar fazendo os sons das letras, reforçando o movimento da boca com a criança e pedindo que ela repita. Colocar a leitura no dia a dia do pequeno também pode ser de grande serventia.
— Ajudar as crianças a lerem placas de trânsito e rótulos de alimentos pode fazer com que elas entendam a função social da leitura e da escrita no cotidiano, assim como fazer jogos pedagógicos e ler literatura infantil. Quanto mais leitoras as famílias são, mais isso contribui para alimentar na criança o desejo de ler — indica a fonoaudióloga.
Letícia recomenda o programa Conta pra Mim, da Polícia de Alfabetização do Ministério da Educação (MEC), como um recurso interessante para utilizar com as crianças. Lá, há vídeos com orientações sobre como colocar em prática atividades de literacia familiar e dezenas de audiobooks com historinhas infantis.
— Ao ler historinhas, você usa palavras que não costuma usar no dia a dia e isso aumenta o vocabulário da criança — explica a docente.
A neuropsicóloga Rochele traz duas dicas de aplicativos que podem auxiliar as famílias nesse processo: o EduEdu e o Grapho Game. Ambos podem ser instalados no celular ou no computador e trazem atividades de acompanhamento do desenvolvimento da criança, como jogos, músicas e textos.
— Atividades de leitura ajudam muito na alfabetização. Os pais têm que ler para seus filhos, para servirem de modelos da importância da leitura. O hábito da leitura nos pais aumenta em duas a três vezes a capacidade cerebral da criança em termos de linguagem e escrita, por exemplo — salienta Rochele.
17/02/2022 – Correio do Povo
Link: https://www.correiodopovo.com.br/blogs/planodecarreira/uni%C3%A3o-pela-sa%C3%BAde-re%C3%BAne-entidades-em-torno-da-inova%C3%A7%C3%A3o-e-do-empreendedorismo-1.773584
União pela saúde reúne entidades em torno da inovação e do empreendedorismo
Durante o Unicred Porto Alegre Health Alliance serão realizadas quatro etapas, que vão desde workshops e mentorias
Com o objetivo é desenvolver soluções inovadoras na área da saúde que tenham potencial de negócio, oferecendo capacitação quanto a metodologias de desenvolvimento de inovações e apoiando o sucesso profissional, com impacto positivo na sociedade, acaba de ser lançado de forma colaborativa o Unicred Porto Alegre Health Alliance – Programa de Inovação e Empreendedorismo na área da Saúde.
Este programa foi construído de forma colaborativa entre a Unicred Porto Alegre, a Aliança para a Inovação (Ufrgs, PUCRS e Unisinos), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Hospital São Lucas da PUCRS (HSL), Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Hospital Ernesto Dornelles (HED), GROW+, Ventiur, o movimento Pacto Alegre e a Associação Gaúcha de Startups (AGS).
Para participar, os estudantes de graduação e pós-graduação, preferencialmente da área da saúde, poderão formar equipes de três a seis membros e apresentarem soluções para problemas dentro de sete áreas específicas da cadeia de valor da saúde: desenvolvimento e conhecimento; fornecimento de tecnologias e serviços; serviços de Saúde; intermediação financeira; financiamento da saúde; consumo e distribuição de produtos e serviços de saúde.
Projetos na South Summit
Durante o Unicred Porto Alegre Health Alliance, serão realizadas quatro etapas, que vão desde workshops e mentorias, uso de ferramentas, desenvolvimento de MVP (Mínimo Produto Viável), pitch em vídeo e a grande final que ocorrerá dentro da programação do South Summit Brazil - Porto Alegre.
Dez projetos serão escolhidos para participarem do pitch day no evento internacional que ocorrerá na capital gaúcha em maio de 2022. Destes, quatro serão premiados. O 1º lugar receberá R$ 10 mil; o 2º, R$ 7 mil, e o 3º lugar, R$ 3 mil, para usarem no desenvolvimento de seus projetos. Além disto, outras premiações estarão disponíveis aos quatro vencedores que incluem: horas de mentorias sobre empreendedorismo, inovação, negócios, mercado financeiro; participação em eventos e capacitações em empreendedorismo e inovação, acesso a programas de incubação e aceleração, mentoria e consultoria em programas de desenvolvimentos de startups, conexão entre projetos, especialistas da saúde e investidores; ambiente hospitalar e/ou educacional para rodar o MVP; apoio em pesquisa aplicada e logística administrativa; apoio na construção de banco de dados; parecer técnico científico; e apoio na implementação do projeto.
Após a final, no South Summit Brazil em Porto Alegre, os 10 participantes desta etapa serão convidados a apresentarem seus projetos em uma feira de inovação para possíveis empresários e investidores, com foco em desenvolvimento e captação de recursos para seus projetos. As inscrições acontecem via aplicativo (APP) do Uni4Life, disponível nas lojas de aplicativos online, e vão de 1º de fevereiro de 2022 até 21 de fevereiro de 2022.
17/02/2022 – Bom dia Rio Grande - G1 – TV/ Globoplay
Link: https://globoplay.globo.com/v/10309780/
16/02/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/02/escolas-driblam-dificuldades-na-alfabetizacao-com-mascaras-transparentes-e-videos-saiba-como-a-familia-tambem-pode-ajudar-ckzq4pt5g004401887ph2eqv3.html
Escolas “driblam” dificuldades na alfabetização com máscaras transparentes e vídeos; saiba como a família também pode ajudar
Pode ser mais difícil aprender a ler e a escrever sem enxergar a boca dos professores
Não é só de desenhos de letrinhas que se faz a alfabetização de uma criança. O processo de ensinar a ler e a escrever, que é complexo e costuma levar três anos para ser concluído, tem sido ainda mais desafiador durante a pandemia. Primeiro devido à suspensão das aulas nas escolas, depois em virtude da restrição de recursos permitidos nas atividades remotas e, agora, por conta do uso de máscaras por parte de professores e alunos, o que impede que se enxergue o movimento da boca usado para articular as palavras. Docentes e instituições de ensino têm usado a criatividade para superar essas perdas.
No colégio La Salle Santo Antônio, bairro Santo Antônio, na Capital, o ano letivo de 2022 começou com a adoção de máscaras com transparência na região da boca por parte dos professores. Segundo o supervisor educacional da escola, Fávaro Lummertz, a instituição entendeu que a aquisição dessas máscaras era importante para amplificar a oralidade.
— Professores de Música, de Língua Inglesa e titulares do primeiro e do segundo ano do Ensino Fundamental usarão máscaras fechadas com transparência, para que os alunos possam fazer leitura labial. Vimos essa necessidade nas atividades que trabalhem a consciência fonológica — relata Lummertz.
O supervisor educacional observa que o resultado final do número de crianças que terminaram alfabetizadas em 2021 não teve diferença na comparação, por exemplo, com 2019. No entanto, destaca que as crianças ficam mais atentas e motivadas quando conseguem ler o lábio do professor.
— A parte mais importante do desenvolvimento da consciência fonológica é ouvir, mas, quando tu vês o estímulo da teatralização e o movimento da boca na hora de falar, isso chama a atenção para as próprias palavras — avalia.
No colégio João XXIII, bairro Santa Tereza, a professora Amanda Eccel Dorneles conta que enfrentou o desafio de alfabetizar nessas novas condições com a produção de vídeos e descrevendo os movimentos da boca e da língua para seus alunos. Para driblar o abafamento do som causado pela máscara, a docente também usava microfone. Quando as aulas aconteciam no pátio – a instituição conta com salas de aula completas em seu jardim – a educadora às vezes baixava um pouco a máscara, para demonstrar a articulação para as crianças.
— Para uma porcentagem pequena de alunos talvez tenha havido um pouco de impacto na alfabetização, mas, de modo geral, as crianças foram muito bem. Elas têm essa predisposição muito grande de superar dificuldades e deram um show nisso — analisa, ressaltando que foi mais desafiador lidar com as questões emocionais que os pequenos apresentaram durante a pandemia do que com a alfabetização em si.
O uso de plataformas digitais de leitura foi uma das estratégias usadas no Colégio Marista Rosário, bairro Independência. Na visão da coordenadora pedagógica dos Anos Iniciais da escola, Luiza Emmel, a visualização da boca é uma das possibilidades, mas existem outras, no processo de alfabetização.
— Usamos estratégias de reconhecimento fonológico através de rimas, imagens, palavras destacadas, buscando o desenvolvimento da oralidade de uma forma lúdica, mas com uma intencionalidade. Os professores foram incríveis: buscaram alternativas e hoje posso dizer que as crianças aprenderam muito bem — pontua Luiza.
Para evitar a retirada da máscara em sala de aula, os professores também gravavam vídeos e áudios para utilizar em sala de aula ou como tema de casa, com o som de palavras. Nas plataformas de leitura, as crianças podiam ouvir a história ou ler o livro em voz alta, gravar a leitura e enviar para apreciação da professora.
Na rede pública, mais desafios
Na rede pública, os recursos restritos de uma parte dos alunos dificultou ainda mais o processo de aprendizagem e demandou criatividade dos docentes. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dolores Alcaraz Caldas, bairro Restinga, a professora Letícia Staudt precisou lidar com um revezamento de alunos que impossibilitou que algumas famílias levassem seus filhos às aulas. Com isso, as turmas contavam com em torno de cinco a 10 estudantes presentes.
— O processo de alfabetização foi bem insatisfatório, insuficiente e até frustrante essa experiência, ainda mais com a máscara. É importante que, na alfabetização, a gente articule as palavras com as crianças, para mostrarmos os sons das letras, e isso, com a máscara, fica bastante prejudicado — lamenta Letícia.
Em meio a outros desafios, como adaptar as crianças ao uso da máscara e o cuidado com o distanciamento, a docente, no desespero para ensinar, às vezes colocava o face shield e baixava a máscara para articular as palavras.
— Me peguei baixando a máscara, sempre bem distante das crianças. Mas nunca permaneci sem máscara — explica.
No período de aulas remotas, no qual a escola enviava atividades por WhatsApp para os alunos fazerem em casa, muitas mães reclamaram para Letícia que não conseguiam tornar a alfabetização atraente para seus filhos e pediram que ela fizesse vídeos com o conteúdo. A professora fez, mas não gostou do resultado.
— Me virei nos 30 e fiz um canalzinho no YouTube com os vídeos. Para a minha surpresa, a audiência foi baixíssima. Embora elas pedissem, muitas não tinham Wi-Fi em casa e não conseguiam assistir — relata Letícia.
Com o retorno presencial, em agosto, um aspecto favorável da presença de poucos alunos em sala de aula foi a possibilidade de oferecer um ensino mais individualizado a cada criança. A docente fez atividades com alfabeto móvel, carimbos, letrinhas, tintas e material de contagem e conseguiu “dar aquela aula dos sonhos, que se aprende na faculdade e que em uma turma normal, de 25 alunos, fica difícil”. O resultado foi um fim de ano com crianças muito mais familiarizadas com o alfabeto, ainda que não totalmente alfabetizadas.
Fátima Hartmann, também professora da Dolores Alcaraz Caldas, considera que a aprendizagem do sistema de escrita alfabética depende da compreensão bem orientada das relações entre a oralidade e a escrita, o que acontece ao se visualizar o movimento da boca e ouvir com clareza os sons. Por isso, também adotou como estratégia a produção de vídeos. Ao contrário de Letícia, considera a experiência como proveitosa.
— São vídeos bem simples, usando nossos celulares, mostrando o movimento da boca e os sons de letras e fonemas. Aquilo que seria feito sem a máscara em sala de aula, se não houvesse pandemia. Isso contribui muito para o aprendizado das crianças e é uma boa alternativa, aliada às metodologias pedagógicas utilizadas em sala — recomenda Fátima.
No ano passado, como poucas crianças retornaram ao ensino presencial na escola, os vídeos eram reproduzidos nos grupos de WhatsApp das turmas. Para este ano, a ideia é utilizá-los em sala de aula.
Consciência dos sons
A dificuldade gerada pela máscara é no desenvolvimento da consciência fonoarticulatória – a posição dos órgãos da boca quando se fala uma palavra. Quando a criança está aprendendo a ler e a escrever, ela ainda não relaciona automaticamente, por exemplo, a letra “S” ao som que ela produz. Enxergar o som sendo emitido pelo professor ou por outros colegas auxilia na formação dessa consciência, como explica Rochele Paz Fonseca, neuropsicóloga pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e presidente da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia.
— A máscara cobre dois terços do nosso rosto. Com os professores usando máscara, as crianças perdem a pista fonoarticulatória, para que eles saibam a que som corresponde. O ideal seria usar essas máscaras com transparência, ou mostrar fotos da boca para cada som — analisa Rochele.
A docente defende que o melhor seria que as crianças não usassem máscaras, para que, pelo menos, treinem o aprendizado das palavras com seus colegas. Ela também destaca que a proteção, com o tempo, acaba grudando na boca e impedindo que o pequeno faça alguns sons. Mesmo assim, considera muito melhor abrir as escolas com o uso de máscara pelos alunos do que não abri-las.
A fonoaudióloga Letícia Pacheco Ribas, que é professora do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), conta que, ao contrário da linguagem oral, a leitura e a escrita não são habilidades inatas do ser humano e, por isso, necessitam de uma instrução formal. A língua portuguesa é um idioma cujas palavras costumam ter correspondência entre o fonema e o grafema (ou seja, o som e a escrita das palavras são semelhantes), o que facilita o aprendizado para a criança, mas, mesmo assim, há desafios na alfabetização.
— A diferença entre “F” e “V”, por exemplo, é muito pequena. A criança pode fazer confusões quando está no início da aprendizagem, especialmente com o uso da máscara, que deixa o som abafado — avalia a especialista.
Estratégias como o uso de microfones são importantes, de acordo com Letícia, porque ressaltam a voz, assim como o uso de máscaras com transparência. Ela acha, porém, que o pior já passou: o maior impacto foi no período sem aulas e com atividades remotas, que não permitia a frequência e a intensidade necessárias para se ensinar alguém a ler e a escrever.
Professora da área de Fonoaudiologia Educacional da UFCSPA, a fonoaudióloga Fabiana de Oliveira considera o uso de vídeos mais eficaz do que as máscaras com transparência, que podem embaçar com a respiração. A docente não considera, entretanto, que o uso da máscara chegue a retardar a alfabetização.
— O principal é que a criança escute o som e consiga demonstrar, através de outras formas, que aquele som corresponde àquela letra. O professor vai ter que articular bem, projetar melhor sua voz, talvez buscar outro tipo de recurso visual, o que gera uma demanda maior para o professor, mas é algo contornável — afirma Fabiana.
Como a família pode ajudar
A fonoaudióloga Fabiana ressalta que, como a família não precisa usar máscara quando está com a criança, pode ajudar fazendo os sons das letras, reforçando o movimento da boca com a criança e pedindo que ela repita. Colocar a leitura no dia a dia do pequeno também pode ser de grande serventia.
— Ajudar as crianças a lerem placas de trânsito e rótulos de alimentos pode fazer com que elas entendam a função social da leitura e da escrita no cotidiano, assim como fazer jogos pedagógicos e ler literatura infantil. Quanto mais leitoras as famílias são, mais isso contribui para alimentar na criança o desejo de ler — indica a fonoaudióloga.
Letícia recomenda o programa Conta pra Mim, da Polícia de Alfabetização do Ministério da Educação (MEC), como um recurso interessante para utilizar com as crianças. Lá, há vídeos com orientações sobre como colocar em prática atividades de literacia familiar e dezenas de audiobooks com historinhas infantis.
— Ao ler historinhas, você usa palavras que não costuma usar no dia a dia e isso aumenta o vocabulário da criança — explica a docente.
A neuropsicóloga Rochele traz duas dicas de aplicativos que podem auxiliar as famílias nesse processo: o EduEdu e o Grapho Game. Ambos podem ser instalados no celular ou no computador e trazem atividades de acompanhamento do desenvolvimento da criança, como jogos, músicas e textos.
— Atividades de leitura ajudam muito na alfabetização. Os pais têm que ler para seus filhos, para servirem de modelos da importância da leitura. O hábito da leitura nos pais aumenta em duas a três vezes a capacidade cerebral da criança em termos de linguagem e escrita, por exemplo — salienta Rochele.
16/02/2022 – G1 RS
Link:https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/02/16/sisu-medicina-na-ufcspa-tem-maior-nota-de-corte-parcial-entre-cursos-de-graduacao-no-rs.ghtml
Sisu: Medicina na UFCSPA tem maior nota de corte parcial entre cursos de graduação no RS
Além da Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre, FURG, UERGS, UFPEL, UFRGS, UFSM e UNIPAMPA oferecem vagas para este tipo de ingresso. Inscrições estão abertas até sexta (18).
As inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2022 vão até sexta-feira (18) na página oficial do programa. No Rio Grande do Sul, entre as sete universidades que oferecem esta opção de ingresso, o curso de Medicina na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) exige a maior nota de corte parcial: 806,3, até as 14h desta quarta (16).
Este é o ponto de corte mínimo para as 50 vagas de ampla concorrência. A nota de corte mais baixa, nesta modalidade, na UFCSPA, era 647,66 para um candidato com deficiência autodeclarado preto, pardo ou indígena, com renda familiar bruta per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo e que tenha cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas.
A classificação final será divulgada na próxima terça (22), às 23h. No estado, além da UFCSPA, oferecem acesso pelo Sistema as seguintes instituições:
FURG
UERGS
UFPEL
UFRGS
UFSM
UNIPAMPA
O processo leva em conta as notas dos candidatos no Enem 2021 para selecionar alunos que irão estudar em instituições públicas. Os critérios e as vagas, porém, variam conforme as instituições.
Confira abaixo as notas de corte mais altas das sete universidades:
(Ver no link)
15/02/2022 – G1 RS
Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/02/15/sisu-universidades-do-rs-usam-sistema-para-selecionar-alunos-veja-os-criterios.ghtml
Sisu: 7 universidades do RS usam sistema para selecionar alunos; veja os critérios
Inscrições estão abertas até sexta-feira (18). No estado, FURG, UERGS, UFCSPA, UFPEL, UFRGS, UFSM e UNIPAMPA oferecem vagas para este tipo de ingresso.
As inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2022 serão abertas nesta terça-feira (15), na página oficial do programa. No Rio Grande do Sul, são sete universidades que oferecem esta opção de ingresso:
FURG
UERGS
UFCSPA
UFPEL
UFRGS
UFSM
UNIPAMPA
O processo leva em conta as notas dos candidatos no Enem 2021 para selecionar alunos que irão estudar em instituições públicas. Os critérios e as vagas, porém, variam conforme as instituições.
Confira abaixo como proceder para ingressar em uma das sete universidades:
(Ver todas no link acima)
UFCSPA - UNIVERSIDADE FEDERAL DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE PORTO ALEGRE
A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) não considera pesos diferentes entre as provas do Enem para a classificação. O candidato, porém, deve obter no mínimo 500 pontos em cada uma das provas para se classificar para os cursos da universidade.
O selecionado deve realizar a matrícula ou seu registro acadêmico, na chamada regular, no período de 23 de fevereiro a 8 de março. Para participar da lista de espera, o candidato deve manifestar o interesse por meio da página do Sisu na internet até as 23 horas e 59 minutos do dia 8 de março de 2022.
Para mais informações, confira o site da UFCSPA.
14/02/2022 – Estadão (Estadão Verifica)
Link: https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/reforco-natural-vacinas-agua-fria-jejum-oleos-plantas/
“Para desencorajar vacinação contra a covid-19, texto viral defende ‘reforço natural’ da imunidade com informações enganosas
Especialistas apontam que alimentação saudável e atividade física contribuem para a saúde, mas não substituem vacina e outros cuidados na pandemia; lista ainda traz recomendações genéricas e sem base científica
Grupos negacionistas estão espalhando uma lista no WhatsApp e no Facebook com supostas orientações para crianças e adultos “reforçarem naturalmente o sistema imunológico” dentro de poucos dias e semanas. Parte dos assuntos abordados realmente pode ser útil para a saúde em geral, como uma alimentação balanceada e a prática de atividade física, enquanto outros carecem de evidências científicas — a exemplo de banhos de água fria, consumo de extratos de plantas e jejum.
A ideia da mensagem é desencorajar a vacinação contra a covid-19 e as medidas de prevenção como uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento social, que ajudam a reduzir o risco de contágio pelo novo coronavírus. As pessoas que receberam as doses da vacina, por exemplo, são chamadas enganosamente de “cobaias” na peça de desinformação. Especialistas consultados pelo Estadão alertam que nenhum “reforço natural” deve substituir a imunização, que é a melhor forma de montar defesas contra o vírus.
As vacinas tiveram a eficácia e a segurança comprovadas em uma série de estudos rigorosos, com milhares de voluntários. Os dados depois foram referendados por autoridades de saúde nacionais e internacionais e publicados em revistas médicas. Esse termo, assim como o argumento de que as vacinas seriam “experimentais” ou “picadas”, faz parte de um vocabulário próprio de grupos antivacina para confundir a população.
A campanha de imunização ainda passa por um monitoramento constante de eventos adversos, sendo que mais de 90% das notificações relacionadas aos imunizantes são de caráter leve a moderado, como dor no braço e sintomas semelhantes a uma gripe, segundo dados do Ministério da Saúde encaminhados ao projeto Comprova. O risco de óbito por covid-19 é cerca de 56 vezes maior do que a chance de ter um evento adverso grave pós-vacinação, conforme levantamento do governo federal feito entre janeiro e outubro do ano passado.
O fato de as vacinas terem sido desenvolvidas em “tempo recorde”, da mesma forma, não deve ser motivo de desconfiança. Como mostrou o Estadão Verifica anteriormente, o processo seguiu as mesmas regras exigidas para outros medicamentos. A agilidade na disponibilização das vacinas contra a covid-19 se deve ao conhecimento prévio que se tinha a respeito de outros coronavírus, ao aproveitamento de pesquisas de tecnologia em imunizantes, ao ambiente acelerado de testes e aos investimentos pesados de empresas e governos, entre outros fatores.
‘Reforço natural’ não deve substituir vacina
Em relação à lista apresentada na corrente de WhatsApp, parte das recomendações realmente faz sentido, enquanto outras carecem de embasamento científico. De qualquer forma, especialistas deixam claro que nenhum “reforço natural” deve substituir a vacinação e outras medidas de prevenção simplesmente porque é arriscado confiar apenas no seu histórico de saúde para se proteger contra a covid-19.
“Nenhum cientista vai dizer para você não reforçar naturalmente as defesas, mas apenas isso não é suficiente”, declarou a imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino. “É claro que cuidar da massa corporal, das vitaminas, alimentar-se e dormir bem é importante. Só que o patógeno é especializado em infectar o hospedeiro, em tentar driblar a defesa, por mais que seja uma pessoa saudável.”
Há casos graves documentados até mesmo entre atletas. Pessoas que seguem essa cartilha, portanto, não estão totalmente livres de contrair a doença ou de ter complicações e sequelas. Dessa forma, Bonorino reforça que não faz sentido esperar por uma contaminação pelo vírus, pois seria o mesmo que “brincar com a sorte”.
Guilherme Werneck, professor do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que as vacinas oferecem uma proteção específica contra o vírus, o que não é possível de se adquirir com nenhum dos outros itens mencionados na lista. “Ter uma alimentação saudável e fazer atividade física faz bem para a saúde, mas não gera uma imunidade específica. A vacina é a melhor oportunidade para montar essas defesas.”
Analisando a lista
O Estadão Verifica pediu um parecer dos especialistas a respeito da lista que circula nas redes sociais. Parte dos itens conta com o apoio da comunidade médica, como a adoção de uma dieta saudável, rica em frutas e legumes e com menos alimentos industrializados, e a prática regular de exercícios físicos. Ambos contribuem para evitar fatores de risco para a covid-19, como obesidade, hipertensão e diabetes.
Outros trechos do conteúdo, por outro lado, carecem de evidências científicas e não fazem parte das orientações gerais de entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS). A mensagem defende, por exemplo, a adoção de jejum intermitente, banhos de água fria, consumo de extratos de plantas como equinácea e astrágalo e de “óleos essenciais antivirais”, além de sugerir uma suplementação de vitaminas e minerais.
Alguns estudos apontam que o jejum intermitente — em que a pessoa alterna períodos de alimentação regular com outros sem consumir nada — pode trazer benefícios, mas essa estratégia não é consenso. Médicos alertam que a prática pode trazer riscos para a saúde em alguns casos, principalmente quando feita sem orientação profissional. O prazo de “três dias” para fortalecer o sistema imunológico não é realista.
Sobre o banho de água fria, a história parece derivar de um estudo de 1995, encontrado pela AFP Checamos, que verificou um conteúdo semelhante. A pesquisa sugere uma tendência de aumento dos linfócitos T, uma célula do sistema imunológico, em indivíduos que se submeteram a imersões em água gelada durante seis semanas. Porém esse estudo é limitado e não prova que a técnica funcionaria em relação à covid-19 ou outras doenças.
O post defende ainda, sem maiores detalhes, o consumo das plantas equinácia, astrágalo, sabugueiro, rosa canina e artemísia “em suas formas concentradas e corretas”, além de “óleos essenciais antivirais”. O problema é que, novamente, faltam estudos atestando que a prática funciona para prevenir alguma enfermidade.
Guilherme Werneck, da UFRJ, lembra que muitos produtos naturais apresentam atividade antiviral em estudos iniciais de laboratório e que existe uma área da medicina que constantemente investiga os compostos para prospectar novos medicamentos. Mas, por outro lado, há uma distância considerável até a descoberta de um remédio.
“Esses extratos vegetais contam com milhares de moléculas. Para saber exatamente como pode ajudar, precisa fazer estudo químico, quebrar o extrato e estudar cada molécula separadamente”, acrescenta Cristina Bonorino, da UFCSPA. Em janeiro, o Estadão Verifica checou uma mensagem que também confundia o medicamento Tamiflu com a fonte do princípio ativo, ignorando todos os processos envolvidos.
A corrente de WhatsApp também engana ao defender uma dosagem alta das vitaminas C e D e de zinco, selênio e magnésio, incentivando a compra de suplementos pela população. Os dois especialistas consultados pelo Estadão Verifica alertam que esse tipo de recomendação não pode ser feita de modo genérico e exige acompanhamento médico.
“Existem níveis de referência (para essas substâncias), que é o nível normal esperado em uma pessoa saudável. O certo é ter esses nutrientes na quantidade correta, nem de mais e nem de menos. Esse monitoramento deve ser feito com o médico de família, para depois repor com a alimentação ou com o uso de um suplemento”, orienta Bonorino.
“É perigoso falar genericamente”, adverte Werneck. “Alguns componentes, quando em excesso, acumulam no corpo e outros são expelidos. Essas recomendações precisam ser muito bem pensadas, levando em conta a realidade de cada pessoa e investigando até que ponto ela precisa.” O médico destaca ainda que há risco de efeitos colaterais a serem avaliados.
Por fim, a mensagem fala sobre cuidados com a saúde mental. Essa é uma preocupação expressa pela OMS ainda em março de 2020, por conta da possibilidade de aumento na incidência de doenças como ansiedade e depressão, que podem ser agravadas com o isolamento e com o próprio cenário epidemiológico entre profissionais de saúde e a população em geral. Assim como nos casos anteriores, esse tipo de cuidado não torna dispensável a vacinação e outras medidas de prevenção.
Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.
Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas: apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.”
14/02/2022 – Jornal do Comércio
Link:https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cadernos/empresas_e_negocios/2022/02/833168-casa-de-apoio-madre-ana-acolhe-familias-de-pacientes-da-santa-casa.html
Casa de Apoio Madre Ana acolhe famílias de pacientes da Santa Casa
Durante o tratamento de crianças, muitas famílias saem do interior do Rio Grande do Sul e de outros estados para serem tratadas na Santa Casa de Misericórdia - contudo, muitas têm dificuldades em encontrar um lugar para ficar. Visando dar um acolhimento humanizado a essas famílias, a Santa Casa construiu a Casa de Apoio Madre Ana. Os hóspedes, além da moradia, têm direito a cinco refeições diárias, acesso a cozinha e ao refeitório, material de higiene e a brinquedoteca, sendo este o local favorito dos pequenos.
O objetivo é aumentar as chances de cura dos pacientes e, para isso, a casa oferece apoio pedagógico, psicológico e assistencial em um momento no qual o paciente e a família estão muito fragilizados. A Gruta Gruta Nossa Senhora de Lourdes e a Capela Sagrado Coração de Jesus são espaços de acolhimento espiritual e oferecem missas e atividades religiosas abertas à comunidade. Aliás, o nome que a casa carrega é em homenagem à primeira enfermeira da Santa Casa, que trouxe a congregação das Irmãs Franciscanas para o Brasil.
A instituição também recebe, de terça a quinta-feira, uma iniciativa de alunos da Universidade Federal de Ciências da Saúde (Ufcspa), no qual eles fazem contação de história para as crianças. Outro projeto também na Casa de Apoio é o "Mão Criativas", voltado para o ensinamento de artesanato para adultos. Atualmente, eles contam com 13 funcionários e 80 leitos, inclusive, estão ocorrendo obras no 4º andar do prédio para expansão de 20 leitos
A Biblioteca Jardim das Letras conta com um catálogo de mais de sete mil livros à disposição de todos os hóspedes da Casa de Apoio Madre Ana. O espaço foi uma iniciativa liderada pela jornalista Tânia Carvalho, que fez uma grande campanha de arrecadação de livros. Junto a ela, a bibliotecária Graça Lubisco Leães ficou responsável pela catalogação e organização de todos os livros. A Biblioteca conta, ainda, com o apoio de um grupo de voluntárias da Santa Casa.
O perfil dos pacientes que chegam na Casa de Apoio é de vulnerabilidade social. A maioria dos casos são de crianças com doenças cardíacas, com necessidade de transplante ou com câncer. Desde a sua inauguração, mais de 3,5 mil hóspedes passaram pelo espaço, sendo 60% provenientes de fora do Rio Grande do Sul.
Nesse sentido, o serviço social do Hospital Santo Antônio que faz essa ligação de identificar a questão social desses pacientes e encaminhar para a Casa de Apoio. "Eles vem pra cá, fazem a consulta, muitos deles fazem hemodiálise, né? Então tem o tempo da hemodiálise até encontrar o órgão compatível para essa criança, eles ficam aqui na casa então sendo acolhidos", comenta Juliana Airoldi, supervisora da instituição.
A pandemia está sendo um momento de muitos cuidados para a Casa de Apoio. Os acolhidos contam com a ajuda do Controle de Infecção da Santa que demanda os protocolos a serem seguidos pela instituição. Nos últimos tempos, as oficinas de artesanato são feitas com distanciamento e o cuidado com álcool em gel e máscara. E, dependendo do aumento de casos, todas as atividades são suspensas e as crianças têm que ficar mais reclusas. "E aí a gente tem aquela reclamação de que as crianças têm que ficar no quarto, mas infelizmente é pelo bem maior delas. Então às vezes ele tem que comer no quarto dependendo da situação", revela Juliana.
Em maio, a Casa de Apoio Madre Ana completará seis anos e, para manter-se funcionando, eles sobrevivem exclusivamente através de doações. Em média, são necessários R$ 65 mil por mês para oferecer moradia, alimentação, material de limpeza e de higiene para todos os hóspedes.
Para doar dinheiro, basta acessar o site https://amigos.santacasa.org.br/areas-de-apoio/doe-acolhimento-casa-de-apoio-madre-ana, podendo escolher doar uma vez ou mensalmente. Ou pelo Pix: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Outra forma de contribuição é diretamente no setor Financeiro/Tesouraria da Santa Casa, no endereço: Rua Prof. Annes Dias, 295 (De segunda a quinta, das 9h às 11h e das 14h às 16h. Sextas-feiras, das 9h às 12h e das 14h às 16h). Doações diretas para esta causa não podem ser abatidas no Imposto de Renda.
Também é possível ajudar a Casa de Apoio com doações de alimentos não-perecíveis, produtos de higiene e limpeza, mobiliário e eletrodomésticos, livros, roupas, calçados e acessórios para Doações podem ser entregues diretamente na portaria da Casa, de segunda a sexta, das 8h às 18h e aos sábados e domingos, das 8h ao meio-dia e das 13h às 18h: Rua Vigário José Inácio, 741 (em frente ao hotel Embaixador), no Centro-Histórico. O local conta com garagem.
12/02/2022 – Sul 21
Link: https://sul21.com.br/noticias/saude/coronavirus/2022/02/a-pandemia-nao-acabou-protocolos-de-seguranca-sanitaria-sao-fundamentais-para-combater-o-coronavirus/
A pandemia não acabou: protocolos de segurança sanitária são fundamentais para combater o coronavírus
Ao podcast da ADUFRGS-Sindical, a bióloga molecular Ana Beatriz Gorini da Veiga fez um alerta sobre a importância da continuidade de cuidados de prevenção e combate ao coronavírus
Em entrevista ao podcast da ADUFRGS-Sindical, sindicato que representa professores de Instituições Federais de Ensino Superior do Rio Grande Do Sul, a bióloga molecular Ana Beatriz Gorini da Veiga fez um alerta à comunidade acadêmica e à população em geral sobre a continuidade dos cuidados de prevenção e combate ao coronavírus, que implicam na vacinação, uso de máscara e álcool gel, distanciamento social e ambientes arejados.
Ana, que também é professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), realiza um estudo que trata de epidemiologia molecular do coronavírus SARS-CoV-2 no Rio Grande do Sul. Em março de 2020, Ana afirmou em uma aula pública promovida pela ADUFRGS-Sindical que “Não é a primeira e nem será a última epidemia”. Hoje médicos e cientistas alertam que a explosão de casos da variante Ômicron pode deflagrar um novo cenário com aumento de internações e de contaminados.
Confira os principais trechos da entrevista:
É correto afirmar que as variantes impactam diretamente na necessidade de realização de constantes estudos e pesquisas?
Ana Veiga: Há bastante tempo eu trabalho com infecções respiratórias virais fazendo um estudo de epidemiologia molecular de vírus respiratórios circulantes no Rio Grande do Sul em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-RS). A vigilância epidemiológica mostra agora, vinculada a esses estudos genômicos e moleculares, o surgimento de variantes virais. Isso não apenas para o coronavírus, mas outros vírus respiratórios, principalmente os vírus de RNA como Influenza e outros que constantemente sofrem mutações em uma taxa bastante alta.
Se o patógeno conseguir driblar o sistema imune do hospedeiro, aquela mutação vai estabilizar no genoma do patógeno. Isso é algo que acontece naturalmente. Portanto, é imprescindível essa vigilância constante, tanto do ponto de vista de atenção em saúde como no desenvolvimento de pesquisas. Na medida que sabemos como o vírus evolui fica mais fácil para propormos vacinas e antivirais para combater essas infecções.
A boa notícia é que os cientistas já comprovaram que a vacinação diminui bastante o risco desses desdobramentos. Há uma correlação direta com o número de vacinados e a possibilidade do surgimento de novas variantes do vírus?
Ana Veiga: Sem dúvidas. Para os vírus sofrerem essas mutações eles precisam se replicar, ou seja, infectar uma pessoa. No momento que eu não estiver vacinada, a chance de eu transmitir o vírus para outra pessoa é muito maior. A vacina não evita que uma pessoa seja infectada, mas protege contra um quadro clínico mais grave. Podemos, inclusive, estarmos infectados e não termos sintomas. A imunização reduz o risco de transmissão do vírus. Mas pode acontecer de estarmos vacinados, infectados e ainda transmitir o vírus.
Mesmo vacinados, se tivermos qualquer sintoma ou resultado positivo é necessário ficar em isolamento. Com a maioria da população vacinada, essa transmissão de uma pessoa para outra reduz muito, a circulação do vírus diminui e o surgimento de novas variantes também. O grande problema está nas pessoas antivacina que motivam a circulação do vírus e o surgimento de novas variantes.
Qual sua posição sobre a redução do período de quarentena?
Ana Veiga: A medida de reduzir o período de quarentena para 5 dias é um pouco arriscada, mas acho que foi uma tentativa de equilibrar os fatores que envolvem viver em sociedade. Isso não significa que depois de 5 ou 6 dias a pessoa ainda não esteja transmitindo o vírus. O indivíduo que estiver com sintomas pode sim transmitir o vírus até 7 ou 10 dias. Isso varia muito se a pessoa está vacinada ou não, se apresenta sintomas, se já tinha sintomas antes de testar positivo, ou se positivou mas estava assintomática, por exemplo.
A vacinação ajuda, mas o número de casos de Covid provocados pela Ômicron é muito maior do que nas ondas anteriores. Ainda é imprescindível que sigamos sem aglomerar e isso reflete na volta às aulas?
Ana Veiga: A variante Ômicron transmite mais facilmente porque afeta principalmente as vias aéreas superiores. Apesar de não ser tão severa do ponto de vista clínico, porque não afeta tanto os pulmões, é mais transmissível. Nas primeiras semanas de janeiro ultrapassamos patamares que tínhamos alcançado o ano passado com números exorbitantes de casos de contaminação e de óbitos. Existem hoje infecções em pessoas de várias faixas etárias, inclusive pacientes pediátricos.
As instituições federais de ensino superior estão retomando as atividades presenciais seguindo um calendário próprio definido pelas comissões de prevenção e enfrentamento à Covid-19. Como isso tem acontecido na UFCSPA?
Ana Veiga: Desde o início da pandemia, em 2020, a UFCSPA realiza reuniões diárias do nosso COE e as reuniões mensais do Consun onde são discutidos os protocolos de segurança sanitária e o retorno de algumas atividades práticas. Alguns cursos como Medicina e Enfermagem estão com atividades presenciais nos hospitais e postos de saúde desde o início de 2021.
A UFCSPA promoveu várias ações durante a pandemia como a fabricação de álcool gel, EPIs e a realização de testes para dar suporte a toda a vigilância epidemiológica do Estado e no desenvolvimento de projetos de pesquisa. Ao contrário do que muitas pessoas pensam que os universitários não tiveram aula durante a pandemia e ficaram em casa sem fazer nada e o professores e servidores públicos das universidades estiveram parados, todos nós trabalhamos muito no formato virtual e muitas pessoas atuaram diretamente nas ações de enfrentamento de forma prática e presencial. O ensino virtual nos exige o momento com o aluno e o preparo das aulas de forma duplicada e atendimento individual aos alunos por email, whatsapp, além de demandas administrativas, orientações aos alunos do mestrado, doutorado e iniciação científica.
Atualmente, estamos discutindo o retorno às aulas presenciais na UFCSPA e acompanhamos o perfil de vacinação dos nossos acadêmicos. Para retomarmos as atividades presenciais, precisamos avaliar a saúde de todos. Em abril de 2022, iniciamos o primeiro semestre de 2022 e já teremos aulas práticas presenciais. Algumas aulas teóricas serão presenciais gradativamente.
O retorno parcial das atividades presenciais tem sido uma logística muito difícil. Respeito, coleguismo e empatia tem sido fundamentais desde o início da pandemia.
Professora, na sua opinião o passaporte vacinal é importante nas atividades presenciais?
Ana Veiga: Sim, principalmente em uma universidade que as pessoas trabalham diretamente com saúde. A vacinação é a melhor forma de evitarmos a transmissão viral. Não podemos entrar no clima dos grupos antivacina. O programa de vacinação no Brasil é modelo para o mundo inteiro. O Plano Nacional de Imunização, PNI, é referência para vários países, inclusive os mais desenvolvidos.
Quais são as perspectivas daqui para frente em relação à pandemia de Covid-19?
Ana Veiga: Nesses dois anos de pandemia tivemos altos e baixos. No atual cenário, algumas pessoas acham que não há mais pandemia e relaxam no cuidado com os protocolos de segurança sanitária. Uso de máscara, higienização de mãos, manter o distanciamento social e evitar aglomerações são medidas comprovadamente eficazes para reduzir os riscos de contaminação. Temos visto jovens e adultos aglomerando-se em festas em ambientes fechados e poucos ventilados, sem usarem máscara, poucos se vacinam e isso colabora com o aumento das contaminações.
Tudo isso vai passar! Mas tudo depende como cada um de nós vai contribuir para cessar essa corrente de transmissão do vírus. Portanto, a vacinação e os cuidados sanitários são fundamentais para que parem de surgir essas novas variantes. Vai chegar um momento que o vírus vai se estabilizar. O genoma do vírus vai seguir evoluindo de forma lenta. Ao invés de cada mês surgir uma nova variante, vai ser a cada um ou dois anos, como é o caso da Influenza.
Confira a íntegra da entrevista no podcast da ADUFRGS-Sindical, que foi ao ar nesta sexta-feira (11)
11/02/2022 – ASSUFRGS
Link: https://www.assufrgs.org.br/2022/02/11/conselho-universitario-da-ufcspa-aprova-a-exigencia-do-passaporte-vacinal-para-o-retorno-presencial-das-atividades/
Conselho Universitário da UFCSPA aprova a exigência do passaporte vacinal para o retorno presencial das atividades
O Conselho Universitário da UFCSPA aprovou nesta quinta-feira, 10, a exigência de passaporte vacinal, a partir da Fase 5 do Programa de Retomada Presencial Progressivo, para as atividades presenciais realizadas no campus da instituição. A decisão foi votada na primeira sessão ordinária do Consun em 2022 sob a condução da reitora Lucia Pellanda e vice-reitora Jenifer Saffi.
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), desde novembro de 2021, exige de servidores, estudantes, trabalhadores terceirizados, estagiários e comunidade externa a apresentação do passaporte vacinal para acessar os espaços físicos do IFRS.
Medidas como essa reduzem o risco de infecção e também de transmissão do coronavírus entre pessoas vacinadas, sendo uma ação institucional para a proteção da coletividade. Os números da pandemia no Brasil demonstram o impacto positivo do avanço da vacinação e comprovam que o efeito de vacinar-se extrapola o nível individual.
Nas Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a exigência do passaporte vacinal já foi aprovada pelo CONSUN, entretanto, o reitor Carlos André Bulhões, segue do lado da ideologia negacionista e antivacina do governo federal e argumenta que não há lei federal que condicione esse retorno à apresentação do documento que comprova a vacinação contra a covid-19.
07/02/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/02/rs-tem-melhora-em-indicadores-da-pandemia-mas-cenario-ainda-e-incerto-ckzd72g6d0097015pmdbavkst.html
RS tem melhora em indicadores da pandemia, mas cenário ainda é incerto
Como ainda não há queda consistente, não é possível prever se os próximos movimentos serão de alta ou baixa
Os principais indicadores de análise da pandemia confirmam, neste início de semana, a perda de velocidade da variante Ômicron no Rio Grande do Sul, com melhora nas curvas de novos casos e de internações pela doença. O cenário, contudo, é considerado incerto entre estudiosos que monitoram a pandemia, visto que ainda não há queda consistente nos indicadores.
A média móvel de casos oscila há dez dias em patamar elevado, mas sem bater novos recordes. O último pico, com média de 17.686,4 novos casos, foi registrado em 28 de janeiro. Nesta segunda-feira (7), foram registrados mais 4.690 casos. Assim, a média móvel é de 15.206,6 novos casos por dia.
O cálculo de média móvel é usado por especialistas e governos para avaliar o comportamento dos novos casos e mortes confirmados diariamente, visto que em alguns dias da semana há mais inclusões de dados no sistema do que em outros.
CASOS DE COVID-19 NO RS (ÚLTIMOS QUATRO MESES)
[Veja o gráfico no link acima.]
Internações clínicas têm semana de estabilidade
Por apresentar expressiva subnotificação e atrasos de lançamento, o indicador de casos é considerado parcialmente confiável para avaliar, em tempo real, a pandemia. Assim, os estudiosos recorrem a outros dados, entre os quais os números de pacientes com covid-19 em leitos clínicos e em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais.
Nas internações em leitos clínicos, os dados mostram melhora na comparação com as semanas anteriores. Na semana retrasada, o número de pessoas internadas nesses leitos havia subido 79,3%. Na semana passada, cresceu 23,2%. Nos últimos sete dias, esse número não apenas deixou de crescer como apresentou leve redução, de 1,8% – o que é considerado estabilidade por especialistas.
INTERNADOS COVID-19 EM LEITOS CLÍNICOS RS (ÚLTIMOS QUATRO MESES)
[Veja o gráfico no link acima.]
— Tem vários indicadores diferentes que mostram que parece que estabilizou. Mas estabilizar não quer dizer que depois vai descer. Não quer dizer que porque chegou em um platô vai descer depois. Depois de estabilizar pode voltar a subir. A gente precisa de mais de tempo para ter certeza — avalia Lucia Pellanda, epidemiologista e reitora da UFCSPA.
Nas UTIs, a melhora também é perceptível, porém, mais discreta. Na semana retrasada, o número de pessoas internadas nesses leitos de alta complexidade havia subido 52,4%. Na semana passada, cresceu 23,4%. Nos últimos sete dias, o total de internados em UTIs subiu menos: 11,6 %.
INTERNADOS COM COVID-19 EM UTIS NO RS (ÚLTIMOS QUATRO MESES)
[Veja o gráfico no link acima.]
O indicador de mortes é sempre o último a refletir qualquer mudança de comportamento na pandemia. Por este motivo, diante do atual momento de incerteza, o coordenador da Rede Análise Covid-19, Isaac Schwartzhaupt, diz que espera uma queda nas mortes para confirmar uma mudança consistente de comportamento da Ômicron no Rio Grande do Sul.
— Eu considero que vemos atualmente uma desaceleração. Penso que é desaceleração até que vejamos essa melhora refletida em uma queda de óbitos — diz o cientista de dados.
Nesta segunda-feira, foram registrados mais dez óbitos pela doença no Estado. Com essa atualização, a média atual é de 44,6 mortes por dia por covid-19.
MORTES POR COVID-19 NO RS (ÚLTIMOS QUATRO MESES)
[Veja o gráfico no link acima.]
06/02/2022 – O Globo
Link: https://oglobo.globo.com/saude/a-omicron-nao-mata-sozinha-paises-encaram-erros-acertos-25381672
A Ômicron não mata sozinha: países encaram erros e acertos
Baixa cobertura vacinal das doses de reforço e sistema de saúde deficitário são hoje os principais causadores dos óbitos por Covid-19
SÃO PAULO — Após o tsunami de casos provocados pela variante Ômicron em boa parte do planeta, alguns países enfrentam agora elevadas taxas de mortes diárias — embora não sejam equiparáveis aos óbitos provocados pela Delta ou Gama. As vacinas certamente são as principais responsáveis por evitar uma tragédia maior, mas há outros acertos (e problemas) que fazem a diferença, como a adesão às medidas não farmacológicas, um sistema de saúde forte, a faixa etária da população, o timing da vacinação e, principalmente, a dose de reforço.
Neste sábado, o Brasil atingiu o maior número de mortes por Covid desde agosto de 2021, com aumento de casos.
Uma vacinação robusta, com alta adesão ao reforço, é a receita de sucesso do Chile e da Alemanha, que conseguiram, até o momento, manter baixas taxas de mortalidade pela Ômicron. Os EUA seguem caminho oposto. Apesar da abundante oferta de vacinas, só 63% foram vacinados com as duas doses, graças à enorme desigualdade na adesão à imunização. No estado do Alabama, por exemplo, apenas 49% estão totalmente vacinados. Há condados no estado de Montana em que só 17% se vacinaram. Além disso, 43% dos americanos com 65 anos ou mais não receberam dose de reforço.
Os exemplos mais emblemáticos
[Gráfico no link acima]
EUA
O problema: Baixa vacinação total provocada por uma enorme desigualdade na adesão. No Alabama, por exemplo, só 49% estão totalmente vacinados. Há condados em Montana em que só 17% se vacinaram.
Rússia
O problema: Baixíssima cobertura das duas primeiras doses e do reforço. O número de óbitos só não é maior porque o país tem problemas graves com subnotificações
Peru
O problema: pela cobertura vacinal, o número de mortes poderia ser menor. Mas o sistema de saúde do país é ruim. São apenas 29 leitos de UTI por milhão de pessoas – no Brasil são 206
Itália
O problema: Com 168,7 idosos a cada 100 jovens, a Itália é o segundo país no mundo com o maior número de pessoas acima dos 65 anos. As taxas de reforço, antes baixa entre eles, cresceram há poucos dias, quando o governo a tornou obrigatória nessa faixa etária. Os números ainda refletem a realidade anterior
Alemanha
Receita do sucesso: o baixo número de óbitos é atribuído à receita infalível: bom número de imunização do primeiro ciclo vacinal e, sobretudo, à boa taxa de reforço
Chile
Receita do sucesso: o país se configura como um dos melhores exemplos de imunização contra a Covid-19, tanto nas duas primeiras doses, quanto no reforço
Japão
Receita do sucesso: Como se vê, o país tem uma taxa de reforço baixíssima, o que poderia levar a um número alto de óbitos. O que segura as mortes são as medidas de segurança adotadas em massa pela população, em especial, ao uso de máscaras
Emirados Árabes Unidos
Receita do sucesso: eles têm uma cobertura vacinal considerada ideal pelos especialistas. O número de mortes só ainda não é menor pela taxa de reforço abaixo de 50%
Fatores
Para a epidemiologista e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lucia Pellanda, a vacinação é fundamental, mas sozinha, não soluciona a pandemia:
— O que faz um país ter mais ou menos mortes hoje pela Covid é uma interação de muitos fatores: é preciso considerar, além da vacina, a questão social, a subnotificação, o sistema de saúde, a adesão da população às medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras. Na Europa estavam confiando só na vacinação e sabemos que ela é importante para reduzir morte e internação, mas sozinha não corta a transmissão. Não existe solução mágica, é paciência e cuidado. De acordo com Pellanda, os especialistas alertaram, ainda em dezembro, sobre a questão da curva exponencial que mostrava a velocidade com que o vírus estava chegando às pessoas.
—Muitos governos diziam ‘não está acontecendo nada’ e quando começa a acontecer já é tarde. A Covid era uma doença mais grave em março de 2020, mas tinha menos gente contaminada. Se há uma explosão de casos, mesmo o risco sendo dez vezes menor, se tiver dez vezes mais gente contaminada uma coisa equilibra a outra. Por isso, para mim, o principal é a adesão às medidas não farmacológicas.
Exemplos opostos mostram o que a epidemiologista diz. A população vacinada no Japão é de 79% e da Argentina 76%. Os vizinhos deram mais doses de reforço: a cada 100 pessoas, 29 argentinos receberam a terceira dose, contra apenas 4 japoneses. Ainda assim, o país asiático conta 0,3 mortes por milhão contra 5,6 no país latino. Uma das hipóteses para justificar essa diferença está na adesão às medidas de proteção.
No Japão, o uso de máscara é um velho costume, espontaneamente adotado para qualquer sintoma respiratório, além do rigor da adoção e cumprimento das medidas de controle. A Argentina liberou o uso de máscara em ambientes abertos em outubro e não voltou atrás na decisão nem quando o número de casos explodiu. A Ômicron chegou ao país no meio das férias de verão, com muitas viagens, reuniões, além de praias e festas lotadas.
Pedro Hallal, epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas, destaca ainda outro fator que faz a diferença na comparação entre os países: o timing da vacinação.
— Descobrimos ao longo da pandemia que a imunidade, tanto a gerada pela infecção quanto pela vacina, têm prazo de validade. Se você olhar um país que vacinou há mais tempo e está mal na dose de reforço, vai ter mortalidade alta. Se pegar um que vacinou mais recentemente, a mortalidade vai ser mais baixa porque a população está com a imunidade lá em cima — explica.
Em agosto do ano passado, Itália e Grécia já tinham cerca de 50% das suas populações completamente vacinadas. Os dois países estão entre os cinco com maior proporção de idosos no planeta, segundo o Euromonitor International. E, como os programas de imunização começam por idosos, é de se esperar que no final do ano essas populações já estivessem com a imunidade em baixa.
Não à toa, ambos os países adotaram, em janeiro, multas para pessoas acima dos 50 ou 60 anos que não estivessem com esquema vacinal completo, ou seja, com a dose de reforço em dia. A Itália começou o ano com 32,6% das pessoas com a terceira dose. Com a lei, alcançou 56% em fevereiro. Infelizmente, para muitos a Ômicron pode ter chegado antes do reforço.
A dose de reforço se mostrou crucial no combate à nova variante. Levantamento britânico mostrou que seis meses após a segunda dose, a proteção contra a morte causada pela Ômicron foi de cerca de 60% nas pessoas com mais de 50 anos. Após o reforço, passou para 95%.
O Brasil tem visto a média de mortes crescer a patamares semelhantes a agosto do ano passado e tem 3 mortes por milhão de habitantes. Embora tenha boa cobertura vacinal, a dose de reforço segue baixa (22,8 a cada 100 pessoas) e as medidas não farmacológicas já não tem a mesma adesão.
Subnotificação
As populações de países pobres, com muita informalidade no mercado de trabalho, problemas educacionais e sistemas de saúde precários, certamente enfrentam mais obstáculos, mas olhando os dados isso não aparece tão claramente porque não há muita testagem, a notificação é ruim e as mortes nem sempre são investigadas.
Quando a pandemia começou, o Peru, para se ter uma ideia, tinha 2,9 leitos de UTI por 100 mil habitantes — contra 20,6 no Brasil, por exemplo. O país, já teve, desde março de 2020, seis ministros da Saúde, enquanto mais de 70% da população trabalha no mercado informal. Esse cenário ajuda a explicar as 6,9 mortes diárias (por milhão de habitantes) que enfrenta hoje (no Brasil são 3).
No entanto, nações com economias muito mais pobres não apresentam o mesmo número de mortes. A professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel, que tem pós-doutorado em epidemiologia pela Universidade Johns Hopkins, explica:
— Países com melhor sistema de saúde e informação vão ter mais casos e mortes porque tudo é investigado. A subnotificação nos países mais pobres é enorme. Se o sistema de saúde não é fortalecido, há pouca vigilância, testes, protocolos e muitas mortes não notificadas. A maior parte da África, por exemplo, é um mistério, enquanto a Europa tem muitas mortes.
O maior exemplo de subnotificação talvez seja a Índia, que no ano passado impressionou o mundo com cremações em massa. Estudo publicado na revista Science no dia 6 de janeiro, quando o país alegava ter 483 mil mortes provocadas pela Covid, indica que 3 milhões de pessoas morreram da doença no país — mais de seis vezes mais do que o governo contabiliza. Enquanto isso, apenas 51% dos indianos estão totalmente vacinados.
02/02/2022 – G1 RS
Link: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/02/02/termina-nesta-terca-as-inscricoes-para-curso-gratuito-de-pre-vestibular.ghtml
Terminam nesta quarta as inscrições para curso gratuito de pré-vestibular em Porto Alegre
Cursos pré-vestibular administrados por alunos da UFRGS e UFCSPA oferecem oportunidade de preparação para processos seletivos de ingresso ao ensino superior. Saiba como participar.
O EducaMed, curso pré-vestibular administrado por alunos da UFRGS e UFCSPA, oferece a estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica oportunidade de preparação para processos seletivos de ingresso ao ensino superior. As inscrições terminam nesta quarta (2) e podem ser realizadas neste link.
O cursinho destina-se a vestibulandos de todas as áreas e é inteiramente gratuito. As aulas iniciam em 7 de março e se estendem até novembro de 2022. As atividades serão ministradas online, através do site de conferências da UFRGS e outras plataformas, por graduandos de diversos cursos no turno noturno das 18h30 às 22h.
Os materiais (gravação das aulas e materiais complementares) serão disponibilizados em diferentes plataformas para acesso, seja para revisão dos conteúdos ou para o caso de falta de conexão com a internet no horário de aula.
Ao todo, são oferecidas 65 vagas, distribuídas prioritariamente entre candidatos com renda de até um salário mínimo per capita. Podem se inscrever estudantes que preencham algum dos seguintes perfis: candidatos autodeclarados negros, pardos e indígenas, que tenham estudado todo o ensino médio em escola pública ou em escola particular e que comprovem baixa renda (25 vagas); candidatos que tenham cursado integralmente o ensino médio em escola pública ou em escolas privadas e que comprovem baixa renda (25 vagas); candidatos transexuais e transgêneros (5 vagas); candidatos refugiados, solicitantes de refúgio ou incapazes de apresentar documentação comprobatória de renda (10 vagas).
Mais informações estão disponíveis no edital de seleção. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e na página do Educamed no Facebook.






