31/01/2022 – Matinal Jornalismo
Link: https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/educacao/ufcspa-realiza-curso-cidade-luz-uma-historia-cultural-de-paris/
“UFCSPA realiza curso “Cidade-Luz: uma História Cultural de Paris”
Ocurso Cidade-Luz: uma História Cultural de Paris abre a programação do Núcleo Cultural da UFCSPA em 2022. Ministrado pelo professor de Literatura Francesa da universidade Rodrigo de Lemos, doutor em Literaturas Francesa e Francófonas, o curso aberto ao público será realizado de 14 a 17 de fevereiro. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site da universidade pelo Sistema Único de Registro (SIUR-UFCSPA).
O curso irá introduzir o público a noções históricas, culturais, artísticas, científicas, literárias e intelectuais fundamentais à compreensão da cultura ocidental por meio do percurso de Paris, como cidade das artes e das ideias.
Serão abordados também aspectos da geografia urbana e da língua francesa. “Paris é hoje uma cidade-mundo que se beneficia de uma história de alguns séculos como capital intelectual, científica e artística da Europa. Retomaremos aspectos desse percurso, a partir do século das luzes até o século XX”, destaca Rodrigo de Lemos.”
28/01/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/especialistas-esclarecem-trechos-da-bula-da-vacina-da-pfizer-para-criancas-ckyyox3wa005w0188u66f6v9h.html
Especialistas esclarecem trechos da bula da vacina da Pfizer para crianças
Reportagem consultou profissionais de diferentes áreas da saúde para explicar dados que têm gerado discussão
GZH consultou especialistas de diferentes áreas da saúde para esclarecer trechos da bula do imunizante da Pfizer/BioNTech para crianças que estão causando dúvidas, especialmente em debates nas redes sociais. Em alguns casos, as informações copiadas do documento original, disponível na internet, estão corretas, mas o que falta, na opinião de especialistas como o médico infectologista Claudio Stadnik, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, é dizer que a bula de praticamente todo medicamento ou vacina precisa listar, obrigatoriamente, todos os problemas possíveis:
— A bula tem que prever tudo que possa acontecer de errado, mesmo que nunca aconteça. Geralmente, a bula é um exagero. Isso faz parte da ciência, pensar em todos os pontos. Não quer dizer que não tem estudo. Tem estudo muito bem-feito com a vacina contra a covid-19, dizendo que ela é altamente eficaz e segura.
No Brasil, a resolução 47/2009 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu duas versões de bulas de medicamentos: para pacientes e para profissionais de saúde. Acompanham os produtos comprados nas farmácias as bulas para pacientes, com um texto reduzido e mais acessível para o público em geral. Esses documentos, que precisam de aprovação da Anvisa, são resumos de dossiês com milhares de páginas.
A mensagem mais importante é: quando um medicamento ou vacina é aprovado para utilização da população, estão asseguradas a eficácia e a segurança dentro das condições previstas pelo fabricante. Não existe droga isenta de efeitos adversos, em diferentes níveis de frequência de ocorrência (de comuns a raríssimos). Na equação riscos versus benefícios, o bem que pode proporcionar é muito superior a eventuais males, reforçam os especialistas.
O farmacêutico Cabral Pavei, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), aponta que nunca houve debate mundial tão grande sobre um produto farmacêutico. É bem-vindo o interesse da sociedade em relação a dados tão importantes, mas é delicado indicar que todos devem se deter em uma análise detalhada.
— Essas informações são pertinentes sempre, mas dependem do nível de interpretação de cada um. Quem quiser ler a bula antes de levar seu filho para ser vacinado e tiver dúvidas deve acionar o pediatra. Busque uma, duas, três opiniões, mas, em hipótese alguma, deixe de vaciná-lo — orienta Pavei.
Efeitos adversos da dipirona e do paracetamol, por exemplo, amplamente comercializados no Brasil, também constam das bulas. A dipirona é proibida em diversos países devido ao risco de agranulocitose, redução expressiva dos glóbulos brancos (ou leucócitos, que integram o sistema de defesas do corpo). A farmacovigilância nacional monitora a utilização do remédio, cujos benefícios, como o baixo custo e a resposta expressiva em quadros febris, ainda possibilitam a utilização, segundo Pavei. Quanto ao paracetamol, pode provocar lesão hepática (no fígado): o consumo a partir de quatro gramas por dia já é arriscado.
Os trechos comentados, a seguir, foram extraídos da versão da bula da vacina da Pfizer destinada a profissionais de saúde (pode ser acessada na íntegra neste link). Já a bula para os pacientes está neste link.
Genotoxicidade/Carcinogenicidade
"Não foram realizados estudos de genotoxicidade nem de carcinogenicidade."
Na sequência imediata, a descrição deste item informa: "Não se espera que os componentes da vacina (lípidos e mRNA) tenham potencial genotóxico". Infectologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e professor da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Claudio Stadnik resume: não foram realizados estudos de genotoxicidade nem de carcinogenicidade porque não eram pré-requisitos obrigatórios neste caso. Além disso, não eram esperadas alterações pelo fato de a vacina se utilizar da plataforma do RNA mensageiro (mRNA).
— Nosso código genético é feito de DNA, que fabrica RNA, que coordena a fabricação das proteínas. A vacina é de RNA, ela não altera o nosso DNA, não tem capacidade de se unir ao nosso DNA. A carcinogênese é a formação do câncer, que está ligada ao DNA. Não tem como dar câncer — detalha o médico.
Pedro Giavina Bianchi, médico imunologista e alergista, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Grupo de Trabalho Covid-19 da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), explica que a genotoxicidade se refere a alteração, lesão no DNA.
— Isso só vai ser evidenciado com o passar do tempo, nem tem como fazer esse tipo de teste antes. Não houve tempo. Seriam necessários muitos anos. Tem que esperar essas células se multiplicarem durante muitos anos, às vezes, para identificar. Um remédio que uma pessoa usa uma vez não vai dar nada — afirma o imunologista, que completa:
— Mas não se espera que haja alteração: apesar de ser material genético, RNA, não é o que compõe as nossas células. Quem as compõe é o DNA. RNA é um derivado do DNA, do qual nossas células se utilizam para se comunicar e mandar mensagens. Nosso DNA fica fechadinho no núcleo da célula — completa Bianchi.
Stadnik acrescenta:
— Como os genes são feitos de DNA, não tem como o RNA entrar lá. Estamos em contato com vírus que têm DNA, como o da catapora, mas o coronavírus é RNA, não se integra à nossa célula.
Há tratamentos capazes de afetar o DNA, como a radiação emitida na radioterapia para o câncer — ainda assim, os benefícios suplantam os possíveis malefícios.
Hipersensibilidade e anafilaxia
"Foram notificados eventos de anafilaxia."
É real, verdadeiro, admite Stadnik. Qualquer remédio ou vacina pode provocar anafilaxia (reação alérgica grave que pode inclusive obstruir as vias aéreas pelo inchaço da glote), até potencialmente fatal, mas são eventos raríssimos. Uma reação anafilática — passível de ser desencadeada a partir da ingestão de remédios amplamente utilizados pela população, como novalgina ou aspirina, por exemplo — é tratável.
Quando um paciente procura um serviço de saúde, costuma responder ao questionamento sobre alergias a medicamentos. É uma forma de se fazer triagem, identificando quem tem maior risco mediante a administração desta ou daquela droga.
— O risco de anafilaxia é, de longe, muito menor do que morrer de covid — comenta Bianchi.
Fertilidade
"Não se sabe se Comirnaty (nome da vacina produzida pelos laboratórios Pfizer e BioNTech) tem impacto na fertilidade."
Conforme a bula, "os estudos com animais não indicam efeitos prejudiciais, diretos ou indiretos, no que diz respeito à fertilidade feminina ou toxicidade reprodutiva". Todo medicamento passa por esse tipo de avaliação no decorrer dos anos. Mais uma vez, é necessário tempo, neste aspecto, para saber se há qualquer interferência.
— Não se tem como saber se a pessoa ficou infértil uma semana depois. Então, na bula, eles têm que dizer isso para qualquer medicamento que não tenha anos de estudos em relação à fertilidade. Não mexendo no nosso DNA e nas nossas células progenitoras, porque não tem lógica, esperamos que não interfira. Mas não se sabe, então tem que dizer. Teremos que aguardar alguns anos, mas esperamos que não (inferfira) porque não tem lógica biológica para ter esse tipo de alteração — ressalta o infectologista Stadnik.
Bianchi, docente da USP, argumenta na mesma linha:
— É a mesma história do DNA. Nossas células de reprodução, óvulo e espermatozoide, têm DNA, que passa para os filhos. Como a vacina não altera o DNA, não altera nada dos órgãos sexuais. Pelo mecanismo com que ela age, não teria por que acontecer isso.
Miocardite e pericardite
"Casos muito raros de miocardite e pericardite foram relatados após vacinação com Comirnaty."
"Normalmente, os casos ocorreram com mais frequência em homens mais jovens e após a segunda dose da vacina e em até 14 dias após a vacinação. Geralmente, são casos leves, e os indivíduos tendem a se recuperar dentro de um curto período de tempo após o tratamento padrão e repouso. Os profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais e sintomas de miocardite e pericardite em vacinados", lê-se na bula.
Também são possibilidades reais, afirmam os especialistas consultados. Entretanto, como mostram estudos científicos, o risco para essas ocorrências é muito superior em decorrência da covid-19 do que pela aplicação do imunizante. Quando acontece a partir da vacina, a evolução dos casos é boa, na maior parte dos casos.
Mais uma vez, o que está em jogo é a superioridade dos benefícios frente aos riscos impostos por uma doença de origem infectocontagiosa que alarma o planeta há quase dois anos. As vacinas reduziram drasticamente a mortalidade e os casos graves de covid-19, incluída aí a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), associada ao sars-cov-2.
— É infinitamente mais frequente qualquer alteração pela covid do que a manifestação desse tipo de problema relacionado à vacina. E não é uma novidade em relação às vacinas. Praticamente todas as vacinas (para qualquer doença) tiveram casos de miocardite e pericardite associados — diz Bianchi, da Asbai.
Indivíduos imunocomprometidos
"A eficácia, a segurança e a imunogenicidade da vacina não foram avaliadas em indivíduos imunocomprometidos, incluindo aqueles recebendo tratamento imunossupressor. A eficácia de Comirnaty pode ser inferior em indivíduos imunocomprometidos."
Pessoas imunocomprometidas são aquelas que apresentam deficiências no sistema imunológico. A imunogenicidade é a capacidade de uma substância provocar uma resposta dessas defesas do organismo, criando anticorpos e proteção.
— Esperamos que a resposta seja menor nos pacientes imunocomprometidos e estamos usando até mais vacina (quarta dose) neles. O organismo desses pacientes não consegue estimular as defesas da mesma forma que um organismo normal — esclarece o infectologista Claudio Stadnik.
28/01/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/e-preciso-refazer-teste-de-covid-apos-resultado-positivo-infectologistas-sao-contrarios-entenda-ckyxnsdoe00dc015pkqb57yty.html
É preciso refazer teste de covid após resultado positivo? Infectologistas são contrários; entenda
Para especialistas, respeitar tempo de isolamento é o mais importante
Enquanto nações europeias começam a suspender restrições contra a covid-19, mesmo com a variante Ômicron em circulação, no Brasil, além de o país alcançar o marco de 70% da população com esquema vacinal em duas doses, ainda restam dúvidas sobre a quantidade de testes a serem realizados após o paciente positivar para a doença.
GZH ouviu três infectologistas que foram unânimes em ressaltar: indivíduos que testaram positivo para covid-19 não necessitam repetir o exame após o período indicado de isolamento, independentemente do tipo de teste realizado. Eles afirmam que o resultado pode ficar positivo por muitos dias após a infecção, especialmente se foram testados com RT-PCR, pela alta sensibilidade do teste.
— O RT-PCR vê material genético e ampliará qualquer parte do vírus que estiver na mucosa nasal. Como a mucosa nasal leva até três meses para que haja renovação completa das células, se houver um resquício de material genético de algum vírus, mesmo que morto, o teste RT-PCR ainda poderá identificar e positivar por um período de três meses — explica Andrea Dal Bó, médica infectologista no Hospital Virvi Ramos, em Caxias do Sul, e membro da Sociedade Sul-Riograndense de Infectologia (SRIG).
Andrea lembra de um estudo realizado na Holanda para avaliar se um novo RT-PCR positivo significava vírus ativo ou não. O estudo mostrou que, após o período de dez dias, não havia mais vírus viável. Algumas pessoas permaneciam com RT-PCR positivo, mas não com um vírus ativo. Até por isso, destaca Andrea, não há a indicação de ficar repetindo RT-PCR para retorno ao trabalho nem para ver se tem uma infecção ativa ou não.
O presidente da Sociedade Rio-grandense de Infectologia, Alessandro Pasqualotto, que também é professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), aponta que não é recomendado repetir o teste de RT-PCR nos 90 dias que se sucedem à infecção. O vírus, frisa Pasqualotto, começa a ser transmitido cerca de dois dias antes do início dos sintomas e a transmissão segue de três a cinco dias. Por isso, as estratégias mais recentes encurtaram o período de isolamento para sete dias, para pessoas vacinadas e que estejam sem sintomas.
A infectologista Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), indica que, se a pessoa se mantiver assintomática, deve permanecer em isolamento por dez dias e não precisa repetir o teste:
— Em algumas situações, admite-se sair do isolamento no D7 (sétimo dia), também sem realizar testes, mas mantendo a máscara N95 até D10 (décimo dia). E até o D10 esta pessoa não deve viajar, frequentar ambientes fechados e ter contato com idosos e imunossuprimidos. O dia da coleta do exame que veio positivo é considerado o dia zero — reforça Stucchi.
Andrea Dal Bó acrescenta que estamos vivendo um momento de escassez de testes. Então, completa a médica, é importante que estes testes, antígeno e RT-PCR, sejam usados de forma racional e direcionada às pessoas sintomáticas.
— Particularmente, não sou favorável ao uso de testes para o retorno ao trabalho. Ao menos que sejam profissões que exijam um retorno mais rápido, como profissionais da saúde e da segurança pública. Nestas situações, vejo que existe local para retestagem. Mas não deve ser otimizado de uma forma ampla para retorno ao trabalho — finaliza Andrea.
27/01/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/vacinar-e-preciso-afirma-presidente-da-sociedade-rio-grandense-de-infectologia-ckyx5mzyt004r015p7k689ewn.html
Vacinar é preciso, afirma presidente da Sociedade Rio-Grandense de Infectologia
Especialista tranquiliza população quanto à tecnologia das vacinas contra covid-19, quanto ao conteúdo de suas bulas e ao receio que alguns ainda possam ter na imunização de crianças
Por Alessandro C. Pasqualotto
Professor da UFCSPA, presidente da Sociedade Rio-grandense de Infectologia
O progresso da humanidade é indissociável do avanço das vacinações. Lembremos da triste poliomielite, onde uma em cada 200 infecções levava, antes da vacina, a paralisias irreversíveis. A varíola, doença hoje erradicada, era uma importante causa de adoecimento e morte. Alguém tem conhecidos com meningite meningocócica ou formas graves de sarampo?
Mérito das vacinas. Recentemente, a gripe causada pelo vírus H1N1 aterrorizou o mundo e desapareceu por efeito da imunização. Para a covid-19, isto não foi diferente: a introdução das vacinas teve um efeito dramático na epidemiologia da doença, o que foi visível mesmo aos olhos dos mais céticos.
Se hoje ainda convivemos com a covid-19 é porque não vacinamos toda a população. Sendo a vacinação um ato de proteção coletivo, estratégias que visem ampliar a cobertura vacinal, incluindo a vacinação de crianças, têm sido amplamente defendidas pela comunidade científica.
Mas alguém pode se perguntar: por que vacinar crianças, se elas adoecem tão pouco? De fato, crianças adoecem muito menos do que adultos. Mas aquelas que adoecem podem sofrer muito com a infecção. Lembremos da síndrome inflamatória multissistêmica, uma doença causada pela covid-19 em que diferentes partes do corpo da criança podem se inflamar, incluindo o coração, os pulmões, os rins, a pele e o cérebro. Raro, mas é impossível predizer sua ocorrência. Mais ainda, notemos que mais de 300 crianças com idades entre cinco e 11 anos já morreram de covid-19 no Brasil. Assim, esta não é necessariamente uma doença banal na população pediátrica. Considerando-se que o país tem cerca de 20 milhões de pessoas nessa faixa etária, a vacinação desses grupos pode ter importante papel na redução da circulação viral na comunidade, dando mais segurança às famílias e às escolas. Uma vez que o calendário vacinal infantil brasileiro inclui ao menos 18 vacinas para as redes pública e privada, por que temer o acréscimo da imunização para covid-19, justamente em um momento de aceleração da epidemia?
Alguns temem pela segurança das vacinas em crianças, pois a tecnologia se baseou em RNA mensageiro (mRNA), algo novo em medicina. Argumentam que as vacinas foram desenvolvidas de modo muito rápido e temem por reações adversas graves, incluindo mutações no DNA humano. É evidente que não se dispõe de estudos de longo prazo, uma vez que a epidemia é muito recente, mas consideremos que nenhum novo medicamento em medicina é observado por décadas para, então, ser introduzido na prática assistencial. Nos estudos clínicos em crianças, bem como em adultos, as vacinas de mRNA foram tão seguras quanto placebo, tendo ocorrido apenas discreta dor e inflamação no local da injeção. Até aqui, nada surpreendente. Quanto ao potencial mutagênico das vacinas, lembro do dogma central da biologia: moléculas de DNA transcrevem RNA, que então se traduzem em proteínas. Se a vacina é baseada em RNA, sua função é produzir uma proteína que seja reconhecida pelo sistema imune. Em outras palavras, vacina de RNA não causa mutação no DNA. Na realidade, as tecnologias de mRNA são revolucionárias na medicina, sendo empregadas, de modo crescente, em doenças importantes para a saúde pública, como colesterol alto e câncer.
A tecnologia das vacinas de mRNA permite também que possamos escalonar a produção industrial, produzindo grande quantidade de imunizantes em pequeno período de tempo; diferentemente das vacinas convencionais com vírus inativado, cujo processamento é realmente muito mais lento.
Há também aqueles que criticam as vacinas com base em suas bulas, nas quais os fabricantes parecem se eximir de qualquer responsabilidade sobre eventos adversos que eventualmente possam ocorrer. Vocês já pararam para ler a bula dos medicamentos? São todas assim. Sabiam que a aspirina pode levar a choque anafilático ou a sangramento letal? Que o paracetamol pode levar a insuficiência hepática, enquanto medicamentos para o colesterol podem lesar os músculos e causar insuficiência dos rins?
Minha sugestão: parem de ler tantas bulas e confiem mais em seus médicos. Especialmente aqueles que estejam atualizados e em sintonia com as recomendações de importantes sociedades da área de vacinas, como as Sociedades Brasileiras de Infectologia, Pediatria e Imunizações. Vacinemos em massa nossa população, pois esta é nossa grande arma de defesa contra a covid-19.
26/01/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2022/01/por-conta-propria-universidades-federais-implementam-testes-e-passaporte-vacinal-para-retomada-presencial-ckyvyivbi006h018871n0ap0y.html
Por conta própria, universidades federais implementam testes e passaporte vacinal para retomada presencial
UFRGS, UFSM e UFCSPA são as únicas instituições que ainda não decidiram se exigirão comprovante de vacina
Com a retomada das aulas presenciais nas próximas semanas e o receio de surtos de covid-19, a maior parte das universidades federais do Rio Grande do Sul exigirá passaporte vacinal e oferecerá testagem grátis a funcionários e alunos da graduação e pós-graduação que estiverem em atividades presenciais.
Poderão realizar exame RT-PCR apenas estudantes e funcionários que frequentarem a instituição e que estiverem com sintomas de coronavírus ou que tiverem entrado em contato com caso positivo. Não será ofertado teste a quem estiver apenas em ensino remoto. No geral, o serviço será para quem tiver disciplinas práticas ou para trabalhadores.
A possibilidade de testes não é exigência das autoridades, mas um serviço a mais que instituições oferecerão para evitar surtos cancelamento de aulas. Não há verba do Ministério da Educação (MEC) para a medida, e a aplicação em massa, por livre-demanda, esbarra nos cortes orçamentários operados pelo governo federal. No Exterior, universidades oferecem testes a alunos na entrada do campus.
A exigência de comprovante de vacinação não é consensual. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, proibiu a requisição, sob o argumento de que a medida deve estar em lei. No entanto, em 31 de dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski derrubou o despacho do MEC e alegou que universidades têm autonomia para a medida.
UNIVERSIDADES FEDERAIS DO RS ADOTAM POSTURAS DISTINTAS PARA TESTAGEM E PASSAPORTE VACINAL
Maioria das instituições exigirá esquema vacinal completo
[Ver tabela no link acima]
Questionada se exigirá passaporte vacinal, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) informou que o Conselho Universitário tornou obrigatória a exigência, mas que a última portaria do reitor, Carlos André Bulhões, traz entendimento contrário. O gabinete do reitor encaminhou a questão à Procuradoria da universidade (representante dos interesses do governo federal), que até o momento não se manifestou.
Para o retorno às aulas presenciais em 7 de fevereiro, a UFRGS oferecerá testes a funcionários e alunos que apresentarem sintomas ou entrarem em contato com caso confirmado de covid-19, medida iniciada em novembro, diz Ilma Brum, diretora do Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS).
O indivíduo precisa frequentar presencialmente a universidade. A instituição chegou a testar a comunidade acadêmica em atividades presenciais independentemente de ter sintomas, entre janeiro e novembro de 2021, mas restringiu a oferta a sintomáticos e contactantes. No ano passado, foram 6.308 testes – 127, positivos.
Em meio a cortes orçamentários que dificultam o funcionamento das universidades, o custeio para os testes vem da própria UFRGS, mediante recursos da Reitoria ou dos convênios do ICBS, que processa exames PCR para o Sistema Único de Saúde Porto Alegre e outras instituições.
— Essa testagem nos dá segurança, não tivemos nenhuma ocorrência de surto na universidade. Quando teve positivo, rastreamos e isolamos. Mas o governo não nos dá nada para este fim. É difícil, como estamos em trabalho remoto, temos o trabalho de muitos voluntários — afirma Ilma Brum.
A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) analisa a possibilidade de implementar o passaporte vacinal para frequentar a instituição, mas a reitora, Lucia Pellanda, destaca que a comunidade acadêmica é formada por profissionais e estudantes da área da saúde, cuja adesão à vacina é maciça.
A UFCSPA testa desde o início da pandemia funcionários e estudantes em atividades presenciais com sintomas ou que tenham tido contato com uma pessoa positiva para coronavírus. Os exames são analisados na Santa Casa, por meio de um acordo. A testagem em massa é um desejo, mas não há verba suficiente, explica a reitora. Uma possível saída em andamento é a possibilidade de acordo com a Universidade Federal do ABC (UFABC), que criou um teste rápido de baixíssimo custo com tecnologia RT-PCR (leia mais ao fim do texto).
— Testamos todos que estavam no presencial em 2020, mas chegamos à conclusão de que o custo do rastreamento para a comunidade acadêmica inteira seria inviável. Desde março de 2020, temos programa de telemonitoramento, que telefona para a pessoa, seja servidor ou aluno, e orienta para o teste PCR, se for indicado. O que estamos vendo é se esse exame da UFABC será possível. O teste deles é de R$ 20, faz toda a diferença — diz Pellanda.
A Universidade Federal de Rio Grande (Furg), cujas aulas terminam em fevereiro e serão retomadas em abril, exige passaporte vacinal desde o fim do ano passado. A instituição estuda a oferta de testes, mas esbarra no estrangulamento financeiro. O exame criado pela UFABC também é visto como opção.
— Estamos com orçamento muito enxuto, então, a questão orçamentária é limitação para fazer testagem em massa. É uma demanda da comunidade, é justo, mas infelizmente temos limitações. O autoteste, se for aprovado, pode mudar esse cenário. Se a gente tivesse recurso (federal) específico para isso, seria muito bom. Mas acaba tendo que sair do recurso da universidade, que para este ano é insuficiente — diz o reitor da Furg, Danilo Giroldo.
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) não tem política de testagem aos frequentadores, mas o campus em Palmeira das Missões inovou ao realizar rastreamento, em janeiro, dos funcionários e alunos que retomaram aulas práticas presenciais, independentemente de sintomas.
Entre 150 alunos e servidores que fizeram PCR, 25 tiveram resultado positivo. Chamou a atenção que apenas cinco tinham sintomas – os outros 20 com covid eram assintomáticos. A ação é financiada com a verba paga por prefeituras da região com as quais a UFSM tem convênio para analisar exames dos moradores.
— Propusemos esse projeto de extensão de testagem para o retorno ser o mais seguro possível — explica a microbiologista e professora Terimar Ruoso Moresco, coordenadora do projeto UFSM-Detecta, responsável pelos exames.
A vice-reitora da UFSM, Martha Adaime, explica que o Comitê de Operações de Emergência (COE) é favorável à cobrança do passaporte vacinal, mas que a procuradoria jurídica da instituição se posicionou contra. O MEC, cita a vice-reitora, não regulamentou o ensino híbrido para 2022. Há insegurança sobre a possibilidade de um aluno não vacinado processar a universidade se rodar por falta após ser impedido de acessar as aulas.
— As procuradorias jurídicas das federais não chegam a um consenso, algumas são a favor e outras, contra. O MEC lançou aquele despacho dizendo que não podia exigir passaporte e que caiu através de uma liminar. É um assunto controverso — diz Adaime.
A Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) informam que não possuem testagem própria de estudantes e servidores, mas que exigirão comprovante de vacinação.
— Vamos avaliar a viabilidade (de um programa de testagem). São por volta de 12 mil alunos. Para fazer uma testagem efetiva, precisaria testar ao menos uma vez por semana, como jogador de futebol. O custo disso é incrível, as universidades estão enfrentando corte de orçamento, é uma situação bem complicada. E o próprio insumo está quase indisponível no mercado — afirma o biólogo Jeferson Franco, coordenador do projeto de diagnóstico molecular da Covid-19 da Unipampa São Gabriel.
GZH questionou na terça-feira (25) o MEC se há planos para incentivar universidades federais a testarem alunos e servidores e se recorrerá da decisão do STF que permite a exigência do passaporte vacinal, mas não obteve retorno até a tarde desta quarta (26).
Entenda o teste da universidade paulista avaliado pela UFCSPA e pela Furg
A UFABC, em São Paulo, desenvolveu, em parceria com a Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), um RT-PCR que coloca um cotonete na boca do indivíduo, em vez de no nariz, ao custo de apenas R$ 20 - no mercado tradicional, um exame com as mesmas características custaria entre R$ 75 e R$ 80, segundo a universidade.
A instituição afirmou a GZH que “o grau de precisão e confiabilidade do teste é alto, por isso a chance de um ‘falso positivo’ é quase nula” e que todos os insumos são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
— Caso houvesse condições de promover parcerias com laboratórios especializados e garantir mais recursos operacionais, esse modelo de testagem poderia ser ampliado e aplicado em diversas outras esferas da sociedade, inclusive em escolas de ensino infantil, devido à técnica simplificada e indolor de coleta de amostra — afirmou a professora Márcia Sperança, coordenadora do estudo que desenvolveu o exame, em comunicado da instituição.
25/01/2022 – Jornal do Almoço / Globoplay / RBS TV
Link: https://globoplay.globo.com/v/10239938/?s=0s
Psicóloga fala sobre os efeitos do calor na saúde mental
Joana Narvaez é professora de psicologia da UFCSPA e falou sobre o assunto.
25/01/2022 – GZH e Diário Gaúcho
Link GZH: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/escalada-de-novos-casos-e-caracteristicas-da-omicron-indicam-que-contagio-nunca-foi-tao-alto-ckytdd1iv009z015pqh2ijvsx.html
Link DG: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2022/01/escalada-de-novos-casos-e-caracteristicas-da-omicron-indicam-que-contagio-nunca-foi-tao-alto-23231991.html
Escalada de novos casos e características da Ômicron indicam que contágio nunca foi tão alto
Alta transmissão da variante faz com que Estado tenha atingido nas últimas semanas o maior número de infectados da pandemia
As estatísticas confirmam a impressão empírica: nunca foi tão fácil pegar coronavírus como agora. A última semana registrou recordes de novos casos no Rio Grande do Sul – nesta segunda-feira (24), a média móvel foi de 15,5 mil novos casos diários, mais do que o dobro do registrado em março de 2021, quando o sistema hospitalar colapsou.
Em dois dias de janeiro, o Rio Grande do Sul notificou mais de 20 mil casos em um único dia, de acordo com estatísticas da Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS). O Brasil, atualmente, registra uma média de quase 150 mil casos diários, também um recorde. O aumento ocorre com a escalada da variante Ômicron, já predominante no país.
— Nunca foi tão fácil pegar covid. E, quanto mais transmite, mais chance há de novas variantes. A gente precisa passar um recado muito claro: neste momento, temos que utilizar máscaras de boa qualidade, não aglomerar e vacinar. Se a cobertura de duas doses está muito boa nas capitais, cidades do Norte têm menos de 40% de cobertura de duas doses. Deveríamos ter um Ministério da Saúde pensando em mutirões de vacinação e em estimular a terceira dose e a vacinação das crianças. Nada disso está sendo feito — diz a médica Rosana Onocko, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
EVOLUÇÃO DA MÉDIA MÓVEL DE NOVOS CASOS
A última semana registrou recordes de novos casos no RS - a média móvel desta segunda-feira representa mais do que o dobro do registrado em março
(Ver gráfico no link acima)
A proporção de casos positivos entre todos os exames feitos não pode ser calculada com precisão no Brasil porque inexiste banco de dados com exames realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em laboratórios privados, destaca o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise.
Estatísticas da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) mostram que, nos laboratórios privados, mais de 36% de todos os exames feitos até a metade de janeiro deram positivo - no pior momento da covid-19, em março, eram 26%. No Rio Grande do Sul, a proporção é semelhante, apesar de gaúchos terem realizado mais testes agora do que em março (veja os gráficos).
— Sempre tivemos uma testagem reativa: a pessoa é que busca o teste, não há teste preventivo para descobrir e isolar o vírus. Isso significa que temos prevalência do vírus muito maior do que os dados mostram. É muito provável que os números oficiais sejam uma parte pequena dos casos. É 10% do total? 50% do total? Não sabemos — diz Schrarstzhaupt.
PROPORÇÃO DE RESULTADOS POSITIVOS ENTRE TESTES FEITOS NUNCA FOI TÃO ALTA QUANTO AGORA
Dados mostram taxa de positividade em laboratórios privados
(Ver gráfico no link acima)
GZH mostrou que o Brasil testa, proporcionalmente, menos do que países africanos como Namíbia e África do Sul. Em outras nações, testes gratuitos podem ser realizados sem consulta médica em locais de grande circulação ou até mesmo após pedido pelos Correios.
Em discussão hoje no Brasil, os autotestes, comprados na farmácia ou supermercado para realização em casa, são utilizados na Europa, na América do Norte e entre vizinhos sul-americanos, como Chile, Peru e Argentina.
Maior transmissibilidade
Estudos mostram que a Ômicron transmite mais porque se reproduz no trato respiratório superior. Terimar Ruoso Moresco, professora de Microbiologia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), lembra que a Ômicron é passada para até 12 pessoas. É uma taxa de transmissão parecida com a do sarampo, de 15. A variante de Wuhan transmitia para duas a três pessoas e Delta, para seis.
— O percentual de pessoas contaminadas será muito grande. Pensa: 20 mil pessoas contaminadas por dia no nosso Estado, sem considerar subnotificação. Imagina quem não se testou e quem está assintomático? — afirma Moresco.
O impacto da baixa testagem é descrito em uma situação vivida na UFSM, descreve a microbiologista. A instituição passou a testar alunos e servidores que retornam ao presencial, independentemente de apresentarem sintomas.
— Para nossa surpresa, tivemos uma positividade bem alta e inesperada de estudantes assintomáticos. Eles inclusive se surpreendiam. A testagem é fundamental, você testa, isola e garante que o trabalho siga — acrescenta Moresco.
O crescimento vertiginoso de casos deve acabar entre o fim de janeiro e a segunda metade de fevereiro, período para o qual especialistas aguardam o pico da Ômicron no Brasil, se a curva se comportar da mesma forma como ocorreu em outros países. Ao mesmo tempo, temem que o Carnaval provoque novo repique de casos.
O diretor do escritório da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Europa, Hans Kluge, afirmou ser “plausível” que, após a onda de coronavírus causada pela Ômicron, a pandemia acabe na região.
— Assim que a onda da Ômicron se acalmar, haverá imunidade por algumas semanas e meses, seja graças à vacina ou porque as pessoas terão sido imunizadas pela infecção, e também uma queda devido à sazonalidade — declarou.
Hipótese do fim da pandemia
A hipótese de que a Ômicron é o início do fim da pandemia está em debate na ciência, como mostrou GZH. Parcela dos cientistas afirma que a variante é a dominante em diversos países – portanto, uma vez que infecte grande parte da população, a doença perderá força. Mas outros analistas afirmam que a covid-19 costuma gerar mutações que permitem a reinfecção.
— Essa visão da OMS é otimista, mas não temos certeza. E se tivermos nova variante que escape das vacinas? Para subscrever essa visão mais otimista, precisaríamos ver grandes mutirões de vacinação em países africanos e latino-americanos com cobertura baixa — destaca Rosana Onocko, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.
A mesma visão é compartilhada por Cristina Bonorino, professora de Imunologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e colunista de GZH:
— Essa declaração da OMS só é possível em que tu tenha pelo menos 50% das pessoas vacinadas. Não é possível controlar a pandemia sem vacinação. A vacina não funciona impedindo que a pessoa contraia o vírus. Ela funciona reduzindo a replicação do vírus no corpo e, dessa maneira, diminuindo a chance de transmitir a outra pessoa — destaca.
Dados parciais de vacinação apontam que o Brasil tem 69,7% de toda a população com duas doses.
21/01/2022 – G1 BA
Link: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2022/01/21/justica-na-bahia-suspende-exigencia-de-vacinacao-contra-a-covid-19-para-policial-militar-exercer-funcao.ghtml
Justiça na Bahia suspende exigência de vacinação contra a Covid-19 para policial militar exercer função
Em nota, Governo da Bahia informou que quando for formalmente intimado, vai adotar todas medidas cabíveis para reversão da ordem, seja perante o próprio Tribunal local, seja em instâncias superiores em que caibam providências.
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) atendeu o pedido de um policial militar e suspendeu a exigência de vacinação contra a Covid-19 imposta pelo Governo da Bahia para que ele continue exercendo a função. O servidor não tomou o imunizante contra a doença.
Além de permitir que o PM exerça a função, o TJ-BA determinou que o governo mantenha o pagamento da remuneração na íntegra, sem descontos pelos dias em que for eventualmente impedido de acessar o ambiente de trabalho.
O policial alegou à Justiça que não se vacinou por motivos de saúde e afirmou que se sente inseguro em relação as vacinas disponibilizadas. O servidor afirmou que os imunizantes se encontram em fase de estudos e análises, em estágio de testes, e só foram liberadas em caráter emergencial.
Em nota, o Governo da Bahia informou que quando for formalmente intimado, o órgão adotará todas as medidas cabíveis para reversão da ordem, seja perante o próprio Tribunal local, seja em instâncias superiores em que caibam providências.
O Governo da Bahia informou que "defende a vida, adota práticas orientadas pela Ciência e compreende a vacinação contra Covid-19 como algo de suma importância para a superação do desafio que essa pandemia representa para todos".
Eficácia das vacinas
Há pouco mais de um ano no Brasil – as primeiras doses das vacinas contra a Covid-19 eram aplicadas.
Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração, explica que eficácia e efetividade são conceitos diferentes: "quando você fala nos estudos clínicos, se chama eficácia. Quando você vê o desempenho da vacina na população em geral, isso se chama efetividade".
As eficácias das vacinas são diferentes: vacinas de RNA mensageiro e vetor viral são as mais eficazes, enquanto vacinas de vírus inativado tendem a ser menos. No entanto, todas elas se provaram importantes para evitar hospitalizações e mortes.
No Brasil, temos vacinas de diferentes tecnologias: Pfizer, de RNA mensageiro; AstraZeneca e Janssen, de vetor viral; e CoronaVac, de vírus inativado.
"São as de mRNA, sem dúvida [as mais efetivas]. Todas elas funcionaram. A CoronaVac funciona. O que acontece é que a Pfizer funciona melhor", disse a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
20/01/2022 – Jornal O POVO
Link: https://www.opovo.com.br/coronavirus/2022/01/20/covid-19-internacao-de-crianca-em-sp-nao-teve-relacao-com-vacina.html
Covid-19: internação de criança em Lençóis Paulista (SP) não teve relação com vacina, conclui investigação
Criança tem síndrome congênita rara, até então desconhecida pela família, que causou parada cardiorrespiratória. Caso não teve relação com imunização com a vacina da Pfizer contra a Covid-19O documento detalha que, para se estabelecer a relação causal entre a vacinação e o agravo, foi realizada uma investigação utilizando informações passadas pela família e pelos serviços de saúde onde a criança foi assistida.
Concluiu-se que a paciente tem uma pré-excitação no eletrocardiograma, característica da síndrome de Wolff-Parkinson-White. "Esta é uma condição congênita que leva o coração a ter crises de taquicardia. Algumas destas crises podem ter frequência muito alta, levando até a síncope ou mesmo morte súbita. A WPW é mais comum causa de morte súbita por arritmia ventricular", detalha o documento.
"Não existe relação causal entre a vacinação e o quadro clínico apresentado, portanto, o evento adverso pós-vacinação está descartado", conclui documento.
A investigação foi conduzida de forma conjunta pelo Estado, através da Divisão de Imunização e dos Grupos de Vigilância Epidemiológica de Botucatu e Bauru– CVE, e pelo município de Lençóis Paulista. O caso foi analisado por especialistas do Grupo de Trabalho em Eventos Adversos Pós-vacinação da Comissão Permanente de Assessoramento em Imunizações (GT-EAPV-CPAI).
A cardiologista pediátrica Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), explica que a síndrome é rara na população em geral, mas que, entre as arritmias, é uma das mais comuns. Em muitos casos, o paciente só tem diagnóstico após alguma manifestação ou faz algum exame.
"A prevalência é de menos de 1% das pessoas", diz. A médica detalha que a doença é como se fosse uma espécie de "atalho" do sistema elétrico do coração. "O coração tem algumas vias em que o impulso elétrico viaja dos átrios para os ventrículos. A síndrome de Wolf-Parkinson-White é como se tivesse uma via extra. O problema acontece quando o impulso passa por ali e pode dar umas voltas extras, o que gera o risco de arritmias", pormenoriza.
Lucia Pellanda afirma que quando uma medicação ou uma vacina é utilizada em milhões de pessoas, muitas reações acontecem por acaso, sem ter relação com a substância. "A gente só consegue ver (se há relação com a vacina) se essa frequência for aumentada em relação ao que seria pelo acaso. Essa menina poderia ter descoberto da mesma forma sem ter tomado a vacina. Como tomou, a gente precisa notificar todos para investigar um por um", afirma.
Justamente esse processor de notificação torna o sistema de imunização seguro, analisa a médica. "A gente saber que todos os casos, mesmo os mais improváveis, vão ser investigados", acrescenta.
Leia nota na íntegra
NOTA INFORMATIVA Nº1 CVE/CCD/SES-SP
Assunto: Investigação de Notificação de Evento Adverso Pós-Vacinação
No dia 19 de janeiro de 2022 foi notificado ao Sistema de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-vacinação um caso de criança de 10 anos que evoluiu com parada cardiorrespiratória cerca de 12 horas após a vacinação contra Covid-19. A criança é residente no município de Lençóis Paulista, foi imunizada com técnica correta, com imunizante do fabricante Pfizer correto para a faixa etária e devidamente condicionado.
A criança foi atendida em tempo oportuno, o quadro foi revertido e ela encontra-se hospitalizada, monitorizada e estável.
Para se estabelecer a relação causal entre a vacinação e o agravo, foi realizada uma investigação que agrupou informações com a família e com os serviços de saúde onde a criança foi assistida. A investigação foi conduzida de forma conjunta pelo Estado, através da Divisão de Imunização e dos Grupos de Vigilância Epidemiológica de Botucatu e Bauru – CVE, e pelo município de Lençóis Paulista.
As informações sobre o caso foram avaliadas por especialistas do Grupo de Trabalho em Eventos Adversos Pós-vacinação da Comissão Permanente de Assessoramento em Imunizações (GT-EAPV-CPAI). Concluiu-se que a paciente tem uma pré-excitação no eletrocardiograma, característica da síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW). Esta é uma condição congênita que leva o coração a ter crises de taquicardia. Algumas destas crises podem ter frequência muito alta, levando até a síncope ou mesmo morte súbita. A WPW é mais comum causa de morte súbita por arritmia ventricular.
Conclusão:
A síndrome de Wolff-Parkinson-White, até então não diagnosticada e desconhecida pela família, levou a criança a ter uma crise de taquicardia, que resultou em instabilidade hemodinâmica. Não existe relação causal entre a vacinação e o quadro clínico apresentado, portanto, o evento adverso pós-vacinação está descartado.
18/01/2022 – Sul 21
Link: https://sul21.com.br/noticias/saude/coronavirus/2022/01/especialistas-explicam-que-vacina-contra-a-covid-e-segura-eficaz-e-necessaria-para-criancas/
Especialistas explicam que vacina contra a covid é segura, eficaz e necessária para crianças
Sul21 conversou com especialistas sobre algumas das principais dúvidas dos pais e a importância de imunizar as crianças
A vacinação de crianças entre 5 e 11 anos de idade contra a covid-19 começa nesta quarta-feira (19) no Rio Grande do Sul. Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 16 de dezembro do ano passado, o período de um mês foi tempo suficiente para o governo de Jair Bolsonaro (PL) realizar uma audiência e consulta pública sobre o tema e o presidente dar diversas declarações contrárias a imunização das crianças.
A consequência era previsível. Sem uma campanha oficial de esclarecimento na mídia, não são poucos os pais e mães com dúvidas e receios de levar o filho para se vacinar. As principais incertezas são sobre a segurança do imunizante da Pfizer (o único aprovado até o momento para uso infantil), os eventuais efeitos adversos, como a miocardite, e inclusive a real necessidade de vacinar as crianças.
Para colaborar com tais esclarecimentos, o Sul21 conversou com o pediatra Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e membro do Comitê de Infectologia da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, e com a epidemiologista Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Cunha recorda que, ao longo da pandemia, foi se consolidando a ideia de que as crianças correm menos risco e quando contaminadas costumam evoluir de forma mais favorável, com menos chance de morrer se comparadas com outros grupos, como idosos e pessoas com comorbidades.
Porém, com o passar do tempo, foi-se percebendo que a situação não era assim tão cômoda. Mais de 2.500 crianças e adolescentes morreram de covid-19 no Brasil nos dois anos da crise sanitária. Deste total, mais de 300 tinham entre 5 e 11 anos de idade. Foram mais de 34 mil internações hospitalares de crianças e adolescentes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 6 mil de crianças na faixa etária de 5 a 11 anos.
O pediatra também destaca a situação das crianças que desenvolveram quadros de Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que ocorre com outros vírus, mas tem sido característica da covid-19. No Brasil, o pediatra enfatiza que já houve 86 mortes causadas pela Síndrome (incluídos no total de 2.500 óbitos) e quase 1.500 casos notificados. E há também a chamada “covid longa” — sintomas e complicações que permanecem por bastante tempo –, com cada vez mais relatos na pediatria.
“A repercussão da doença (em crianças), apesar de não se comparar com outros grupos, já causou 300 mortes no Brasil. Se comparar com outros países, é de dez a vinte vezes maior”, afirma, ponderando que a alta mortalidade no País pode ter relação com a falta de estrutura, acesso à saúde ou colapso da rede.
“Temos uma mortalidade muito superior a de outros países, e temos vacinas que protegem. Atualmente, a covid é chamada uma doença imunoprevenível, ela é evitável por vacina, em especial as formas moderadas à graves”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.
Miocardite
Para enfatizar a segurança das vacinas, o pediatra reforça que o imunizante da Pfizer passou pelas fases 1, 2 e 3, sendo que a eficácia medida na fase 3 foi semelhante a de adultos, ou seja, acima de 90%, principalmente para as formas graves da doença. Os estudos foram publicados internacionalmente e avaliados pela Anvisa e outras agências regulatórias do mundo. “A gente defende a utilização de uma vacina licenciada pela Anvisa, com avaliação de eficácia e segurança, dois critérios fundamentais pra utilizar qualquer vacina”, diz.
Cunha recorda que a vacina da Pfizer tem sido aplicada em crianças nos Estados Unidos desde novembro do ano passado, com mais de 8 milhões de doses utilizadas, sendo que a maioria dos eventos adversos – que podem ocorrer com qualquer imunizante – foram leves e moderados. O pediatra destaca que reações graves como a miocardite são raras e, mesmo assim, os poucos casos ocorridos nos Estados Unidos evoluíram bem, sem maiores complicações. Por outro lado, o risco de doença cardíaca causada pela covid-19 é alto.
“A covid leva a miocardite e a pericardite de uma forma muito mais frequente do que os raríssimos efeitos adversos que podem acontecer com a vacina. Todas as agências regulatórias colocam que o benefício da vacinação supera em muito o risco que pode ter de efeito adverso. Temos uma oportunidade muito boa de proteger a criança e o ambiente em que ela vive. Todas as sociedades científicas recomendam a vacinação de crianças”, explica o pediatra.
Por sua vez, a epidemiologista Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), pondera que a miocardite causada pela covid-19 pode ser tornar crônica e para o resto da vida.
Imunidade natural x imunidade das vacinas
Dúvida recorrente entre os pais é a ideia de que o filho já pegou covid-19 e então está protegido, não precisando se vacinar. O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações pondera que reinfecções são recorrentes. Já ter sido infectado não significa que não poderá se contaminar novamente, inclusive porque novas variantes do vírus conseguem escapar da imunidade natural.
Cunha destaca ser comum vacinas darem imunidade superior à doença natural, como indicam estudos recentes com relação à covid-19. É também o caso, por exemplo, da vacina contra HPV. “Mesmo quem teve covid, quando recebe a vacina, tem uma resposta melhor ainda, o que é mais um motivo pra se vacinar”, explica.
Incerteza do futuro
Outro receio comum de pais e mães é com relação a possíveis efeitos a longo prazo da vacina. Não faltam vídeos compartilhados em grupos de WhatsApp com “especialistas” colocando em dúvida a segurança do imunizante. Sobre isso, Cunha lamenta a circulação de boatos que causam desinformação e confundem.
“Tem de tudo, como aquilo que a pessoa vacinada chega perto do celular e ative o 5G. São coisas que a gente nem acredita que alguém possa acreditar, de tão absurdas que são”, lamenta.
O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações destaca a grande quantidade de vacinas aplicadas no mundo há mais de um ano. Ele avalia que, se houvesse algum risco, já se saberia. O pediatra explica que as plataformas tecnológicas utilizadas nas vacinas, mesmo as mais recentes, já são conhecidas há 10 ou 20 anos.
“Não são plataformas que surgiram ‘do nada’. São plataformas usadas há muito tempo”, explica. Também por isso, a crise mundial causada pelo novo coronavírus permitiu com que cientistas e laboratórios se dedicassem quase exclusivamente para a criação das vacinas num tempo rápido.
“Grande parte das pessoas que estão nessa bandeira antivacina estão vivas porque foram vacinadas”, afirma o pediatra, citando os imunizastes criados contra o sarampo, pólio, rubéola, entre outras doenças. “O valor das vacinas é inquestionável. Temos total segurança com os estudos apresentados, as vacinas têm um perfil excelente de segurança e proteção.”
Crianças mais expostas
A epidemiologista Lucia Pellanda alerta que as crianças, por não estarem vacinadas, podem estar em maior risco no atual momento da pandemia no Brasil. Risco esse aumentado pela variante ômicron, mais contagiosa. Ela ressalta que as internações hospitalares de crianças cresceram em outros países desde o surgimento da nova variante. Assim, mesmo os casos sendo geralmente mais leves nas crianças, com o alto contágio algumas ficarão doentes.
“Não é um número desprezível. A gente não deve considerar que é uma doença leve, do ponto de vista da sociedade”, avalia.
Lucia pondera haver uma série de indícios de que no atual estágio da pandemia, os casos mais graves são entre pessoas não vacinadas, grupo do qual as crianças ainda fazem parte. Se a vacina não elimina a transmissão, ao menos a reduz, um fator que a professora vislumbra ser importante para a volta às aulas em breve.
Para os pais que estão em dúvida se levam ou não o filho para se vacinar, a reitora da UFCSPA destaca que o imunizante não é “experimental” e, assim como o pediatra Juarez Cunha, lembra que a tecnologia usada na vacina da Pfizer já existe há 10 anos. “Não foi uma coisa desenvolvida correndo”, reforça.
Com a didática de uma professora, ela faz uma comparação bem ao gosto de pais e filhos, explicando que a tecnologia da vacina da Pfizer é como se fosse uma montagem de lego, em que só se muda a parte de cima da estrutura, a peça que vai indicar qual vírus a vacina deve combater. Com outra “peça” na ponta, a tecnologia já estava sendo usada para diferente finalidade.
A epidemiologista também destaca que a vacina não mexe no DNA da pessoa e nem faz mudança genética, dois pontos costumeiramente citados por quem é contra a imunização e que causa temor nos pais. Lucia explica que quem pode causar modificação de longo prazo é o vírus e não a vacina – o imunizante, inclusive, sai logo do organismo e deixa a memória para estimular o sistema imunológico a combater o vírus. Um processo natural na defesa do organismo.
“A doença, sim, a gente não sabe qual o efeito prolongado, qual o risco de ter covid pra daqui a cinco anos. Já vimos que têm crianças com sintomas por meses, tem síndrome inflamatória. O risco de ficar doente é sempre muito maior”, afirma. Nesse sentido, Lucia diz que as mais de 300 mortes por covid-19 de crianças entre 5 e 11 anos não podem ser vistas como um número baixo.
A quantidade de vítimas fatais no Brasil é como se fosse um avião lotado só de meninos e meninas. Uma imagem que, se acontecesse, provavelmente seria tratada pela sociedade como uma grande tragédia. Agora com a chegada das vacinas, um novo “avião” pode ter sua queda evitada.
18/01/2022 – GZH e Diário Gaúcho
Link GZH: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/esta-em-duvida-veja-o-que-diz-a-ciencia-a-favor-da-vacinacao-das-criancas-ckykrrsri00b401882jy4dygw.html
Link Diário Gaúcho: http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2022/01/esta-em-duvida-veja-o-que-diz-a-ciencia-a-favor-da-vacinacao-das-criancas-23231462.html
Está em dúvida? Veja o que diz a ciência a favor da vacinação das crianças
Entidades médicas afirmam que nenhuma outra doença para a qual há vacinas mata tanto quanto a covid-19 no Brasil
Para pais, crianças são o bem mais precioso, o que naturalmente desperta preocupação sobre tudo envolvendo os pequenos — a covid-19. Se você está em dúvida se vacina ou não as crianças da sua família, dois pediatras e duas imunologistas de alguns dos melhores hospitais e universidades do Brasil tranquilizam: leve seu filho ao posto de saúde a partir desta quarta-feira (19) para protegê-lo e contribuir para o fim da pandemia.
A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destacam que nenhuma outra doença para a qual há vacinas mata tanto crianças quanto a covid-19 no país.
A sociedade de médicos pediatras pontua que a vacinação das crianças contra a covid-19 é “uma questão prioritária de saúde pública” e que “o Brasil deve temer a doença, nunca o remédio”. Veja, a seguir, os argumentos da ciência a favor da vacinação de crianças:
Crianças pegam coronavírus e, sim, podem adoecer
A vacina da Pfizer oferece proteção de até 90,7% para crianças de cinco a 11 anos. No mundo, pelo menos 7 milhões de crianças pegaram a doença, o que representa 2% de todos os casos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) — mas especialistas destacam que elas são pouco testadas e, por isso, os números tendem a ser maiores.
Nos Estados Unidos, onde a testagem é mais acessível, as infecções em crianças representam 17,8% de todos os casos de covid-19 entre todas as faixas etárias, segundo a Academia Americana de Pediatria.
No início da pandemia, acreditava-se que crianças estavam a salvo da covid-19. Mas a ciência observou a realidade e atualizou o entendimento: de fato, a maioria das crianças terá poucos ou nenhum sintomas, mas, ainda assim, muitas adoecem.
Nos Estados Unidos, pelo menos 22,4 mil pequenos foram hospitalizados. Outros 5,2 mil desenvolveram síndrome inflamatória multissistêmica, uma reação exagerada do organismo frente à covid-19.
No Brasil, pelo menos 34 mil crianças e adolescentes foram hospitalizados por covid-19, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Mais de 2,5 mil morreram, das quais metade eram crianças maiores de cinco anos e adolescentes.
O número de crianças e adolescentes mortos por coronavírus no último ano é maior do que por qualquer outra doenças infecciosas para a qual há vacina, como meningite, varicela, hepatite A e influenza H1N1, destaca a Sociedade Brasileira de Pediatria.
— O coronavírus não é negligenciável nessa faixa etária. Uma criança faleceu a cada dois dias no Brasil de covid-19. Muitas tiveram covid longa, com sintomas persistentes. Se levamos crianças para se vacinar contra meningite, coqueluche e outras doenças, devemos levá-las para se vacinar contra a covid — diz o médico infectologista pediátrico Renato Kfouri, presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Os dados ainda indicam que ser uma criança nascida no Brasil já é fator de risco para morrer por coronavírus. No país, a taxa de mortalidade entre crianças e adolescentes por covid-19 é de 41 a cada milhão de indivíduos. Nos Estados Unidos, são 11 mortes por milhão e, no Reino Unido, 4,5.
Hoje, o risco é maior para não vacinados
Conforme mais pessoas se vacinam, o risco de adquirir e adoecer por covid-19 aumenta entre quem não está vacinado. O Reino Unido assistiu a um aumento de internações de crianças em hospitais com a Ômicron. Nos Estados Unidos, 580 mil crianças pegaram covid-19 apenas na primeira semana de janeiro.
No Hospital Moinhos de Vento, a procura pela emergência pediátrica por casos respiratórios aumentou 30% em dezembro e 70% em janeiro, sublinha Helena Fleck Velasco, médica alergista e imunologista da instituição.
— As crianças são mais vulneráveis por não estarem vacinadas. Quase dobrou o número de internações de crianças em hospitais e nem fechamos o primeiro mês de janeiro. Em um hospital público onde trabalho, quase 50% dos leitos pediátricos estão ocupados por crianças com covid. No Brasil, já registramos maior internação de crianças — destaca.
Efeitos adversos são, em sua maioria, leves
Os efeitos adversos estão descritos na bula da Pfizer. No estudo, as reações mais comuns (em 10% dos vacinados) foram dor de cabeça, cansaço, dor muscular, dor ou vermelhidão no local de injeção e calafrios. Reações menos comuns (entre 1% e 10% dos vacinados) são diarreia, vômito, dor nas articulações e febre.
Mais raramente (entre 0,1% e 1%) pode haver aumento dos gânglios linfáticos, urticária, prurido, erupção cutânea, suor noturno, diminuição de apetite, náusea, dor nos membros e mal-estar.
— Há milhões de crianças vacinadas contra a covid. O Centro de Controle e Prevenção a Doenças dos Estados Unidos viu que 98% das reações são extremamente leves, como dor no local da vacinação. Os outros 2% são vômito ou febre. Não há descrição de morte — destaca a médica alergista e imunologista Helena Fleck Velasco, do Hospital Moinhos de Vento.
O médico Ricardo Feijó, do serviço de Pediatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destaca que medos sobre efeitos adversos de vacinas, como o risco de danos neurológicos ou de autismo, surgiram décadas atrás com outras vacinas e costumam ser requentados ao longo dos anos.
— Um caso conhecido foi levantado contra a vacina da tríplice viral, para sarampo, rubéola e caxumba. Surgiu um estudo publicado no Reino Unido colocando em dúvida a segurança dessa vacina e a possibilidade de ela causar autismo. Isso gerou um temor enorme na época. Com o tempo, viu-se que o estudo era forjado, o médico que publicou o artigo teve a licença de praticar medicina revogada e novos estudos viram que não havia relação. Não há nenhuma evidência de que vacinas gerem danos neurológicos — destaca.
A vacina é segura e casos de miocardite são muito, muito raros
Nos Estados Unidos, onde já foram aplicadas cerca de 10 milhões doses em indivíduos de cinco a 11 anos, não foi relatada nenhuma morte por causa da vacina. Houve oito casos de miocardite (ou seja, 0,00008% das aplicações), identificados pouco após a aplicação e todos com evolução clínica favorável, destaca a Sociedade Brasileira de Pediatria.
— A miocardite foi descrita como efeito colateral, mas é 40 vezes menos frequente do que se tu tiveres a doença em si. Qualquer prescrição traz efeitos colaterais, mas ela tem menos efeitos do que a própria doença. Atualmente, a chance de ter covid é muito alta — acrescenta a médica Helena Fleck Velasco.
Pessoas infectadas têm de 16 a 18 vezes mais chance de desenvolver miocardite do que quem não se infecta, segundo a Academia Americana de Pediatria. Se a comparação é entre vacinados e não vacinados, o risco é entre seis e 34 vezes maior de desenvolver miocardite para quem não se vacinou com Pfizer ou Moderna.
— Tem que ter medo da covid, e não da vacina, que ainda previne contra outras complicações da doença. A experiência americana com mais de 10 milhões de doses aplicadas mostra riscos de efeitos colaterais muito menores em crianças do que em adolescentes. Não há nenhum caso confirmado de morte por causa da vacina em todo o mundo — diz o médico infectologista pediátrico Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
A vacina não vai mudar o DNA do seu filho
São falsos os boatos afirmando que a vacina da Pfizer, por ser produzida pela tecnologia de RNA mensageiro, pode modificar genes das crianças ou causar outros efeitos a longo prazo.
A vacina de RNA mensageiro leva uma espécie de “receita de bolo” para que as células produzam, por conta própria, uma proteína presente no Sars-Cov-: a proteína S. Quando as células de defesa identificam esse pedacinho “fake” do vírus fabricado por nosso próprio corpo após as instruções da vacina, criamos defesas para que, quando o vírus entre de fato, o organismo saiba se defender.
É como se incorporássemos a receita à biblioteca do sistema imunológico: quando tivermos coronavírus, nosso organismo retirará o livro da estante para lembrar como se defender. A receita de bolo original (o RNA mensageiro da vacina) é degradada dias após a vacinação.
— A vacina de RNA não altera o DNA. Não há como haver integração. O DNA está protegido pela membrana nuclear, a vacina não chega lá. Se isso acontecesse, essa tecnologia nunca teria prosseguido. Essa vacina foi aplicada em centenas de milhões de pessoas. Sabe o que afeta rins, sistema nervoso e coração? A covid. Isso sim há várias evidências — destaca a imunologista Cristina Bonorino, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e integrante da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI).
A ciência é a favor da vacinação de crianças
De forma unânime, as entidades médicas dedicadas ao estudo do coronavírus e da saúde de crianças recomendam a vacinação contra a covid-19. Entre elas, estão a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Academia Americana de Pediatria (AAP), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
Ao menos 40 países já vacinam crianças, incluindo nações da União Europeia, Estados Unidos, Canadá, Israel, Chile, Uruguai, Argentina e Cuba.
A vacina da Pfizer não é experimental
A etapa experimental é o momento no qual vacinas estão em estudo conduzido por uma farmacêutica ou universidade. Após o registro pela agência reguladora (no caso do Brasil, a Anvisa), o produto deixa de ser experimental.
A vacina da Pfizer passou por três fases de testes - em laboratório e em com mais de 2,2 mil crianças —, cujos resultados apontaram que ela é segura e funciona. Os achados foram publicados em revistas científicas e escrutinados por especialistas do mundo inteiro.
Posteriormente, os resultados foram analisados pelas agências reguladoras mais respeitadas do mundo, como a dos Estados Unidos (FDA), da União Europeia (EMA) e do Brasil. Todas liberaram e aconselharam a vacinação de crianças.
Vacinar crianças é proteger, também, adultos e idosos
As crianças não são os maiores vetores da covid-19, mas, assim como importam gripe e outras viroses para dentro de casa, também transmitem covid-19 para pais, irmãos e avós.
A vacina, além de proteger os pequenos, também reduz o tempo de transmissão e a carga viral transmitida entre os contaminados. Imunizá-los ajuda a chegar à imunidade coletiva.
— À medida que a vacinação avança na população, fica maior o papel da criança na transmissão e no risco. A população de cinco a 11 anos no Brasil corresponde a cerca de 20 milhões, que estão suscetíveis à doença e podem trazer risco a familiares. No Rio Grande do Sul, entre março e dezembro de 2020, tivemos mais de 40 mil casos de covid em crianças e adolescentes abaixo dos 18 anos. Dos hospitalizados, 30% precisaram de UTI e 14% necessitaram de ventilação mecânica. O risco de populações não vacinadas começarem a ser infectadas pode levar a um maior risco de sobrecarga no sistema de saúde — diz o médico pediatra Ricardo Feijó, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Em estudo publicado na prestigiosa revista científica Nature, a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), provou que crianças infectadas têm tanto vírus quando adultos.
— Certamente, elas transmitem também. A vacina só funciona como instrumento de saúde pública se tu vacinares grande parte da população. As crianças são o último grupo a ser vacinado, e sempre quem não está vacinado é o mais vulnerável a ficar doente. O vacinado está protegido de morrer e também transmite menos. Se tu não vacinar as crianças, o vírus circula bastante nelas — destaca Bonorino.
18/01/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/rs-registra-mais-17-mil-casos-de-covid-19-em-24h-e-bate-novo-recorde-ckykkv06r00860188uwbskd2x.html
RS registra mais 17 mil casos de covid-19 em 24h e bate novo recorde
Internações pela doença também têm subido no Estado, mas de forma mais lenta. Especialistas atribuem "freio" em internações à proteção gerada pela vacina
O Rio Grande do Sul contabilizou, nesta terça-feira (18), mais 17.416 casos de covid-19 registrados nas últimas 24 horas. Com os dados mais recentes, a média móvel de casos sobe para 9.664 – maior patamar da série histórica.
Desde sexta-feira (14) o Estado registra a maior quantidade de novos casos de toda a pandemia, superando o pico anterior, que havia sido percebido em março de 2021. À época, a média móvel havia batido o teto de 7.727,9 casos.
Em julho de 2021, conforme mostra o gráfico abaixo, a curva de novos casos chegou a dar um salto pontual, mas o movimento foi antecipado pelas autoridades de saúde e se tratava da inclusão retroativa de dados antigos.
CASOS CONFIRMADOS DE COVID-19 NO RS
[Ver gráfico no link acima]
Especialistas ouvidos por GZH nos últimos dias têm indicado que a curva de novos casos ainda tende a se agravar, antes de arrefecer – tomando como base o comportamento da variante Ômicron nos países pelos quais ela passou nos últimos meses.
— A gente viu nos outros países: foi uma onda mais rápida, mas muito forte. Levou, mais ou menos, umas cinco semanas de subida (na curva de casos). Olhando para o que aconteceu nos outros países, ainda tem subida pela frente antes de começar a descer — disse, na última sexta-feira (14), Lucia Pellanda, epidemiologista e reitora da UFCSPA.
Internações triplicam em três semanas, mas seguem abaixo de picos anteriores
A explosão de casos tem levado a um aumento nas internações clínicas por covid-19, no Rio Grande do Sul. Ao longo das últimas duas semanas, esse número mais do que triplicou, subindo 278%. O último dado fechado mostra 587 pessoas internadas com covid-19 em leitos clínicos no Estado.
Apesar da alta expressiva no número de pacientes internados pela doença nos últimos dias, o Estado segue em situação melhor de internações por covid-19 do que nas três ondas anteriores da pandemia. Em 2020, o pico desse indicador foi registrado em dezembro, com 1.393 pessoas com covid-19 em leitos clínicos. Em 2021, o pico ocorreu em março, com 5.435 nessa situação.
As internações graves por conta da doença, em leitos de UTIs, têm crescido de forma menos íngreme. Nas últimas duas semanas, a alta foi de 85,2%. Nesse indicador, o Estado também segue em melhor situação do que no auge de todas as ondas anteriores.
As internações, ainda que estejam subindo, até o momento não crescem na mesma velocidade do número de casos. Especialistas ouvidos por GZH ao longo das últimas semanas destacam que a vacinação é a principal responsável por reduzir as chances de as pessoas desenvolverem formas graves da doença e necessitarem de internação. Há indicativos, também, de que a variante Ômicron possa ser menos agressiva do que as anteriores.
17/01/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/rs-completa-um-ano-de-vacinacao-contra-a-covid-19-atualmente-hospitalizacoes-crescem-menos-do-que-infeccoes-ckyj6p7vq002g0188fb5flgxa.html
RS completa um ano de vacinação contra a covid-19; atualmente, hospitalizações crescem menos do que infecções
Cinco pessoas de diferentes grupos prioritários receberam a primeira dose de CoronaVac na Capital no dia 18 de janeiro de 2021
O Rio Grande do Sul aguardava com ansiedade a vacinação contra a covid-19 quando, em 18 de janeiro do ano passado, cinco pessoas representando diferentes grupos prioritários receberam a primeira dose de CoronaVac em solo gaúcho.
Um ano depois, o tempo mostrou que imunizantes derrubaram a curva de infecções, hospitalizações e mortes. Hoje, o Estado enfrenta nova onda, causada pela variante Ômicron após festas de Natal e Ano-Novo, mas com impacto menor em casos graves.
A vacinação avançou lenta nos primeiros meses de 2021. Apesar do atraso, a campanha ganhou força ao longo dos meses: a partir da metade do ano passado, a aplicação chegou a adultos e aos mais jovens, o que derrubou os indicadores no último trimestre.
Estudo elaborado pela Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS) mostrou que as vacinas reduziram em 87% a mortalidade por covid-19 na população com 20 anos ou mais. Entre idosos com 60 anos ou mais que tomaram a terceira dose, a queda na mortalidade foi de 95%.
O Rio Grande do Sul passou a viver a maior tranquilidade dos últimos dois anos — após assistir pela televisão a israelenses e europeus entre risadas em viagens, bares e restaurantes, gaúchos finalmente desfrutaram de forma ampla uma convivência mais segura.
— A humanidade precisa agradecer: as vacinas mudaram o cenário de mortalidade e levaram a uma redução enorme do sofrimento humano. Hoje, dados de Estados Unidos, Israel, Espanha e Reino Unido mostram que 90% dos hospitalizados e óbitos são não vacinados ou incompletamente vacinados — pontua a médica Mônica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Mesmo com variante, imunizantes ainda oferecem proteção
A Ômicron surgiu em dezembro no continente africano e causou furor na comunidade científica pela possibilidade de reduzir a eficácia das vacinas, devido às mutações. O receio se confirmou, mas, apesar disso, as vacinas contra a covid-19, que não foram criadas para impedir casos leves, e sim para evitar casos graves, seguiram oferecendo proteção contra hospitalizações e óbitos.
Com a Ômicron, que escapa parcialmente dos anticorpos adquiridos na vacina ou pela infecção pelo Sars-COV-2, o número de casos explodiu, mas não houve aumento proporcional em casos graves como visto nas ondas anteriores. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já declarou que hospitais estão sendo pressionados por pessoas com calendário de vacinação atrasado.
Há dificuldades na análise de números por conta do apagão de dados sofrido no país, misturado ao atraso de notificações dos últimos dias. Após mais de um mês sem saber como estava a cobertura vacinal, o Rio Grande do Sul recebeu dados parciais nesta segunda-feira e elevou de 70% para 72,9% a cobertura vacinal de duas doses.
A despeito do apagão, os números mostram que a nova onda está longe do pior momento da covid-19, entre fevereiro e abril do ano passado. O Rio Grande do Sul registrou mais de 70 mil casos novos na última semana e, nesta segunda-feira, apresenta média móvel de 450 pacientes com coronavírus em leitos clínicos e 215 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), segundo dados da SES-RS.
No ápice, em 23 de março do ano passado, apenas 3% dos gaúchos estavam com duas doses. Havia quase 2,6 mil pacientes em estrado gravíssimo em UTIs e mais de 5,2 mil em leitos clínicos. A semana acumulara menos da metade dos casos do que atualmente: cerca de 30 mil.
VEJA O IMPACTO DA VACINAÇÃO NAS HOSPITALIZAÇÕES POR CORONAVÍRUS
(Veja o gráfico clicando no link acima)
Média móvel de internações* registra aumento, mas em patamares muito menores do que no ápice
— A vacina reduziu a mortalidade no Rio Grande do Sul antes da Ômicron e também tem seu papel agora. Nossa maior demanda hoje é para internações em forma menos grave. A maior parte das pessoas internadas no Clínicas e no conjunto de hospitais está com esquema incompleto: nenhuma dose, uma dose quando deveria ter duas ou duas quando deveriam ser três doses — diz Ricardo Kuchenbecker, médico epidemiologista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O médico Alessandro Pasqualotto, chefe da Infectologia da Santa Casa de Porto Alegre e professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), reflete que a covid hoje é uma doença de pessoas não vacinadas.
— Os hospitais não estão sob risco de colapso, exceto pelo adoecimento em massa e simultâneo de profissionais de saúde. Isso não decreta a falha das vacinas: elas vieram para evitar forma grave e morte, e é o que acontece. Basta pensar que hoje a covid-19 está sendo banalizada, é quase uma gripe comum. As pessoas vacinadas já não têm mais medo de covid. Esse menor medo só acontece por causa da vacina. A mortalidade caiu abruptamente — diz.
Com a vacinação de crianças, a expectativa de especialistas é de aumentar ainda mais a cobertura vacinal e chegar mais perto do fim da pandemia. A aplicação começa na quarta-feira (19) no Rio Grande do Sul.
13/01/2022 – BBC
Link: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59981551
Candida auris: o que é o 'superfungo' que matou 2 pessoas e tem 3º surto no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de ameaça à saúde pública por causa do terceiro surto no Brasil de Candida auris, fungo resistente a medicamentos e responsável por infecções hospitalares que se tornou um dos mais temidos do mundo.
Segundo o órgão, em documento de 11 de janeiro de 2022, foram identificados no primeiro mês deste ano dois casos de infecção pelo fungo envolvendo um paciente de 67 anos e outra de 70 anos que estavam internados num hospital da rede pública do Recife. Não foram divulgadas informações atualizadas sobre o estado de saúde deles.
Ao longo da pandemia de covid-19, a Anvisa confirmou 18 casos da infecção em três surtos diferentes. O primeiro caso confirmado foi identificado em uma amostra da ponta de um cateter de paciente internado em UTI de Salvador, local dos dois primeiros surtos: um em dezembro de 2020 (com 15 casos e dois mortos em um hospital da rede privada) e outro em dezembro de 2021 (com um caso em um hospital da rede pública).
Mas pode chamar de surto com essa quantidade relativamente pequena de casos? Segundo a Anvisa, "pode-se considerar que há um surto de Candida auris porque a definição epidemiológica de surto abrange não apenas uma grande quantidade de casos de doenças contagiosas ou de ordem sanitária, mas também o surgimento de um microrganismo novo na epidemiologia de um país ou até de um serviço de saúde - mesmo se for apenas um caso. "
A infecção por C. auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal. Em todo o mundo, estima-se que infecções fúngicas invasivas de C. auris tenham levado à morte de entre 30% e 60% dos pacientes. Mas esses números costumam variar bastante a depender das variáveis envolvidas, a exemplo da gravidade da doença que levou o paciente ao hospital (como a covid-19) e da capacidade do fungo de resistir ou não aos medicamentos.
Segundo a Anvisa, essa espécie de fungo produz "biofilmes tolerantes a antifúngicos apresentando resistência aos medicamentos comumente utilizados para tratar infecções por Candida" e até 90% das amostras de Candida auris analisadas apontam resistência ao fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas.
Em seu alerta, a Anvisa afirma que tem analisado casos suspeitos do fungo desde 2017, mas os primeiros só foram confirmados durante a pandemia de covid-19. E o Brasil não foi o único a registrar infecções desse tipo nesse período ligados ao novo coronavírus.
Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) registrou 1.156 casos clínicos de Candida auris entre 1º de setembro de 2020 e 31 de agosto de 2021. Não há informações sobre o número de mortos. Até 2016, o fungo havia sido detectado em apenas 4 Estados americanos. O número saltaria para 19 Estados em 2020.
No México, um surto de Candida auris começou com um paciente que não estava infectado com coronavírus em maio de 2020, momento que o hospital San José Tec-Salud, no norte do país, era transformado em uma unidade de saúde exclusiva para pacientes com covid-19.
Três meses depois, o fungo Candida auris foi detectado em três UTIs e atingiu 12 pacientes e três áreas hospitalares. Dez eram homens, 9 eram obesos e todos eles respiravam com auxílio de respiradores mecânicos, tinham cateter urinário e venoso e estavam internados de 20 a 70 dias ali. Dos 12 pacientes, 8 morreram.
Os pesquisadores que analisaram os casos listam diversos fatores de risco para o surgimento de infecções por fungos. Entre eles, diabetes, uso de múltiplos antibióticos, falência renal, uso de cateter venoso central e, no caso específico de covid-19, o uso excessivo de corticosteroides (que tem efeito imunossupressor em neutrófilos e macrófagos, células do sistema de defesa do corpo humano).
Na Índia, o surto de candidemia atingiu 15 pacientes com coronavírus em uma UTI em Nova Déli entre abril e julho de 2020. Do total, 10 estavam infectados por Candida auris e 6 deles morreram.
No caso do Brasil, um grupo de dez pesquisadores brasileiros e holandeses investigou o primeiro surto em Salvador, em dezembro de 2020, e a relação dos casos com a covid-19. Segundo artigo publicado em março de 2021 no Journal of Fungi, todos os pacientes atingidos eram oriundos do próprio Estado (Bahia), não tinham histórico de viagem para o exterior e estavam internados na mesma UTI por causa do coronavírus. "As restrições de viagem durante a pandemia de covid-19 e a ausência de histórico de viagem entre os pacientes colonizados por fungos levaram à hipótese de a espécie ter sido introduzida meses antes de o primeiro caso ser identificado e/ou de ter emergido localmente na região de Salvador."
Outra hipótese levantada pelos pesquisadores aponta que os pacientes já estavam infectados com a Candida auris antes de ficarem gravemente doentes com a covid-19. Ao serem internados em UTI, "foram intensamente expostos a antibióticos e procedimentos médicos invasivos, e desenvolveram superinfecções". A pandemia de covid-19, portanto, "pode estar acelerando a introdução e/ou espalhando a Candida auris em ambientes hospitalares que estava livres do fungo".
E concluem: "Num futuro próximo, a superlotação e a escassez de recursos para práticas de controle de infecções, como o uso prolongado de equipamentos de proteção pessoal por falta de disponibilidade, serão um terreno fértil para que C. auris se espalhe, colonize dispositivo invasivos (como um cateter) e deflagre infecções associadas ao tratamento de saúde".
Segundo a Anvisa, o Candida auris "pode permanecer viável por longos períodos no ambiente (semanas ou meses) e apresenta resistência a diversos desinfetantes, entre os quais, os que são à base de quaternário de amônio".
Difícil controle e prevenção
Na maioria das vezes, as leveduras do gênero Candida residem em nossa pele, boca e genitais sem causar problemas, mas podem causar infecções quando estamos com a imunidade baixa ou quando se provocam infecções invasivas, como na corrente sanguínea ou nos pulmões. No caso do C. auris, ele costuma causar infecções na corrente sanguínea, mas também pode infectar o sistema respiratório, o sistema nervoso central e órgãos internos, assim como a pele.
Esse fungo, que cresce como levedura, foi identificado pela primeira vez em 2009 no canal auditivo de uma paciente no Japão. Desde então, houve mais de 5.000 casos identificados em 47 países, entre eles Índia, África do Sul, Venezuela, Colômbia, Estados Unidos, Israel, Chile, Canadá, Itália, Holanda, Venezuela, Paquistão, Quênia, Kuwait, México, Reino Unido, Brasil e Espanha.
A taxa de mortalidade média é estimada em 39%, segundo cálculos em estudo de sete pesquisadores chineses publicado na revista científica BMC Infectious Diseases em novembro de 2020.
Segundo o infectologista Arnaldo Lopes Colombo, professor da Unifesp e especialista em contaminação com fungos, é possível ser colonizado de forma passageira pelo C. auris na pele ou na mucosa sem ter problemas. O fungo apresenta risco real se contaminar a corrente sanguínea.
Para a pessoa ser infectada, explicou ele à BBC News Brasil em 2019, é preciso que tenha sofrido procedimentos invasivos (como cirurgias, uso de cateter venoso central) ou tenha o sistema imunológico comprometido. Pacientes internados em unidades de terapia intensiva por longos períodos e com uso prévio de antibióticos ou antifúngicos também são considerados grupo de risco para a contaminação.
Em 2016, a Opas, braço da Organização Mundial da Saúde para a América Latina e o Caribe, publicou um alerta recomendando a adoção de medidas de prevenção e controle por causa de surtos relacionados ao fungo na região. O primeiro surto da região ocorreu na Venezuela, entre 2012 e 2013, atingindo 18 pacientes.
Além disso, o C. auris costuma ser confundido com outras infecções, levando a tratamentos inadequados.
"O C. auris sobrevive em ambientes hospitalares e, portanto, a limpeza é fundamental para o controle. A descoberta (do fungo) pode ser uma questão séria tanto para os pacientes quanto para o hospital, já que o controle pode ser difícil", explicou a médica Elaine Cloutman-Green, especialista em controle de infecções e professora da University College London (UCL).
Nem todos os hospitais identificam o C. auris da mesma maneira. Às vezes, o fungo é confundido com outras infecções fúngicas, como a candidíase comum.
Em 2017, uma pesquisa publicada por Alessandro Pasqualotto, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, analisou 130 laboratórios de centros médicos de referência na América Latina e descobriu que só 10% deles têm capacidade de detecção de doenças invasivas de fungos de acordo com padrões europeus.
Segundo a Anvisa, o surto em 2016 em Cartagena, na Colômbia, é um exemplo de como o micro-organismo é difícil de identificar. Cinco casos de infecção foram identificados como três fungos diferentes até um método mais moderno de análise diagnosticar o patógeno corretamente como C. auris.
Também não é possível eliminá-lo usando os detergentes e desinfetantes mais comuns. É importante, portanto, utilizar os produtos químicos de limpeza adequados dos hospitais, especialmente se houver um surto.
Em alerta emitido em 2017, a Anvisa explicou que não se sabe ao certo qual é o modo mais preciso de transmissão do fungo dentro de uma unidade de saúde. Estudos apontam que isso pode ocorrer por contato com superfície ou equipamentos contaminados e de pessoa para pessoa. O CDC também afirma que o fungo pode permanecer na pele de pacientes saudáveis sem causar infecção e se espalhar para outras pessoas, por exemplo.
Em entrevista à BBC News Brasil em dezembro de 2020, Pasqualotto, também professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), afirmou que casos de Candida auris são como "um evento adverso do progresso da humanidade".
"À medida que a gente progride, produz mais antibióticos, que as pessoas são mais invadidas por procedimentos médicos e sobrevivem mais, passam a surgir novos patógenos que antes não causavam doenças. E, devido à pressão dos remédios, eles surgem resistentes", disse ele.
"Então, a Candida auris é só a bola da vez. Assim como já foi o Staphylococcus aureus, que desenvolveu resistência à penicilina após a Segunda Guerra Mundial; depois o Enterococo resistente à vancomicina e tantos, tantos outros. Cada vez a gente tem menos antibióticos para usar e cada vez mais patógenos resistentes."
A resistência microbiana, que envolve fungos e também bactérias, é considerada uma das maiores ameaças à saúde global pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela acontece pois os microrganismos têm evoluído e se tornado mais fortes e hábeis em driblar medicamentos como antibióticos e antifúngicos, fazendo com que várias doenças já tenham poucas ou nenhuma opção de tratamento disponível.
Resistência a medicamentos
A resistência aos antifúngicos comuns, como o fluconazol, foi identificada na maioria das cepas de C. auris encontradas em pacientes.
Isso significa que essas drogas não funcionam para combater o C. auris. Por causa disso, medicações fungicidas menos comuns têm sido usadas para tratar essas infecções, mas o C. auris também desenvolveu resistência a elas.
"Há registro de resistência à azólicos, equinocandinas e até polienos, como a anfotericina B. Isso significa que o fungo pode ser resistente às três principais classes de drogas disponíveis para tratar infecções fúngicas sistêmicas", explicou o epidemiologista e microbiologista Alison Chaves, no Twitter, logo após a descoberta do primeiro surto em Salvador no fim de 2020.
Estima-se que mais de 90% das infecções causadas pelo C. auris são resistentes ao menos a um medicamento, enquanto 30% são resistentes a dois ou mais remédios.
Análises de DNA indicam também que genes de resistência antifúngica presentes no C. auris têm passado para outras espécies de fungo, como a Candida albicans (C. albicans), um dos principais causadores da candidíase (doença comum que pode afetar a pele, as unhas e órgãos genitais, e é relativamente fácil de tratar).
*Com informações adicionais de Mariana Alvim e Letícia Mori, da BBC News Brasil em São Paulo.
12/01/2022 – Portal UNA-SUS
Link: https://www.unasus.gov.br/noticia/una-sus-ufcspa-lanca-oitava-oferta-do-curso-gestao-da-clinica-na-atencao-basica
UNA-SUS/UFCSPA lança oitava oferta do curso Gestão da Clínica na Atenção Básica
Com carga horária de 60h, o objetivo é aprimorar os processos de gestão da assistência à saúde, a partir da compreensão dos desdobramentos e implicações da gestão da clínica em suas diferentes abordagens: individual e familiar.
Profissionais de saúde e demais interessados em aprofundar os conhecimentos sobre Gestão da Clínica na Atenção Básica já podem se matricular na oitava oferta do curso, desenvolvido pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), instituição integrante da Rede UNA-SUS.
Sucesso entre os cursos da UNA-SUS, a qualificação - que já contabiliza mais de 93 mil matriculados, somadas todas as ofertas - é livre, totalmente gratuita e tem início imediato. As matrículas podem ser realizadas até 1 de dezembro de 2022, pelo link.
O curso foi desenvolvido para atender a necessidade de aprimoramento das equipes multiprofissionais no que se refere aos processos de gestão da Assistência à Saúde dos usuários, a partir da compreensão dos desdobramentos e implicações da Gestão da Clínica em suas diferentes abordagens: individual e familiar.
Para isso, "diversas ferramentas são apresentadas com o objetivo de otimizar a atenção à saúde e incorporar a sua prática profissional, possibilitando uma visão mais abrangente de sua comunidade quanto as demandas para a gestão de sua unidade de saúde", afirma Adriana Aparecida Paz, Vice-Coordenadora UNA-SUS/UFCSPA.
A primeira oferta do curso superou, em poucas semanas, mais de 10.000 inscritos, enquanto na segunda oferta, foram mais de 17.500 inscritos, o que confirmava a necessidade de outras ofertas do curso e a importância deste na formação dos trabalhadores da saúde. Na última oferta, por exemplo, o curso bateu o recorde de matrículas, com mais de 23 mil inscritos.
Com carga horária de 60h, o curso está organizado em quatro unidades: Gestão da Clínica, Gestão do acesso na Atenção Básica, Gestão do Cuidado – Abordagem Individual e Gestão do Cuidado – Abordagem Familiar.
Segundo a doutora em enfermagem e conteudista do curso, Alísia Helena Weis, a gestão da clínica é um dos pontos mais importantes para qualificar a prática dos profissionais de saúde com base nas diretrizes clínicas, e, consequentemente, oferecer maior integração da equipe de saúde, organização do processo de trabalho e resolutividade das demandas dos usuários.
“Os conhecimentos adquiridos poderão ser refletidos em melhores resultados no acompanhamento do usuário e nas atividades coletivas com a comunidade, evitando problemas potenciais, diminuindo hospitalizações desnecessárias, reduzindo eventos adversos e provendo contato duradouro e humanizado entre profissionais de saúde e usuários. Assim, é possível qualificar o acesso constantemente, com melhor aproveitamento do tempo, a partir da sistematização de críticas e análise sobre a atenção prestada, recursos utilizados e impacto sobre a saúde das pessoas”, defende Weis.
De acordo com o Secretário Municipal de Saúde de Itajaí, Santa Catarina, Emerson Duarte, o curso o fez repensar o fluxo de trabalho na Atenção Básica. “O curso é sensacional. Como gestor em saúde pude perceber com outro olhar a dedicação dos trabalhadores de nossa rede. O aprimoramento profissional foi visível em meu dia a dia”, destacou.
Para a fisoterapeuta mineira, Rebecca Marinho, o curso possibilitou a imersão nesta temática tão relevante, trazendo reflexões acerca da importância da atenção integral à saúde de qualidade, com foco nas necessidades de saúde do indivíduo e do coletivo de forma humanizada. "Além disso, a partir da bibliografia disponibilizada, foi possível perceber o quão importante é publicar mais sobre o assunto, e assim fortalecer as ferramentas da Atenção Básica", relatou.
Já a enfermeira paulistana, Nara Cristina Miashiro, destacou que é fundamental aprender, relembrar e, também, avaliar o que está sendo feito todos os dias. “Se estamos acolhendo adequadamente, se a escuta é qualificada, se estamos dando a devida atenção às demandas do dia. Fiz o curso porque tinha a necessidade de organizar o serviço, utilizar as ferramentas disponíveis de forma adequada. Fazer um diagnóstico da situação, traçar planos, ter objetivos, avaliar as ações, chegar ao resultado, isso tudo, muitas vezes, se dispersa em meio a tantos problemas que precisamos resolver, e o curso foi norteador para mim”, enfatizou.
10/01/2022 – Folha de São Paulo
Link: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/01/flurona-pode-causar-quadros-respiratorios-mais-graves-entenda.shtml
'Flurona' pode causar quadros respiratórios mais graves? Entenda
Coinfecções de Covid e influenza foram registradas com alta transmissão de vírus no país
Casos de 'flurona', como ficou conhecida a coinfecção de Covid-19 e influenza, já foram registrados em algumas partes do país. Os diagnósticos surgem em um momento em que o Brasil enfrenta uma forte onda de quadros gripais severos que já lotam hospitais em algumas cidades.
A Folha conversou com alguns especialistas para entender se existe alguma peculiaridade em casos de uma pessoa que é infectada por dois vírus e quais os efeitos que a dupla infecção por Covid-19 e influenza pode ter em um paciente.
Corredor de hospital com muitas pessoas
Casos de coinfecção de Covid e influenza já foram confirmados em alguns estados brasileiros, como Rio de Janeiro, Ceará e São Paulo. O aumento da circulação dos dois vírus fez atendimento em hospitais aumentarem - Rubens Cavallari - 04.jan.2021/Folhapress
O primeiro ponto é que uma dupla infecção causada por vírus é comum, explica Fernando Spilki, virologista e coordenador da Rede Corona-ômica BR-MCTI, um projeto de laboratórios que sequencia os genomas de amostras do Sars-Cov-2 no Brasil.
"Quando você vai estudar fora de um período de pandemia [...], você encontra um percentual muito alto de coinfecção [entre diferentes vírus]", afirma.
Spilki detalha que, em 2020, primeiro ano da pandemia, já tinham sido detectados casos de coinfecção entre Sars-CoV-2 e H1N1. Esses diagnósticos eram mais raros porque havia pouca circulação de influenza no Brasil. No entanto, o cenário mudou.
"Agora, a tempestade perfeita está formada: você tem muitas infecções por H3N2, especialmente por essa cepa Darwin que é responsável por esse surto atual no Brasil, e por outro lado você tem [...] uma onda se formando com ômicron. Então vai dar muita chance para que as pessoas se coinfectem com esses dois [patógenos]", diz.
Mesmo com esse cenário, Spilki afirma que não existem indicações que um diagnóstico positivo de gripe e Covid possa acarretar situações mais graves nos pacientes.
"A gente inclusive vê casos de coinfecção em pessoas com doença leve, então não é o fato de ter a coinfecção [que necessariamente indica a severidade da doença]", afirma.
É a mesma visão de Cristina Bonorino, imunologista e professora da UFCSPA (Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre).
"Parece ser uma coisa intuitiva dizer que, se tem mais de um vírus ao mesmo tempo, vai ficar pior, mas na verdade não é isso que acontece, depende muito da pessoa, da idade, das comorbidades", afirma.
Para o caso de coinfecções com Sars-CoV-2, Bonorino explica que "nenhum [estudo] mostra um risco aumentado", mas ela também ressalta a necessidade de continuar monitorando a situação, já que o coronavírus ainda é muito novo.
Ela também diz que os casos de coinfecção agora estão sendo mais relatados porque as medidas sanitárias estão sendo relaxadas, o que não tinha acontecido em larga escala anteriormente.
"A gente teve uma queda nos casos de influenza no ano passado por causa do distanciamento e por causa das máscaras, que inibem a circulação de todos os vírus. No que as restrições começaram a afrouxar, começaram os pequenos surtos de outros vírus e agora está tendo de gripe", afirma.
Aspecto parecido é apontado por Maurício Nogueira, professor da faculdade de medicina de São José do Rio Preto. Ele diz que a maior circulação de diversos vírus pelo país é "reflexo da total liberalização que a gente fez depois de dois anos parados".
Hospital cheio de pessoas
Hospital registram alta de atendimento por Covid e gripe. Nas imagens, o movimento no Amil Espaço Saúde - Rubens Cavallari - 04.jan.2022/Folhapress
O panorama crítico já é sentido em diferentes regiões. Hospitais, por exemplo, já precisam lidar com o aumento de pacientes com Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Gerson Salvador, médico do hospital universitário da USP (Universidade de São Paulo) e autor do blog "Linha de Frente" na Folha, já observou o aumento de casos críticos no atendimento a pacientes.
Ele relata que, em meados de novembro, já era visível o aumento do número de pacientes com Srag e que a maioria era de casos positivos de influenza. Salvador relaciona isso com a epidemia de gripe no Rio de Janeiro.
Em dezembro, no entanto, os números de casos a Covid-19 também subiram. "A gente viu aumentar muito rápido os casos de Covid-19. Nesse momento, a gente tem que lidar com pacientes com influenza e Covid grave", relata Salvador.
O médico, entretanto, reitera que essa situação não se relaciona necessariamente à coinfecção em si de coronavírus e influenza, mas sim à alta taxa de disseminação dos dois vírus pelo Brasil, que podem resultar em complicações respiratórias mesmo em infecções de somente um dos patógenos.
"Estar infectado com dois vírus ao mesmo tempo não quer dizer que vai ter quadro de maior gravidade. [Isso] não é uma outra doença", afirma.
Nogueira também defende que a coinfecção entre vírus não deve ser o ponto central de preocupação, por ser "um fenômeno relativamente comum".
"Nós temos que nos preocupar com a Covid, com as formas de transmissão e com a vacinação", diz.
Os diagnósticos de Sars-CoV-2 voltaram a subir de forma vertiginosa diante da variante ômicron, que tem uma alta taxa de transmissibilidade.
Um levantamento feito com mais de 2.400 amostras de testes RT-PCR especiais identificou uma prevalência média de 92% da nova variante nos positivados a Covid-19 no Brasil.
Dados preliminares também já indicam que o esquema vacinal de duas doses ou dose única tem redução significativa de anticorpos neutralizantes contra a ômicron. Mesmo assim, os imunizantes ainda são de extrema importância para evitar casos graves da doença, como hospitalizações e mortes.
Para Nogueira, inclusive, a transmissão exacerbada da ômicron e a vacinação defeituosa de crianças são os grandes problemas sanitários brasileiros que precisam ser enfrentados.
"A ômicron, a alta taxa de transmissão e o atraso para vacinar criança: esses são problemas que a gente tem que discutir", conclui.
10/01/2022 – GZH
Link: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/01/quais-sao-as-mascaras-mais-indicadas-para-o-momento-atual-da-pandemia-cky8zsq2d004r0188mj2z2i4f.html
Quais são as máscaras mais indicadas para o momento atual da pandemia
O ideal é optar pelos respiradores do tipo PFF2 ou N95; em segundo lugar, vem a máscara cirúrgica de camada tripla
Diante da alta circulação da variante Ômicron do coronavírus e também do vírus H3N2, causador de gripe, é fundamental investir em máscaras mais protetoras e no uso correto desses equipamentos de proteção individual (EPIs). O alerta vale também para pessoas vacinadas — mesmo quem está imunizado não pode descuidar da cobertura facial.
Melissa Markoski, bióloga, doutora em Biologia Celular e Molecular e professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), pede que a população opte, na medida do possível, por máscaras do tipo PFF2 (N95) ou cirúrgicas com tripla camada.
— Pelos artigos clínicos que saíram, não há diferença, em termos de proteção, entre a máscara cirúrgica de tripla camada e a PFF2. Na grande maioria dos hospitais, utiliza-se PFF2 nas áreas de risco para covid-19 e máscara cirúrgica nas demais áreas — explica Melissa, também membro da Rede Análise Covid-19.
A profissional lembra que que esta é a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde o setembro de 2021.
— O que temos em outras evidências? Estudos de prova de conceito, quando se testam, em laboratório, eficiência de filtração da máscara, ajuste, camadas. Aí se vê que o respirador PFF2 é superior — complementa.
A bióloga recomenda que as pessoas recorram à PFF2 principalmente quando não souberem se há alguém contaminado no local ou se a ventilação for insuficiente, caso do transporte público, por exemplo.
— Como a gente não sabe onde está a contaminação, utiliza a melhor máscara que puder — ensina Melissa.
Em encontros ao ar livre ou durante os passeios diários com o cachorro, situações de menor exposição, pode-se utilizar a versão cirúrgica.
Médico infectologista, Alexandre Schwarzbold, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, repete a mesma escala de priorização: em primeiro lugar, a PFF2, a melhor opção, seguida da cirúrgica, na segunda colocação. Quanto à cirúrgica, que pode deixar fendas que permitem a passagem de ar — e de partículas virais, consequentemente —, o correto posicionamento sobre o rosto é essencial. De nada adianta deixar o nariz para fora, ficar constantemente puxando-o para o pescoço ou manter aberturas muito grandes nas bochechas ou no queixo. Essa orientação vale para qualquer máscara.
— São questões simples, mas chave — ressalta o infectologista.
Quem não puder comprar PFF2 ou cirúrgica tripla, Schwarzbold indica a combinação da cirúrgica simples — a primeira a ser colocada, em contato com a face — com uma de pano, para que se obtenha melhor vedação.
— Não basta apenas colocar uma máscara. Ela tem que ser muito bem ajustada na região nasal — ressalta, destacando que a preferência deve ser dada às cirúrgicas com clipe nasal (estrutura metálica que pode ser pressionada junto ao nariz, perto dos olhos).
Se restar apenas a possibilidade de utilização de acessórios de tecido, que sejam, então, bem ajustados e lavados com frequência.
Quanto ao tempo de uso, Melissa atenta para o fato de a cirúrgica umedecer mais rapidamente — um aviso de extrema importância especialmente nesta semana, em que há previsão de recordes de calor para o Rio Grande do Sul. O ideal é trocar a cirúrgica depois de duas a quatro horas de uso ou quando estiver molhada.
— Quanto mais a pessoa suar, menor o tempo de utilidade — constata a docente da UFCSPA.
Em relação aos respiradores PFF2, mais duráveis, a utilização pode se estender por até oito horas quando se mantiverem secos. Tenha cuidado ao retirar a máscara, sem tocar na parte frontal, e deixe-a “descansando” por um período de 24 a 48 horas. Nesse intervalo, recorra a outra unidade, fazendo um rodízio. A PFF2 pode continuar sendo usada enquanto estiver limpa, sem deformações e com os elásticos em bom estado.
Outra possibilidade é a máscara KN95. Esta, entretanto, não tem um ajuste adequado nas laterais, aponta Melissa, mas não há estudos dizendo que seja incapaz de proteger. Se a preferência for por esta opção, procure fazer a regulagem com pequenos nós nas alças atrás das orelhas ou unindo as duas, com um elástico, por trás da cabeça.
08/01/2022 – Correio do Povo
Link: https://www.correiodopovo.com.br/especial/empreender-est%C3%A1-em-alta-na-universidade-1.752189
Empreender está em alta na universidade
Ranking que mede o empreendedorismo nas IES foi construído a partir de consulta a 24 mil estudantes de 126 instituições no país. Inovação, internacionalização e infraestrutura estão entre as características destacadas
Cultura Empreendedora, Inovação e Extensão, além de Internacionalização, Infraestrutura e Capital Financeiro são critérios que medem o grau de empreendedorismo de uma Instituição de Ensino Superior (IES). Com foco nestas características, a Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior) lançou, no início de dezembro último, em sessão no Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, a 4ª edição do Ranking de Universidades Empreendedoras (RUE). O levantamento foi feito a partir da consulta com mais de 24 mil estudantes, de 126 universidades, com base nas características que mais contribuem para uma IES ser considerada empreendedora.
Região Sul
O desempenho das universidades da Região Sul nessa 4ª edição do RUE foi um dos destaques na apresentação do levantamento. Enquanto a Universidade Tecnológica Federal do Paraná ficou no Top 10 da pesquisa em nível nacional, outras cinco instituições de Ensino Superior do RS obtiveram excelente resultado em quesitos específicos que ajudaram a embasar todo o trabalho. A Universidade do Vale do Taquari (Univates), com sede em Lajeado, ficou em primeiro lugar na avaliação referente à infraestrutura, em que se mensurou a percepção dos alunos quanto à qualidade oferecida para execução e desenvolvimento das atividades e à aproximação com o Parque Tecnológico local, caso haja.
Conforme a reitora da Univates, Evania Schneider, que recebeu a premiação, ser reconhecida como uma universidade empreendedora e que investe na sua estrutura, visando estimular o empreendedorismo e a qualidade da formação dos seus estudantes, é motivo de muito orgulho. “Estamos construindo uma sociedade melhor, mais empreendedora”, assinalou Evania.
Internacionalização
Já a PUCRS, na Capital, ficou em terceiro lugar no quesito Internacionalização, em que se observa a conexão entre a universidade e o ecossistema internacional, como meio de proporcionar soluções inovadoras através dos estudos e tecnologias desenvolvidos na instituição. Adriana Kampf, pró-reitora de Graduação e Educação Continuada da Universidade, destacou que a dimensão da inovação e do empreendedorismo estão curricularizados na PUCRS. Ou seja, todos os cursos de graduação contam com disciplinas que abordam aspectos de empreendedorismo e, principalmente, o desenvolvimento de competências empreendedoras. “O reconhecimento obtido no ranking denota o engajamento de professores e estudantes na oferta e no aproveitamento de todas as oportunidades na área que a PUCRS oferece”, sintetizou Adriana.
Inovação
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) ficou em terceiro lugar em Inovação, onde são levantados o desenvolvimento de tecnologias como também de conhecimentos na instituição. Já a Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) ficou em quarto lugar em Capital Financeiro, quando é considerado o orçamento das universidades. Os dados das instituições de ensino foram autodeclarados e o valor global foi dividido pelo número de alunos. A servidora Márcia May, vice-coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica e Empreendedorismo em Saúde (Nite Saúde) e Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Proppg) esteve presente na cerimônia de lançamento e certificação, representando a UFCSPA. “Destacar-se no RUE cria oportunidades e valoriza o diploma de nossos estudantes, assim como dá visibilidade à instituição. Mas o mais importante é mapear pontos de melhoria e desenvolver uma agenda propositiva, que coloque a cultura empreendedora em um lugar de destaque”, salientou Márcia.
Cultura empreendedora
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ficou em quinto lugar em Cultura Empreendedora, quando se observa a participação ativa de professores e alunos em todo o processo, incluindo a construção de matrizes curriculares que ajudem a explorar habilidades essenciais à ação empreendedora. O pró-reitor de Extensão da UFSM, professor Flavi Lisboa Filho, lembrou que as inovações dentro da Universidade não são apenas tecnológicas, mas também sociais: “Entendemos que a inovação irá acontecer por meio da cultura empreendedora”.
Desde 2016, a Universidade de Santa Maria conta com a Incubadora Social. É voltada à articulação da execução de projetos concebidos a partir de demandas locais e regionais, com foco em sustentabilidade socioambiental, visando à geração de trabalho e renda para coletivos em situação de vulnerabilidade social e em processo de organização solidária.
O Ranking de Universidades Empreendedoras, que conta com o patrocínio do Bradesco, pode ser acessado, na íntegra, no site da Universidade Empreendedora.
08/01/2022 – Metrópoles
Link: https://www.metropoles.com/brasil/por-que-e-tao-dificil-e-caro-testar-para-a-covid-no-brasil
Por que é tão difícil e caro testar para a Covid no Brasil?
Brasileiros com sintomas gripais e respiratórios têm enfrentado escassez de testes nas redes pública e privada, e horas de fila na tentativa
Longas filas, indisponibilidade e frustração viraram rotina para brasileiros que buscam testes para Covid-19 num momento em que a variante Ômicron avança no país junto a doenças que causam sintomas semelhantes, como a gripe. As dificuldades atingem pacientes tanto da rede pública quanto da privada, e até testes de farmácia estão em falta em várias capitais desde a virada do ano.
Aliada ao apagão de dados que persiste nos sistemas do Ministério da Saúde desde que a pasta foi alvo de um suposto ataque hacker, em 10 de dezembro do ano passado, a falta de testes deixa o Brasil numa espécie de cegueira estatística enquanto as infecções pelo coronavírus disparam em várias partes do mundo.
“Testar, testar e testar” é a estratégia que a Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de seu diretor-geral, Tedros Adhanom, sugere aos países desde meados de 2020, no início da pandemia, para melhor lidar com a calamidade pública. O Brasil, porém, tem lidado com problemas como escassez e carestia ao longo de todo o período pandêmico. Quem se dispõe a pagar pelos testes dificilmente encontra opções a menos de R$ 100 e muitas vezes paga mais de R$ 300 em um teste RT-PCR nos laboratórios privados.
Enquanto nos Estados Unidos, na China e em países da Europa os cidadãos têm acesso a testagem em massa, que inclui o envio de kits para a casa dos pacientes, opções baratas no setor privado e autotestes, no Brasil a maioria da população nunca se testou.
Números
De acordo com o Ministério da Saúde, desde o início da pandemia foram distribuídos 56 milhões de testes para unidades públicas de saúde, um investimento que custou R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos, mas não há dados consolidados sobre quantos deles foram aplicados. A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), por sua vez, informa ter realizado 12 milhões de testes.
Nas contas do site Worldometer, que reúne estatísticas sobre o combate à pandemia no mundo, o Brasil aplicou 63,7 milhões de testes em sua população (que é de 210 milhões de pessoas). Isso deixa o país num triste 131º lugar entre os países que mais testaram (de um total de 209 dos quais constam dados). São menos testes por milhão de pessoas do que os de países como Suriname (que está em 130º lugar nessa lista), Iraque (120º lugar), Argentina (104º lugar), Peru (102º lugar), e Uruguai (70º lugar).
Mas por que faltam testes no Brasil? Para o médico Alcides Miranda, professor de saúde pública da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a escassez é fruto de uma política pública falha.
“Alguns países desenvolveram e produziram rapidamente seus próprios testes, pois dispunham, como nós, de tecnologia apropriada e de alternativas para a produção em escala. Isso inclui inclusive países menores, como o Uruguai”, afirma ele, em entrevista ao Metrópoles.
“O que ocorreu no Brasil pode ser contextualizado e agregado com outros problemas correlatos: negligência intencional por parte do governo federal e insuficiência logística da parte de governos estaduais”, complementa ele, que vê prejuízos no controle da pandemia com a situação. “A testagem sistemática de casos e a seletiva para contatos são imprescindíveis para o monitoramento e o bloqueio epidemiológicos, o que lamentavelmente não ocorreu no Brasil desde o início da pandemia”, avalia o especialista.
O que poderia ser feito?
Para o epidemiologista Airton Stein, professor de saúde coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), seria importante ampliar as opções de testagem para a população. “Com o aumento de casos novos de Covid-19, em função de uma variante que é muito transmissível [a Ômicron], também houve a busca de exames para fazer o teste diagnóstico. A disponibilidade de testes diagnósticos rápidos no domicílio é essencial neste cenário e deve ser estimulada no sistema de saúde público e privado no Brasil”, sugere ele, em entrevista ao Metrópoles.
No entanto, para disponibilizar no Brasil os autotestes que se popularizaram em outros países, há questões legais e regulatórias a serem enfrentadas. Apesar de haver alguma disponibilidade desse tipo de teste para venda no mercado internacional, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autorizou a importação e uso da tecnologia por aqui.
A questão é que a agência prevê em suas normas que exames para doenças contagiosas e de notificação obrigatória (como a Covid-19) sejam feitos por profissionais especializados. Em 2016, porém, o órgão abriu uma exceção e autorizou a venda em farmácias de autotestes para detectar o vírus HIV.
Enquanto persistem essas questões de ordem burocrática, os brasileiros enfrentam seguidas dificuldades para testar se estão infectados pelo coronavírus. No Distrito Federal, por exemplo, pacientes com sintomas gripais têm relatado dificuldades para fazer testes da Covid-19 e da gripe H3N2 na rede pública do Distrito Federal.
Segundo relatos da população confirmados pela reportagem, a testagem está disponível apenas nas unidades de referência da residência do paciente, no começo da manhã e no início da tarde, e há limite de testes por dia.
No Rio de Janeiro, onde foi registrado um aumento de 6.778% no número de casos de Covid-19, os postos de testagem para a doença estão lotados desde o fim do ano passado. A fila de espera entre a triagem e o teste passou das duas horas na Arena Carioca, um dos dez locais montados pela Secretaria municipal de Saúde na capital para testagem gratuita, segundo registro feito pelo Metrópoles na última quinta-feira (6/1).
Em Goiânia, a reportagem registrou esperas de até 5 horas ao longo da última semana para a testagem grátis na rede pública.
Usuários da rede privada de saúde em todo o país também têm relatado dificuldades crescentes para marcar e fazer testes pelo plano de saúde.
Com tudo isso, fica difícil para os brasileiros seguir o conselho de Tedros Adhanom e “testar, testar e testar”.
04/01/2022 – Prefeitura de Porto Alegre
Link: https://prefeitura.poa.br/sms/noticias/acoes-de-combate-pandemia-foram-destaque-na-saude-em-2021
Ações de combate à pandemia foram destaque na Saúde em 2021
O ano foi de desafios no combate à pandemia de Covid-19. Marcado pelo início da vacinação, o período registrou o ápice no esforço para receber todos os pacientes que precisavam de atendimento. Porto Alegre teve um pico de oferta de 973 leitos hospitalares pela prefeitura, no mês de abril, sendo 268 de UTI e 705 de enfermaria para atender a alta demanda de internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com a abertura e adaptação das vagas, a rede hospitalar foi reforçada e o atendimento qualificado.
Além da disponibilização de leitos em 17 hospitais públicos e privados, a instalação do hospital de campanha na área externa do Hospital Restinga e Extremo Sul foi um reforço para dar conta da alta demanda. Montada em parceria com o Exército, a estrutura funcionou de 19 de março a 3 de maio com 20 leitos, sendo oito de terapia intensiva.
“A rede hospitalar conseguiu uma ampliação recorde na oferta de leitos de UTI jamais experimentada até então, incluindo a mobilização de recursos humanos. Vimos salas de recuperação e de emergência se transformarem em UTIs”, afirma o coordenador da Central de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde, Jorge Osório. Segundo ele, o setor chegou a receber cerca de 70 solicitações por dia para leitos de UTI Covid-19.
Controle sanitário - Para manter o controle na entrada de novas variantes do coronavírus, a Diretoria de Vigilância em Saúde coordenou ações no Aeroporto Internacional de Porto Alegre e na Estação Mercado da Trensurb. Na primeira etapa da operação no aeroporto, entre 14 e 27 de junho, foram realizados 6.203 testes rápidos de antígeno em passageiros na área de desembarque doméstico, com 55 diagnósticos positivos para Covid-19. Na segunda etapa, entre 19 de julho e 18 de outubro, 581 viajantes realizaram a testagem do tipo RT-PCR nos laboratórios parceiros da prefeitura e cinco tiveram resultado positivo. Já a ação na estação de trem durou duas semanas. Foram realizados 138 testes rápidos e, do total, nove tiveram resultado positivo. Em dezembro, a ação no aeroporto foi retomada em função da variante Ômicron.
Ampliação da testagem - Pessoas com sintomas de Covid-19 seguiram com acesso à testagem gratuita, que foi ampliada. Em março, teve início a parceria com Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) para testagens contra Covid-19 em drive-thru instalado no estacionamento da instituição. Desde 7 de julho, 31 unidades de saúde também ofertam testes rápidos de antígeno para detecção do coronavírus a pacientes sintomáticos. As unidades de saúde têm capacidade de realizar, em média, 2,5 mil testes por mês. Os pacientes passam por avaliação clínica e, se há indicação, são encaminhados para testagem no próprio local. Os resultados saem em 15 minutos.
Oferta de teleconsulta - Para evitar que pacientes com sintomas saíssem de casa para receber atendimento, foi disponibilizado o serviço de consultas e orientação à distância, em parceria com Santa Casa e UFSCPA, reforçando a rede de atendimento SUS na pandemia. Em funcionamento de abril de 2020 a novembro de 2021, realizou mais de 5,2 mil atendimentos gratuitos na plataforma Conexão Santa Casa, ferramenta de telemedicina desenvolvida pela instituição.
Ambulatório pós-Covid - Destinado a pacientes de baixa ou média complexidade que ficaram com sequelas após contrair a Covid-19, está localizado no Centro de Saúde IAPI. Oferece serviços de fisioterapia, enfermagem, fonoaudiologia, psicologia, nutrição, acupuntura e osteopatia, sendo um importante espaço para que os pacientes recebam acompanhamento especializado e se recuperem da doença. Em cinco meses de atuação, 147 pessoas foram avaliadas e 68 seguem em acompanhamento no local, que atende desde 12 de julho. “Sabemos que a recuperação de pacientes graves de Covid-19 costuma ser lenta. O ambulatório é um espaço importante para que essas pessoas tenham um acompanhamento especializado”, completa o secretário Mauro Sparta.
04/01/2022 – Viva Bem UOL
Link: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2022/01/04/termogenico-pimenta-proteina-o-que-realmente-acelera-o-metabolismo.htm
O que realmente acelera o metabolismo e por que isso não faz você emagrecer
É muito comum pessoas que estão em processo de emagrecimento buscarem alternativas para acelerar o metabolismo e fazer o corpo gastar mais calorias. Antes de saber o que funciona ou não para isso, é preciso compreender o que é o metabolismo. Ele é definido como a soma das reações químicas relacionadas à construção e reparação de tecidos (músculo, pele, cabelo etc.), à regulação da temperatura corporal, à produção de energia e manutenção das funções vitais (respiração, circulação sanguínea etc.).
Para realizar todos esses processos e se manter funcionando, nosso corpo gasta combustível (calorias) —a chamada taxa metabólica basal, ou a quantidade de energia que o organismo utiliza, em repouso, para exercer suas funções básicas. É aí que entra o pensamento de muitas pessoas de que adotar estratégias para "aumentar o metabolismo" e fazer o corpo queimar mais calorias pode ajudar na perda de peso. Mas não é simples assim.
Primeiro, porque muitas das táticas acabam promovendo um aumento muito pequeno no gasto energético (cerca de 20 a 100 calorias por dia), incapaz de gerar uma queima de gordura significativa. E segundo porque nosso organismo é programado para "poupar energia". Então, mesmo que a pessoa use uma tática para aumentar seu gasto calórico em repouso, o corpo tende a se adaptar e buscar meios de economizar a energia.
Portanto, pensando em emagrecer com saúde, o mais importante é uma alimentação saudável (rica em alimentos naturais) e a prática regular de exercícios. Nenhuma estratégia para aumentar o metabolismo vai ser capaz de funcionar sozinha e compensar uma ingestão calórica exagerada ou uma dieta ruim. Tendo isso em mente, entenda o que funciona ou não para aumentar seu metabolismo.
CONTROLAR O ESTRESSE
Funciona O hormônio cortisol é liberado em resposta ao estresse e à ansiedade, assim como a adrenalina. Sua ação faz com que haja redução do gasto calórico e aumento do estoque de gordura, além de diminuir a atenção ao comer. Dessa forma, o organismo entende que está sujeito a uma situação de perigo, deixando a digestão em segundo plano. Portanto, controlar o estresse e buscar atividades que valorizem uma rotina mais tranquila é não só uma forma de autocuidado, mas de contribuir com o funcionamento do metabolismo.
PRATICAR EXERCÍCIOS REGULARMENTE
Funciona As atividades físicas estão diretamente ligadas ao aumento da taxa metabólica basal. Tanto os exercícios de força (musculação, treino funcional) quanto os aeróbicos (corrida, bike) fazem com que o corpo queime mais calorias, inclusive nos períodos de descanso. Isso porque o corpo gasta energia para reparar os danos que os músculos sofrem durante a atividade física.
A atividade física ainda promove o ganho de massa muscular, tecido que nosso organismo gasta mais energia para manter do que a gordura, por exemplo. Mas aqui voltamos a ressaltar o que já explicamos: esse aumento na taxa metabólica é pequeno e por si só não gera efeito no emagrecimento. Um estudo, por exemplo, mostrou que 1 kg de massa muscular em repouso queima, em média, 13 calorias por dia. Ou seja, o aumento energético ao ganhar 1 kg de músculo —o que não é fácil e algumas pessoas levam meses para conseguir— não equivale às calorias ingeridas ao comer uma bala.
Obviamente, não podemos pensar só de forma isolada. Para ganhar músculos você precisa fazer exercícios, ter uma boa alimentação, dormir adequadamente, reduzir o estresse. Essa soma será benéfica para o metabolismo e a perda de peso.
FAZER UM LANCHE LEVE ANTES DE DORMIR
Depende Essa é uma estratégia que dividiu a opinião dos especialistas ouvidos por VivaBem. A teoria é que consumir certos alimentos vai favorecer a reconstrução dos tecidos e a produção de hormônios que contribuem para o aumento da taxa metabólica. No entanto, não há comprovação científica de que comer um snack leve antes de dormir tenha esse efeito. Além disso, escolhas ruins podem interferir na produção hormonal que acontece durante o sono e gerar um "efeito contrário".
Por outro lado, o processo de digestão, por si só, já eleva o metabolismo (por isso nesse item usamos o "depende" em vez do "não funciona"). Mas não vale comer só por isso, sem real necessidade, já que você vai ingerir mais calorias do que queimar.
Para quem realmente precisa comer algo antes de se deitar, a sugestão é consumir alimentos leves, fonte de proteína e probióticos (como iogurte), que auxiliam na digestão, no equilíbrio da microbiota intestinal e possuem ação anti-inflamatória e antioxidante.
CONSUMIR TERMOGÊNICOS
Funciona Pimenta, café (por causa da cafeína), gengibre, canela e suplementos termogênicos realmente têm a capacidade de elevar nosso gasto energético em repouso. E nos alimentos que fazem isso ainda há outros benefícios.
A ação adrenérgica da pimenta, além de favorecer a queima calórica, reduz o apetite. Já o gengibre e a canela possuem propriedades anti-inflamatórias, que ajudam a dar disposição, a recuperação muscular e aceleram o metabolismo. E o café tem substâncias antioxidantes.
Porém, tenha em mente que o efeito dessas substâncias é muito pequeno e eles não vão fazer você emagrecer sem bons hábitos alimentares e treinamento regular. Um estudo publicado no International Journal of Obesity mostra que o consumo de termogênicos pode elevar o gasto energético diário em até 5%. Ou seja, uma pessoa que gasta 2000 calorias por dia vai queimar apenas 100 calorias a mais ao usar essas substâncias.
COMER DE TRÊS EM TRÊS HORAS
Depende Existem cada vez mais profissionais que defendem que as refeições devem respeitar os sinais de saciedade, ou seja, devemos nos alimentar quando sentirmos fome e não nos obrigarmos a comer a cada "X" horas.
Nesse caso, seria mais importante para o metabolismo o que se come e o quanto se come nessas refeições. Por outro lado, o estado de jejum prolongado ou de restrição calórica reduz os níveis dos hormônios tireoidianos, que são fundamentais para manter o metabolismo funcionando corretamente.
O ideal é recorrer a um profissional que vai desenvolver o plano alimentar adequado às suas necessidades.
AUMENTAR A INGESTÃO DE PROTEÍNAS
Funciona Nosso corpo queima calorias para digerir o que comemos —o aumento no gasto calórico gerado pelos nutrientes é chamado de Efeito Térmico dos Alimentos (ETA). E a proteína é o macronutriente que tem maior efeito termogênico no organismo. Cerca de 25% a 30% das calorias do nutriente são gastas no próprio processo de digestão, enquanto o efeito térmico dos carboidratos é de 6% a 8% e o da gordura, de 2% a 3%.
A proteína ainda é um nutriente essencial para a construção das fibras musculares e de hormônios como o GH (hormônio do crescimento), que participa ativamente dos processos anabólicos (construção de tecidos) e lipolíticos (queima de gordura).
BEBER ÁGUA Depende A água tem papel fundamental nos processos fisiológicos e bioquímicos do corpo. Portanto, quando o seu consumo é feito na quantidade adequada, o organismo funciona melhor também. Um estudo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Meabolism afirma que, ao ingerir 500 ml de água de uma só vez, o metabolismo trabalha de forma mais acelerada, aumentando o gasto energético em 24% ao longo dos próximos 60 minutos. Mesmo assim, não há um consenso entre os especialistas de que só o fato de beber água faça o metabolismo acelerar. E, se fizermos uma conta grosseira com base nesse estudo, veremos que o efeito (novamente) é pequeno. Podemos dizer que uma pessoa que gasta 2000 calorias por dias queima, em média, pouco menos de 84 calorias por hora. Ou seja, tomar 500 ml de água de uma só vez vai representar um aumento no metabolismo de 20 calorias.
O metabolismo diminui com a idade? Durante muito tempo, as pessoas acreditaram que a taxa metabólica começava a sofrer uma grande redução por volta dos 30 anos —quando para muitos parece que fica mais difícil emagrecer —ou mais fácil engordar. No entanto, um estudo publicado pela revista Science, no ano passado, mostrou que não é bem assim e nosso metabolismo tende a continuar estável entre os 20 e 60 anos. Segundo a pesquisa, feita em 29 países, com 6.400 pessoas de 8 dias de idade até 95 anos, o metabolismo é acelerado em recém-nascidos, com taxas que representam o dobro do valor médio dos adultos. Porém, após o primeiro ano de idade, o metabolismo diminui até chegar a um momento entre os 20 e 60 anos, que se mantém estável, independentemente do sexo.
Então, a partir dos 60 anos, a redução é gradativa e representa os menores níveis nos últimos anos de vida. Ou seja, o metabolismo atinge o pico muito mais cedo na vida e desacelera muito mais tarde do que se pensava.
Fontes: Guilherme Renke (@endocrinorenke), pesquisador, endocrinologista e médico do esporte, diretor da SBEMO (Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade); Luna Azevedo (@lunanutri) é nutricionista formada pela Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, com especialização em nutrição ortomolecular e fitoterapia; Rafael Soares, formado em medicina pela UFSCPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre), com especialização em nutrologia e dermatologia.
03/01/2022 – Guia do Estudante – Correio Braziliense
Link: https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/trabalho-e-formacao/2022/01/4973657-as-universidades-empreendedoras-do-pais.html
Conheça as universidades empreendedoras do país
Embora tenha caído sete posições, a UnB e a federal de Jataí (GO) são destaques no Centro-Oeste, segundo ranking da Brasil
A Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior) divulgou, este mês, a quarta edição do Ranking de Universidades Empreendedoras (RUE). Das 126 universidades ranqueadas, a UnB está em 15º lugar, sete posições abaixo em relação ao último levantamento, realizado em 2019. A Universidade Católica foi outra instituição ranqueada no top 50, estando em 49º.
O diretor de integração social e desenvolvimento regional do decanato de extensão da UnB, Rogério Ferreira, explica que a a falta presencial dos estudantes no espaço acadêmico por causa da pandemia da covid-19 gerou obstáculos para a realização de atividades práticas e coletivas de extensão, o que pode ter justificado a queda no ranking nesta edição.
Contudo, segundo ele, foi justamente essa dificuldade imposta pela pandemia que também possibilitou o surgimento de novos processos de ações coletivas, com ajuda de tecnologias digitais, que mantiveram ativa a dimensão educacional dos projetos de extensão. "É notória a busca de alternativas de ação realizada por docentes e discentes durante esse período, processos de superação são observados a cada instante", lembra. Por isso, ele comemorou a conquista da UnB e reforçou a importância da universidade em manter operantes as ações coletivas das empresas juniores durante a pandemia.
O ranking é feito a partir de um levantamento da Brasil Júnior que mede a postura empreendedora das comunidades acadêmicas de cada universidade brasileira no empreendedorismo, assim como o acesso à vivência empresarial no ambiente acadêmico que as instituições proporcionam, o que se faz muitas vezes por meio das empresas juniores.
A classificação toma como base seis dimensões, ou critérios avaliativos, sendo eles: cultura empreendedora, extensão, inovação, internacionalização, infraestrutura e capital financeiro. Cada universidade recebe uma nota em cada uma destas dimensões, de 0 a 10, e é por meio da média entre elas que é determinada sua posição no ranking.
O Centro-Oeste também teve destaques surpreendentes em alguns critérios do ranking. A Universidade Federal de Jataí (GO), que mesmo estando em 46º no levantamento geral, teve a quinta maior nota nacional no quesito 'internacionalização', que leva em consideração intercâmbios, pesquisas em colaboração internacional e parcerias com universidades do exterior.
O melhor resultado da UnB foi no quesito 'extensão', ficando em 12º lugar no país. Essa dimensão analisa a quantidade de projetos de extensão feitos, a maneira que organizações estudantis de representatividade nacional são vistas e o impacto das produções científicas no ambiente online.
Segundo Rogério Ferreira, as ações de extensão são elemento essencial para que a universidade cumpra seu papel social e continue mantendo firme um diálogo educacional com a comunidade. "É importante manter acesa a consciência da necessidade de a universidade levar adiante seu propósito social, sua missão de contribuir para a construção de uma sociedade que valorize a diversidade por meio de uma formação humanista que priorize o senso de equidade", ressalta.
Para isso, a UnB já tem planos para expandir ainda mais seus pontos de atuação extensionista para o ano que vem, na chamada Rede de Polos de Extensão. Segundo informações do diretor, a rede conta com quatro polos até o momento: Recanto das Emas, Paranoá, Estrutural e no território Kalunga, em Cavalcante (GO); e um quinto será estabelecido em Alto Paraíso de Goiás (GO), tendo assim, mais uma região onde a universidade possa focar em ações coletivas de integração, que são fundamentais para as atividades de extensão.
As 50 melhores ranqueadas em 2021
POSIÇÃO
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20º
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE PORTO ALEGRE (UFCSPA)
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