30/04/2021 – GZH

https://www.correiodopovo.com.br/podcasts/direto-ao-ponto/protocolos-antigos-falta-de-monitoramento-e-a-chegada-do-inverno-o-cen%C3%A1rio-da-volta-%C3%A0s-aulas-no-rs-1.612272

Protocolos antigos, falta de monitoramento e a chegada do inverno: o cenário da volta às aulas no RS

Direto ao Ponto conversou com a Melissa Markoski, professora de Biossegurança da UFCSPA e membro da Rede Análise Covid-19

Após um extenso processo judicial, os estudantes gaúchos voltam a ocupar as salas de aulas. Máscaras, álcool em gel, termômetros são itens essenciais para o retorno e devem estar disponíveis a todos os profissionais da educação e alunos, conforme consta nos protocolos apresentados pelo governo do Rio Grande do Sul. Estas são algumas das medidas, além de limitações de espaço e testagem, que devem ser aplicadas nas escolas.

No entanto, a professora de Biossegurança da UFCSPA e membro da Rede Análise Covid-19, Melissa Markoski, ressalta que os protocolos solicitados hoje são os mesmos de setembro, quando a situação epidemiológica era outra. Para ela, o governo também deve atentar para a chegada do inverno e ao uso de modelos de máscaras adequadas em crianças.

Ao Direto ao Ponto, desta sexta-feira, ela comenta as condições apresentadas para o retorno presencial às salas de aulas, a necessidade de imunizar a comunidade acadêmica e os riscos aos quais crianças e adolescentes estão expostos.

29/04/2021 – Portal Brasil 61

https://brasil61.com/noticias/debate-sobre-fake-news-na-saude-e-promovido-pelo-mpf-e-ufcspa-bras214745

Debate sobre fake news na saúde é promovido pelo MPF e UFCSPA

Evento online acontecerá no dia 3 de maio. Inscrição prévia não é necessária

Na próxima segunda-feira (3), a partir das 10h, ocorrerá o debate online "Fake News em Saúde: como responsabilizar quem as divulga?", promovido pelo Departamento de Educação e Humanidades da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) em parceria com o Ministério Público Federal (MPF).

O vento contará com três palestrantes, a médica e professora, Lucia Campos Pellanda (UFCSPA), a juíza federal, Claudia Dadico e a jornalista e professora, Raquel Recuero (UFPEL). A discussão será acompanhada com tradução simultânea para Libras.

Para acompanhar, basta acessar o canal Furando Bolhas no YouTube. Não é necessária uma inscrição prévia, mas aqueles que desejarem obter certificado de participação devem preencher um formulário no site da Universidade.

29/04/2021 – Jornal Matinal

https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/newsletter/aulas-comecam-a-voltar-nesta-terca-feira/

Aulas começam a voltar nesta quinta-feira

Atenção aos cuidados – Com a volta às aulas confirmadas, integrantes do Comitê Científico agora tentam minimizar impactos na pandemia que podem ser causados pela grande movimentação que irá acontecer. Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a médica e professora Lucia Pellanda alertou em entrevista ao Correio do Povo para a necessidade de atualização dos protocolos, que, conforme ela, precisam focar em uso de máscaras, ventilação adequada e distanciamento físico. “Embora o risco para as crianças seja menor, ele não é zero. E o risco de elas transmitirem para familiares e para pessoas que estão na escola é considerável”, afirmou.

29/04/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/04/prefeitura-de-porto-alegre-comeca-a-testar-professores-da-rede-municipal-cko3ewicj00b5018m2os3m1xn.html

Prefeitura de Porto Alegre começa a testar professores da rede municipal

Infectologista questiona estratégia e diz que medida só tem efeito se testes ocorrerem com periodicidade

A prefeitura de Porto Alegre começou, nesta quinta-feira (29), a testagem para covid-19 que deverá ser feita com todos os professores e demais profissionais das escolas municipais, em meio à retomada das aulas presenciais na cidade. A estratégia utilizada pela prefeitura não é consenso entre especialistas consultados por GZH.

No início da tarde, equipes da Saúde municipal coletaram material de cinco dos 13 profissionais que atuam na Escola de Educação Infantil Padre Luiz Pedrollo, no bairro Partenon, zona Leste da cidade.

Apesar do ato simbólico dentro da escola, a testagem para os demais trabalhadores da rede municipal será feita em 24 postos de saúde e laboratórios indicadores pela prefeitura. Cada profissional da educação será comunicado pela sua instituição de ensino e receberá um tíquete que deverá apresentar no local de teste escolhido.

Segundo o diretor da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, ainda está sendo avaliado se cada trabalhador será testado uma única vez ou se haverá testagem periódica.

– Ainda estamos avaliando. Provavelmente vai ter uma segunda rodada de testes. E, quando houver um caso confirmado, serão testados todos os contactantes (as pessoas com quem o infectado fez contato) – garantiu Ritter.

A estratégia utilizada pela prefeitura não é consenso entre especialistas consultados por GZH.

O teste realizado é do tipo RT-PCR, que detecta se a pessoa está com o vírus ativo no momento da testagem. A secreção naso-faríngea para análise laboratorial é coletada a partir da introdução de um cotonete nas narinas.

GZH ouviu dois estudiosos no assunto para avaliar o programa municipal de testagem. Eduardo Sprinz, chefe do serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, diz que considera a estratégia pouco eficiente. Ele defende que o melhor, nesse caso, seria utilizar testes rápidos que informam o resultado em 15 minutos e evitam que a pessoa contaminada siga circulando e contaminando outras.

Além disso, o infectologista aponta que é preciso testar os profissionais a cada três ou cinco dias para que a medida tenha efeito de longo prazo.

— Isso não serve para nada. Seria importante testar a cada três, cinco dias. E daqui a uma semana, e daqui a um mês, como vamos saber quem está contaminado? O ideal é testar com periodicidade. Testar uma vez só é como usar comprar um guarda-chuva falsificado, que usa uma vez e não funciona mais — afirma Sprinz.

A professora do Departamento de Saúde Coletiva da UFCSPA, Eliana Wendland, avalia  que a testagem com RT-PCR iniciada pela prefeitura é uma estratégia possível, destacando que a testagem deve ocorrer antes de os profissionais iniciarem as atividades.

— Com os testes, vou ter a informação de que, neste momento, as pessoas não estão infectadas. Se retomamos as aulas hoje, com os testes feitos, posso garantir que um novo caso não foi resultado de uma transmissão dentro da escola. O ideal é que se implementem simultaneamente diferentes medidas de mitigação. Testagem e rastreamento são duas medidas possíveis — diz Eliana.

Tanto Sprinz quanto Eliana reforçam a importância das seguintes medidas: rastreio de contactantes dos casos positivos, uso de máscaras N95 (também chamadas de PFF2) e adoção de protocolos rígidos de distanciamento e ventilação.

29/04/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/atraso-na-segunda-dose-n%C3%A3o-garante-efic%C3%A1cia-das-vacinas-alertam-especialistas-1.611639

Atraso na segunda dose não garante eficácia das vacinas, alertam especialistas

Preocupação com comprometimento da imunização iniciou após escassez da Coronavac no país

O Instituto Butantan recomenda que a segunda dose da Coronavac deve ser aplicada em um período entre 14 e 28 dias após a primeira. Já quem recebeu a dose da vacina AstraZeneca/Oxford (produzida no Brasil pela Fiocruz), o período recomendado é de 12 semanas. Mas o Rio Grande do Sul precisa de pelo menos 263.870 doses da Coronavac para poder realizar a segunda aplicação e concluir o ciclo de imunização daqueles que já receberam apenas primeira, o que tem feito os gaúchos esperarem além do prazo estipulado pelos laboratórios. Situação tem preocupado especialistas, que são categóricos ao afirmar não existir garantia da eficácia de proteção proposta pelas vacinas após o atraso na aplicação da segunda dose.

“Estamos verificando uma falta de planejamento estratégico preocupante. A comunidade científica séria, não comprometida com nenhum aspecto político, está bastante preocupada com o atraso na aplicação na aplicação das segundas doses da Coronavac. A realidade é que não há nenhum estudo que tenha avaliado o efeito de uma segunda dose após o 28º dia da primeira dose”, alerta o epidemiologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Paulo Petry. “A resposta é bem objetiva e bem clara para esta situação: não existe estudo mostrando a resposta vacinal em diferentes intervalos”, ratifica o infectologista do Hospital Moinhos de Vento, Paulo Gewehr.

De acordo com Petry, todos os estudos que foram realizados e deram origem a todas estas vacinas, são ensaios clínicos randomizados. “São estudos muito bem feitos, muito bem conduzidos e são estudos padrão ouro da investigação epidemiológica e que atestaram a segurança e a eficácia da vacina. Mas atestaram a eficácia com a aplicação da segunda dose no máximo em 28 dias após a primeira dose.

E ao contrário do que afirma a Secretaria Estadual de Saúde (SES) e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre, nós não sabemos o que pode acontecer com estas segundas doses aplicadas em atraso. É um salto no escuro”, critica o epidemiologista. “Qualquer estudo vacinal, para ser efetuado na população, ele é feito dentro de um protocolo. E o protocolo que foi estudado para a Coronavac são duas doses e o intervalo máximo, é 28 dias. Fora disso, a gente não sabe quanto tempo pode esperar”, lembra Cristina Bonorino, imunologista, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI).

Cristina explica que quando alguém recebe uma imunização, a primeira dose, o que acontece com a resposta imune, é que ela expande as células específicas para combater o vírus por uma semana e depois elas começam a reduzir. “Neste período em que elas começam a cair, é quando a gente dá o reforço, que a gente chama de segunda dose. Com este reforço, aquelas células que estavam morrendo, recebem um sinal de sobrevivência e aí elas conseguem sobreviver e se diferenciar, no que a gente chama de memória. Elas se mantêm por muitos anos. Se tu não receber o reforço, é que as células não recebem sinal de sobrevivência e morrem. E aí tem que começar tudo de novo o protocolo de vacinação”, detalha a professora.

Petry afirma que o cenário com os atrasos é de incerteza. “Existe até a possibilidade, sendo otimista, que incremente e melhore a resposta imunológica das pessoas. Mas está é uma visão romântica e otimista. Na verdade, nós não sabemos o que vai acontecer. E se acontecer que a vacina perca sua eficácia, as vacinas vacinadas em atraso elas estarão sendo prejudicadas e iludidas”, critica.

Gewehr acredita que o atraso pode prejudicar em outro aspecto. “Temos que fazer um esforço grande para que este desabastecimento não ocorra novamente. Porque começa a gerar incerteza, dúvidas e até esquecimento, refletindo na adesão vacinal, por procurarem a segunda dose na data indicada e acabarem achando que não é mais importante ao ver que não tem disponível”, frisa.

O Ministério da Saúde diz que é "improvável que intervalos aumentados entre as doses das vacinas ocasionem a redução na eficácia do esquema vacinal". Mas ressalta que os atrasos devem ser evitados "uma vez que não se pode assegurar a devida proteção do indivíduo até a administração da segunda dose".

A SES foi questionada, mas até o fechamento desta reportagem não informou uma posição, mas tem afirmado que não faltam doses da AstraZeneca/Oxford para a dose de reforço. Já a SMS, lembra que o próprio diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas já disse não ter problemas em atrasos de 10, 15 dias ou até de um mês na aplicação da segunda dose. “Intervalo pequeno, de alguns dias não tem problema. Mas uma semana ou duas pode fazer a diferença. Eles (autoridades) não podem garantir isso. Se falam isso, é sem nenhuma evidência”, critica Cristina.

28/04/2021 – Revista News

https://revistanews.com.br/2021/04/28/medicos-fernando-lucchese-e-jose-camargo-palestram-amanha-29/

Médicos Fernando Lucchese e José Camargo palestram amanhã (29)

Primeiro módulo do projeto Luzes da Ciência será integrado por palestras de personalidades com atuação na medicina, levando temas diversos para o debate da sociedade.

A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre dão início, na próxima quinta-feira (29 de abril), às 20h, ao primeiro módulo do Luzes da Ciência, projeto online que contará com palestras de personalidades sobre temas como medicina, saúde e bem-estar.

A primeira palestra será do médico Fernando Lucchese, cirurgião cardiovascular e diretor médico do Hospital São Francisco e Hospital da Criança Santo Antônio, que falará sobre A interface entre felicidade e saúde. Na sequência, o médico José Camargo, cirurgião torácico e diretor médico do Hospital Dom Vicente Scherer, realizará a palestra Medicina: passado, presente e futuro.

O médico Ernani Rhoden, idealizador do projeto juntamente com os médicos Leandro Spinelli e Paulo Worm, explica que o Luzes da Ciência “busca trazer pensadores e intelectuais de destaque no Rio Grande do Sul e no Brasil para abordagens enriquecedoras de diversos temas relacionados com o mundo atual”. A atividade será mediada pela jornalista Laura Medina e transmitida pelas páginas do Facebook (SantaCasaPortoAlegre) e YouTube da Santa Casa (TVSantaCasa).

28/04/2021 – Revista News

https://revistanews.com.br/2021/04/28/medicos-fernando-lucchese-e-jose-camargo-palestram-amanha-29/

Médicos Fernando Lucchese e José Camargo palestram amanhã (29)

Primeiro módulo do projeto Luzes da Ciência será integrado por palestras de personalidades com atuação na medicina, levando temas diversos para o debate da sociedade.

A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre dão início, na próxima quinta-feira (29 de abril), às 20h, ao primeiro módulo do Luzes da Ciência, projeto online que contará com palestras de personalidades sobre temas como medicina, saúde e bem-estar.

A primeira palestra será do médico Fernando Lucchese, cirurgião cardiovascular e diretor médico do Hospital São Francisco e Hospital da Criança Santo Antônio, que falará sobre A interface entre felicidade e saúde. Na sequência, o médico José Camargo, cirurgião torácico e diretor médico do Hospital Dom Vicente Scherer, realizará a palestra Medicina: passado, presente e futuro.

O médico Ernani Rhoden, idealizador do projeto juntamente com os médicos Leandro Spinelli e Paulo Worm, explica que o Luzes da Ciência “busca trazer pensadores e intelectuais de destaque no Rio Grande do Sul e no Brasil para abordagens enriquecedoras de diversos temas relacionados com o mundo atual”. A atividade será mediada pela jornalista Laura Medina e transmitida pelas páginas do Facebook (SantaCasaPortoAlegre) e YouTube da Santa Casa (TVSantaCasa).

 

28/04/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADtica/reitora-alerta-protocolos-para-abrir-escolas-est%C3%A3o-defasados-1.610798

Reitora alerta: "protocolos para abrir escolas estão defasados"

Surpreendidos com anúncio do governo, integrantes do Comitê Científico se oferecem para auxiliar nas mudanças

Surpreendidos ao longo da terça-feira pelas medidas anunciadas pelo governador Eduardo Leite (PSDB) colocando, por decreto, todo o RS em bandeira vermelha, suspendendo a cogestão e permitindo o retorno das aulas presenciais em  todos os níveis de ensino, integrantes do Comitê Científico passaram a se mobilizar para alertar tanto o Executivo como a população sobre o que, do ponto de vista do avanço da pandemia, as mudanças podem significar. Há um entendimento majoritário, por exemplo, de que o retorno às atividades presenciais na Educação não pode ser feito, no atual momento no RS, com protocolos construídos no ano passado, porque os mesmos estão defasados.

“Nossa posição inicial é de pelo menos tentar propor critérios para as escolas, porque os protocolos antigos não servem agora”, adianta a reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a médica e professora Lucia Pellanda.  Lucia integra o Comitê Científico, um colegiado que mescla especialistas externos vinculados a diferentes instituições e áreas do conhecimento e corpos técnicos do governo. E que foi instituído no ano passado para assessorar o Executivo, a partir dos critérios técnicos e científicos, nas medidas de combate ao coronavírus.

Correio do Povo: Por que os protocolos estabelecidos em 2020 para reabertura das escolas não atendem as necessidades do atual momento?

Lucia Pellanda: Porque, durante todo este período, aprendemos com a pandemia. E hoje estão consolidadas a importância e o alto grau de transmissão pela via respiratória. É um vírus respiratório. No ano passado, havia toda uma atenção voltada para quantificar a transmissão por superfícies. Os protocolos foram construídos priorizando aquele entendimento. Hoje, já sabemos que a transmissão respiratória é a mais importante.

CP: Os protocolos precisam ser alterados?

 LP: A base dos protocolos para evitar ou minimizar a transmissão respiratória é um tripé. Ele inclui, primeiro, máscaras de qualidade e bem ajustadas ao rosto. Então, por exemplo, todos os professores e trabalhadores das instituições de ensino deveriam usar máscaras PFF2. O segundo item do tripé é ventilação adequada. É fundamental existir uma ventilação que garanta a dispersão das partículas do vírus. E, dependendo do local, filtro especial para os aparelhos de ar-condicionado. Esta discussão nos Estados Unidos foi bem significativa mesmo, porque o custo da adaptação dos sistemas de ar é bastante elevado. Ou deixa o sistema desligado com todas as janelas abertas. Locais sem janelas ou onde elas não possam ser abertas não devem ser utilizados. E, terceiro, o distanciamento. Por exemplo: 10 pessoas que não são de uma mesma casa em uma sala já podem constituir, a depender das condições, uma aglomeração. Como vamos resolver isto? Considerando estes três itens, é possível garantir a segurança do retorno?

CP: Em fevereiro, poucos dias antes da bandeira preta, o governo estadual flexibilizou algumas medidas nas escolas. Elas acabaram por permitir, por exemplo, maior número de alunos em sala. Isto precisa ser revisto?

LP: É preciso haver dois metros de distância entre as crianças. Quando são crianças pequenas, que não usam máscara, provavelmente maior distância. Porque embora o risco para as crianças seja menor, ele não é zero. E o risco de elas transmitirem para familiares e para pessoas que estão na escola é considerável. É claro que entendo que escolas precisam, que devem abrir quando há segurança para isto. Só que não tenho certeza da existência desta segurança agora.

CP: Governantes, entidades e parte da população argumentam que, apesar da bandeira preta que estava em vigor, praticamente todos os setores estavam abertos, com exceção da Educação. E que, por isto, era contraditório manter escolas fechadas.

LP: É importante que as pessoas estejam cientes de que aumento na mobilidade, independente do setor, vai aumentar o número de casos, porque aumenta a transmissão. É óbvio que preferimos que a escola abra antes do bar. Mas se decidiram abrir o bar, é preciso tomar uma outra decisão: a de estabelecer o que vai fechar para que a escola possa abrir. A lógica correta, na prática, a que funciona, não é a de um setor abrir porque outro já está aberto, e assim abrir todos. É a de fazer escolhas sobre o que fechar para equilibrar a abertura das escolas. A máxima “já que está tudo aberto, vamos abrir as escolas também”, precisa vir acompanhada da consciência de que esta ação vai gerar aumento no número de casos. A pergunta é: estamos preparados para isto?

CP: Os protocolos anteriores também não levam em consideração a alta transmissibilidade da variante P1 do vírus, certo?

LP: Exatamente. Antes não conhecíamos tão bem a transmissão. Agora conhecemos muito melhor. E os protocolos não migraram de acordo com este conhecimento. Medir a temperatura de alunos na entrada da escola, por exemplo, é hoje uma das ações com menos impacto em todo o sistema de protocolos a serem adotados (parte das pessoas contaminadas sequer apresenta febre). Não estou dizendo que não é para ser feito. Estou falando de diferentes graus de efetividade a partir do que conhecemos sobre o vírus. É muito claro que precisamos ter um plano para como apoiar as crianças que precisam, que estão em situação de vulnerabilidade, para definir como vamos fazer para acolher estas crianças. Mas abrir a escola sem as condições adequadas de segurança não parece ser a solução neste momento. E, quero deixar muito claro isto: a Educação é a coisa mais importante que existe. Ela só não é mais importante do que a vida.

CP: Em que condições as escolas devem reabrir?

LP: Poderíamos estar abrindo neste momento se já tivessem sido adotadas uma série de medidas, mas elas não foram feitas. Não é que seja impossível, é que precisa primeiro ter as medidas de segurança funcionando. São mudanças nos protocolos conforme o que já citei, um planejamento de como será feita a volta, todo um plano de retorno.

CP: Os critérios científicos se perderam?

LP: É uma questão difícil. A sociedade democrática é formada por diferentes posições e é fundamental escutar a todas. Os argumentos, como o do prejuízo para as crianças, são muito importantes. Ninguém está fazendo pouco desta argumentação. É só uma questão de que este não é o momento para reabrir com os protocolos antigos. O prejuízo aos estudantes já está dado, é inegável, só que colocar todos em risco talvez cause mais prejuízo, porque é bastante provável que será necessário voltar atrás. É preciso considerar, por exemplo, para as crianças, o risco de perder um dos pais ou outro familiar. Isto, infelizmente, existe. É uma discussão que precisamos fazer com muita responsabilidade. Podemos começar agora. Mas, abrir intempestivamente, não.

CP: O Comitê Científico foi chamado para auxiliar na elaboração das mudanças?

LP: Não. Mas, mesmo assim, estamos nos oferecendo para contribuir. A mensagem da segurança é muito importante. Mudou a situação, mudou a compreensão a respeito da transmissão, e precisamos atualizar os protocolos. A questão da ventilação, por exemplo, é importante demais, e acredito que será bastante difícil de padronizar. Há uma heterogeneidade muito grande entre escolas. Por fim, teremos a chegada do inverno. E, ainda, a questão coletiva, a da transmissão global. Destaco isto porque a maioria dos estudos sobre o risco de transmissão de atividades não tem resultados em situações como a nossa: a situação crítica. Foram realizados em situações de transmissão bem mais baixa, não em cenário de transmissão descontrolada como este no qual ainda nos encontramos. Há pouquíssimos relatos, por exemplo, de escolas que abriram em situação semelhante à nossa. Mesmo que existam estudos que apontem risco baixo, eles não tratam de uma realidade que chegue sequer perto da nossa, é muito difícil de transpor as condições. Há algum tempo já assinalamos esta diferença.

26/04/2021 – Portal da Cidade - Lucas do Rio Verde

https://lucasdorioverde.portaldacidade.com/noticias/saude/pesquisa-apoiada-pela-brf-identifica-109-mutacoes-do-virus-sars-cov-2-2655

Pesquisa apoiada pela BRF identifica 109 mutações do vírus Sars-CoV-2

Os resultados dessa primeira fase da pesquisa foram compartilhados em uma plataforma à disposição de pesquisadores de todo o mundo

Oito meses depois de a BRF doar R$ 100 mil à Universidade do Vale do Taquari - Univates, de Lajeado (RS), como apoio a pesquisas e projetos relacionados à Covid-19, entre os estudos da Instituição estão a identificação de mutações no genoma do vírus Sars-CoV-2 e a busca por compostos que possam inibir a replicação viral. O primeiro passo foi analisar 627 sequenciamentos genômicos do Sars-CoV-2 recolhidos a partir de amostras em diferentes regiões do País. A equipe identificou 109 mutações no vírus, que não significam novas variantes da doença, mas são uma descoberta importante para a melhor compreensão sobre o comportamento do Sars-CoV-2. O estudo também fornece suporte para um melhor entendimento sobre a eficácia das vacinas, perseguindo o objetivo de identificar compostos que possam ser utilizados para o enfrentamento da pandemia.

Os resultados dessa primeira fase da pesquisa foram compartilhados em uma plataforma à disposição de pesquisadores de todo o mundo para ajudá-los na busca coletiva pela cura e submetidos a uma das mais conceituadas revistas científicas do mundo, a Scientific Reports, do grupo Nature. A equipe é formada por seis pesquisadores, entre professores e alunos da Univates, dos quais uma bolsista de doutorado e uma pós-doutoranda. O professor Luís Fernando Saraiva Macedo Timmers, doutor em Biologia Celular e Molecular, coordenou a análise das mutações nos genomas, realizada de junho a dezembro do ano passado. Os dados para este estudo foram obtidos por meio do banco de dados público GISAID, da Alemanha, que inclui amostras recolhidas no Brasil e sequenciadas em um trabalho colaborativo envolvendo cientistas de todo o mundo.

Para avaliar a presença de mutações no genoma de Sars-CoV-2, os pesquisadores da Univates combinaram técnicas computacionais como a bioinformática estrutural e a genômica comparativa, com o objetivo de demonstrar quais são e onde, na estrutura do vírus, estão as mutações prevalentes. O estudo é destacado pela Univates como uma expansão no conhecimento sobre a interação do vírus da Covid-19 com o organismo humano.

“Nós concluímos a parte computacional e agora estamos iniciando a parte experimental”, explica Timmers, acrescentando que, com base nas descobertas desse trabalho, a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBiotec) Débora Bublitz Anton concentrará a pesquisa em uma das proteínas do vírus, a 3CLpro, em busca de potenciais inibidores. “A pesquisa contribui para a comunidade científica, ao mostrar as mutações presentes no vírus, suas localizações nas estruturas das proteínas virais, abrindo caminho para a busca de novos compostos no combate ao vírus. É também um sinal de alerta para a sociedade, pois reforça a percepção de que se trata de um vírus com alto risco de mutação. Por isso são importantes as medidas protetivas”, destaca o pesquisador. Esta etapa de desenvolvimento de novos fármacos contra o vírus Sars-CoV-2 é encabeçada pelos professores doutores Márcia Inês Goettert e João Antônio Pêgas Henriques, que coordenarão os testes de cultivo celular dos compostos mais promissores.

Os esforços contaram com a colaboração de mais seis instituições: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Universidade de Tübingen (Alemanha).

Outras pesquisas

Esse não é o único projeto da Univates em desenvolvimento que utiliza recursos doados pela BRF.

Diagnóstico mais rápido e barato – Em um projeto sob o título Detecção do vírus da Síndrome Respiratória Corona Vírus-2 por Espectroscopia no Infravermelho com Transformada de Fourier, a professora Daiane Heidrich, doutora em Medicina, procura um exame mais rápido e barato, e com menor impacto ambiental, para detectar o vírus pela saliva, em vez da secreção coletada do nariz e da garganta utilizada pelo RT-PCR. O objetivo é desenvolver uma tecnologia alternativa que possa ser utilizada pela população do Vale do Taquari, por meio do apoio e interesse das redes municipais de saúde, e mesmo fora da região onde se situa a Univates.

Ozônio para a desinfecção e sanitização – A diretora de Inovação e Sustentabilidade da Univates, professora Simone Stülp, doutora em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de Materiais, coordena um projeto, em conjunto com uma startup instalada no Tecnovates, a Alvap, que investiga a adoção do ozônio para a desinfecção e sanitização. O manejo do ozônio, pela Alvap, é usado para a limpeza de frutas, purificação de água, principalmente na indústria e na agricultura. A professora Simone Stülp ressalta que o investimento da BRF para o Tecnovates é uma aproximação com o Hub de Inovação da BRF, conectado com as áreas prioritárias do Parque Tecnológico, e bem-vindo em área de extrema necessidade neste momento de emergência sanitária. O BrfHub é o braço de inovação aberta da BRF, que procura diariamente conectar a empresa com novos estudos e tecnologias.

As doações no combate à Covid

A doação para a Univates faz parte de um conjunto de R$ 50 milhões anunciados pela BRF em abril de 2020, utilizados em distribuição de alimentos, insumos médicos e apoio a fundos de pesquisa e desenvolvimento social, para contribuir com os esforços de combate aos efeitos da pandemia. A iniciativa alcança hospitais, organizações de assistência social e profissionais de saúde nos estados e municípios em que a empresa possui operação. Dentre os contemplados, além da Univates, estão a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, o Instituto Butantan e o Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Há menos de um mês, em 31 de março, a BRF, anunciou a doação de mais R$ 50 milhões, que contempla ações em 15 estados brasileiros e em países onde a BRF tem unidades produtivas, centros de distribuição e escritórios corporativos. Os alimentos serão entregues a hospitais, organizações sociais e iniciativas de apoio a populações em vulnerabilidade. Insumos hospitalares e equipamentos médicos, como ventiladores, usinas de oxigênio e leitos de UTI, serão destinados a secretarias municipais, estaduais e entidades de saúde. Também está previsto o fomento a outras ações de desenvolvimento social e na área da saúde, bem como apoio a novas pesquisas científicas, visando contribuir com soluções para os desafios impostos pelo agravamento da pandemia.

As doações e demais ações da BRF no combate ao Coronavírus podem ser acompanhadas pelo site www.brf-global.com/sobre/seguranca/comunicado-coronavirus

25/04/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/permanece-tend%C3%AAncia-de-pessoas-mais-jovens-hospitalizadas-pela-covid-19-1.608970

Permanece tendência de pessoas mais jovens hospitalizadas pela Covid-19

Especialistas alertam que predominância de pessoas com até 40 anos nas estatísticas da Covid-19 também deve migrar para a mortalidade

Dados divulgados pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), mostram que em março, pela primeira vez desde o início da pandemia, pacientes com menos de 40 anos são a maioria dos internados em unidades de terapia intensiva (UTI) do Brasil. O levantamento aponta que quase 60% dos que estiveram internados são de adultos com até 40 anos.

Em Porto Alegre, desde final do mês de fevereiro, hospitais também têm indicado esta mudança no perfil dos pacientes. Com o avanço da vacinação nos grupos prioritários, o que inclui pessoas acima dos 60 anos, especialistas afirmam que é questão de tempo que esta estatística se estenda à mortalidade.

O estudo da Amib revelou que, no último mês mais de 58,1% das internações em UTI foram de adultos com até 40 anos, num total que ultrapassa os 20 mil leitos. A pesquisa foi feita a partir de uma amostra que englobou 20.865 leitos de UTI no país, cerca de 25% de todas as unidades.

Quando feita uma comparação com os meses anteriores, os pacientes mais jovens representavam cerca de 45% dos internados. Enquanto isso, a ocupação de idosos acima dos 80 anos nas UTIs caiu 42%, aponta o estudo.

“Sim, no Rio Grande do Sul também ocorreu uma mudança na epidemiologia da Covid no RS, passando os jovens a ter uma participação maior nas internações hospitalares em relação aos períodos anteriores”, atesta o infectologista e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Alessandro Pasqualotto.

No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a média de idade de pacientes com Covid-19 admitidos em 2020 foi de 57,5 anos. Em 2021, janeiro apresentou média de 56 anos, fevereiro de 54,4 e culminando com março de 51,4 anos. Mas se considerando apenas aqueles admitidos em leitos do Centro de Terapia Intensiva (CTI), a queda é mais acentuada: enquanto a média de idade era próxima de 60 anos em 2020 e em janeiro de 2021, foi de 56,6 anos em fevereiro e de 50,7 em março. Ou seja, praticamente dez anos a menos.

No Hospital Moinhos de Vento, que atende particular e planos de saúde, a média geral de idades de todos os pacientes internados por Covid-19 passou de 61 anos em dezembro para 57 em abril. Na faixa etária dos 20 aos 40 anos, a quantidade de pacientes internados em enfermaria aumentou 78% e na UTI, 900%, quando havia apenas um paciente e aumentou para 10 entre novembro do ano passado e março deste ano.

23/04/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/ensino/inep-aponta-que-43-das-institui%C3%A7%C3%B5es-p%C3%BAblicas-de-ensino-superior-t%C3%AAm-notas-altas-1.608189

Inep aponta que 43% das instituições públicas de ensino superior têm notas altas

UFCSPA e UFRGS estão dentre as universidades públicas com notas 4 e 5

Quatro em cada dez instituições públicas de ensino superior obtiveram as notas mais altas em uma avaliação federal de qualidade; já entre as privadas, 21% alcançaram esse patamar. No Rio Grande do Sul, fazem parte deste grupo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFFRGS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Os dados sobre o desempenho das instituições de ensino superior foram divulgados nesta sexta-feira, 23, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).

Foram avaliadas mais de 2 mil instituições em todo o País. Os indicadores de qualidade são expressos pelo Índice Geral de Cursos (IGC), em uma escala de 1 a 5, sendo 5 a nota máxima e as notas 1 e 2 consideradas "insuficientes".

Entre as 245 universidades públicas avaliadas, 107 (44%) alcançaram as notas 4 e 5 no IGC, as mais altas. Já entre as 1.821 instituições particulares de ensino avaliadas, 386 chegaram aos índices 4 e 5, o que corresponde a 21% dos cursos desse tipo avaliados. Só 28 das particulares alcançaram a nota máxima.

As instituições públicas federais são as que têm o melhor desempenho. Quase 71% das instituições de ensino superior desse tipo estão nas faixas 4 e 5. Nenhuma instituição pública obteve nota 1. Já entre as privadas, 6 ficaram com nota 1 e 232 tiveram nível 2.

Considerando a totalidade de instituições avaliadas, apenas 2% obtiveram nota máxima. Em números absolutos, 46 instituições alcançaram o maior IGC. A maior parte do total de instituições de instituições de ensino avaliadas (68%) ficou na faixa 3. A nota 4 abarcou um quinto (22%) das faculdades e universidades e a nota 2, 12,1%.

Em termos relativos, os Estados de Espírito Santo, Rio e Rio Grande do Norte tiveram os melhores resultados no IGC 2019. Eles obtiveram 9,2%, 6,7% e 4,2% de suas instituições, respectivamente, com nota 5. Já o Rio Grande do Sul, o Ceará e o Distrito Federal tiveram o maior número proporcional de instituições com IGC 4.

O cálculo para chegar ao IGC leva em conta a média do Conceito Preliminar de Curso (CPC), considerando o último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), prova aplicada para quem está terminando o curso. Também foi considerada a média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação e a distribuição dos estudantes entre as diferentes etapas de ensino superior (graduação ou pós).

Os dados do IGC subsidiam a definição de políticas públicas para a área e podem servir de critério para a autorização de oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu a distância.

Veja a lista das faculdades e universidades que obtiveram nota máxima:

Escola Brasileira de Economia e Finanças

Escola de Ciências Sociais

Escola de Economia de São Paulo

Instituto Militar de Engenharia

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas

Faculdade Fucape

Instituto Tecnológico de Aeronáutica

Escola de Direito de São Paulo - FGV Direito SP

Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Instituto Nacional de Ensino Superior e Pós-Graduação Padre Gervásio

Faculdades EST

Faculdade de Direito de Vitória

Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Escola de Matemática Aplicada

Faculdade Norte Capixaba de São Mateus

Faculdade São Leopoldo Mandic

Faculdade de Teologia de São Paulo da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Faculdade do Espírito Santo

Universidade Federal do Sul da Bahia

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp)

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Faculdade São Geraldo

Escola de Direito do Rio de Janeiro

Universidade Federal de Viçosa

Universidade Federal de São Carlos

Universidade Federal de Lavras

Escola de Administração de Empresas de São Paulo

Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Faculdade Fipecafi

Faculdade de Balsas

Fundação Universidade Federal do ABC

Universidade Federal do Paraná

Faculdade Católica do Rio Grande do Norte

Faculdade Ari de Sá

Faculdade Cristã de Curitiba

Faculdade de Castelo - Multivix Castelo

Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Centro Universitário Brasileiro

Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa São Paulo

Faculdade Escola Paulista de Direito

Faculdade de Tecnologia Saint Paul

Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.

23/04/2021 – Istoé Dinheiro

https://www.istoedinheiro.com.br/inep-43-das-instituicoes-publicas-de-ensino-superior-tem-notas-altas/

Inep: 43% das instituições públicas de ensino superior têm notas altas

Quatro em cada dez instituições públicas de ensino superior obtiveram as notas mais altas em uma avaliação federal de qualidade; já entre as privadas, 21% alcançaram esse patamar. Os dados sobre o desempenho das instituições de ensino superior foram divulgados nesta sexta-feira, 23, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).

Foram avaliadas mais de 2 mil instituições em todo o País. Os indicadores de qualidade são expressos pelo Índice Geral de Cursos (IGC), em uma escala de 1 a 5, sendo 5 a nota máxima e as notas 1 e 2 consideradas “insuficientes”.

Entre as 245 universidades públicas avaliadas, 107 (44%) alcançaram as notas 4 e 5 no IGC, as mais altas. Já entre as 1.821 instituições particulares de ensino avaliadas, 386 chegaram aos índices 4 e 5, o que corresponde a 21% dos cursos desse tipo avaliados. Só 28 das particulares alcançaram a nota máxima.

As instituições públicas federais são as que têm o melhor desempenho. Quase 71% das instituições de ensino superior desse tipo estão nas faixas 4 e 5. Nenhuma instituição pública obteve nota 1. Já entre as privadas, 6 ficaram com nota 1 e 232 tiveram nível 2.

Considerando a totalidade de instituições avaliadas, apenas 2% obtiveram nota máxima. Em números absolutos, 46 instituições alcançaram o maior IGC. A maior parte do total de instituições de instituições de ensino avaliadas (68%) ficou na faixa 3. A nota 4 abarcou um quinto (22%) das faculdades e universidades e a nota 2, 12,1%.

Em termos relativos, os Estados de Espírito Santo, Rio e Rio Grande do Norte tiveram os melhores resultados no IGC 2019. Eles obtiveram 9,2%, 6,7% e 4,2% de suas instituições, respectivamente, com nota 5. Já o Rio Grande do Sul, o Ceará e o Distrito Federal tiveram o maior número proporcional de instituições com IGC 4.

O cálculo para chegar ao IGC leva em conta a média do Conceito Preliminar de Curso (CPC), considerando o último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), prova aplicada para quem está terminando o curso. Também foi considerada a média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação e a distribuição dos estudantes entre as diferentes etapas de ensino superior (graduação ou pós).

Os dados do IGC subsidiam a definição de políticas públicas para a área e podem servir de critério para a autorização de oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu a distância.

Veja a lista das faculdades e universidades que obtiveram nota máxima:

Escola Brasileira de Economia e Finanças

Escola de Ciências Sociais

Escola de Economia de São Paulo

Instituto Militar de Engenharia

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas

Faculdade Fucape

Instituto Tecnológico de Aeronáutica

Escola de Direito de São Paulo – FGV Direito SP

Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Instituto Nacional de Ensino Superior e Pós-Graduação Padre Gervásio

Faculdades EST

Faculdade de Direito de Vitória

Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Escola de Matemática Aplicada

Faculdade Norte Capixaba de São Mateus

Faculdade São Leopoldo Mandic

Faculdade de Teologia de São Paulo da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Faculdade do Espírito Santo

Universidade Federal do Sul da Bahia

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp)

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Faculdade São Geraldo

Escola de Direito do Rio de Janeiro

Universidade Federal de Viçosa

Universidade Federal de São Carlos

Universidade Federal de Lavras

Escola de Administração de Empresas de São Paulo

Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

Faculdade Fipecafi

Faculdade de Balsas

Fundação Universidade Federal do ABC

Universidade Federal do Paraná

Faculdade Católica do Rio Grande do Norte

Faculdade Ari de Sá

Faculdade Cristã de Curitiba

Faculdade de Castelo – Multivix Castelo

Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

Centro Universitário Brasileiro

Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa São Paulo

Faculdade Escola Paulista de Direito

Faculdade de Tecnologia Saint Paul

Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.

23/04/2021 – Revista Fórum

https://revistaforum.com.br/noticias/vacinacao-dos-grupos-prioritarios-so-deve-terminar-em-setembro/

Vacinação dos grupos prioritários só deve terminar em setembro

Dados do Ministério da Saúde revelam que mais de 16 mil pessoas receberam vacinas trocadas contra a Covid-19

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, revelou que a vacinação de todo o grupo prioritário só deve terminar em setembro. A declaração do ministro joga por terra o objetivo inicial do governo federal, que era concluir a vacinação deste grupo até o fim de maio.

Porém, a conclusão da imunização dos grupos prioritários deve terminar em setembro se não houver nenhum atraso na entrega de vacinas, caso isso ocorra, o prazo pode ser revisto.

“O processo de vacinação no Brasil tem ocorrido de forma cada vez mais célere. Se continuar nesse ritmo, até setembro vamos atingir a população prevista no PNI (Plano Nacional de Imunização”, declarou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Dados do sistema de informações do Ministério da Saúde revelam que, polo menos 16,5 mil pessoas vacinadas contra a Covid-19 no Brasil receberam imunizantes distintos, ou sejam, a primeira dose de Coronavac e a segunda da Oxford/AstraZeneca, ou vice-versa.

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, a maioria das pessoas (14.791 pessoas) recebeu, primeiramente, uma dose do imunizante da Oxford/AstraZeneca e a segunda da Coronavac. Uma parte menor (1.735 pessoas) recebeu primeiro a coronavac e depois a Oxford/AstraZeneca.

Segundo o sistema de informação do Ministério da Saúde, essa troca de vacina se deu em quase todo o país, com exceção do Acre e do Rio Grande do Norte.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que “cabe aos estados e municípios o acompanhamento e monitoramento de possíveis eventos adversos a essas pessoas por, no mínimo, 30 dias”.

Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) disse que as pessoas que receberam vacinas trocadas “não tomou nenhuma dose completa”.

23/04/2021 – SBT Brasil

https://youtu.be/iC5akvLcCkc

Apenas 2 em cada 100 faculdades têm nota máxima na avaliação do MEC

Fonte: Reitora Lúcia Pellanda

23/04/2021 – Roma News via Istoé

https://istoe.com.br/mais-de-16-mil-pessoas-tomaram-doses-trocadas-de-vacina-contra-covid-diz-jornal/

Mais de 16 mil pessoas tomaram doses trocadas de vacina contra Covid, diz jornal

Pelo menos 16,5 mil pessoas foram vacinadas com doses trocadas de imunizantes diferentes contra a Covid-19 no Brasil, de acordo com o Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde. Os dados foram compilados pelo jornal Folha de S.Paulo.

Segundo a reportagem, essas pessoas tiveram registro de primeira dose com a vacina da Coronavac e da segunda dose da Oxford/AstraZeneca ou vice-versa. De acordo com os dados levantados, 14.791 pessoas iniciaram a imunização com esta última, e receberam uma segunda dose da Coronavac. Outras 1.735 pessoas fizeram a trajetória contrária.

Ainda de acordo com o jornal, a troca aconteceu em praticamente todo o país, com exceção dos estados do Acre e do Rio Grande do Norte. O levantamento levou em conta todos os vacinados no primeiro mês de vacinação, entre 17 de janeiro e 17 de fevereiro, que retornaram para a segunda dose até 8 de abril. No total, foram 3,5 milhões de pessoas. A maior parte das trocas ocorreu em profissionais de saúde.

Segundo a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia, ouvida pela reportagem, “quem tomou uma dose de um fabricante e outra dose de outro, não tomou nenhuma dose completa da vacina”.

Os dois imunizantes, que são os únicos disponíveis no Brasil, possuem intervalos diferentes de aplicação, sendo o da Coronavac de até 28 dias e da Oxford/AstraZeneca, três meses, de acordo com a Fiocruz. Além disso, as duas vacinas foram desenvolvidas com tecnologias distintas.

23/04/2021 – Roma News via Istoé

https://www.romanews.com.br/noticias/mais-de-16-mil-vacinados-tomaram-doses-trocadas-no-brasil-diz-pesquis/116960/

Mais de 16 mil vacinados tomaram doses trocadas no Brasil, diz pesquisa

Esses casos tiveram registro de primeira dose com a vacina da Coronavac e da segunda dose da Oxford/AstraZeneca ou vice-versa

Ao menos 16,5 mil vacinados contra a covid-19 no Brasil tiveram doses trocadas, segundo o Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde. Os dados foram compilados pelo jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o periódico, esses casos tiveram registro de primeira dose com a vacina da Coronavac e da segunda dose da Oxford/AstraZeneca ou vice-versa. Segundo os dados levantados, 14.791 pessoas iniciaram a imunização com esta última, e receberam uma segunda dose da Coronavac. Outras 1.735 pessoas fizeram a trajetória contrária.

Conforme a pesquisa, a troca aconteceu em praticamente todo o país, com exceção dos estados do Acre e do Rio Grande do Norte. O levantamento levou em conta todos os vacinados no primeiro mês de vacinação, entre 17 de janeiro e 17 de fevereiro, que retornaram para a segunda dose até 8 de abril. No total, foram 3,5 milhões de pessoas. A maior parte das trocas ocorreu em profissionais de saúde.

A imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia, ouvida pela reportagem, “quem tomou uma dose de um fabricante e outra dose de outro, não tomou nenhuma dose completa da vacina”.

As duas vacinas, que são as únicas disponíveis no Brasil, possuem intervalos diferentes de aplicação, sendo o da Coronavac de até 28 dias e da Oxford/AstraZeneca, três meses, de acordo com a Fiocruz. Além disso, as duas vacinas foram desenvolvidas com tecnologias distintas.

23/04/2021 – Rádio Guaíba

https://guaiba.com.br/2021/04/23/71-das-instituicoes-federais-atingem-o-maximo-de-qualidade-no-igc-2019/

UFCSPA na imagem de destaque da matéria.

IGC 2019: 71% das instituições federais atingem o máximo de qualidade

Rio, Espírito Santo e Rio Grande do Norte tiveram melhores resultados no Índice de 2019

Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande de Norte são proporcionalmente os estados com os melhores resultados no Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) 2019. O indicador, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nesta sexta-feira, mede a qualidade das instituições de ensino superior. Nos três estados, respectivamente, 9,2%, 6,7% e 4,2% das instituições de educação superior atingiram faixa 5, que é a máxima no indicador. Do total de 2.070 instituições avaliadas, apenas 2,2% alcançaram essa faixa.

Já na faixa 4, segunda maior do IGC, Rio Grande do Sul (39,4%), Ceará (33,3%) e Distrito Federal (30,6%) foram os que obtiveram, proporcionalmente, o maior número de instituições. Considerando o total das instituições de educação superior avaliadas, 21,64% se enquadraram nessa faixa. A concentração na faixa 3 abarcou mais da metade das instituições avaliadas (63,77%).

Segundo o Inep, das 106 instituições de educação superior públicas federais com o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) 2019, 71% atingiram os conceitos 4 e 5 do indicador. Ao todo, os resultados foram calculados para 2.070 instituições (públicas e privadas), considerando os 24.145 cursos avaliados entre 2017 e 2019.

Do total de instituições que participaram da pesquisa, 87,1% (1.801) são privadas e 12,9% (269), públicas. A maioria (73,1%) é composta por faculdades, seguida dos centros universitários (15,6%) e das universidades (9,4%). Os institutos federais e centros federais de educação tecnológica, juntos, correspondem a 1,9% das instituições de ensino com o índice atribuído nesta edição.

Os dados divulgados hoje revelaram ainda que, das 1.507 faculdades com IGC, 83,4% ficaram nas faixas igual ou acima de 3. Já quando se trata dos 326 centros universitários, o índice correspondente às três faixas de maior desempenho é de 98,5% (321). No caso das 197 universidades, 99% (195) alcançaram desempenho nas faixas de 3 a 5. Dos 40 institutos federais e centros federais de educação tecnológica, 65% (26) ficaram na terceira e 35% (14) na quarta faixa do IGC.

Regiões

Quando levados em conta apenas valores absolutos, a Região Sudeste apresentou o maior número de instituições com faixa 5. A região também é a que contabiliza mais instituições com o IGC calculado, destacando-se Minas Gerais (265) e São Paulo (509). Este último lidera o conjunto de instituições mais bem avaliadas: são 16 na faixa 5 e 84 na faixa 4.

No Nordeste, Bahia e Ceará são os estados com a maior quantidade de instituições nas faixas 4 e 5 do indicador, sendo 27 e 19 instituições, respectivamente, participando desse processo avaliativo.

Já no Sul, destacaram-se, com conceitos nas faixas 4 e 5 do IGC 2019, os estados do Paraná (48) e do Rio Grande do Sul (46).

Nenhuma das instituições avaliadas das regiões Centro-Oeste e Norte atingiu a faixa 5 nesta edição. Contudo, o Distrito Federal é destaque no Centro-Oeste, com 15 instituições na faixa 4, enquanto o Pará é o estado da região Norte com maior quantidade de instituições nessa faixa.

O cálculo

Para o cálculo das 2.070 instituições de educação superior no IGC 2019, foram considerados os resultados do Conceito Preliminar de Curso (CPC) de 24.145 cursos avaliados entre 2017 e 2019 e os dados de 4.679 programas de mestrado e doutorado oferecidos pelas instituições em 2019.

A conta matemática para chegar ao IGC leva em conta os seguintes aspectos: a média do CPC, considerando o último ciclo do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) como referência; a média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu, atribuídos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na última avaliação trienal; e a distribuição dos estudantes entre as diferentes etapas de ensino superior (graduação ou pós-graduação stricto sensu).

23/04/2021 – Portal NSC Total

https://www.nsctotal.com.br/noticias/e-falso-que-52-cidades-zeraram-numero-de-mortes-por-covid-19-com-o-chamado-tratamento

É falso que 52 cidades zeraram número de mortes por Covid-19 com o chamado 'tratamento precoce'

Números epidemiológicos dos municípios listados desmentem o boato

É falso que 52 municípios zeraram o número de mortes por covid-19 ao adotarem o chamado "tratamento precoce" com hidroxicloroquina e ivermectina contra a Covid-19, como sugerem mensagens nas redes sociais. Um levantamento do Comprova com dados do site SUSanalítico mostra que quase todas as cidades citadas registraram notificações de óbitos no mês de março.

Os benefícios das duas drogas não foram comprovados por pesquisas científicas confiáveis. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades desaconselham o uso dos medicamentos para o tratamento da Covid-19, em qualquer estágio da infecção. Além disso, conforme especialistas consultados pelo Comprova, a conexão entre o tratamento precoce e supostas quedas nos números de óbitos nas cidades é insustentável, uma vez que outros fatores influenciam os índices epidemiológicos.

Essa verificação foi sugerida por leitores que receberam o conteúdo por WhatsApp. O mesmo conteúdo foi publicado no Twitter pelo perfil @DerlinRod. O Comprova tentou ouvir o autor dessa postagem, mas ele não respondeu até o fechamento da verificação.

Como verificamos?

Para verificar o conteúdo, o Comprova acessou os dados da plataforma SUSanálitico, do Ministério da Saúde. A pesquisa coletou informações sobre os óbitos por Covid-19 acumulados de cada um dos municípios mencionados até a data de referência do dia 15 de abril, a população estimada das cidades e a taxa de mortes por 100 mil habitantes.

Também aplicamos um filtro para comparar os números de óbitos registrados no dia 31 de março com as estatísticas do dia 1º de março. Isso permitiu à reportagem conferir a evolução das ocorrências durante aquele mês.

É importante ressaltar que o SUSanalítico informa a data de notificação dos óbitos, e não o dia exato em que ocorreram. Os dados da plataforma apresentam números distintos dos boletins epidemiológicos das prefeituras. Essa diferença, entretanto, não impacta no resultado da verificação ou na classificação do conteúdo, conforme verificado individualmente pelo Comprova.

Como os números desmentem a publicação, o Comprova não checou, de cidade a cidade, se elas usaram algum protocolo de tratamento precoce como política de atendimento para a Covid-19.

Após o levantamento, o Comprova consultou dois especialistas na área de epidemiologia para entender se a associação do tratamento precoce com supostas quedas nos números epidemiológicos de cidades é válida.

Marcio Sommer Bittencourt, do Centro de Pesquisa de Epidemiologia do Hospital Universitário da USP, e Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), no entanto, argumentam que os apontamentos do post não se sustentam.

Também contactamos o autor de uma postagem com o mesmo conteúdo no Twitter, que não respondeu até o fechamento da matéria.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a Covid-19 disponíveis no dia 21 de abril de 2021

Verificação

A mensagem enganosa menciona 51 cidades de diferentes proporções populacionais. O município de Uberaba (MG) é repetido duas vezes, nas numerações 15 e 31. O conteúdo ainda menciona uma cidade chamada Taquara, no Paraná, mas a região não configura oficialmente um município.

A publicação analisada pelo Comprova foi compartilhada no Twitter no dia 5 de abril. Um levantamento da reportagem com dados da plataforma SUSanalítico mostra que, no mês de março, somente os municípios de São Pedro dos Crentes (MA), Rancho Queimado (SC) e São Pedro do Paraná (PR) não registraram notificações de óbitos por Covid-19. As três cidades somam pouco menos de 10 mil habitantes.

Na outra ponta, Natal (RN), com população estimada em 884 mil habitantes, lidera o ranking com 385 notificações, seguida por Cascavel (PR) e Chapecó (SC), com 244 e 230, respectivamente. No município gaúcho de Taquara, que também consta da lista, o total de óbitos acumulados quase dobrou. A cidade registrava, em 1º de março, 67 óbitos e fechou o mês com 132 ocorrências acumuladas.

Além disso, até o dia 15 de abril, mais de 20 dos municípios listados apresentavam uma taxa de mortes de covid por 100 mil habitantes superior à média nacional de 178, segundo o SUSanalítico. É o caso de Itajubá (MG). Com cerca de 97 mil habitantes, a cidade mineira contabilizava 304 óbitos, aproximadamente 314 vítimas por 100 mil habitantes.

Conexão insustentável

Além de citar medicamentos sem eficácia comprovada para a Covid-19, a associação do uso do tratamento precoce com os números epidemiológicos não é correta, de acordo com especialistas ouvidos pelo Comprova.

O médico Márcio Sommer Bittencourt, do Centro de Epidemiologia do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, destaca que outros fatores podem interferir nos números epidemiológicos de uma cidade, desde medidas de restrições adotadas para combater a pandemia até as características da população de cada município.

Bittencourt explica que não é possível aferir o impacto do tratamento precoce nas cidades sem um estudo controlado que compare um grupo de pacientes medicados com o protocolo contra um grupo de controle robusto – isto é, pacientes que não recebem os remédios, mas estão sob as mesmas condições do grupo de medicados. Ainda assim, o estudo teria limitações.

— Além das cidades não terem reduzido o número de mortes para nada substancial, elas podem estar em momentos de queda nas curvas por outras intervenções, que é o caso de Chapecó (SC), onde isso é muito claro — destaca o médico.

A cidade catarinense promoveu um lockdown parcial durante o mês de fevereiro. O método adequado para gerar evidências confiáveis acerca da eficácia de um medicamento corresponde aos estudos clínicos randomizados, defende Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição.

Ele destaca que esse tipo de trabalho estabelece grupos de controle e critérios de seleção para inibir possíveis fatores que possam confundir a análise dos resultados, o que não ocorre nas experiências clínicas individuais de médicos ou na análise proposta na mensagem enganosa. Stein ressalta que até mesmo as desigualdades nos sistemas de saúde poderiam “ser um fator de confusão”.

— Quando a cidade tem um serviço de saúde que funciona, acesso a tecnologia para atender casos graves e fatores socioeconômicos melhores, os indicadores podem ser mais positivos — diz o especialista.

As evidências da cloroquina e ivermectina

Até o momento, não há evidências confiáveis que confirmem a eficácia do uso da hidroxicloroquina ou ivermectina no tratamento da Covid-19, em qualquer estágio da doença. O painel de evidências da Organização Mundial da Saúde desaconselha a aplicação dos dois tratamentos no combate à infecção do novo coronavírus.

​> Médicos de SC receitam nebulização com hidroxicloroquina para tratar Covid-19​

No caso da ivermectina, a entidade diz que os benefícios e a segurança do tratamento permanecem incertos, ao passo que os dados disponíveis de estudos clínicos com a droga no contexto da Covid-19 têm um nível de confiança baixo. A Agência Europeia de Medicamentos também apresenta uma posição semelhante.

Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), por sua vez, afirmam que há dados insuficientes para estabelecer uma recomendação a favor ou contra o uso da ivermectina no tratamento da Covid-19. A Food and Drugs Administration, órgão regulatório do país, alerta que a automedicação com o vermífugo é perigosa.

Já os tratamentos com cloroquina e a hidroxicloroquina são fortemente desaconselhados pelo painel da OMS. De acordo com o documento, evidências de nível de confiança moderado mostram que ambas substâncias “provavelmente não reduzem a mortalidade, ventilação mecânica e o tempo de hospitalização”.

Além disso, há preocupações em torno da segurança. Segundo a entidade, algumas evidências mostram que os remédios podem, na verdade, aumentar o risco de morte. "Os efeitos em outros resultados menos importantes, incluindo o tempo de resolução de sintomas, admissão hospitalar e o período de ventilação mecânica, seguem incertos", diz o painel.

O NIH desaconselha o uso da hidroxicloroquina isolada ou com outros medicamentos em pacientes hospitalizados com a Covid-19. A organização também é contra a aplicação do tratamento para pacientes não hospitalizados fora de estudos clínicos.

Por que investigamos?

O Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre a pandemia que tenham obtido grande alcance nas redes sociais e em aplicativos de mensagens. O conteúdo analisado aqui foi sugerido via WhatsApp por leitores do Comprova e alcançou 544 interações no Twitter até o dia 21 de abril de 2021.

A mensagem promove desinformação ao espalhar o boato falso de que mais de 50 municípios teriam zerado o número de óbitos, graças ao uso de protocolos com ivermectina e hidroxicloroquina. As duas substâncias não têm eficácia e segurança comprovada no tratamento da Covid-19, tampouco podem ser relacionadas com a queda de números epidemiológicos dos municípios citados no post. O tratamento precoce já foi alvo de uma série de verificações do nosso projeto.

O boato é potencialmente perigoso porque pode confundir usuários e gerar uma falsa sensação de segurança de que esses medicamentos podem proteger pacientes na pandemia, quando não há evidências confiáveis de que eles realmente funcionem. A desinformação também pode atrapalhar gestores públicos na consolidação de políticas públicas efetivas para combater a crise sanitária.

23/04/2021 – Portal Bahia.ba

https://bahia.ba/covid19/registros-mostram-que-mais-de-16-mil-pessoas-tomaram-doses-trocadas-de-vacina/

Registros mostram que mais de 16 mil pessoas tomaram doses trocadas de vacina

Nenhum estudo testou eficácia e segurança de tomar primeira dose de um fabricante e segunda de outro

O Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde, indica que pelo menos 16,5 mil pessoas foram vacinadas contra a Covid-19 com doses trocadas do imunizante: tomaram a 1ª dose da CoronaVac e a 2ª da Oxford/AstraZeneca, ou vice-versa.

Desse total, a maioria (14.791) começou a trajetória vacinal contra Covid-19 com a Oxford/AstraZeneca e recebeu uma segunda dose da CoronaVac. Uma parte menor (1.735 pessoas) recebeu primeiro a CoronaVac e depois a vacina de Oxford/AstraZeneca, segundo o sistema. Até o momento somente, essas duas vacinas foram aprovadas para uso no Brasil.

Os registros mostram que a troca aconteceu em praticamente todo o país, com exceção do Acre e do Rio Grande do Norte. As informações foram tabuladas pela Folha no Datasus levando em conta todos os vacinados no país no primeiro mês da campanha vacinal (de 17 de janeiro a 17 de fevereiro) que retornaram para a segunda dose até 8 de abril. É um universo de 3,5 milhões de pessoas.

O protocolo nacional estabelece que os vacinados de grupos prioritários devem receber o imunizante disponível no posto no dia da vacinação (sem possibilidade de escolha). Na segunda dose, porém, a determinação é que o fabricante seja mantido.

Misturar dois fabricantes de uma mesma vacina é considerado um erro de imunização. “Quem tomou uma dose de um fabricante e outra dose de outro não tomou nenhuma dose completa da vacina”, afirma a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia.

23/04/2021 – Folha de São Paulo

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/04/mais-de-16-mil-pessoas-tomaram-doses-trocadas-de-vacina-contra-covid-mostra-registro.shtml

Mais de 16 mil pessoas tomaram doses trocadas de vacina contra Covid, mostra registro

Nenhum estudo testou eficácia e segurança de tomar primeira dose de um fabricante e segunda de outro

Pelo menos 16,5 mil pessoas vacinadas contra a Covid-19 no Brasil têm registro de primeira dose da vacina da Coronavac e a segunda dose da Oxford/AstraZeneca ou vice-versa, de acordo com o Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde.

A maioria (14.791) começou a trajetória vacinal contra Covid-19 com a Oxford/AstraZeneca e recebeu uma segunda dose da Coronavac. Uma parte menor (1.735 pessoas) recebeu primeiro a Coronavac e depois a vacina de Oxford/AstraZeneca, segundo o sistema. A troca aconteceu em praticamente todo o país, com exceção do Acre e do Rio Grande do Norte.

No Brasil, essas são as duas únicas vacinas disponíveis contra Covid-19. O protocolo nacional estabelece que os vacinados de grupos prioritários devem receber o imunizante disponível no posto no dia da vacinação (sem possibilidade de escolha). Na segunda dose, porém, a determinação é que o fabricante seja mantido.

As informações foram tabuladas pela Folha no Datasus levando em conta todos os vacinados no país no primeiro mês da campanha vacinal (de 17 de janeiro a 17 de fevereiro) que retornaram para a segunda dose até 8 de abril. É um universo de 3,5 milhões de pessoas. Ao todo, 16.526 pessoas foram afetadas no período analisado. Os dados mostram ainda que 7 em cada 10 trocas de fabricantes na vacina contra Covid-19 ocorreram em profissionais de saúde. Esse rastreamento é possível porque cada pessoa vacinada é registrada no Datasus com um código de identificação, no qual há informações sobre cada dose recebida, incluindo fabricante e número do lote. Misturar dois fabricantes de uma mesma vacina é considerado um erro de imunização. "Quem tomou uma dose de um fabricante e outra dose de outro não tomou nenhuma dose completa da vacina", afirma a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia.

As vacinas não só têm intervalos diferentes —o da Coronavac é de até 28 dias, e o da vacina de Oxford/AstraZeneca é de três meses, segundo recomendação da Fiocruz —como tecnologias distintas.

A Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, usa o vírus inativado para levar à produção de anticorpos, a mesma estratégia usada para fabricar as vacinas contra a gripe. Já a vacina de Oxford é do tipo vetor viral não replicante (no caso, um adenovírus de chimpanzé) capaz de infectar células humanas, mas que não forma novos vírus, impedindo que a infecção progrida. Não se sabe ainda se a aplicação de duas vacinas diferentes pode gerar efeitos colaterais distintos dos descritos nos testes de cada imunizante. Em nota à Folha, o Ministério da Saúde afirmou que foi notificado sobre 481 ocorrências de aplicação de doses de fabricantes diferentes das vacinas da Covid-19. "A pasta esclarece que cabe aos estados e municípios o acompanhamento e monitoramento de possíveis eventos adversos a essas pessoas por, no mínimo, 30 dias."

O órgão, no entanto, não respondeu aos pedidos da reportagem por mais esclarecimentos quanto aos mais de 16,5 mil registros de intercâmbio de fabricantes de vacina encontrados no Datasus.

Segundo a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin, erros de administração na vacina poderiam ser evitados ou minimizados com uma coordenação maior do PNI (Programa Nacional de Imunização) em termos de supervisão, treinamentos e registros da campanha.

"Tão sério quanto essa falta de coordenação é o fato de não haver orientação por parte do programa em como proceder quando essas situações ocorrem."

Há trocas de fabricantes entre as doses da vacina em 1.645 municípios brasileiros —quase um terço do total de municípios do país. Santo André (SP) lidera o ranking nacional com 2.747 casos. Quase todas as ocorrências (2.739) aconteceram em um único posto de vacinação, a UBS Espírito Santo.

A Folha esteve no local e contatou a Prefeitura de Santo André, que informou que teve problemas operacionais constantes. "Os mesmos referem-se ao sistema de migração dos dados e já foram reportados ao Programa Estadual de Imunização". Não ficou claro, no entanto, como esses problemas resultaram em registros trocados de lotes e fabricantes nos vacinados.

ENTENDA

O governo estadual São Paulo, por sua vez, disse, em nota, que não registrou problemas operacionais na migração de dados para o Datasus. "Desde a integração dos sistemas, a transmissão das informações recebidas pelo estado de doses aplicadas e registradas pelos municípios ocorre normalmente no repasse ao governo federal." O governo reforçou ainda que ministrar a vacina é responsabilidade dos municípios. Uma em cada quatro trocas de fabricantes na vacina da Covid-19 está no estado de São Paulo, num total de 4.471 ocorrências.

Entre as capitais, a cidade do Rio de Janeiro lidera as trocas de doses com 1.136 ocorrências — no estado, há 1.653 casos, de acordo com o Datasus. Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio disse à Folha que "não foi notificada sobre trocas de vacinas na segunda dose tanto pelo Ministério da Saúde quanto pelas secretarias municipais de Saúde".

Depois do Rio, as capitais com mais troca de fabricantes entre as doses são Goiânia (667 ocorrências) e Brasília (520 casos).

Os dados do Datasus são preenchidos pelos profissionais de saúde nos postos de vacinação, sob a responsabilidade dos municípios. O Plano Nacional de Operacionalização da Vacina Contra Covid-19 determina que todos os profissionais da saúde que tiverem conhecimento de erros de imunização "devem notificar os mesmos às autoridades de saúde".

O país tem experiência com vacinas com mais de uma dose. Antes da pandemia, pelo menos nove imunizantes disponíveis no calendário vacinal do SUS tinham mais de uma dose, como a meningocócica C (com duas doses) e a poliomielite (com três doses).

A Folha já havia mostrado que mais de meio milhão de brasileiros vacinados com a Coronavac no primeiro mês de vacinação no país não tinha recebido a segunda dose da vacina mais de 45 dias após a primeira dose, o que compromete a imunização.

Três dias depois da reportagem, o Ministério da Saúde anunciou em entrevista coletiva que ao menos 1,5 milhão de pessoas que tomaram a primeira dose da vacina contra a Covid desde o início da vacinação no país não completaram o esquema vacinal com a segunda dose, considerando apenas o intervalo mínimo para retorno.

22/04/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/porto-alegre-vai-receber-30-mil-doses-da-vacina-pfizer-biontech-1.607600

Porto Alegre vai receber 30 mil doses da vacina Pfizer/BioNTech

Imunizante requer armazenamento em ultrafreezers e aplicação diferenciada das demais vacinas em uso no país

Depois do anúncio do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no dia 14 de abril, de que o Brasil receberá antecipadamente, até junho, 15,5 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Pfizer/BioNTech, sendo pelo menos 1 milhão neste mês de abril, o Rio Grande do Sul se prepara para receber 30 mil doses do imunizante nesta primeira remessa, que deve chegar nos primeiros dias de maio, em data ainda a ser confirmada. Porto Alegre, assim como algumas outras capitais, serão os municípios contemplados neste primeiro instante, por causa da complexidade da estrutura para armazenamento, que requer ultrafreezers. 

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do RS (SES), a indicação do Ministério da Saúde é destinar as 15,5 milhões de vacinas para as capitais por questões de logística e conservação. As capitais deverão reservar 25% de suas salas de vacinas para estes produtos. “Vamos usar a estrutura de parceiros. Temos a UFRGS, a PUC e a UFCSPA e temos isso detalhado. E não há necessidade de comprar estes equipamentos”, garante o diretor da Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter. 

Em dezembro do ano passado, a própria Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) fez um levantamento sobre a capacidade de colaborar com o armazenamento das doses Pfizer/BioNTech, que precisam ficar conservadas em temperaturas de até 80 graus negativos. Foram identificadas 15 unidades, sendo a maior parte localizada no Instituto de Ciências Básicas da Saúde e as demais no Instituto de Biociências, na Faculdade de Agronomia, na Faculdade de Veterinária, no Instituto de Física e na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança.

Somam-se a essas mais cinco ultrafreezers que foram comprados e chegaram nos meses de janeiro e fevereiro à instituição. No total, dispondo de 20 equipamentos de 550 litros, a UFRGS poderá armazenar aproximadamente 4 milhões de doses. De acordo com o chefe de gabinete do reitor da UFRGS, Geraldo Jotz, os ultrafreezers continuam à disposição do Ministério da Saúde, conforme compromisso firmado pelo reitor Carlos André Bulhões Mendes em dezembro do ano passado.

De acordo com Ritter, estes imunizantes também podem permanecer sob refrigeração, entre 2 a 8 graus, por cinco dias. Mas além do armazenamento, a Prefeitura da capital está avaliando o manejo do imunizante. “Para nós é um pouquinho mais complicado em relação às outras vacinas. Muda porque tem que se usar com um diluente. Já revimos a questão dos flaconetes de soro fisiológico para esta diluição, que estão sendo providenciados. Cada frasco dá para aplicar seis doses”, adianta.

22/04/2021 – Estadão – Estadão Verifica

https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/e-falso-que-52-municipios-tenham-zerado-mortes-por-covid-19-ao-adotarem-tratamento-precoce/

É falso que 52 municípios zeraram o número de mortes por covid-19 ao adotarem o chamado ‘tratamento precoce’

Lista que circula no WhatsApp e nas redes sociais tem cidades que registraram sim óbitos causados pelo coronavírus em março

É falso que 52 municípios zeraram o número de mortes por covid-19 ao adotarem o chamado ‘tratamento precoce’ com hidroxicloroquina e ivermectina, como sugerem mensagens nas redes sociais. Um levantamento do Comprova com dados do site SUS analítico mostra que quase todas as cidades citadas registraram notificações de óbitos no mês de março.

Os benefícios das duas drogas não foram comprovados por pesquisas científicas confiáveis. A Organização Mundial da Saúde e outras entidades desaconselham o uso dos medicamentos para o tratamento da covid-19, em qualquer estágio da infecção. Além disso, conforme especialistas consultados pelo Comprova, a conexão entre o tratamento precoce e supostas quedas nos números de óbitos nas cidades é insustentável, uma vez que outros fatores influenciam os índices epidemiológicos.

Essa verificação foi sugerida por leitores que receberam o conteúdo por WhatsApp. O mesmo conteúdo foi publicado no Twitter pelo perfil @DerlinRod. O Comprova tentou ouvir o autor dessa postagem, mas ele não respondeu até o fechamento da verificação.

Como verificamos?

Para verificar o conteúdo, o Comprova acessou os dados da plataforma SUSanálitico, do Ministério da Saúde. A pesquisa coletou informações sobre os óbitos por covid-19 acumulados de cada um dos municípios mencionados até a data de referência do dia 15 de abril, a população estimada das cidades e a taxa de mortes por 100 mil habitantes.

Também aplicamos um filtro para comparar os números de óbitos registrados no dia 31 de março com as estatísticas do dia 1º de março. Isso permitiu à reportagem conferir a evolução das ocorrências durante aquele mês.

É importante ressaltar que o SUSanalítico informa a data de notificação dos óbitos, e não o dia exato em que ocorreram. Os dados da plataforma apresentam números distintos dos boletins epidemiológicos das prefeituras. Essa diferença, entretanto, não impacta no resultado da verificação ou na classificação do conteúdo, conforme verificado individualmente pelo Comprova. 

Como os números desmentem a publicação, o Comprova não checou, de cidade a cidade, se elas usaram algum protocolo de tratamento precoce como política de atendimento para a covid-19.

Após o levantamento, o Comprova consultou dois especialistas na área de epidemiologia para entender se a associação do tratamento precoce com supostas quedas nos números epidemiológicos de cidades é válida.

Marcio Sommer Bittencourt, do Centro de Pesquisa de Epidemiologia do Hospital Universitário da USP, e Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), no entanto, argumentam que os apontamentos do post não se sustentam.

Também contactamos o autor de uma postagem com o mesmo conteúdo no Twitter, que não respondeu até o fechamento da matéria.

O Comprova fez esta verificação baseada em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 21 de abril de 2021.

Verificação

A mensagem enganosa menciona 51 cidades de diferentes proporções populacionais. O município de Uberaba (MG) é repetido duas vezes, nas numerações 15 e 31. O conteúdo ainda menciona uma cidade chamada Taquara, no Paraná, mas a região não configura oficialmente um município.

A publicação analisada pelo Comprova foi compartilhada no Twitter no dia 5 de abril. Um levantamento da reportagem com dados da plataforma SUSanalítico mostra que, no mês de março, somente os municípios de São Pedro dos Crentes (MA), Rancho Queimado (SC) e São Pedro do Paraná (PR) não registraram notificações de óbitos por covid-19. As três cidades somam pouco menos de 10 mil habitantes.

Na outra ponta, Natal (RN), com população estimada em 884 mil habitantes, lidera o ranking com 385 notificações, seguida por Cascavel (PR) e Chapecó (SC), com 244 e 230, respectivamente. Em Taquara (RS), o total de óbitos acumulados quase dobrou. A cidade gaúcha registrava, em 1º de março, 67 óbitos e fechou o mês com 132 ocorrências acumuladas.

Além disso, até o dia 15 de abril, mais de 20 dos municípios listados apresentavam uma taxa de mortes de covid por 100 mil habitantes superior à média nacional de 178, segundo o SUSanalítico. É o caso de Itajubá (MG). Com cerca de 97 mil habitantes, a cidade mineira contabilizava 304 óbitos, aproximadamente 314 vítimas por 100 mil habitantes.

Conexão insustentável

Além de citar medicamentos sem eficácia comprovada para a covid-19, a associação do uso do tratamento precoce com os números epidemiológicos não é correta, de acordo com especialistas ouvidos pelo Comprova.

O médico Márcio Sommer Bittencourt, do Centro de Epidemiologia do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, destaca que outros fatores podem interferir nos números epidemiológicos de uma cidade, desde medidas de restrições adotadas para combater a pandemia até as características da população de cada município.

Bittencourt explica que não é possível aferir o impacto do tratamento precoce nas cidades sem um estudo controlado que compare um grupo de pacientes medicados com o protocolo contra um grupo de controle robusto – isto é, pacientes que não recebem os remédios, mas estão sob as mesmas condições do grupo de medicados. Ainda assim, o estudo teria limitações.

“Além das cidades não terem reduzido o número de mortes para nada substancial, elas podem estar em momentos de queda nas curvas por outras intervenções, que é o caso de Chapecó (SC), onde isso é muito claro”, destaca o médico. A cidade catarinense promoveu um lockdown parcial durante o mês de fevereiro. 

O método adequado para gerar evidências confiáveis acerca da eficácia de um medicamento corresponde aos estudos clínicos randomizados, defende Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico de família e comunidade do Grupo Hospitalar Conceição.

Ele destaca que esse tipo de trabalho estabelece grupos de controle e critérios de seleção para inibir possíveis fatores que possam confundir a análise dos resultados, o que não ocorre nas experiências clínicas individuais de médicos ou na análise proposta na mensagem enganosa. Stein ressalta que até mesmo as desigualdades nos sistemas de saúde poderiam “ser um fator de confusão”.

“Quando a cidade tem um serviço de saúde que funciona, acesso a tecnologia para atender casos graves e fatores socioeconômicos melhores, os indicadores podem ser mais positivos.” diz o especialista.

As evidências da cloroquina e ivermectina

Até o momento, não há evidências confiáveis que confirmem a eficácia do uso da hidroxicloroquina ou ivermectina no tratamento da covid-19, em qualquer estágio da doença. O painel de evidências da Organização Mundial da Saúde desaconselha a aplicação dos dois tratamentos no combate à infecção do novo coronavírus.

No caso da ivermectina, a entidade diz que os benefícios e a segurança do tratamento permanecem incertos, ao passo que os dados disponíveis de estudos clínicos com a droga no contexto da covid-19 têm um nível de confiança baixo. A Agência Europeia de Medicamentos também apresenta uma posição semelhante.

Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), por sua vez, afirmam que há dados insuficientes para estabelecer uma recomendação a favor ou contra o uso da ivermectina no tratamento da covid-19. A Food and Drugs Administration, órgão regulatório do país, alerta que a automedicação com o vermífugo é perigosa.

Já os tratamentos com cloroquina e a hidroxicloroquina são fortemente desaconselhados pelo painel da OMS. De acordo com o documento, evidências de nível de confiança moderado mostram que ambas substâncias “provavelmente não reduzem a mortalidade, ventilação mecânica e o tempo de hospitalização”.

Além disso, há preocupações em torno da segurança. Segundo a entidade, algumas evidências mostram que os remédios podem, na verdade, aumentar o risco de morte. “Os efeitos em outros resultados menos importantes, incluindo o tempo de resolução de sintomas, admissão hospitalar e o período de ventilação mecânica, seguem incertos”, diz o painel.

O NIH desaconselha o uso da hidroxicloroquina isolada ou com outros medicamentos em pacientes hospitalizados com a covid-19. A organização também é contra a aplicação do tratamento para pacientes não hospitalizados fora de estudos clínicos.

Por que investigamos?

O conteúdo analisado foi sugerido via WhatsApp por leitores do Comprova e possuía 544 interações no Twitter até o dia 21 de abril de 2021. A mensagem promove desinformação ao espalhar o boato falso de que mais de 50 municípios teriam zerado o número de óbitos, graças ao uso de protocolos com ivermectina e hidroxicloroquina. As duas substâncias não têm eficácia e segurança comprovada no tratamento da covid-19, tampouco podem ser relacionadas com a queda de números epidemiológicos dos municípios citados no post. O tratamento precoce já foi alvo de uma série de verificações do nosso projeto.

O boato é potencialmente perigoso porque pode confundir usuários e gerar uma falsa sensação de segurança de que esses medicamentos podem proteger pacientes na pandemia, quando não há evidências confiáveis de que eles realmente funcionem. A desinformação também pode atrapalhar gestores públicos na consolidação de políticas públicas efetivas para combater a crise sanitária.

Uma verificação da Agência Lupa a respeito do mesmo boato indica que o conteúdo falso também circula por grupos de WhatsApp. O Aos Fatos e o projeto Fato ou Fake, do G1, desmentiram uma mensagem semelhante, com parte dos municípios listados, que viralizou na plataforma de mensagens.

Falso, para o Comprova, é todo o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

21/04/2021 – Revista Época – portal via BBC News

Época: https://epoca.globo.com/sociedade/pff2-os-voluntarios-que-ajudam-brasileiros-encontrar-mascaras-mais-eficazes-contra-covid-19-1-24981405
BBC News: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56780405

PFF2: OS VOLUNTÁRIOS QUE AJUDAM BRASILEIROS A ENCONTRAR MÁSCARAS MAIS EFICAZES CONTRA A COVID-19

Equipamento de proteção é considerado o mais apropriado para prevenir a transmissão aérea do vírus; ele é feito com camadas de material com uma porosidade menor, que retém a maioria das partículas, além de vedar melhor o nariz e a boca

"Tenho dormido menos, mas dormido melhor, por saber que estou ajudando outras pessoas."

Professor, programador e estudante de direito, o carioca Bruno Carvalho, 34 anos, reserva até 4 horas do dia para se dedicar a uma atividade que tomou como missão: convencer os brasileiros a usarem máscaras do tipo PFF2 (ou padrão N95, como é chamada nos EUA), consideradas mais seguras contra a covid-19.

Desde fevereiro, em meio ao agravamento da pandemia no país, ele e uma colega resolveram criar um site para disponibilizar uma lista de lojas que vendem produtos testados e regularizados, o PFF Para Todos.

Mais de 800 mil usuários já acessaram a plataforma — sendo 100 mil só na última semana, segundo Bruno. A maior parte (40%) vem do WhatsApp, seguido da busca do Google e do Twitter.

"As máscaras não são a solução da pandemia, mas são importantes como uma proteção imediata, ainda mais nesse momento que vivemos", explica Bruno.

O Brasil vive o pior momento desde o início da pandemia e vem registrando uma média de mortes por covid-19 perto das 3 mil, até esta quarta-feira, 14.

Ainda em junho de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o uso de máscara em público. Em julho, reconheceu que o coronavírus podia ser transmitido não apenas por gotículas expelidas por tosse e espirros, mas também por partículas microscópicas liberadas por meio da respiração e da fala que ficam em suspensão no ar: os chamados aerossóis.

E as máscaras do tipo PFF2 são consideradas melhores para prevenir a transmissão aérea do vírus. Ela é feita com camadas de material com uma porosidade menor, que retém a maioria das partículas, além de vedar melhor o nariz e a boca.

ALERTA NECESSÁRIO

Mas, para Melissa Markoski, professora de biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), só a partir de dezembro que os brasileiros passaram a ficar mais atentos ao tipo de máscara que estavam usando.

Além de defender o uso de equipamentos profissionais, a cientista ressalta que máscaras de pano bem-feitas (com mais de uma camada e com diferentes tipos de tecido) e as cirúrgicas também são eficazes, dependendo do nível de exposição ao vírus. (Veja mais dicas no final desta reportagem.)

"Foi muito tardia essa preocupação. Os cientistas sempre falaram da importância do uso correto de máscaras, mas acho que não estava sendo suficiente. Faltou um movimento para levar esse apelo mais pra frente e também campanhas do governo como aquelas do 'não fume' e do 'use o cinto de segurança'", diz Markoski.

Foi diante desse cenário que Bruno Carvalho resolveu agir. Com problemas respiratórios e de alergia, ele já conhecia os benefícios das PFF2 há cerca de 14 anos, bem antes da pandemia — numa obra em casa, por exemplo, já a colocava no rosto.

Quando uma aluna — uma fisioterapeuta respiratória — morreu de covid-19, ele percebeu que precisava compartilhar informações.

"Ela havia treinado muita gente para cuidar dos outros na pandemia. Então a morte dela me deixou muito chateado, eu precisava fazer alguma coisa".

Estimulado pela busca dos usuários do Twitter por máscaras, ele decidiu criar uma plataforma independente, junto com a administradora do perfil Estoque PFF. Era sexta-feira de Carnaval. No sábado, o site estava no ar.

Desde então, os dias têm sido dedicados a ligar para especialistas, fornecedores, lojas, ler laudos para verificar se as máscaras foram aprovadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e, ainda, responder dúvidas de seguidores nas redes sociais.

Para esta reportagem, Bruno preferiu não mostrar o rosto. O motivo? O receio de ataques de pessoas que não acreditam na pandemia ou na eficácia das máscaras.

'O PLANO É QUE O PERFIL FIQUE OBSOLETO'

O casal Beatriz Klimeck, 24 anos, e Ralph Rocha, 25, também tem dedicado os dias às máscaras.

Ela é antropóloga, doutoranda em saúde pública e mestranda em divulgação científica. Ele é administrador público e mestrando em comunicação. Juntos, gastam cerca de 4h diárias para atualizar os perfis do Qual Máscara nas redes sociais.

Criado em dezembro de 2020, após uma piora nos números da pandemia no país, o projeto já conta com quase 235 mil seguidores, somados Twitter e Instagram.

Em contato direto com médicos, especialistas e instituições, o casal passa horas se debruçando sobre artigos científicos e reportagens para criar um conteúdo visual e compartilhável — e que possa, assim, "furar a bolha" e chegar aos grupos de WhatsApp.

Os comentários e mensagens também são respondidos, deixando o casal acordado, muitas vezes, até de madrugada.

"A gente quer ser o contrário de um influenciador. O plano é que o perfil fique obsoleto, que não tenha mais relevância, seja pelo fim da pandemia ou porque as informações já chegaram a todo mundo", conta Beatriz.

Os posts do Qual Máscara são referenciados, com links para artigos científicos e entrevistas "para auxiliar as pessoas a fazerem escolhas informadas, não para dizer que é isso ou aquilo".

"Fizemos isso porque a comunicação do governo é ruim, a mensagem pública é ruim, o presidente já desestimulou o uso de máscaras… E as pessoas seguem usando a máscara com tecido ruim, no queixo", completa a Beatriz.

Ela se envolveu tanto no assunto que mudou até o tema do doutorado, antes sobre anorexia, para pesquisar a antropologia que envolve o uso coletivo de máscaras.

Tanto Bruno, do PFF para Todos, quanto Beatriz e Ralph já administram compromissos além dos perfis nas redes sociais e dos sites.

Em contato com fornecedores, Bruno tenta viabilizar campanhas de doação de máscaras para distribuir em espaços públicos.

O casal por trás do Qual Máscara já fez um abaixo-assinado para que a prefeitura do Rio de Janeiro, onde vive, distribua PFF2 para a população. Além disso, já foi procurado por vereadores de cidades como Belém (PA) e Florianópolis (SC) para auxiliar na elaboração de projetos de lei que envolvam o uso de máscaras.

"É um trabalho cansativo e nosso objetivo não é mudar tudo, a posição do governo sobre o tema. Mas cada pessoa que não se contamina porque estão bem informadas já valeu a pena", finaliza Beatriz.

Esse tipo de máscara segue padrões estabelecidos por normas técnicas para garantir um nível alto de proteção. A PFF2 filtra pelo menos 94% das partículas de 0,3 mícron de diâmetro, as mais difíceis de se capturar. N95 é a nomenclatura dos Estados Unidos. O padrão no Brasil é a PFF2. E, na Europa, é a FFP2. Esses padrões de respiradores, embora não sejam idênticos, são equivalentes.

"Elas são formuladas com diferentes de tipos tecido, com até 5 camadas. E esses tecidos conferem diferentes mecanismos para reter partículas de diferentes tamanhos. Cada uma possui uma ação eletrostática, atraindo partículas bem pequenas, coisa que muita máscara de pano não consegue fazer", explica Melissa Markoski, professora de biossegurança.

Além disso, essas máscaras profissionais se ajustam melhor ao rosto, com menos vazamento de ar pelas laterais e por cima.

Seguindo orientações da OMS, as máscaras profissionais podem ter um uso prolongado. Para quem não trabalha em áreas muito expostas ao vírus, como hospitais, elas podem ser utilizadas por até 8 vezes, diz Markoski.

Num único dia, ela pode ser utilizada até por 8h seguidas. Se ela ficar úmida ou se você precisou falar muito, é indicado realizar uma troca.

"Ao chegar em casa, deixe em algum lugar arejado por pelo menos 3 dias, para então reutilizá-las. Não pode lavá-las ou borrifar álcool"

NA FALTA DE PFF2, O QUE FAZER?

Com preços que partem dos R$ 3 a unidade, nem todos podem comprar os respiradores profissionais para a família.

Segundo Markoski, diante da gravidade da pandemia, profissionais que vão para ambientes de alto risco ou usam transporte coletivo cheio deveriam usar as PFF2.

Se não tem essa opção ou se você não está em contato com tantas pessoas durante o dia, a máscara cirúrgica tripla (descartável) também é indicada. Ela pode ser utilizada, inclusive, com uma de pano por cima. O importante é verificar se elas estão bem ajustadas ao rosto.

Quanto às de tecido, quanto mais camadas melhor. Por exemplo, pode ter uma camada de algodão, uma de poliéster, e outra de algodão - ou uma de seda: "Vai reter mais as partículas, porque cada um desses tecidos tem propriedade diferente".

"Mesmo protegido, evite conversar muito, falar alto. Se for guardar uma máscara, cuidado para não amassar. Se for lavar uma de pano, não torça. Isso pode danificá-las", sugere Markoski.

"Quem não usa máscara não associa o perigo que estão correndo. As pessoas precisam entender que a doença está no ar que a gente respira"

Antes da compra, é importante verificar se as máscaras PFF2 têm o selo do Inmetro É essa certificação que indica que o produto passou por auditorias no processo produtivo e ensaios envolvendo questões como inspeção visual, resistência à respiração, penetrações através do filtro e inflamabilidade. No site do Inmetro, é possível consultar os produtos certificados.

20/04/2021 – Diário Gaúcho

http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/04/apos-queda-pandemia-da-sinais-de-estabilizacao-em-nivel-elevado-no-rs-17309711.html

Após queda, pandemia dá sinais de estabilização em nível elevado no RS

Taxas de novos casos e óbitos, que vinham caindo no Estado, reduziram o ritmo de recuo

Os gaúchos testemunharam o número de novos casos e óbitos provocados por covid-19 entrar em tendência de declínio, nas últimas semanas, após uma nova onda do coronavírus ter superlotado hospitais. Os dados mais recentes, porém, indicam que essa queda perdeu velocidade e sinalizam uma estabilização da pandemia em patamar muito elevado — o que pode resultar em novo agravamento em um curto intervalo de tempo.

A média da taxa diária de crescimento dos casos chegou a superar 1% ao final da primeira semana de março no Rio Grande do Sul. Cerca de um mês depois, esse índice havia caído pela metade (veja gráfico). O problema é que, nos últimos dias, esse recuo perdeu velocidade e começou a dar lugar a indícios preliminares de estabilidade. Ao longo da semana, a média de avanço das contaminações passou a oscilar entre 0,47% e 0,51% (média diária de novos casos calculada ao longo de sete dias, para reduzir distorções).

— Nós vínhamos em uma tendência de queda. Essa queda entrou em desaceleração e começa a dar sinais de que pode estar se estabilizando. O problema é que estaria se estabilizando em um patamar ainda muito elevado — alerta o cientista de dados e coordenador da Rede Análise Covid-19, Isaac Schrarstzhaupt.

A média da taxa diária de novos óbitos, calculada pela data de registro da morte, apresenta comportamento semelhante. Chegou a superar 1,8% em meados de março, período em que entrou em declínio. Manteve-se abaixo de 1% ao dia desde 10 de abril — mas deixou de apresentar a mesma tendência clara de diminuição. Nos últimos dias, houve até uma ligeira oscilação para cima e passou de 0,7% para 0,8%.

Esse cenário é confirmado em um boletim Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que analisou dados disponíveis até 12 de abril. O texto diz que “os Estados do Amazonas, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina apresentam indícios de que podem estar interrompendo a tendência de queda ainda em valores significativamente elevados”.

O texto conclui que as estimativas “reforçam a importância da cautela em relação a medidas de flexibilização das recomendações de distanciamento para redução da transmissão da COVID-19 enquanto a tendência de queda não tiver sido mantida por tempo suficiente para que o número de novos casos atinja valores significativamente baixos”.

Esse cenário deixa especialistas em alerta por uma razão: quando há novo aumento da mobilidade, como agora no Rio Grande do Sul em razão de flexibilizações na circulação, há uma ameaça muito maior de repique da pandemia se a taxa de contaminação ainda estiver elevada.

— Nossa situação atual é como andar em uma corda bamba. Qualquer coisa, (a pandemia) pode voltar a subir. Mesmo que a gente consiga se manter como está agora, é um sofrimento enorme. Estaríamos aceitando um número maior de mortes por não conseguirmos interromper a transmissão do vírus — afirma a professora de Epidemiologia e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda.

Schrarstzhaupt lembra que a Europa conseguiu reduzir “quase a zero” a taxa de contaminação após a adoção de lockdowns no ano passado. Por isso, uma segunda onda do coronavírus demorou meses até ganhar força. Isso pode ocorrer em menos tempo quando o coronavírus segue circulando em maior nível na sociedade.

— Quando você já tem uma circulação elevada do vírus e aumenta a mobilidade, a probabilidade de contaminação das pessoas que vão para a rua é muito maior, e, em consequência disso, a possibilidade de uma nova disparada da pandemia em um curto prazo — explica.

Depois de ficar semanas acima de 100%, a taxa geral de ocupação de unidades de terapia intensiva (UTIs) voltou a ficar abaixo da capacidade máxima no Estado. Mas ainda se encontra em um patamar de sobrecarga — na tarde desta segunda, estava em 87%.

20/04/2021 – Jornal Matinal

https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/newsletter/estudo-de-tres-universidades-do-rs-comprova-eficacia-de-uso-de-mascaras-e-distanciamento-social/

Estudo de três universidades do RS comprova eficácia de uso de máscaras e distanciamento social

Distanciamento social e uso correto de máscara. Esses são dois dos métodos eficazes contra a disseminação da Covid-19, segundo um estudo produzido por pesquisadores da UFRGS, UFPel, UFCSPA e da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. A pesquisa foi elaborada a partir de uma lista cedida pela secretaria com mais de 3,4 mil pacientes da Capital que testaram positivo para a doença entre abril e junho de 2020. Deste grupo, 247 pessoas foram selecionadas para responder a um questionário sobre o uso de máscara, grau de adesão do distanciamento social e a rotina de atividades fora de casa. A conclusão dos pesquisadores foi que o uso de proteção facial reduz em 87% a chance de infecção. Além disso, o estudo indicou que aqueles que realizam o distanciamento, de forma moderada a intensa, têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o vírus. O artigo está em fase preprint e precisa de avaliação de outros pesquisadores antes de ser publicado, mas já é considerado um estudo confiável. Em paralelo, especialistas ouvidos por GZH corroboram que o distanciamento social, causado pela bandeira preta a partir do fim de fevereiro, foi determinante para reduzir os casos e, posteriormente, as mortes por Covid-19 no RS.

15/04/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/04/e-possivel-usar-vacinas-contra-a-covid-19-diferentes-para-a-primeira-e-segunda-doses-veja-perguntas-e-respostas-cknji9rof00by0198hga75ou0.html

É possível usar vacinas contra a covid-19 diferentes para a primeira e segunda doses? Veja perguntas e respostas

Quase 500 pessoas no país receberam aplicações de imunizantes distintos, apesar de governo e cientistas serem contra

Aplicar em uma mesma pessoa doses de vacinas contra a covid-19 de laboratórios diferentes pode ter alguma vantagem ou desvantagem? Há estudos no mundo que analisam a interação entre a vacina de Oxford e a Sputnik, a Pfizer e a Novavax. Mas não há, neste momento, pesquisas sobre a interação entre a CoronaVac e a vacina de Oxford, que são as duas em uso no Brasil e que funcionam com tecnologias diferentes.

A orientação oficial é de que a vacinação aconteça sempre com duas doses do mesmo laboratório. Aplicar vacinas diferentes pode ocorrer por desatenção do aplicador ou da pessoa vacinada, que não conferiu na carteira de vacinação qual foi a primeira dose injetada — daí a importância de levar o documento ao posto. Aplicar injeções cruzadas, a princípio, não faz mal à saúde, mas não se sabe se a combinação pode assegurar a proteção esperada.

De janeiro até esta quarta-feira (14), 481 brasileiros receberam erroneamente uma dose da CoronaVac e outra da vacina de Oxford, segundo o Ministério da Saúde. A despeito de considerar a aplicação cruzada um erro, a pasta diz que nada deve ser feito.

— Não temos estudos de intercambialidade das vacinas para a covid. A grande dúvida é se a pessoa ficará protegida utilizando vacinas de laboratórios diferentes — resume o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

A situação deve se tornar cada vez mais comum com o avanço da campanha de imunização e a entrada de novas vacinas no Brasil. Até agora, estão aprovadas no país a CoronaVac, a vacina de Oxford/AstraZeneca e a da Pfizer (esta ainda não chegou efetivamente por aqui) – cada qual com uma tecnologia diferente para funcionamento, o que complica ainda mais a possibilidade de mistura.

O Ministério da Saúde orienta, no Plano Nacional de Imunizações (PNI), que a vacinação cruzada deve ser notificada como erro e que indivíduos que receberam doses de laboratórios diferentes "não poderão ser considerados como devidamente imunizados, no entanto, neste momento, não se recomenda a administração de doses adicionais de vacinas”.

Questionado sobre qual é a orientação para as pessoas que receberam doses de laboratórios distintos, o Ministério da Saúde afirma, em nota a GZH, que “cabe aos Estados e municípios o acompanhamento e monitoramento de possíveis eventos adversos a essas pessoas por, no mínimo, 30 dias”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou a GZH que não recebeu estudos sobre a intercambialidade das vacinas nos pedidos de uso emergencial ou definitivo das farmacêuticas, mas que “o entendimento da Anvisa é que, com as informações conhecidas até o momento, as vacinas não são intercambiáveis. A orientação é que seja respeitado o esquema terapêutico e que seja tomada uma segunda dose da última vacina recebida, respeitando-se o intervalo recomendado entre as doses”, diz a entidade por e-mail.

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) afirma por e-mail que “está aguardando retorno do Ministério da Saúde com orientação sobre esta questão”. A pasta não informou quantos gaúchos receberam vacinas de farmacêuticas diferentes.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) aponta que notifica esses casos no sistema em Porto Alegre e aguarda orientação da SES “para o desfecho das situações verificadas”.

Veja perguntas e respostas sobre o assunto:

Posso tomar vacinas contra o coronavírus de laboratórios diferentes?

Não. Em nota divulgada no fim de março, a Anvisa alerta que a aplicação deve ser feita com doses do mesmo laboratório e que “não há dados que sustentem que a troca de fabricantes de vacinas entre a primeira e a segunda dose produza resposta imune ao Sars-CoV-2”. O Ministério da Saúde considera o uso de vacinas diferentes um erro, e especialistas defendem que a aplicação seja sempre de uma mesma farmacêutica.

Tomei vacinas de diferentes laboratórios. O que faço?

Caso sua carteira de vacinação aponte uma dose da CoronaVac, do Instituto Butantan, e outra da vacina de Oxford, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), você deve comunicar ao posto de saúde e mostrar sua carteira de vacinação. A unidade de saúde, por sua vez, fará a notificação à Secretaria Municipal da Saúde. A despeito de não considerar esse caso como uma imunização efetiva, a orientação do Ministério da Saúde é de que a pessoa não tome uma terceira dose.

Faz mal misturar vacinas de laboratórios diferentes?

Não se sabe ainda, mas, a princípio, a mistura não faz mal à saúde. O sistema imunológico está acostumado a lidar com diferentes agentes diariamente em nosso corpo – é o que permite que estejamos vivos.

— Não existe nenhum estudo científico com resultado avaliando isso, mas, a principio, é seguro e não há motivo para imaginar que vá causar dano. Essas vacinas, já sabemos o que é demonstrado como efeito adverso. A avaliação é mais sobre a eficácia de misturar as vacinas, não tanto sobre a segurança. As vacinas vêm sendo utilizadas há mais de um século com muita segurança — diz a médica Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz e professora de Imunologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A pessoa que tomou doses de laboratórios diferentes estará imunizada?

Não se sabe. Há estudos sendo conduzidos para a aplicação de algumas vacinas, mas ainda não há conclusões. Analistas ouvidos por GZH divergem: de um lado, há a expectativa de que a prática possa reforçar o sistema imune, mas, por outro, também se imagina que possa despertar uma segunda onda de proteção que não reforce aquela gerada pela primeira dose.

Por que não se deve misturar, hoje, doses de laboratórios diferentes?

Porque não há estudos que embasem a decisão. As pesquisas feitas até agora comprovam eficácia e tempo de intervalo apenas para doses do mesmo laboratório, e não com cruzamento. O risco é gerar duas respostas imunes diferentes, em vez de um reforço da primeira. Além disso, caso haja um efeito colateral, não será possível saber a qual vacina ele pode estar conectado.

— A diferença é a forma como cada plataforma estimula o sistema imunológico. Temos respostas imunes diferentes a depender do produto utilizado. Se uma tem 50% de eficácia e a outra, de 90%, não significa que fazer intercâmbio terá uma eficácia meio termo de 75% — explica Juarez Cunha, médico e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Qual é a solução? Manter como está ou oferecer uma terceira dose?

Não há resposta, ainda. O caso do Brasil é mais delicado porque a CoronaVac e a vacina de Oxford usam tecnologias diferentes para despertar a resposta imunológica contra a covid-19 – nos Estados Unidos, admite-se para casos excepcionais o uso da Pfizer e da Moderna porque ambas atuam de forma semelhante, com RNA mensageiro.

Eduardo Sprinz, médico infectologista, chefe do setor de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e coordenador dos estudos da Janssen e da vacina de Oxford na instituição:

“No Brasil, temos duas vacinas de plataformas diferentes. Uma é com vírus inativado (CoronaVac) e outra é com uma proteína do vírus, a proteína S (Oxford/AstraZeneca). Os anticorpos induzidos por uma não necessariamente serão os mesmos estimulados pela outra. Baseado nisso, provavelmente, quem fez a intercambialidade da CoronaVac e a de Oxford seria recomendado fazer o reforço de uma dessas duas. Por hipótese, o uso de vacinas de plataformas diferentes não funciona, mas de plataformas semelhantes, sim. Mas não temos resposta sobre isso, ainda.”

Viviane Boaventura, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professora de Imunologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA):

“Cada vacina monta uma resposta contra um material do vírus. Se você der uma segunda vacina, você estimularia a resposta contra uma outra parte do vírus. Então você potencializa diferentes braços da resposta de defesa do organismo. É como se ativasse diferentes componentes do sistema de defesa. Mas faltam estudos.”

Juarez Cunha, médico e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm):

“Minha opinião é de que pessoas que receberam vacinas de plataformas diferentes deveriam tomar uma terceira dose de uma dessas vacinas. Isso porque os estudos que temos é de uma mesma vacina.”

Cristina Bonorino, professora de Imunologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro de um grupo de trabalho da SES que estuda os efeitos de vacinas:

“A CoronaVac e a Oxford são contra o coronavírus, mas uma funciona com o vírus inteiro e a outra só para a proteína S do vírus. É possível funcionar (a mistura das duas), mas não sabemos quanto. A mistura está sendo considerada como erro pelo Ministério da Saúde, mas o ministério não diz o que fazer e é urgente que se manifeste. Eu sugiro que, se ainda está no prazo de uso de uma das duas vacinas, que se complemente com a que está no prazo. Mas, se passou o prazo de aplicação das duas, o que é possível só no futuro, já que agora Oxford sequer teve a segunda dose, que se comece o esquema de novo.”

Tomar uma terceira dose faria mal ao organismo?

Não – e talvez você já tenha feito isso com outra vacina, ao esquecer se tomou, anos atrás, a dose necessária. Assim como tomar uma dose de laboratório diferente, receber uma terceira injeção também não faz mal ao organismo. Tomar uma terceira dose é, inclusive, a solução oferecida pelo Ministério da Saúde para outro problema: quem toma a dose de reforço da CoronaVac antes do intervalo de 14 dias. Nota técnica de 8 de março da pasta diz que, para esses casos, "a segunda dose deverá ser desconsiderada e reagendada uma segunda dose conforme intervalo indicado da primeira vacina covid-19 recebida".

— Não vai sobrecarregar o corpo nem nada parecido. O sistema imune está acostumado a lidar com várias infecções e imunizações ao mesmo tempo. Todos os dias o sistema imune lida com patógenos e, graças a isso, estamos vivos — diz Cristina Bonorino, professora da UFCSPA.

 

Por que a vacinação cruzada tem mais chances de dar certo para algumas combinações de vacina?

A hipótese de cientistas é de que vacinas com a mesma tecnologia trabalhariam de forma semelhante para gerar uma resposta do sistema imune, então, o esforço de uma ajudaria a outra. No entanto, não é a realidade atual do Brasil, onde circulam dois imunizantes com plataformas distintas – CoronaVac com vírus inativado e Oxford/AstraZeneca com vetor viral.

É por isso que há estudos sobre o uso da AstraZeneca com a Sputnik (ambas de vetor viral que inserem um pedacinho do Sars-Cov-2 dentro de um vírus de resfriado que funciona como mensageiro) ou da AstraZeneca com a Pfizer (ambas com foco em uma proteína do coronavírus).

— Quando tomamos a AstraZeneca, o sistema imunológico monta resposta contra a covid, mas também contra o adenovírus que carrega um pedacinho da covid. Na segunda dose, o sistema combate o adenovírus antes de ele entregar as partes da covid. A ideia de usar a Sputnik na segunda dose é que, por ela usar outro vetor viral, nosso sistema imune não teria resposta montada com ele e, assim, o fragmento da covid chegaria ao destino para o sistema imune montar uma resposta — diz Viviane Boaventura, da Fiocruz.

Pelo mesmo raciocínio, o uso da Pfizer com a Moderna também poderia dar certo, porque ambas usam a tecnologia de RNA mensageiro. Mas não há, tampouco, estudos que comprovem a prática.

Se der certo, por que será bom misturar vacinas diferentes?

Para além da suposição de aumentar a eficácia, pela logística: se o país estiver em falta das doses de um laboratório, mas tiver estoque de outro, poderá aplicar na população as injeções que tiver disponíveis.

— O que se imagina é que possa ter um efeito de potencialização ao combinar duas vacinas, na expectativa de flexibilizar os usos. Se conseguirmos, isso ajudaria na questão logística. No caso do Brasil, por causa das novas variantes, dar mais de um tipo de vacina pode ser uma vantagem — diz Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz e professora de Imunologia na UFBA.

Como a situação é tratada em outros países?

A França decidiu que a população com menos de 55 anos que tiver tomado a primeira dose da vacina de Oxford deverá tomar, como segunda dose, a Pfizer ou a Moderna, mas o governo francês reconhece que não há estudos científicos comprovando que a estratégia funcione. A vacina de Oxford é feita com a tecnologia de vetor viral, enquanto que Pfizer e Moderna usam RNA mensageiro.

No início do ano, em meio à falta de doses, o Reino Unido decidiu autorizar a mistura de imunizantes – estavam à disposição a vacina de Oxford e a da Pfizer, ambas com tecnologias distintas, mas responsáveis por inserir no corpo uma proteína do coronavírus que, embora não seja infecciosa, ensina o organismo a lutar contra a covid-19.

— Todo esforço deve ser feito para dar a mesma vacina, mas, quando isso não for possível, é melhor dar uma segunda dose de outra vacina do que não dar — afirmou Mary Ramsay, chefe de imunizações da Public Health England.

Nos Estados Unidos, onde o uso massivo é das vacinas da Pfizer e da Moderna – ambas com a tecnologia de RNA mensageiro –, o governo desaconselha a vacinação cruzada, mas diz que, se não for possível saber qual foi a primeira dose, pode-se dar o reforço 28 dias depois com uma vacina da mesma tecnologia. Ao mesmo tempo, salienta que é preferível atrasar a aplicação da segunda dose se isso permitir vacinar com a injeção da mesma farmacêutica.

— Ter duas vacinas de uma mesma plataforma é uma coisa. Mas hoje temos no Brasil vacinas de plataformas distintas. Vacinadores e quem recebe a vacina precisam prestar atenção ao produto e ao que está registrado na carteira de vacinação — diz o médico Juarez Cunha.

A China avalia misturar vacinas para aumentar a eficácia ou mesmo aumentar o número de doses de um imunizante. O país conta com três vacinas, sendo uma delas a CoronaVac.

Qual é a regra para vacinas contra outras doenças?

Usar a vacina do mesmo laboratório, explica Juarez Cunha, médico e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Em casos nos quais existe a intercambialidade, como a vacina contra a meningite, foram feitos estudos para atestar a segurança e a eficácia da prática.

15/04/2021 – Folha de São Paulo e DL News – via FolhaPress

https://dlnews.com.br/noticias?id=61308/porto-alegre-reabre-bares-apesar-da-taxa-de-ocupacao-de-utis-em-96%

Porto Alegre reabre bares apesar da taxa de ocupação de UTIs em 96%

Especialistas temem repique de casos

Após o colapso na rede de saúde em Porto Alegre no mês de março, o governo do Rio Grande do Sul reabriu bares, restaurante e o comércio de rua, ainda que com restrições de horário e de capacidade.

Nesta segunda-feira (11), a taxa de ocupação de UTIs em Porto Alegre ficou em 96%, pouco abaixo dos 100% que vinha registrando desde o começo de março. Especialistas alertam que os indicadores ainda estão bastante elevados e que a tendência de queda pode ser revertida com o aumento da mobilidade, que sempre segue o relaxamento de restrições.

Em meio ao caos em março com o alto número de mortos pela Covid-19, o principal hospital privado de Porto Alegre, o Moinhos de Vento, chegou a instalar contêiner para abrir corpos das vítimas. Um hospital de campanha foi montado pelo Exército junto ao Hospital da Restinga e Extremo Sul (HRES), na periferia, que registrou pacientes recebendo oxigênio de pé, nos corredores da emergência.

Porto Alegre entrou, em 22 de fevereiro, em bandeira preta, o mais alto grau de risco na Covid-19. Cinco dias depois, a medida se estendeu para o estado. Comércio não essencial e academias fecharam as portas.

Na semana seguinte, o governador Eduardo Leite (PSDB) decidiu proibir venda de itens não essenciais até nos supermercados, o que obrigou grandes redes a bloquear com sacos plásticos as gôndolas com produtos que não fossem de alimentação, higiene e limpeza. Leite foi criticado por bolsonaristas nas redes sociais por causa da medida.

No último dia 22, as restrições começaram a ser relaxadas. Atividades não essenciais puderam voltar a funcionar entre 5h e 20h nos dias úteis, o que permitiu a reabertura de bares, restaurantes, do comércio de rua, dos shoppings centers, entre outras atividades. Supermercados também puderam remover as lonas que bloqueavam corredores com produtos não essenciais.

Leite também permitiu que comércio, academias e espaços religiosos funcionem aos fins de semana. Bares e restaurantes, por exemplo, podem operar apenas até 16h nos sábados e domingos, com limitação de 25% da capacidade máxima. Durante a semana, tiveram o horário limite estendido até às 23h.

"A gente vê que os nossos clientes estão retornando aos pouquinhos, mas ainda um movimento muito aquém do necessário, diz Maria Fernanda Tartoni, da Abrasel (Asssociação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Sul).

Entre os comerciantes, a impressão ainda é de muita cautela do consumidor. "Os primeiros dias [de reabertura] foram muito fracos, acho que houve um certo receio das pessoas em voltar. O RS, de alguma maneira, foi o epicentro, uma nova Manaus. Então, é evidente que as pessoas têm medo", diz Irio Piva, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre.

Reitora da da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a epidemiologista Lucia Pellanda avalia que a "boa notícia" é que as restrições implementadas pelo governo do Estado tiveram efeito, reduzindo inicialmente o número de casos, depois a ocupação de leitos clínicos e de leitos de UTI.

"Talvez ainda tenhamos um pouco de aumento do número de mortes por um tempo, porque são óbitos de pessoas que internaram naquela época [no pico]. Então, a primeira notícia é que tem efeito. A má notícia é que eu acho que é insuficiente. A gente está numa situação muito crítica, ainda muito longe de estar confortável, apesar de estar reduzindo", diz.

Já o Secretário Municipal de Saúde, Mauro Sparta, diz estar otimista que a queda nos indicadores pode perdurar. Entre os pontos, cita o cenário de queda nas solicitações de internação nas quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Contudo, para os que atuam nas UTIs, a situação atual ainda é crítica. Chefe do Serviço de Medicina Intensiva Adulto do Hospital Moinhos de Vento, um dos dois maiores hospitais privados da cidade, Roselaine Pinheiro de Oliveira afirma que a instituição continua operando acima da capacidade regular. Nesta quarta, o hospital registrava 86 pacientes internados na UTI para uma capacidade instalada oficialmente de 66 leitos, o que representa taxa de ocupação de 130%.

"Nós não temos tranquilidade, trabalhando a cada dia avaliando a situação. O que nós esperamos é que essa diminuição se sustente e que, com o aumento da vacinação, possamos começar a atender a maior demanda de outras doenças", afirma.

No Hospital Nossa Senhora da Conceição, um dos dois principais para pacientes do SUS, a taxa de ocupação era de 147% nesta terça.

"A UTI continua tensionada, mas o quantitativo está diminuindo e a gente tem um percentual de leitos que está começando a ser ocupado por outras enfermidades. Vaga livre não temos, porque sempre aparece alguém precisando. Mas, em relação à Covid, observamos que a tendência é diminuir", afirma Francisco Paz, diretor-técnico do Grupo Hospitalar Conceição.

Já o HCPA (Hospital de Clínicas de Porto Alegre), o maior em termos de leitos a atender exclusivamente pacientes do SUS na cidade, apresenta uma situação aparentemente melhor. Nesta terça, a taxa de ocupação de UTIs na instituição estava em 90%.

"Quando o sistema colapsou, nós tivemos uma ocupação de leitos de UTI próxima de 150%. Onde estão esses leitos? São leitos adaptados, leitos colocados na emergência. Todos com respirador, mas com profissionais que não são intensivistas", diz Beatriz Schaan, coordenadora do Grupo de Trabalho para a Preparação do Enfrentamento ao Coronavírus do HCPA.

14/04/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/dia-da-voz-%C3%A9-celebrado-com-palestras-e-show-na-ufcspa-1.603267

Dia da Voz é celebrado com palestras e show na UFCSPA

Evento realizado há mais de dez anos na universidade ganha versão virtual

“A Musicalidade da Voz” é o tema do evento que celebrará, hoje, às 19h, o Dia da Voz na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), no canal do Youtube do Núcleo Cultural da universidade. Objetivando fazer uma interface entre música, voz e fonoaudiologia e demonstrar as relações existentes entre arte e ciência, a atividade realizada há mais de dez anos desta vez ganha versão virtual. A transmissão ao vivo contará com a participação de dois convidados: o fonoaudiólogo e músico Alexandre Lira e a cantora Angélica Nascimento.

Alexandre ministrará a palestra “Interfaces Entre Música, Canto e Fonoaudiologia: Práticas e Atuação”. O profissional abordará conceitos relacionados à música e a gêneros e estilos de canto, refletindo sobre a atuação fonoaudiológica no contexto do aprimoramento e da reabilitação vocal.  Graduado em Música (UFAL) e Fonoaudiologia (UNCISAL), Alexandre Lira é especialista em voz (Centro de Estudos da Voz -CEV/SP) e mestre em Ciências da Reabilitação (UFCSPA). Após uma longa trajetória na música, dedicou-se à reabilitação vocal. Atuou em diversas instituições de reabilitação e atualmente trabalha em clínica com foco em profissionais da voz. Natural de Maceió, reside em Tubarão (SC).

Angélica fará um relato sobre seu processo de reabilitação vocal, seguido de uma apresentação musical. Devido a um desgaste vocal intenso, a cantora ficou três meses com dificuldade de cantar e falar. Com mais de 10 anos de experiência como cantora, integra um grupo musical e é regente do Coral Infantil da ONG Pilar Consciente (Alagoas). Desde cedo descobriu sua paixão pela música, aprendendo diferentes instrumentos até chegar ao canto. Natura

 O evento tem coordenação da professora, fonoaudióloga e pesquisadora em voz Mauriceia Cassol, com mediação da fonoaudióloga e doutoranda Isadora de Oliveira Lemos. A campanha da voz de 2021 é organizada pelo Grupo de estudos e pesquisa A Nossa Voz em Pauta, em conjunto com o Núcleo Cultural – NCULT.

14/04/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/dia-da-voz-%C3%A9-celebrado-com-palestras-e-show-na-ufcspa-1.603267

Dia da Voz é celebrado com palestras e show na UFCSPA

Evento realizado há mais de dez anos na universidade ganha versão virtual

“A Musicalidade da Voz” é o tema do evento que celebrará, hoje, às 19h, o Dia da Voz na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), no canal do Youtube do Núcleo Cultural da universidade. Objetivando fazer uma interface entre música, voz e fonoaudiologia e demonstrar as relações existentes entre arte e ciência, a atividade realizada há mais de dez anos desta vez ganha versão virtual. A transmissão ao vivo contará com a participação de dois convidados: o fonoaudiólogo e músico Alexandre Lira e a cantora Angélica Nascimento.

Alexandre ministrará a palestra “Interfaces Entre Música, Canto e Fonoaudiologia: Práticas e Atuação”. O profissional abordará conceitos relacionados à música e a gêneros e estilos de canto, refletindo sobre a atuação fonoaudiológica no contexto do aprimoramento e da reabilitação vocal.  Graduado em Música (UFAL) e Fonoaudiologia (UNCISAL), Alexandre Lira é especialista em voz (Centro de Estudos da Voz -CEV/SP) e mestre em Ciências da Reabilitação (UFCSPA). Após uma longa trajetória na música, dedicou-se à reabilitação vocal. Atuou em diversas instituições de reabilitação e atualmente trabalha em clínica com foco em profissionais da voz. Natural de Maceió, reside em Tubarão (SC).

Angélica fará um relato sobre seu processo de reabilitação vocal, seguido de uma apresentação musical. Devido a um desgaste vocal intenso, a cantora ficou três meses com dificuldade de cantar e falar. Com mais de 10 anos de experiência como cantora, integra um grupo musical e é regente do Coral Infantil da ONG Pilar Consciente (Alagoas). Desde cedo descobriu sua paixão pela música, aprendendo diferentes instrumentos até chegar ao canto.

O evento tem coordenação da professora, fonoaudióloga e pesquisadora em voz Mauriceia Cassol, com mediação da fonoaudióloga e doutoranda Isadora de Oliveira Lemos. A campanha da voz de 2021 é organizada pelo Grupo de estudos e pesquisa A Nossa Voz em Pauta, em conjunto com o Núcleo Cultural – NCULT.

14/04/2021 – Jornal O Sul

https://www.osul.com.br/porto-alegre-passa-a-contar-a-partir-desta-segunda-com-mais-4-postos-de-saude-com-atendimento-ate-as-22h/

Porto Alegre passa a contar a partir desta segunda com mais 4 postos de saúde com atendimento até as 22h

A cidade de Porto Alegre passa a contar a partir desta segunda-feira (15) com 12 unidades de saúde com horário estendido até as 22 horas. As quatro novas unidades somam-se às oito que já funcionavam até este horário. A medida vigorará por duas semanas, com o objetivo de diminuir a pressão sobre os pronto-atendimentos na capital gaúcha. A novidade foi apresentada pelo prefeito Sebastião Melo durante a live Vozes da Cidade.

Confira as unidades que passam a atender até as 22h: US Moradas da Hípica (rua Geraldo Tollens Linck, 235, no bairro Aberta dos Morros); US Lomba do Pinheiro (Estrada João de Oliveira Remião, 6111, Parada 13, no bairro Lomba do Pinheiro); US Moab Caldas (avenida Moab Caldas, 400, no bairro Santa Tereza); US Assis Brasil (avenida Assis Brasil, 6615, no bairro Sarandi).

Outras unidades também até as 22h: US Belém Novo (rua Florencio Farias,195, no bairro Belém Novo); US Diretor Pestana (rua Dona Teodora, 1016, no bairro Farrapos); US Modelo (avenida Jerônimo de Ornelas, 55, no bairro Santana); US Morro Santana (rua Marieta Menna Barreto, 210, no bairro Protásio Alves); US Primeiro de Maio (avenida Professor Oscar Pereira, 6199, no bairro Cascata); US Ramos (rua K esquina Rua R C, S/N – Vila Nova Santa Rosa, no bairro Rubem Berta); US São Carlos (avenida Bento Gonçalves, 6670, no bairro Partenon); US Tristeza (avenida Wenceslau Escobar, 110, no bairro Tristeza).

Parcerias solidárias

Porto Alegre, assim como o Estado do Rio Grande do Sul, enfrenta o momento mais crítico da pandemia, com a rede de saúde trabalhando acima do limite e atividades econômicas sofrendo com restrições. A situação só não é pior porque os porto-alegrenses se uniram em parcerias solidárias para colaborar com o poder público e ajudar no enfrentamento ao coronavírus. Doações de pessoas físicas e empresas, de álcool gel a respiradores, chegam à prefeitura e são distribuídas para as áreas que mais necessitam.

O Gabinete da Primeira-Dama, Valéria Leopoldino, recebeu doações importantes nos últimos dias. O Grupo Pedrini contribuiu com 70 mil máscaras e a rede de farmácias São João com 100 unidades de álcool gel. A Secretaria Municipal de Educação também recebeu 2,4 mil frascos de 300 ml de álcool em gel 70% da São João e 2,5 mil unidades de 50 e 150 ml de álcool em gel 70% do Grupo Dimed.

Confira algumas das doações que a prefeitura recebeu:

Hospital de Campanha – O Exército Brasileiro começou a montar nesta sexta-feira, 12, a primeira parte das instalações de um hospital de campanha, que funcionará junto à entrada do Hospital Restinga Extremo-Sul. A estrutura terá três barracas que vão abrigar 20 leitos, sendo quatro de UTI. A prefeitura vai fornecer as equipes médicas e os equipamentos hospitalares.

Apoio na vacinação – A vacinação contra a Covid-19 em Porto Alegre começou em 19 de janeiro com o apoio de diversos setores da sociedade. O Comando Militar do Sul, por exemplo, colabora com pessoal e viaturas, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com motoristas e carros. Os espaços para montagem dos drive-thrus só são possíveis graças ao apoio do Grupo BIG, Ministério Público, Sindicato Médico do RS (Simers), Shopping Iguatemi, Shopping Total, Sport Club Internacional e Tribunal de Justiça. Outros apoiadores já estão em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para colaborar com a gestão pública.

Na campanha de vacinação contra gripe do ano passado, a empresa de aplicativo 99 doou R$ 20 mil em vouchers que foram utilizados no transporte de profissionais para a imunização domiciliar de idosos contra a gripe. A medida evitou o deslocamento de pessoas do grupo de risco da Covid-19.

Campanha de conscientização – O apoio das entidades empresariais e comerciais tem sido constantes neste um de ano de pandemia. Uma das ações de maior impacto são as campanhas de conscientização. Com apoio da prefeitura, Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região (Sindha) lançaram peças publicitárias alertando sobre a importância de cumprir os protocolos sanitários de funcionamento e manter os cuidados de higienização.

Testes – Fundamentais no enfrentamento à pandemia, os testes também chegam por meio de empresas. O Grupo Big doou 1.720 testes PCR, a Receita Federal 5 mil testes e Grupo Iguatemi 2 mil kits de testes rápidos. Uma parceria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) com a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Assistência Laboratorial e Vigilância em Saúde, oferece drive-thru para coleta de exames RT-PCR no estacionamento da instituição (rua Sarmento Leite, 245, Centro Histórico).

14/04/2021 – Jornal O Sul

https://www.osul.com.br/ufcspa-uma-senhora-de-60-anos-uma-senhora-universidade/

Artigo do professor Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor

UFCSPA: Uma senhora de 60 anos!! Uma senhora Universidade!!

Em 1953 o Professor Rui Cirne Lima (Provedor da Santa Casa de Misericórdia) propôs em sessão administrativa a criação de uma faculdade de medicina, pois só havia uma única faculdade no RGS. Eram 23 em todo Brasil. Havia carência de médicos!

A proposta foi encaminhada ao Arcebispo de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer, que a acatou e decretou a criação da Faculdade Católica de Medicina de Porto Alegre. Na ocasião foi nomeada uma comissão para organização da mesma presidida pelo Prof. Dr. Ivo Correa Meyer.

A pedra fundamental foi lançada em 1957. A fachada de 80 metros seria o semblante de um prédio de 10.000 metros com auditório para 900 pessoas e uma biblioteca com capacidade para 200.000 livros. O prédio da Rua Sarmento Leite, 245, teria 9 andares.

No estatuto da faculdade são citados como objetivos principais: “Não se limitará a formação de médicos e investigadores… mas também terá a função de modelar homens instruídos, educados, idôneos, cultos, dignos, retos, justiceiros e íntegros”.  A primeira aula ocorreu em 1961. Os primeiros docentes recebiam compensações pecuniárias simbólicas.

O Brasil era presidido por Jânio Quadros e os Estados Unidos por John Fitzgerald Kennedy.

Neste ano começou a ser erguido o muro de Berlim!

Yuri Gagarin se tornou o 1º homem a dar uma volta na terra na nave Vostok 1 e comentou: “A terra é azul”.

Os Beatles se apresentaram pela 1ª vez no “Cavern Club” em Liverpool e os “Canhões de Navarone” lotava os cinemas.

No início das atividades o prédio está inacabado.

Nos dias de chuva eram colocadas pedras e pedaços de madeira na lama para poder se alcançar o portão principal. Não havia asfalto e a rua de chão batido terminava logo ali num pequeno morro. Em 1972, ele foi desfeito para dar origem ao “Túnel da Conceição”.

Os alunos eram estudiosos e desinteressados por política. Muitos trabalhavam durante a noite, pois não tinham nenhum sustento financeiro.

A maioria dos alunos era de família de classe média que reconheciam o esforço dos pais para mantê-los na faculdade e formarem um médico. A profissão naquela época ainda desfrutava de grande prestígio social.

Os Beatles influenciaram o uso de cabelos compridos e calças bocas de sino!

Poucos fumavam e não tínhamos muito contato com drogas. O máximo que poderia acontecer era embriaguez, por cerveja no centro acadêmico que ficava atrás do prédio central.

Até o ano de 2003 a FFFCMPA oferecia graduação apenas para o curso de medicina mas, devido a necessidade a um ensino especializado na área da saúde, a instituição iniciou cursos de Biomedicina e Nutrição (2004) e curso de Fonoaudiologia (2007) e Psicologia (2008).

Em 2008 adquiriu status de Universidade e passou a ser denominada Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Na época 2008, o Brasil era governado por Luiz Inácio Lula da Silva (1º operário a se tornar presidente do Brasil) e os americanos elegeram Barack Obama (1º negro a se tornar presidente dos EUA).

— Fidel Castro renunciou ao comando de Cuba.

— Google lançou o sistema operacional androide.

— Os jogos olímpicos foram realizados em Pequim.

Aqui, nos nossos pagos a antiga Faculdade virou Universidade!!

O cargo de Reitor é político e executivo. A 1ª Reitora foi a Professora Miriam da Costa Oliveira. Já era a diretora da fundação desde 2004.

No discurso de posse disse “Nossa Universidade continuará crescendo e orgulhará o País”.

Em 2013 foi reconduzida ao Cargo após eleição onde participaram professores, alunos e técnicos da universidade. Durante sua gestão foram inaugurados 2 prédios no Campus Central de oito andares cada.

Em 2017 assume a reitoria a professora Lucia de Campos Pellanda após eleição deferida pelo Ministério da Educação.

Em 2019 a UFCSPA foi avaliada com a melhor nota de graduação de todo o País. No dia 30/3/21, foi reconduzida a Reitora da universidade por mais 4 anos.

No discurso de posse lembrou que como cardiologista “o meu destino era ter uma universidade no coração” e finaliza “AMOR VINCIT OMNIA”: o amor vence tudo!!

Coincidentemente a jovem universidade só foi comandada por reitoras!!

Hoje, a Senhora de 60 anos tem 16 cursos de graduação, 21 programas de pós-graduação, 64 programas de residência médica e um catálogo de produção científica que nos enche de orgulho e só pode ser comparado com as grandes universidades do mundo.

Uma Senhora de 60 anos!! Uma Senhora Universidade!!

13/04/2021 – Correio Braziliense

https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/ensino-superior/2021/04/4918020-especialistas-apresentam-panorama-da-pandemia-ao-conselho-da-andifes.html

Especialistas apresentam panorama da pandemia ao Conselho da Andifes

As professoras Ethel Maciel (UFES) e Lúcia Pellanda (UFCSPA) destacaram o colapso que o sistema de saúde brasileiro enfrenta e o surgimento das variantes

Durante a 140ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), os reitores das universidades federais receberam as especialistas em epidemiologia Lúcia Campos Pellanda e Ethel Leonor Noia Maciel para que apresentassem um panorama da pandemia de covid-19.

As professoras destacaram as novas variantes, que vêm afetando a população mais jovem, além da necessidade de continuar com as medidas de segurança: evitar aglomerações e usar máscaras. A reunião foi feita virtualmente na última quinta-feira (8/4).

De acordo com Lúcia Pellanda professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a pandemia está descontrolada no Brasil e isso amplia a possibilidade de surgirem novas variantes em todos os estados. Segundo a especialista, o número de mortes pelo novo coronavírus mostra que 2021 começou de uma forma “bastante trágica”.

Para ela, ainda é delicado falar acerca das projeção de infectados, porque há diversos fatores envolvidos. Porém, o não cumprimento das medidas de segurança como o uso de máscaras e o distanciamento social pode fazer o Brasil chegar a mais de 500 mil mortes em julho.

A epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Ethel Maciel chama atenção ao fato de que as variantes têm causado novos sintomas e afetado à população mais jovem e, inclusive, levando a óbito pessoas sem doenças pré-existentes.

Especialista destaca ações dos países que conseguiram conter o vírus

Lúcia Pellanda afirmou que os países que têm se destacado na contenção das infecções pelo coronavírus têm características em comum, como comunicação unificada, decisões rápidas e baseadas na ciência, testagem e rastreamento para o rápido isolamento de infectados, isolamento social eficiente para prevenção da transmissão respiratória, além da vacinação.

 A professora Lúcia Pellanda pondera que há duas estratégias básicas: prevenção e mitigação. A professora cita o caso da Nova Zelândia, que efetivou a contenção e não deixou a doença avançar no país. Para a estratégia da mitigação, é preciso aumentar o número de leitos hospitalares, por exemplo.

Pellanda reforçou que a estratégia mais eficaz na contenção da transmissão por vias respiratórias é o uso de máscaras de forma adequada, distanciamento interpessoal, proibição de aglomerações (encontro de pessoas que não morem juntas) e ventilação, pois ambientes fechados potencializam a possibilidade de transmissão do vírus.

 Faltam insumos nos hospitais

Segundo Ethel Maciel, nesse momento, o Brasil vive um colapso generalizado com sistemas hospitalares incapazes de absorver o número de doentes, profissionais da saúde adoecendo por infecção pelo coronavírus ou por outros fatores, como estresse de jornadas múltiplas de trabalho.

Ela também destaca a falta de insumos para o tratamento adequado da população infectada, como medicamentos para sedação e equipamentos para ventilação mecânica, por exemplo.

 Especialista pondera que o uso de vacinas de diferentes eficácias exigem uma estratégia de imunização diferente

Sobre as vacinas, Ethel explica que as duas disponíveis para aplicação hoje no Brasil têm eficácias diferentes e isso modifica a estratégia de vacinação da população. A epidemiologista afirma que a eficácia da vacina é um parâmetro para que possamos avaliar a imunidade coletiva. Como as vacinas têm eficácias distintas, é preciso vacinar mais pessoas para atingir um nível de imunidade seguro.

Os reitores lembraram que três vacinas foram desenvolvidas por universidades federais e estão em processo de pesquisa laboratorial. Se avançarem nos testes, poderão ir para as fases clínicas em breve. Desde o início da pandemia, a estrutura física e humana das instituições está à disposição da população no enfrentamento da pandemia.

13/04/2021 – SBT Portal

https://www.sbtnews.com.br/noticia/coronavirus/165547-covid19-medica-alerta-reitores-que-pais-pode-chegar-a-500-mil-mortes

Covid-19: médica alerta reitores que país pode chegar a 500 mil mortes

Especialistas em epidemiologia falaram sobre o atual cenário da pandemia em reunião da Andifes

As especialistas em epidemiologia Lúcia Pellanda, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), e Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), reforçaram a importância do uso de máscaras, do distanciamento social e da vacinação em massa para conter o avanço da Covid-19 no Brasil, durante reunião organizada pelo Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) na última semana.

Para ambas, o atual cenário da pandemia no país é de descontrole e colapso do sistema de saúde. Na visão de Pellanda, "se as pessoas continuarem não cumprindo as orientações, como usar adequadamente a máscara, podemos chegar ao mês de julho com mais de 500 mil mortes". Ainda de acordo com ela, apenas aumentar o número de leitos hospitalares não é suficiente para diminuir o impacto da pandemina na população, "porque trata-se de um recurso finito".

A especialista da UFCSPA avalia que o uso correto de máscaras, o distanciamento e a ventilação de ambientes configuram a melhor estratégia para evitar a propagação do novo coronavírus. Maciel, por sua vez, explicou que as variantes do Sars-CoV-2 causam novos sintomas e proporcionam quadros mais graves nas pessoas mais jovens do que o patógeno original. Para ela, visando a alcançar a imunidade coletiva, "precisamos considerar, pelo menos, 85% de brasileiros vacinados".

Nesta 3ª feira (13 abr.), o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 30 dias para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decida sobre o pedido de importação da vacina Sputnik V feito pelo governo do Maranhão. Ainda para tentar conseguir mais doses de imunizantes contra a Covid-19, o Fórum Nacional de Governadores se reunirá com secretária-geral adjunta da Organização das Nações Unidas (ONU), Amina Mohamed.

12/04/2021 – Jornal do Comércio

https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/04/787295-comite-cientifico-reforca-recomendacao-para-uso-de-mascaras-de-boa-qualidade-e-bem-ajustadas.html

Comitê científico reforça recomendação para uso de máscaras de boa qualidade e bem ajustadas

Órgão consultivo às ações de enfrentamento da Covid-19 no Rio Grande do Sul, o Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento à Pandemia do Governo do Estado lançou nota técnica para reforçar as orientações sobre o uso de máscaras. O acessório, que há mais de um ano tornou-se peça fundamental para a proteção contra o coronavírus, segue sendo um dos grandes aliados no bloqueio diário à contaminação, no entanto, não tem sido usado corretamente nem adotado com a frequência necessária por muitos gaúchos.

Revisado no dia 6 de abril, o apontamento do Comitê lembra que a principal via de transmissão da Covid-19 é respiratória - que pode se dar através de gotículas ou aerossóis, que são partículas menores, mais leves, e que se mantêm no ar por mais tempo e distância -, e que, por conta disso, o vírus pode ser repassado tanto pela fala como por meio de tosse e espirros.

Dessa forma, as três principais medidas de prevenção contra a transmissão respiratória são: uso de máscaras com boa vedação, manutenção de distanciamento físico (no mínimo de 2 metros) e ventilação adequada dos ambientes, com preferência para atividades ao ar livre. "Os estudos científicos evidenciam que o uso de máscaras contribui para a redução da transmissão da infecção pelo vírus SARS-CoV-2. Máscaras bem utilizadas, acompanhadas de medidas de distanciamento físico e higiene são medidas importantes para evitar infecção", aponta o texto.

Nesse sentido, o Comitê recomenda na nota técnica o uso de máscaras de boa qualidade e bem ajustadas, de forma que ofereçam boa vedação. Segundo os especialistas que integram o colegiado, formado por pesquisadores de universidades gaúchas e autoridades científicas de diversas áreas do conhecimento, as melhores máscaras a serem utilizadas são: modelo PFF2 com selo do Inmetro ou certificado de avaliação, sem válvula; máscaras cirúrgicas com tripla camada e máscaras de pano com tripla camada.

"Também podem ser usadas duas máscaras sobrepostas, com o objetivo de melhorar o ajuste ao rosto, como no caso da máscara cirúrgica. Usar uma máscara de pano por cima pode ajudar a melhorar o ajuste no rosto e evitar escape de ar. Usar duas máscaras não é necessário no caso de uma máscara que filtra melhor e se ajusta bem, como a PFF2. Não se deve usar duas máscaras cirúrgicas ou qualquer tipo de máscara sobreposta à PFF2", alerta.

O grupo também avalia a conveniência do uso dos protetores faciais de acrílico, os face shields, que podem auxiliar na redução da transmissão da Covid-19, "pois ajudam a proteger os olhos das gotículas e do toque com mãos contaminadas", mas desde que utilizadas juntamente com as máscaras, para oferecer proteção adicional. "Estudos demonstram que - além do uso de máscaras, álcool gel e lavagem das mãos - os protetores faciais aumentam a proteção contra a infecção pelo SARS-CoV-2", destaca.

O Comitê elenca, ainda, cuidados que devem ser tomados no uso diário da máscara (ver lista abaixo) e enfatiza que sua utilização não exclui a necessidade de manter a higiene constante das mãos, o distanciamento físico adequado, - no mínimo 2 metros entre pessoas-, evitar ambientes fechados e mal ventilados, preferir atividades ao ar livre e manter o isolamento se apresentar sintomas gripais.

Reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro do Comitê, a médica Lucia Pellanda tem utilizado as redes sociais para dar dicas e orientações sobre cuidados e prevenção à Covid-19. Em uma série de postagens, inclusive, chegou a apontar os melhores tipos de máscaras e formas de uso. No entanto, segundo destaca: 'A máscara não é escudo mágico: usar máscara e ficar junto com um monte de gente não vai dar bom. O distanciamento ajuda muito, mas sem máscaras você precisaria se distanciar uns 100 metros pra ficar sem risco. Então, use máscara, some as proteções e faça sempre todas as medidas possíveis para aquele momento, e o risco pode diminuir muito", enfatiza.

Na sexta-feira (9), durante live para anúncio de novas flexibilizações, o governador Eduardo Leite também destacou a importância de reforçar os protocolos de proteção, entre eles o uso de máscaras, como a PFF2 e a sobreposição dos equipamentos de uso cirúrgico com as confeccionadas em tecido. "Orientamos o uso da PFF2 e o uso combinado de máscara cirúrgica mais a de pano", informou o chefe do Executivo gaúcho.

Cuidados no uso das máscaras*:

Não compartilhar a máscara com outras pessoas;

Tocar a máscara somente nas alças laterais, pois quando manipuladas de forma incorreta, podem dar falsa sensação de segurança e aumentar a possibilidade de contágio;

Não tocar na boca, no nariz e nos olhos;

Lavar as mãos com água e sabão por 20 segundos ou usar álcool 70% antes de colocar e logo após retirar a máscara;

Trocar a máscara por uma nova, sempre que estiver úmida;

Lavar máscaras caseiras com água e sabão;

Máscaras descartáveis devem ser depositadas em saco plástico selados e descartados no lixo doméstico não reciclável;

Quando não estiver utilizando a máscara, durante refeições, mantê-la em um saco plástico;

Não usar máscara em crianças menores de 2 anos.

Mesmo com uso frequente de máscaras, não esqueça:

de limpar as mãos com frequência, com água e sabão por 20 segundos e/ou uso de álcool gel 70%;

manter o distanciamento físico mínimo de 2 metros entre pessoas;

evitar ambientes fechados ou mal ventilados, manter os locais bem arejados com janelas abertas;

de dar preferência a atividades ao ar livre;

sempre que apresentar sintomas gripais, manter isolamento e buscar orientação dos serviços de saúde.

12/04/2021 – Jornal do Comércio

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/especialistas-recomendam-observar-prazos-e-sintomas-para-n%C3%A3o-prejudicar-diagn%C3%B3sticos-na-vacina%C3%A7%C3%A3o-1.602299

Especialistas recomendam observar prazos e sintomas para não prejudicar diagnósticos na vacinação

Três meses após início do combate à Covid-19, país iniciou imunização contra gripe

No próximo domingo, o Rio Grande do Sul completa três meses desde a primeira aplicação da vacina contra a Covid-19. Mesmo trasncorrido este período, uma das dúvidas mais comuns é o que muda no caso de quem já teve a doença antes da aplicação da vacina ou poucos dias depois. Também há a questão da vacina contra a gripe – dos vírus Influenza e H1N1, por exemplo -, cuja campanha iniciou nesta segunda-feira, o que vem acrescentando dúvidas sobre como funcionam as imunizações nestes casos.

Infectologistas tratam de tranquilizar a população sobre os baixos riscos de se receber a aplicação de vacina juntamente com um caso de Covid-19 ou com a da vacina da gripe. Entretanto, estes especialistas recomendam respeitar a espera entre a aplicação de um imunizante e outro, bem como a recuperação de uma infecção por Covid-19.

Caso contrário, se torna mais difícil o diagnóstico pelos médicos, pois alguns dos sintomas de mal-estar podem mascarar os efeitos adversos causado por uma das vacinas ou até mesmo os estágios iniciais de um quadro de Covid-19.

Segundo o coordenador do núcleo de vacinas e supervisor médico do Hospital Moinhos de Vento, Paulo Gewer, quem já teve a covid-19 deve esperar ao menos um mês antes de tomar a vacina contra a doença. “Mesmo para quem pegou, precisa fazer vacina. Algumas pessoas adquirem proteção natural, outras não. Mas não dura muito. Por isso é necessário se vacinar”, reforça.

Esse intervalo é contado a partir da descoberta dos sintomas ou do diagnóstico por exame laboratorial, no caso de assintomáticos. “Pessoa que tenha sintomas de mal-estar, dor muscular, dor de cabeça e dor de garganta, o que pode ser uma pessoa com suspeita de Covid, não deve fazer a vacina. Tem que esperar”, observa.

O médico infectologista e professor da Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPA), Alessandro Pasqualotto recomenda um intervalo de duas a quatro semanas para quem teve Covid-19 ou se vacinou contra a gripe. “Pessoas que tiveram Covid ficam protegidas por um tempo, de 3 a 6 meses, mas é uma imunidade que diminui com o tempo. É recomendado que a vacinação não ocorra próxima da doença, para que efeitos adversos não sejam mascarados”, orienta.

Pasqualotto garante que as vacinas desenvolvidas hoje são muito seguras e que não há interação entre os imunizantes contra gripe e Covid-19. “O ideal é priorizar a da Covid e depois a gripe, por causa da gravidade da primeira. Mas na prática, as pessoas devem se vacinar com o que aparecer na frente. Apenas respeitar o intervalo entre uma e outra”, pontua.

O médico do Moinhos de Vento avisa que a vacina pode causar efeitos adversos benignos, em geral, no local da aplicação, como inchaço, vermelhidão, e também febre ou indisposição, com duração entre 12 e 24 horas. Mas não é preciso se preocupar: não há chance da vacina causar outras doenças. Mesmo aquelas que utilizam vírus inativados não têm qualquer possibilidade de replicação do vírus no organismo.

Entretanto, o infectologista da UFCSPA lembra que mesmo quem já foi vacinado pode contrair a Covid-19. Se for nos dias seguintes à aplicação, é devido ao imunizante não ter efeito ainda, o que leva cerca de 30 dias. Mas depois deste período de resposta imunológica, mesmo quem foi vacinado pode desenvolver Covid-19, mas o quadro tende a ser leve. Isso porque a vacina CoronaVac, feita no Brasil pelo Instituto Butantan, tem eficácia de 50% para se evitar de contrair a doença, mas é 100% eficaz contra a ocorrência de um caso grave, que exige hospitalização.

Já a vacina da Oxford/AstraZeneca, produzida no país pela Fiocruz, é um pouco mais efetiva, com 70%, mas mesmo assim se permanece a possibilidade de contrair a doença. “Os vacinados também adoecem, principalmente depois da primeira dose, porque é na segunda dose que existe um ganho imunológico. Mesmo assim existe um risco de adoecimento, mas como a gente sabe, a vacina evita as formas graves da doença. Mas as formas mais brandas e assintomáticas seguem existindo”, esclarece Pasqualotto.

12/04/2021 – Jornal Matinal

https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/agenda/evento-virtual-celebra-o-dia-da-voz-com-palestra-e-show/

Evento virtual celebra o Dia da Voz com palestra e show

A Musicalidade da Voz é o tema do evento que celebra, nesta quarta (14/4), às 19h, o Dia da Voz na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A atividade, realizada há mais de 10 anos na universidade, desta vez será virtual, no canal do Núcleo Cultural da UFCSPA no YouTube.

Gratuita e aberta ao público, o encontro faz uma interface entre música, voz e fonoaudiologia e demonstra as relações existentes entre arte e ciência. O fonoaudiólogo e músico Alexandre Lira e a cantora Angélica Nascimento participam do encontro.

Alexandre ministrará a palestra Interfaces entre música, canto e fonoaudiologia: práticas e atuação. O profissional abordará conceitos relacionados à música e a gêneros e estilos de canto. Refletirá sobre a atuação fonoaudiológica no contexto do aprimoramento e da reabilitação vocal. Angélica fará um relato sobre seu processo de reabilitação vocal, seguido de uma apresentação musical. Devido a um desgaste vocal intenso, a cantora ficou três meses com dificuldade de cantar e falar.

O evento tem coordenação da professora, fonoaudióloga e pesquisadora em voz Mauriceia Cassol, com mediação da fonoaudióloga e doutoranda Isadora de Oliveira Lemos.

A campanha da voz de 2021 é organizada pelo Grupo de estudos e pesquisa A Nossa Voz em Pauta, em conjunto com o Núcleo Cultural – NCULT.

12/04/2021 – G1 RS

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/04/12/vacina-contra-a-gripe-em-porto-alegre-veja-locais-e-calendario.ghtml

Vacina contra a gripe em Porto Alegre: veja locais e calendário

Primeira fase começa nesta segunda (12) e vai até 10 de maio. Público-alvo é composto por crianças de 6 meses a 6 anos, gestantes e puérperas, indígenas e trabalhadores da área de saúde.

A campanha nacional de vacinação contra a gripe (Influenza) começa nesta segunda-feira (12). Em Porto Alegre, o atendimento será feito em 40 unidades de saúde. (Veja a lista completa mais abaixo)

A primeira etapa vai até 10 de maio e prevê a imunização de crianças de seis meses a 6 anos, gestantes e puérperas (mulheres que deram à luz até 45 dias antes), indígenas e trabalhadores da área de saúde.

O objetivo é atingir, em todo o estado, 1,3 milhão de pessoas. Na Capital, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu a primeira remessa de vacinas com 59 mil doses, o suficiente para imunizar, aproximadamente, 730 mil pessoas.

A segunda fase está programada para ocorrer entre 11 de maio e 8 de junho, quando serão imunizados idosos de 60 anos ou mais e professores.

Na terceira etapa, que vai de 9 de junho a 9 de julho, a vacinação será para pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência, trabalhadores de transporte coletivo, trabalhadores portuários, forças de segurança e salvamento, Forças Armadas, funcionários do sistema prisional, população privada de liberdade e jovens em medidas socioeducativas.

Covid x gripe

Para quem também faz parte de um dos públicos da campanha de vacinação contra a Covid-19, como os idosos e profissionais de saúde, a orientação é que seja respeitado um intervalo mínimo de 14 dias entre as doses das vacinas contra a gripe e a do coronavírus.

 Que não tem previsão de se vacinar contra a Covid neste intervalo ou já se vacinou há mais de 15 dias, pode tomar o imunizante contra o Influenza. Quem se vacinou contra a Covid recentemente ou aguarda a segunda dose, deve respeitar o período antes de tomar a vacina contra a gripe.

Na iminência do inverno, os especialistas reforçam sobre a necessidade de se vacinar contra ambas as doenças. No entanto, alertam: cada uma tem o imunizante equivalente, logo, a vacina contra a Covid não protege contra a gripe comum e vice-versa.

"Está na época de começar a circular o vírus. Até porque, se chegar à vez de tomar a vacina do coronavírus e estiver gripado, não pode tomar [a vacina da gripe]", comenta a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA), Cristina Bonorino.

Veja os locais de vacinação:

CENTRO | Unidade de Saúde Modelo | Av. Jerônimo de Ornellas, 55 - Bairro Santana

CENTRO | Unidade de Saúde Santa Marta | Rua Capitão Montanha, 27 - Bairro Centro Histórico

GCC | Unidade de Saúde Cruzeiro do Sul | Rua Dona Malvina, Acesso A, 195 - Bairro Santa Tereza

GCC | Unidade de Saúde Divisa | Rua Upamoroti, 735 - Bairro Cristal

GCC | Unidade de Saúde | Primeiro de Maio Av. Professor Oscar Pereira, 6199 - Bairro Cascata

GCC | Unidade de Saúde Rincão | Estrada Afonso Loureiro Mariante, 1394 - Bairro Belém Velho

GCC | Unidade de Saúde São Gabriel | Rua Gilberto Jaime, 65 B - Bairro Camaquã

LENO | Unidade de Saúde Bom Jesus | Rua Bom Jesus, 410 - Bairro Bom Jesus

LENO | Unidade de Saúde Divina Providência | Rua Saturnino de Brito, 1350 - Bairro Vila Jardim

LENO | Unidade de Saúde Jardim Carvalho | Rua 2 com Rua 3, número 10 - Cefer 1, Bairro Jardim Carvalho

LENO | Unidade de Saúde Jardim Protásio Alves | Rua das Violetas (Rua 4), 2 - esquina Rua Primavera - Jardim Protásio Alves

LENO | Unidade de Saúde Timbaúva | Rua Sebastião do Nascimento, 1.050 - Bairro Mário Quintana

NEB | Unidade de Saúde Assis | Brasil Av. Assis Brasil, 6.615 - Bairro Sarandi

NEB | Unidade de Saúde Nova Brasília | Rua Vieira da Silva, 1.016 - Bairro Sarandi

NEB | Unidade de Saúde Santa Fé | Rua Professor Álvaro Barcellos Ferreira, 520 - Bairro Rubem Berta

NEB | Unidade de Saúde Santa Rosa | Rua Donario Braga, SN, esquina Rua Heitor Souto - Bairro Rubem Berta

NEB | Unidade de Saúde São Cristóvão | Rua Coronel Ricardo Leal Kelleter, 137 - Bairro Rubem Berta

NHNI | Clínica da Família IAPI | Rua Três de Abril, 90 - Área 8, 9, 10, 11, 16 - Bairro Passo da Areia

NHNI | Unidade de Saúde Farrapos | Rua Graciano Camozzato, 185 - Bairro Farrapos

NHNI | Unidade de Saúde Floresta | Rua Conselheiro D'Ávila, 111 - Bairro Jardim Floresta

NHNI | Unidade de Saúde Fradique Vizeu | Rua Frederico Mentz, 374 - Bairro Navegantes

NHNI | Unidade de Saúde Ilha dos Marinheiros | Rua Santa Rita de Cássia, SN - Ilha dos Marinheiros

NHNI | Unidade de Saúde Jardim Itu | Rua Biscaia, 39 - Bairro Jardim Itu Sabará

NHNI | Unidade de Saúde Navegantes | Av. Presidente Franklin Roosevelt, 5 - Bairro São Geraldo

PLP | Clinica da Família Campo da Tuca | R. Cel. José Rodrigues Sobral, 958 - Vila São João - Bairro Partenon.

PLP | Unidade de Saúde Ceres | Av. Ceres, 329 - Bairro Partenon

PLP | Unidade de Saúde Ernesto Araújo | Rua Ernesto Araújo, 443 - Bairro Partenon

PLP | Unidade de Saúde Lomba do Pinheiro | Estrada João de Oliveira Remião, 6.111, Parada 13 - Bairro Lomba do Pinheiro

PLP | Unidade de Saúde Mapa | Rua Coronel Jaime Rolemberg de Lima, 92 - Bairro Lomba do Pinheiro

PLP | Unidade de Saúde Maria da Conceição Marcelo Martins Moreira | Rua Mário de Artagão, 13 - Bairro Partenon

RES | Clínica da Família José Mauro Ceratti Lopes | Estrada João Antônio da Silveira, 3.330 – Bairro Restinga

RES | Unidade de Saúde Chácara do Banco | Travessa F, 20 - Bairro Restinga - Vila Chácara do Banco

RES | Unidade de Saúde Chapéu do Sol | Rua Gomercindo de Oliveira, 75 - Bairro Chapéu do Sol

RES | Unidade de Saúde Lami | Rua Nova Olinda, 202 - Bairro Lami

RES | Unidade de Saúde Macedônia | Av Macedônia, 750 - Bairro Restinga

RES | Unidade de Saúde Ponta Grossa | Estrada da Ponta Grossa, 3.023 - Bairro Ponta Grossa

SCS | Unidade de Saúde Beco do Adelar | Av. Juca Batista, 3.480 - Bairro Campo Novo

SCS | Unidade de Saúde Calábria | Rua Gervásio da Rosa, 51 - Bairro Vila Nova

SCS | Unidade de Saúde Campo Novo | Rua Colina, 160 - Bairro Aberta dos Morros

SCS | Unidade de Saúde Cidade de Deus | Rua da Fé, 350 - Bairro Cavalhada

SCS | Unidade de Saúde Ipanema | Av. Tramandaí, 351 - Bairro Ipanema

SCS | Unidade de Saúde Nonoai | Rua Erechim, 985 - Bairro Nonoai

09/04/2021 – GZH Impresso

Versão Impresso

“Estou me sentindo sozinho, disse o paciente”

Artigo da professora ROSELAINE PINHEIRO DE OLIVEIRA, médica intensivista e chefe do Serviço de Medicina Intensiva Adulto do Hospital Moinhos de Vento.

Entre outubro e novembro de 2020, cheguei ao plantão. Entrei no boxe de um paciente que tinha sido extubado. Lúcido, tranquilo, evoluindo bem. Me apresentei: – Sou a Rose. Sou a médica que está aqui agora. Vou vê-lo, examiná-lo.

Ele começou a chorar. Perguntei: – O que aconteceu?

E ele:

– Estou me sentindo muito sozinho. A minha família me abandonou.

Começamos a conversar. Eu disse que a família não tinha abandonado ele, que só não podia visitá-lo presencialmente, mas que estava sempre presente, como podia. Disse que ele estava indo bem, que logo veria a família. Ele me falou que tinha um filho que estudava Medicina na UFCSPA. – Dou aula lá! – falei. Agora, neste ano. Tem uma disciplina em que, a cada dois meses, o grupo de alunos muda. Um me disse: – Acho que a senhora cuidou do meu pai. E, realmente, era o filho daquele paciente. Fiquei muito feliz. E disse: – Sim, lembro do teu pai. Foi muito emocionante. O pai dele está muito bem. Sempre digo que ninguém ensina, nós é que aprendemos.

09/04/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/04/epicovid-19-completa-um-ano-e-comeca-decima-etapa-de-coletas-no-rs-nesta-sexta-feira-cknalsty2006a0198rdn4jomw.html

Epicovid-19 completa um ano e começa décima etapa de coletas no RS nesta sexta-feira

Pesquisa já deve sinalizar alguns efeitos da vacinação do Estado, estima coordenador.

Neste fim de semana, o Epicovid-19, estudo sobre a prevalência de coronavírus na população gaúcha, completa um ano. A data será marcada pela décima ida dos pesquisadores a campo para entrevistas e coletas em nove municípios a fim de verificar o percentual de pessoas que já têm anticorpos contra o coronavírus. Iniciado menos de 20 dias depois do primeiro óbito por coronavírus no Estado, o Epicovid-19 já entrevistou, ao longo desse período, mais de 40 mil pessoas no Rio Grande do Sul e ganhou uma versão nacional.

Concebida a partir da observação dos dados de outros países, que na época registravam os maiores índices de mortos e infectados, a pesquisa surgiu da hipótese de que havia muito mais casos de pessoas com o vírus do que apresentavam as estatísticas oficiais. Esses indivíduos, por terem sintomas leves, não procuravam os sistemas de saúde e sequer eram testados. Assim, sob a coordenação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), formou-se uma força-tarefa, que contou com o apoio de outras universidades públicas e privadas gaúchas, da iniciativa privada e também do governo do Estado.

—  Se me perguntassem há um ano, eu não tinha como imaginar que teríamos 10 etapas do estudo. É uma sensação de surpresa, mas também de dever cumprido. Dentro das nossas possibilidades e capacidades, conseguimos dar uma contribuição para a sociedade com aquilo que há de mais valioso: informação  —  avalia o coordenador da pesquisa, o epidemiologista Pedro Hallal, docente e ex-reitor da UFPel.

Hallal acrescenta que, além de abastecer os gaúchos com informações sobre a situação do vírus no Estado, o Epicovid-19 ganha importância pelo legado que deixa como patrimônio científico, afinal, nenhum outro estudo no mundo acompanhou a situação do coronavírus ao longo de 10 etapas. 

Pesquisa aproximou gaúchos da ciência

Sem esconder a emoção, Hallal diz que um dos aspectos memoráveis do trabalho é o carinho com que a população recebe os entrevistadores, profissionais a quem o coordenador credita grande parte do sucesso do trabalho. Assim como os trabalhadores da saúde, que costumeiramente são agraciados com uma salva de palmas, os grupos de coleta da pesquisa frequentemente são homenageados por fileiras de moradores aplaudindo pelas ruas por onde passam. Sensibiliza, também, o reconhecimento do projeto por parte da população:

 —  O que me emociona é quando chamam o Epicovid de "a nossa pesquisa". Esse sentimento dos gaúchos de serem proprietários do trabalho é o grande destaque  —  comemora Hallal, acrescentando que a agilidade na divulgação dos dados, poucos dias após as coletas, ajudou a construir essa aproximação com a sociedade.

 Ao contrário do que ocorre no Rio Grande do Sul, no âmbito nacional, algumas equipes de coleta foram agredidas e detidas em pelo menos sete Estados em 2020. 

Fora isso, outro desafio seguidamente enfrentado são as incertezas do financiamento. Algumas etapas do levantamento gaúcho foram encerradas sem a convicção de que uma nova seria realizada, relata o líder do estudo.

 —  Não temos garantia da 11ª etapa, mas 11 é meu número da sorte, então não vamos parar na 10ª  —  ri Hallal.

Resultados

Ao longo desse um ano, a pesquisa acompanhou a evolução do coronavírus no Rio Grande do Sul. Para se ter uma ideia, no primeiro levantamento, feito entre 11 e 13 de abril de 2020, o percentual de pessoas com anticorpos era de 0,05%, ou um infectado a cada 2 mil habitantes. Já no último, apurado entre 5 e 8 de fevereiro, essa porcentagem subiu para 10%, ou um infectado para cada 10 habitantes.

 —  Em todas as fases anteriores, quando encontrávamos alguém com anticorpos era porque havia sido infectada. Agora, além desses, vamos identificar quem foi vacinado. Vai ser uma avaliação do mundo real da efetividade das vacinas. Esse será o grande destaque dessa décima fase  —  explica o epidemiologista.

Nesta etapa, que vai de sexta-feira (9) até segunda (12), os profissionais voluntários da área da saúde, sob coordenação do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), vão visitar 500 domicílios, em nove cidades gaúchas, totalizando 4,5 mil entrevistados. As coletas serão feitas em Pelotas, Uruguaiana, Santa Maria, Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Ijuí, Passo Fundo e Santa Cruz do Sul.

O Epicovid-19 conta com o apoio de 12 instituições de Ensino Superior: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos); Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc); Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí); Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Universidade Federal do Pampa (Unipampa/Uruguaiana); Universidade de Caxias do Sul (UCS); IMED e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS/Passo Fundo), Universidade de Passo Fundo (UPF) e Universidade La Salle (Unilasalle). Financiam o projeto o programa Todos pela Saúde, Banrisul, Instituto Serrapilheira, Unimed Porto Alegre e Instituto Cultural Floresta. 

Serviço

A pesquisa tem apoio das secretarias de saúde e dos órgãos de segurança dos municípios e segue todos os protocolos de biossegurança para proteger a saúde dos entrevistadores e participantes.

Apesar de os entrevistadores usarem identificação, em caso de dúvidas, os moradores podem entrar em contato com a Guarda Municipal ou Brigada Militar para obter informações sobre as visitas às casas.

Nesta etapa, serão 500 entrevistados em cada município: Pelotas, Uruguaiana, Santa Maria, Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Ijuí, Passo Fundo e Santa Cruz do Sul.

09/04/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/04/qual-e-a-causa-e-quais-sao-as-possiveis-solucoes-para-a-massiva-saida-de-pesquisadores-do-brasil-cknad8365002g0198q044rnuh.html

Qual é a causa e quais são as possíveis soluções para a massiva saída de pesquisadores do Brasil

Atraídos por melhores recursos e condições de trabalho, mestres e doutores cada vez mais deixam o país. Trata-se de um problema crescente, mas cujas saídas se mostram possíveis

Em um recente congresso científico realizado nos Estados Unidos, a imunologista e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Cristina Bonorino provocou espanto em um colega americano. Logo depois de falar com um pesquisador de destaque radicado em Saint Louis, no Missouri, ela comentou:

– Foi meu aluno no Brasil.

Minutos depois, após cumprimentar outro especialista em ascensão, baseado em Boston, Massachusetts, Cristina, que é colunista de GZH, completou:

– Também foi meu aluno.

– Quase todo mundo aqui foi seu aluno, aparentemente. Aquele outro lá também? – brincou o cientista dos EUA.

Não foi uma coincidência improvável. Dos seis últimos estudantes que completaram a pós-graduação em Porto Alegre sob a orientação de Cristina, cinco já embarcaram rumo ao Exterior levando uma bagagem inestimável de conhecimento acumulado no Brasil, mas que vai beneficiar empresas e países estrangeiros.

Há cerca de três anos, segundo relatos de acadêmicos da área de ciência e tecnologia, o fenômeno há muito tempo batizado como “fuga de cérebros” disparou e atingiu um novo patamar em razão de fatores como queda de investimento, falta de vagas de alto nível nos setores público e privado e excesso de burocracia na rotina de professores universitários dedicados à pesquisa. O aprofundamento da migração de mestres e doutores, se não for estancado a tempo de evitar a perda de uma geração inteira de jovens promessas, ameaça deixar o Brasil sob um apagão científico que exigiria décadas para ser revertido.

Conforme a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), é difícil quantificar o tamanho dessa diáspora intelectual por não haver uma centralização desse tipo de dado. Ao mesmo tempo, é fácil observar o impacto da marcha de talentos em qualquer instituição de ensino nacional.

Um levantamento realizado pelo Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2019 revelou que nada menos do que 25% de 754 egressos em nível de graduação ou pós-graduação em Ciência ou Engenharia da Computação que responderam à pesquisa haviam deixado o país até aquele momento. Boa parte foi contratada por empresas de grande porte como Amazon, Facebook, Google, Intel ou Netflix, ou por universidades localizadas principalmente em EUA e Europa.

– Vemos com preocupação essa tendência crescente de fuga de cérebros, pois são profissionais formados com recursos públicos que deixam de contribuir diretamente com o crescimento do país. Por outro lado, não temos como impedir essas saídas – afirma o ex-coordenador do programa de Pós-Graduação em Computação na UFRGS e professor do Instituto de Informática João Comba.

A boa notícia é que ainda há tempo para implantar estratégias capazes de valorizar a produção científica e os profissionais brasileiros antes do colapso intelectual – e nem tudo depende somente de despejar mais dinheiro em laboratórios universitários, institutos de pesquisa ou empresas voltadas à inovação. Ações administrativas como aliviar a carga de burocracia imposta a pesquisadores, forçados a dividir seu tempo entre salas de aula, trabalho em laboratório e horas incontáveis preenchendo formulários, representaria um freio à corrida das melhores mentes do país para além das fronteiras.

Outros pontos de ancoragem para uma reação nacional são a existência de universidades e institutos de fomento de alto nível, fartura de publicações científicas de autores brasileiros (embora seja necessário aumentar o impacto delas, ou seja, o número de citações em outros artigos), recursos naturais favoráveis à pesquisa em áreas como biodiversidade e nichos de excelência, a exemplo do setor de saúde que une faculdades e hospitais de ponta em Porto Alegre.

Ou seja, há uma estrutura favorável à recuperação. E motivos para resolver essa equação não faltam: as estimativas variam, mas estudos sugerem que investimentos realizados no setor de ciência e tecnologia geram um retorno pelo menos seis a sete vezes maior – essa relação pode ser ainda mais vantajosa conforme a área específica. Conforme a SBPC, cada real aplicado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por exemplo, é capaz de injetar R$ 12 na economia do país por meio de melhorias de produtividade no campo.

– Temos condições de superar esse momento conjuntural e mudar estruturalmente a ciência, a relação com o sistema produtivo e a economia. Temos potencialidades imensas no país. A biodiversidade é uma delas – assegura o presidente da SBPC, Ildeu Moreira (leia entrevista completa aqui).

A fórmula para tornar o Brasil outra vez atraente aos melhores profissionais disponíveis inclui alguns itens fundamentais: recuperação do nível de investimento em ciência, aumento do número e do valor das bolsas oferecidas a pesquisadores, redução na burocracia e estímulo à inovação nos setores público e privado. Falta colocá-la em prática.

Por que eles saem

Em uma palestra para empresários, há pouco mais de um ano, a professora do Instituto de Informática da UFRGS Luciana Buriol fez um apelo: que buscassem empregar em seus negócios os mestres e doutores de alta capacitação formados nas universidades brasileiras a fim de evitar que continuassem sumindo pela porta de embarque internacional dos aeroportos.

O apelo exercido por ofertas de emprego no Exterior, porém, fez com que a própria especialista em logística resolvesse deixar o país. Ela aguarda a concessão do visto de trabalho para iniciar seu contrato na gigante da tecnologia Amazon, nos EUA. O salário, 10 vezes superior ao que recebe como professora universitária no Brasil, é só um dos elementos da equação que resultou em sua iminente partida.

– O Brasil é um país que investe massivamente em burocracia. Sou professora e pesquisadora. Se preciso comprar um computador a mais para meus alunos, tenho de fazer três orçamentos cheios de detalhes, ler editais enormes para poder gastar valores minúsculos, sempre com medo de infringir alguma linha do edital, depois instalar, fazer o registro patrimonial, ao mesmo tempo em que tenho de dar aula, orientar os alunos, fazer pesquisa, escrever artigos. Colegas de outros países perguntam como nós conseguimos dar conta – explica Luciana.

Em outros países, há secretários que auxiliam pesquisadores em tarefas de gerência, logística ou até questões acadêmicas mais simples como revisar a gramática de artigos escritos por orientandos. Além disso, enquanto brasileiros costumam dedicar de oito a 16 horas semanais à sala de aula, instituições como Stanford, nos EUA, têm média de quatro horas. O restante do tempo é investido sobretudo em projetos científicos.

Essa é uma mudança de fundo administrativo que teria impacto moderado nos cofres públicos. Outras medidas capazes de revigorar a ciência brasileira dependem de aportes mais vultosos. É preciso recompor o orçamento voltado à tecnologia. Somente as verbas destinadas às três principais fontes de fomento no país – Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – caíram de R$ 13,9 bilhões em 2015 para R$ 5 bilhões em 2020. No ano passado, dos R$ 5,2 bilhões previstos para o FNDCT, 90% foram contingenciados. As bolsas para mestrado e doutorado oferecidas pela União, congeladas desde 2013, pagam pouco para manter os intelectos mais brilhantes do país: R$ 1,5 mil e R$ 2,2 mil. O salário mínimo nacional, para comparação, é R$ 1,1 mil.

GZH entrou em contato com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, mas não obteve retorno.

Com poucos recursos, o número de bolsas para pós-graduandos e de concursos públicos para profissionais formados também cai. Os benefícios concedidos por Capes e CNPq, por exemplo, recuaram 14% em comparação com 2015.

– Hoje vivemos o pior momento que eu já vivenciei desde que comecei a fazer pesquisa. Estamos iguais há uns 30 anos. Mas, mesmo naquela época, tinha concurso público na área de ciência e tecnologia. O que ocorre é que o Brasil retira o seu PIB basicamente de commodities (matérias-primas pouco industrializadas), não investe em ciência e tecnologia, e suas empresas não são tecnológicas – observa Cristina Bonorino.

O problema é que, segundo a imunologista, ganhar R$ 1 bilhão vendendo boi é diferente de faturar o mesmo valor exportando produtos de alta sofisticação.

– Se tu crias um boi, ele vai crescer e pronto, termina ali. A tecnologia permite construir degraus cada vez mais sofisticados, tu abres novos mercados. A vacina de mRNA desenvolvida para combater o coronavírus é um exemplo. A vacina da Moderna teve 100% de investimento do governo americano – diz a professora gaúcha, fazendo referência a um novo padrão de imunizante desenvolvido durante a pandemia.

Notícias promissoras começam a surgir no horizonte. O Congresso proibiu que os recursos do FNDCT – uma das principais fontes de dinheiro para pesquisa no país – sejam retidos ou desviados daqui para frente. Porém, os cientistas ainda fazem pressão para que a mudança na lei seja contemplada já para o orçamento de 2021.

Essa alteração é capaz de injetar R$ 5 bilhões ao setor anualmente – um dos sinais mais promissores de uma possível retomada da ciência brasileira nos últimos anos.

A busca por talentos

A procura de empresas e universidades estrangeiras por profissionais de alto nível formando-se no Brasil cria situações curiosas como a do engenheiro Carlos Eduardo Duarte, 44 anos, que emigrou para a Holanda em fevereiro do ano passado. Somente na cidade onde ele passou a morar, Eidhoven, há oito ex-colegas com quem trabalhava no Rio Grande do Sul. A busca ativa feita por headhunters estrangeiros (responsáveis por selecionar pessoas com perfil adequado para uma determinada vaga em diferentes lugares do mundo) atrás de especialistas com perfil semelhante acaba facilitando, por exemplo, a criação de microcomunidades de expatriados.

– A empresa de headhunters primeiro achou um, depois foi puxando os outros. Hoje tem uns oito ex-colegas de empresa no Brasil morando na mesma cidade que eu. Mas, ao todo, tenho uns 50 conhecidos brasileiros que estão trabalhando fora do Brasil – diz Duarte, especialista em engenharia de software.

A tecnologia e as redes sociais facilitam essa procura pelas melhores mentes mundo afora. Os caçadores de talento o localizaram pela plataforma LinkedIn, realizaram uma entrevista por Skype e fecharam o contrato ainda do além-mar. As carreiras buscadas para trabalhar fora variam bastante, mas geralmente envolvem áreas de ponta, desde informática até biotecnologia.

O engenheiro começou a cogitar uma transferência internacional em 2017, quando passou a ver um número crescente de pessoas sendo demitidas e empresas encolhendo do dia para a noite em todo o Brasil. Enquanto isso, na Europa, os governos seguiam oferecendo vantagens para facilitar a atração de estrangeiros promissores como o abatimento na cobrança de Imposto de Renda por um período.

– A ideia é ficar uns três anos fora e depois reavaliar a situação – explica o engenheiro.

Cristina Bonorino acredita que a perda de profissionais só será estancada de fato quando o país apostar no investimento vultoso de recursos em ciência ao longo de vários anos e criar um ambiente favorável para a proliferação de empresas de tecnologia de médio e grande porte:

– No Brasil, as empresas farmacêuticas, por exemplo, não investem em inovação. Só sabem fazer genéricos. Agora está vindo essa nova tecnologia de vacinas de mRNA (desenvolvidas para combater a covid-19), toda uma terapia gênica que vem atrás disso. Nós precisamos de biotecnologia no Brasil e não temos recurso para isso – lamenta a cientista.

Pelo menos, a produção de novos talentos nacionais segue firme. Em fevereiro, a filha de Cristina, Julia Bondar, 24 anos, recém-formada em Medicina, recebeu um prêmio da SBPC por um trabalho de pesquisa envolvendo depressão.

Cristina, porém, não pôde estar ao lado da filha durante a entrega da distinção. Julia seguiu o caminho de muitos outros brasileiros e já está morando nos EUA, onde atua prestando consultoria a uma startup voltada à área da saúde.

08/04/2021 – G1 e RBS TV

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/04/08/inovacao-e-proximidade-com-o-cliente-sao-saidas-para-driblar-efeitos-da-pandemia-no-comercio-dizem-especialistas-no-painel-rbs.ghtml

Inovação e proximidade com o cliente são saídas para driblar efeitos da pandemia no comércio, dizem especialistas no Painel RBS

Evento promovido pela RS TV e transmitido pelo G1, nesta quinta (8), reuniu representantes da Fecomércio, do Sebrae e universidades do Rio Grande do Sul.

A pandemia é real e o coronavírus permanecerá no ar por muito tempo. Com este entendimento unânime, o Painel RBS reuniu especialistas em diversos setores econômicos para debater, na tarde desta quinta-feira (8), como superar esta crise e fazer com que o comércio seja menos afetado.

A solução não é única, mas os especialistas ouvidos apontam para duas metas a serem buscadas: inovação e proximidade com os clientes.

"Quem era pequeno, mas próximo, conseguiu se defender, porque tinha essa ligação. Isso é um diferencial competitivo. Muitas vezes não compete em preço, em carta de opções, mas consegue entender a necessidade daquele cliente", diz a economista-chefe da Fecomércio, Patrícia Palermo.

De acordo com o especialista em Varejo e Consumo do Sebrae, Fabrício Zortéa, pesquisas apontam que o item número um de compra, neste momento, é a segurança. Para ele, o comerciante que conseguir demonstrar isso ao cliente está mais próximo da venda.

"E mostrar isso fica mais fácil no local, porque o bairro retomou uma força que é um lugar de relacionamento social", destaca.

Apostar no ambiente digital

Patrícia Palermo destacou que houve uma oligopolização dos negócios com a pandemia, com a presença de empresas maiores. Segundo ela, quem teve mais capacidade de se manter e de manter os negócios digitais, permaneceram, enquanto que os pequenos comércios fecharam.

Para o Sebrae, a prioridade da agenda são as ferramentas digitais e o capital de giro das empresas. Zortéa afirma que "digital não é a tecnologia, é gente com gente".

"Entender exatamente o que é necessário e o que é irrelevante na estrutura do meu negócio. Uma gestão de estoques, conhecer com profundidade o que está acontecendo com o consumo, adequar a equipe à necessidade, fazendo com que se modele com a demanda, e também olhar bem os canais de venda. Não estamos falando de site. Digital é estar disponível para o cliente, como a porta está aberta, no WhatsApp e em outras questões", explica.

A adaptação nos negócios pode fazer a diferença, segundo Patrícia Palermo. E a dica é inovar.

"Quem larga na frente consegue captar uma parcela de outros que ficaram para trás. Se permitir coisas novas vale para as pessoas e os negócios. Os pequenos comerciantes pensam que são pequenos demais para fazer algo que nunca fizeram, e isso não é verdade. Hoje tem uma tecnologia que coloca um poder imenso na mão dessas pessoas. O improvável é bem diferente do impossível, e para isso precisa ter planejamento."

Transição difícil, mas necessária

A transição, contudo, é difícil, principalmente para os pequenos comerciantes, e Patrícia reconhece. Por isso, a inserção neste novo mercado precisa ser profissional e rentável, com a aposta em vendas por plataformas de market place.

"As lojas físicas não vão morrer. Tem uma experiência que o varejo online nunca vai oferecer. Mas o digital veio, e veio para ficar. Por mais que seja muito difícil, ela tem que ser feita", defende.

A professora da UCS e integrante da Diretoria de Economia e Finanças da CIC de Caxias do Sul, Maria Carolina Gullo, cita que os comerciantes requerem o atendimento no balcão ou de pague e leve, pois temem custos com a taxa de entrega. Segundo ela, este problema não é apenas do empresário, mas dos governos, que deixam de arrecadar impostos, já que a tributação pode ir a grandes conglomerados que atuam em outras cidades e estados grandes.

A especialista em biossegurança da UFCSPA, Melissa Markoski, defende que o ideal é que as pessoas façam isolamento e ajudem a frear a transmissão do vírus. Porém, como entende que isso é muito difícil, a ideia é transmitir protocolos mais seguros e um entendimento único a todos.

"O empresário pode oferecer melhores máscaras aos funcionários e treinar para manter o distanciamento. Ele pode colaborar também com as campanhas de vacinação e ajudar que todas as pessoas tenham acesso", diz.

Outra sugestão é o agendamento dos serviços para evitar aglomerações em determinados horários próximo à abertura ou fechamento das atividades.

Apoio dos governos

A Fecomércio negocia uma retomada do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), que, segundo Patrícia, beneficiaram cerca de 600 mil pessoas em 2020. O objetivo é permitir que empresários consigam suspender contratos de trabalho e reduzir a carga horário junto da diminuição dos salários temporariamente.

"As empresas têm dificuldade de enfrentar o colapso das receitas e manter as despesas, principalmente da folha salarial", indica.

07/04/2021 –  GZH Impresso

Versão Impressa
Artigo do professor ANTÔNIO NOCCHI KALIL Diretor médico da Santa Casa de Porto Alegre e professor da UFCSPA Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

“Nunca valorizamos tanto o ar que sentimos entrar em nossos pulmões.”

Desejar boa saúde àqueles que queremos bem pode até parecer um hábito antigo, mas a verdade é que nunca foi tão apropriado como ultimamente. Nunca valorizamos tanto o ar que sentimos entrar em nossos pulmões, os passos que conseguimos dar ou as atividades corriqueiras que fazemos de maneira natural e saudável. Isso, claro, sem contar os incontáveis abraços não dados e acumulados devido à necessidade de distanciamento social.

Desde março do ano passado, vivemos assombrados pelo medo de um vírus que até então era apenas uma ameaça distante, cuja força desconhecíamos e que, infelizmente, ainda segue avassalador. A saúde costuma ficar ali quietinha, nos acompanhando por toda a vida e quase nem lembramos da sua existência, exceto quando ela passa a emitir sinais importantes. Alertas que, desde a chegada do novo coronavírus, têm tido um peso ainda mais alarmante em nossas vidas.

 Como os sintomas da covid-19 são incertos – por vezes claros, outras não –, ficamos desconfiados de estarmos recebendo esse hóspede non grato ao menor desconforto, o que tem gerado, também, um significativo aumento dos distúrbios de ordem emocional.

Neste Dia Mundial da Saúde, celebrado hoje em todo o mundo, a OMS traz como meta a construção de um mundo mais justo e saudável. De minha parte, celebro a proposta da OMS, entretanto percebo ainda mais nitidamente o papel humanitário que a nossa Santa Casa de Porto Alegre exerce quando, já há muitos anos, tem como seu propósito “construir um mundo em que todas as pessoas tenham acesso à saúde de qualidade”, uma clara demonstração de compreensão de sua função social.

A partir de iniciativas conjuntas com diversas entidades, como a UFCSPA, a Santa Casa vem agindo nesse sentido desde os seus primórdios, promovendo saúde de qualidade a todas as pessoas, sem distinção de classe social, com humanismo e excelência. Assim, mesmo parecendo fora de moda, aproveito este Dia Mundial da Saúde para, em nome da Santa Casa de Porto Alegre, desejar muita saúde a todos. Mas também lembrar que precisamos, mais do que nunca, de nossos esforços individuais para alcançarmos um mundo mais justo e saudável. Com vacinas, mas também com máscara, álcool gel e sem aglomerações.

Nunca valorizamos tanto o ar que sentimos entrar em nossos pulmões.

07/04/2021 – BBC Brasil

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56671034

Vacina AstraZeneca/Oxford: risco de trombose é raríssimo e não há motivo para interromper imunização, avaliam cientistas

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) publicou hoje (07/04) um relatório que confirma uma possível relação entre a vacina Vaxzevria, de AstraZeneca e Universidade de Oxford, e o risco de trombose.

 De acordo com a entidade, "coágulos sanguíneos incomuns juntos com o baixo nível das plaquetas devem ser listados em bula como um possível efeito colateral muito raro do imunizante".

Apesar de admitir a probabilidade desse evento adverso acontecer, a EMA e outras instituições, como a Organização Mundial da Saúde, continuam a defender o uso da Vaxzevria, uma vez que os benefícios da vacina em prevenir a covid-19 superam em muitas vezes qualquer risco de efeito colateral.

Para o imunologista Gustavo Cabral, da Universidade de São Paulo, a descoberta tem um lado positivo. "Isso indica que as agências regulatórias estão cumprindo seu papel de investigar e fiscalizar. Isso só nos deixa tranquilos e nos dá mais segurança", comenta.

A imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, concorda. "Por ora, não temos nenhuma publicação científica que estabeleça esse vínculo entre vacinas e trombose. Precisamos de estudos mais criteriosos para entender como esse imunizante causaria isso e se ele realmente está por trás desses casos", aponta.

Mas como a vigilância sanitária europeia chegou a essas conclusões? E como isso pode afetar as campanhas de vacinação daqui pra frente?

Burburinho por semanas

As primeiras suspeitas de que a vacina de AstraZeneca e Universidade de Oxford poderiam estar relacionada a casos raros de trombose venosa começaram a pipocar entre o final de janeiro e início de fevereiro.

Primeiro, alguns países europeus anunciaram que não liberariam os imunizantes para indivíduos acima dos 55, 60 ou 65 anos.

O exemplo que gerou mais repercussão veio da Alemanha, que só aprovou a Vaxzevria para idosos no dia 4 de março, após várias semanas de discussão entre o governo local e a farmacêutica responsável pelo produto.

Quando o mundo todo estará vacinado contra a covid-19?

Ao longo do mês de março, as notificações de trombose venosa após a vacinação também aumentaram e chamaram a atenção: até 22/03, a EMA reuniu um total de 86 casos. Desses, 18 foram fatais.

As observações iniciais fizeram com que vários países, como França, Alemanha, Itália, Canadá e Holanda, interrompessem provisoriamente o uso desse imunizante.

Mas muitos deles retomaram as campanhas após alguns dias de paralisação.

O assunto ganhou ainda mais força ontem (06/04), quando Marco Cavaleri, presidente do Comitê de Avaliação de Vacinas da EMA, deu uma entrevista ao jornal italiano Il Messaggero dizendo que "está claro que há uma associação [da trombose] com a vacina".

A agência europeia, que já estava investigando o assunto nas últimas semanas, não confirmou de imediato a informação de Cavaleri. Mas o relatório publicado nesta quarta (07/04) dá mais detalhes sobre a fala do especialista.

As conclusões

Após coletar todas as evidências, os cientistas da EMA admitiram a probabilidade, mesmo que baixíssima, de a Vaxzevria ter algo a ver com coágulos sanguíneos.

Ainda não se sabe o mecanismo exato de como isso acontece, mas acredita-se que a vacina desencadeie, num grupo muito reduzido de indivíduos, uma reação imune inesperada, que levaria a distúrbios na circulação sanguínea.

"A reação imune à vacina causaria uma diminuição no número de plaquetas, as células responsáveis pela coagulação sanguínea, e isso facilitaria a formação de trombos", detalha a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, nos Estados Unidos.

Esses trombos, por sua vez, poderiam entupir os vasos sanguíneos.

Essa explicação, vale reforçar, ainda é hipotética e precisa ser comprovada e detalhada por pesquisas criteriosas.

Até o momento, foram observados dois tipos de eventos adversos diferentes: 62 indivíduos desenvolveram uma trombose de seios venosos cerebrais, em que o coágulo bloqueia a passagem do sangue em uma veia do cérebro.

Essa condição é extremamente rara: de acordo com um levantamento da Santa Casa de Belo Horizonte, em Minas Gerais, menos de 1% de todos os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) registrados no Brasil são provocados por esse fenômeno.

O segundo grupo de acometidos após a vacinação, que conta com 24 casos registrados na análise, sofreu uma trombose esplênica, em que o entupimento aconteceu numa veia do abdômen.

Como dito acima, a análise da EMA reuniu esses 68 casos, registrados até dia 22 de março.

Mas, nas últimas semanas, a entidade recebeu novas notificações: até 4 de abril, os números subiram para um total de 169 pessoas com trombose de seios venosos cerebrais e de 53 com trombose esplênica.

 Ainda segundo o relatório da agência europeia, "a maioria dos casos reportados até agora aconteceram em mulheres abaixo dos 60 anos".

Cabral reforça, porém, que não é possível estabelecer com 100% de certeza a relação da vacina com a trombose. "Trata-se de um número muito baixo de casos, que não permite ligar as duas coisas com relevância estatística", diz.

Pode ser, portanto, que os distúrbios de coagulação estejam ocorrendo independentemente da aplicação das doses do imunizante.

Mas, como o problema aconteceu após a vacinação, é natural estabelecermos uma ligação de causa e efeito, que não necessariamente é verdadeira.

"Precisaríamos de um estudo que calcule a incidência desses tipos de trombose venosa na população que não foi vacinada. Assim, seria possível comparar com os números encontrados entre os imunizados e ver se há alguma diferença", explica Bonorino, que também é membro da Sociedade Brasileira de Imunologia.

A partir daí, imunologistas, hematologistas e outros especialistas poderiam estudar a questão mais a fundo, para entender quais células e moléculas estão envolvidas nesses processos que só são observados numa parcela bem pequena da população.

Uma gota no oceano

Apesar de a notificação de efeitos colaterais ser feita de rotina e todos os casos merecerem a investigação apropriada, o risco de trombose após tomar a vacina de AstraZeneca/Oxford é extremamente baixo pelo que se sabe até agora.

Se considerarmos os dados divulgados pela EMA, foram 222 notificações de trombose no cérebro ou no abdômen num universo de 34 milhões de pessoas vacinadas no Espaço Econômico Europeu e no Reino Unido.

Isso significa, portanto, que 0,0006% dos imunizados tiveram esse efeito colateral.

Em outras palavras, seriam seis casos de trombose a cada 1 milhão de vacinados.

Utilizando esse mesmo parâmetro, o perigo da covid-19 é muito maior. De acordo com o site Our World In Data, o Brasil tem uma taxa de 1,5 mil mortes pela doença por milhão de habitantes.

Portanto, num momento em que a pandemia está em plena ascensão e continua a afetar dezenas de milhares de pessoas todos os dias, as autoridades em saúde pública avaliam que a Vaxzevria continua como uma poderosa aliada para prevenir a covid-19 e suas formas mais graves, que exigem hospitalização e têm alto risco de morte.

A própria EMA afirma em seu relatório que os achados recentes não mudam em nada as recomendações já publicadas, que defendem e aprovam o uso desta vacina no continente.

Por ora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não se pronunciou sobre a análise feita na Europa e como isso pode afetar a imunização no Brasil.

Vale lembrar que a campanha de vacinação contra a covid-19 no país depende unicamente de Coronavac (Sinovac e Instituto Butantan) e de Vaxzevria (AstraZeneca/Oxford e Fundação Oswaldo Cruz).

"É preciso levar em conta que vários países diversificaram as fontes de vacina e têm como optar por outras que não sejam da AstraZeneca. O Brasil não fez isso e tem só dois fornecedores até agora", acrescenta Garrett.

Por enquanto, também não há registros confirmados de casos de trombose associados à vacinação no Brasil.

A BBC News Brasil procurou a Anvisa por meio da assessoria de imprensa, mas até a publicação desta reportagem não havia recebido nenhum retorno.

Mudanças práticas

Em seu relatório, a EMA defende que o risco de trombose seja incluído na lista de efeitos colaterais muito raros do imunizante de AstraZeneca/Oxford.

Mas essas informações coletadas até o momento não inviabilizam de maneira nenhuma as campanhas que utilizam as doses deste produto.

Portanto, se você faz parte do público-alvo da vacinação em sua cidade ou Estado, não há motivo para ter medo ou para postergar a ida ao posto de saúde: os estudos clínicos apontam que a Vaxzevria é segura e tem uma boa taxa de eficácia contra a covid-19.

Outra orientação da agência regulatória europeia é que todos os indivíduos que tomarem essa vacina procurem assistência médica se sentirem alguns dos sintomas da lista abaixo, até duas semanas após a vacinação:

 -Dificuldade de respirar

 -Dor no peito

-Inchaço na perna

-Dor abdominal persistente

-Dor de cabeça persistente

-Visão borrada

-Pequenas marcas avermelhadas na pele, próximas do local onde foi aplicada a dose

Bonorino lembra que é recomendação geral que todas as pessoas com sintomas persistentes após a vacinação procurem o serviço de saúde.

"Nós temos comitês que ficam o tempo inteiro monitorando e estudando essas notificações sobre eventos adversos após a vacinação", informa.

Cabral ressalta que a imunização é o melhor caminho para controlar e combater a covid-19. "Eu entendo o temor das pessoas, mas precisamos levar em conta a situação grave que vivemos e entender que só as vacinas, testadas com rigidez e aprovadas pelas agências regulatórias, nos devolverão a estabilidade no futuro", finaliza.

Visão dos responsáveis

Procura pela BBC News Brasil, a AstraZeneca enviou uma nota com esclarecimentos por e-mail.

Segundo a mensagem, a farmacêutica "tem colaborado ativamente com as agências reguladoras para implementar essas alterações na bula do produto e já está trabalhando para entender os casos individuais, a epidemiologia e os possíveis mecanismos que poderiam explicar esses eventos extremamente raros".

O texto continua: "Adicionalmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) disse hoje que, com base nas informações atuais, uma relação causal é considerada plausível, mas não é confirmada, acrescentando que mais estudos são necessários para compreender plenamente a relação potencial entre vacinação e possíveis fatores de risco. Além disso, a OMS observou que, embora preocupantes, os eventos sob avaliação são muito raros, com números baixos relatados entre os quase 200 milhões de pessoas que receberam a vacina de AstraZeneca em todo o mundo".

 07/04/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2021/04/especialistas-debatem-solucoes-para-o-comercio-em-edicao-do-painel-rbs-noticias-ckn7kns99001x0198e9aeg9l6.html

Especialistas debatem soluções para o comércio em edição do Painel RBS Notícias

Evento ocorre nesta quinta-feira, às 15h, com transmissão ao vivo pela internet

Um dos setores da economia mais afetados pela pandemia de coronavírus, o comércio segue em busca de soluções para atenuar os prejuízos acumulados desde o início da crise sanitária. Diante desse cenário, a segunda edição do Painel RBS Notícias de 2021 discutirá alternativas para o setor no Rio Grande do Sul. O evento ocorre nesta quinta-feira (8), às 15h, e terá transmissão ao vivo pelo site G1 RS.

Com o Estado enfrentando o pior momento da pandemia, quatro especialistas participarão do debate e procurarão responder a seguinte indagação: que saídas propõem para que o setor de comércio reduza os prejuízos já tão acentuados desde 2020? A conversa terá mediação do jornalista Elói Zorzetto.

Participam do painel Fabiano Zortéa, especialista em Competitividade Setorial do Sebrae-RS, Maria Carolina Gullo, professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e diretora de Economia e Finanças da CIC Caxias, Melissa Markoski, especialista em biossegurança da UFCSPA e Patrícia Palermo, economista-chefe da Fecomércio-RS. 

Eles abordarão temas como segurança sanitária, comércio eletrônico, linhas de crédito para pequenos negócios e uso de redes sociais. O público poderá interagir por mensagens de texto e através das redes sociais da RBS TV com a hastag #PainelRBSNoticias ou pelo Whatsapp (51) 99388-5555.

Serviço:

O quê: Painel RBS Notícias - Alternativas e soluções para o comércio durante a pandemia

Quando: Quinta-feira (8), a partir das 15h

Onde assistir: No site do G1 RS - https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/ao-vivo/assista-ao-painel-rbs-noticias.ghtml

Como participar: Por mensagens de texto e redes sociais da RBS TV, com a hashtag #PainelRBSNoticias, ou pelo Whatsapp (51) 99388-5555.

06/04/2021 – Sul 21

https://www.sul21.com.br/entrevistas-2/2021/04/as-universidade-publicas-sao-o-exemplo-de-instituicao-que-da-certo-no-brasil-diz-reitora-da-ufcspa/

‘As universidades públicas são o exemplo de instituição que dá certo no Brasil’, diz reitora da UFCSPA

A professora de epidemiologia Lucia Pellanda foi reconduzida ao cargo de reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) no último dia 30 de março. Foi uma longa e incerta espera até ter o nome confirmado pelo Ministério da Educação (MEC), depois de ter vencido a consulta interna à comunidade no final de novembro de 2020. A incerteza decorreu do fato de o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) não estar mantendo a tradição de empossar no cargo o reitor que efetivamente vence a disputa na universidade.

Mas Lucia tomou posse e terá pela frente mais quatro anos como reitora da UFCSPA. Um período de muitos desafios, a começar pelo corte de 18% no orçamento da universidade. Visto em perspectiva é mais fácil ter a dimensão das dificuldades econômicas: se em 2015 o orçamento de capital foi de R$ 20 milhões, em 2021 esse valor é inferior a R$ 1,5 milhão.

Nessa entrevista ao Sul21, a reitora comenta sobre as dificuldades do ensino remoto em cursos de saúde que tanto exigem a aula prática e prevê executar um projeto piloto de aula presencial quando as condições sanitárias melhorarem. “Todos os cursos fizeram sua priorização de quais são as disciplinas que trancam o curso se não forem feitas e estávamos começando quando veio a bandeira preta. Assim que a gente sair da bandeira preta, vamos retomar esse plano de retorno das aulas práticas, mas as aulas teóricas vão continuar em ensino à distância por bastante tempo ainda”, explica.

Integrante do comitê científico que assessora o governo de Eduardo Leite (PSDB), Lucia elogia o trabalho feito pelos diversos grupos técnicos que orbitam em torno das decisões do governador, sempre destacando o papel consultivo do comitê. Na prática, as decisões tomadas pelo governo nem sempre são aquelas sugeridas. Ainda assim, a reitora destaca a importância de ocupar o espaço e dizer o que deve ser dito, do ponto de vista científico, na gestão da pandemia.

A defesa veemente da educação é a principal característica que emerge durante a conversa por telefone, de cerca de 40 minutos, com Lucia Pellanda. “Eu não seria reitora se não acreditasse que a solução pro País é a educação. Somando quem faz pesquisa, quem faz extensão e quem forma profissionais de qualidade, são as universidades. O investimento de longo prazo nas universidades é o que pode nos tirar de qualquer crise”, afirma a reitora. E completa o pensamento citando um famoso discurso de Victor Hugo, na Assembleia de Paris, no século 19: “É justamente quando uma crise sufoca a nação que é preciso investir mais em educação, e não menos”.

Sobre a pandemia, a professora de epidemiologia brinca que cientistas estão acostumados a debater sobre o grau de incerteza das coisas, mas que a vacinação escapa dessa discussão. Vacinas funcionam e será com elas que o Rio Grande do Sul e o mundo se livrará da crise do coronavírus. O caminho até o tão esperado desfecho, no entanto, ainda será longo, principalmente no Brasil, com a contaminação fora de controle. “A gente vai precisar vacinar rapidamente e manter máscara, distanciamento e ventilação por um bom tempo, até que todo mundo seja vacinado, aí sim a gente consegue interromper a transmissão. A forma de sairmos dessa situação é com vacinação em massa e rápida.”

A professora de epidemiologia Lucia Pellanda foi reconduzida ao cargo de reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) no último dia 30 de março. Foi uma longa e incerta espera até ter o nome confirmado pelo Ministério da Educação (MEC), depois de ter vencido a consulta interna à comunidade no final de novembro de 2020. A incerteza decorreu do fato de o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) não estar mantendo a tradição de empossar no cargo o reitor que efetivamente vence a disputa na universidade.

Mas Lucia tomou posse e terá pela frente mais quatro anos como reitora da UFCSPA. Um período de muitos desafios, a começar pelo corte de 18% no orçamento da universidade. Visto em perspectiva é mais fácil ter a dimensão das dificuldades econômicas: se em 2015 o orçamento de capital foi de R$ 20 milhões, em 2021 esse valor é inferior a R$ 1,5 milhão.

Nessa entrevista ao Sul21, a reitora comenta sobre as dificuldades do ensino remoto em cursos de saúde que tanto exigem a aula prática e prevê executar um projeto piloto de aula presencial quando as condições sanitárias melhorarem. “Todos os cursos fizeram sua priorização de quais são as disciplinas que trancam o curso se não forem feitas e estávamos começando quando veio a bandeira preta. Assim que a gente sair da bandeira preta, vamos retomar esse plano de retorno das aulas práticas, mas as aulas teóricas vão continuar em ensino à distância por bastante tempo ainda”, explica.

Integrante do comitê científico que assessora o governo de Eduardo Leite (PSDB), Lucia elogia o trabalho feito pelos diversos grupos técnicos que orbitam em torno das decisões do governador, sempre destacando o papel consultivo do comitê. Na prática, as decisões tomadas pelo governo nem sempre são aquelas sugeridas. Ainda assim, a reitora destaca a importância de ocupar o espaço e dizer o que deve ser dito, do ponto de vista científico, na gestão da pandemia.

A defesa veemente da educação é a principal característica que emerge durante a conversa por telefone, de cerca de 40 minutos, com Lucia Pellanda. “Eu não seria reitora se não acreditasse que a solução pro País é a educação. Somando quem faz pesquisa, quem faz extensão e quem forma profissionais de qualidade, são as universidades. O investimento de longo prazo nas universidades é o que pode nos tirar de qualquer crise”, afirma a reitora. E completa o pensamento citando um famoso discurso de Victor Hugo, na Assembleia de Paris, no século 19: “É justamente quando uma crise sufoca a nação que é preciso investir mais em educação, e não menos”.

Sobre a pandemia, a professora de epidemiologia brinca que cientistas estão acostumados a debater sobre o grau de incerteza das coisas, mas que a vacinação escapa dessa discussão. Vacinas funcionam e será com elas que o Rio Grande do Sul e o mundo se livrará da crise do coronavírus. O caminho até o tão esperado desfecho, no entanto, ainda será longo, principalmente no Brasil, com a contaminação fora de controle. “A gente vai precisar vacinar rapidamente e manter máscara, distanciamento e ventilação por um bom tempo, até que todo mundo seja vacinado, aí sim a gente consegue interromper a transmissão. A forma de sairmos dessa situação é com vacinação em massa e rápida.”

Leia a seguir a entrevista completa:

Sul21: Como a senhora projeta a próxima gestão como reitora da UFCSPA?

Lucia Pellanda: Sabemos que os desafios vão ser grandes. Todo o processo da eleição foi muito importante pra comunidade da UFCSPA e para nós, porque o exercício da democracia é muito bom, a gente pode mostrar o trabalho, discutir, ouvir, foi um processo que nos fortaleceu em termos de projeto e planos. Então nesse sentido a gente começa energizado.

Sul21: Como tem sido para uma universidade de saúde enfrentar a pandemia?

Lucia Pellanda: Quando nós assumimos em 2017, sabíamos que seria uma época desafiadora por questão orçamentária e toda a crise que já se demonstrava no País. Houve uma série de situações bem críticas, depois os cortes no orçamento e, por último, uma pandemia. Só que na crise a gente também acaba descobrindo nossas forças e com quem podemos contar, e a UFCSPA tem sido incrível na pandemia, assumiu um protagonismo, as pessoas da comunidade universitária foram de uma coragem… Lá em março do ano passado, quando a gente não sabia nada sobre esse vírus, as pessoas se dispuseram a ser voluntárias em pesquisa…então acho que a UFCSPA cresceu muito durante a pandemia, porque ninguém ficou parado, todo mundo dobrou o seu trabalho. E depois de uma discussão muito madura decidimos voltar às aulas, em ensino à distância (Ead), que é uma coisa muito ruim pra saúde, porque a gente não acha que dê pra ter curso de saúde em Ead, mas é uma situação emergencial.

Sul21: Como foi a adaptação do presencial para o ensino à distância?

Lucia Pellanda: Os professores fizeram um esforço muito grande pra converter o que fosse possível. A gente teve uma formação com mais de 50 encontros. Esse ano as aulas teóricas vão ter que continuar em Ead, não tem jeito, só que a gente começa a ter muito atraso nas aulas práticas. Nós tínhamos começado ano passado um projeto piloto de aulas práticas em pequenos grupos e a ideia já era estender. Todos os cursos fizeram sua priorização de quais são as disciplinas que trancam o curso se não forem feitas e estávamos começando quando veio a bandeira preta. Assim que a gente sair da bandeira preta, vamos retomar esse plano de retorno das aulas práticas, mas as aulas teóricas vão continuar em Ead por bastante tempo ainda.

Sul21: Quais outros desafios pela frente a senhora vislumbra?

Lucia Pellanda: Um dos desafios é a complexidade desse retorno, porque nossos laboratórios já têm pouco espaço físico, vai caber um terço ou um quarto dos alunos, o mesmo professor vai ter que repetir três ou quatro vezes a aula. Outro desafio é a questão dos recursos, o orçamento foi cortado em 18%, quando a gente mais precisa de orçamento pra essa retomada e porque estamos trabalhando muito na pandemia. Pra ter ideia, em 2015, nosso orçamento de capital foi de R$ 20 milhões, e esse ano é menos de R$ 1,5 milhão.

Sul21: Há quanto tempo vem ocorrendo a redução do orçamento?

Lucia Pellanda: Desde 2016 começou uma pequena redução, aí em 2017, 2018, 2019 e 2020 foi bem brutal.

Sul21: Qual sua análise sobre as críticas dirigidas às universidade públicas nos últimos anos e a resposta das instituições nesse grave momento da história do Brasil?

Lucia Pellanda: As universidade públicas são o exemplo de instituição que dá certo no Brasil. Pode ter todas as críticas que for, e óbvio que sempre temos o que melhorar, mas se olhar indicadores objetivos, em todos os rankings as universidades públicas são sempre as melhores. No Rio Grande do Sul temos uma situação privilegiada de universidades comunitárias que são excelentes também, mas na maior parte do País, as universidades públicas são responsáveis por praticamente toda a pesquisa que é feita. Eu não seria reitora se não acreditasse que a solução pro País é a educação. Somando quem faz pesquisa, quem faz extensão e quem forma profissionais de qualidade são as universidades. O investimento de longo prazo nas universidades é o que pode nos tirar de qualquer crise. Há um famoso discurso do Victor Hugo, na Assembleia de Paris, no século 19, em que ele diz: ‘É justamente quando uma crise sufoca a nação que é preciso investir mais em educação, e não menos’.

Então não tenho dúvida de que a educação é a solução pro País. Em termos de pesquisa é a garantia da soberania. A gente tem laboratório, tem equipe, tem inteligência dentro das universidades e institutos de pesquisas federais e estaduais com condições de fazer a vacina brasileira. Podia já estar fazendo desde o começo (da pandemia), precisava era de investimento. O investimento em pesquisa é uma coisa que se faz por anos, e quando começa a dar retorno, precisa manter o investimento. Um projeto 95% completo dá zero resultado, ele precisa ser 100% completo. Então desinvestir gera um prejuízo enorme. Cada real investido em pesquisa retorna em muitos reais.

Sul21: O governo Bolsonaro não indicou para o cargo vários reitores que venceram as eleições internas nas universidades e isso não aconteceu com a senhora. Como foi passar pela incerteza se seria mesmo reconduzida ao cargo de reitora da UFCSPA?

Lucia Pellanda: Foi um período difícil, de muita tensão, que prejudica nosso planejamento e formação de equipe. Tem acontecido situações de não ser escolhido o primeiro da lista, mas também de ser. A gente não tem explicação. O que eu posso dizer é que talvez eu sempre tive uma postura institucional, separo muito o que eu penso como pessoa do que o que a reitora coloca institucionalmente, uma postura de proteger muito a instituição, muita conciliação, parcerias, talvez por isso, mas também não posso dizer com certeza.

Sul21: A senhora integra o comitê científico que auxilia o governo estadual. Como avalia o trabalho do comitê e as decisões do governador Eduardo Leite na pandemia?

Lucia Pellanda: A gente tem bastante consciência de que o comitê é consultivo. O comitê tem sido muito consistente em sempre dizer quais são as evidências científicas de manejo da pandemia. Acho que foi muito importante lá no começo pra gente ter os resultados muito bons que o Rio Grande do Sul teve nos primeiros meses, um resultado destacado em relação ao resto do País. Mas a gente entende que há uma série de outras variáveis e muitos membros do comitê estão ali representando a instituição. Então, como instituição, é importante ocupar os espaços e estar ali pra dizer o que a gente acredita.

Como pessoa, às vezes a gente gostaria de ser mais ouvida, mas é diferente a posição pessoal e a posição institucional. Como instituição, a gente precisa estar lá e dizer. Depois, quais são as decisões, isso já é além do comitê. É um comitê muito bem conduzido, o secretário de Ciência e Tecnologia valoriza muito o trabalho do comitê e a gente faz o possível, um trabalho muito sério de revisão das evidências, mas sem nenhum papel decisório. São vários comitês: tem o científico, formado por representantes das universidades; tem o conselho de especialistas; tem o comitê de dados, formado por técnicos das secretarias de Planejamento e de Saúde, e que é um comitê composto por pessoas excelentes. Por isso que algumas vezes, quando vejo umas críticas a esses comitês, fico chateada, porque são pessoas que trabalham com desprendimento e muita competência, e muitas coisas que são atribuídas ao comitê não têm nada a ver com o comitê.

Todos os dados dos comitês são  discutidos no gabinete de crise, onde as decisões são tomadas e aí não é com a gente. Algumas vezes o governador faz o gabinete de crise ampliado e aí sim o comitê participa, a gente é ouvido e depois as decisões são tomadas independente da nossa fala, mas a gente ao menos é ouvido.

Sul21: O que podemos imaginar da pandemia no RS nos próximos meses?

Lucia Pellanda: A gente não precisaria ter chegado no ponto em que chegamos. Se tivéssemos tido uma consciência grande, se não tivesse havido tanta contradição entre as mensagens, não tivemos uma mensagem nacional unificada, foi muita contradição entre os poderes e setores, se tivéssemos tido um esforço conjunto como aconteceu em outros países, a gente não precisava ter tido medidas tão restritivas. Seguindo cuidados básicos como o uso de máscara, distanciamento e ventilação, é possível retomar muitas coisas sem crescimento grande dos casos. Agora depois que a transmissão está descontrolada, o remédio é muito mais amargo e demora muito mais para voltar ao normal.

Então a gente vai demorar pra voltar ao normal porque agora está descontrolado. Mesmo que a gente conseguisse um esforço muito grande, ainda iria demorar por uma certa inércia. É como um caminhão desgovernado, sem freio, lomba abaixo, até conseguir parar, demora, vai desacelerando, mas ainda anda um tempo. E com a adoção dos protocolos mais flexíveis desde a semana passada, a gente já tá sentindo uma pequena mudança na mobilidade e estamos em níveis muito críticos ainda. Embora tenha melhorado, as medidas restritivas funcionaram pra aliviar os leitos clínicos, só que ainda não é o momento de baixar a guarda. Se todo mundo se engajar, a gente consegue, mas tem que todo mundo se engajar. Essas mensagens contraditórias, as pessoas que não querem usar máscara, as aglomerações puxam muito a pandemia pra cima, os super-espalhadores têm papel importante nessa pandemia.

Sul21: Quando conseguiremos ver o controle da pandemia por meio da vacinação?

Lucia Pellanda: A vacinação é uma das poucas coisas que a gente tem certeza na ciência. Cientista sempre discute o grau de incerteza, mas a vacinação é uma das poucas coisas em que o grau de evidência é tão forte que é muito difícil contestar, então a vacinação funciona. Nós temos capacidade de organização pra vacinar muito rápido, já fizemos isso outras vezes. O fato da vacinação sozinha não estar mostrando um resultado espetacular quanto se imaginava, é que tem que ter vacinação mais os cuidados, até que um grande número de pessoas esteja vacinado, até que uma proporção suficiente de pessoas esteja vacinada, o resto tem que manter os cuidados. Aconteceu no começo de janeiro, com o pessoal que se vacinou e se descuidou e acabou se contaminando. A gente vai precisar vacinar rapidamente e manter máscara, distanciamento e ventilação por um bom tempo, até que todo mundo seja vacinado, aí sim a gente consegue interromper a transmissão. A forma de sairmos dessa situação é com vacinação em massa e rápida.

04/04/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/blogs/di%C3%A1logos/segredos-na-mona-lisa-1.597567

Segredos na Mona Lisa

Doutor em Neurociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), professor adjunto de Anatomia Humana na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Deivis de Campos, em trabalho conjunto com o pesquisador italiano Luciano Buso, mostrou novos detalhes sobre a Mona Lisa, obra mais célebre de Leonardo Da Vinci. O artigo foi publicado no ‘Journal of Medical Biography’.

Qual o significado da sua descoberta, não só no mundo da arte, mas também da Medicina?

O que foi apresentado de novo para o mundo das artes foi que a célebre obra de Leonardo da Vinci, conhecida como Mona Lisa ou La Gioconda, assim como outras obras de outros artistas da Renascença, também contém assinaturas/monogramas e datas ocultas, feitas pelo seu autor. Devemos ter em mente que na época em que viveu Leonardo da Vinci muitas proibições limitavam os artistas, talvez uma das fundamentais tenha sido o fato de que a maioria deles não tinha autorização para assinar suas obras. Acredita-se que esse era o principal motivo pelo qual vários artistas daquele período ocultavam assinaturas/monogramas/datas em algum ponto de suas obras. Nós demonstramos no artigo que, ao lado da assinatura de Leonardo, encontram-se as letras “FA”, as quais podem estar fazendo alusão à palavra em latim faciebat, que significa fazia. Essa palavra era frequentemente utilizada em obras no período renascentista, designava que a obra tinha sido, de fato, executada pelo artista.

Além do verbo faciebat designar autoria à obra, ele a classificava como inacabada, indicando um processo ainda em acontecimento. Isso era feito mesmo que o trabalho tivesse sido refinado no mais alto grau, como é o caso da Mona Lisa. Nesse contexto, a inscrição “FA Lionardo” encontrada na Mona Lisa poderia ser a representação da própria assinatura de Da Vinci em um momento que a obra não havia sido concluída, pois como a literatura especializada descreve, essa obra nunca foi entregue ao comerciante Francesco del Giocondo, que a encomendou e, tudo indica, que Leonardo trabalhou nela até os últimos dias de sua vida.

No que se refere à Medicina, podemos destacar aspectos sobre a caligrafia de Leonardo da Vinci. A literatura demonstra que ele era canhoto e, por isso, usualmente escrevia com a mão esquerda em formato espelhado, isto é, escrita da direita para a esquerda. Esse padrão de escrita era usado para não borrar a tinta no papel ao deslizar a mão esquerda enquanto escrevia da esquerda para a direita. Vale destacar que essa não era uma prática totalmente incomum. Quando seu amigo e matemático Luca Pacioli descreveu a escrita espelhada de Leonardo, observou que alguns outros canhotos também utilizavam tal técnica. Um popular livro de caligrafia do século XV, inclusive, ensinava aos leitores canhotos a melhor maneira de escrever em lettera mancina, ou escrita espelhada. Na cultura ocidental, aqueles que utilizam mais essa mão foram vítimas de preconceito cultural, social e religioso. As conotações pejorativas foram muito intensas na época de Da Vinci. No entanto, demonstramos no artigo que as inscrições “FA Lionardo”, a data “1503” e o seu monograma “LDV”, evidenciadas no retrato da Mona Lisa, estão escritas em um padrão convencional no qual o artista pode ter usado, pelo menos parcialmente, a mão direita para pintar sua obra prima. Portanto, é razoável inferir que Leonardo da Vinci nasceu canhoto e, com o passar dos anos, acabou aprendendo a escrever/pintar com a mão direita, tornando-se ambidestro. Essas informações são fundamentais para se compreender um pouco mais sobre os processos de desenvolvimento acerca da lateralidade de uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento.

Como vocês chegaram às conclusões? Quanto tempo durou a pesquisa?

Todas as conclusões do estudo basearam-se em pesquisas bibliográficas feitas em artigos/livros científicos especializados na vida e obra de Leonardo da Vinci. Além disso, as assinaturas/monogramas e datas foram encontradas através de imagens fotográficas de alta resolução feitas por um dos autores do estudo, Luciano Buso. Entre a análise minuciosa das assinaturas/monogramas e a escrita do livro e artigo científico houve um tempo de aproximadamente 2 anos.

Por que e como o senhor decidiu investigar a Mona Lisa, já que é uma obra tão conhecida e exaustivamente pesquisada no mundo todo?

Todas as obras dos grandes pintores renascentistas, tais como Michelangelo Buonarroti, Rafael Sanzio, Sandro Botticelli e Leonardo da Vinci fazem parte das minhas linhas de pesquisa. Nos últimos dois anos, tenho mantido parcerias científicas acerca desses autores com o pesquisador italiano Luciano Buso, que já vinha analisando detalhes da Mona Lisa. Dessa forma, resolvemos reunir esforços no sentido de construirmos um trabalho que pudesse explicar a existência dessas assinaturas/monogramas.

O senhor também pesquisou sobre as obras de Michelangelo. Tem algum outro artista que pretende se dedicar no futuro?

Sim, a minha principal linha de estudo é de fato baseada nas obras de Michelangelo Buonarroti, pois nos últimos 5 anos tive mais de dez artigos publicados em revistas científicas demonstrando elementos até então não descritos na literatura, incluindo um autorretrato oculto do artista em uma obra feita por ele em 1525. Atualmente, além das obras de Michelangelo, estou me dedicando à análise iconográfica de algumas obras de Rafael Sanzio e Sandro Botticelli, que ainda não foram descritas. Espero em breve poder apresentar esses achados.

Qual o próximo passo?

Ainda temos muito a descobrir sobre as verdadeiras intenções de Leonardo da Vinci na execução dessa obra, especialmente sobre a identidade e vida da Mona Lisa, que a literatura descreve como sendo Lisa del Giocondo (1479-1542). Recentemente tivemos um artigo aceito em outra revista científica, na qual descrevemos um provável distúrbio neurológico que Lisa poderia ter e que nunca havia sido postulado na literatura. Em breve, esse artigo será publicado. A partir disso, é como se abrisse uma janela para o passado e, assim, surgem novamente vários elementos a serem elucidados.

Algum comentário final?

Eu gostaria de salientar que como professor de Anatomia Humana e aficionado pela história da arte é imprescindível lembrar que o estudo da Anatomia era indispensável na formação de qualquer artista, especialmente na Renascença. É nesse período que o retrato surge, então, como a expressão de identidade e a ciência recupera sua autonomia, tendo como diferencial o artista cientista. Nesse contexto, surge a necessidade de um olhar mais amplo e interdisciplinar nos diferentes contextos históricos, incluindo aqueles acerca da promoção da saúde, pois através desse conhecimento é possível perceber que várias obras de arte da Renascença apresentam diversas anormalidades anatômicas, que podem servir como indicativo de prováveis patologias existentes naquela época.

03/04/2021 – Diário Gaúcho

http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/04/em-um-ano-de-pandemia-regiao-metropolitana-realizou-842-mil-testes-de-covid-19-16826406.html

Em um ano de pandemia, Região Metropolitana realizou 842 mil testes de covid-19

Número é de 23.695 testes para cada 100 mil habitantes. Porém, nem todas cidades são exemplo. Em Viamão, taxa é de menos de 6 mil testes por 100 mil habitantes

No longínquo março de 2020, quando a pandemia surgiu, muito antes de pensar em vacina ou em controversos tratamentos precoces, a primeira discussão foi: como e quando testar a população? Hoje, um ano depois, vacinas já são realidade, tratamentos precoces seguem ineficazes e servem apenas como desinformação. Mas testar ainda é o principal meio de rastrear o coronavírus e a sua disseminação.

Dados obtidos pelo Diário Gaúcho junto as 12 prefeituras da Região Metropolitana mostram que em um ano de pandemia, foram realizados 842.465 testes — entre março do ano passado e a terceira semana de março de 2021. Juntos, os municípios têm 3,5 milhão de habitantes, o que representa uma média de 23.695 testes para cada 100 mil habitantes. O número é bem maior que a incidência de casos (6.842,3) e óbitos (206,9) por 100 mil moradores na região, conforme dados do Ministério da Saúde até o dia 24 de março.

Esse nível de testagem está bem acima da média nacional, como mostrou um estudo publicado no início do ano pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa apontou que o Brasil fez, em média, 11,3 testes do tipo RT-PCR a cada 100 mil habitantes para detectar covid-19. O levantamento do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da instituição mostrou três fatores que indicam uma falha do país na estratégia de testagem: falta de planejamento para comprar, optar por testes rápidos no lugar dos do tipo RT-PCR, mais assertivos, além da ausência de indicadores confiáveis sobre os dados.

Esteio no topo

Colocando uma lupa sobre os dados, fica ainda mais perceptível a importância da testagem em massa das populações. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, Esteio é a cidade que, proporcionalmente, mais testou moradores. São 38.416 testes para cada 100 mil habitantes. Em números concretos, foram 31.963 testes realizados até o início da semana passada.

A população da cidade é de 83 mil pessoas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mesma pessoa pode ser testada mais de uma vez, claro, mas o número total de testes representa 38% da população da cidade. Não coincidentemente, o município também lidera os rankings da incidência de casos e óbitos. São 9.982,9 casos para cada 100 mil moradores e uma taxa

de 283,6 óbitos a cada 100 mil habitantes. Quando mais se testa, mais se tem real dimensão da penetração da doença naquela população.

Em Viamão, cenário inverso

O contrário também é verdadeiro. Olhemos para Viamão, a quarta cidade mais populosa da Região Metropolitana, com 255 mil moradores, segundo o IBGE. Lá, em toda pandemia, foram feitos 14.889 testes até o início desta semana. São apenas 5.834 testes a cada 100 mil habitantes. É a cidade com mais de 100 mil moradores que menos testou na Região Metropolitana. Eldorado do Sul, a menos populosa entre os 12 municípios, com 41 mil moradores, fez 12.152 testes, apenas 2,7 mil a menos que Viamão, onde a população é seis vezes maior.

Mais uma vez, não coincidentemente, Viamão figura positivamente no ranking de incidência de casos e óbitos, não por necessariamente por combater bem a pandemia, mas por testar pouco. É a cidade com menos casos para cada 100 mil habitantes, são 2.510. Fica bem atrás de Guaíba, com 4.632 caos por 100 mil moradores, mas apenas 98 mil moradores. E é a segunda com menor incidência de óbitos, 162,2 a cada 100 mil moradores, atrás apenas de São Leopoldo, que tem uma população parecida, 236,8 mil moradores, mas um nível de testagem bem superior aos 5,8 mil de Viamão. Lá, a média é de 24.070 testes para cada 100 mil moradores.

Capital lidera em número concretos

Em número absolutos, Porto Alegre lidera, claro, por ter mais moradores. A Capital realizou 452.842 testes até o início da semana passada. Na média, são cerca de 30.520 testes por 100 mil habitantes, a terceira colocada neste ranking, atrás de Canoas e da líder, Esteio. Em relação à incidência de casos e mortes, a Capital fica em quarto lugar na contaminação, são 7.535,9 casos a cada 100 mil moradores. E também em quarto lugar na incidência de vítimas da covid-19, são 216,5 mortes por 100 mil habitantes.

Comparando com a média nacional apontada no estudo da Fiocruz de janeiro deste ano, de 11,3 mil testes a cada 100 mil habitantes, nove cidades estão acima deste índice. As três abaixo são Gravataí (10.706 testes por 100 mil moradores), Guaíba (9.725) e a que menos testa, Viamão (5.834).

Foco em testes e estudos

Na cidade que lidera o índice de testagem para covid-19 na Região Metropolitana, a iniciativa de rastrear os casos vem desde o início da pandemia. Em Esteio, moradores que apresentam sintomas fazem contato com prefeitura e são orientados a agendar testes também de todos com quem convivem, mesmo que estas pessoas ainda não apresentem sintomas. Assim, o rastreamento da doença é mais preciso.

Foi o aconteceu com o bancário Sérgio Luís Garcia Vargas, 71 anos. Morador da cidade há quase seis décadas, ele testou positivo para covid-19 em janeiro. Ao entrar em contato com a prefeitura, foi orientado a agendar exames para esposa, filha e neto que vivem na mesma casa. Agora, cerca três meses depois, sua esposa é quem contraiu a doença. Novamente todos estão sendo testados, inclusive Sérgio. Mesmo que já tenha sido infectado, como já se passaram três meses e ainda não há informações exatas sobre a possibilidade de reinfecção, o morador foi orientado a fazer novamente o RT-PCR.

— Ligamos na quarta-feira (dia 24 de março) e marcaram para hoje (26 de março). Foi bem rápido, agora é esperar os resultados, o que leva cerca de uma semana. Fiz o teste na sede da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), foi bem tranquilo, ótimos profissionais — pontua Sérgio, que também está com a primeira dose da vacina já agendada.

Parceria com universidades

Esteio também fez parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Unisinos e Feevale para um estudo na cidade. O GPS Covid Esteio colocou cerca de 50 pesquisadores circulando pela cidade aplicando testes e coletando dados que têm por objetivo traçar um perfil epidemiológico, genômico e clínico do vírus na cidade.

Até o final de fevereiro, em 17 fases, foram aplicados 8.693 testes rápidos em moradores esteienses. Destes, 327 resultaram positivo para covid-19. A equipe dividiu os 13 bairros de Esteio em 149 setores, cada um com 177 domicílios em média. A cada fase, os setores eram sorteados e, neles, os pesquisadores definiam, aleatoriamente, as casas onde eram feitas as coletas.

— A importância de testar o maior número de pessoas na cidade é justamente para podermos ter efetividade nas ações de rastreamento dos casos positivos. O que permite que a gente tome as medidas de forma mais rápida e objetiva, evitando a disseminação dos casos pela cidade — pontua a secretária de Saúde em Esteio, Ana Boll.

Em Viamão, a busca pela virada

A nova gestão da prefeitura de Viamão não tem orgulho dos índices de testagem da cidade. E vem trabalhando para resolver isso. Somente nos primeiros três meses deste ano, foram 8.634 testes realizados — 58% do total. Ou seja, só em 2021, foram realizados mais testes do que durante todo ano passado. A cidade ainda tem um cenário diferente de outros municípios — o próprio prefeito, Valdir Bonatto, decidiu assumir também a pasta municipal da Saúde.

— O momento grave pelo qual Viamão passou em 2020 deixou a população desamparada e o sistema de saúde totalmente inoperante. Era necessário um choque de gestão e de comportamento. Entendi que cabia ao chefe do Executivo assumir essa responsabilidade, dando sustentação e liderando esse processo junto às equipes técnicas que estão desempenhando um excelente papel — diz o prefeito e secretário de Saúde.

Mudança

Um dos primeiros passos foi reformular a atenção em covid-19 na cidade. Nove Unidades Básicas de Saúde (UBSs) passaram a ser referência em coronavírus — atendendo, testando e vacinando. Antes, somente a única Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e o único hospital da cidade atendiam e testavam. "Somente em março, foram atendidos 7.119 casos suspeitos de covid-19 nas UBSs, mais de 7 mil pessoas que deixaram de procurar a UPA, o hospital ou até a rede de Porto Alegre, por terem sido atendidas na sua região", pontua a prefeitura em nota.

Para acelerar o ritmo da testagem, a própria prefeitura também adquiriu 6 mil testes RT-PCR, não dependendo mais totalmente da testagem do Laboratório Central do Estado (Lacen-RS). "Com a demora do Lacen em informar resultados, entramos com testes nossos também, cujos resultados ficam prontos em até 48 horas depois da coleta. Os resultados passaram a ser entregues na própria UBS de referência, evitando deslocamentos desnecessários das pessoas testadas", diz o comunicado do município.

Fundamental para controlar a doença

Para o médico infectologista do Grupo Hospital Conceição (GHC), Luciano Lunardi, a média de testes por 100 mil habitantes é baixa. Segundo ele, países próximos, como Argentina e Colômbia, conseguiram taxas maiores. A nível mundial, Nova Zelândia e Canadá são exemplos. Em relação a Esteio, o médico aponta que a incidência de casos e óbitos na cidade está diretamente ligada com a testagem elevada dos moradores.

— Quanto mais a gente teste, mais acaba detectando. Isso também diminui a letalidade da doença, que é o número de mortos diante do de recuperados. Quando mais se testa, mais se rastreia casos e se isola estas pessoas.

Em relação a Viamão, acaba se tendo uma incidência menor, mas sem a real visão da situação da doença na cidade — aponta o infectologista do GHC.

Isso porque o nível de testagem pode estar contemplando somente doentes mais graves, que precisam do teste, e não contactantes que podem ter sintomas leves ou até serem assintomáticos.

Recomendação da OMS

Luciano explica que a OMS recomenda que pelo menos 3% a 12% do total de testes seja positiva para covid-19. Se a taxa é muito mais alta, pode representar que somente doentes mais graves estão sendo testados. Se ela é muito baixa, a estratégia de testagem pode estar incorreta.

— Por isso, testar pouco é uma estratégia arriscada, pois pode mascarar o verdadeiro quadro da pandemia naquele local. A testagem em massa identifica quem está com a doença, rastreia contatos e isola eles, diminuindo a disseminação. No início da pandemia, tínhamos poucos testes, então, testou-se só quem estava sendo hospitalizado. Isso impediu rastrear e isolar contactantes, por exemplo — pontua o infectologista.

O médico elogia o aumento na testagem em 2021 no Rio Grande do Sul. Na Região Metropolitana, 60,5% dos testes foram realizados somente neste ano — sem contar Eldorado do Sul, que não informou quando testes realizou desde janeiro de 2021:

— O Estado está testando mais sintomáticos gripais e de síndrome respiratória aguda grave. É uma estratégia fundamental para controlar a doença.

Conheça os testes

Na Região Metropolitana, são três os tipos de testes mais utilizados: RT-PCR, testes rápidos e testes sorológicos. Entenda a diferença entre eles.

O RT-PCR é considerado a melhor opção, constatando a presença do vírus no material genético do paciente. É colhida secreção respiratória por meio do swab (semelhante a um cotonete).

Os testes rápidos são normalmente coletados por meio de um gota de sangue num reagente, que muda de coloração com a presença do vírus. Entretanto, a confiabilidade varia muito, então ele é mais indicado para rastreamento, como estudos ou testes em massa, do que para diagnosticar pessoas contaminadas.

O teste sorológico não detecta o vírus, mas sim a presença de anticorpos. Ou seja, ele serve para saber se a pessoa já teve contato com o vírus ou já teve a doença covid-19.

O caminho da testagem nas cidades

Alvorada: Os testes são realizados no centro de enfrentamento ao covid-19 (Rua Wenceslau Fontoura, 240), e na unidade móvel de enfrentamento ao covid-19, no estacionamento da Escola Castro Alves. Para a realização do teste é necessário passar por avaliação médica e receber o encaminhamento por meio de requisição. Na unidade móvel, são feitos testes em pacientes vindos das unidades básicas de saúde bem como da rede privada.

Cachoeirinha: Os locais de testagem e atendimento médico são o Hospital de Campanha, no Ginásio Municipal, e o Hospital Padre Jeremias, no bairro Parque da Matriz. Na Unidade Básica Osvaldo Cruz é feita testagem de RT-PCR, conforme atendimento na rede pública e agendamento no aplicativo Cachoeirinha Contra o Coronavírus. O Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) também realiza o teste rápido de anticorpos nos contactantes domiciliares de casos positivos.

Canoas: A cidade tem cinco centros de testagem, distribuídos nos quatro quadrantes da cidade e na região central. Os centros funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com a oferta de dois tipos de teste: teste rápido de anticorpos e RT-PCR _ realizado apenas com requisição médica. Aos finais de semana, os testes podem ser realizados em uma das quatro unidades básicas de saúde onde funciona o Plantão Covid, destinado a pessoas com sintomas respiratórios ou suspeita de covid-19. Além de consultas com profissionais de saúde, é possível fazer nesses locais os testes rápidos e o RT-PCR. O Plantão Covid funciona sempre aos sábados e domingos, das 8h às 20h, na UBS Guajuviras (bairro Guajuviras), UBS União dos Operários (bairro Mathias Velho), UBS Primeiro de Maio (bairro Niterói) e UBS Imaculada (bairro Rio Branco).

Esteio: As testagens podem ser realizadas nas UBSs da cidade, em drive-thru na SMS, e/ou no Hospital São Camilo. A testagem é ofertada para pacientes que apresentem dois sintomas gripais ou contato com casos positivos.

Eldorado do Sul: Os moradores podem se dirigir a qualquer UBS do município para testes e triagem. Em casos graves, devem ir ao ao pronto-atendimento 24 horas, que é a unidade específica de enfrentamento à covid-19 e transformada em hospital de campanha na cidade.

Gravataí: É testado quem for encaminhado pelo hospital de campanha, pela UPA Abílio dos Santos ou de UBSs. Os testes são feitos no Quiosque da Cultura, na região central da cidade, próximo ao Hospital Dom João Becker, onde está instalada também a estrutura de campanha.

Guaíba:  Os testes, seja rápido ou RT-PCR, são disponibilizados pelo município e podem ser realizados em cinco postos de saúde — Centro, Vila Iolanda, Columbia City, Cohab, Policlínica — e no Hospital Nelson Cornetet, antigo Berço Farroupilha. Para ser testado, o paciente deve passar por consulta médica e o médico solicitará o exame, que é agendado em até três dias.

Novo Hamburgo: Todas as UBS e Unidade de Saúde da Família (USF) realizam tanto teste rápido quanto RT-PCR. Além disso, há o Centro de Triagem Covid (CTC), no Hospital Municipal, que coleta RT-PCR. No laboratório municipal, também são agendados alguns testes rápidos.

Porto Alegre: Os testes de diagnóstico de covid-19 pelo SUS são disponibilizados por meio de voucher emitido pelo sistema da prefeitura. As pessoas com sintomas respiratórios devem buscar atendimento em uma unidade de saúde municipal para solicitar o tíquete, após avaliação médica. De posse do voucher, o teste RT-PCR poderá ser realizado em um dos laboratórios parceiros da SMS, em unidades de saúde com estrutura para a coleta e no drive-thru no estacionamento da UFCSPA (Rua Sarmento Leite, 245). No voucher, que pode ser apresentado impresso ou pelo código em smartphone, o paciente tem acesso aos locais onde poderá fazer a testagem.

São Leopoldo: Todas as UBSs, o Centro de Saúde Feitoria, Hospital Centenário e o Centro de Atendimento Covid, junto ao Ginásio Municipal Celso Morbach, realizam testes. O paciente pode ir ao local por demanda espontânea, desde que apresente, ao menos, dois sintomas de síndrome gripal: coriza, tosse, febre, dor de garganta. Ele passa por uma consulta/triagem e faz o teste, se for avaliada necessidade.

Sapucaia do Sul: Pacientes podem procurar atendimento em qualquer UBS da cidade. Segundo a prefeitura, todas estão capacitadas para a testagem. Assim, a população pode procurar a unidade mais próxima de sua casa.

Viamão: São nove UBS que podem testar na cidade: Esmeralda, São Lucas, São Tomé, Santa Isabel, Augusta Meneguine, Vila Elsa, Centro, Águas Claras e Itapuã. O município adquiriu mais 6 mil testes de RT-PCR para reforçar o trabalho em quatro unidades específicas: UBS São Lucas, São Tomé, Santa Isabel, Centro e na UPA. Nesses locais, o paciente pode saber do resultado em até 48 horas.

 02/04/2021 – Globonews

https://g1.globo.com/google/amp/globonews/estudio-i/video/video-grupo-unidos-pela-saude-contra-o-colapso-conscientiza-populacao-sobre-combate-a-covid-9405852.ghtml

Grupo 'Unidos pela saúde contra o colapso' conscientiza população sobre combate à Covid

Mais uma vez o grupo de médicos produz um material para conscientizar a população sobre o momento de risco que estamos enfrentando. Dessa vez, às vésperas da Páscoa, o recado é para não regredir nos cuidados com a pandemia e não aglomerar. A médica e professora de epidemiologia Lucia Pellanda comenta a ação.

02/04/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/04/rs-e-o-quarto-estado-que-mais-vacinou-a-populacao-contra-o-coronavirus-ckn0wbty5006a016u7bnp2m7l.html

RS é o quarto Estado que mais vacinou a população contra o coronavírus

Até a manhã desta sexta-feira (2), 1,48 milhão de doses haviam sido aplicadas em 23% dos grupos prioritários e 10% da população total do Estado

Ao mesmo tempo em que atingiu a oitava maior mortalidade do Brasil por coronavírus, o Rio Grande do Sul é o quarto Estado que, proporcionalmente, mais vacinou sua população contra a covid-19. Se o bom ritmo for mantido, afirmam analistas, há esperança de controle da pandemia, desde que mais pessoas possam ser imunizadas diariamente.

Até a manhã desta sexta-feira (2), 1,48 milhão de doses haviam sido aplicadas em 23% dos grupos prioritários e 10% da população total do Estado – há 11,4 milhões de habitantes no Rio Grande do Sul. A segunda dose foi recebida por 305 mil pessoas, ou 2,7% da população. À frente do Rio Grande do Sul, os melhores ritmos vacinação são de Mato Grosso do Sul, Bahia e Amazonas.

Os dados são do portal Covid-19 no Brasil, cujas estatísticas são utilizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em site dedicado a monitorar o avanço da vacinação no país.

Apesar de ter a compra atrasada pelo governo federal em virtude da origem chinesa, a CoronaVac é o grande carro-chefe da campanha: a cada 10 vacinas aplicadas no Rio Grande do Sul, oito são CoronaVac, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES) disponibilizados em novo painel de transparência dedicado às estatísticas vacinais.

Em média, 20 mil injeções são aplicadas diariamente, mas o ritmo vem crescendo nas últimas semanas, conforme o repasse pelo Ministério da Saúde é intensificado. Em 25 de março, o Rio Grande do Sul vacinou um recorde de 62,8 mil pessoas.

O aumento na velocidade pode ser observado pela gradual redução na idade de corte para receber uma vacina. Em Porto Alegre, a cada dia que passa, a linha cai um ano. Neste feriado, podem se imunizar idosos com 66 anos na capital gaúcha. Ainda assim, está longe de ser uma velocidade suficiente para controlar a pandemia.

De todas as 2,86 milhões de doses enviadas pelo Ministério da Saúde ao governo do Estado, 62% foram aplicadas. São Paulo usou 88% das injeções. O Distrito Federal, 83%, e Mato Grosso do Sul, 82%. A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul afirmou a GZH que o número de doses aplicadas é maior, mas que algumas prefeituras não atualizam as estatísticas no sistema.

Apesar das poucas doses disponíveis, analistas destacam que o Rio Grande do Sul é beneficiado pela herança de um fortalecido Sistema Único de Saúde (SUS) em comparação a outras regiões do Brasil e pela capilaridade da atenção básica – são 2,6 mil postos espalhados pelo Estado e milhares de clínicas particulares e farmácias de bairro que servem há anos como locais de imunização.

Especialistas apontam, ainda, a experiência de governos, prefeituras e, sobretudo, de profissionais da saúde gaúchos que, todos os anos, imunizam milhões de pessoas durante a campanha de vacinação contra a gripe.

— O Rio Grande do Sul está vacinando bem, dentro das possibilidades. Não é surpreendente: temos uma característica de eficiência em serviço público de saúde. Além disso, apesar de todos os Estados aplicarem vacina contra a gripe, no Rio Grande do Sul a gripe tende a ser, pela característica climática, mais grave, então há essa expertise em vacinar. Se continuarmos entre os que mais vacinam, talvez vejamos bons resultados — avalia Pedro Hallal, professor de Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e membro do Comitê Científico do Palácio Piratini.

Como o inverno é rigoroso e o H1N1 é motivo de preocupação porque o Rio Grande do Sul é o Estado com, proporcionalmente, mais idosos no país (portanto, mais pessoas vulneráveis), são anos de prática em organizar uma imunização em massa e sensibilizar a população sobre a importância da vacina – sobretudo nos velhinhos.

— Muitas pessoas deixam de se vacinar simplesmente porque não têm o hábito de se vacinar. Mas, no Rio Grande do Sul, esse hábito existe, e inclusive o antivacinismo por aqui é menos evidente quando comparado a outros Estados. Isso está ligado ao clima e a termos uma época de influenza. Depois da influenza, as pessoas passaram a se vacinar mais, o que favorece outros programas de vacina, como o da covid — avalia André Luiz Machado da Silva, médico infectologista no Hospital Conceição.

Mas o médico epidemiologista Ricardo Kuchenbecker, gerente de risco do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, pondera que, por ser o Estado mais idoso do país, o Rio Grande do Sul recebe mais vacinas contra a covid. Com 11,4 milhões de habitantes, 45% da população – o equivalente a 5 milhões – faz parte dos grupos prioritários.

— Temos uma população que, na média, é mais velha do que no resto do país. Então, também conseguimos ter um percentual de população vacinada maior do que a média brasileira. Mas o Rio Grande do Sul tem historicamente uma capilaridade maior do que outros Estados para fazer a vacinação, o que pode estar fazendo diferença — afirma Kuchenbecker.

A agilidade gaúcha deve servir como motivo de esperança, mas a imunologista Cristina Bonorino, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e colunista de GZH, alerta que o ritmo atual não é suficiente para o controle da epidemia e que a população deve manter as medidas de distanciamento social por uma razão: não há provas de que a CoronaVac e a vacina de Oxford evitem a transmissão do vírus em quem foi imunizado – apenas que evitam a hospitalização e a morte.

Como resultado, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) orienta que pequenas reuniões em ambientes fechados aconteçam apenas entre vacinados. Da mesma forma, se você visitar seus pais ou avós imunizados, a máscara deve ser utilizada porque, apesar de eles estarem protegidos, você pode pegar covid-19 deles e adoecer.

— Essas vacinas auxiliam ao proteger contra a doença, hospitalização e morte, mas não contra a transmissão. Por isso, vai demorar para vermos um efeito concreto na epidemia. À medida que começarmos a diversificar o portfólio de vacinas, conseguiremos controlar a transmissão — diz a professora da UFCSPA.

Na visão de Ana Costa, diretora do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o bom desempenho gaúcho é explicado pela boa logística na distribuição das vacinas. É comum, ela diz, as vacinas chegarem pela manhã ao Estado e, no fim da tarde, já estarem nas prefeituras.

Ana Costa também cita que, para contornar a inexperiência de grande parte dos prefeitos que assumiram o primeiro mandato em janeiro deste ano, o governo do Estado treinou prefeituras sobre como conduzir uma campanha de vacinação. E ela destaca que Palácio Piratini transfere verbas para fortalecer a assistência básica em municípios do Estado.

— O SUS é forte no Estado, mas o Estado também investe na rede, então acaba existindo mais recurso para o posto de saúde aplicar recursos em equipe, material, insumo e qualificação. Além de receber o designado em portarias (do Ministério da Saúde), a rede também recebe incentivo às ações do SUS pelo Estado. Por exemplo, o Estado permitiu que municípios usassem o saldo de recursos repassados no ano anterior para ações de covid, tanto de fiscalização quanto de vacina. Isso possibilitou a contratação de novas pessoas — diz.

Mas Ana discorda da interpretação de que o Rio Grande do Sul estaria na frente por ter recebido do Ministério da Saúde mais doses de vacinas em virtude de ser o Estado mais idoso do país.

— Temos mais grupos prioritários porque temos uma população que envelhece mais, o que também traz mais comorbidades. Mas, ao mesmo tempo em que temos mais vacinas por isso, há mais equipes envolvidas em atendimento e mais idosos acamados e em ILPIs (instituições de longa permanência). Vaciná-los envolve ligar, marcar um horário, levar vacinadores ao local... O que é vantagem em número de vacinas pode ser desvantagem em tempo de atuação — afirma a diretora da Secretaria de Estado da Saúde.

01/04/2021 – Correio do Povo – Direto ao Ponto

https://www.correiodopovo.com.br/podcasts/os-cuidados-e-o-prolongamento-dos-sintomas-p%C3%B3s-covid-1.596023

Os cuidados e o prolongamento dos sintomas pós-Covid

Direto ao Ponto aborda possibilidades de reinfecção, duração de anticorpos e sequelas, e acompanhamento médico após a recuperação clínica

Após a infecção por Covid-19, a maioria das pessoas cria anticorpos que as impedem de contrair o vírus novamente. No entanto, há casos de reinfecção confirmados pelo mundo e estudos descrevendo que os sintomas podem continuar se arrastando por semanas ou até meses. De acordo com o infectologista e professor de medicina, Paulo Beher, esse quadro pós-Covid – também chamado de Covid Longa – chega a afetar até metade dos casos de infecções. O especialista frisou o acompanhamento médico após a recuperação é essencial também para os pacientes assintomáticos.

Todos estes pontos são abordados no Direto ao Ponto desta quinta-feira pelo Paulo Beher, professor na Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

01/04/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/04/internacoes-clinicas-em-hospitais-do-rs-caem-31-em-tres-semanas-ckmzehaxa008j016uoagm8hki.html

 Internações clínicas em hospitais do RS caem 31% em três semanas

Já nas UTIs, não há esvaziamento e cenário ainda é de colapso

O Rio Grande do Sul tem, nesta quinta-feira (1º), mais um dia com queda no número de pacientes com covid-19 internados em leitos clínicos. No fim da tarde, havia 3,7 mil pessoas nesses leitos de baixa e média complexidade.

Apesar da redução, ela não ocorre na mesma velocidade com que, semanas atrás, se deu a subida. Ou seja, o sistema hospitalar lotou muito rapidamente, mas agora esvazia com lentidão.

O pico desse indicador foi registrado em 12 de março, com 5,4 mil pacientes com covid-19 internados em leitos clínicos. A queda, ao longo dessas três semanas, foi de 31%.

Para comparação, nas três semanas que antecederam o ápice, quando a curva ainda estava em ascensão, o aumento foi de 191%. Três semanas anteriores ao pico, o Estado registrava 1,9 mil pacientes com a doença em leitos clínicos.

A epidemiologista Lúcia Pellanda explica que a queda nas internações é proporcional às medidas que foram adotadas semanas atrás, com fechamento de parte das atividades essenciais e adesão parcial da população. De acordo com a epidemiologista, como não houve uma parada total na circulação das pessoas, também não há agora uma queda brusca nas contaminações e internações.

— A redução de internações é coerente com a redução de mobilidade que ocorreu no Rio Grande do Sul, e coerente com a redução no número de casos. Diferentemente do que fez Portugal, não temos no Rio Grande do Sul o mesmo rigor nas medidas, nem a mesma adesão da população. Assim, não conseguimos interromper a transmissão, conseguimos apenas amenizar. É cedo para sairmos do perigo, precisamos manter cuidados — explica a epidemiologista, que é também reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Veja abaixo o comportamento recente da curva de pacientes com covid-19 internados em leitos clínicos no Estado. O gráfico mostra o período de 20 dias antes do pico e termina nesta quinta-feira, 20 dias depois.

UTIs seguem em colapso

Nas UTIs, a situação é mais grave. No fim da tarde desta quinta, havia 2,4 mil pacientes com covid-19 nesses leitos. Esse número tem oscilado, no alto da curva, entre 2,3 mil e 2,6 mil há três semanas, sem quedas consistentes.

Veja abaixo o comportamento da curva de internações em todos os tipos de leitos desde o início da pandemia. O gráfico abaixo mostra em março de 2020 e termina nesta quinta-feira.

01/04/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/04/rs-ultrapassa-20-mil-mortes-por-coronavirus-subindo-da-14a-para-oitava-pior-mortalidade-do-brasil-em-duas-semanas-ckmz8mt5h005j016u0wux4fu5.html

RS ultrapassa 20 mil mortes por coronavírus subindo da 14ª para oitava pior mortalidade do Brasil em duas semanas

Após apresentar, no ano passado, um dos melhores desempenhos do país, Estado vê conquista se esvair em poucos meses em meio à circulação de nova variante e retomada de atividades

O Rio Grande do Sul atingiu, nesta quinta-feira (1º), a marca de 20 mil mortes por coronavírus. Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES), 20.063 pessoas morreram por causa do Sars-CoV-2 e mais de 850,2 mil se infectaram desde março do ano passado. É como se quase toda a população de Nova Petrópolis, na Serra, tivesse sido dizimada.

 A marca de 20 mil vítimas da covid-19 ocorre em meio à constatação de que o Rio Grande do Sul, que já foi referência nacional no combate à pandemia e esteve, entre as 27 unidades da Federação, em 22º lugar no ranking de taxa de mortos por 100 mil habitantes, avançou para a oitava posição. Apenas duas semanas atrás, estava em 14º.

Nesse ínterim, o Rio Grande do Sul deu um salto de 15 mil óbitos para 20 mil, resultado do crescimento exponencial das infecções e do colapso hospitalar. Cada vez mais, o vírus se aproxima de nossas famílias, amigos e vizinhos, apesar de todos os avisos de médicos e cientistas, que clamam pelo distanciamento social e uso de máscara.

Especialistas entrevistados por GZH citam que a alta circulação do vírus entre o fim do ano passado e o início de 2021, as viagens e aglomerações do feriado, o avanço da cepa P1, originada em Manaus, e a briga política entre governo do Estado e prefeituras, ilustrada pelo desentendimento entre Eduardo Leite (PSDB) e Sebastião Melo (MDB) sobre fechar ou não o comércio explicam a piora gaúcha no combate à pandemia nos últimos meses.

— No começo, o Rio Grande do Sul estava muito melhor, mas degringolou rápido de outubro em diante. O erro é técnico, mas motivado por razões políticas: não praticar o isolamento e insistir para reabrir mesmo com cenário epidemiológico desfavorável. Os números estão assim pela nova variante, porque teve muita aglomeração no verão, o que infelizmente continua, pela pressão por flexibilização das medidas, porque o uso de máscara ainda não é universal e porque ainda tem gente que acredita que tomar ivermectina e cloroquina protege — avalia o epidemiologista Pedro Hallal, professor na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e integrante do Comitê Científico do Piratini.

Março termina como o mês mais letal da pandemia: concentra um terço de todas as mortes por coronavírus no Estado. O crescimento é consequência da transmissão descontrolada – muitas pessoas circulam nas ruas com o vírus ativo e contaminam outras, o que se reflete em grande número de hospitalizações e esgotamento do sistema de saúde.

Com hospitais superlotados, cresce a chance de um paciente morrer, mesmo que receba atendimento, já que será recebido em leito improvisado, por uma equipe sobrecarregada e não especializada, sob acompanhamento de equipamentos emprestados de outras alas, não ideais.

— Relaxamos as medidas de distanciamento. A cepa P1 também tem, definitivamente, um papel. Mas há um impacto das disputas entre prefeitos e governador para ter cogestão. Quando a população vê sinais trocados, é um convite à não adesão de medidas de distanciamento. Sem contar que a vacina passa uma falsa sensação de proteção, porque só estaremos protegidos quando o Estado tiver 80% de pessoas vacinadas — avalia o médico epidemiologista Ricardo Kuchenbecker, gerente de risco do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

Adota compreensão semelhante o médico infectologista André Luiz Machado da Silva, que atua na linha de frente do tratamento de pacientes infectados no Hospital Conceição.

 — Ao mesmo tempo em que o Rio Grande do Sul serviu de modelo quanto ao protocolo de bandeiras, temos um gestor municipal e um estadual que não se entendem. Essa dificuldade contribui sobremaneira para o aumento no número de casos porque não adianta ter uma orientação diferente da que o Estado orienta — diz.

 Se, no início do ano passado, gaúchos assistiam com medo e espanto às mortes e ao colapso hospitalar na Itália, a realidade estrangeira deixou de ser distante: o Rio Grande do Sul tem hoje uma taxa de mortalidade de 173,5 mortes a cada 100 mil habitantes, muito próxima ao desempenho italiano, de 180,8.

Com a piora, o Rio Grande do Sul também superou a mortalidade de Portugal (165,2), país com população semelhante ao Estado, além de Espanha (161,4) e França (145,6).

As maiores vítimas são idosos de 70 a 79 anos, mas, em meio à retomada das atividades e o crescimento das infecções pela cepa P1, hospitais registram um aumento na internação de pacientes jovens e saudáveis, grávidas e, inclusive, crianças.

Uma lupa sobre a situação de municípios jogada pelo Comitê de Dados do Palácio Piratini mostra ainda que as cidades com a maior proporção de mortes por coronavírus são Canoas, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Alvorada e Passo Fundo.

— Deixamos a situação descontrolar, demorou para tomarmos medidas. A P1 chegou aqui um pouco antes do que em outros Estados. Estamos mais adiantados na curva (da pandemia). Os outros Estados, ao verem o exemplo do Rio Grande do Sul, tomaram medidas mais precocemente. Além disso, infelizmente aqui surgiu um movimento contra medidas simples, como máscara e distanciamento — analisa a médica Lucia Pellanda, professora de Epidemiologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro do Comitê Científico do Palácio Piratini.

Efeitos da bandeira preta

A bandeira preta, que começou em 27 de fevereiro, já começa a surtir efeitos no controle da pandemia. Após um pico de 10 mil novos casos em 1º de março, o dia 20 teve 2,5 mil novas infecções, muito abaixo das 8,4 mil que aconteceram um dia antes de a bandeira preta predominar no Rio Grande do Sul.

Após completar 28 dias consecutivos com as unidades de terapia intensiva (UTIs) acima de 100% de ocupação, em cenário descrito por médicos como “de guerra”, a lotação caiu, nesta quinta-feira, para 99,8%.

Nas últimas duas semanas, a soma de confirmados e suspeitos para coronavírus em leitos clínicos e de UTI no Rio Grande do Sul saiu de um patamar médio de 8,8 mil internados para cerca de 7 mil na quarta-feira (31) – a queda é mais acentuada nos leitos clínicos.

O número de mortes, o último indicador a sofrer atualização, ainda não teve tempo para melhorar. A média móvel de novas vítimas atualmente é quatro vezes maior do que na segunda onda da pandemia, em dezembro.

— É fato que, nos leitos de enfermaria, houve redução significativa no número de novas internações há pelo menos uma semana. E isso se reflete na ocupação dos leitos de UTI. Mas ainda não dá para dizer que a doença está controlada ou que estamos em queda. Seria irresponsável dizer que a pandemia está controlada no nosso Estado. Até porque houve redução na ocupação das UTIs, mas as emergências ainda têm um grande número de pacientes em ventilação mecânica aguardando leito de UTI — afirma o infectologista André Luiz Machado da Silva.

A aceleração no ritmo das vacinas é a esperança dos gaúchos. O Rio Grande do Sul já vacinou com a primeira dose mais de 1 milhão de pessoas e é o sexto Estado que mais imunizou, proporcionalmente, sua população.

 A aplicação deve acelerar ainda mais com a chegada de 645 mil vacinas nos próximos dias, enviadas pelo Ministério da Saúde.

GZH solicitou entrevista ao governo do Estado, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

01/04/2021 – GZH

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Vai pedalar com bike compartilhada? Veja como evitar o coronavírus

Apesar de superfícies não serem o principal meio de contaminação, tocar em lugares onde muita gente colocou as mãos ainda pode ser um perigo

Muito populares entre os porto-alegrenses, as bicicletas compartilhadas podem ser uma boa alternativa para quem sente necessidade de sair de casa e esticar o corpo durante o distanciamento social. A vantagem é que pedalar é uma prática ao ar livre, o que reduz a chance de pegar coronavírus. Ainda assim, há a contaminação pelas superfícies — risco que ficou quase esquecido diante da forma mais grave, a de ficar frente a frente com uma pessoa infectada.

Especialistas consideram que, sim, a transmissão por gotículas expelidas no ar é o jeito mais comum de se contaminar — por isso, a recomendação é de se evitar aglomerações. Mas colocar a mão na boca ou no olho após tocar o guidão de uma bike usada por um estranho pode ser um perigo.

— As pessoas começaram a dar mais atenção ao contágio pela fala porque estavam desrespeitando o distanciamento físico. Logo, essa se tornou a principal forma de contágio. Mas a contaminação de superfícies continuou — observa a bióloga, imunologista e professora de biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Melissa Markoski, que atua na área de controle de riscos de agentes infecciosos.

Segundo Melissa, as gotículas projetadas por uma pessoa contaminada podem ter um alcance muito maior durante a prática de exercícios físicos, como pedalar. A estimativa é de que essas gotículas permaneçam nas superfícies durante dois ou três dias. No entanto, em ambientes abertos, com incidência de sol, devem secar em no máximo quatro horas.

O problema é justamente não saber quando a bicicleta retirada da estação foi usada pela última vez. Por isso, a dica é seguir investindo no paninho com desinfetante.

— O vírus pode ficar inerte na superfície. Se a pessoa for desinfetar o local em que for colocar as mãos, ou higienizar as mãos depois, não tem problema. O problema é esse costume ruim que a gente tem de levar mãos à boca, ao nariz e aos olhos — considera o médico infectologista Eduardo Sprinz, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Uma dúvida surge também ao se chegar em casa: é necessário botar as roupas na máquina depois de horas em cima de uma bicicleta em que muita gente sentou?

— Se tu achas que ficou muito exposto a pessoas com potencial de estarem contaminadas, então faz uma higiene nas roupas. Ou deixa as peças separadas em determinado local. Caso contrário, não é necessário — diz o infectologista.

 

 

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