27/03/2021 – IG Saúde

https://saude.ig.com.br/coronavirus/2021-03-27/butanvac-e-otima-noticia--mas-prazo-e-dificil-de-cumprir--dizem-cientistas.html

ButanVac é ótima notícia, mas prazo é difícil de cumprir, dizem cientistas

Imunizante anunciado pelo Instituto Butantan pode aumentar a autonomia brasileira no combate à Covid-19, mas falta de informações e dados preocupa especialistas

A notícia de que a primeira vacina contra a covid-19 100% brasileira vai começar os testes clínicos pegou todo mundo de surpresa — e até cientistas que trabalham diretamente com o assunto não estavam sabendo da novidade.

A Butanvac, anunciada pelo Governo do Estado de São Paulo e pelo Instituto Butantan numa coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (26/3), depende do aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os estudos com seres humanos ainda no mês de abril.

A conquista foi muito comemorada pelo governador paulista, João Doria, e pelo diretor do Butantan, Dimas Covas.

"Este é um anúncio histórico para o Brasil e para o mundo. A Butanvac é a primeira vacina 100% nacional, integralmente desenvolvida e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, que é um orgulho do Brasil", disse Doria.

O governador também projetou que haveria condições para disponibilizar "40 milhões de doses, se possível, em julho".

Apesar do desenvolvimento de uma vacina significar um avanço importantíssimo para a ciência brasileira, pesquisadores independentes entrevistados pela BBC News Brasil levantaram questões sobre as promessas feitas e transparência das informações apresentadas até o momento, como você confere a seguir.

Tradição de décadas

De acordo com os detalhes compartilhados durante o evento, a Butanvac é uma vacina feita a partir de um vírus que causa a doença de Newcastle em aves.

Esse agente infeccioso não provoca nenhum mal no organismo humano.

No laboratório, o vírus da doença de Newscastle passou por um processo de engenharia genética para receber a proteína S do coronavírus — a letra "S" vem de spike, ou espícula em português, que é a parte da estrutura viral que se encaixa nos receptores da superfície das células humanas para iniciar uma infecção.

O vírus então é multiplicado em ovos e é purificado e inativado antes de ir para as vacinas. Esse processo é relativamente barato e fácil de ser feito.

A ideia é que, a partir da imunização, o sistema de defesa do nosso corpo reconheça essa proteína S típica do coronavírus e gere uma resposta capaz de nos proteger de uma infecção de verdade.

"Essa é uma plataforma tecnológica muito segura e com a qual o Brasil tem muita experiência", avalia o imunologista Carlos Zárate-Bladés, pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina.

O mesmo recurso é usado em outros imunizantes nos quais o Brasil tem um bom histórico de produção e é auto-suficiente (ou seja, não precisa de insumos estrangeiros).

O caso mais notório é a vacina contra a gripe: o Butantan usa essa mesma metodologia e entrega, todos os anos, mais de 100 milhões de doses ao Plano Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.

Prazo apertado

A larga experiência nacional pode acelerar a produção da Butanvac, mas, antes que isso ocorra, é necessário que o candidato à imunizante passe pelos testes clínicos para garantir a segurança e a eficácia.

Geralmente, esses estudos são divididos nas fases um, dois e três, e cada uma delas tem objetivos diferentes.

"Nas fases um e dois, nós avaliamos se a vacina é tolerada, qual a melhor dosagem para obter uma boa resposta no organismo, se ela é segura e se realmente tem efeito no corpo humano", explica o imunologista Gustavo Cabral, pesquisador da Universidade de São Paulo e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Já a fase três, o último passo antes da submissão dos dados para aprovação pelas agências regulatórias, envolve dezenas de milhares de voluntários e tem a meta de definir a eficácia daquele produto em prevenir a doença (ou pelo menos as suas formas mais graves).

Para serem iniciadas, as pesquisas com a Butanvac ainda precisam receber o aval da Anvisa — representantes do governo estadual e do Butantan dizem estar "dialogando intensamente" com a agência para que isso aconteça o mais rápido possível.

Porém, mesmo com o provável início dos testes clínicos em abril, como desejam os gestores paulistas, é praticamente impossível finalizar todas as etapas até julho de 2021.

"Até seria factível realizar as fases um e dois em conjunto, como outras vacinas contra a covid-19 fizeram", observa Cabral.

Mas esse primeiro trabalho, mesmo que abreviado, demoraria cerca de dois ou três meses para ser concluído.

Na sequência, viriam os testes de fase 3 que, como já dito, envolvem centenas de pesquisadores e dezenas de milhares de participantes.

Mesmo com muito investimento financeiro e esforço, essa etapa demanda mais alguns meses até que os resultados preliminares de eficácia estejam disponíveis.

E, cumprido todo esse rito científico, é necessário obter uma taxa de eficácia minimamente boa para pedir a aprovação da Anvisa e poder começar a distribuição das doses da Buntanvac para a campanha de imunização contra a covid-19.

Na mais otimista das hipóteses, essa maratona só seria finalizada mesmo perto do final de 2021, e não no meio do ano, como prometido por Dória.

Onde estão os dados?

Outro ponto que chamou a atenção dos especialistas foi a falta de informações e detalhes técnicos sobre a Butanvac.

"Mais que o anúncio em si, precisamos conhecer a parte científica do imunizante, com os dados publicados para que a gente possa avaliar e comentar com propriedade", diz a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

E a falta de transparência na divulgação não é só um problema brasileiro: a corrida para obter rapidamente imunizantes contra a covid-19 fez com que muitas farmacêuticas e centros de pesquisa adotassem a chamada "ciência de press release".

Em resumo, os dados de eficácia e segurança de muitas vacinas foram apresentados primeiro para a imprensa, por meio de notas e coletivas, antes de serem revisados e publicados em periódicos científicos, onde as informações podem ser analisadas, criticadas e reproduzidas por outros especialistas.

Com isso, a ciência perde um de seus mais importantes lastros: a total transparência sobre a confiabilidade daqueles novos achados.

E isso é algo que está acontecendo com a Butanvac neste momento: pelo que foi informado na entrevista coletiva feita nesta sexta-feira, os estudos pré-clínicos (feitos com amostras de células e cobaias de laboratório) tiveram bons resultados.

Mas, como eles não foram registrados em nenhum espaço público e de acesso fácil, os especialistas independentes, que não estão envolvidos diretamente na pesquisa, não têm como contribuir por meio de críticas, comentários e questionamentos.

"Pela própria credibilidade do Butantan, é importante que eles mostrem os dados e expliquem o que é essa vacina", completa Bonorino, que também é consultora da Sociedade Brasileira de Imunologia.

A BBC News Brasil tentou contato com o Instituto Butantan, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.

Avanço histórico

Apesar de todas as falhas e das informações desencontradas, a Butanvac é encarada como um feito histórico para o Brasil.

"Ela foi uma ótima notícia, até porque o país tem uma vasta experiência e profissionais muito capacitados na área de imunologia e vacinologia", destaca Zárate-Bladés.

Dos países que compõem o Brics, até o momento o Brasil e a África do Sul eram as únicas nações que não possuíam um imunizante em testes clínicos (ou já aprovado) para chamar de seu: Sputnik V (Rússia), CoronaVac (China) e Covaxin (Índia) são usados em larga escala em mais de um continente.

Do ponto de vista do enfrentamento da pandemia, um imunizante 100% brasileiro também representa uma vantagem competitiva.

"Nosso problema atualmente é a falta de doses. Portanto, quanto mais opções de vacinas tivermos, melhor. É claro que não podemos ficar parados e esperar até a Butanvac estar disponível, mas ela pode ser uma peça fundamental no futuro", raciocina Cabral.

Por fim, a possibilidade de uma fabricação nacional, sem necessidade de importar insumos da Índia e da China, dá mais previsibilidade às campanhas de imunização.

"Esse é um fator muito importante para não dependermos sempre dos outros países", atesta Bonorino.

Mas, segundo a especialista, uma independência completa só virá quando o Brasil priorizar áreas como educação, ciência e tecnologia

"A experiência atual nos mostra a necessidade de o Brasil investir em pessoal, equipamentos e pesquisas para diversificar suas plataformas de produção de vacinas", completa.

 

26/03/2021 – Revista News

https://revistanews.com.br/2021/03/27/santa-casa-de-misericordia-de-porto-alegre-empossa-nova-mesa-administrativa-e-conselho-fiscal/

Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre empossa nova Mesa Administrativa e Conselho Fiscal

Nesta sexta-feira (26), no Teatro do Centro Histórico-Cultural da Santa Casa, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre empossou sua nova Mesa Administrativa e Conselho Fiscal para o triênio 2021-2024.

Para a provedoria, foi reconduzido ao cargo o atual Provedor, Alfredo Englert, reeleito em Assembleia Geral no último mês de dezembro. Como vices-provedores, foram empossados os Irmãos da Santa Casa Vladimir Giacomuzzi, Vilson Darós e Eduardo José Centeno de Castro.

Para a Mesa Administrativa, tomaram posse os Irmãos Araken de Assis, Carlos Roberto Schwartsmann, Claudio Affonso Amoretti Bier, Claudio Pacheco Prates Lamachia, Dione Marion da Costa Zibetti, Flávio Sérgio Wallauer, Gustavo Duarte da Silva Goularte, Helena Dahne Bartelle, Léo Voigt, Pedro Bins Ely, Sérvulo Luiz Zardin e Walter Lidio Nunes. Como suplentes, Antonio Celso Koelher Ayub, Clovis Benoni Meurer, Fernando Antonio Bohrer Pitrez, Roberto Caldas de Oliveira, Thiago Roberto Sarmento Leite e Vasco Della Giustina.

No Conselho Fiscal, foram empossados Antonio Parissi, Emilio Rothfuchs Neto, José de Souza Mendonça, Luís Roberto Andrade Ponte e Neiro Waechter da Motta. Os suplentes são João Victório Berton, Paulo Renê Bernhard e Percival Oliveira Puggina.

A cerimônia de posse, realizada com todas as exigências sanitárias por conta da Pandemia, teve a presença do Procurador de Fundações do Ministério Público do RS, Dr. Keller Dornelles Clós, da reitora e da vice-reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Lúcia Campos Pellanda e Jenifer Saffi, além do Provedor da Santa Casa, Alfredo Guilherme Englert, do diretor geral, Julio Matos, e demais diretores executivos da Instituição. Para os demais membros da Irmandade e convidados, a cerimônia pode ser acompanhada em transmissão pela Internet.

 

26/03/2021 – BBC

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56546090

Butanvac: vacina é ótima notícia, mas prazo anunciado é difícil de cumprir, dizem cientistas

A notícia de que a primeira vacina contra a covid-19 100% brasileira vai começar os testes clínicos pegou todo mundo de surpresa — e até cientistas que trabalham diretamente com o assunto não estavam sabendo da novidade.

A Butanvac, anunciada pelo Governo do Estado de São Paulo e pelo Instituto Butantan numa coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (26/3), depende do aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os estudos com seres humanos ainda no mês de abril.

A conquista foi muito comemorada pelo governador paulista, João Doria, e pelo diretor do Butantan, Dimas Covas.

"Este é um anúncio histórico para o Brasil e para o mundo. A Butanvac é a primeira vacina 100% nacional, integralmente desenvolvida e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, que é um orgulho do Brasil", disse Doria.

O governador também projetou que haveria condições para disponibilizar "40 milhões de doses, se possível, em julho".

Apesar do desenvolvimento de uma vacina significar um avanço importantíssimo para a ciência brasileira, pesquisadores independentes entrevistados pela BBC News Brasil levantaram questões sobre as promessas feitas e transparência das informações apresentadas até o momento, como você confere a seguir.

Tradição de décadas

De acordo com os detalhes compartilhados durante o evento, a Butanvac é uma vacina feita a partir de um vírus que causa a doença de Newcastle em aves.

Esse agente infeccioso não provoca nenhum mal no organismo humano.

No laboratório, o vírus da doença de Newscastle passou por um processo de engenharia genética para receber a proteína S do coronavírus — a letra "S" vem de spike, ou espícula em português, que é a parte da estrutura viral que se encaixa nos receptores da superfície das células humanas para iniciar uma infecção.

 O vírus então é multiplicado em ovos e é purificado e inativado antes de ir para as vacinas. Esse processo é relativamente barato e fácil de ser feito.

A ideia é que, a partir da imunização, o sistema de defesa do nosso corpo reconheça essa proteína S típica do coronavírus e gere uma resposta capaz de nos proteger de uma infecção de verdade.

"Essa é uma plataforma tecnológica muito segura e com a qual o Brasil tem muita experiência", avalia o imunologista Carlos Zárate-Bladés, pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina.

O mesmo recurso é usado em outros imunizantes nos quais o Brasil tem um bom histórico de produção e é auto-suficiente (ou seja, não precisa de insumos estrangeiros).

O caso mais notório é a vacina contra a gripe: o Butantan usa essa mesma metodologia e entrega, todos os anos, mais de 100 milhões de doses ao Plano Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.

Prazo apertado

A larga experiência nacional pode acelerar a produção da Butanvac, mas, antes que isso ocorra, é necessário que o candidato à imunizante passe pelos testes clínicos para garantir a segurança e a eficácia.

Geralmente, esses estudos são divididos nas fases um, dois e três, e cada uma delas tem objetivos diferentes.

"Nas fases um e dois, nós avaliamos se a vacina é tolerada, qual a melhor dosagem para obter uma boa resposta no organismo, se ela é segura e se realmente tem efeito no corpo humano", explica o imunologista Gustavo Cabral, pesquisador da Universidade de São Paulo e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Já a fase três, o último passo antes da submissão dos dados para aprovação pelas agências regulatórias, envolve dezenas de milhares de voluntários e tem a meta de definir a eficácia daquele produto em prevenir a doença (ou pelo menos as suas formas mais graves).

Para serem iniciadas, as pesquisas com a Butanvac ainda precisam receber o aval da Anvisa — representantes do governo estadual e do Butantan dizem estar "dialogando intensamente" com a agência para que isso aconteça o mais rápido possível.

Porém, mesmo com o provável início dos testes clínicos em abril, como desejam os gestores paulistas, é praticamente impossível finalizar todas as etapas até julho de 2021.

 

"Até seria factível realizar as fases um e dois em conjunto, como outras vacinas contra a covid-19 fizeram", observa Cabral.

Mas esse primeiro trabalho, mesmo que abreviado, demoraria cerca de dois ou três meses para ser concluído.

Na sequência, viriam os testes de fase 3 que, como já dito, envolvem centenas de pesquisadores e dezenas de milhares de participantes.

Mesmo com muito investimento financeiro e esforço, essa etapa demanda mais alguns meses até que os resultados preliminares de eficácia estejam disponíveis.

E, cumprido todo esse rito científico, é necessário obter uma taxa de eficácia minimamente boa para pedir a aprovação da Anvisa e poder começar a distribuição das doses da Buntanvac para a campanha de imunização contra a covid-19.

Na mais otimista das hipóteses, essa maratona só seria finalizada mesmo perto do final de 2021, e não no meio do ano, como prometido por Dória.

Onde estão os dados?

Outro ponto que chamou a atenção dos especialistas foi a falta de informações e detalhes técnicos sobre a Butanvac.

"Mais que o anúncio em si, precisamos conhecer a parte científica do imunizante, com os dados publicados para que a gente possa avaliar e comentar com propriedade", diz a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

E a falta de transparência na divulgação não é só um problema brasileiro: a corrida para obter rapidamente imunizantes contra a covid-19 fez com que muitas farmacêuticas e centros de pesquisa adotassem a chamada "ciência de press release".

Em resumo, os dados de eficácia e segurança de muitas vacinas foram apresentados primeiro para a imprensa, por meio de notas e coletivas, antes de serem revisados e publicados em periódicos científicos, onde as informações podem ser analisadas, criticadas e reproduzidas por outros especialistas.

Com isso, a ciência perde um de seus mais importantes lastros: a total transparência sobre a confiabilidade daqueles novos achados.

E isso é algo que está acontecendo com a Butanvac neste momento: pelo que foi informado na entrevista coletiva feita nesta sexta-feira, os estudos pré-clínicos (feitos com amostras de células e cobaias de laboratório) tiveram bons resultados.

Mas, como eles não foram registrados em nenhum espaço público e de acesso fácil, os especialistas independentes, que não estão envolvidos diretamente na pesquisa, não têm como contribuir por meio de críticas, comentários e questionamentos.

"Pela própria credibilidade do Butantan, é importante que eles mostrem os dados e expliquem o que é essa vacina", completa Bonorino, que também é consultora da Sociedade Brasileira de Imunologia.

A BBC News Brasil tentou contato com o Instituto Butantan, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.

Avanço histórico

Apesar de todas as falhas e das informações desencontradas, a Butanvac é encarada como um feito histórico para o Brasil.

"Ela foi uma ótima notícia, até porque o país tem uma vasta experiência e profissionais muito capacitados na área de imunologia e vacinologia", destaca Zárate-Bladés.

Dos países que compõem o Brics, até o momento o Brasil e a África do Sul eram as únicas nações que não possuíam um imunizante em testes clínicos (ou já aprovado) para chamar de seu: Sputnik V (Rússia), CoronaVac (China) e Covaxin (Índia) são usados em larga escala em mais de um continente.

Do ponto de vista do enfrentamento da pandemia, um imunizante 100% brasileiro também representa uma vantagem competitiva.

"Nosso problema atualmente é a falta de doses. Portanto, quanto mais opções de vacinas tivermos, melhor. É claro que não podemos ficar parados e esperar até a Butanvac estar disponível, mas ela pode ser uma peça fundamental no futuro", raciocina Cabral.

Por fim, a possibilidade de uma fabricação nacional, sem necessidade de importar insumos da Índia e da China, dá mais previsibilidade às campanhas de imunização.

"Esse é um fator muito importante para não dependermos sempre dos outros países", atesta Bonorino.

Mas, segundo a especialista, uma independência completa só virá quando o Brasil priorizar áreas como educação, ciência e tecnologia

"A experiência atual nos mostra a necessidade de o Brasil investir em pessoal, equipamentos e pesquisas para diversificar suas plataformas de produção de vacinas", completa.

 

 26/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/vacina-nacional-e-fundamental-para-independencia-brasileira-afirmam-especialistas-ckmqobclx00920198dvzvvmqt.html

Vacina nacional é fundamental para independência brasileira, afirmam especialistas

Cientistas e médicos celebram anúncio de imunizante do Instituto Butantan contra a covid-19, mas recomendam cautela enquanto não se conhecem mais detalhes do estudo

Na urgência de imunizar a população contra a covid-19, o Brasil, que enfrenta o pior momento da pandemia de coronavírus, se destacou com uma notícia positiva nesta sexta-feira (26).

Se tudo correr conforme o cronograma divulgado pelo Instituto Butantan, de São Paulo, será possível produzir 40 milhões de doses da ButanVac, primeiro imunizante contra a covid-19 totalmente nacional, a partir de maio.

Cientistas e médicos celebram a conquista, ainda que recomendem cautela enquanto não se sabe de mais detalhes das etapas do estudo conduzidas até aqui, e também para evitar frustrações quanto à viabilidade dos prazos estabelecidos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisa autorizar a realização dos testes em grande escala em voluntários, previstos para abril.

Médica pediatra, Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), recebeu a novidade com otimismo.

— O impacto é maravilhoso. Isso significa independência, o que é fundamental, hoje, em um mercado sem vacinas suficientes. É muito importante que o Brasil não só produza vacina como consiga estar na ponta também na elaboração. Isso é fundamental para crescer. Toda conquista da ciência leva a outra conquista da ciência — afirma Isabella.

Até o momento, apenas dois imunizantes estão em uso no país: a CoronaVac, parceria do Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac, e a vacina de Oxford, viabilizada pela universidade britânica e o laboratório anglo-sueco AstraZeneca. 

Para a imunologista Cristina Bonorino, é fundamental que não apenas uma, mas várias vacinas nacionais sejam produzidas simultaneamente. Dadas as diferentes taxas de eficácia, os imunizantes se fortalecem no conjunto, e o Brasil tem profissionais capazes de despontar nesta área, aponta. O que falta, segundo a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), é investimento.

— Para cientista, não existe problema insolúvel. Existem tempo e dinheiro. Quanto mais dinheiro, mais rápido. Temos um recorde histórico mundial de investimento em vacinas atualmente — destaca Cristina, que faz um chamado também à iniciativa privada. — É preciso apoiar diferentes metodologias. Isso vai criar divisas para o Brasil e colocar o país em uma situação de líder em tecnologia. Temos que criar uma tecnologia nossa. Ficamos pagando para importar — constata.

Apostar em jovens pesquisadores é outra sugestão de Cristina:

— Tem risco? Tem risco, mas a gente não chega a lugar algum se não arriscar. Tem que investir em algumas coisas em que ninguém acredita. Alguma vai dar certo.

 

25/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/entenda-o-que-sao-os-superanticorpos-e-como-eles-podem-ser-usados-contra-virus-ckmp8p0mv006n016uh5qn0r92.html

Entenda o que são os superanticorpos e como eles podem ser usados contra vírus

Ser imune a doenças infecciosas é algo comum, mas não é todo mundo que apresenta essa característica

A história de John Hollis, 54 anos, impressiona. O escritor norte-americano dividia apartamento com um amigo que foi diagnosticado com covid-19. Porém, além de não ter desenvolvido a doença, pesquisadores da Universidade de George Mason, nos EUA, descobriram que ele tem uma espécie de superanticorpo que o impede de ser infectado pelo coronavírus. A história parece um caso raro, mas Hollis não é o único. A proporção é menor, mas diversas pessoas são capazes de produzir anticorpos potentes contra determinadas doenças, explicam especialistas ouvidos por GZH. 

O que popularmente denominamos de superanticorpo, a ciência batizou de anticorpo neutralizante de amplo espectro. A literatura científica evidencia que é comum que a resposta imunológica do corpo a um vírus varie de pessoa para pessoa. Certos indivíduos podem ter a capacidade de produzir muitos anticorpos, alguns até com a capacidade de bloquear o desenvolvimento de doenças ou fazê-las regredirem. Enquanto outros podem produzir um número menor de anticorpos, assim como desenvolver uma proteção mais frágil. Isso tem a ver com idade e herança genética, entre outros fatores, explica a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— O que se sabe é que esses anticorpos mais potentes têm a capacidade de se ligarem com força na exata região do vírus que se conecta ao receptor. Ao promover esse bloqueio, o vírus não tem como entrar na célula. Sempre se soube que tem pessoas que são, naturalmente, resistentes. Agora, conseguimos mapear a região em que o anticorpo deve se conectar para bloquear o contato entre vírus e célula. O que a ciência ainda não sabe apontar é quem pode ter esses anticorpos neutralizantes. Não tem como prever. Não existe um exame para isso, é preciso fazer uma pesquisa detalhada — diz Cristina, que também é membro do comitê cientifico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI).

No caso da covid-19, esses anticorpos dificultam o contato da espícula do vírus com a célula de forma mais precisa, impedindo, assim, a infecção. A professora da UFCSPA pontua que o fato de uma pessoa ter se recuperado da covid-19 não é sinônimo de que ela tenha esses anticorpos mais robustos, mas afirma que pode existir uma chance. 

Qualquer doença infecciosa tem o seu superanticorpo correspondente

Essa proteção mais robusta não se limita ao coronavírus. Ela pode ser viável em qualquer doença infecciosa. No caso da dengue, por exemplo, existem quatro tipos de linhagens, e os anticorpos mais fortes testados conseguiram neutralizar a ação de todas. Daí, também, surgem aqueles casos de pessoas que são resistentes ao HIV, já que elas conseguem produzir anticorpo que evita a ligação do vírus com o receptor da célula. Mas isso é raro e demanda tempo descobrir quem tem esse superanticorpo, explica Moises Bauer, professor titular de Imunologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

— Geralmente, eles são produzidos em 20% dos pacientes com HIV. E, para descobrir isso, é preciso esperar, pelo menos, dois anos após a infecção para a realização das pesquisas. Mas os pacientes que apresentam anticorpos neutralizantes podem ter um controle melhor do vírus no corpo, têm uma estabilidade clínica melhor e não precisam tomar nenhum retroviral — explica.

Bauer ainda cita que, em um experimento, os superanticorpos foram coletados de um humano, transformados em soro e esse material foi dado a macacos. Posteriormente, esses animais foram infectados com um vírus primo do HIV. Como resultado desse estudo, foi verificado que o superanticorpo bloqueou completamente o desenvolvimento da doença e freou a sua transmissão:

— Como ele não desenvolveu a doença, não tinha como passá-la adiante. Esses superanticorpos são o Santo Graal da ciência para várias infecções, como o vírus influenza, por exemplo. Agora, estamos tentando fabricar esses anticorpos neutralizantes em laboratório para que eles virem terapia e possam ser ministrados para os pacientes.

Tratamentos terapêuticos

Cristina ressalta, contudo, que esse processo de fabricação dos anticorpos é caro e demanda investimento. E que esse também vem sendo o foco de trabalho das multinacionais da indústria farmacêutica, principalmente, para sintetizar terapia contra o câncer:

— Isso é pura engenharia molecular. Primeiro, você isola o DNA das células, depois, reconstitui o anticorpo forte em laboratório e o transforma em um medicamento que possa ser ministrado ao paciente.

Um estudo em pré-print (ou seja, que não passou pela revisão de outros pesquisadores), divulgado este mês pelo bioRxiv (um site com um arquivo online de pré-prints), mostra que os superanticorpos feitos em laboratórios têm capacidade de neutralizar várias cepas do coronavírus, inclusive suas mutações. 

 O professor titular da PUCRS explica que esse tipo especial de anticorpo pode ser usado para fins terapêuticos em casos virais com o intuito de neutralizar o vírus. E, no caso de pacientes com câncer, podem estimular resposta imune ou eliminar células doentes. Para ambos os casos se faz uso da terapia com anticorpo monoclonal. 

Anticorpo monoclonal nada mais é do que uma cópia sintética, feita em laboratório, a partir de um clone de um anticorpo específico. Neste caso, do superanticorpo que foi extraído do sangue de um indivíduo que se recuperou da doença que se deseja atacar ou tratar. 

— Depois que o anticorpo monoclonal é sintetizado, é possível produzir esse anticorpo mais potente em litros. A ideia, com essa técnica, é fazer soro terapêutico para tratar pessoas com covid, influenza, câncer, entre outros, para neutralizar a enfermidade.  Essa, talvez, seria a única alternativa para curar pacientes do coronavírus, por exemplo, e não os deixar progredir para o quadro grave. E, com esse mesmo raciocínio, se busca a criação de vacinas que neutralizem as variantes do coronavírus por meio da produção desses superanticorpos — afirma. 

 

23/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/quais-sao-os-tipos-de-ambiente-que-mais-podem-contribuir-para-novas-infeccoes-por-coronavirus-ckmmdx09i005k016urudrtd3x.html

ESTUDO DE STANFORD

Quais são os tipos de ambiente que mais podem contribuir para novas infecções por coronavírus?

Restaurantes, academias, bares, hotéis e igrejas concentram maior risco quando abrigam aglomeração de pessoas sem máscara nem distanciamento

A retomada das atividades no Rio Grande do Sul na segunda-feira (22) reacendeu um debate: de um lado, profissionais da saúde solicitam que o governo imponha um lockdown, enquanto o setor econômico pede menos restrições, alega não ser o responsável pelo crescimento das infecções e culpa as aglomerações do Carnaval.

Nessa disputa, a ciência tem uma certeza: a principal via de transmissão do vírus é a respiratória – e não por superfície. Portanto, os maiores riscos para a infecção por covid-19 estão em locais fechados, com aglomeração de pessoas e onde o uso de máscara não ocorre o tempo todo.

— Quanto mais tempo uma pessoa ficar em ambiente fechado com muita gente, maior o risco. Uma das formas de prevenção é optar por atividades ao ar livre, porque há mais risco quando as pessoas tiram a máscara para comer em um ambiente fechado e mal ventilado. Outro local de risco é onde se canta, fala alto ou pratica-se exercício físico, o que aumenta a emissão de partículas — resume a médica epidemiologista Lucia Pellanda, reitora e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante do Comitê Científico do Palácio Piratini. 

Diversos cientistas se dedicaram a pesquisar quais são os locais mais propícios para contaminações por coronavírus. Um dos estudos mais consolidados foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e publicado na prestigiosa revista Nature em novembro.

Eles cruzaram dados de localização de 98 milhões de pessoas de 10 grandes cidades norte-americanas com as infecções reportadas nas regiões dias depois. A partir daí, elaboraram um modelo matemático que quantificou quais locais mais gerariam novos casos de coronavírus, uma vez reabertos.

O resultado é que restaurantes, academias, cafeterias, hotéis, lanchonetes e igrejas ou templos religiosos são, nesta ordem, os locais com maior potencial de risco. Restaurantes poderiam contribuir com uma cadeia de até 10 mil novos casos, enquanto que, no outro extremo, concessionárias seriam um ambiente para 10 novas infecções.

O estudo ainda concluiu que 10% dos locais de passagem da população em Chicago eram responsáveis por 85% das infecções por coronavírus.

Os pesquisadores da Universidade de Stanford sugerem que governos imponham restrições focadas em alguns setores econômicos, em vez de uma paralisação geral, como forma de atenuar o impacto econômico. “Se uma minoria de pontos de encontro produz a maioria das infecções, então as estratégias de reabertura que mirem especificamente pontos de alto risco devem ser especialmente efetivas”, diz o estudo.

Mas eles ressaltam que governos precisam fornecer ajuda financeira para os comerciantes que ficarem sem trabalhar. Ou seja: não dá para mandar fechar um setor e esperar que ele suporte a crise econômica sozinho. Além disso, governos também se preocupam que o fechamento de locais de ponto de encontro públicos levem a população a se reunir nas residências, em ambiente também fechado.

— O que contribui para a piora da pandemia é a mobilidade urbana. O fechamento do comércio é uma tentativa de reduzir essa mobilidade. O problema é todo o circuito necessário, como, por exemplo, os trabalhadores no transporte coletivo ou o horário de almoço, onde as máscaras são deixadas de lado — diz Álvaro Krüger Ramos, professor de Matemática Pura e Aplicada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisador sobre indicadores da pandemia.

No Brasil, um estudo conduzido por várias instituições, incluindo a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), mapeou a dispersão da covid-19 na cidade turística de Maragogi, em Alagoas, no ano passado. Os cientistas descobriram que hospitais, postos de saúde e mercados foram os locais considerados como “superespalhadores” do vírus, e não a feira local que movimenta a cidade. Na época de coleta de dados, bares, restaurantes e academias estavam fechados.

— Vimos que 70% das infecções acontecem nas casas, o que já é bem reportado. Mas as infecções nas casas são secundárias: a pessoa vai ao mercado, se infecta no mercado, vai para casa e infecta as pessoas de casa — afirma Tiago Pereira, professor do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria da USP e coordenador do estudo.

No ano passado, circulou pelo mundo uma análise feita por epidemiologistas da Universidade do Texas que elencou o risco de contágio em diferentes atividades cotidianas. As de maior chance de contaminação por coronavírus eram ir a um bar, participar de uma missa com mais de 500 pessoas, de um show ou de uma partida esportiva. A seguir, apareciam frequentar cinema, academia e comer em um bufê.

A ciência sabe, hoje, que o risco de contágio individual pode ser atenuado pelos protocolos sanitários: se houver maior limitação no número de pessoas, se os clientes usarem máscara cobrindo todo o rosto e se o indivíduo ficar próximo à janela ou sentado ao ar livre.

 

O professor de Matemática da USP Tiago Pereira pondera que o perigo para o coronavírus é o fato de haver aglomeração – ou seja, não é o restaurante ou a academia em si, mas a forma como as pessoas se comportam nesses locais, o que exige fiscalização para que os estabelecimentos sigam à risca as medidas sanitárias.

— Há indústrias com mais de mil funcionários almoçando em um restaurante grande. Se o restaurante em si fosse tão perigoso, todas as indústrias deveriam ter grande contaminação e fechariam, o que não acontece, porque elas seguem protocolos rígidos para não fecharem. O problema é a aglomeração, não o ambiente. Um restaurante pode seguir bem os protocolos e não ter aglomeração — acrescenta Pereira.

Mas pesquisas vêm demonstrando que há dificuldade em implementar os protocolos sanitários na prática, apesar da boa vontade dos estabelecimentos. Um estudo financiando pelo governo da Escócia, publicado no Journal of Studies on Alcohol and Drugs, investigou o cumprimento das medidas sanitárias em bares abertos após o lockdown no país. Apesar das reformas e do distanciamento, tudo ia por água abaixo com os clientes bêbados e funcionários que nem sempre usavam máscaras.

— Os estabelecimentos expressam uma vontade de trabalhar segundo os protocolos, mas houve desafios práticos. Foram feitos grandes esforços para mudar a arquitetura dos bares, mas problemas comuns incluíam funcionários não usarem equipamento de proteção ou a gestão de banheiros, filas e de outros pontos. Também observamos vários incidentes de grande preocupação, como clientes gritando, abraçando ou interagindo repetidamente e muito próximo aos funcionários, o que foi raramente resolvido — declarou Niamh Fitzgerald, autora do estudo, em texto de divulgação do material, ressaltando que o fechamento de bares causa um impacto fortíssimo aos proprietários e trabalhadores.

Profissões de risco

Outro estudo, publicado no conceituado British Medical Journal, mostra as profissões com maior risco para a covid-19. Depois de profissionais da saúde, estão trabalhadores da assistência social, da educação, do setor de bares e restaurantes e, por fim, do transporte público.

Além dos estudos mostrando o maior risco de contágio, há uma série de pesquisas que apontam a relação entre reduzir a mobilidade da população e o controle da pandemia – nota técnica da última sexta-feira (19) do Comitê Científico do Palácio Piratini destaca ao menos 10 pesquisas científicas comprovando a eficácia do fechamento temporário de diferentes setores.

— Qualquer setor que a gente abra vai ter um impacto. Aumento de mobilidade aumenta os contatos entre as pessoas. Entendo as dificuldades das pessoas que estão paradas, mas a conta que a gente está fazendo é a saúde dos negócios contra a saúde das pessoas. Chegamos a esse ponto. Vamos ter que escolher entre vida ou emprego por uma falta de suporte para não precisarmos fazer essa escolha — afirma a epidemiologista Suzi Camey, professora da UFRGS e outra integrante do Comitê Científico.

Quando a pandemia atinge patamares perigosos, as atividades devem ser restritas para evitar uma piora ainda maior, argumenta Marcio Bittencourt, médico do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP.

— Argumentos como de que a culpa é do Carnaval são simplistas. Óbvio que um evento de aglomeração contribuiu, mas nunca é apenas um evento ou poucos, é sempre uma combinação. Independentemente da causa passada, nos encontramos em um momento de transmissão comunitária tão intensa que a única estratégia é termos uma contenção muito grande do contato interpessoal. Talvez alguns lugares respeitem os protocolos e não sejam a causa principal, mas, com uma transmissão comunitária muito intensa, eles podem participar da transmissão — diz o médico.

 

22/03/2021 – Gazeta do Sul

http://www.gaz.com.br/conteudos/regional/2021/03/22/177985-estudo_mostra_que_mascara_reduz_em_87_o_risco_de_contagio.html.php

Estudo mostra que máscara reduz em 87% o risco de contágio

Além disso, os pesquisadores concluíram que pessoas que aderem de forma moderada a intensa ao distanciamento social têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o vírus

Mais do que uma opção pela saúde, a máscara é um símbolo de empatia, uma forma de cuidado consigo e com os outros. E ela funciona mesmo. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) realizou um estudo, em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (Ufcspa), Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, que apontou a importância do item de prevenção. Os resultados sugerem que o uso reduz em 87% a chance de ser infectado pelo coronavírus.

Além disso, os pesquisadores concluíram que pessoas que aderem de forma moderada a intensa ao distanciamento social têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o vírus. O artigo ainda será revisado por outros acadêmicos.

Porém, em Santa Cruz do Sul, basta observar o movimento dos pedestres durante alguns minutos no Centro para flagrar pessoas sem máscaras ou utilizando-as de forma errada. Mas também existem muitos bons exemplos. É o caso da professora Márcia Frantz, de 53 anos. Ela carrega duas máscaras de reserva na bolsa, onde afixou um pequeno frasco de álcool gel, como se fosse um chaveiro. “Como tenho uma doença autoimune, me cuido ao máximo. Só saí para ir a uma consulta médica”, comentou.

Para ela, houve um relaxamento por parte da população, pelo longo período da pandemia e a falta de consideração com os outros. “Muitos são desatentos. Utilizam de forma errada. Tem que haver maior preocupação com as pessoas, principalmente as de mais idade, que poderão ter um quadro grave.”

Os mais jovens são associados às aglomerações e apresentam maior risco de contágio massivo. Contudo, há muitas pessoas conscientes nessa faixa etária. A esteticista Ellen Jordão Cunha, de 19 anos, utiliza máscara de neoprene e mantém as reservas na bolsa, assim como o tubo de álcool gel.

“Eu trabalho com público e me acostumei com as medidas de prevenção. Usar máscara incomoda, mas é essencial”, sublinhou. “O ideal é escolher um modelo que seja confortável. O que não pode é ficar sem.”

Não usar pode acabar em multa

De acordo com o secretário de Segurança, Transporte e Mobilidade Urbana de Santa Cruz, Everton Oltramari, a fiscalização é constante. No último fim de semana de lockdown, as forças de segurança realizaram 800 abordagens para orientação do uso da máscara. Oltramari explica que uma multa é aplicada em caso de reincidência. “Estamos coibindo as aglomerações e fazendo o trabalho de orientação para que as pessoas entendam a importância do uso correto da máscara”, salienta.

O decreto municipal 10.845, divulgado na sexta-feira da semana passada, prevê multa de R$ 678,18 para infração média, R$ 1.695,45 para grave e R$ 6.781,80 nos casos de infrações gravíssimas. Se a pessoa for advertida e pôr a máscara, não será multada. Se ela se recusar a colocar, receberá a multa, qualificada pelo agente fiscalizador.

O texto estabelece que a máscara precisa tapar o nariz e a boca, e deve ser utilizada na circulação em espaços públicos e privados acessíveis a pessoas, em vias públicas e no transporte coletivo.

 

22/03/2021 – Revista Cláudia

https://claudia.abril.com.br/saude/pandemia-metabolismo-sono-peso-cansaco/

Sono? Ganho de peso? Cansaço? A pandemia mexeu com seu metabolismo

O confinamento reduziu nosso gasto de energia e isso mexe com o metabolismo.

Entenda como funciona o processo e o que pode ser feito para controlá-lo

Faça o teste. Suba e desça uma escada com a qual estava acostumada. Percebe que o fôlego acaba? Quando você volta do supermercado carregando sacolas, sente o braço formigar devido ao peso? Se a resposta foi “sim” às duas perguntas, é sinal que os doze meses de confinamento cobraram seu preço.

Estudos recentes constataram que o sedentarismo forçado, causado pelas necessárias medidas de isolamento para conter a disseminação da Covid-19, estão mudando a nossa fisiologia. “Somos sujeitos do movimento. Não falo só de academia. Qualquer caminhada até o açougue, a farmácia, a escola, é atividade física”, diz o educador físico e fisioterapeuta Luís Henrique Telles da Rosa, professor do curso de fisioterapia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A perda de condicionamento físico e de força são os indicadores mais evidentes de um dos legados da pandemia no metabolismo. É provável que nosso gasto de energia diário tenha sofrido uma desaceleração com a rotina enclausurada, ou seja, o corpo está precisando de menos energia para desempenhar suas funções vitais, como andar, falar e respirar.

“Até agora, sabíamos que três fatores reduziam nosso metabolismo: uma vida desregrada, doenças da tireoide e a idade. Mas a pandemia mostrou que a redução da atividade física não programada e da mobilidade diária também podem afetar o metabolismo”, explica a nutricionista clínica Beatriz Van Sebroeck.

A especialista é a única latina do grupo de estudos intitulado “Research on Metabolomic and Nutrition” (pesquisa em metabolismo e nutrição, em tradução livre), da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, onde o assunto se tornou o centro das discussões.

“Constatamos nos pacientes acompanhados no consultório uma reclamação recorrente de dificuldade para perder peso. Alguns conseguiram se manter firmes na dieta e não reduziram os treinos de forma significativa, mas não emagreciam”, detalha Beatriz.

“Suspeitamos que seja devido à perda de massa magra”, diz ela, referindo-se ao que inclui músculos e ossos. O que estaria acontecendo, então, é uma troca da massa magra por gordura. Isso pode não influenciar no número da balança, mas mexe com o metabolismo.

Um estudo brasileiro publicado no início do ano na Revista Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte mostrou que o sedentarismo atingiu especialmente os adultos jovens. Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná e da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná analisaram dados de atividade física, sono e dieta de 135 pessoas entre 18 e mais de 60 anos quando o confinamento completou três meses.

A constatação foi uma queda acentuada do nível de atividade física entre o grupo entre 18 e 40 anos, tradicionalmente os mais ativos em condições prévias à pandemia. “Sabemos há algum tempo a relação entre massa muscular e a prática de atividade física. Quando o indivíduo para de se exercitar, ocorre a perda de músculos. É fisiológico: o que você deixa de usar, atrofia”, explica o educador físico Luís Paulo Gomes Mascarenhas, professor da Unicentro e um dos líderes do estudo.

Nosso corpo é tão dependente do movimento que bastam dois dias de inatividade para que a perda muscular seja notada, conforme constatou uma pesquisa conduzida por cientistas europeus sobre o impacto na saúde da pandemia, publicada no European Journal of Sport Science, em maio de 2020.

O freio no ritmo de atividade física habitual também afeta o metabolismo da glicose ao reduzir a sensibilidade da insulina, principalmente nos músculos – a substância é a responsável pelo controle do açúcar no sangue. Para se adequar ao nosso metabolismo pandêmico, com menos movimento, o corpo precisaria ingerir 15% a 25% menos calorias por dia, estima o estudo.

A redução do nível de atividade física foi tão intensa que nosso corpo perdeu fibras musculares. Segundo Mascarenhas, temos dois tipos de fibra, classificados como 1 e 2. As do tipo 1 são aquelas estimuladas em atividades leves e moderadas, como ir da sala à cozinha, até a escola do filho ou ao supermercado.

Já as do tipo 2 são as recrutadas em exercícios de força ou alta intensidade, como um jogo de vôlei ou quando você carrega o botijão de gás. “Nós precisamos de 30 minutos de atividade física de moderada a intensa por dia para estimular essas fibras e nos manter saudáveis, meta que se tornou impossível ou muito difícil para a maioria das pessoas”, diz o professor da Unicentro.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou recentemente uma nova recomendação que enfatiza a importância desse mix de atividades aeróbicas, como pedalar, correr, nadar, àquelas que exigem força, todo dia. De acordo com Mascarenha, quando deixamos de estimular as fibras musculares, o corpo faz uma troca dos tecidos corporais: perde músculo e ganha gordura.

Em muitos casos, o indivíduo nem sequer aumentou de peso, só ficou sedentário, o que já é suficiente para a inversão ocorrer. “Isso pode acelerar um processo de sarcopenia (perda óssea)”, alerta o fisioterapeuta Telles da Rosa. Os músculos não são apenas importantes para deixar o corpo definido, eles são fundamentais na proteção dos ossos.

Combo da Saúde

Alterações de sono e na dieta também impactam no bom funcionamento do nosso metabolismo. Em meio à enxurrada de notícias ruins (e outras falsas), o temor ocasionado pela pandemia e a incerteza em relação ao futuro, dormimos mal e pouco.

“O sono restaura todos os sistemas do corpo”, explica a neurologista Andrea Bacelar, presidente da Associação Brasileira do Sono (ABS). “Cada estágio do sono tem sua função específica para que, no final, quando a gente desperta, estejamos preparados fisicamente e mentalmente, com humor, apetite e energia para ser gasta em atividades físicas”, diz.

O sono ajuda no metabolismo ao regular duas substâncias cujo equilíbrio é fundamental para se ter uma dieta balanceada: de um lado, a grelina, encontrada no estômago, que induz o apetite; do outro, a leptina, presente no tecido adiposo, responsável pela sensação de saciedade.

Quando o sono fica prejudicado – estima-se que metade da população brasileira esteja com insônia neste momento –, essa balança delicada pode acabar pendendo mais para um lado. “Se eu começo a ter privação de sono, o metabolismo não se equilibra nos estágios do sono”, descreve.

Como consequência, podemos desenvolver a chamada resistência periférica à leptina. “Nesse caso, apesar de eu ter a leptina, ela não faz sua função de informar sobre a saciedade. E aí surge um desequilíbrio. Por isso existe o jargão de que dormir pouco engorda”, afirma.

É preciso levar em conta também que a comida é fonte de prazer. Entre tantas privações do atual momento, comer mais funciona como uma recompensa rápida. “As pessoas estão ansiosas, sem poder ir e vir, trancadas em casa, e acabam vendo no alimento a única fonte imediata de prazer.

Mas isso tem consequências que logo aparecem e podem agravar negativamente o momento atual”, observa a psicóloga Alessandra Wolf, do Centro de Obesidade e Síndromes Metabólicas do Hospital São Lucas, em Porto Alegre.

Todas essas preocupações cotidianas prejudicam o metabolismo não apenas por mexer com uma boa noite de sono: o estresse, por si só, já causa um estrago danado. Situações de tensão levam a uma maior produção do cortisol, o hormônio do estresse, que nos deixa em estado de alerta. Resquício evolutivo de quando os primeiros seres humanos ainda precisavam fugir dos predadores na natureza, esse instinto acaba tendo consequências graves no mundo moderno.

Como nossos temores nem sempre são tão concretos – ou passam rapidamente como seria o ataque de um tigre –, muitas vezes acabamos em uma situação de estresse permanente. “É como se estivéssemos trabalhando em alta voltagem, então consumo mais energia, durmo menos, a pressão aumenta”, destaca Andrea.

Embora confinados em casa, essa sensação de turbilhão mental parece ser a descrição exata do que estamos sentindo neste período. Essa aceleração toda aumenta o potencial de problemas em todo o organismo.

Nas últimas décadas, vários estudos vêm associando níveis elevados de cortisol a problemas metabólicos e ao ganho de peso, entre muitas outras doenças, como o aparecimento de cânceres ou condições para as quais a pessoa tem predisposição, como a miopia. “Metade da população está vivendo com uma rotação excessiva, um acúmulo de preocupações e funções. O sistema está falhando, e as pessoas estão adoecendo”, diz a presidente da ABS.

 Para as pessoas que foram contaminadas pela Covid-19, os danos ao metabolismo também não são poucos. A endocrinologista Maria Edna de Melo, diretora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), é uma das pesquisadoras envolvidas em um estudo que acompanha pacientes que contraíram o novo coronavírus com o objetivo de verificar se danos metabólicos permanecem após a pessoa ser considerada “recuperada”.

Aliás, esse conceito é questionado pela pesquisadora. “Esse termo é complicado porque até 25% dos infectados entubados morrem depois da alta”, pontua. E isso também diz respeito aos impactos que a Covid-19 pode ter sobre o metabolismo – porque, além dos reflexos da pandemia no nosso comportamento, o vírus em si talvez seja danoso ao equilíbrio que o corpo precisa para funcionar bem. As pesquisas, no entanto, ainda estão em andamento. “O que sabemos é que, mesmo ‘curadas’, muitas pessoas ficam com alterações na memória; outros com problemas como hipertensão, diabetes e outras alterações hormonais que ainda não estão bem definidas”, diz a médica.

Não é improvável que novos impactos venham a ser descobertos – outras infecções virais podem gerar respostas autoimunes do organismo, como o desenvolvimento de diabetes tipo 1. Após ser dado como “curados”, pacientes continuam relatando problemas de olfato e paladar. “Isso interfere diretamente na ingestão alimentar e no próprio metabolismo basal”, alerta Andrea. “É um compêndio de consequências que nós ainda vamos descobrir, muitas ainda nem sabemos ao certo após um ano de pandemia. São cenas do próximo capítulo”, conclui.

Frente à previsão de que o novo coronavírus não deve nos abandonar tão cedo, é preciso criar rotinas para se exercitar em casa ou nos parques, mantendo o distanciamento. Luis Paulo recomenda reservar 30 minutos por dia para se exercitar, alternando exercícios aeróbicos, de força e alongamento.

Segundo ele, existem diversas opções de aplicativos com sugestões de atividades para se movimentar na sala da sua casa. Para quem gosta de soluções caseiras, pode transformar garrafas-pet em halteres, enchendo-as de areia ou grãos.

O desafio é saber se os exercícios caseiros estão dando conta do recado. Para se certificar disso, o professor dá outra dica: usar a escala subjetiva de esforço. “Após cada exercício, procure dar uma nota ao grau de esforço realizado. Tente ficar entre 5 e 7”, ensina. “Na primeira semana, é provável que você dê nota 7. Na segunda, 5; na terceira, se a nota cair para 4, aumente o peso ou a intensidade.”

Quando estiver vendo um seriado, aproveite para fazer um alongamento nos braços e pernas. “Assim, você tensiona a fibra muscular e ajuda o músculo a não atrofiar. Bastam 10 minutos diários enquanto estiver desopilando a cabeça do trabalho”, recomenda. A boa notícia: embora a perda do tecido adiposo seja mais lenta, nossos músculos tendem a recuperar rápido o tempo perdido – ou melhor, parado.

 

20/03/2021 – Jornal do Comércio

https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/03/783485-comite-cientifico-mantem-recomendacao-de-suspender-cogestao-e-reforcar-isolamento-social.html

Comitê científico mantêm recomendação de suspender cogestão e reforçar isolamento social

Reunido no início da tarde desta quarta-feira (17), o comitê científico de apoio ao enfrentamento da pandemia no Rio Grande do Sul manteve a recomendação pela suspensão da cogestão enquanto perdurar a bandeira preta no Estado. O grupo, que no final de fevereiro já havia consolidado essa decisão, posteriormente anunciada pelo Executivo gaúcho, segue defendendo que o isolamento social é a medida mais eficaz diante do agravamento da crise sanitária. No entanto, ciente de seu papel meramente consultivo na tomada de decisões do governo, entende a posição da administração estadual pela volta da gestão compartilhada do distanciamento controlado, prevista para ocorrer a partir da segunda-feira (22).

"A gente sabe que a medida mais eficaz nesse momento é manter o isolamento social, e que não nao há como desconectar isso das ações. Mas as evidências apontam para a volta da cogestão", comenta um membro do comitê que prefere não se identificar.

Formado por pesquisadores de universidades e autoridades cientificas de diversas áreas do conhecimento, o grupo reconhece que a pressão de entidades e setores econômicos pesa no contexto de retomada da cogestão, mas ressalta a posição de supensão do modelo. "O comitê entende seu papel consultivo e de oferecer melhores evidências ao governo, e também entende que a decisão será fundamentada em uma série de outras variáveis", comenta a médica e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, que integra o colegiado.

Em reunião com empresários na noite de terça-feira (16), o governador Eduardo Leite confirmou que a cogestão seria retomada na próxima semana, mediante novas regras de horários para serviços e comércio. Nesta tarde, por meio de vídeo, ponderou ainda que a flexibilidade poderá ser adotada para "algumas atividades", e se confirmada redução de alguns indicadores da pandemia, como o contágio da Covid-19

Lucia reitera que, independente da decisão, o agravamento da pandemia no Estado e o esgotamento do sistema de saúde alertam para a necessidade de união de todos, setores, população e gestores, no reforço das medidas de proteção e enfrentamento ao coronavírus. "Se não houver um esforço coletivo muito grande, vamos viver o pior momento da nossa história, já estamos vivendo, mas ainda pode piorar, com falta não apenas de leitos e respiradores, mas de insumos e remédios", desabafa.

Para a reitora, enquanto parte da população seguir se descuidando e aglomerando, dificilmente os indicadores serão reduzidos dentro do limite necessário. "É preciso um grande chamamento da sociedade. Se as pessoas não mudarem e não se cuidarem, todo o esforço que vem sendo feito será em vão. A situação é realmente gravíssima", complementa.

Antes do anúncio oficial da volta da cogestão, previsto para sexta-feira (19), Leite levará o tema para análise do Gabinete de Crise, nesta quinta-feira (18), e dos prefeitos, por meio de reunião com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e associações regionais.

 

20/03/2021 –  Jornal Campos 24h – Rio de Janeiro

https://www.campos24horas.com.br/noticia/mesmo-antes-de-terminar-marco-ja-e-o-mes-mais-letal-da-pandemia-no-brasil

“Mesmo antes de terminar, março já é o mês mais letal da pandemia no Brasil

Dados são das secretarias estaduais de Saúde. Especialistas avaliam que país não adotou estratégias de controle da pandemia e que a situação ainda pode piorar. Seis estados já têm recordes de mortes este mês.

O Brasil registrou, do dia 1º até 19 de março, 35.507 mortes pela Covid-19, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. É o maior número de mortes registradas em um período mensal desde o início da pandemia, mesmo com 12 dias faltando para acabar o mês. (leia mais abaixo)

Antes, o maior número de mortes em um mês por Covid havia sido visto em julho de 2020, quando 32.912 pessoas perderam a vida para a doença. (leia mais abaixo)

Março também foi o quarto mês consecutivo em que as mortes de um mês superam as do mês anterior. Ao todo, o Brasil já registrou 290.525 mortes pela Covid-19.

 "Apesar de a gente chegar nesse recorde, eu acho que, infelizmente, ainda pode piorar muito", afirma a cardiopediatra Lucia Pellanda, professora de epidemiologia e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

"É muito triste falar isso, porque a gente [cientista] está há um ano fazendo tudo o que pode para evitar que isso acontecesse – falando, explicando, dizendo o que precisa. A gente sabe o que precisa fazer para evitar mais mortes", acrescenta Pellanda.

Nos primeiros 19 dias deste mês, o Brasil teve cinco recordes de mortes em 24h considerando os dados desde o início da pandemia. O primeiro foi no dia 2, com 1.726 vidas perdidas em apenas um dia. O número foi ultrapassado no dia seguinte, quando o país teve 1.840 mortes.

Depois, vieram os recordes de 9 e 10 de março, e, então, o do dia dia 16, quando 2.798 pessoas morreram.

As médias móveis diárias calculadas pelo consórcio de imprensa estão acima de mil mortes por dia há 58 dias.

Antes de ultrapassar o recorde nacional, março já era o mês com mais mortes por Covid-19 em cinco estados: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rondônia e Goiás. Neste último, o recorde foi ultrapassado na quinta (18), quando o estado registrou 1.636 mortes pela doença; o número mais alto anterior era de setembro, quando 1.546 pessoas morreram. Na sexta (19), já eram 1.714 mortes registradas.

A Bahia foi o sexto estado a ver um recorde de mortes em março: do dia 1º até sexta (19), 2.066 vidas haviam sido perdidas para a Covid. O número mais alto anterior era de agosto, quando 1.934 pessoas morreram.

O dado referente às mortes de fevereiro foi calculado subtraindo-se as mortes totais até fevereiro (255.018) do total de mortes até 19 de março (290.525). Os números dos meses anteriores foram determinados com a mesma metodologia, mas considerando o último dia de cada mês.

Colapso nacional

Nesta semana, a Fiocruz declarou que o Brasil passa pelo "maior colapso sanitário e hospitalar da história". A fundação divulgou um boletim em que afirma que a pandemia ainda deve piorar em 23 estados e no Distrito Federal.

Apesar de relatos de prefeitos, governadores, secretários e equipes de saúde e avaliações de especialistas de que o colapso está ocorrendo e é nacional, o agora ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello negou esse cenário.

Para a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o governo brasileiro falhou com seus cidadãos.

"O governo brasileiro falhou muito com seus cidadãos. Acho que essa é a frase [com] que eu resumiria o que está acontecendo. Uma mistura de incompetência com descaso, porque no país tem muitas pessoas tecnicamente competentes que certamente teriam prazer de estar ajudando nesse momento o governo", afirma.

"Mas o governo não quer ser ajudado", diz Maciel. "Pelo contrário, o governo está dificultando o controle quando os estados estão fazendo algumas medidas. Estamos no pior momento do Brasil, a maior crise sanitária de todos os tempos. Nós já colapsamos. É importante as pessoas entenderem isso: o sistema de saúde do país já está colapsado".

A professora afirma que esta é a novidade de agora em relação aos meses anteriores: o colapso simultâneo de todos os estados brasileiros.

"Não tem nem como um estado ajudar o outro. Está todo mundo colapsado. E o governo brasileiro parece não se importa. Acho que isso é que é mais triste: a gente saber que, realmente, estamos à deriva", diz.

Na semana passada, por exemplo, Santa Catarina teve que encerrar a transferência de pacientes para o Espírito Santo por causa de um "aumento na demanda" na Saúde capixaba. Na quinta-feira (18), o ES começou medidas mais rígidas em todo o estado para combater a pandemia.

"É muito descaso. A gente vem vendo o que está acontecendo, o que vai acontecer. A gente vai ver as pessoas morrendo sem assistência nenhuma, morrendo sufocadas. Isso é muito triste, muito triste. E saber que poderia ter sido diferente – isso que é angustiante", lamenta a professora da Ufes.

Na quinta-feira (18), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse que, se as medidas restritivas adotadas pelo estado não fossem cumpridas por todos os municípios, haveria risco de pessoas morrerem nas ruas. Pelo menos três cidades do sul mineiro seguiam sem cumprir as regras.

Em Goiás, a rede privada de saúde está pedindo leitos de UTI ao SUS. Um médico descreveu a situação do estado como "entre o colapso e o caos". Hospitais privados de São Paulo também já haviam pedido leitos ao sistema público.

"Temos óbitos em números de guerra e um sistema de saúde adaptado para situações de catástrofe", avalia Alexandre Zavascki, infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Ele avalia que há uma negação da situação por parte dos governantes e um "embotamento total" da sociedade. "Agora, cabe muito a cada um – embora não esteja declarado por ninguém, é cada que cuide de si", diz.

Lucia Pellanda, da UFCSPA, reforça que o momento precisa ser de união.

"A gente já viu que o vírus não vai embora sozinho, que ignorar o vírus não adianta", diz. "Não dá mais para evitar essa tragédia, porque já está instalado o colapso, mas a gente pode amenizar muito se todo mundo, agora, realmente, colocasse na cabeça que a gente precisa trabalhar junto", afirma a reitora.

País falhou em adotar medidas de combate

No início do mês, especialistas ouvidos pelo G1 listaram motivos pelos quais avaliavam ser necessário decretar um lockdown nacional por, pelo menos, duas semanas.

Na quarta (17), a medida voltou a ser defendida pelo infectologista Julio Croda (assista ao vídeo abaixo), pesquisador da Fiocruz e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O lockdown recomendado e pedido pelos especialistas foi feito em Araraquara (SP): a cidade foi fechada por 15 dias e viu queda no número de novos casos. Há dez dias não há pacientes na fila das UTIs, mas a situação ainda não se resolveu: nos primeiros 17 dias de março, mais pessoas morreram de Covid-19 do que no ano passado inteiro.

Na quarta-feira (17), um lockdown também foi decretado em Araçatuba (SP). No estado, prefeitos de 19 cidades pediram ao governador, João Doria (PSDB), um lockdown na Grande São Paulo por 7 dias.

Na capital paulista, o prefeito, Bruno Covas (PSDB), disse que a medida é "inviável" e antecipou feriados para tentar frear o contágio; a medida, que também foi adotada no ano passado, pouco contribuiu para aumentar o isolamento na capital.

A cidade de São Paulo registrou, na quinta (18), a primeira morte de uma pessoa à espera de um leito de UTI; no estado, são mais de 130 pessoas mortas por falta de leito, segundo um levantamento do G1, da TV Globo e da GloboNews.

O cardiologista Marcio Bittencourt, pesquisador do Hospital Universitário (HU) da USP, lembra, entretanto, que a discussão não se limita a fazer ou não um lockdown. Outras medidas de combate à pandemia, algumas delas básicas, também não foram implementadas no país – ou foram de forma insuficiente, diz o médico.

"Eu não vi, desde março do ano passado, nenhuma propaganda na TV, em mídia social, em imprensa de papel, de medidas de estímulo de testagem mais ampliada. Também não vi uma orientação clara de isolamento de casos – de orientar para a pessoa doente que ela não pode entrar em contato com ninguém, que ela tem que ficar completamente isolada – que é a medida mais importante, a mais básica de todas: quem está infectado não pode circular", reforça.

Ele lembra da quarentena de pessoas que tiveram contato com um caso de Covid-19, que também foi pouco reforçada.

"Toda pessoa que entrou em contato com casos nos últimos 10 a 14 dias não deveria circular, porque pode ser um caso assintomático e pode estar transmitindo. A nossa estratégia de contenção de quarentena de contato é zero", avalia Bittencourt. Alexandre Zavascki, da UFRGS, concorda.

"É lamentável que a gente não tenha se preparado. Estamos vivendo um ano de pandemia e não fomos aprendendo, incorporando nada. As ações se limitam a ficar abrindo e fechando comércio e outras atividades. Não temos nada de educação para a população, suporte para as pessoas poderem ficar em casa ao menos enquanto estão doentes", pontua. A distribuição de máscaras é outra lacuna.

"A nossa distribuição de máscara de alta eficácia é baixa, apesar de ter estoque atualmente – a gente investe pouco no uso e no uso adequado de máscara. A gente não distribui, não oferece, não explica a diferença entre as máscaras para ter máscara mais eficaz como PFF2, como N95, e mesmo máscara cirúrgica na comunidade", afirma Bittencourt.

"As pessoas que querem usar não sabem como, não fazem direito e não têm a melhor máscara. E grande parte não quer usar porque a gente não fez uma propaganda – até mesmo uma estratégia de campanha de moda usando máscara, a implementação de máscara de forma irrestrita em meios de comunicação, para convencer as pessoas usarem", afirma Bittencourt.

"Todas essas medidas nem são de distanciamento físico. A implementação delas foi perto de zero. Se você me perguntar o que a gente está acertando, primeiro eu vou perguntar o que é que a gente está fazendo. A gente está fazendo quase nada", resume o pesquisador.

Para Bittencourt, a única medida certa que o Brasil adotou foi abrir leitos – mas, mesmo assim, isso foi feito com atraso e de forma reativa.

Ele avalia que o país poderia ter acertado no combate à pandemia e adotado várias dessas estratégias. Não fazer isso foi uma decisão política, segundo o médico.

"O SUS é o maior sistema de saúde do mundo. Nenhum país maior do que a gente tem uma coisa desse tamanho. A gente tem capilaridade, agentes comunitários de saúde – são pessoas da região, que conhecem a região. Podia fazer busca ativa de caso no começo, dava para ter feito quarentena de contato", afirma.

"É uma decisão política. Do ponto de vista técnico, não existe nenhum racional nas escolhas feitas pelo governo federal", diz Bittencourt. "Do ponto de vista epidemiológico, científico, médico ou de saúde pública, não existe nenhum racional para não se implementar o uso de máscara, algum grau de distanciamento físico, testagem ampla, isolamento de caso, quarentena de contato. Não existe", afirma.

Ação individual não é suficiente, mas ajuda

Marcio Bittencourt ressalta que um problema de saúde pública como a pandemia não pode ser resolvido por ações individuais.

"Nenhuma estratégia de saúde pública deu certo com responsabilização individual até hoje. O problema é comunitário, a forma de contenção é comunitária, na comunidade, pela comunidade", afirma.

Ele compara o uso das máscaras ao da camisinha – para que a população aderisse à iniciativa, foram e ainda são necessárias campanhas todos os anos, por exemplo.

"Para ter um controle efetivo, tem que fazer propaganda de que o preservativo funciona, que ele é confortável, fácil de usar, que é seguro, oferecer e não restringir o acesso. Um preservativo, para todos os fins e efeitos práticos, do ponto de vista de transmissão de doença, tem o mesmo conceito que a máscara", afirma.

Por outro lado, lembra Lucia Pellanda, da UFCSPA, as pessoas que cumprem as medidas de combate à pandemia contribuem, sim, para a situação não piorar.

"Todas as pessoas que se cuidam, que usam máscara, que mantêm o distanciamento estão salvando vidas. A tragédia poderia até ser maior se não tivesse uma parcela da população se cuidando. Eu acho sempre legal dar a mensagem que tem uma parcela da população que está sendo muito importante também. Acho que muita gente está se sentindo bobo de estar se cuidando porque parece que não tem resultado, mas tem. Podia ainda ser muito pior", diz.

Metodologia

O consórcio de veículos de imprensa começou o levantamento conjunto no início de junho. Por isso, os dados mensais de fevereiro a maio são de levantamentos exclusivos do G1. A fonte de ambos os monitoramentos, entretanto, é a mesma: as secretarias estaduais de Saúde.

Outra observação sobre os dados é que, no dia 28 de julho, o Ministério da Saúde mudou a metodologia de identificação dos casos de Covid e passou a permitir que diagnósticos por imagem (tomografia) fossem notificados. Também ampliou as definições de casos clínicos (aqueles identificados apenas na consulta médica) e incluiu mais possibilidades de testes de Covid.

Desde a alteração, mais de mil casos de Covid-19 foram notificados pelas secretarias estaduais de Saúde ao governo federal sob os novos critérios."

Fonte: G1

 

20/03/2021 – El País

https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-20/governo-gaucho-vai-reabrir-comercio-mesmo-com-hospitais-superlotados-e-fila-por-leito-de-uti.html

Governo gaúcho vai reabrir comércio mesmo com hospitais superlotados e fila por leito de UTI

Governador Eduardo Leite autoriza flexibilização do isolamento social diante da queda do ritmo de infecções, mas desaceleração não se reflete nos hospitais. Há pacientes atendidos nos corredores, enquanto fila por cama de UTI quadruplica e faltam insumos para socorrer pacientes com covid-19

As cidades do Rio Grande do Sul podem adotar regras mais brandas de contenção da pandemia do novo coronavírus a partir de segunda-feira, 22. Depois de três semanas sob restrição, o comércio está autorizado a reabrir as portas de segunda a sexta. Esse clima de volta gradual à normalidade, entretanto, não condiz em nada com o cenário de colapso vivenciado dentro dos hospitais, pronto atendimentos e até de unidades básicas de saúde no Estado ―o sexto mais populoso do Brasil, com 11,4 milhões de habitantes―, onde a demanda de pacientes com covid-19 levou ao fechamento de serviços de emergência e as taxas de superlotação já ultrapassaram 600% em alguns casos. “Isso é trágico, estamos no pior momento da pandemia, mas pode piorar muito. Ou tomamos atitudes drásticas e rápidas, ou teremos que lidar com uma tragédia muito maior”, alerta a epidemiologista Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, capital do Estado.

O governador Eduardo Leite (PSDB) justifica a decisão de autorizar a reabertura do comércio ―para os prefeitos que assim desejarem, já que flexibilizar não será uma imposição― com o número de infecções, que diminui gradualmente. Segundo o Governo, em fevereiro, a taxa de transmissão do vírus era de 2,35 (a média de quantas pessoas um paciente com covid-19 pode infectar). Agora estaria em 1,4. O número de novos casos registrados no painel público covid-19 também tem tendência de queda. Mas profissionais da saúde do Rio Grande do Sul afirmam que a desaceleração não é sentida ainda dentro dos hospitais. O RS é o quarto Estado em número de infecções no país, com 771.000 casos e 16.117 mortes por covid-19 confirmadas até a quinta-feira.

Nas ruas da capital gaúcha, carreatas e atos públicos se intensificaram nesta última semana. O Palácio Piratini, sede do Governo estadual em Porto Alegre, tem vivido sob pressão constante de militantes vestidos de verde e amarelo que exigem a retomada das atividades. Um pedido de impeachment foi protocolado na Assembleia Legislativa contra o governador, que é um dos pré-candidatos do PSDB à presidência da República. Assim também cedeu o governador do Amazonas, Wilson Lima, quando teve protestos em dezembro para reabrir o comércio. Semanas depois, Manaus entrava em colapso absoluto.

“Não consigo observar essa redução no total de casos. Na prática, estamos superlotados. Tem doentes internados em consultórios, nas salas de medicação, nos corredores. É temerário reabrir o comércio com esse quadro”, desabafa o coordenador médico da UPA Bom Jesus, em Porto Alegre, Alexandre Bublitz. A unidade em que ele atende chegou a exceder sua capacidade máxima em 628% nesta semana. Na última quinta-feira, 18, a lotação era de 528%. A sobrecarga se dá pela falta de leitos de UTI em hospitais, um gargalo que mantém pacientes aguardando de forma improvisada a liberação de uma vaga para atendimento crítico. Naquele dia eram 305 pessoas nesta situação no Estado, um número quatro vezes maior do que o registrado em 5 de março, quando pela primeira vez o Rio Grande do Sul viu a demanda superar a capacidade instalada de 3.195 leitos de UTI. Desde então, o sistema opera permanentemente com 100% de lotação, tanto na rede pública como na rede privada. Por isso, pacientes que deveriam permanecer no máximo 24 horas na UPA Bom Jesus agora precisam esperar três dias para serem transferidos a um hospital. Alguns aguardam em cadeiras, diante da falta de macas. Muitos morrem durante a espera.

Nas três maiores emergências do Estado, mesmo com todas as adaptações possíveis, a sobrecarga chegou ao limite e foi preciso fechar as portas. A Santa Casa de Porto Alegre, o Hospital de Clínicas e Nossa Senhora da Conceição deixaram de receber pacientes que procuravam espontaneamente atendimento de urgência e agora só podem ser acionadas através do sistema de regulação de leitos do Estado, ou pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). “Hoje temos na emergência quase o mesmo número de pacientes intubados do que a UTI. Só que não somos intensivistas”, alerta Laura Maria Brenner Ceia Ramos Mariano da Rocha, médica emergencista do Conceição ―o maior hospital 100% SUS do Rio Grande do Sul.

A médica comemora “a vitória maravilhosa” de extubarem pessoas que passam todo o período mais grave da doença na emergência porque não conseguem vaga na UTI. Por outro lado, profissionais da saúde relatam mortes de gente saudável e com plenas condições de recuperação porque não foi possível conseguir um respirador que aguentasse o tempo necessário até a reação do organismo. “A doença tem um tempo limitado, o problema são as intercorrências graves que não se consegue driblar”, sintetiza Rocha.

Nem a rede básica de atenção escapa do pesadelo. Na noite de quarta-feira, 17 de março, pelo menos três postos de saúde de Porto Alegre precisaram ficar abertos até quase a madrugada esperando a remoção de pacientes com covid-19, quando o normal é que fechem às 17h, ou, em horário expandido, às 22h. Mas as ambulâncias não chegavam porque não tinham para onde levar os doentes.

“Aqui na nossa cidade, a realidade é que as UBS [Unidade Básica de Saúde] viraram pronto atendimentos, e as UPAs [Unidade de Pronto Atendimento] e emergências viraram UTIs. Nós queremos muito que tenha essa diminuição de que o governador fala, mas ela ainda não chegou para gente”, lamenta o diretor-presidente do Grupo Hospitalar Conceição, Cláudio Oliveira, que inclui três hospitais públicos e mais a UPA Moacyr Scliar em Porto Alegre, cuja lotação atingiu novo ápice na noite de quinta, com 400% de ocupação.

Faltam remédios nas UTIs

No final da manhã desta sexta-feira, a Secretaria Estadual da Saúde confirmou a morte de seis pacientes na cidade de Campo Bom, na região metropolitana de Porto Alegre, ocasionadas por falhas na distribuição de oxigênio. A pasta ainda apura o que ocorreu, mas informou que havia estoque suficiente do insumo ―e que, portanto, o problema não foi a falta de oxigênio. “A secretaria oficiou todas as unidades hospitalares para que fosse mantido um estoque mínimo de oxigênio, suficiente para uma semana”, justificou a pasta, em nota.

A razão pela qual foi preciso adaptar emergências e UPAs para receber os doentes com quadros graves de covid-19 é que nas UTIs essa sobrecarga é impensável. “A minha demanda é controlada pelo número de leitos à disposição. Não vai ter paciente no chão da UTI, mas mesmo aqui os dias parecem cada vez mais difíceis”, relata a médica residente do CTI do Clínicas Laura Bonetti Kirsch, que percebe um aumento na gravidade dos doentes que aportam no seu setor.

“Essa é uma doença em que os pacientes já chegam com demanda de UTI, por isso ela é tão séria. E a mortalidade em UTI é muito alta, entre 66% e 75%. Abrir mais leitos é na verdade enxugar gelo. Então, recomendamos lockdown”, confirma Ricardo Heinzelmann, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, que atua no hospital escola da Universidade Federal de Santa Maria. A diretoria gaúcha da entidade emitiu um comunicado recomendando restrições ainda mais duras do que as atuais. “Essa difícil escolha que os profissionais têm se visto obrigados a tomar, costuma ser necessária em contextos de catástrofes ou guerras, mas já é cotidiana e vem mostrando agravar-se dia a dia”, dizem os médicos de família.

Agora, uma preocupação extra começa a surgir no horizonte desses profissionais: está começando a faltar equipamentos e insumos para atender inclusive aos casos críticos. Respiradores se tornaram item disputado. Na UTI do Clínicas, as equipes improvisam oxigenação para pacientes que estão melhorando com carrinhos de anestesia. “Alguns insumos estão com ameaça de terminar estoques; não é que não consigam comprar, o mercado não oferece mais. São sedativos, anticoagulantes, remédios para bloquear musculatura. Com isso estamos usando substitutos, mas que não temos prática em aplicar, ou mesmo medicações muito mais caras, onerando o hospital”, revela Kirsch.

Em Pelotas, na região sul do Estado, o comitê científico da Universidade Federal da cidade (UFPel) emitiu nota cobrando um fechamento rigoroso durante 14 dias depois que a capacidade máxima, de 60 pacientes em UTI, foi extrapolada. “Mesmo com a bandeira preta atual, com medidas restritivas, chegamos a 17 pessoas esperando vaga de atendimento crítico. Já colapsamos”, atesta a infectologista Danise Senna Oliveira, que é professora na instituição e atende no hospital escola da cidade. Em Santa Maria, os temidos 100% de ocupação foram alcançados pela primeira vez na quarta-feira. Uma audiência pública na Assembleia Legislativa serviu para que dirigentes das Santas Casas do Rio Grande do Sul fizessem apelo urgente por mais recursos na última quarta. O motivo era a escassez de itens básicos para o tratamento da covid-19, incluindo oxigênio. Mesmo assim, a pressão pela reabertura do comércio aumentou conforme o Governo gaúcho prorrogou as restrições.

 

19/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/internacoes-em-patamar-alto-preocupam-comite-cientifico-do-governo-do-estado-ckmgu93nz004l0198y0ctkoa2.html

Internações em patamar alto preocupam comitê científico do governo do Estado

Para frear a transmissão do coronavírus, seria necessária, ao longo das últimas três semanas, uma redução de circulação da população de 60% a 70%, mas a média atingida foi de 35%

 Às vésperas de o governo do Estado flexibilizar medidas restritivas, integrantes do comitê científico do governo do Estado demonstraram preocupação, nesta sexta-feira (19), com os números ainda elevados de pacientes internados por covid-19. Após quase três semanas de bandeira preta, mas sem a adesão necessária da população, a curva de internações ainda não caiu o suficiente para desafogar os hospitais, como desejavam os especialistas.

— Após duas semanas de medidas restritivas, a gente deveria começar a se sentir o impacto nas internações, conforme a adesão da população, com queda consistente nas internações. Só que, quando a gente olha para os dados, está há muito tempo estável. Nos preocupa — diz a estatística em epidemiologia Suzi Camey, professora da Universidade Federal do RS (UFRGS) e uma das principais vozes consideradas sobre projeções dentro do comitê.

Suzi lembra que, para frear a transmissão do vírus, seria necessária, ao longo das últimas três semanas, uma redução de circulação da população de 60% a 70%. Contudo, a média atingida foi de 35%.

O risco de retomada de atividades, neste cenário, é de que as transmissões voltem a subir e o Estado siga pelas próximas semanas com índices recordes de internações e mortes pela doença. A estatística diz que, dependendo do que for feito nas próximas semanas, o Estado poderá contabilizar 50 mil mortos pela doença até a metade do ano. Hoje, são 16,5 mil.

— A gente precisaria de medidas muito fortes, reduzir a mobilidade perto de 100%. A qualquer momento vamos ter que fazer isso. O que a gente está fazendo é adiar. Vai chegar uma hora em que o próprio comerciante estará infectado e fechará o comércio. A covid-19 não vai desaparecer sozinha. A gente ainda tem muita gente que não foi infectada e está sem vacina. O incêndio está só começando. Se a gente não tomar uma medida, o incêndio vai seguir. Dependendo da velocidade de transmissão, a gente pode chegar a 50 mil pessoas mortas no Estado até o final de junho — avalia Suzi.

O Rio Grande do Sul completou, nesta sexta (19), o 18º dia seguido com ocupação geral de UTIs acima de 100%. Na quinta-feira (18), o Estado voltou a bater recorde de pacientes com covid-19 em UTIs. No que diz respeito aos leitos clínicos, desde o final de semana passado há desaceleração nas novas internações, com pequenas variações diárias.

— A gente precisaria de duas semanas de queda nas internações para aliviar um pouco a situação. A redução de mobilidade foi fraca, o que ameniza a escalada vertiginosa, mas não resolve — aponta Lucia Pellanda, epidemiologista que também integra o comitê.

A médica e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) acrescenta que é preciso que os governos forneçam auxílio financeiro para ajudar as pessoas a cumprirem as medidas restritivas. A simples retomada das atividades econômicas, diz Lúcia, vai piorar o cenário.

— Entendo que as pessoas precisam trabalhar, e por isso é importante viabilizar alguma forma de auxílio. Senão as medidas não têm como ser cumpridas. Mas abrir (as atividades econômicas) necessariamente vai piorar o quadro — afirma a epidemiologista.

O infectologista Alexandre Zavascki, também integrante do comitê científico, lembrou que mesmo uma pequena melhora nos indicadores de internação não altera o cenário grave atualmente vivido no Estado.

"O que significa redução de hospitalizações em um sistema colapsado: você está completamente submerso no fundo de um poço de 10 metros. Se esvaziar um pouco e diminuir um metro, você fica submerso em nove metros e morre. Se esvaziar muito e você ficar submerso em somente um centímetro de água, você morre. Ou se trabalha para reduzir o nível de água abaixo do nariz ou você morre. Ou se desafoga o sistema ou o colapso seguirá fazendo vítimas", avaliou Zavascki, em postagem em uma rede social.

O comitê científico é um órgão consultivo, conta com a participação de cerca de 50 especialistas e auxilia o governo do Estado na tomada de decisões durante a pandemia.

 

19/03/2021 – SBT RS

https://www.sbt.com.br/riograndedosul/jornalismo/sbt-rio-grande#videos

Máscaras de tecido ainda funcionam?

Entrevista com a professora Melissa Medeiros Markoski

 

19/03/2021 – GZH Impresso

Lockdown de 14 dias salvaria quase mil vidas

Um lockdown de duas semanas em Porto Alegre evitaria quase 47 mil infecções por coronavírus e salvaria 938 vidas, segundo estudo de Álvaro Krüger Ramos, pesquisador e professor de Matemática Pura e Aplicada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Até o fim da tarde de ontem, a Capital acumulava cerca de 122 mil casos confirmados e quase 3 mil mortes. Um lockdown de 14 dias, portanto, pouparia a vida de quase um terço do total de mortos na cidade desde o início da pandemia.

O cálculo projeta ainda que um lockdown de três semanas teria impacto maior: salvaria 1.383 pessoas e evitaria 69.128 casos.

Os números são conservadores e partem do pressuposto de que 2% das pessoas com coronavírus morrem. No entanto, médicos afirmam que, com a sobrecarga hospitalar e a grande fila de espera por um leito, cresce o risco de morte para um indivíduo doente.

A análise de Ramos pressupõe que ao menos 60% da população de Porto Alegre fique em casa. Hoje, em bandeira preta, o isolamento no RS está abaixo dos 40%, segundo dados da consultoria Inloco – as estatísticas apontam quebra de isolamento após 450 metros de distância da residência.

Ramos é um dos autores do estudo sobre a predominância dos casos de coronavírus pela cepa P1, analisada originalmente em Manaus, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Em agosto, ele também produziu outro estudo, segundo o qual Porto Alegre chegaria a 37 mil infecções em outubro, caso flexibilizasse as atividades de comércio – o que de fato aconteceu logo no início do mês.

O matemático ainda calculou o que seria mais eficiente: dois lockdowns de 14 dias ou uma paralisação de 21 dias. O modelo mostrou que é melhor uma ação mais duradoura.

– Quanto mais diminuirmos o número de casos ativos, mais voltamos atrás no tempo. Aí, quando as pessoas voltam às atividades, há menos chance de pegar o vírus – afirma Ramos.

A análise surge no momento em que a Capital vive o colapso das unidades de terapia intensiva (UTIS), cuja lotação é de cerca de 115%. Com a falta de vagas, Porto Alegre tinha, na manhã de ontem, 340 pessoas em estado muito grave de saúde na fila de espera por um leito intensivo. Com 15 dias passados, março já é o mês com mais mortes por coronavírus no Estado.

 Economia

Em meio ao grave cenário, cada vez mais profissionais da saúde e dirigentes hospitalares rogam por lockdown para frear o crescimento exponencial da pandemia. De outro lado, comerciantes e empresários solicitam a retomada das atividades, com protocolos, para evitar o desemprego. A cogestão no sistema de distanciamento controlado do Estado voltará na segunda.

A efetividade de um lockdown durante o crescimento exponencial da pandemia é pouco criticada por cientistas: como o vírus se transmite no contato entre pessoas, reduzir a circulação de todos corta a correia de contaminação. Em Araraquara (SP), um lockdown de 10 dias reduziu em 50% a transmissão da covid-19. A polêmica reside no ônus econômico da medida.

O estudo de Ramos não foi publicado em revista científica nem revisto por pares. Zero Hora submeteu a análise a especialistas que não participaram da pesquisa.

A análise tem o mérito de dimensionar os impactos de um maior isolamento social usando bons indicadores de projeção matemática, avalia a estatística Suzi Camey, professora de Epidemiologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). – Não há dúvida de que o lockdown reduz casos. Se fecho o comércio, impeço parte desses contatos, então reduz a transmissibilidade – afirma.

Suzi é também integrante do Comitê Científico que se reúne com integrantes do Palácio Piratini para aconselhar o governo do Estado na condução da pandemia. Ela faz a ressalva de que o poder público precisa oferecer ajuda à população se quiser mantê-la em casa.

– Mandar as pessoas ficarem em casa e não oferecer nada em troca é como dizer para ela morrer de fome em vez de morrer na fila de hospital por covid. Entra na discussão o governo federal, que é quem tem caixa para oferecer essa moeda de troca. Governos e municípios pressionam pela vacina, mas também deveriam estar pedindo o suporte social para as pessoas aderirem ao distanciamento – observa.

A médica Lucia Pellanda, professora de Epidemiologia e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), destaca que lockdown envolve não só fechar comércios, mas também impedir a circulação de pessoas na rua.

– Tudo poderia ter sido evitado se todos tivessem aderido aos cuidados gerais de máscara, distanciamento e higiene antes. Mas, agora, em fase de colapso, caos e aumento absurdo da mortalidade, precisamos cada vez mais de um remédio mais agressivo – diz a epidemiologista.

 

18/03/2021 – G1 RS

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/03/18/bolsonaro-nomeia-lucia-pellanda-para-novo-mandato-como-reitora-da-ufcspa.ghtml

"Bolsonaro nomeia Lucia Pellanda para novo mandato como reitora da UFCSPA

Confirmação saiu na edição desta quinta-feira (18) do Diário Oficial da União. Reitora foi a mais votada em consulta à comunidade acadêmica. Ela seguirá à frente da instituição até 2025.

A reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, seguirá à frente da instituição até 2025, cumprindo mais um mandato de quatro anos. A confirmação saiu na edição do Diário Oficial da União desta quinta-feira (18), em documento assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Pellanda, que é professora e médica, assumiu como reitora da instituição em 2017.

A posse do novo mandato ocorre no dia 30 de março, com transmissão pela internet. O evento também irá confirmar a professora Jenifer Saffi como vice-reitora, outros seis docentes como pró-reitores e um chefe de gabinete.

Lista tríplice

Pellanda encabeçou a listra tríplice enviada pelo Conselho Universitário ao governo federal após vencer a consulta feita na comunidade acadêmica. Ela enfrentou uma chapa concorrente.

A escolha de Bolsonaro pela primeira colocada destoa de decisões tomadas recentemente. Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o presidente escolheu professores menos votados pelos membros das instituições, o que é permitido pela Constituição.

Perfil

Lucia Campos Pellanda é formada em Medicina pela UFRGS desde 1991. Especialista em pediatria e cardiologia, a professora também atua na área de epidemiologia e se tornou uma das referências nos estudos sobre a pandemia de Covid-19 no estado.

A UFCSPA foi fundada em 1961, como Faculdade Católica de Medicina de Porto Alegre. A instituição foi federalizada em 1980, ainda focada em medicina.

 A partir de 2004, houve uma ampliação da oferta de cursos, culminando com a transformação da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre em universidade federal no ano de 2008.

Hoje, a UFCSPA oferece 16 cursos de graduação na área da saúde. A instituição tem mais de 4,5 mil alunos matriculados entre graduação e pós-graduação, com a atuação de 376 professores e 216 técnicos."

 

18/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2021/03/lucia-pellanda-e-confirmada-por-bolsonaro-na-reitoria-da-ufcspa-por-mais-quatro-anos-ckmemeib800000198tgprt8bp.html

"Lucia Pellanda é confirmada por Bolsonaro na reitoria da UFCSPA por mais quatro anos

Professora é atual reitora da instituição e seguirá no comando até 2025

O presidente Jair Bolsonaro apontou a professora Lucia Campos Pellanda como reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União da madrugada desta quinta-feira (18).

Atual reitora da instituição, Lucia é médica formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ela assume a gestão por mais quatro anos, até 2025, a partir da próxima sexta-feira (19).

Bolsonaro respeitou a escolha do Conselho Universitário (Consun), que indicava Lucia em primeiro lugar na lista tríplice de indicados, ao lado da vice Jenifer Saffi. Ele tinha até o dia 22 para fazer essa indicação."

 

17/03/2021 – Jornal do Comércio

https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/03/783485-comite-cientifico-mantem-recomendacao-de-suspender-cogestao-e-reforcar-isolamento-social.html

"Comitê científico mantêm recomendação de suspender cogestão e reforçar isolamento social

Reunido no início da tarde desta quarta-feira (17), o comitê científico de apoio ao enfrentamento da pandemia no Rio Grande do Sul manteve a recomendação pela suspensão da cogestão enquanto perdurar a bandeira preta no Estado. O grupo, que no final de fevereiro já havia consolidado essa decisão, posteriormente anunciada pelo Executivo gaúcho, segue defendendo que o isolamento social é a medida mais eficaz diante do agravamento da crise sanitária. No entanto, ciente de seu papel meramente consultivo na tomada de decisões do governo, entende a posição da administração estadual pela volta da gestão compartilhada do distanciamento controlado, prevista para ocorrer a partir da segunda-feira (22).

"A gente sabe que a medida mais eficaz nesse momento é manter o isolamento social, e que não nao há como desconectar isso das ações. Mas as evidências apontam para a volta da cogestão", comenta um membro do comitê que prefere não se identificar.

Formado por pesquisadores de universidades e autoridades cientificas de diversas áreas do conhecimento, o grupo reconhece que a pressão de entidades e setores econômicos pesa no contexto de retomada da cogestão, mas ressalta a posição de supensão do modelo. "O comitê entende seu papel consultivo e de oferecer melhores evidências ao governo, e também entende que a decisão será fundamentada em uma série de outras variáveis", comenta a médica e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia Pellanda, que integra o colegiado.

Em reunião com empresários na noite de terça-feira (16), o governador Eduardo Leite confirmou que a cogestão seria retomada na próxima semana, mediante novas regras de horários para serviços e comércio. Nesta tarde, por meio de vídeo, ponderou ainda que a flexibilidade poderá ser adotada para "algumas atividades", e se confirmada redução de alguns indicadores da pandemia, como o contágio da Covid-19.

Lucia reitera que, independente da decisão, o agravamento da pandemia no Estado e o esgotamento do sistema de saúde alertam para a necessidade de união de todos, setores, população e gestores, no reforço das medidas de proteção e enfrentamento ao coronavírus. "Se não houver um esforço coletivo muito grande, vamos viver o pior momento da nossa história, já estamos vivendo, mas ainda pode piorar, com falta não apenas de leitos e respiradores, mas de insumos e remédios", desabafa.

Para a reitora, enquanto parte da população seguir se descuidando e aglomerando, dificilmente os indicadores serão reduzidos dentro do limite necessário. "É preciso um grande chamamento da sociedade. Se as pessoas não mudarem e não se cuidarem, todo o esforço que vem sendo feito será em vão. A situação é realmente gravíssima", complementa.

Antes do anúncio oficial da volta da cogestão, previsto para sexta-feira (19), Leite levará o tema para análise do Gabinete de Crise, nesta quinta-feira (18), e dos prefeitos, por meio de reunião com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e associações regionais."

 

16/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/geral/noticia/2021/03/nem-com-avioes-nem-alcool-pulverizado-no-ar-por-que-a-ideia-do-vereador-de-canela-nao-combate-o-coronavirus-ckmclpf4d00960198zbxxpr04.html

Nem com aviões, nem álcool pulverizado no ar: por que a ideia do vereador de Canela não combate o coronavírus

Vídeo em que o presidente do Legislativo sugere medidas contra a covid-19 viralizou

A ideia de pulverizar produtos contra o coronavírus em áreas urbanas utilizando aviões, que repercutiu nesta terça-feira (16), não é exclusividade do vereador de Canela. O uso das aeronaves agrícolas já foi cogitado por prefeituras Brasil afora, o que motivou um posicionamento contrário do sindicato que representa as empresas da categoria, enquanto não houver aval científico da medida. No entanto, é na substância sugerida pelo vereador que recai o maior descompasso: embora eficiente para limpeza das mãos, o álcool gel não é recomendado nem seguro para ser pulverizado em ambientes.

Ainda em abril do ano passado, o Sindicato das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) emitiu nota afirmando não ser possível fazer a aplicação aérea de produtos contra o coronavírus “sem uma pesquisa detalhada, acompanhada de equipe multidisciplinar e chancelada pelos Ministérios da Saúde e Meio Ambiente”. A divulgação foi motivada por consultas que chegavam às empresas, principalmente por prefeituras que começavam a empregar caminhões pipa e pulverizadores costais para limpar espaços públicos, utilizando desinfetantes à base de cloro. A ideia era de que o uso de aviões pudesse cobrir de forma mais rápida e segura (pelo distanciamento dos operadores) áreas ainda mais amplas.

Segundo o diretor executivo da entidade, Gabriel Colle, desde então não houve nenhum avanço em termos de pesquisa e comprovação da tese. Ele destaca que seria necessário respeitar a elaboração de métodos e validação dos resultados antes de projetar qualquer uso.

— Não há nenhuma medição da eficiência de aplicação. O que nos falta hoje é pesquisa. Talvez, o que a gente possa motivar com isso é que o Ministério da Saúde, ou uma secretaria da Saúde, uma universidade, compre a ideia e faça uma pesquisa. Aí no estudo precisa aparecer a altura ideal da aplicação, a quantidade, e, principalmente, qual é o tipo de produto. É uma possibilidade, mas a ideia do álcool em gel provavelmente foi infeliz — explica Colle, que recebeu o vídeo do vereador de Canela de um amigo norte-americano, dando uma dimensão do tamanho da viralização. A fala também foi parar no jornal britânico The Guardian.

Interessado na possibilidade, o sindicato procurou referências em outros países e encontrou notícias vindas do Chile. Por lá, a prefeitura de Santa Cruz contratou uma empresa para pulverizar um desinfetante orgânico fabricado em Luxemburgo, ainda em abril do ano passado.

— Teve a aplicação, mas a gente não teve nenhuma informação sobre a eficiência. Não houve retorno, inclusive da empresa que fez o trabalho — esclarece o diretor do Sindag.

Uso de drones e avião contra outras doenças

As aeronaves agrícolas são empregadas no combate a doenças provocadas por mosquitos, como dengue, chikungunya e zika, em países como Estados Unidos, Cuba, Austrália, Espanha e Argentina. A prática é prevista no Brasil em lei de 2016 mas, segundo Colle, depende da publicação de estudos no Brasil para entrar em vigor.

Em relação ao uso de drones para desinfecção de ruas, há testes envolvendo empresas que também são filiadas ao sindicato, inclusive no Rio Grande do Sul. Os equipamentos são utilizados para desinfetar locais pontuais, evitando a exposição de pessoas que teriam que fazer esse trabalho — ideia diferente da pulverização em grandes áreas proposta pelo vereador.

— Se houvesse um produto que comprovadamente funcionasse, em uma cidade como Canela, por exemplo, um avião aplicaria em toda a extensão em questão de duas horas, no máximo. Mas teria que ser um produto eficiente e seguro — ressalta.

OMS não recomenda pulverizações

A bióloga e imunologista Melissa Markoski, professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro da Rede Análise Covid-19, lembra que as gotículas liberadas no ambientes por pessoas contaminadas pelo coronavírus, ao tossir, por exemplo, tendem a cair em superfícies próximas a elas. Já as gotículas menores, chamadas aerossóis, ficam pouco tempo dispersas no ar. Por isso, a pulverização de produtos, seja por aviões ou por drones, não são eficientes para combater o problema.

— Tanto o que cai na superfície como o aerossol precisa do corpo da pessoa receptora para que o vírus possa entrar na célula, se multiplicar. No tempo que o vírus fica no ambiente, é rapidamente disperso. A ação da luz solar já é o suficiente para, em poucos minutos, inativar essas partículas que ficam ali — explica.

O outro fator que impede a medida é relacionado à biossegurança. Segundo Melissa, o álcool pode ser usado na higiene das mãos e na limpeza de superfícies e compras em casa, por exemplo. No entanto, a pulverização de produtos em ambientes é desaconselhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde maio de 2020.

— Como você vai liberar no ambiente uma substância potencialmente inflamável? Além disso, vamos imaginar pessoas alérgicas respirando esse ar. Pode ser perigoso por contaminar o ambiente, dessa vez com uma substância química e não com o vírus — destaca.

 

 16/03/2021 – GZH

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ESTADO SUPERA OS 15 MIL MORTOS DESDE O INÍCIO DA PANDEMIA

Entre fevereiro e metade de março, foram 4,1 mil óbitos – no início da pandemia, levou mais de cinco meses para bater essa marca

Marca foi ultrapassada durante o auge da crise sanitária. O governador Eduardo Leite afirmou que o Estado entrará abril em bandeira preta.

Pouco após completar um ano de pandemia, o Rio Grande do Sul superou ontem a marca de 15 mil vítimas por coronavírus. O desfecho acontece em meio ao iminente colapso das unidades de tratamento intensivo (UTIS), à lenta vacinação e à ausência de coordenação nacional.

Oficialmente, morreram até agora 15.105 pessoas, segundo dados de ontem da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e em ritmo mais rápido do que jamais se viu desde o início da pandemia.

Entre fevereiro e a primeira quinzena de março, morreram cerca de 4,1 mil gaúchos – no começo da pandemia, foram necessários mais de cinco meses para que se alcançasse esse número. Só na primeira semana de março, 1,2 mil pessoas perderam a vida. Na semana passada, um único dia teve recorde de 211 pessoas mortas por coronavírus no Rio Grande do Sul. É aproximadamente três vezes mais mortes do que no ápice da segunda onda, em dezembro.

O nível de ocupação das UTIS também está alarmante: quase 110% dos leitos gerais são ocupados neste momento, levando-se em conta hospitais públicos e privados. Em Porto Alegre, beira 120%.

Analistas apontam que a cepa P1, descrita primeiramente em Manaus, explica parte da piora nas últimas semanas, mas que a alta circulação do vírus, a normalização das mortes, o discurso do presidente Jair Bolsonaro e a fraca fiscalização de autoridades também contribuíram para a chegada ao atual cenário.

Os primeiros casos da nova cepa apareceram antes da vinda de pacientes manauaras ao Rio Grande do Sul, portanto, o atendimento a moradores do Amazonas não é a causa da piora da epidemia.

– Falta de liderança com certeza é a principal razão. Mas não é só isso. Não conseguimos transmitir

informação baseada em evidências à população. Falta adesão ao isolamento social, uso de máscara e lavagem de mãos. As variantes que causam mais transmissão também certamente contribuíram – afirma o médico Airton Stein, professor de Epidemiologia e de Medicina de Família e Comunidade na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

As estatísticas mostram que o bom desempenho gaúcho ao longo de 2020 está ficando no passado. Se já esteve em 23º lugar no ranking dos Estados quando levada em conta a taxa de mortes a cada 100 mil habitantes, agora está em 14º. O RS tem a maior taxa de crescimento de novos casos entre todos os Estados na última semana, conforme estatísticas do Comitê de Dados do Palácio Piratini.

A piora é tão expressiva que, no histórico da pandemia, a taxa de mortalidade a cada 100 mil habitantes já é muito próxima à média nacional. E, agora, o Rio Grande do Sul passa a se tornar, também, preocupação para o resto do país.

O médico epidemiologista Airton Stein cita a transferência do hospital de campanha de Manaus para Porto Alegre como demonstrativo de que “a situação está claramente piorando”. Após a melhora do cenário amazonense, a estrutura seria enviada pelo Exército a algum Estado – e acabou aqui (leia na página 14).

Ao longo do último ano, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) efetivou crescimento de quase 160% no número de novos leitos de UTI, passando de 900 vagas antes da pandemia para 2,3 mil hoje. A expansão do sistema hospitalar, contudo, não é capaz de dar conta do aumento no número de doentes graves. A cada 10 novos leitos abertos, são necessários 50 novos profissionais especializados, mas faltam pessoas no mercado de trabalho. Como consequência da sobrecarga, cerca de 75% dos internados em leitos intensivos morrem.

 

15/03/2021 – TV Câmara – Jornal da Câmara 

https://youtu.be/xTf24afpuF4

Jornal da Câmara 2584 (15/03/2021)

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) passou a oferecer recentemente o serviço de testagem drive-thru para a covid-19. Nesta edição, a epidemiologista e vice-coordenadora do Curso de Medicina da instituição, professora Maria Eugênia Bresolin Pinto, explica como eles estão fazendo para atender a alta demanda de pacientes.”

 

15/03/2021 – Gazeta do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADtica/governo-do-rio-grande-do-sul-formata-mudan%C3%A7as-na-bandeira-vermelha-1.586465

"Governo do Rio Grande do Sul formata mudanças na bandeira vermelha

Sob pressão de todos os lados, Executivo tenta evitar descontrole com volta da cogestão

O governo do Estado define nesta semana quais serão os novos parâmetros do modelo de Distanciamento Controlado para o enfrentamento da pandemia do coronavírus, que atinge seu pior momento no RS. Apesar das pressões políticas e de setores econômicos no sentido contrário, o estabelecido até agora é que as medidas sejam mesmo de regras mais rigorosas nos protocolos da bandeira vermelha do modelo, uma vez que o governo se prepara internamente para curvas ascendentes de números negativos pelo menos até a metade de abril, e para alcançar a marca de 20 mil mortos ao longo das próximas semanas. O entendimento entre técnicos é de que há verdadeiros “saltos” em partes dos protocolos de determinadas atividades entre a bandeira vermelha e a preta que precisam ser corrigidos em função do alto risco de transmissão que embutem.

A avaliação por enquanto é de que não ocorram mudanças nos protocolos da bandeira vermelha para a indústria, para a construção civil ou para os serviços domésticos. Os últimos já tiveram flexibilização significativa inclusive nos protocolos de bandeira preta. Na indústria e na construção civil, as regras para as bandeiras vermelha e preta são muito próximas ou idênticas. Já os serviços de modo geral estão sob análise e parte deles tende a ter os protocolos de bandeira vermelha ajustados de forma a aumentar o rigor. Ainda não há definições específicas, e o cruzamento de informações se estenderá por toda a semana. Mas são alvo de especial atenção bares, lancherias e restaurantes; serviços de higiene pessoal, como cabeleireiros e salões de beleza; auditorias e consultorias; academias; clubes recreativos; e casas de espetáculos e similares em ambientes abertos, entre outros.

O entendimento é de que as vezes pequenos ajustes, somados, podem ter um efeito de contenção que alivie um pouco os números. Apesar disto, a pressão de diferentes setores econômicos e políticos é tão forte que entre técnicos que trabalham nos protocolos, as adequações são comparadas a “caminhar sobre cacos de vidro.” “O governo determinou esta parada e não podemos perder o que conseguimos nas duas últimas semanas. É necessário fazer algo que consiga conter de forma bem mais eficiente a transmissão. O modelo será mais rigoroso nos protocolos da bandeira vermelha e vamos precisar de muita colaboração dos prefeitos” adianta o titular da nova Secretaria de Desenvolvimento Regional, Luiz Carlos Busato (PTB).

Busato, que comandou a prefeitura de Canoas até 31 de dezembro, tomará posse na próxima semana. Sua chegada ao governo faz parte do objetivo de conter as disputas políticas e os enfrentamentos feitos por prefeitos à estratégia estadual de combate ao coronavírus. A nova pasta substituirá a atual Secretaria de Articulação e Apoio aos Municípios, hoje comandada pelo também petebista Agostinho Meirelles, que passará a secretário extraordinário de Apoio à Gestão Administrativa e Política.

Especialistas alertam para possibilidade de situação grave se perpetuar até meados de maio

As alterações nos protocolos da bandeira vermelha precisam estar formatadas até o final da semana, para que já valham a partir da próxima semana. Isto porque no dia 22, conforme anunciado pelo próprio governador Eduardo Leite (PSDB), o Estado retoma o sistema de cogestão. Nele, as prefeituras, agrupadas por regiões, podem decidir pela aplicação dos protocolos da bandeira imediatamente mais branda do que aquela registrada semanalmente no modelo de Distanciamento Controlado.

Ainda não há uma data cravada, mas Leite já informou, e técnicos de diferentes secretarias confirmam, que a totalidade do RS seguirá em bandeira preta pelo menos até o final de março. E muito provavelmente durante o início de abril. Em função do retorno da cogestão, porém, prefeitos de diferentes partes do RS poderão decidir por aplicar os protocolos da bandeira vermelha, mesmo que suas regiões se mantenham na preta. O receio de integrantes dos comitês científico e da saúde é de que a flexibilização leve o Estado a uma situação na qual sai do colapso mas fica indefinidamente às portas do esgotamento.

“Para conter a transmissão precisamos diminuir muito mais a circulação. Com um bom isolamento, é possível descer a curva em duas semanas. Mas o fato é que por enquanto não temos este isolamento ideal no Estado. Se não ocorrer uma mudança no comportamento, seguiremos em uma situação grave até meados de maio”, adianta a médica, professora e reitora da UFCSPA, Lúcia Pellanda, integrante do Comitê Científico do governo do Estado.

Por melhor que sejam os protocolos de bandeira vermelha, com o retorno da cogestão a expectativa é de que aumente a transmissibilidade em relação ao momento atual. É bem evidente inclusive que a reabertura de setores aumenta a transmissibilidade.  E, importante: já com a taxa atual, o sistema de saúde conviverá com sobrecarga até o final de maio, porque a desocupação de leitos é muito lenta. Porém, se a transmissão aumentar, isto vai perdurar por ainda mais tempo”, alerta a professora do Departamento de Estatística e do PPG em Epidemiologia da Ufrgs, Suzi Camey, que integra o Comitê de Análise de Dados do governo."

 

15/03/2021 – Gazeta do Povo

https://www.gazetadopovo.com.br/republica/mascara-covid19-pff2-n95-tecido/

“Qual é a melhor máscara para proteção contra a Covid-19

# - Qual é a melhor máscara para proteção contra a Covid-19? Este episódio do podcast 15 Minutos fala sobre os diferentes tipos de equipamentos e a importância da correta utilização

Nós já estamos acostumados à ideia de usar máscaras quando saímos de casa durante a pandemia. Aliás, deveríamos estar mais, porque ainda tem quem resista à ideia de utilizar o simples e importante equipamento.

Mas o que vem sendo cada vez mais discutido é a eficácia dos diferentes tipos de máscaras existentes. Afinal, além de proteger o nariz e a boca é importante saber se o material que estamos utilizando é realmente adequado para proteger do vírus.

Qual é a máscara mais eficaz?

Daí a importância de saber: qual é a máscara mais eficaz? Dá pra usar, sem problema, as chamadas máscaras caseiras, feitas de tecido, ou é melhor, neste momento, investir naquelas com especificações como as PFF2?

Este episódio do podcast 15 Minutos fala sobre os diferentes tipos de máscaras para proteção. Para isso, a convidada é a Melissa Markoski. Ela é mestre e doutora em Biologia Celular e Molecular, professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Ela é também integrante da Rede Análise COVID-19, grupo dedicado à divulgação de informações científicas sobre a pandemia.”

 

15/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/03/rs-supera-15-mil-mortes-por-coronavirus-com-o-ritmo-mais-rapido-ate-agora-ckmb2a3kq004h016u5ta49mml.html

"RS supera 15 mil mortes por coronavírus com o ritmo mais rápido até agora

Dados mais recentes da Secretaria Estadual da Saúde mostram que 15.105 pessoas morreram no Estado devido à covid-19

Pouco depois de a pandemia completar um ano, o Rio Grande do Sul superou, nesta segunda-feira (15), a marca de 15 mil vítimas por coronavírus. O número foi atingido em meio ao iminente colapso das unidades de terapia intensiva (UTIs), à lenta vacinação e à ausência de coordenação nacional. 

Oficialmente, morreram até agora 15.105 gaúchos, segundo os dados mais recentes da Secretaria Estadual da Saúde (SES). E o ritmo da covid-19 em ceifar vidas jamais foi tão rápido quanto neste momento em território gaúcho.

Entre fevereiro e na primeira quinzena de março, morreram cerca de 4 mil gaúchos – no começo da pandemia, foram necessários mais de cinco meses para que isso acontecesse. Só na primeira semana de março, quase 1,2 mil pessoas faleceram.

Na semana passada, um único dia teve um recorde de 210 pessoas mortas por coronavírus no Rio Grande do Sul. É quase o equivalente a uma tragédia da boate Kiss e aproximadamente três vezes mais do que nos dias mais mortíferos do ápice da segunda onda, em dezembro.

O nível de ocupação das UTIs também está alarmante: quase 110% dos leitos gerais estavam ocupados na tarde desta segunda-feira no Estado, levando-se em conta hospitais públicos e privados. Em Porto Alegre, a lotação beirava os 118%, no mesmo período.

Analistas apontam que a cepa P1, descrita primeiramente em Manaus, explica parte da piora nas últimas semanas, mas que a alta circulação do vírus, a normalização das mortes, o discurso do presidente Jair Bolsonaro e a fraca fiscalização de autoridades também contribuíram para a chegada ao atual cenário.

Vale destacar que os primeiros casos da nova cepa apareceram antes da vinda de pacientes manauaras ao Rio Grande do Sul, portanto, o atendimento a moradores do Amazonas não é a causa da piora da epidemia no Rio Grande do Sul.

— Falta de liderança com certeza é a principal razão. Mas não é só isso. Não conseguimos transmitir informação baseada em evidências à população. Falta adesão ao isolamento social, uso de máscara e lavagem de mãos. As variantes que causam mais transmissão também certamente contribuíram — afirma o médico Airton Stein, professor de Epidemiologia e de Medicina de Família e Comunidade na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

As estatísticas mostram que o bom desempenho gaúcho na contenção do coronavírus, conquistado ao longo do ano passado, está virando página do passado. Se já esteve em 23º lugar no ranking dos Estados quando levadas em conta as taxas mais altas de mortes a cada 100 mil habitantes, o Rio Grande do Sul agora está em 14ª, próximo ao Ceará. A piora no ranking ocorre a cada semana.

Em nível nacional, o Rio Grande do Sul já tem a maior taxa de crescimento de novos casos entre todos os Estados na última semana, conforme estatísticas do Comitê de Dados do Palácio Piratini.

— Estamos perdendo o controle. União, Estados e municípios perderam a capacidade de responder de maneira sincronizada. O resultado são sinais trocados para a população, e, obviamente, a adesão às medidas diminui. Não há discussão sobre testar casos e contactantes. Não há dúvidas sobre a importância da restrição de circulação, do uso de máscara e das vacinas, mas tivemos discursos diferentes — afirma Ricardo Kuchenbecker, gerente de risco do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor de Epidemiologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A piora é tão expressiva que, no histórico da pandemia, a taxa de mortalidade a cada 100 mil habitantes no Rio Grande do Sul já é muito próxima à média nacional. Em outras palavras, a situação estadual é muito semelhante ao desempenho do Brasil. E, agora, o Estado passa a se tornar, também, preocupação para o resto do país.

Stein cita a transferência do hospital de campanha de Manaus para Porto Alegre como demonstrativo de que “a situação está claramente piorando”. Após a melhora do cenário amazonense, a estrutura seria enviada pelo Exército a algum Estado – e acabou chegando ao Rio Grande do Sul.

Para Kuchenbecker, que faz parte do Comitê Científico que aconselha o Piratini na resposta à pandemia, o Rio Grande do Sul também chama atenção por vivenciar o colapso das UTIs a despeito de ter uma estrutura de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) reconhecida em nível nacional desde antes da pandemia.

Ao longo do último ano, a SES efetivou, junto a hospitais, um crescimento de quase 160% no número de novos leitos de UTI, passando de 900 vagas antes da pandemia para 2,3 mil, hoje.

A expansão do sistema hospitalar não é capaz de dar conta do crescimento no número de doentes graves. A cada 10 novos leitos abertos, são necessários 50 novos profissionais especializados em tratamento intensivo, mas faltam pessoas no mercado de trabalho. Como consequência da sobrecarga de trabalho, hoje, cerca de 75% dos pacientes internados em leitos intensivos morrem.

— O Rio Grande do Sul chama atenção em escala nacional pelo pico de demanda de casos que chegam ao sistema de saúde. Preocupa porque estamos diante de um dos melhores sistemas públicos de saúde do país e pela circulação da P1 em níveis comunitários. Talvez falte a algumas autoridades perceber que, quando uma curva chega ao crescimento exponencial, ela fica absolutamente incontrolável. Ainda vejo descrença das pessoas de que um sistema de saúde no limite significa um aumento substantivo da mortalidade porque não atendemos as pessoas na hora em que precisam — salienta Kuchenbecker.

Além disso, hospitais estão no limite da abertura de novas vagas e à beira do colapso: ao menos três instituições de Porto Alegre fecharam as emergências nos últimos dias.

A situação do RS caminha ao lado da piora da pandemia no país. Outros Estados também chegam ao colapso hospitalar, e o Brasil caminha para uma marca de 300 mil mortes por coronavírus.

Enquanto isso, a vacinação se dá lentamente por conta da demora do governo federal em comprar doses: apenas 1,37% dos brasileiros foram vacinados com as duas doses, segundo dados da Universidade John Hopkins. Em termos relativos ao tamanho da população, o Brasil é o 48º país na lista de aplicação de vacinas. 

No Rio Grande do Sul, 825 mil vacinas foram aplicadas (somando primeira e segunda doses), segundo dados do governo do Estado. A população total é de 11,4 milhões de pessoas, e 4,1 milhões de gaúchos fazem parte dos grupos prioritários.

A marca das 15 mil mortes por covid-19 no Estado também se dá em meio à previsão de que o sistema de saúde piore até março e que a situação melhore apenas em abril, mês no qual a  bandeira preta ainda deve vigorar, disse o governador Eduardo Leite (PSDB) à Rádio Gaúcha na manhã desta segunda-feira.

— A análise dos indicadores não vai indicar simplesmente que a bandeira preta estará (em vigor) na semana que vem. Estará por algumas semanas, porque o sistema hospitalar está totalmente tomado de demanda por coronavírus. O número de pacientes confirmados com a doença em UTIs era de 800 há um mês. Agora, são 2,5 mil. É uma pressão muito forte. Isso vai significar que o Estado entre, provavelmente, o mês de abril com bandeiras pretas — afirmou Leite.

Analistas, no entanto, temem que a retomada das atividades não permita que o sistema hospitalar se recupere, sobretudo por conta do receio de viagens e aglomerações do feriadão de Páscoa, na primeira semana de abril.

— Devemos observar efeitos semelhantes ao do Carnaval: mobilidade populacional grande, mais aglomerações, mais casos e sobrecarga do sistema hospitalar. Invariavelmente, esse risco estará posto. Quando o sistema chega a 100% de ocupação, ele não consegue suportar. E aí vemos pessoas precisando de atendimento e não recebendo. O sistema mostra que está colapsado — observa Kuchenbecker. 

O antropólogo da saúde Jean Sagata, professor do Departamento de Antropologia da UFRGS,  reflete que a política de criação de novos leitos de UTI não basta para controlar o vírus.

— Ao aumentar o número de casos e de leitos, você dá a ideia de que a pandemia está estabilizada, quando na verdade ela vem se agravando aos poucos. Com isso, se tem a sensação de que tudo está sob controle — conclui."

 

15/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/03/apos-quatro-semanas-de-alta-leve-diminuicao-nas-internacoes-em-leitos-clinicos-deve-ser-avaliada-com-cautela-alerta-epidemiologista-ckmb726ti0093019839j4rfkl.html

"Após quatro semanas de alta, leve diminuição nas internações em leitos clínicos deve ser avaliada com cautela, alerta epidemiologista

Médica diz que é preciso aguardar mais dias para apontar tendência da curva

O Rio Grande do Sul tinha, na tarde desta segunda-feira (15), um cenário de leve queda nas internações por covid-19 em leitos clínicos, após quatro semanas de alta. A curva de internações nesses leitos registra uma melhora muito discreta desde sábado (13), e especialista ouvida por GZH alerta que é preciso aguardar mais tempo para avaliar o significado do indicador.

Às 17h, segundo o painel estadual de monitoramento, eram 5.350 adultos em leitos clínicos, com confirmação da doença. Esse número chegou, na sexta (12), ao ápice, com 5.435 pessoas nessa situação.

— Pode ser um indicativo. Primeiro, temos que escapar dos dados do fim de semana. Até quarta-feira (17), vamos ter uma ideia melhor e ver se é o princípio de uma estabilização — avalia Lucia Pellanda, médica epidemiologista e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A epidemiologista acrescenta que a pontual melhora da curva pode ser fruto da adoção da bandeira preta em todo o território gaúcho, mas reforça que os próximos dias e a manutenção de medidas indicarão o rumo da curva:

— A primeira hipótese é de que esteja funcionando a bandeira preta. Mas também pode ser uma variação normal, pois muita gente está em casa, sem conseguir atendimento. Em uma situação de esgotamento de leitos, não dá para confiar tanto nesses dados. É preciso esperar mais. A gente pode interpretar com um certo otimismo, mas, especialmente, com cautela — acrescenta a epidemiologista.

Internações por covid-19 em UTIs batem novo recorde

Já o número total de internados com covid-19 em unidades de tratamento intensivo (UTIs) no RS bateu novo recorde na tarde desta segunda. Às 17h, o painel do governo do Estado mostrava 2.551 pessoas em UTIs com confirmação da doença — superando o recorde anterior, atingido na sexta-feira (12). Naquele dia, havia 2.487 pacientes nessas condições.

— A gente está vendo este pequeno sinal de possível estabilização em leitos clínicos, mas a gente ainda poderá ver crescimento nas internações de UTIs por muitas semanas. Nos outros picos no Estado, as internações em UTIs cresceram por 45 dias após a estabilização dos leitos clínicos — lembra a epidemiologista.

O total de internados em UTIs mais do que dobrou em 30 dias. Em 13 de fevereiro, eram 988 pessoas em tratamento intensivo no Estado."

 

14/03/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/blogs/di%C3%A1logos/cientista-na-divulga%C3%A7%C3%A3o-1.585877?utm_source=Facebook-P&fbclid=IwAR1FeJ-1ReiHPWnB_PIGIIph30ZmB76IG37hqG2Yhr6N6Xqsf-S7f42mIbQ

"Cientista na divulgação

A professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Melissa Medeiros Markoski é uma das cientistas mais citadas por pesquisadores e instituições na rede social Twitter desde o início da pandemia de Covid-19, segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD). Melissa compartilha artigos científicos e notícias com base em evidências científicas relacionadas ao novo coronavírus.

 Como tem sido estudar e falar sobre a pandemia da Covid-19?

É diário, faz parte do meu trabalho porque sou professora de Biossegurança, preciso me atualizar e é bastante trabalhoso no sentido de que, como professora, tenho outras atividades na universidade. Tenho que lecionar, mais as atividades de extensão e dos grupos de pesquisa. Então acabo levando bastante tempo, principalmente porque vivemos essa situação de “infodemia”. Não basta sair um artigo sobre determinado assunto, como, por exemplo, o uso da máscara para atividades físicas. Tenho que verificar se é um artigo científico criterioso, se tem bom fator de impacto, se foi avaliado por pares, se é representativo realmente de ideias que são importantes para a pandemia. No trabalho de fazer divulgação científica com um assunto tão delicado é que a gente precisa sempre analisar muito criticamente. Não existe simplesmente olhar “todo mundo está falando tal coisa”, não existe isso para o cientista que está fazendo a divulgação, é preciso olhar o quanto aquilo é real e o quanto vai impactar na vida das pessoas, não podemos ser inconsequentes com nossos atos. Precisamos fornecer informações que ajudem pelo menos as pessoas a se sentirem mais seguras, porque se um cientista também estiver gerando divulgação de notícias que não são verdadeiras, acaba gerando mais problema. Todos precisam de conteúdos que ajudem na tomada de decisão, mas de maneira correta. Há uma parte muito responsável desse trabalho e que realmente exige bastante tempo. Precisamos pensar o que vamos colocar em uma publicação, mesmo em redes sociais, com muita propriedade e muito respaldo científico sobre o tema.

 Quando começou a falar sobre o assunto nas redes sociais? E o que isso representa?

 Desde quando começou a pandemia e comecei a ouvir notícias sobre, em fevereiro de 2020. Comecei a me informar com relação aos artigos, a procurar e ver o que estava acontecendo no mundo inteiro, começando pelas notícias da China e depois da Itália. Por quê? Porque íamos começar o semestre em março e eu precisaria dar um panorama sobre o que estava acontecendo dentro das minhas disciplinas de Biossegurança, que são oferecidas para diversos cursos. Tenho a responsabilidade de informar os alunos da melhor forma possível. Então comecei a buscar textos que trouxessem um panorama adequado sobre o que estava acontecendo no mundo. Eu já fazia o exercício de publicar artigos nas redes sociais há anos, pelo menos desde 2010, principalmente no Facebook, de maneira mais ativa. Sempre utilizei minhas mídias para fazer postagens sobre artigos que achava interessantes e importantes. Eu tinha conta no Twitter desde 2009, mas utilizava muito pouco por serem mais pessoas desconhecidas. Quando comecei a estudar os artigos sobre a Covid-19 e fazer postagens, inicialmente no Facebook e levando alguma coisa para o Twitter, vi uma rede começando a se formar, de pessoas que também estavam trabalhando com isso, no sentido de tentar levar informações importantes, principalmente vendo que o panorama se complicou muito. Na Biossegurança, a gente se preocupa muito com relação à percepção de riscos e os alertas para a população, então comecei a fazer mais postagens. Aí fui convidada pela Mellanie Fontes Dutra, que é uma pós-doutora em neurociências e é uma das coordenadoras da Rede Análise Covid-19, para colaborar com a iniciativa. Ela sabia que eu atuava tanto na Biossegurança quanto na Imunologia, minha área de pós-doutorado, era uma bagagem muito boa. Achei interessante e comecei a colaborar com a Rede. Eu faço um compilado de artigos científicos de revistas importantes e trago isso para uma linguagem mais próxima da população. A coisa começou assim e durante todo o ano de 2020, em todas as minhas horas livres, eu me dediquei à informar a população através desses textos e nas postagens.

 Qual a importância de disseminar informação de qualidade, principalmente com relação à pandemia, nas redes sociais?

A gente vive uma situação muito delicada em termos de pandemia. Temos de um lado o ceticismo dos cientistas e de outro lado toda a questão às vezes cognitiva das pessoas, as crenças, a ideologia. “Eu apoio aquela ideia porque aquela pessoa fala basicamente o que eu quero ouvir” e a ciência é mais fria, é mais direta com relação aos dados. E isso acabou estimulando e, ao mesmo tempo, me fazendo buscar as informações para não cair na onda de colocar qualquer coisa que estava todo mundo falando. Qualquer informação que é divulgada, sobre vacinação ou os tipos de máscara, precisa se embasar muito, ler muito, estudar muito para que essa informação chegue de uma forma correta às pessoas. Não adianta falar e fazer postagens se for para deixar as pessoas mais confusas.

 Quais os principais desafios da comunicação durante a pandemia entre pesquisadores/cientistas e a população em geral?

Hoje vivemos em um mundo muito polarizado. Existem movimentos, por exemplo, na França, que são antivacina, movimentos contra o uso da máscara, então não são só movimentos no Brasil. É importante levar informação daquilo que é importante em termos de prevenção. Falo prevenção porque é o cerne do que estamos vivendo nesse momento, que poderia ter sido utilizada para que tivéssemos situações diferentes das que estamos vivenciando se as pessoas tivessem escutado mais a ciência, entendido a importância do uso das medidas preventivas. Mas, ao mesmo tempo, não podemos culpar as pessoas porque falta realmente representatividade de outros setores da sociedade que estimulem as pessoas a confiarem na ciência. Não temos isso, tudo é questionado. Claro, devemos questionar e entender os processos, mas ao mesmo tempo há situações em que precisamos ter certa confiança no profissional que trabalha naquela área. Acho que falta um pouco disso na população do Brasil hoje, de escutar essas pessoas. No início da pandemia, tivemos uma melhor postura da sociedade com relação a isso, de se escutar os cientistas e tal. Mas, decorrente de outras ações que foram acontecendo durante o ano, de posturas de governantes, das pessoas cansando da pandemia, pois ninguém imaginava que iria durar tanto tempo, as pessoas acabaram escolhendo ouvir apenas o que agradava e o que começou a agradar era poder ir a festas, praia, não usar máscara, ir em um bar, porque elas tiveram estímulos para isso, infelizmente. Isso acaba sendo bastante prejudicial na prevenção da doença em um tempo em que estamos longe de ter vacinação para toda a população, para conseguir cobertura vacinal.

 Você sente que as pessoas demonstram mais curiosidade ou interesse pelo assunto nas redes sociais?

Sim, acho que tem uma parcela da população que está muito aberta a entender quais as melhores atitudes para se tomar. Tem uma boa parte da população que eu acredito, pelo menos na minha bolha, que acha que escutar orientações de profissionais mais especialistas é interessante. Outras pessoas, claro, discutem. Daqui a pouco você conversa algumas coisas e é sempre muito importante a gente colocar aquilo que se sabe com muita educação. Eu já desmontei várias pessoas que chegaram até mim falando com palavrões, expliquei que podemos conversar sem ofensas e as pessoas mudaram totalmente o tom, começarem a perguntar e depois compartilhar o que eu posto. Só que isso é uma linha muito tênue, entre as ideologias e crenças e você conseguir passar essa conversa. Mas as pessoas têm muitas curiosidades e fazem muitas perguntas, principalmente em assuntos como uso de máscara. Isso nos abre possibilidade de tentar várias nuances de conversas, porque podemos falar de maneira mais técnica, mais amigável ou até mesmo brincalhona. Eu tenho textos em que uso cultura pop como Star Wars, Harry Potter, para tentar trazer essa conversa para adolescentes e jovens. É um público que a gente precisa também fazer enxergar essas questões de prevenção. Mas o que é mais difícil, principalmente por questão de estar distante dessa população, é se aproximar das comunidades carentes. Embora tenhamos alguns líderes comunitários nas redes sociais, não encontrei ainda a melhor forma de comunicação com essas pessoas e é algo que ultimamente tenho buscado bastante, porque são focos de pessoas para quem a gente precisa fornecer informações. Acho que em termos de divulgação científica, precisamos fazer a informação chegar a quem mais precisa.

 Como é a atuação como professora de Biossegurança na UFCSPA?

Essa atuação veio a milhão em 2020. Fui concursada na UFCSPA em 2018, mas eu trabalhava então com Biologia Celular e Molecular, com células-tronco, processos regenerativos e sempre acompanhei a questão de Biossegurança porque fui gestora de laboratório e passei pela implementação da área nas universidades durante minha formação. Então fiz concurso para a outra área e hoje sou professora na UFCSPA, que é focada em ciências da saúde. Eu faço parte do Comitê Técnico de Biossegurança da universidade, junto com uma equipe multidisciplinar e nós, desde quando as aulas foram suspensas em 16 de março de 2020, nos organizamos para planejar um retorno seguro para as aulas na universidade, organizamos os protocolos da universidade. Como Comitê, tivemos uma atividade muito constante desde o início da pandemia, fazendo reuniões remotas semana a semana. Inclusive, publicamos o livro “Biossegurança e pesquisa em tempos da Covid-19”, pela editora da UFCSPA, para tentar auxiliar tanto a comunidade interna quanto pessoas de outras universidades que precisassem fazer atividades de pesquisa utilizando a biossegurança. A partir de julho de 2020, começamos a oferecer cursos de 2 horas para a comunidade, de até 100 pessoas, em salas virtuais e que têm ocorrido uma ou duas vezes por mês, falando sobre todas as questões da biossegurança com relação à Covid-19. Desde que começamos esse trabalho, tem essa demanda para podermos fazer com que professores, alunos, quando forem retornar para atividades presenciais, consigam fazer isso com o máximo de segurança possível. Então passamos todas as evidências científicas que temos até o momento: uso correto da máscara, importância do distanciamento, higienização das mãos e o que podemos fazer no ambiente da universidade para poder fazer essa prevenção de riscos.

 Como tem sido as atividades durante a pandemia?

As atividades ocupam bastante tempo porque tenho as atividades das aulas das disciplinas, que são todas remotas. Dou aula para quatro ou cinco turmas de cursos diferentes, a maioria delas focadas em biossegurança, fora os cursos e as atividades de extensão. Temos uma Feira de Saúde Virtual que leva promoção de saúde para as escolas que fazemos presencialmente, mas durante a pandemia está sendo virtual. Ainda sou coordenadora do curso da Biomedicina noturna da UFCSPA, então há todas as atividades voltadas para a coordenação de curso. Enfim, são várias questões que acabam tomando muito tempo. E raro um sábado ou um domingo que não tenha trabalho. Eu não atraso aulas, são as minhas prioridades, tenho muitas reuniões, muita coisa mesmo e o que eu tenho mais pecado, digamos assim, são as atividades de pesquisa, porque está tudo parado. Faço reuniões com meus alunos de pós-graduação, temos que retomar alguns artigos científicos que precisam de revisão e acabo colocando isso um pouco mais de lado por conta das outras atividades, mas tenho apoio das alunas e elas sabem que nesse momento há outras questões tão importantes quanto as pesquisas que estão paradas. Sabemos que daqui a pouco vamos conseguir voltar e fazer tudo de maneira adequada.

 Acredita que o uso de plataformas como o Twitter aproximou os alunos? Há interação nesse sentido?

Onde vejo maior interação dos alunos é no Instagram e é onde faço menos postagens, pois é uma rede social que tem uma linguagem diferente. Eu atuava muito no início da pandemia no Facebook, agora migrei no Twitter, que com certeza é a plataforma onde atuo mais em termos de publicações, levo alguma coisa para o Facebook e também para o Instagram. Algumas coisas eu até aviso em aula, ou então eles, entre eles, acabam compartilhando. Fiquei muito surpresa em estar nessa colocação de influenciadora de ciência no Twitter, porque não imaginava que minhas postagens tivessem tanto impacto e tantas menções. Foi uma surpresa muito positiva, que me estimula a realmente ser ainda mais responsável com o que posto. Acho que isso traz esse senso de “bom, está sendo visto”, mas que seja visto por passar uma mensagem que ajude a proteger a população e não que vá deixar as pessoas mais confusas."

 

13/03/2021 – GZH Impresso

Artigo da Professora Cristina Bonorino

Imunologista, pesquisadora 1B do CNPQ e professora titular da UFCSPA

 OS OUTROS

"Quando Joe Biden assumiu a presidência dos EUA, sua meta era chegar a 100 milhões de vacinados para a covid-19 em cem dias de governo. Alcançou esse número em 50 dias. Duplicou a meta. O número de casos diários, que estava em ascensão desde 12 de setembro de 2020, caiu de 250 mil para 50 mil em dois meses. Isso é o que acontece quando um governo se dedica a amparar e proteger a população.

Governo existe para proteger os mais frágeis e garantir vida harmônica em sociedade. Sempre haverá pessoas em situação de fragilidade frente a algum desafio. Cabe ao governo auxiliá-las, dar exemplo de conduta e garantir que medidas que protejam a todos sejam seguidas. Tem sido o exemplo também de Alemanha, Inglaterra, Argentina, Chile, Israel.

Do governo dos EUA vêm investimento para vacinas e pesquisas necessárias para sua otimização em todos os segmentos da população. Mas de nada servem as vacinas, mesmo otimizadas, se não controlarmos a circulação do vírus. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, agora reabilitado e trabalhando muito, divulgou pesquisas sobre a otimização de medidas preventivas de circulação do vírus – sobretudo o uso de máscaras. Em dupla camada, se usadas cobrindo o nariz e a boca, bem aderidas ao rosto, elas podem reduzir em mais de 90% a chance de troca de partículas virais entre duas pessoas – se ambos usarem.

A máscara protege principalmente uma pessoa já infectada de transmitir o vírus. É um instrumento de consideração com os mais frágeis. Da maneira como vivemos hoje no Brasil, um número cada vez maior de pessoas está infectada e não sabe; e está transmitindo o vírus. Embora não tenham sintomas, elas estão contribuindo para a circulação do vírus, deixando que ele alcance as pessoas mais suscetíveis. Essas são sabidamente os idosos – que, mesmo tendo se isolado desde o início da pandemia, neste momento precisam sair de casa.

Há muitos relatos de idosos que se infectaram ao sair para tomar a primeira dose de vacina. Isso ocorre porque a imunização demora ao menos uma semana para ter efeito; o vírus está circulando em uma velocidade assustadora, as variantes surgindo em resposta ao sistema imune dos infectados. Além dos idosos, há outros grupos vulneráveis. Alguns possuem comorbidades já conhecidas, como doença cardíaca e câncer, mas outros ainda não identificamos – esta é uma doença nova. Estamos aprendendo quem são os mais frágeis ao SARS-COV-2 todos os dias. Este é um momento de agir racionalmente, pensando: “Mesmo sem saber, posso estar infectado. Posso prejudicar alguém. Vou pensar em outros além de mim – vou me isolar. Protegendo os outros, estou protegendo a mim mesmo”. Gestores que estão apoiando essas medidas agora entendem que isso é maior do que o indivíduo. Isso é um pensamento de cidadania responsável. O que aconteceu até aqui já é trágico demais. Podia, e pode para o futuro, ser evitado – e todos sabemos como.

A MÁSCARA PROTEGE PRINCIPALMENTE UMA PESSOA JÁ INFECTADA DE TRANSMITIR. É UM INSTRUMENTO DE CONSIDERAÇÃO COM OS MAIS FRÁGEIS."

 

13/03/2021 – GZH Impresso

"Fundamentais na prevenção

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) apontou o papel do uso de máscaras e do distanciamento social na prevenção contra a covid-19. Os resultados sugerem que o uso de máscaras reduz em 87% a chance de ser infectado pelo SARS-COV-2.

Além disso, o estudo conclui que pessoas que aderem moderada a intensamente ao distanciamento social têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o coronavírus.

Um dos pesquisadores que integram o estudo, o professor da Faculdade de Medicina da UFRGS Bruce Duncan afirma que, ancorado nos dados, é possível dizer que essas medidas têm um papel importante na prevenção da doença. A adesão moderada ou alta ao distanciamento social foram fortemente protetivas contra a doença, representando um risco 72% e 75% menor, respectivamente. O uso da máscara foi associado a um risco 87% menor de contrair o vírus.

Outro pesquisador do grupo, o professor da Faculdade de Medicina da UFRGS Marcelo Gonçalves destaca que adotar as medidas de distanciamento social e utilização de máscara sempre que estiver fora de casa tornou-se fundamental.

– Não fazer isto é manter uma marcha para o colapso completo do sistema de saúde, com um aumento no número de mortes sem precedentes. Enquanto não temos vacina para todos, precisamos manter o distanciamento social e uso de máscara em todas as situações – complementa.

O Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento à Pandemia do governo do Estado recomenda manter distanciamento mínimo de dois metros e dar preferência a ambientes ao ar livre ou bem ventilados."

 

12/03/2021 – G1 Bem-estar

https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/03/12/como-usar-a-mascara-pff2n95-veja-respostas-para-17-duvidas-sobre-o-modelo-mais-eficiente-contra-a-covid.ghtml

"Como usar a máscara PFF2/N95? Veja respostas para 17 dúvidas sobre o modelo mais eficiente contra a Covid

Quanto custa? Posso reutilizar ou lavar? Como sei se a máscara está ajustada corretamente? Veja respostas para essas e outras perguntas.

Você já deve ter visto profissionais de saúde ou pessoas na rua usando máscaras que parecem um bico de pato ou uma concha, com elásticos presos atrás da cabeça. Essas máscaras – ou respiradores, em seu nome técnico – são as PFF2, nomenclatura brasileira que é equivalente à americana N95.

Alguns especialistas têm feito publicações ou criado páginas em redes sociais para tirar dúvidas sobre esse tipo de máscara. O G1 conversou com alguns deles para responder às seguintes perguntas:

O que é uma máscara N95/PFF2? Como ela funciona?

A sigla PFF significa "peça facial filtrante". No Brasil, existem 3 tipos: as PFF1, PFF2 e PFF3. As máscaras desse tipo são uma peça facial constituída parcial ou totalmente de material filtrante que cobre o nariz, a boca e o queixo.

"Portanto, necessariamente, uma PFF deve possuir uma camada de filtro, sendo que, normalmente, essa camada filtrante encontra-se entre outras duas camadas: uma de cobertura, a parte externa, e outra camada que fica em contado com a face, a camada interna", explica Vladimir Vieira, servidor aposentado da Fundacentro, órgão do atual Ministério da Economia que elabora estudos sobre proteção respiratória, segurança, higiene e outros assuntos relacionados à medicina do trabalho.

Na camada filtrante é onde será retido o material particulado. Essa camada pode ser composta de vários polímeros: polipropileno, poliéster ou polietileno.

Ele explica que a captura do material particulado ocorre por vários mecanismos de retenção de partículas.

"Podemos destacar um deles, que é a atração eletrostática. Com a tecnologia avançada atualmente, as camadas filtrantes são fabricadas com materiais que capturam partículas que emitem cargas negativas. A fibra do material filtrante emite cargas positivas", diz.

As PFF são, ainda, classificadas de acordo com a sua capacidade de reter partículas sólidas e líquidas à base de água ou sólidas e líquidas à base de óleo ou outro líquido diferente de água. Nesses casos, elas recebem, também, a nomenclatura (S) ou (SL), respectivamente. Esse símbolo pode aparecer na embalagem (veja mais detalhes sobre o que deve estar na embalagem na pergunta 10).

 Na Europa, a PFF é conhecida como FFP (inglês para "filtering face piece"). A PFF2 é equivalente, nos Estados Unidos, às N95, e, na Europa, às FFP2.

No Brasil, as tiras da PFF2 devem ser atrás da cabeça.

Ela me dá maior proteção contra o coronavírus do que as máscaras de pano e as cirúrgicas?

Se estiver bem vedada, sim. Isso porque, quando está bem aderida ao rosto, a máscara impede que o vírus entre pelas "folgas" que acabam sendo criadas pelas máscaras de pano ou cirúrgicas. Para isso, é preciso ajustar bem o clipe nasal, o pedacinho de metal que as PFF2 têm. Algumas delas têm o clipe nasal na parte de dentro.

"As PFF2 são uma alternativa segura, barata fácil de se encontrar para as máscaras de pano e as máscaras cirúrgicas, principalmente porque essas não oferecem o mesmo grau de proteção contra a Covid", explica Beatriz Klimeck, doutoranda em Saúde Coletiva na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) por trás da página "Qual Máscara?" na rede social Twitter (assista ao vídeo no topo da reportagem).

A PFF2 tem, por exemplo, poder de filtragem, o que as máscaras de pano não têm.

As máscaras PFF2 são consideradas equipamentos de proteção individual (EPIs) – por isso, são construídas para garantir um nível grande de proteção, explica Mori, que também fala sobre máscaras no Twitter.

Máscara N95 e PFF2: por que países da Europa reprovam material caseiro e agora exigem máscara profissional

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"Além de garantir uma boa vedação, elas também passam por testes muito rigorosos com relação à filtragem: são máscaras que, por padrão, têm que filtrar pelo menos 94% das partículas de 0,3 mícrons, que são as mais difíceis de serem coletadas", diz.

Se eu usar uma PFF2, vou também proteger outras pessoas?

Sim – desde que a máscara não tenha válvulas e esteja bem aderida ao rosto.

"A máscara, antes de mais nada, tem que estar bem ajustada ao rosto", reforça. "Ela tem que estar sem vazamentos pelas laterais, com o máximo de vedação possível, e, além disso, tem que ter um elemento filtrante de boa qualidade, de forma que todo o ar que entre ou que saia passe por esse elemento".

Um estudo publicado na revista científica 'Science' mediu o quanto máscaras de vários tipos conseguiam impedir que as gotículas expelidas por uma pessoa ao falar se espalhassem pelo ambiente. A PFF2 – sem válvula – foi a que melhor cumpriu esse objetivo (veja vídeo abaixo).

Eu devo usar uma PFF2 com válvula?

Na pandemia, não. Isso porque a válvula de exalação serve para facilitar a saída de ar. Nessa saída, entretanto, se a pessoa que está usando a máscara estiver contaminada com o vírus, ela pode expelir partículas virais, ainda que em pequena quantidade, e infectar outras. Ou seja: a PFF2 com válvula protege a pessoa que está usando, mas não as que estão ao redor.

Na quinta-feira (11), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso de PFF2 com válvulas em aeroportos e aviões. (Veja mais sobre recomendações de uso da PFF2 na pergunta 9).

A cientista Melissa Markoski, professora de biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e integrante da Rede Análise Covid-19, alerta que a PFF2 com válvula não deve ser usada.

Como eu sei se a máscara está bem ajustada?

Faça a verificação da vedação: com as duas mãos, cubra a maior parte possível da superfície da máscara e expire. Veja se há algum vazamento de ar nas laterais. Outra possibilidade é passar um espelho de mão próximo aos lados do rosto e verificar se houve embaçamento.

Veja se a máscara cede quando você inspira e se infla quando você expira. Se você usa óculos, um possível indicador é: se os óculos ficam embaçados, a máscara pode não estar vedando bem.

Ajuste o clipe nasal, com as duas mãos, para não sair ar.

Quais são os erros mais comuns ao usar uma PFF2?

Veja, no infográfico abaixo, os erros mais comuns (e as instruções de ajuste) no uso da máscara: (acessar o link)

Se eu sinto cheiros com a PFF2, significa que corro o risco de me contaminar?

Não. A máscara não foi feita para segurar cheiros, explica Vladimir Vieira. Por isso, sentir cheiro do cigarro de alguém na rua, por exemplo, não significa risco de contaminação se a pessoa estiver infectada.

Posso usar duas PFF2 ao mesmo tempo?

Não. Por dois motivos: a de cima pode deslocar a de baixo e há um aumento da dificuldade de respirar.

Uma saída possível, explica Vladimir Vieira, é usar uma máscara cirúrgica por cima da PFF2. Isso porque a máscara cirúrgica não aumenta tanto a dificuldade de respirar quanto o outro tipo.

Mas o especialista também alerta que colocar a máscara cirúrgica "dentro" da PFF2 não é recomendado.

Para quais ambientes a PFF2 é recomendada?

Principalmente para locais fechados e/ou mal ventilados e com muitas pessoas – como, por exemplo, o transporte público ou aviões e aeroportos.

Locais fechados e mal ventilados trazem maior risco de contaminação porque os aerossóis emitidos pelas pessoas ao falar, respirar ou tossir, por exemplo, ficam mais tempo em suspensão, ao invés de evaporarem ou serem dispersados. Se esses aerossóis estiverem carregando o coronavírus, outra pessoa, no mesmo ambiente, pode inalar essas partículas e se contaminar. É assim que funciona a transmissão pelo ar – o contágio sem que se tenha contato direto com uma pessoa infectada.

Se estiver cuidando de uma pessoa com Covid em casa, a PFF2 também é recomendável, desde que seja usada de maneira correta, lembra Vladimir Vieira.

Como eu sei se estou comprando uma PFF2 legítima?

Beatriz Klimeck dá algumas dicas:

Procure o número do "CA" (sigla para Certificado de Aprovação) na embalagem. Esse número é emitido pelo Ministério do Trabalho.

Depois de encontrar o número, faça uma rápida busca on-line e descubra se o CA está ativo. Se estiver, veja se a descrição na página corresponde ao produto que está na embalagem. Veja abaixo um exemplo de busca:

Consulta CA

Confira se os elásticos prendem atrás da cabeça (e não da orelha).

Confira se a PFF2 tem o selo do Inmetro.

Se estiver escrito na embalagem que a máscara é lavável, não compre, porque as PFF2 não são laváveis (veja detalhes na pergunta 13).

Se a máscara tem costura de máquina – com linha – não é uma PFF2, porque elas são seladas.

A máscara pode ter a nomenclatura (S) ou (SL) na embalagem; isso simboliza a capacidade de reter partículas sólidas e líquidas à base de água (S) ou sólidas e líquidas à base de óleo ou outro líquido diferente de água (SL). Para o coronavírus, a sigla S já é suficiente.

Klimeck também reforça que é necessário atentar para outros detalhes visuais – porque algumas marcas colocam, na embalagem, um CA que não corresponde ao produto que está ali dentro.

Atenção: como, no Brasil, a nomenclatura N95 não é utilizada, é provável que você encontre apenas a sigla "PFF2" na embalagem.

Por quanto tempo eu posso ficar com a máscara antes de trocar?

Em uso comum, fora de ambiente hospitalar, não existe uma regra.

O Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) diz que uma consideração importante para o uso prolongado seguro das N95 é que a máscara deve manter seu ajuste e função. Experiências em indústrias, por exemplo, apontam que elas continuam funcionando por 8 horas de uso contínuo ou intermitente.

"Assim, a duração máxima de uso contínuo em locais de trabalho de saúde sem poeira é normalmente ditada por questões de higiene (por exemplo, o respirador foi descartado porque ficou contaminado) ou por considerações práticas (por exemplo, necessidade de usar o banheiro, intervalos para refeições etc.), em vez de um número predeterminado de horas", considera o órgão.

Melissa Markoski, da UFCSPA, recomenda trocar a máscara a cada 4 ou 6 horas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) também prevê o uso por no máximo 6 horas no caso de profissionais de saúde e quando há escassez das máscaras.

Ela explica que, para uso por períodos mais longos, é preciso se atentar a alguns detalhes – como, por exemplo, evitar falar demais, para não umedecer a máscara.

"Com essa questão do tempo estendido de uso, se tem recomendado esse uso por até 8 horas. Mas vamos pensar nas condições, porque as máscaras precisam não estar umedecidas. Então, se a pessoa vai passar 8 horas com a máscara, ela precisa entender que não pode passar 8 horas falando, conversando, isso vai umedecer a máscara mais rapidamente", alerta Markoski.

Em áreas de alto risco, com maior chance de contato com aerossóis, a recomendação é diminuir o tempo de uso. "O ideal seria utilizar um tempo menor e, depois, fazer uma reposição", diz.

Beatriz Klimeck, da Uerj, afirma que passar de um determinado número de horas de uso não significa que a máscara perde completamente a eficiência.

"A gente recomenda por até 8 horas, mas não é como se passar [desse tempo] fosse desproteger completamente a pessoa", diz. "É preciso dizer que, se a pessoa precisou ficar 12 horas com a máscara, sem dúvida ela está mais protegida do que se estivesse com qualquer outra. Então não é como se, em 12 horas, a máscara chegasse a zero de filtragem", pondera Klimeck.

Como reutilizar a máscara?

Reutilizar, para uso fora de hospitais, é possível; lavar, não. Não use álcool, sabão ou qualquer produto de limpeza.

Veja algumas recomendações de reuso da máscara:

Não lave, passe álcool ou qualquer produto químico.

Não molhe.

Deixe em local ventilado, arejado e longe da luz solar intensa e prolongada.

Deixe descansando por, no mínimo, 3 dias, e, se possível, 7. Uma opção é separar uma máscara para cada dia da semana e numerá-las.

Não reutilize em sequência (por exemplo: se você saiu com a máscara 1, não a utilize da próxima vez que sair, mesmo que tenha usado por pouco tempo).

Melissa Markoski avalia que até períodos menores de descanso – de 48h – são suficientes para "descansar" a máscara e inativar partículas virais que possam estar ali.

"Se a pessoa tiver um jogo de máscaras para cada dia da semana, ela só vai reutilizar a que ela usou na segunda-feira uma semana depois. Seria a condição ideal. Mas a gente sabe que a população, hoje, não tem condições de ter tantas máscaras, fazer essas reposições todas, então a gente recomenda um mínimo de 48 horas", diz.

Para guardar as máscaras em casa, você pode pendurá-las em um varal, em ganchos na parede ou guardá-las em um envelope de papel.

"Não tem perigo de ficar numa parte da casa em que as pessoas passam, porque o vírus não sai da máscara voando. Ele precisa de partículas – no caso partículas da nossa respiração, da nossa fala – para se propagar, então a máscara pode ficar num ambiente dentro da sua casa, de preferência num lugar arejado e ventilado", explica Klimeck.

 Quantas vezes posso reutilizar?

O CDC considera que não há como determinar o número máximo possível de reutilizações seguras para uma máscara N95 que possa ser aplicado em todos os casos.

 "A reutilização segura do N95 é afetada por uma série de variáveis que afetam a função do respirador e a contaminação ao longo do tempo. No entanto, os fabricantes de respiradores N95 podem ter orientações específicas sobre a reutilização de seus produtos", diz o órgão.

Melissa Markoski fala em reutilizar até 7 vezes a mesma PFF2; Beatriz Klimeck, em até 15, a depender do quanto a máscara é usada e das condições em que está.

Se eu comprar máscaras PFF2, elas vão faltar para profissionais de saúde?

Essa possibilidade é levantada pelo CDC. O órgão não recomenda que máscaras do tipo N95 (equivalente americano da PFF2) sejam usadas pela população em geral – argumentando que elas são suprimentos críticos que devem ser reservados para profissionais de saúde.

 Os Estados Unidos enfrentaram, no ano passado, falta de equipamentos de proteção individual, inclusive das N95, no combate à pandemia.

 A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que as máscaras do tipo N95 "são projetadas para proteger os profissionais de saúde que prestam cuidados a pacientes com Covid-19 em ambientes e áreas onde são realizados procedimentos de geração de aerossol".

No Brasil, o Ministério da Saúde publicou, em 2020, uma nota informativa recomendando que as máscaras cirúrgicas e N95/PFF2 fossem priorizadas para os profissionais de saúde, considerando que os serviços de saúde são os locais com maior potencial de concentração do novo coronavírus.

Segundo Beatriz Klimeck, não há, entretanto, no Brasil, indícios de desabastecimento até agora.

"Outros países – como os países da Europa, que estão obrigando o uso – estão dando subsídio, pensando formas de fomentar essa indústria. A gente tem uma indústria nacional muito grande de máscaras. O movimento não seria deixar de usar e, sim, estimular a produção – que eu acho que também é uma coisa que está acontecendo com o aumento das vendas. Os fornecedores estão interessados em comprar, ir atrás", observa Klimeck.

 Mesmo assim, Vitor Mori lembra que as PFF2 são equipamentos fundamentais para quem está na linha de frente do combate à pandemia.

"Então, minha primeira recomendação é: use com muita parcimônia. E, de preferência, é muito mais fácil, seguro e barato que a gente evite ir para locais de maior risco", reforça.

 Crianças podem usar PFF2?

Depende do tamanho da máscara e do rosto da criança, diz Beatriz Klimeck. Algumas marcas, por exemplo, produzem máscaras de tamanhos diferentes, o que pode facilitar o ajuste. Não existem, entretanto, PFF2 feitas especificamente para crianças– porque elas são, primeiro, um instrumento de trabalho.

A especialista lembra que o mais importante é que a criança, seja qual for o modelo, não retire a máscara do rosto.

"Se vai mandar para a escola, precisa vir com uma conversa sobre manter no rosto – não abaixar, não levantar. Às vezes você abaixa a máscara para ouvir, tem várias reações. É quase um treino", diz.

 Quanto custa, em média, uma PFF2? Onde encontro mais barato?

Segundo Beatriz Klimeck, o preço médio vai de R$ 1,80 a R$ 10. Ela alerta para lojas que têm praticado preços abusivos – como R$ 30, R$ 40 ou mais.

As máscaras podem ser encontradas em farmácias, mas, como é um equipamento de proteção individual (EPI) para trabalho, lojas específicas de EPIs ou de materiais de construção, por exemplo, podem ter preços menores. Procurar on-line também é uma opção.

 "Se essa máscara não é acessível, o ideal é que você preste muita atenção na vedação e que tenha uma máscara que seja um pouco mais grossa", recomenda Vitor Mori.

AS KN95 são a mesma coisa que a PFF2/N95?

As KN95 são a nomenclatura do padrão chinês das PFF2, mas elas têm algumas diferenças em relação às brasileiras. Uma delas é o fato de que os elásticos prendem atrás da orelha – o que reduz a capacidade de vedação das máscaras. Reforçando: não existem PFF2 brasileiras, certificadas, com o elástico atrás da orelha – só da cabeça.

 Vitor Mori também alerta para as falsificações das máscaras vendidas sob a nomenclatura KN95.

"Teoricamente, ele seria equivalente em termos de eficiência de filtragem. O problema é que a gente não consegue garantir um padrão. Testes feitos nos Estados Unidos mostraram que alguns fabricantes de KN95 oferecem um produto que filtra menos de 30% das partículas de 0,3 mícrons. E é impossível diferenciar o que é uma KN95 de boa qualidade e o que não é", alerta.

Qual a diferença entre PFF1, PFF2 e PFF3?

Quanto maior o número, maior foi a eficiência da máscara em impedir a passagem de aerossóis nos ensaios de laboratório:

 PFF1: Possuem eficiência mínima de 80% (penetração máxima de 20% dos aerossóis)

PFF2: Possuem eficiência mínima de 94% (penetração máxima de 6% dos aerossóis)

PFF3: Possuem eficiência mínima de 99% (penetração máxima de 1% dos aerossóis)

Vladimir Vieira explica, entretanto, que, nos ensaios, o que acontece é que as fibras do material filtrante da máscara são “bombardeadas”, de forma contínua, com as partículas do aerossol de ensaio a uma velocidade de 95L/min.

Esse teste é bem mais "drástico" do que a realidade, diz o especialista, e não representa, na prática, que 6% das partículas que estão no ambiente, no caso da PFF2, vão passar pelo material filtrante da máscara.

Além disso, o fluxo de ar que passa pela máscara em atividades normais – sem grande esforço físico – é de 30L.

Ele lembra, ainda, que as PFF3 acabam oferecendo mais resistência à respiração. As trocas também podem acabar sendo necessárias com menos tempo de uso, porque o material filtrante tende a entupir. E o preço dessas máscaras também costuma ser mais alto. O uso da PFF3 é recomendado, por exemplo, em alguns casos de exposição a asbesto (amianto) e sílica.

De modo geral, as PFF2 são mais recomendadas contra agentes biológicos, como o coronavírus, do que as PFF1. Mas mesmo as PFF1, apesar de terem menor poder de filtragem, ainda são melhores que as máscaras de pano ou cirúrgicas contra o coronavírus.

Ele lembra, entretanto, que profissionais de saúde em contato direto com pessoas que têm Covid devem usar a PFF2, além de outros procedimentos recomendados para evitar a contaminação."

 

12/03/2021 – GZH Impresso

"DRIVE-THRU FAZ TESTAGEM EM SINTOMÁTICOS EM PORTO ALEGRE

Pacientes com sintomas de covid-19 e que tenham indicação para coleta do exame que atesta a doença contam, desde ontem, com a oferta de testes gratuitos em drive-thru, instalado no estacionamento da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). No local, são atendidas apenas pessoas encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), indicadas por instituições públicas. As testagens ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h."

 

12/03/2021 – G1

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/03/12/porto-alegre-tem-teste-gratuito-de-covid-para-pessoas-com-sintomas-saiba-como-participar.ghtml

"Porto Alegre tem teste gratuito de Covid para pessoas com sintomas; saiba como participar

Exames RT-PCR podem ser feitos em universidade da Capital. Pacientes devem retirar voucher para poder realizar o teste, na UFCSPA, que fica na Região Central.

Pessoas com sintomas da coronavírus em Porto Alegre podem fazer o teste RT-PCR gratuitamente, na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a prefeitura. O serviço começou na quinta-feira (11).

Contactantes, sintomáticos ou não, de casos positivos para a Covid também podem participar. “Teremos a capacidade de atender a três veículos simultaneamente e realizar até 150 coletas ao dia”, explica a enfermeira Alessandra Dartora da Silva, da faculdade de enfermagem da universidade.

Para realizar o exame, os interessados devem ir até uma unidade de saúde e gerar um voucher digital, que deverá ser apresentado no celular, no local do teste. Na próxima semana, ainda sem data definida, poderá ser realizada a requisição por consulta via tele-atendimento.

Os testes são realizados por 35 voluntários, entre profissionais de saúde e acadêmicos, que foram capacitados para aplicação do PCR.

Drive-thru para coleta de exames

Onde: Estacionamento da UFCSPA, na Rua Sarmento Leite, 245, Centro Histórico

Quando: de segunda a sexta, das 8h às 18h

Quem pode: pessoas com sintomas respiratórios e contactantes sintomáticos ou não de pacientes confirmados com a doença"

 

11/03/2021 – Sul 21

https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/coronavirus/2021/03/teste-de-covid-19-comeca-a-ser-feito-em-drive-thru-no-estacionamento-da-ufcspa/

Teste de covid-19 começa a ser feito em drive-thru no estacionamento da UFCSPA

Começou a funcionar nesta quinta-feira (11) o sistema drive-thru para coleta de exames de covid-19, o teste de RT-PCR, no estacionamento da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em Porto Alegre. Os testes podem ser feitos de segunda a sexta, das 8h às 18h. O estacionamento da instituição fica localizado na rua Sarmento Leite, 245, no centro da cidade. Poderão fazer o teste pessoas com sintomas respiratórios ou contactantes (sintomáticos ou assintomáticos) de casos positivos para covid-19. O voucher para solicitação deve ser obtido em uma unidade de saúde, mas não é necessário apresentá-lo impresso, basta o código no celular. O resultado estará disponível em 48 horas

Começou a funcionar nesta quinta-feira (11) o sistema drive-thru para coleta de exames de covid-19, o teste de RT-PCR, no estacionamento da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em Porto Alegre. Os testes podem ser feitos de segunda a sexta, das 8h às 18h. O estacionamento da instituição fica localizado na rua Sarmento Leite, 245, no centro da cidade. Poderão fazer o teste pessoas com sintomas respiratórios ou contactantes (sintomáticos ou assintomáticos) de casos positivos para covid-19. O voucher para solicitação deve ser obtido em uma unidade de saúde, mas não é necessário apresentá-lo impresso, basta o código no celular. O resultado estará disponível em 48 horas

“Teremos a capacidade de atender a três veículos simultaneamente e realizar até 150 coletas ao dia”, explica a enfermeira Alessandra Dartora da Silva, da Faculdade de Enfermagem da UFCSPA. “Com o projeto do drive-thru, a universidade espera somar esforços para enfrentar a pandemia na cidade, mobilizando nossos acadêmicos para facilitar o acesso, melhorar o atendimento da comunidade e aliviar a pressão sobre serviços onde os testes são realizados.”

A universidade destaca que a iniciativa tem o objetivo de ampliar o acesso da população ao teste num local onde não haja atendimentos de saúde ou estejam sendo realizadas vacinas, a fim de reduzir a exposição das pessoas ao vírus. Uma das coordenadoras da ação, a professora Maria Eugênia Bresolin Pinto reforça a necessidade da apresentação da requisição para a coleta.

 “As pessoas precisam de uma solicitação expressa para o exame RT-PCR. Esta requisição é obtida em consulta nas unidades básicas de saúde e pronto atendimento. Para auxiliar nesse processo está sendo implementado o teleatendimento, numa parceria da Santa Casa, Secretaria Municipal da Saúde e voluntários da UFCSPA. Nesta plataforma, todo o atendimento será realizado por telefone ou vídeochamada. Após a consulta, o paciente receberá uma solicitação digital de coleta do exame. Não adianta se dirigir ao drive-thru se não possuir esta autorização de coleta pois infelizmente não será possível realizar o exame”, explica.

Na última segunda-feira (8), 35 profissionais de saúde e estudantes dos cursos de medicina, enfermagem e biomedicina da universidade foram capacitados para atuar como coletadores do exame RT-PCR e também receberam a primeira dose da vacina aplicada por técnicos da Vigilância em Saúde da Capital. Segundo as normas determinadas pelo Ministério da Saúde, coletadores de exames RT-PCR estão entre os grupos prioritários da campanha de vacinação contra a covid-19.

 

11/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/teleatendimento-para-covid-19-da-santa-casa-de-porto-alegre-registra-de-mais-de-70-de-aumento-na-procura-ckm5dgknl007j016u40784qg5.html

"Teleatendimento para covid-19 da Santa Casa de Porto Alegre registra de mais de 70% de aumento na procura

Atendimentos envolvem o esclarecimento de dúvidas e orientações sobre a doença

O aumento dos casos de coronavírus vem refletindo na busca por informações e orientações sobre a doença no serviço de teleatendimento disponibilizado pela Santa Casa de Porto Alegre. Conforme a instituição, antes do avanço da pandemia eram realizados, em média, cinco atendimentos por hora. Agora, a média é de cerca de oito por hora – um aumento de cerca 72%.  

Os profissionais que atuam no portal realizam o esclarecimento de dúvidas sobre a doença e orientações para aqueles em que há necessidade de realizar de teste para o coronavírus ou buscar atendimento em uma unidade de saúde mais próxima. O objetivo do serviço é diminuir a circulação das pessoas, especialmente nos locais de atendimento para covid-19. 

A coordenadora de ensino e pesquisa do Complexo Santa Casa, Roberta Almeida, afirma que foi necessário a ampliação do número de pessoas que realizam os atendimentos em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

— Estamos com mais profissionais de diferentes áreas da saúde fazendo os atendimentos. Recebemos dúvidas de várias pessoas, inclusive, de profissionais de saúde a respeito das orientações envolvendo a covid-19 — ressaltou a coordenadora. 

Até o momento, os profissionais que atuam no portal podem encaminhar requisições de testes para o coronavírus para os pacientes que possuírem convênio. No entanto, a Santa Casa espera finalizar nos próximos dias um termo de cooperação com a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre para que o encaminhamento da requisição para teste covid também possa ser liberado para pacientes do SUS.

O telemedicina.santacasa.org.br funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h."

 

 11/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/03/pessoas-com-sintomas-de-covid-19-podem-fazer-teste-gratuito-em-drive-thru-em-porto-alegre-ckm4x5em8001p0198hqbyakw1.html

"Pessoas com sintomas de covid-19 podem fazer teste gratuito em drive-thru em Porto Alegre

Espaço foi instalado no estacionamento da UFCSPA, no Centro. No local, são atendidas apenas pessoas encaminhadas pelo SUS

  • O drive-thru funciona no estacionamento da UFCSPA, com acesso pela Rua Sarmento Leite, 245, no Centro Histórico
  • Podem buscar atendimento pessoas com sintomas de covid-19 indicadas pelo SUS. O voucher para solicitação deve ser obtido em uma unidade de saúde
  • Testagens ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h

 Pacientes com sintomas de covid-19, e que tenham indicação para coleta do exame que atesta a doença, contam a partir desta quinta-feira (11) com a oferta de testes gratuitos em drive-thru, sem necessidade de descer dos automóveis. Instalado no estacionamento da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o sistema realizou os primeiros atendimentos por volta das 8h30min.

No local, são atendidas apenas pessoas encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), indicadas por instituições públicas. O movimento foi tranquilo na primeira hora de funcionamento, sem filas no pátio ou nas vias próximas.

A primeira paciente foi a analista financeira Roberta Krul, 43 anos. Com dificuldade de respirar, dores no peito e nas costas, ela chegou ao drive-thru por sugestão da enfermeira que a atendeu na unidade básica de saúde localizada no Morro Santana, na zona leste da Capital.

— Eles me deram uma lista de locais onde poderia fazer o exame, e escolhi aqui por não precisar descer (do carro), nem ficar em um hospital — explicou.

O acesso ao drive-thru é pelo portão da UFCSPA localizado na Rua Sarmento Leite, 245, próximo à saída do Túnel da Conceição, no Centro. Lá, os veículos percorrem um pequeno corredor demarcado por faixas, e as equipes médicas realizam a conferência dos documentos.

 O bancário Gulliver Maffei Machado, 47 anos, apresentou o código QR para atendimento da janela do carro. O voucher foi emitido pelo posto de saúde do bairro Glória, onde ele recebeu a indicação. O código é validado pelos atendentes e, em menos de cinco minutos, o servidor já havia coletado a secreção nasal para o teste PT-PCR.

— Uma maravilha. Para quem está nessa condição, é melhor não precisar ir a uma emergência. Aqui tem muito mais segurança — elogiou.

As testagens ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Cerca de 40 voluntários da UFCSPA e da Santa Casa de Misericórdia atuam na ação — eles se dividem em duas equipes, para evitar a exposição constante.

— O apoio é para desafogar os hospitais e retirar as pessoas de circulação nesses locais. Mais uma forma de combater a pandemia — afirmou Alessandra Dahmer, pró-reitora de planejamento da UFCSPA.

Fernando Ritter, diretor da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, defende o drive-thru como uma medida para evitar aglomerações. O trabalho voluntário de estudantes dos cursos de Medicina, Enfermagem, Farmácia e Biomedicina da UFCSPA, além de mão de obra gratuita e de outras universidades, possibilita a realocação de profissionais do município.

— Dessa forma podemos redistribuí-los, para dar conta da demanda — disse.

A análise do material será feita pela rede conveniada de laboratórios da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que passará diariamente na área de coleta para buscar os exames e encaminhá-los a esses locais.

A ação também recebeu apoio do Exército, na montagem da barraca de testes, e da empresa Termolar, que doou caixas térmicas para alocação dos materiais.

Seguindo normas do Conselho Regional de Medicina, a obtenção do voucher que possibilita o teste passará a ser oferecido também via teleatendimento. O sistema já funciona para a retirada de dúvidas no site, mas ainda não emite o código QR para finalidade de testes. Isso deve acontecer nos próximos dias, segundo a prefeitura.

O teleatendimento é realizado por médicos do hospital e da universidade, que tiram dúvidas em relação aos sintomas e às condutas adequadas referentes ao coronavírus."

 

11/03/2021 – G1 RS

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/03/11/entidades-oferecem-teleatendimento-gratuito-para-pessoas-com-sintomas-de-covid-19-em-porto-alegre.ghtml

"Entidades oferecem teleatendimento gratuito para pessoas com sintomas de Covid-19 em Porto Alegre

Médicos da Santa Casa de Misericórdia e UFCSPA vão esclarecer dúvidas sobre os sintomas e auxiliar pacientes para condutas adequadas referentes ao coronavírus.

A Santa Casa de Misericórdia e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) vão oferecer atendimento médico gratuito por telefone para pessoas com sintomas de coronavírus.

A plataforma de teleatendimento começa a funcionar a partir desta quinta-feira (11). Os atendimentos devem acontecer através do site, de segunda a sexta, das 8h às 20h.

Médicos do hospital e da universidade vão tirar dúvidas sobre os sintomas da doença e quais condutas o paciente pode seguir. Através do teleatendimento, também é possível que a pessoa seja encaminhada para a realização de testagem.

Para o diretor médico da Santa Casa, Antônio Kalil, o objetivo é reduzir a circulação de pessoas.

"Queremos que as pessoas não precisem ir aos postos de saúde para pegar um encaminhamento de PCR ou atestado", explica.

O local para a realização do exame será disponibilizado pela prefeitura da Capital."

 

11/03/2021 – RBS - Programa Bom Dia Rio Grande

https://globoplay.globo.com/v/9339739/

Prefeitura de Porto Alegre amplia testagem de Covid-19 por meio de drive-thru

Vídeo no link.

 

11/03/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/pessoas-com-sintomas-do-coronav%C3%ADrus-podem-realizar-teste-gratuito-no-drive-thru-da-ufcspa-1.584639

"Pessoas com sintomas do coronavírus podem realizar teste gratuito no drive-thru da UFCSPA

Testagens serão por tempo indeterminado, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h

As pessoas que apresentarem sintomas da Covid-19 poderão realizar gratuitamente o teste em um drive-thru montado no estacionamento da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), no Centro Histórico de Porto Alegre. A estrutura fica ao lado do complexo hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Na manhã desta quinta-feira, os primeiros atendimentos começaram por volta das 8h30min. O movimento foi tranquilo nas primeiras horas de funcionamento, sem filas no pátio da universidade ou na rua Sarmento Leite.

A professora Alessandra Dartora, do Departamento de Enfermagem da universidade e da coordenação da ação voluntária de testagem em drive-thru da Ufcspa, informou que no local serão atendidas apenas pessoas encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que a solicitação deve ser obtida em uma unidade de saúde.

As testagens serão por tempo indeterminado e vão ocorrer de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. "Os pacientes com sintomas da doença e que tenham indicação para coleta do exame que atesta a enfermidade não precisam descer dos automóveis", explicou.

A analista financeira Roberta Krul, 43 anos, que estava com dificuldade para respirar, dores no peito e nas costas, chegou ao drive-thru por sugestão da enfermeira que a atendeu na unidade de saúde do Morro Santana. Segundo Alessandra Dartora, o exame feito no local é o RT-PCR (que consiste na coleta de uma amostra da secreção nasal).

O acesso ao drive-thru é pelo portão da UFCSPA localizado na rua Sarmento Leite, 245, próximo à saída do Túnel da Conceição, no Centro. Os carros percorrem um corredor demarcado por faixas, e as equipes (acadêmicos de Medicina, Enfermagem, Biomedicina  e Farmácia orientados por professores do curso de Enfermagem) realizam a conferência dos documentos e o exame.

Cerca de 60 voluntários da UFCSPA e da Santa Casa de Misericórdia atuam na ação - os grupos estão divididos em duas equipes, para evitar a exposição constante. A análise do material será feita pela rede conveniada de laboratórios da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que passará diariamente na área de coleta para buscar os exames e encaminhá-los a esses locais. A ação também recebeu apoio do Exército, na montagem da barraca de testes.

Cenário desfavorável

Conforme Alessandra Dartora, a iniciativa acontece em virtude do cenário epidemiológico extremamente desfavorável. "A gente precisa de mobilizações como essa para salvar vidas e desafogar o sistema de saúde", destacou. A iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso da população ao teste e proporcionar a realização da coleta em local em que não haja atendimentos de saúde, ou em que estejam sendo realizadas vacinas.

Após a realização do exame, o paciente receberá um comprovante com orientações de como ter acesso ao resultado. A análise dos testes será realizada pela rede conveniada de laboratórios da SMS, que passará diariamente para levar os exames coletados para estes locais.

Uma das coordenadoras da ação, a professora Maria Eugênia Bresolin Pinto reforça a necessidade da apresentação da requisição para a coleta. "As pessoas precisam de uma solicitação expressa para o exame RT-PCR. Esta requisição é obtida em consulta nas unidades básicas de saúde e pronto atendimento", acrescentou. "

 

10/03/2021 – Revista Cláudia

https://claudia.abril.com.br/saude/com-recorde-de-mortes-brasil-ultrapassa-eua-em-mortes-diarias-por-covid/

Com recorde de mortes, Brasil ultrapassa EUA em mortes diárias por Covid

O país enfrenta o pior momento da pandemia e registrou nesta terça-feira 1954 óbitos

Nesta terça-feira (9), o Brasil atingiu mais uma marca histórica. Após registar a morte de 1.954 brasileiros, o maior número de mortes em 24h desde o início da pandemia, o país ultrapassou os Estados Unidos em número de óbitos diários. O país norte-americano registrou na data 1.947 mortes, segundo dados do “Our World in Data”, da Universidade de Oxford.

De acordo com o levantamento, esta não é a primeira vez que isto acontece. Esta realidade vem se repetindo nos últimos cinco dias.

Desde o início da pandemia, Estados Unidos e Brasil são os dois países que mais registraram mortes por Covid-19 em todo o globo, sendo 527.699 estadunidenses e 268.568 brasileiros que somam aos mais de 2,5 milhões de óbitos em todo o mundo.

A diferença entre os dois países é de que o americanos estão em uma vacinação em massa, enquanto o Brasil enfrenta o pior momento da pandemia e dificuldades na vacinação da população, ocasionada por falta de vacinas, insumos e organização. No total, apenas 4,1% da população brasileira recebeu ao menos uma dose do imunizante.

Airton Stein, epidemiologista e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), afirmou que a pandemia foi refletida de forma mais grotesca em países com mais desigualdade, como o Brasil.

“É uma situação muito complexa, mas isso ficou mais exposto nos países onde tem falta de estrutura de bem-estar social – não apenas sistema de saúde, mas de apoio para aquelas populações vulneráveis e, principalmente, com um número muito grande de vulneráveis”, disse.

“A epidemia deixou mais em evidência essa interação social com a saúde. As pessoas estão mais expostas a circularem por terem trabalhos em que precisam circular e, também, por não terem acesso a serviços de saúde adequados”, afirmou Stein.

 

10/03/2021 – Jornal Folha do Mate

https://folhadomate.com/livre/equipe-da-univates-identifica-mutacoes-no-genoma-do-sars-cov-2-virus-causador-da-covid-19/

"Equipe da Univates identifica mutações no genoma do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19

Um grupo de pesquisadores da Universidade do Vale do Taquari (Univates), liderados pelo professor doutor Luis Fernando Saraiva Macedo Timmers realizou a análise de 627 genomas do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19, isolados de indivíduos de diferentes regiões do Brasil.

Durante o trabalho, os pesquisadores combinaram análises de genômica e bioinformática estrutural para avaliar a presença de mutações no genoma de SARS-CoV-2, com o objetivo de demonstrar quais são e onde, na estrutura do vírus, estão as mutações mais prevalentes. O estudo expande o conhecimento sobre a interação do vírus da Covid-19 com o organismo humano.

Objetivos do trabalho

O principal objetivo do estudo foi avaliar a presença de mutações no genoma do SARS-CoV-2 isolados em diferentes regiões do Brasil. “Nós vemos muitas notícias de mutações sendo notificadas em outros lugares do mundo e, à altura, havia poucas informações sobre o Brasil. Já existem mudanças no genoma de SARS-CoV-2 circulando por aqui? Em caso positivo, quais são os genes que apresentam as maiores taxas de mutações?”, essas foram perguntas que guiaram o estudo, diz Timmers. Os dados para este estudo foram obtidos por meio do banco de dados públicos GISAID.

Resultados

Os resultados demonstraram que grande parte das mutações foram observadas em quatro proteínas virais: (i) Spike, (ii) nucleocapsídeo, (iii) ORF3a e (iv) ORF6. Essas proteínas estão envolvidas em diferentes estágios do ciclo viral, assim como no processo de interação com as células humanas. Um ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a presença de diferentes mutações na região da proteína Spike – responsável por reconhecer a célula humana e iniciar o processo de infecção pelo vírus.

Um grupo de pesquisadores da Universidade do Vale do Taquari (Univates), liderados pelo professor doutor Luis Fernando Saraiva Macedo Timmers realizou a análise de 627 genomas do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19, isolados de indivíduos de diferentes regiões do Brasil.

Durante o trabalho, os pesquisadores combinaram análises de genômica e bioinformática estrutural para avaliar a presença de mutações no genoma de SARS-CoV-2, com o objetivo de demonstrar quais são e onde, na estrutura do vírus, estão as mutações mais prevalentes. O estudo expande o conhecimento sobre a interação do vírus da Covid-19 com o organismo humano.

Objetivos do trabalho

O principal objetivo do estudo foi avaliar a presença de mutações no genoma do SARS-CoV-2 isolados em diferentes regiões do Brasil. “Nós vemos muitas notícias de mutações sendo notificadas em outros lugares do mundo e, à altura, havia poucas informações sobre o Brasil. Já existem mudanças no genoma de SARS-CoV-2 circulando por aqui? Em caso positivo, quais são os genes que apresentam as maiores taxas de mutações?”, essas foram perguntas que guiaram o estudo, diz Timmers. Os dados para este estudo foram obtidos por meio do banco de dados públicos GISAID.

Resultados

Os resultados demonstraram que grande parte das mutações foram observadas em quatro proteínas virais: (i) Spike, (ii) nucleocapsídeo, (iii) ORF3a e (iv) ORF6. Essas proteínas estão envolvidas em diferentes estágios do ciclo viral, assim como no processo de interação com as células humanas. Um ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a presença de diferentes mutações na região da proteína Spike – responsável por reconhecer a célula humana e iniciar o processo de infecção pelo vírus.

Para chegar às respostas a equipe combinou diversas técnicas computacionais como a bioinformática estrutural e a genômica comparativa. Desta forma, foi possível observar que as mutações estavam acontecendo, sim. A análise estrutural realizada durante a pesquisa trouxe luz às posições em que as alterações acontecem nas proteínas virais, o que pode auxiliar estudos sobre a descoberta de medicamentos baseados em estrutura (structure-based drug discovery), no desenvolvimento de vacinas, assim como, o impacto dessas variações na eficácia das vacinas atuais. “Uma vez identificadas as mutações, observamos onde elas estavam localizadas na estrutura das proteínas virais”, diz o docente.

Os dados dos genomas estudados estão em bancos de dados públicos, de onde as amostras coletadas vieram e nas quais estudos como o da Univates ainda não haviam sido realizados. Timmers defende a importância de se conhecer a existência de mutações em curso no vírus, quais são e onde estão localizadas. “Especialmente neste momento de desenvolvimento de vacinas é essencial que se conheça mais”.

Casos em que mutações influenciam os efeitos da vacina já foram verificados. “A neutralização viral induzida pela vacina da Oxford/AstraZeneca, parece ser significativamente reduzida contra a variante B.1.351, identificada na África do Sul”, lembra o docente. Quanto mais o vírus circula, maior as chances de ocorrerem mutações no genoma viral. “Desta forma, mesmo com o início do processo de vacinação, ainda são extremamente importantes manter as medidas de higienização, uso de máscara e distanciamento social”, finaliza o pesquisador.

Parceria

Timmers explica que a investigação foi delineada na Instituição, numa parceria dele com os professores, doutor João Antônio Pêgas Henriques e a doutora Márcia Goettert – que, no momento, está na Universidade de Tübingen, na Alemanha, pesquisando o desenvolvimento de novos testes para detecção de SARS-CoV-2.

Além dos professores da Univates, a pesquisa contou com a colaboração de mais seis instituições: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Universidade de Tübingen.

O artigo está publicado no formato preprint – ou seja, pré-publicado –, na revista ChemRxiv. E é possível acessar o conteúdo integral da publicação da Univates através do link."

  

10/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/rs-completa-um-ano-de-pandemia-com-erros-e-acertos-enquanto-enfrenta-colapso-das-utis-ckm2e4awj00000198k4ruy8in.html

"RS completa um ano de pandemia com erros e acertos enquanto enfrenta colapso das UTIs

Estado desenhou modelo de bandeiras, copiado por outras unidades da Federação, mas viu população normalizar alto nível de infecções e mortes e vê piora com nova cepa

Exatamente um ano após a confirmação oficial do primeiro caso de covid-19, o Rio Grande do Sul acumula, nesta quarta-feira, 10 de março, erros e acertos no combate à pandemia enquanto vive, assim como outros Estados, o colapso das unidades de terapia intensiva (UTI) e o aumento vertiginoso de mortes.

Até agora, foram 13,8 mil vítimas, pouco mais do que a população de Barra do Ribeiro, e 703,2 mil casos confirmados da doença, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES) desta terça-feira (9).

Entre os acertos do Rio Grande do Sul citados por especialistas da saúde, estão o fechamento das atividades logo no início da pandemia, para hospitais se prepararem para a chegada do vírus, o modelo de distanciamento controlado, a gigantesca expansão de leitos de UTI (mais de 130% frente a antes do surgimento da covid-19) e a adesão dos gaúchos, em um primeiro momento, ao distanciamento social.

Os erros incluem aglomerações, descrédito de parte da população acerca da gravidade do vírus, fraca fiscalização sobre quem desrespeita medidas sanitárias, concessões no modelo de bandeiras, baixa testagem com PCR e falta de rastreio de pessoas que mantiveram contato com infectados.

— Tivemos uma boa resposta nos meses iniciais da pandemia, o que foi responsável por empurrar o pico da primeira onda por um bom tempo e permitiu ao Estado ter o menor excesso de mortalidade do Brasil. Acontece que esse esforço deveria ter tido continuidade na virada do ano. Com o atraso nas vacinas, houve a emergência de novas variantes e a população teve a falsa sensação de segurança — diz o médico epidemiologista Ricardo Kuchenbecker, gerente de risco no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e membro do comitê científico do Palácio Piratini.

O primeiro caso de coronavírus foi registrado no Brasil em 26 de fevereiro. Em 10 de março, foi confirmada a primeira pessoa infectada no Rio Grande do Sul e, no dia seguinte, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou estado de pandemia no mundo. Na semana seguinte, o governador Eduardo Leite determinou a suspensão das aulas na rede estadual, que até retornaram em outubro, mas com baixa adesão devido ao medo do vírus.

 Em poucos dias, houve a primeira morte no RS. A partir daí, trabalhadores foram enviados para casa, muitos foram demitidos e estudantes tiveram que se adaptar ao ensino remoto. Milhares de famílias conheceram o luto por conta de um vírus que impôs o maior desafio sanitário do último século.

Em 31 de março, o Palácio Piratini determinou o fechamento de todo o comércio e de atividades não essenciais para alcançar uma meta que caiu na boca da população: o achatamento da curva.

O grande objetivo era retardar o crescimento da epidemia para dar tempo de os hospitais gaúchos criarem novos leitos de UTI, se equiparem e se prepararem para a esperada onda massiva de internações vista na Europa e na China. Os gaúchos saíram, nessa primeira batalha, vitoriosos.

Por meses, o Rio Grande do Sul esteve entre os Estados onde a população mais ficou em casa, o que contribuiu para que, ao longo dos meses seguintes, fosse também a unidade da Federação com uma das menores taxas de mortalidade a cada 100 mil habitantes do Brasil. Graças a isso, o Rio Grande também registrou o menor excesso de mortes do país em 2020, conforme análise de fevereiro do Comitê de Dados do Palácio Piratini.

Para conciliar a proteção às vidas com o impacto na economia, o governo estadual anunciou, no fim de abril, o modelo de distanciamento controlado, calcado em bandeiras que sinalizam à população o risco de colapso do sistema hospitalar.

O inovador modelo, copiado por Estados como São Paulo e Santa Catarina, foi visto como uma saída para um país desigual como o Brasil, no qual o governo federal não forneceu liderança nem dinheiro suficientes para que a população ficasse em casa por muito tempo – em 2020, o Ministério da Economia repassou R$ 600 mensais a 67,9 milhões de brasileiros.

Após pressão do setor econômico, que apontava uma onda de desemprego, Leite admitiu a cogestão, um modelo que permitia a cidades adotarem protocolos sanitários mais brandos (cuidados de bandeira laranja se estivessem em bandeira vermelha, por exemplo), se apresentassem um plano detalhado ao governo do Estado.

O movimento foi saudado por empresários, que viram na concessão uma janela para conter demissões em massa, mas criticado por especialistas da saúde, que projetavam aumento de mortes em meio a uma possível normalização, em altos patamares, de infecções e de mortes. Ambas as expectativas se concretizaram.

A economia de fato ficou mais aquecida, o que se refletiu em queda de 20% nos pedidos de seguro-desemprego em janeiro frente ao mês anterior, ao custo da normalização de mortes a níveis inimagináveis e a concretização do que a médica Lucia Pellanda, professora e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), chama de “paradoxo da epidemiologia”.

 

sto é: quando uma medida sanitária funciona e evita um alto número de mortes (ficar em casa e usar máscara na rua, no caso da pandemia), parcela da população passa a acreditar que o problema não existe. Com isso, a própria solução acaba sendo criticada e o real inimigo (um vírus que ceifa diariamente, no Brasil, oito vezes o número de vítimas da boate Kiss, em Santa Maria) é menosprezado.

— Tomamos medidas de forma precoce e efetiva. Nos primeiros meses, tínhamos os maiores índices de isolamento. Mas é o paradoxo preventivo: as pessoas não enxergam o resultado do que fazem. Como não havia gente doente, alguns acharam que não precisava mais ter medo. O mesmo acontece com as vacinas: a doença é erradicada e as pessoas perdem o medo da doença — comenta a médica epidemiologista.

O resultado é que o Rio Grande do Sul passou por um primeiro pico no inverno, com auge de mortes em agosto, uma melhora até novembro e uma segunda onda em dezembro, o mês com mais mortes da pandemia.  E profissionais da saúde passaram a vivenciar uma exaustiva rotina de salvamento, como se hospitais gaúchos tivessem sido transformados em campos de ajuda humanitária de uma nação em guerra.

Apesar do receio de explosão de casos após Natal e Ano-Novo, o Estado viu uma melhora em janeiro e no início de fevereiro, o que o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19, credita à tradição gaúcha de veranear na praia ou no Interior, longe de grandes centros.

No entanto, com a volta ao trabalho presencial, o início de fevereiro registrou um aumento de contaminações, o que culminou, na segunda metade do mês, em uma explosão de internações e mortes.

A piora foi tão grande que fevereiro se tornou o segundo mês mais mortífero da pandemia no Rio Grande do Sul. Neste início de março, o Estado está, pela segunda semana consecutiva, em bandeira preta. A ocupação das UTIs nesta terça-feira (9) era de 103,8%, com um cenário pior em hospitais privados gaúchos.

— O maior acerto foi ter restringido a mobilidade logo que os primeiros casos apareceram, para o preparo dos hospitais. Isso foi decisivo para colocar o Rio Grande do Sul entre as menores taxas de mortalidade. O primeiro erro foi ter promovido aberturas com o distanciamento controlado, que acompanha indicadores de hospitalização tardios. E houve outro erro: acreditar que o controle da epidemia se resumia a fechar e abrir comércios. Após a expansão inicial, não houve grande aumento de capacidade de testagem, plano de rastreamento de contactantes e, principalmente, comunicação. Houve mais uma intenção de passar que as coisas estavam indo para a normalidade — opina o médico Alexandre Zavascki, professor de Infectologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A tragédia no Rio Grande do Sul é compartilhada por outros Estados: o Brasil como um todo está à beira do colapso do sistema de saúde, em meio à dificuldade do governo federal em assegurar vacinas aos brasileiros e à desmobilização do presidente Jair Bolsonaro em conclamar o país a seguir os protocolos sanitários.

 — Com a expansão da vacinação, veremos um cenário mais positivo. O que tem sido comprovadamente eficaz, se olharmos Israel, é a vacinação em massa, uso de máscaras e distanciamento físico. Enquanto tivermos um percentual baixo de vacinação, corremos o risco de gerar novas cepas. O governo do Estado está em negociação com as farmacêuticas, a Assembleia Legislativa e os prefeitos têm apoiado, há uma frente de governadores em busca de vacinas. Se as vacinas não chegarem diretamente por compra do país, governadores estão atuando para comprá-las — afirma Luís Lamb, coordenador do Comitê de Dados do Palácio Piratini e secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia. "

 

10/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/em-nova-alta-rs-tem-23-mil-pacientes-com-covid-19-internados-em-uti-veja-grafico-ckm3y46ls004l016u00vk1hup.html

"Em nova alta, RS tem 2,3 mil pacientes com covid-19 internados em UTI; veja gráfico

Já são 31 dias com aumentos consecutivos no total de hospitalizados para tratamento intensivo

O Rio Grande do Sul bateu, ao longo desta quarta-feira (10), novos recordes de pacientes hospitalizados pela covid-19, tanto em leitos de unidade de tratamento intensivo (UTI), quanto em leitos clínicos. Já são 31 dias com aumentos consecutivos no total de hospitalizados pela doença em UTIs.

No fim da tarde desta quarta, o Estado passava dos 2.327 pacientes com covid-19 em leitos intensivos — na véspera, eram 2.255. Há um mês, esse número era três vezes menor, com 783 pessoas nessas condições.

A situação nas UTIs é duas vezes mais grave do que os piores momentos da pandemia ao longo de 2020. Esse indicador atingiu o pico, no ano passado, em 25 de dezembro, com 986 pessoas com confirmação de covid-19 em unidades de terapia intensiva.

Ainda que o agravamento nos números de UTI não dê trégua há mais de um mês, a última semana mostra uma desaceleração na piora do cenário. Em outras palavras, o total de pacientes com covid-19 em UTIs segue piorando, mas não tão rápido.

A epidemiologia Lucia Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), diz que a desaceleração pode ser consequência positiva das medidas de restrição aplicadas há duas semanas no Estado. A outra explicação possível, diz a epidemiologista, é que o total de internados em UTIs pode estar subindo mais devagar nos últimos dias porque alguns hospitais já colapsaram e não conseguem receber novos pacientes.

— Uma das informações mais importantes neste momento é o tamanho da lista de espera por leitos de UTI no Estado. Se soubermos isso teremos mais noção se o cenário começou a melhorar ou ainda está piorando. É preciso também ficarmos atentos aos leitos clínicos — diz a epidemiologista.

Recorde de internados em leitos clínicos

O Rio Grande do Sul também atingiu o maior número de pessoas com covid-19 internadas em leitos de baixa e média complexidade. No fim da tarde desta quarta eram 5.160 pacientes nessa situação, já com confirmação da doença.

Esse indicador cresceu cinco vezes no intervalo de 30 dias. Em 8 de fevereiro, eram 963 pessoas nessa condição.

O Estado também bateu recorde, nesta quarta, no total de internados. Esse indicador contabiliza os pacientes hospitalizados com confirmação e com suspeita da doença, em todos os leitos. São 8,6 mil pessoas, atualmente, nesse cálculo. Há um mês, eram 2,3 mil."

 

10/03/2021 – Diário Gaúcho

http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/03/santa-casa-e-ufcspa-oferecem-teleatendimento-gratuito-para-pessoas-com-sintomas-de-covid-19-15602632.html

"Santa Casa e UFCSPA oferecem teleatendimento gratuito para pessoas com sintomas de covid-19

Será possível obter o encaminhamento para a realização do exame PCR

Uma ação da Santa Casa de Misericórdia em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) passa a oferecer atendimento médico gratuito por telefone para pessoas com sintomas de covid-19.

O atendimento será realizado por médicos  do hospital e da universidade, que irão tirar dúvidas em relação aos sintomas e às condutas adequadas referentes ao coronavírus.

Também será possível obter o encaminhamento para a realização do exame diagnóstico da contaminação. O local para realização do teste será disponibilizado pela prefeitura de Porto Alegre. A plataforma de telemedicina deve entrar no ar na próxima quinta-feira (11).

De acordo com o diretor médico da Santa Casa, Antônio Kalil, a intenção é reduzir a circulação de pessoas:

— Queremos que as pessoas não precisem ir aos postos de saúde para pegar um encaminhamento de PCR ou atestado.

O atendimento irá gerar um prontuário e o paciente receberá receitas e encaminhamento para realização do exame por e-mail. Os atendimentos acontecerão pelo portal telemedicina.santacasa.org.br, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h."

 

10/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/um-ano-de-pandemia-apesar-de-incertezas-quanto-ao-fim-caminhos-para-frear-o-virus-sao-conhecidos-ckm3xe4na005a01983h0f3s6h.html

“Um ano de pandemia: apesar de incertezas quanto ao fim, caminhos para frear o vírus são conhecidos

Contenção passa por distanciamento, prevenção e vacinação

Há um ano, a dispersão do coronavírus pelo planeta levou à declaração de pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Na época, o mundo tinha 4.291 mortes provocadas pela doença. Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, afirmou, naquele dia, que os países deveriam adotar estratégias para “salvar vidas e minimizar o impacto”.

O aviso foi dado, mas, ainda hoje, o mundo vive sob a ameaça da covid-19, e agora com suas novas variantes. Segundo especialistas, a contenção da pandemia passa pelo respeito às medidas de cuidado e pela vacinação, mas não é possível precisar um prazo para o seu fim. 

Nem mesmo a OMS consegue ter uma noção de quando poderá declarar o fim da pandemia. O órgão não delimitou nem mesmo os critérios para determinar esse encerramento. Em 1° de março, Michael Ryan, diretor de emergências da OMS, afirmou que o vírus continua ativo.

— Seria muito prematuro, e eu diria carente de realismo, pensar que vamos acabar com o vírus até o final deste ano. Mas acho que o que podemos interromper, se formos inteligentes, as hospitalizações, as mortes e a tragédia que esta pandemia traz — disse à agência AFP, ressaltando que o objetivo do órgão é diminuir os níveis de contágio, ajudar a prevenir o surgimento de variantes e reduzir o número de pessoas que adoecem.

O mais próximo que a OMS tem de um protocolo de flexibilização versa sobre as medidas de restrições. No entendimento da organização, os países que cogitam aliviar as medidas de controle precisam levar em consideração seis critérios. São eles: controle da transmissão; capacidade de detectar, testar, isolar e tratar cada caso, além de rastrear todos os contatos; minimização dos riscos de surto; adoção das medidas de prevenção em locais essenciais; controle sobre riscos de importação do vírus; educação e engajamento da comunidade sobre as medidas adotadas. 

A médica epidemiologista Lúcia Pellanda, professora e reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), afirma que é difícil prever o término dessa cruzada, porém, ela aponta os caminhos para que a derrocada da covid-19 se concretize:

— Precisamos acabar com a circulação do vírus, e isso se dá por meio do aumento da taxa de distanciamento social, evitando aglomerações. Além de fazer o uso de máscara, lavar as mãos e deixar os ambientes ventilados. A isso, soma-se a vacinação. Países como Reino Unido, Israel e Estados Unidos, que estão vacinando bastante, já registraram queda na taxa de interação por covid. Isso é um ótimo indicativo. 

Francisco Paz, diretor-técnico do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), ressalta que esse esforço precisa ser conjunto, não somente em nível nacional, mas mundial. Isso porque, se algumas localidades não conseguirem interromper a circulação do vírus, ele vai sofrer mutações.

— Ele vai se adaptar, vai escapar dos neutralizantes produzidos pelas vacinas e a gente vai recomeçar o ciclo. Esse não é o caso, ainda, mas é uma possibilidade se não juntarmos esforços. Essa é uma condição que pode alterar o rumo da doença, por isso, não tem como projetar o fim da pandemia — observa. 

O papel do Brasil

Em entrevista ao programa Timeline desta quarta-feira (10), Pedro Hallal, coordenador da Pesquisa Nacional Epicovid, afirmou que a falta de uma política pública de real controle da doença fez com que o Brasil alcançasse um posto indesejado:

— O Brasil se tornou uma ameaça à saúde pública mundial porque estamos no pior momento da pandemia e, diferentemente de outros países, não temos a restrição de circulação imposta. A variante P1 (de Manaus) é mais transmissível, mas quanto mais o vírus transita, mais variantes podem surgir, inclusive uma mais letal e perigosa. 

Hallal, que também é professor de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), alertou que, segundo dados da Universidade Johns Hopkins, 21% das mortes por covid-19 que aconteceram na última terça-feira (9) no mundo foram no Brasil. Esse índice ficava na casa dos 10% anteriormente:

— Os 20 maiores países do mundo, com exceção do Brasil, estão em decréscimo no número. Eles adotaram a vacinação em ritmo acelerado e restringiram o trânsito de pessoas nas ruas. Porque é isso o que nos resta fazer. O problema é que no Brasil nenhuma dessas duas coisas estão acontecendo. 

O apontamento feito por Hallal vai ao encontro do que disse Adhanom na última sexta-feira (5). O diretor-geral da OMS apontou a situação pandêmica brasileira como preocupante não só para o país, mas para a América Latina e para o mundo.

— A situação no Brasil, nós dizemos que estamos preocupados, mas a preocupação não é apenas com o Brasil. Os vizinhos do Brasil, quase toda a América Latina. Muitos países. Isso significa que, se o Brasil não for sério, vai continuar afetando todos os vizinhos. Então, isso não é apenas sobre o Brasil, mas também sobre toda a América Latina e além — alertou, em coletiva de imprensa. 

Faça sua parte

O uso da máscara ainda é um grande aliado no combate à pandemia. Para frear o coronavírus, é preciso investir no uso desse equipamento de proteção, assinala a professora de Epidemiologia da UFCSPA:

— Se não usarmos a máscara e não seguirmos as recomendações de higiene e distanciamento, a tragédia será ainda maior. Um estudo em pré-print (sem revisão de outras pessoas) feito por UFCSPA, UFPel e UFRGS revelou que a máscara reduz em 87% o risco de contágio em relação a quem usa. Usá-la é um sinal de gentileza e consideração pelo próximo. Utilizá-la é muito mais confortável do que ficar doente."

 

10/03/2021 – RBS TV - Jornal do Almoço 

Uso de máscara reduz em 87% as chances de infecção por Covid-19

https://globoplay.globo.com/v/9337163/

 

10/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/03/santa-casa-e-ufcspa-oferecem-teleatendimento-gratuito-para-pessoas-com-sintomas-de-covid-19-ckm2j53fr003401988j1cci5m.html

"Santa Casa e UFCSPA oferecem teleatendimento gratuito para pessoas com sintomas de covid-19

Será possível obter o encaminhamento para a realização do exame PCR

Uma ação da Santa Casa de Misericórdia em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) passa a oferecer atendimento médico gratuito por telefone para pessoas com sintomas de covid-19.

O atendimento será realizado por médicos  do hospital e da universidade, que irão tirar dúvidas em relação aos sintomas e às condutas adequadas referentes ao coronavírus.

Também será possível obter o encaminhamento para a realização do exame diagnóstico da contaminação. O local para realização do teste será disponibilizado pela prefeitura de Porto Alegre. A plataforma de telemedicina deve entrar no ar na próxima quinta-feira (11).

De acordo com o diretor médico da Santa Casa, Antônio Kalil, a intenção é reduzir a circulação de pessoas:

— Queremos que as pessoas não precisem ir aos postos de saúde para pegar um encaminhamento de PCR ou atestado.

O atendimento irá gerar gerar um prontuário e o paciente receberá receitas e encaminhamento para realização do exame por e-mail. Os atendimentos acontecerão pelo portal telemedicina.santacasa.org.br, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h."

 

10/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/03/populacao-podera-realizar-testes-para-covid-19-na-ufcspa-a-partir-desta-quinta-feira-ckm3umnpz003i016u0jph39ky.html

"População poderá realizar testes para covid-19 na UFCSPA a partir desta quinta-feira

Coletas de PT-PCR ocorrerão de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, em pessoas que acessarem o local de carro e tiverem requisição para o exame

A partir desta quinta-feira (11), a população poderá realizar testes para covid-19 em drive-thru na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). As coletas de PT-PCR ocorrerão no estacionamento da instituição (Rua Sarmento Leite, 245) de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, gratuitamente.

Os interessados devem ingressar na UFCSPA de carro, no ponto onde fica a primeira guarita de estacionamento, e apresentar aos profissionais de saúde um documento de identificação com foto e a requisição para fazer o exame. Após a coleta, as pessoas receberão um comprovante com orientações de como ter acesso ao resultado, que estará disponível após 48 horas.

Elaborada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e com o apoio da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, a iniciativa visa ampliar o acesso da população à testagem e proporcionar que a coleta seja feita em um local que não realize atendimentos de saúde ou aplicação de vacinas, a fim de reduzir o risco de exposição ao vírus. A ação também recebeu apoio do Exército Brasileiro, que auxiliou na montagem da barraca de testes, e da empresa Termolar, que doou caixas térmicas para alocação dos materiais.

Os testes serão realizados por estudantes voluntários dos cursos de Medicina, Enfermagem, Farmácia e Biomedicina da UFCSPA e de outras universidades, supervisionados por professores da instituição. Já a análise do material será feita pela rede conveniada de laboratórios da SMS, que passará diariamente na área de coleta para buscar os exames e encaminhá-los para esses locais.

Professora e uma das coordenadoras da iniciativa, Maria Eugênia Bresolin Pinto salienta a necessidade de apresentação da requisição por parte dos pacientes para que o exame seja feito, e explica que o documento é obtido por meio de consulta nas unidades básicas de saúde e prontos-atendimentos. 

— Para auxiliar nesse processo, está sendo implementado o teleatendimento, em uma parceria da Santa Casa, da SMS e de voluntários da UFCSPA. Nessa plataforma, todo o atendimento será realizado por telefone ou videochamada. Após a consulta, o paciente receberá uma solicitação digital de coleta do exame — orienta."

 

 10/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/com-cepa-de-manaus-rs-entra-em-fase-mais-perigosa-da-pandemia-futuro-depende-de-vacina-e-cumprimento-de-regras-ckm2epj9j000i0198g77ukl57.html

"Com cepa de Manaus, RS entra em fase mais perigosa da pandemia; futuro depende de vacina e cumprimento de regras

Um ano após o primeiro caso de coronavírus no Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira (10), analistas alertam para risco de Brasil se tornar celeiro de novas variantes

Com a confirmação, na semana passada, da transmissão comunitária da variante de Manaus em solo gaúcho, profissionais da saúde projetam uma nova, e mais perigosa, fase da pandemia no Estado e no Brasil como um todo, no momento em que se chega ao primeiro ano do registro do caso número 1 no Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira (10). Para contê-la, cuidados sanitários precisarão ser intensificados e a vacinação em massa deverá ser acelerada.

A ciência ainda não sabe se a cepa P.1, surgida primeiramente em Manaus, traz mais riscos de mortes para quem é infectado, mas há estudos mostrando que ela é transmitida mais facilmente. O resultado é que, com mais pessoas contaminadas, aumenta o número de hospitalizados e de mortos pela covid-19.

O surgimento da cepa é apontado por profissionais da saúde como um dos responsáveis pelo colapso das Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) gaúchas e pelo aumento das internações de jovens e grávidas.

Analistas também observam que o sucesso no combate ao próximo ano pandêmico dependerá da capacidade dos gaúchos de usarem máscaras e evitarem aglomerações, das medidas de restrição impostas por governos e da velocidade de vacinação.

Um entrave é a baixa aquisição de doses pelo governo federal, que firmou acordos com poucas farmacêuticas e chegou a negar acordo com a Pfizer.

— A variante P.1, que tem se mostrado em vários estudos mais transmissível, encontrou um cenário de baixa adesão a medidas de proteção e de tentativa de vida normal por parte de boa parcela da população. É um cenário perfeito para uma grande explosão de casos — analisa o médico Alexandre Zavascki, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro da Sociedade Sul-Riograndense de Infectologia (SRGI). 

 Em Araraquara, interior de São Paulo, a cepa de Manaus foi encontrada em 93% dos casos analisados na cidade, segundo estudo do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMT-USP).

A velocidade de infecções foi tão grande que hospitais colapsaram rapidamente, a ponto de a prefeitura impor um lockdown aos moldes europeus. A boa notícia é que, apesar da presença da variante, a epidemia na cidade começa a melhorar como resultado do distanciamento social. 

Aumento de casos no Estado

No Rio Grande do Sul, analistas afirmam que não é possível apontar, ainda, quando a nova cepa se tornará dominante no Rio Grande do Sul. Quando isso ocorrer, é esperado um aumento ainda maior na velocidade de infecções.

O médico epidemiologista Ricardo Kuchenbecker, gerente de risco do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), pontua que, com a emergência de novas variantes, a ideia de imunidade de rebanho adquirida por infecções cai por terra, uma vez que há risco de reinfecções.

Manaus é o maior exemplo disso: passou por dois colapsos da saúde, apesar de grande parte da população ter sido infectada na primeira onda. Com a abundância de infecções, há risco de o Brasil se tornar um celeiro de novas cepas.

— Nesta nova fase da pandemia, a única forma de se esperar por imunidade de rebanho é por vacina ou por um custo elevadíssimo de óbitos. Somado a isso, há o atraso no calendário de vacinação. Muitos casos novos são porta aberta para a emergência de novas variantes e para o sobrecarregamento do sistema de saúde — diz o epidemiologista.

Em um contexto no qual a ideia de imunidade de rebanho deixa de existir, torna-se ainda mais importante que a população use máscaras, evite aglomerações e, em tempos de sobrecarga hospitalar, fique em casa, destaca o virologista Fernando Spilki, coordenador da rede Corona-ômica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e professor da Feevale.

— Se baixássemos a curva e a volta de atividades fosse racional, o cenário seria mais otimista. Mas, da maneira como está e com vacinação lenta, vamos para um cenário pessimista. Vemos agora o que parece uma transição de segunda para terceira onda, e nada nos impede de termos um cenário difícil novamente no inverno. Se não trabalharmos direito, iremos para quarta ou quinta ano no fim deste ano. Precisamos de mais bloqueios, conscientização e vacinação — avalia Spilki.

O maior desafio desta geração

Dado o panorama atual, projeção feita pelo Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME, na sigla em inglês) da Universidade de Washington prevê entre 25 mil e 32 mil mortes por coronavírus no Rio Grande do Sul na segunda metade de junho. Apesar de sombrio, o cenário pode ser evitado.

— Estamos em um caminhão desgovernado e, com a nova cepa, é como colocar esse caminhão em uma ladeira. Mas ainda temos como controlar esse caminhão. Há jeito para o Rio Grande do Sul, mas depende de nós. E da vacina — diz a médica epidemiologista Lucia Pellanda, professora e reitora da  Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Luís Lamb, coordenador do Comitê de Dados do Palácio Piratini e secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia, afirma que o governo do Estado está empenhado em abrir mais leitos hospitalares – o número de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) cresceu em 130% frente a antes da pandemia –, mas conclama os gaúchos a respeitarem os protocolos sanitários.

— O Estado está ampliando leitos, mas isso deve ser acompanhado de medidas de comportamento individual e de consciência coletiva. A pandemia está se espalhando de forma mais rápida do que com as cepas originais. Esse desafio só será vencido se todos nós estivermos tomando no mesmo rumo. É talvez o maior desafio desta geração, do Brasil e do Rio Grande do Sul no último século — resume Lamb."

 

09/03/2021 – Extra Classe

https://www.extraclasse.org.br/saude/2021/03/dia-mundial-do-rim-painel-abordara-transplantes-e-principais-doencas/

"Dia Mundial do Rim: painel abordará transplantes e principais doenças

A médica nefrologista Clotilde Druck Garcia fará o painel Da doença ao transplante, na próxima quinta-feira, 11, em evento promovido pelo projeto Cultura Doadora, da Fundação Ecarta

O projeto Cultura Doadora, da Fundação Ecarta promove na próxima quinta-feira, 11 de março – Dia Mundial do Rim –, às 19h, o painel Da doença ao transplante, com a médica nefrologista Clotilde Druck Garcia, que falará sobre o aumento no número de pessoas com problemas renais, as principais doenças e o transplante como alternativa de sobrevivência, principalmente em crianças. O evento terá transmissão ao vivo e será aberto a perguntas do público.

Clotilde  uma das maiores referências no transplante renal em crianças e adolescentes no país, é professora de Nefrologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, médica da Nefrologia Pediátrica da Santa Casa de Porto Alegre e coordenadora do departamento de transplante pediátrico da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

Dados da ABTO

Segundo a ABTO, são mais de 850 milhões de pessoas com doença renal no mundo, decorrentes de várias causas. A Doença Renal Crônica provoca pelo menos 2,4 milhões de mortes por ano, com uma taxa crescente de mortalidade. No Brasil, a estimativa é de que mais de 10 milhões de pessoas tenham a doença, muitos deles já na lista de espera por transplante. Em setembro do ano passado, eram 25.724 brasileiros adultos e 368 crianças na lista. Somente no Rio Grande do Sul, são 975 adultos e crianças aguardando por um órgão.

Depoimentos

Também participarão do painel, a estudante Fabiana Bender, 24 anos, natural da cidade de Santa Cruz do Sul (RS), transplantada renal há oitos anos e integrante da Associação Brasileira de Transplantados (Abtx); e a psicóloga Maria Lucia Kruel Elbern, que conheceu o universo da doação de órgãos e dos transplantes no momento em que seu filho precisou de um transplante de rim. Ela criou e preside a VIA Pró-Doações e Transplantes/VIAVIDA, em Porto Alegre (RS), ONG que tem assistido pré-transplantados e suas famílias na capital gaúcha. A mediação ficará por conta do professor Marcos Fuhr, presidente da Fundação Ecarta e coordenador do projeto Cultura Doadora.

Cultura Doadora

Cultura Doadora é um projeto permanente da Fundação Ecarta, que vem há 8 anos atuando na formação de uma cultura de solidariedade e de uma atitude proativa para a doação de órgãos e tecidos, bem como na qualificação da infraestrutura de atendimento à saúde no Rio Grande do Sul. Saiba mais em www.culturadodadora.org.br"

 

 09/03/2021 – Diário Popular

https://www.diariopopular.com.br/geral/instituicoes-federais-de-ensino-chamam-pacto-nacional-pela-vacina-159036/

"Instituições federais de ensino chamam pacto nacional pela vacina

No documento, apelam para o cumprimento das regras sanitárias e de distanciamento social determinadas pelo governo e pelos municípios do Estado

Em nota divulgada nesta terça-feira (9), Universidades Públicas e Institutos Federais do RS reiteraram o compromisso das instituições com a saúde, a ciência e, principalmente, com a vida de todos e todas. No documento, apelam para o cumprimento das regras sanitárias e de distanciamento social determinadas pelo governo e pelos municípios do Estado. E, principalmente, chamam a comunidade e lideranças para um pacto nacional a m de que sejam tomadas providências para a disponibilização da vacina para toda a população."

Eis a nota: “Manifesto pela vida: em apoio às determinações do Governo do RS para o enfrentamento da pandemia de Covid-19

As Universidades públicas e Institutos Federais do Rio Grande do Sul manifestam, novamente, seu inabalável compromisso com a saúde, com a ciência, com a formação prossional e, sobretudo, com a vida de todos e todas. O cenário de emergência total em saúde deve ser respeitado e é urgente que as nossas condutas sejam compatíveis com o necessário cuidado. Faltam leitos na rede hospitalar do Rio Grande do Sul, portanto, reforçamos os alertas à população e fazemos um apelo para que sejam cumpridas as regras sanitárias e de distanciamento social determinadas pelo Governo e pelos municípios do RS.

Mesmo após a vacina, é necessário mantermos o uso da máscara e cuidados com a higiene, bem como evitarmos o contato e as aglomerações. Reiteramos, também, nossa conança e apoio às equipes de prossionais que, responsável e incansavelmente, atuam no combate à pandemia da Covid-19.

Chamamos a um pacto nacional para que sejam tomadas providências para disponibilizar vacina a toda a população. Este é um apelo à toda a comunidade, especialmente às lideranças políticas, empresariais, sociais, educacionais, esportivas, culturais e religiosas para que se engajem com toda sua energia pela VACINA PARA TODAS AS PESSOAS, JÁ!

Instituto Federal Farroupilha (IFFar)

Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS)

Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul)

Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS)

Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)

Universidade Federal do Rio Grande (FURG) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)” .

 

09/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/03/santa-casa-e-ufcspa-oferecem-teleatendimento-gratuito-para-pessoas-com-sintomas-de-covid-19-ckm2j53fr003401988j1cci5m.html

"Santa Casa e UFCSPA oferecem teleatendimento gratuito para pessoas com sintomas de covid-19

Será possível obter o encaminhamento para a realização do exame PCR

Uma ação da Santa Casa de Misericórdia em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) passa a oferecer atendimento médico gratuito por telefone para pessoas com sintomas de covid-19.

O atendimento será realizado por médicos  do hospital e da universidade, que irão tirar dúvidas em relação aos sintomas e às condutas adequadas referentes ao coronavírus.

Também será possível obter o encaminhamento para a realização do exame diagnóstico da contaminação. O local para realização do teste será disponibilizado pela prefeitura de Porto Alegre. A plataforma de telemedicina deve entrar no ar na próxima quinta-feira (11).

De acordo com o diretor médico da Santa Casa, Antônio Kalil, a intenção é reduzir a circulação de pessoas:

— Queremos que as pessoas não precisem ir aos postos de saúde para pegar um encaminhamento de PCR ou atestado.

O atendimento irá gerar gerar um prontuário e o paciente receberá receitas e encaminhamento para realização do exame por e-mail. Os atendimentos acontecerão pelo portal telemedicina.santacasa.org.br, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h."

 

08/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/simbolo-de-protecao-na-pandemia-mascaras-reduzem-em-87-a-chance-de-contrair-covid-19-aponta-pesquisa-ckm13ix0d00b50198s7kr6zc6.html

"Símbolo de proteção na pandemia, máscaras reduzem em 87% a chance de contrair covid-19, aponta pesquisa

Máscaras são fundamentais no combate à disseminação do coronavírus, mas é preciso atentar para critérios mínimos de qualidade no uso desse tipo de proteção

A máscara de proteção respiratória tornou-se um dos principais símbolos da pandemia de covid-19 – acessório de proteção que virou uma constante para a população mundial em 2020 e também em 2021. Antes utilizada cotidianamente apenas em alguns países asiáticos, o que era visto com curiosidade por cidadãos de outros países, a máscara agora é utilizada em todo o mundo, consagrando-se como uma importante medida na contenção da disseminação do coronavírus.

Apesar de estarem no rosto de todos, ou pelo menos da maioria prudente da população, muitas pessoas ainda não sabem que existem diversos tipos diferentes de máscaras e que cada um deles deve ser utilizado em ocasiões específicas.

Nas últimas semanas, países da Europa têm recomendado ou até exigido da população o uso de máscaras profissionais, como os padrões N95 ou PFF-2, dado o grau de proteção mais elevado. Para especialistas, a recomendação também deveria ser seguida no Brasil — o problema é que por aqui, devido ao custo mais elevado na comparação com as de pano, por exemplo, uma parcela significativa da população não deve conseguir bancar os modelos.

Eles reforçam, ainda, que as máscaras de pano ainda são muito importantes no combate à pandemia, mas que é preciso atentar para alguns critérios mínimos de qualidade no uso desse tipo de proteção.

Proteção individual e coletiva

Para o médico infectologista Evaldo Stanislau, a máscara de tecido comum tem um grau de proteção bom, mas depende que todos usem para proteger mais.

— Isso porque, no caso das máscaras de pano, o que acontece é a redução da emissão de partículas por parte de quem está usando. Dependendo do material utilizado para a confecção da máscara, a filtragem do ar pode não ser tão boa, o que pode resultar em uma proteção limitada para o usuário.

Vitor Mori, pós-doutorando na Universidade de Vermont e membro do Observatório Covid-19 BR, destaca que o uso errado da máscara não acontece só quando ela não está cobrindo o nariz ou a boca.

— Se ela estiver folgada dos lados, por exemplo, ela perde toda a sua funcionalidade.

Mori ressalta que as máscaras do tipo N95 e PFF-2 não são descartáveis — para ele, elas não só podem como devem ser reutilizadas, principalmente para que não se corra o risco de faltar equipamentos de proteção para os profissionais da saúde.

 Máscaras: fundamentais na prevenção

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) apontou o papel do uso de máscaras e do distanciamento social na prevenção contra a covid-19. Os resultados sugerem que o uso de máscaras reduz em 87% a chance de ser infectado pelo SARS-CoV-2.

Além disso, o estudo conclui que pessoas que aderem moderada a intensamente ao distanciamento social têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o coronavírus.

Um dos pesquisadores que integra o estudo, o professor da Faculdade de Medicina da UFRGS Bruce Duncan afirma que, ancorado nos dados, é possível dizer que essas medidas têm um papel importante na prevenção da doença. A adesão moderada ou alta ao distanciamento social foram fortemente protetivas contra a doença, representando um risco 72% e 75% menor, respectivamente. O uso da máscara foi associado a um risco 87% menor de contrair o vírus.

Outro pesquisador do grupo, o professor da Faculdade de Medicina da UFRGS Marcelo Gonçalves destaca que adotar as medidas de distanciamento social e utilização de máscara sempre que estiver fora de casa tornou-se fundamental.

 — Não fazer isto é manter uma marcha para o colapso completo do sistema de saúde, com um aumento no número de mortes sem precedentes. Enquanto não temos vacina para todos, precisamos manter o distanciamento social e uso de máscara em todas as situações — complementa.

O Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento à Pandemia do Governo do Estado recomenda manter distanciamento mínimo de dois metros e dar preferência a ambientes ao ar livre ou bem ventilados.

 Entenda os tipos de máscaras respiratórias

Máscaras de tecido

São aquelas produzidas artesanalmente em casas ou confecções com materiais não médicos, como tecido, malha ou retalhos. Elas podem ser lavadas e reutilizadas.

 Máscara cirúrgica

Produzida industrialmente com materiais específicos e descartáveis, a máscara cirúrgica é normalmente utilizada por profissionais de saúde durante procedimentos. Ela apresenta como diferenciais um material que filtra partículas menores que os tecidos comuns.

 Máscara N95

Também são  produzidas em nível industrial para profissionais de saúde. Elas buscam oferecer a melhor proteção contra aerossóis, as menores partículas respiratórias possíveis para a transmissão dos vírus. Durante procedimentos médicos, como entubações, elas são eliminadas em grande quantidade. Por isso, é necessária essa proteção maior.

Para isso, elas têm várias camadas de diversos materiais, além de serem muito anatômicas, de modo a  minimizar ao máximo os espaços por onde o ar poderia passar sem ser filtrado. Elas são as mais caras de serem produzidas.

 Respiradores

Os respiradores são equipamentos de proteção individual (EPIs) que cobrem o nariz e a boca, proporcionando uma vedação adequada sobre a face do usuário. Os respiradores, além de reter gotículas, protegem contra aerossóis contendo vírus, bactérias e fungos, a depender de sua classificação.

 Máscaras com válvula

Esse tipo de máscara não é recomendado porque protege o próprio usuário, mas não as outras pessoas. O equipamento filtra as partículas do ar externo quando a pessoa inspira, mas permite que as partículas escapem pela válvula quando ela expira. No entanto, nas máscaras com válvula, um grande número de gotas passa pela válvula sem filtro, o que a torna ineficaz para impedir a propagação do vírus da covid-19 se a pessoa que usa a máscara estiver infectada.

 Teste a qualidade da máscara de pano

Especialistas recomendam fazer dois testes simples:

 O primeiro envolve observar a máscara contra a luz: se for possível enxergar do outro lado através da malha, é melhor procurar outra máscara.

O outro teste pode ser feito com uma vela acesa: se, ao assoprar, a vela apagar, é preciso trocar a máscara porque ela já perdeu a capacidade de filtrar o ar.

Higienização e cuidados com a máscara

 Máscaras de pano

As máscaras de pano são reutilizáveis e devem ser higienizadas antes de cada nova utilização. A OMS indica que esse tipo pode ser lavado até 30 vezes antes do descarte apropriado. Lave com sabão ou detergente, de preferência com água quente. Outras opções são lavar com sabão ou detergente e água em temperatura ambiente, e depois colocar em água fervida por 1 minuto. Ou ainda deixá-las de molho em uma solução com 10% de água sanitária por, no máximo, 30 minutos e enxaguar bem antes de secar.

Ao colocar as máscaras é preciso estar com as mãos limpas e removê-las do rosto pelas tiras laterais. Evite tocá-la durante o uso.

Máscaras cirúrgicas

As máscaras cirúrgicas do tipo N95 são descartáveis e devem ser trocadas a cada duas horas de uso, segundo a OMS. Máscaras hospitalares devem ser trocadas a cada oito horas de uso."

 

07/03/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/especial/pesquisas-para-conter-o-v%C3%ADrus-1.581577

"Pesquisas para conter o vírus

Os estudos mais emergentes, feitos no começo da pandemia no país, agora tomam novas conformações e aprofundamentos

Após um ano de enfrentamento da pandemia do coronavírus no país, muitas dúvidas persistem e algumas certezas se confirmam. A importância da ciência e da pesquisa, assim como o uso de máscara para evitar a propagação da Covid-19, está consagrada. Unindo essas duas máximas, bolsistas da Coordenação de Pessoal de Nível Superior (Capes), pelo Programa de Pós-Graduação em Sistemas Mecatrônicos da Universidade de Brasília (UnB), desenvolveram um respirador facial que barra e inativa o coronavírus. De fabricação 100% nacional, a máscara é feita a partir de nanofilme que usa quitosana (fibra natural da casca de crustáceos). Assim, o equipamento tem ação antimicrobiana e maior capacidade de filtrar o vírus.

Chamada de Vesta, a máscara possui três camadas de tecido capazes de reter até 95% de partículas sólidas, líquidas, oleosas e aerossóis. “O diferencial é o nanofilme de quitosana, presente na camada intermediária, que é uma barreira física para o vírus, por interação química, e tem a propriedade de inativar o vírus” explica Angélica Kathariny de Oliveira Alves, engenheira eletrônica e integrante do projeto. O produto está em fase de ensaio clínico no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília, e a expectativa é de que, em breve, seja submetido à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para obter licenciamento tecnológico. Ver aqui.

Testes de Covid

Além de pesquisas, as Instituições de Ensino Superior (IES) também são importantes apoios à comunidade onde estão inseridas. Criado em meio à pandemia do coronavírus, desde maio de 2020, o Laboratório de Diagnósticos do Sars-Cov-2/Covid-19, da Universidade de Passo Fundo (UPF), vem auxiliando municípios da região Norte do RS. O serviço de diagnóstico da Covid-19 ocorre por meio de convênio entre a Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF) e mais de dez municípios da região. Até fevereiro deste ano, este laboratório da UPF realizou a análise de 3.964 testes, sendo 1.306 (32,95%) positivos para a doença. A unidade foi montada com equipamentos da Instituição, adquiridos por meio de recursos de projetos de pesquisa. A equipe de trabalho é formada por professores e funcionários da UPF e conta com o auxílio de estagiários contratados e treinados para auxiliar nos procedimentos operacionais do laboratório. “Os resultados foram e são surpreendentes: conseguimos montar uma estrutura adequada e equipe competente em pouco tempo e emitir laudos dentro dos prazos estabelecidos com os parceiros, que tiveram os laudos positivos ou negativos em tempo viável para dar os devidos cuidados aos seus munícipes”, destaca o coordenador do laboratório, Luiz Carlos Kreutz. Mais informações aqui.

Projeto Exactum

Já na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a colaboração para o combate da Covid-19 vem de um grupo de cientistas do Instituto de Matemática, Estatística e Física (Imef), que construiu um sistema destinado a contabilizar o número de infectados pelo coronavírus no RS. Com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapergs), o Projeto Exactum tem por objetivo transformar a ciência básica em tecnologia para auxiliar no processo decisório para o enfrentamento da Covid-19. Disponibilizada de forma on-line e gratuita, a ferramenta estima, com antecedência, o número de infectados em todo o Estado. Foi criada através de modelagem matemática e física, sendo disponibilizada por meio de mapas interativos, conforme as áreas definidas pelo governo estadual para o controle da pandemia. “Esta solução pode ser utilizada para auxiliar no planejamento de ações para o atendimento à demanda da população pelos serviços laboratoriais, ambulatoriais e hospitalares, entre outros”, explica a pesquisadora Dinalva A. Sales, uma das coordenadoras do projeto. O sistema pode ser acessado por qualquer cidadão; uma de suas grandes vantagens é a facilidade de uso da plataforma, sem necessidade de inserção de dados específicos. Os dados gerados pela ferramenta podem também auxiliar na criação de campanhas de conscientização da população sobre os avanços e os efeitos da pandemia. O site, que pode ser acessado em exactum.furg.br, traz duas opções de modelagem. Conferir detalhes do projeto aqui.

Máscaras protegem

Um estudo desenvolvido por pesquisadores das universidades federais Ufrgs, UFCSPA (ambas na Capital) e UFPel (Pelotas), junto com a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS), revela o importante papel do uso de máscaras e do distanciamento social na prevenção contra a Covid-19.

Os resultados sugerem que o uso de máscaras reduz em 87% a chance de infecção. Além disso, o estudo conclui que pessoas que aderem, de moderada a intensamente, ao distanciamento social têm, entre 59% e 75%, menos chances de contrair o novo coronavírus.

O artigo está em fase preprint, que requer revisão dos pares.

Os pesquisadores partiram de uma lista da SMS, de 3.437 pacientes positivos para Covid-19. Após algumas triagens, contataram 271 pacientes e aplicaram um questionário sobre uso de máscaras, grau de adesão ao distanciamento e frequência de atividades fora de casa.

Como grupo-controle, foram usados resultados de 1.396 testados pelo estudo Epicovid, liderado pela UFPel, que observa a prevalência de infectados pela Covid-19.

Um dos pesquisadores, Bruce Duncan, da Faculdade de Medicina da Ufrgs, afirma que, com base nos dados coletados no início da pandemia, é possível afirmar que essas medidas têm papel importante na prevenção da doença.

A adesão moderada ou alta ao distanciamento social foram fortemente protetivas, representando risco, entre 72% e 75%, menor. E o uso da máscara foi associado a risco 87% menor de contrair o vírus.

Documento do comitê ressalta: “Algumas opções são duas máscaras de pano; uma cirúrgica com máscara de pano por cima; ou uma máscara do tipo PFF2, com selo do Inmetro. O importante é que seja bem colocada, tapando nariz e boca e sem deixar vazar o ar (foto). E para caminhar ao ar livre, em locais sem aglomeração, pode ser usada uma máscara simples”. Conferir aqui.

Biossensor portátil

Pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDTec) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) desenvolveram um dispositivo biossensor portátil para o diagnóstico, em tempo real (Point of Care), da Covid-19. O grupo de pesquisa que criou o sensor é chamado de “Novonano” e liderado pelo professor Neftalí Lenin Villareal Carreño, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais. A inovação é funcionalizada com antígenos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, responsável pelo projeto de desenvolvimento de diagnósticos para a Covid-19, financiados pela Fapergs. De acordo com os pesquisadores, este protótipo poderá servir para o diagnóstico de outros tipos de patologias, permitindo gerenciar doenças e antecipar condutas terapêuticas.

A equipe segue focada no desenvolvimento do dispositivo e na otimização de uma plataforma que possibilite a detecção direta do vírus de forma menos invasiva. No momento, os responsáveis estão trabalhando na validação de diagnóstico do SARS-CoV-2 diretamente das amostras biológicas, o que deve facilitar a tomada de decisão para o tratamento precoce. E a previsão é que se tenham resultados mais robustos neste 1° trimestre de 2021. “Naturalmente, o sistema de saúde será o principal foco de atuação desta tecnologia”, afirma Neftalí Carreño. Mais informações aqui.

 Materiais Antimicrobianos

Uma pesquisa realizada por meio de parceria entre a Universidade de Caxias do Sul (UCS), através dos programas de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais e em Biotecnologia, com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é dedicada ao desenvolvimento de materiais com atividade antimicrobiana para aplicações relacionadas à saúde. A ideia é modificar superfícies de tecidos, polímeros e metais de uso hospitalar visando à redução/eliminação do coronavírus e de outros microrganismos.

No estudo serão utilizadas técnicas de PDV (deposição física de vapor) para deposição de nanopartículas e filmes finos de cobre e seus óxidos. “Os resultados obtidos viabilizarão a produção de EPI inédito, com ação antimicrobiana com ênfase no SARS-CoV-2”, projeta o pesquisador Carlos Alejandro Figueroa, da área do conhecimento de Ciências Exatas e Engenharias, que coordena o estudo na UCS. A inovação está no uso de cobre em lugar da prata. “O diferencial mais importante é que não usamos metais pesados (a prata é a mais difundida, mas possui impacto ambiental e relativa citotoxicidade). Não se relata impacto ambiental do cobre e não há citotoxicidade de contato com a pele. Além disso, é mais barato que a prata”, conta o professor, reforçando a importância de se considerar o impacto dos descartes de EPIs antimicrobianos contendo prata no meio ambiente.

Carlos Figueroa revela que, atualmente, a equipe concentra-se em amplo estudo sobre o estado da arte referente ao tema, o mapeamento do conhecimento relacionado. “Nossos objetivos focam nas propriedades do cobre e seus óxidos, o óxido cúprico e o óxido cuproso, alguns dos materiais mais promissores para aplicações biomédicas devido ao efeito antimicrobiano intrínseco do cobre, que é capaz de oferecer um efeito biocida contínuo”. Por esse motivo, a inserção de superfícies revestidas ou incorporadas com cobre ou óxidos de cobre para aplicação na saúde pública vem sendo encorajada – sua implantação atuaria não apenas no combate ao SARS-CoV-2, mas a qualquer infecção que pode ser contraída pelo toque em superfícies com cargas virais e bacterianas. “Quando aplicada nos ambientes de saúde, se torna uma próspera, se não essencial, medida de combate às infecções hospitalares, via redução de carga microbiana (vírus e bactérias).” Os materiais a serem desenvolvidos no projeto visam reduzir a carga microbiana em superfícies (maçanetas, bandejas, aparelhos médicos, etc.) e ambientes fechados (hospitais, ônibus, asilos, frigoríficos, etc.). Ainda, podem ser desenvolvidos tecidos antibacterianos/antivirais (EPIs) e antifúngicos. Mais dados aqui."

 

06/03/2021 – GZH

Versão Impressa

"Sistema de drive-thru vai ajudar a reforçar testagem

Temos voluntários e espaço. Esse é o momento para todo mundo se ajudar, se unir. Na conversa com a Vigilância em Saúde, sentimos a necessidade de ter novos locais para testagem e ter, também, uma forma para que essas pessoas não transitem tanto pela cidade.

Porto Alegre deve contar com um novo local de coleta de exame para covid-19 a partir dos próximos dias. Em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o ponto funcionará no sistema drive-thru.

A iniciativa surgiu no começo desta semana, em reunião entre representantes da prefeitura e da universidade. Na ocasião, a instituição de ensino ofereceu auxílio à administração pública.

– Temos voluntários e espaço. Esse é o momento para todo mundo se ajudar, se unir. Na conversa com a Vigilância em Saúde, sentimos a necessidade de ter novos locais para testagem e ter, também, uma forma para que essas pessoas não transitem tanto pela cidade – justifica Alessandra Dahmer, pró-reitora de Planejamento da UFCSPA.

A operação, espera Fernando Ritter, coordenador da Vigilância em Saúde da Capital, deve começar na próxima terça-feira, mas ainda depende de ajustes.

– Estamos nos esforçando para iniciar na terça – enfatiza.

O acordo prevê o fornecimento de insumos para o RT-PCR pela prefeitura e da cessão do espaço físico e de voluntários da UFCSPA para a coleta. A expectativa é de realizar 150 exames por dia. No entanto, se houver necessidade, esse número poderá aumentar.

Para isso, será usada uma parte da instituição, na Rua Sarmento Leite, com capacidade para o estacionamento de três carros, cujos indivíduos terão a coleta feita simultaneamente. Cerca de 50 voluntários, entre alunos dos 16 cursos da universidade e professores, vão atuar na ação.

Critério

Só serão testadas aquelas pessoas que tiverem requisição do exame. Portanto, é preciso que o indivíduo com sintomas ou que teve contato com alguém que testou positivo se dirija a uma unidade básica de saúde para avaliar a necessidade do teste. Caso receba o documento, poderá realizar o PCR no drive-thru que, quando entrar em funcionamento, vai operar de segunda a sexta, das 8h às 18h.

Prefeitura, UFCSPA e Santa Casa também trabalham em um outro projeto de teleatendimento, que pode agilizar o fornecimento das requisições, sem a necessidade de sair de casa."

 

 05/03/2021 – G1

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/03/05/uso-de-mascara-reduz-chance-de-infeccao-por-coronavirus-em-87percent-diz-estudo-de-universidades-do-rs.ghtml

Uso de máscara reduz chance de infecção por coronavírus em 87%, diz estudo de universidades do RS

Evitar aglomerações também reduz de 59% a 75% os riscos de contrair a doença. Pesquisa utilizou populações semelhantes em Porto Alegre entre final de abril e junho de 2020.

Um estudo aponta que o uso de máscara reduz as chances de infecção por coronavírus em até 87%. O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade das Ciências da Saúde (UFCSPA), da Unisinos e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde da Capital (SMS).

O artigo está em fase preprint, ou seja, ainda não foi revisado por pares, mas foi submetido à revista científica Emerging Infectious Diseases, dos Estados Unidos, e divulgado nesta sexta-feira (5).

"Tem uma redução de quase a totalidade da chance de infecção. Isso, por si só, tem um valor importante. Não é 100% porque não avaliamos questões específicas, como o tipo de máscara, a quantidade de máscaras".

A partir de uma lista com 3.437 pacientes com diagnóstico positivo para Covid-19 fornecida pela SMS, os pesquisadores fizeram uma triagem e ficaram com um grupo de 271 pessoas. O objetivo era excluir profissionais da saúde, que estão necessariamente mais expostos ao vírus, e pessoas que moravam fora de Porto Alegre.

Para este grupo, eles aplicaram um questionário com perguntas sobre uso de máscaras, grau de adesão ao distanciamento social e frequência de atividades fora de casa.

Depois, formaram um grupo de controle com outros 1.396 moradores da Capital testados na Epicovid — pesquisa de prevalência do coronavírus desenvolvida desde o ano passado pela UFPel — e, novamente, aplicaram as mesmas questões.

Por fim, entre as diversas análises, concluíram que a máscara representou 87% menos chances de contrair a Covid-19 a quem usou, do que a quem não fez uso dela em períodos e condições semelhantes, entre final de abril e junho de 2020.

"Não fazer isto é manter uma marcha para o colapso completo do sistema de saúde, com um aumento no número de mortes sem precedentes. Enquanto não temos vacina para todos, precisamos manter o distanciamento social e uso de máscara em todas as situações", afirma Gonçalves.

Em um documento divulgado em 20 de fevereiro, os integrantes do Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento à Pandemia do governo do estado ressaltam a necessidade do uso das máscaras, independentemente do material, desde que estejam colocadas de maneira adequada.

"Algumas opções são duas máscaras de pano, uma máscara cirúrgica com máscara de pano por cima ou uma máscara do tipo PFF2 com selo do Inmetro. O importante é que ela seja bem colocada, tapando o nariz e a boca e não deixando vazar ar. Para caminhar ao ar livre, em locais sem aglomeração, pode ser usada uma máscara simples", cita o comitê.

A pesquisa também sugere que pessoas que aderem moderada a intensamente ao distanciamento social têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o coronavírus.

O comitê também recomenda manter distanciamento mínimo de dois metros e dar preferência a ambientes ao ar livre ou bem ventilados.

 

05/03/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/uso-de-m%C3%A1scara-reduz-em-87-a-chance-de-contrair-covid-19-aponta-estudo-1.581272

"Uso de máscara reduz em 87% a chance de contrair Covid-19, aponta estudo

Levantamento foi desenvolvido por pesquisadores da Ufrgs, Ufcspa, Ufpel e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Ufrgs, Ufcspa, Ufpel e Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) indica que as pessoas que usam máscara têm uma redução de 87% de chance de pegar a Covid-19. Além disso, o trabalho concluiu que pessoas que aderem de forma moderada a intensa ao distanciamento social têm entre 59% e 75% menos chances de contrair o novo coronavírus. O artigo está em fase preprint, isto é, ainda não foi revisado por pares.

Os pesquisadores aplicaram em 271 pacientes positivos para a infecção, que não são profissionais da saúde, um questionário com perguntas sobre uso de máscaras, grau de adesão ao distanciamento social e frequência de atividades fora de casa. Como grupo-controle (para fazer a comparação com o primeiro), foram utilizados resultados de 1.396 pessoas testadas pelo estudo EPICOVID, liderado pela Ufpel e que observa a prevalência de infectados pela Covid-19. Essas pessoas foram contatadas e responderam às mesmas perguntas feitas para o outro grupo.

Professor da Faculdade de Medicina da Ufrgs e integrante do estudo, Bruce Duncan destacou que, ancorado nos dados, coletados ainda no início da pandemia, é possível dizer que essas medidas têm um papel importante na prevenção da doença. A adesão moderada ou alta ao distanciamento social foram fortemente protetivas contra a doença, representando um risco 72% e 75% menor, respectivamente. Os pesquisadores destacam no artigo que, uma vez que os profissionais de saúde foram excluídos das amostras, os resultados demonstram como esses cuidados protegem a população em geral da Covid-19.

“Não fazer isso (adotar as medidas de proteção) é manter uma marcha para o colapso completo do sistema de saúde, com um aumento no número de mortes sem precedentes. Enquanto não temos vacina para todos, precisamos manter o distanciamento social e uso de máscara em todas as situações”, destacou o também professor Marcelo Gonçalves, integrante da equipe que fez o estudo.

O cientista reforça a orientação do Comitê Científico de Apoio ao Enfrentamento à Pandemia do Governo do Estado sobre o uso das máscaras. Em um documento divulgado em 20 de fevereiro, os integrantes do comitê ressaltam: “Algumas opções são duas máscaras de pano, uma máscara cirúrgica com máscara de pano por cima, ou uma máscara do tipo PFF2 com selo do Inmetro. O importante é que ela seja bem colocada, tapando o nariz e a boca e não deixando vazar ar. Para caminhar ao ar livre, em locais sem aglomeração, pode ser usada uma máscara simples”. O comitê também recomenda manter distanciamento mínimo de dois metros e dar preferência a ambientes ao ar livre ou bem ventilados.

Dicas:

  1. Reduza a circulação ao mínimo que puder; saia de casa somente o necessário; evite reuniões com pessoas que não moram com você, viagens, festas, eventos ou outras aglomerações.
  2. Se tiver de permanecer em locais fechados com outras pessoas que não moram com você, use máscaras bem ajustadas e com mais de uma camada. Algumas opções são duas máscaras de pano, uma máscara cirúrgica com máscara de pano por cima, ou uma máscara do tipo PFF2 com selo do Inmetro. O importante é que ela seja bem colocada, tapando o nariz e a boca e não deixando vazar ar. Para caminhar ao ar livre, em locais sem aglomeração, pode ser usada uma máscara simples.
  3. Evite encontrar, se possível, pessoas que se aglomeraram durante o carnaval.
  4. Prefira sempre ambientes ao ar livre ou naturalmente bem ventilados e usando máscara.
  5. Mantenha sempre distanciamento de no mínimo 2 metros das outras pessoas, mas quanto maior a distância, melhor.
  6. Se participou de festas ou reuniões com quem não mora com você durante o feriado, procure manter o distanciamento físico rigoroso, ficando em casa durante os próximos 14 dias: não vá à escola, não vá visitar a família e não saia de casa a não ser para o que for estritamente necessário, como ir ao serviço de saúde."

 

05/03/2021 – Brasil 247

Reprodução BBC Brasil

https://www.brasil247.com/regionais/sul/temos-de-escolher-quem-vai-pra-uti-diz-diretor-da-santa-casa-de-porto-alegre

"Temos de escolher quem vai pra UTI, diz diretor da Santa Casa de Porto Alegre

O cirurgião Antonio Nocchi Kalil, diretor da Santa Casa de Porto Alegre (RS), afirmou também que há “um aumento muito grande nos pacientes mais jovens em estado grave”

Diante do caos sanitário que vive Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul que está com os leitos de UTI lotados, diante da pandemia da Covid-19, o cirurgião Antonio Nocchi Kalil, diretor da Santa Casa da cidade, defendeu a abertura de novos leitos, restrições à circulação de pessoas e melhorias na campanha de vacinação, em entrevista à BBC.

A ocupação de leitos em Porto Alegre ultrapassou 100%. O hospital Moinhos de Vento, o maior da rede privada cuja taxa de ocupação está acima dos 130%, precisou comprar um contêiner para colocar os pacientes mortos.

“Chegamos ao nível de precisar escolher quem vai para a UTI ou não”, afirmou o diretor da Santa Casa.

Aumento de jovens em estado grave

Kalil, que também é professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, afirmou que há “um aumento muito grande nos pacientes mais jovens em estado grave”.

“Cerca de 30 a 40% dos que chegam até nós têm menos de 60 anos. Isso é uma característica totalmente diferente do que se observava no ano passado. Além disso, em termos de contágio, vemos famílias inteiras chegando ao hospital com covid-19 num estágio bem avançado”, afirmou.

Segundo ele, “essa mudança de perfil tem a ver claramente com a nova cepa, que é mais infecciosa. Estamos com um índice de contaminação bem alto na nossa região”.

 

05/03/2021 – Diário Gaúcho

http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/03/prefeitura-de-porto-alegre-preve-ampliacao-da-testagem-de-covid-19-por-meio-de-drive-thru-15233765.html

"Prefeitura de Porto Alegre prevê ampliação da testagem de covid-19 por meio de drive-thru

Porto Alegre deve contar com um novo local de coleta de exame para covid-19 a partir da próxima semana. Em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o ponto funcionará no sistema drive-thru.

A iniciativa surgiu no começo desta semana, em uma reunião entre representantes da prefeitura e da universidade. Na ocasião, a instituição de ensino ofereceu auxílio à administração pública.

 —  Temos voluntários e espaço. Esse é o momento para todo mundo se ajudar, se unir. Na conversa com a Vigilância em Saúde, sentimos a necessidade de ter novos locais para testagem e ter, também, uma forma para que essas pessoas não transitem tanto pela cidade  —  justifica Alessandra Dahmer, pró-reitora de Planejamento da UFCSPA.

A operação, espera Fernando Ritter, coordenador da Vigilância em Saúde da Capital, deve começar na próxima terça-feira (9), no entanto, ainda depende de ajustes.

 —  Estamos nos esforçando para iniciar na terça —  enfatiza.

O acordo prevê o fornecimento de insumos para o RT-PCR pela prefeitura e da cessão do espaço físico e de voluntários da UFCSPA para a coleta. A expectativa é de realizar 150 exames por dia, no entanto, se houver necessidade, esse número pode aumentar.

Para isso, será usada uma parte da instituição, na Rua Sarmento Leite, com capacidade para o estacionamento de três carros, cujos indivíduos terão a coleta feita simultaneamente. Ao todo, cerca de 50 voluntários, entre alunos dos 16 cursos da universidade e professores, vão atuar na ação. 

Como vai funcionar?

Só serão testadas aquelas pessoas que tiverem uma requisição do exame. Portanto, é preciso que o indivíduo com sintomas ou que teve contato com alguém que testou positivo se dirija a uma Unidade Básica de Saúde para avaliar a necessidade do teste. Caso receba o documento, poderá realizar o PCR no drive-thru que, quando entrar em funcionamento, vai operar de segunda a sexta, das 8h às 18h.

Prefeitura, UFCSPA e Santa Casa também trabalham em um outro projeto de teleatendimento, que pode agilizar o fornecimento das requisições, sem a necessidade de sair de casa."

  

05/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2021/03/prefeitura-de-porto-alegre-preve-ampliacao-da-testagem-de-covid-19-por-meio-de-drive-thru-cklwfmrth003x0198og2700wx.html

"Prefeitura de Porto Alegre prevê ampliação da testagem de covid-19 por meio de drive-thru

A operação conta com a parceria da UFCSPA

Porto Alegre deve contar com um novo local de coleta de exame para covid-19 a partir da próxima semana. Em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o ponto funcionará no sistema drive-thru.

A iniciativa surgiu no começo desta semana, em uma reunião entre representantes da prefeitura e da universidade. Na ocasião, a instituição de ensino ofereceu auxílio à administração pública.

—  Temos voluntários e espaço. Esse é o momento para todo mundo se ajudar, se unir. Na conversa com a Vigilância em Saúde, sentimos a necessidade de ter novos locais para testagem e ter, também, uma forma para que essas pessoas não transitem tanto pela cidade  —  justifica Alessandra Dahmer, pró-reitora de Planejamento da UFCSPA.

A operação, espera Fernando Ritter, coordenador da Vigilância em Saúde da Capital, deve começar na próxima terça-feira (9), no entanto, ainda depende de ajustes.

 —  Estamos nos esforçando para iniciar na terça  —  enfatiza.

O acordo prevê o fornecimento de insumos para o RT-PCR pela prefeitura e da cessão do espaço físico e de voluntários da UFCSPA para a coleta. A expectativa é de realizar 150 exames por dia, no entanto, se houver necessidade, esse número pode aumentar. 

Para isso, será usada uma parte da instituição, na Rua Sarmento Leite, com capacidade para o estacionamento de três carros, cujos indivíduos terão a coleta feita simultaneamente. Ao todo, cerca de 50 voluntários, entre alunos dos 16 cursos da universidade e professores, vão atuar na ação. 

Como vai funcionar?

Só serão testadas aquelas pessoas que tiverem uma requisição do exame. Portanto, é preciso que o indivíduo com sintomas ou que teve contato com alguém que testou positivo se dirija a uma Unidade Básica de Saúde para avaliar a necessidade do teste. Caso receba o documento, poderá realizar o PCR no drive-thru que, quando entrar em funcionamento, vai operar de segunda a sexta, das 8h às 18h.

Prefeitura, UFCSPA e Santa Casa também trabalham em um outro projeto de teleatendimento, que pode agilizar o fornecimento das requisições, sem a necessidade de sair de casa."

 

05/03/2021 – BBC Brasil

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56301643

"Cresceu muito o número de jovens em estado grave, e temos de escolher quem vai pra UTI, diz diretor da Santa Casa de Porto Alegre

Abrir novos leitos de UTI, restringir a circulação das pessoas e acelerar as campanhas de vacinação.

Para o cirurgião Antonio Nocchi Kalil, essas três estratégias representam o único caminho possível para conter o agravamento da pandemia de covid-19 no Rio Grande do Sul e reverter o colapso do sistema de saúde, que já opera acima de sua capacidade.

Diretor médico da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Kalil avalia que a situação piorou repentinamente a partir das duas últimas semanas de fevereiro e, mesmo com a boa estrutura hospitalar do Estado gaúcho, não foi possível dar conta da enorme quantidade de novos pacientes, que não param de chegar aos pronto-socorros.

A ocupação de leitos em Porto Alegre já ultrapassa os 100%. Segundo um levantamento feito pela campanha "Unidos pela Saúde Contra o Colapso", até a última quinta-feira (04/03), os hospitais operavam com 103,7% de sua capacidade. Em alguns deles, como o Hospital São Lucas e o Hospital Moinhos de Vento, a taxa está acima dos 130%.

De acordo com os números compilados até 4 de fevereiro pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Rio Grande do Sul tem 667 mil casos confirmados e 13 mil mortes causadas pela covid-19.

Em entrevista à GloboNews, o governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB) disse que a "onda gigantesca" de novas infecções pelo coronavírus que acontece agora faz com que as curvas de casos de 2020 pareçam "marolas".

O Estado deve seguir com as medidas restritivas pelas próximas semanas, com o fechamento de comércios não essenciais e a redução da capacidade máxima de lotação em escolas, transporte público, bancos, lotéricas e centros religiosos.

"Essa é uma situação que provavelmente só se vê numa guerra", aponta Kalil, que também é professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

 Na última quinta-feira (05/03), a BBC News Brasil conversou com o médico, que fez diversas observações sobre o atual descontrole pandêmico no Rio Grande do Sul.

Confira os principais trechos a seguir.

BBC News Brasil - Como o senhor classificaria o atual panorama da pandemia no Rio Grande do Sul?

Antonio Nocchi Kalil - É uma situação inimaginável, ainda mais se considerarmos como estávamos há dez dias. Nosso estado tem uma capacidade de atendimento muito grande, tanto pelo Sistema Único de Saúde quanto pela rede privada. Nós nunca imaginávamos que chegaríamos num colapso como este. O problema é ainda mais sério em Porto Alegre, que acaba drenando muitos pacientes que vêm do interior do Estado e possui uma rede hospitalar mais ampla.

Essa situação acabou ocorrendo por uma série de fatores, principalmente o relaxamento das medidas de prevenção contra a covid-19. Em 2020, a gente já alertava para o perigo das festas de final de ano. Mas, durante todo o período de veraneio, nós vimos as pessoas sem máscara, sem distanciamento social e com aglomerações em festas. Era incrível o número de pessoas juntas todo dia durante o verão. Isso, claro, se reflete agora no desastre que estamos vivendo.

BBC News Brasil - O senhor já viu uma situação parecida ou comparável com o que está ocorrendo agora?

Kalil - Não. Todo dia converso com os colegas que atuam nas unidades de terapia intensiva e na emergência e eles dizem que essa é uma situação que provavelmente só se vê numa guerra.

Claro que, além das questões de relaxamento que já citei anteriormente, precisamos mencionar a chegada da variante P.1 do coronavírus, detectada inicialmente em Manaus, que já foi documentada aqui em nosso Estado. Ela é muito mais contagiosa e acaba agredindo pessoas de uma idade inferior ao que estávamos acostumados. Agora, nós temos até pacientes de 18 anos internados nas UTIs.

Isso fez com que a situação progredisse muito rapidamente, apesar de aumentarmos o número de leitos todos os dias. O problema é que a progressão de leitos é aritmética, mas a expansão de novos casos é geométrica. Então nunca há um equilíbrio dessa conta. Felizmente, as autoridades anunciaram medidas mais restritivas nos últimos dias que podem ajudar a reduzir o impacto da pandemia.

BBC News Brasil - O senhor comentou sobre os pacientes mais jovens… Há uma mudança de perfil nos acometidos pela covid-19 que precisam de internação?

Kalil - Sem dúvida, e isso não é uma observação só do nosso hospital, mas de vários outros de Porto Alegre. Percebemos um aumento muito grande nos pacientes mais jovens em estado grave. Cerca de 30 a 40% dos que chegam até nós têm menos de 60 anos. Isso é uma característica totalmente diferente do que se observava no ano passado. Além disso, em termos de contágio, vemos famílias inteiras chegando ao hospital com covid-19 num estágio bem avançado.

BBC News Brasil - Mas esse cenário é provocado pela nova variante do coronavírus? O que a ciência já sabe sobre isso?

Kalil - Essa mudança de perfil tem a ver claramente com a nova cepa, que é mais infecciosa. Estamos com um índice de contaminação bem alto na nossa região. Esse dado, associado à diminuição de cuidados preventivos e às aglomerações, acabou levando a esse cenário. Já temos o conhecimento de que essa variante tem capacidade de atingir um número muito maior de pessoas e com muito mais rapidez.

BBC News Brasil - Esse aumento de casos graves foi repentino? Ou vocês vêm percebendo o agravamento há muitas semanas?

Kalil - Foi realmente nos últimos 15 dias, a partir de fevereiro. Nós até vivíamos uma situação tranquila no sistema hospitalar à época. Tanto é que o Rio Grande do Sul recebeu, no início de fevereiro, pacientes oriundos da região Norte. As UTIs estavam realmente muito tranquilas. Mas rapidamente a situação se reverteu, talvez pelo desconhecimento sobre a nova variante. Não imaginávamos que ela chegaria de forma tão rápida e gerasse essa situação dramática.

Estamos correndo contra o tempo, tentando diminuir ao máximo a circulação de pessoas. Sabemos que quando as UTIs atingem níveis de ocupação superiores a 100%, como acontece aqui, a única saída é reduzir a circulação das pessoas. São coisas que infelizmente afetam a economia, o que é um drama enorme. Mas chegamos ao nível de precisar escolher quem vai para a UTI ou não. Isso, claro, respeita critérios técnicos, mas são decisões que nossos médicos intensivistas precisam fazer agora.

BBC News Brasil - Mas os epidemiologistas e cientistas de dados já falavam que a situação da pandemia ia piorar desde dezembro de 2020… O senhor considera que demorou muito tempo para se tomar medidas mais drásticas?

Kalil - Nós todos já esperávamos que, com as festas de final de ano, haveria uma explosão de casos lá pela segunda ou terceira semana de janeiro. Mas isso não ocorreu. E talvez isso tenha gerado uma certa tranquilidade na população que, sem saber da presença de uma nova variante, não seguiu as medidas que deveriam ser respeitadas.

Mas é claro que não dá pra culpar agora A, B ou C, porque as situações da pandemia são dinâmicas. Todos os epidemiologistas falavam que o cenário ia piorar em janeiro e isso não ocorreu… Talvez tenha uma influência muito grande mesmo da nova variante, pela forma como esse colapso nos pegou de surpresa.

BBC News Brasil - O senhor citou medidas como a restrição da circulação de pessoas e a abertura de novos leitos de UTI. Há algo mais que a administração pública deveria fazer nesse momento?

 Kalil - O esforço que fizemos para aumentar leitos foi impressionante, especialmente na região metropolitana de Porto Alegre. Para ter ideia, nosso hospital tinha 90 leitos de UTI exclusivos para a covid-19 em agosto do ano passado. Agora temos 155, sem contar os 160 leitos de internação. Mas, como você mesmo falou, diminuir a circulação das pessoas é muito importante agora.

Mas tudo isso não terá efeito algum se a gente não conseguir vacinar de forma mais rápida toda a população. É isso que está faltando. Nós vemos que em outros países as campanhas de imunização tiveram um enorme efeito. Isso aconteceu no Reino Unido e em Israel, por exemplo. Talvez essa seja a medida que devemos concentrar nossos esforços a partir de agora.

BBC News Brasil - E as pessoas? O que elas devem fazer para se proteger nessa situação de colapso?

Kalil - As medidas são as mesmas desde o início. A gente repete à exaustão. Infelizmente, quando andamos na rua, vemos que elas não são seguidas à risca. É importante lavar as mãos, manter distanciamento mínimo de 1,5 metro de outras pessoas, evitar aglomerações… E, claro, usar máscaras. É certo que tudo isso tem uma eficácia muito grande. Todos nós precisaremos continuar respeitando essas recomendações até que tenhamos uma parcela bem grande da população vacinada.

BBC News Brasil - Nas últimas semanas, vocês lançaram a campanha "Unidos Pela Saúde Contra o Colapso". Como foi a ideia e quais são os objetivos desse projeto?

Kalil - Essa campanha foi iniciada por uma empresa que realiza congressos médicos e tomou uma proporção que não se imaginava. Hoj,e ela está na sociedade e conta com a participação de filósofos, jornalistas e outros profissionais de destaque. O objetivo é mostrar para todos o que realmente está acontecendo, que o colapso é real. Não são coisas inventadas.

Nós vemos todos os dias como é preciso tomar decisões difíceis nas nossas UTIs. Os profissionais de saúde estão cansados. Queremos mostrar isso tudo que está acontecendo e incentivar as pessoas a usarem máscara, evitarem aglomerações e nos ajudarem a reverter esse colapso. Se ninguém fizer sua parte, vamos continuar com essa situação por muito mais tempo.

BBC News Brasil - Como o senhor vê o futuro depois da covid-19? Quais são os caminhos para sair dessa situação?

Kalil - Nós vamos sair disso. Esse é um primeiro aspecto que precisamos reforçar. Claro que toda essa experiência vai deixar uma cicatriz grande no nosso sistema de saúde. Mas creio que é possível sairmos mais fortes e unidos. Houve uma aproximação muito grande entre aquelas pessoas que querem o melhor para a população. E nós podemos mostrar que é possível, sim, fazer muita coisa boa em termos de saúde."

 

05/03/2021 - GZH

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"RS seguirá com bandeira preta

Após o esgotamento de vagas em UTIS e aumento no número de mortes por covid, cogestão também continuará suspensa

O Rio Grande do Sul seguirá com todo o seu território em bandeira preta durante a próxima semana, além do prazo inicial que previa a permanência de ao menos até 7 de março. A informação foi confirmada pelo governador Eduardo Leite na manhã de ontem.

O chefe do Executivo também afirmou que o sistema de cogestão do modelo de distanciamento controlado – que permite aos municípios flexibilizarem as regras de acordo com planos regionais – seguirá suspenso nos próximos dias.

– Não há nenhuma perspectiva de que o Estado não esteja em bandeira preta (na semana que vem). O que podemos, eventualmente, é analisar alguma alteração de protocolo específico para alguma atividade. Vamos tentar dar maior previsibilidade possível. Não se tem fôlego para ficar muito mais tempo com tudo fechado, mas vamos ter de ficar, certamente, mais uma semana (...) Não há alternativas – declarou.

Segundo Leite, o modelo do distanciamento controlado estabelece “salvaguardas”, e uma delas diz respeito ao número de leitos disponíveis no Estado. Neste momento, esse índice está “abaixo do ponto crítico”, nas palavras do governador. Ontem, a ocupação das UTIS passava de 100% no Estado. Na quarta-feira, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) divulgou imagens da enfermaria que atende casos de covid-19, com 69 pacientes recebendo atenção, dos quais 42 em estado crítico, com suporte ventilatório. O número de mortes também tem aumentado.

Avaliação

Para especialistas da área de saúde consultados por GZH, a afirmação de Leite é corajosa e crucial para tentar conter o forte avanço do coronavírus no território gaúcho.

– Os hospitais estão saturados nesta semana e não deixarão de estar na próxima. O período de duas semanas de restrição é o mínimo que devemos ter para conseguirmos começar a notar algum impacto de arrefecimento da pressão nos hospitais – observa Alexandre Schwarzbold, presidente da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI).

A queda na circulação de pessoas também é vista como essencial por Cláudio Oliveira, diretorpresidente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Ele afirma que vivemos um momento de ascensão e de descontrole da curva de contágio pela covid-19:

– A queda na circulação do vírus se dá com a redução da circulação de pessoas. Precisamos dessa baixa nos números de internados. Por isso, a decisão do governador foi acertada.

Ricardo Kuchenbecker, gerente de risco do HCPA, observa que os leitos de UTI são os últimos compartimentos do sistema de saúde a serem preenchidos – já que antes existem os postos de saúde e prontos-atendimentos. E também são os últimos a voltarem a operar em condição segura.

 – A prorrogação da bandeira preta não diminuirá a procura por leitos de imediato, mas é extremamente necessária para que a gente possa vislumbrar isso no futuro. A decisão é acertada e corajosa – diz Kuchenbecker.

Variante

O diretor-presidente do GHC ressalta que os efeitos dessa primeira semana de bandeira preta só serão sentidos por volta do dia 12 de março. E acrescenta que a conta das aglomerações do Carnaval está para chegar:

– O que vivemos agora é reflexo da cepa P.1 (variante brasileira), que já circula no Estado e que tem taxa de transmissibilidade muito elevada, descaso das pessoas com as medidas de distanciamento e praias lotadas. Ainda não é o reflexo do Carnaval, mas ele vai chegar.

Antonio Kalil, diretor médico da Santa Casa de Misericórdia da Capital e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), aponta que a medida levou tempo até ser aplicada e, agora, os resultados da iniciativa podem demorar:

– Vivemos momentos de muita permissividade e de omissão no controle das pessoas no verão. Os hospitais estão colapsados e não temos vacina para todos. Pode ser que precisemos de mais tempo com restrições, mas isso terá de ser analisado semana a semana."

 

04/03/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/geral/m%C3%A1scaras-transparentes-n%C3%A3o-protegem-contra-o-coronav%C3%ADrus-1.580574

"Máscaras transparentes não protegem contra o coronavírus

Batizada por vendedores como M85, modelo não tem qualquer certificação de órgão de vigilância sanitária

Desde que foi recomendado e exigido o uso de máscaras como uma das medidas de prevenção do contágio da Covid-19, um dos principais argumentos dos que relutam em utilizá-las é que elas prejudicam a comunicação e o relacionamento com as pessoas, ao bloquear as expressões faciais, e restringe a liberdade de respirar. Para atender a este público, surgiu um invento que promete devolver o sorriso às pessoas, além da liberdade: a máscara transparente, batizada por vendedores como M85. Um produto que não barra a expressão facial mas também não impede a transmissão do SARS-CoV-2.

Apesar de ser feita em policarbonato, um material rígido que lembra uma peça de acrílico, a falta de um filtro e o encaixe imperfeito aos rostos são os pontos que fragilizam a proteção. “Parece tão fraco o argumento pró-uso. Elas não são recomendadas para Covid. Não possuem filtro, o que a faz funcionar de forma ineficiente. Não tem encaixe tão bom como de outras máscaras. Elas não devem ser usadas para prevenir Covid. Quem compra estará sujeito a não ficar protegido. É como se não usasse”, alerta o professor de infectologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Alessandro Pasqualotto.

O médico assegura que as máscaras de pano e cirúrgicas seguem sendo eficientes e são as recomendadas. “Existe um estudo do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos EUA), que duas máscaras sejam mais eficientes que uma. Mas apesar de ser mais eficiente na filtração, cria dificuldade de respirar, o que pode afastar as pessoas do uso da máscara”, acredita. "O covid tem que ser transmitido por saliva. Uma máscara é suficiente desde que respeitado o distanciamento e a ventilação”, acrescenta.

Com a circulação da variante P.1 do SARS-CoV-2, há quem esteja buscando reforço na proteção com um equipamento de proteção individual (EPI) profissional, como as máscaras padrão N95 e PFF2. Entretanto, apesar da maior proteção, já que estas máscaras retêm até 95% de partículas, Pasqualotto diz que a alta procura por estes produtos pode prejudicar o fornecimento para os hospitais protegerem suas equipes de linha de frente. “Produtos hospitalares devem ser usados em ambiente hospitalar, sob risco de faltar para as instituições. Além disso, as N95 ou PFF2 são mais pesadas e muito, muito mais caras. Devem ser usadas em ambientes de mais risco”, salienta.

O uso da máscara deve ser acompanhado de outras medidas preventivas, especialmente o distanciamento. Importante não confundir a máscara transparente com o “face shield”, aquele escudo facial, transparente, utilizado em conjunto com a máscara. “O vírus tem que ser transmitido por saliva. Uma máscara é suficiente desde que respeitado o distanciamento e a ventilação. Por isso a importância do distanciamento social. A covid se dá nas casas, escritórios e restaurantes. Se estou distanciado das pessoas, isso é mais que suficiente para eu me proteger usando máscara”, conclui."

 

04/03/2021 – Jornal do Comércio

https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/03/780944-rs-busca-voluntarios-para-atuar-no-atendimento-e-servicos-de-covid.html

"RS busca voluntários para atuar no atendimento e serviços de Covid

Com serviços hospitalares e de emergência operando no limite ou já em colapso e com falta de profissionais, entram em campo iniciativas para buscar profissionais voluntários em diversas áreas da saúde para atuar na linha de frente de atendimento aos doentes ou suspeitos do novo coronavírus.

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) abriu inscrições para o Voluntariado Covid. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e técnicos em enfermagem, algumas das funções mais demandadas, podem se inscrever em um canal no site da universidade. A inscrição é pelo https://voluntarios.ufcspa.edu.br.

O governo do Estado lançou dois cadastros: um de voluntários e outro para recrutamento de profissionais.

A ideia na UFCSPA está sendo reativada pelo Comitê Técnico de Informações Estratégicas e Respostas Rápidas à Emergência em Vigilância em Saúde Referente ao Coronavírus, explica a vice-coordenadora do curso de Medicina e médica de família, Maria Eugênia Bresolin Pinto. A ação foi feita até novembro, quando foi interrompida devido ao arrefecimento de casos. Agora a contaminação é acelerada e as mortes batem recorde.

Com a piora do quadro - o Estado vive o pior momento da crise sanitária -, a meta é conseguir pessoas que tenham um turno na semana ou algumas horas do dia para ajudar nos serviços.

Os voluntários, explica Maria Eugênia, devem atuar no complexo da Santa Casa, instituição que já tem parcerias com a UFCSPA, na formação de futuros profissionais, e hoje enfrenta dificuldades para repor pessoal à medida que precisa ampliar a estrutura. Nessa terça, a instituição chegou a emitir um alerta sobre o esgotamento de leitos. A UTI Covid está perto de 100% de ocupação.  

"Pode ser voluntário que tenha algumas horas, um turno, o que for possível", exemplifica a médica.

Uma das tarefas que já tem apoio de alunos voluntários é auxiliar na paramentação e desparamentação de quem está entrando ou saindo de um plantão. A operação que envolve tanto quem atua em uma emergência, como em áreas clínicas e UTIs Covid precisa ser feita com todo o cuidado para evitar contaminação.    

"A checagem de todos os processos é muito cansativa, e as pessoas saem exaustas de um plantão. Precisa cuidar para não contaminar ao desparamentar", cita a médica.

Outros voluntários também estão apoiando no teleatendimento da Santa Casa, para esclarecer a população sobre quando deve ou não fazer testes e como proceder. Há hoje uma grande preocupação com as pessoas que podem ter se contaminado e acabam circulando em diversos locais em busca de exames e consultas. 

Alunos também atuam reforçando equipes em áreas da saúde básica. Entre as tarefas, está a vacinação em postos e monitorar pessoas acamadas para verificar desde as doses recebidas como a renovação de receituário de medicações. "Isso alivia quem está nos postos e cada vez é mais demandado pela população", observa Maria Eugênia. 

Outra frente da UFCSPA é buscar voluntários na área de Biomedicina e Farmácia para apoiar a análise de materiais que chegam ao Laboratório Central (Lacen), que atende à parte da demanda de exames de RT-PCR, o mais crucial para saber se a pessoa tem o vírus, e a Vigilância Sanitária.

"Muitos querem ajudar e não sabem como. Qualquer ajuda que puder ser dada será muito importante. os serviços estão trabalhando no limite", alerta a coordenadora."

 

04/03/2021 – GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/manutencao-de-bandeira-preta-no-estado-e-avaliada-como-decisao-necessaria-por-especialistas-da-saude-cklv2lmdi005n019805dptnrp.html

"Manutenção de bandeira preta no Estado é avaliada como decisão necessária por especialistas da saúde

Eles apontam ainda a importância do alinhamento de conduta entre União, Estados, municípios e, principalmente, a conscientização da sociedade gaúcha

A afirmação do governador Eduardo Leite de que deve manter a bandeira preta no Rio Grande do Sul na próxima semana foi classificada como corajosa e crucial para tentar conter o forte avanço do coronavírus no território gaúcho, avaliam especialistas da área de saúde consultados por GZH.

— Os hospitais estão saturados nesta semana e não deixarão de estar na próxima. O período de duas semanas de restrição é o mínimo que devemos ter para conseguirmos começar a notar algum impacto de arrefecimento da pressão nos hospitais — observa Alexandre Schwarzbold, presidente da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI). 

A queda na circulação de pessoas também é vista como essencial por Cláudio Oliveira, diretor-presidente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Ele afirma que vivemos um momento de ascensão e de descontrole da curva de contágio pela covid-19:

— Estamos chegando ao esgotamento das equipes nos hospitais e também no limite da abertura de novos leitos. A queda na circulação do vírus se dá com a redução da circulação de pessoas. Precisamos dessa baixa nos números de internados, por isso, a decisão do governador foi acertada. 

Ricardo Kuchenbecker, gerente de Risco do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), observa que os leitos de UTI são os últimos compartimentos do sistema de saúde a serem preenchidos — já que antes existem os postos de saúde e pronto-atendimentos. E também são os últimos a voltarem a operar em condição segura. 

— Quando se alcança 100% de ocupação dos leitos de unidade de terapia intensiva, não resta dúvidas sobre a necessidade de continuidade das regras mais restritas de locomoção e de distanciamento social. A prorrogação da bandeira preta não diminuirá a procura por leitos de imediato, mas é extremamente necessária para que a gente possa vislumbrar isso no futuro. A decisão é acertada e corajosa, ainda mais neste contexto no qual a pandemia assumiu características novas, com taxa de reprodução do vírus acima de 2. Isso quer dizer que, de 100 pessoas infectadas, elas transmitem o coronavírus para outras 200 — diz.

O diretor-presidente do GHC ressalta que os efeitos dessa primeira semana de bandeira preta só serão sentidos por volta do dia 12 de março, ou seja, serão muitos dias de pressão no sistema de saúde pela frente. Ainda acrescenta que a conta das aglomerações de Carnaval está para chegar:

— O que vivemos agora é reflexo da cepa P1 (variante brasileira), que já circula no Estado e que tem uma taxa de transmissibilidade muito elevada, descaso das pessoas com as medidas de distanciamento e praias lotadas.  Esse ainda não é o reflexo do Carnaval, mas ele vai chegar.

Kuchenbecker ressalta que agora todos devem se unir no combate à pandemia:

— Mais do que nunca precisamos de integração no comportamento da União, Estados, municípios e da sociedade. Estamos diante de um cenário muito delicado, de alta contaminação. Por isso, a discussão sobre distanciamento e regras mais rígidas se torna até superada, isso no sentido de que não há discussão sobre a gravidade do que vivemos.  Os hospitais e PAs já estão ficando sem aparelho de ventilação mecânica para as pessoas. A gente vive um colapso.

Antonio Kalil, diretor médico da Santa Casa de Misericórdia da Capital e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), aponta que a medida levou tempo até ser aplicada e, agora, os resultados da iniciativa podem demorar para serem sentidos: 

— Vivemos momentos de muito permissividade e de omissão no controle das pessoas ao longo deste verão. Essa situação, somada à agressividade desta cepa P1, colaboraram para que chegássemos onde estamos. É uma decisão dura, que afeta a vida da população, mas que foi certa, porque não temos outra opção. Os hospitais estão colapsados e não temos vacina para todos. Pode ser, até mesmo, que precisemos de mais tempo com restrições de mobilidade, mas isso terá de ser analisado semana a semana."

 

04/03/2021 – G1

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/03/04/forca-tarefa-busca-ampliar-testagem-do-coronavirus-e-reduzir-filas-de-postos-em-porto-alegre.ghtml

"Força-tarefa busca ampliar testagem do coronavírus e reduzir filas de postos em Porto Alegre

Mutirão reúne prefeitura, UFCSPA e Santa Casa. Objetivo é desafogar a busca por testes em postos de saúde superlotados.

Uma parceria entre a Prefeitura de Porto Alegre, a Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA) e a Santa Casa projeta uma força-tarefa para a ampliar a testagem de coronavírus na Capital. Um sistema de teleatendimento vai encaminhar as pessoas para fazerem os testes em drive-thru e evitar a procura em postos de saúde superlotados.

A proposta de aumento da testagem tem como alvo principal os contactantes assintomáticos. São pessoas ainda sem sintomas de Covid-19, mas que conviveram com alguém em casa ou no trabalho que teve o exame positivo.

Os locais e horário ainda não foram definidos, mas a previsão é que iniciem na próxima terça-feira (9).

“Vão ter dois serviços. O primeiro serviço que vai entrar em funcionamento, vamos dizer assim, é esse de assintomáticos. Então, no meu domicílio, o meu pai testou positivo? As demais pessoas que estão assintomáticas devem ser testadas, porque é assim que a gente faz vigilância epidemiológica. É assim que a gente vai poder contornar essa pandemia", diz a coordenadora do COE/UFCSPA e vice-coordenadora do curso de medicina Maria Eugênia Bresolin Pinto.

Os testes são considerados fundamentais para elaborar estratégias de combate à pandemia. Em julho de 2020, eram feitos cerca de 1 mil exames RT-PCR por dia. Atualmente, o número subiu para 8 mil.

A recomendação do técnico do Centro de Operações de Emergência (CEVS) Marcelo Vallandro é que a testagem seja feita após o terceiro dia dos sintomas. "Senão eu posso fazer um diagnóstico e dar o que a gente chama de falso negativo. A pessoa na verdade está com a doença, mas o exame vai dar negativo porque ainda é muito precoce", afirma.

Desde outubro, quando as centrais regionais de triagem começaram a funcionar, o testes são feitos em todas as cidades gaúchas. Em fevereiro, foram incluídos no sistema oficial de notificação 121 mil exames, que são analisados no Laboratório Central do Estado (Lacen) e em duas plataformas do Ministério da Saúde.

“Porto Alegre também tem um rede contratada de laboratórios, na qual eles fazem os exames e a gente também contabiliza. Nós temos também essas informações das farmácias que mandam, que devem notificar, e isso é bastante importante frisarmos", reforça Vallandro.

Quem procura a rede pública para fazer a testagem tem o resultado em até quatro dias. Mas o que preocupa as autoridades de saúde é o risco a que a população está exposta quando percorre unidades de prono-atendimento cada vez mais lotadas.

“Porto Alegre não tem falta de teste. O que nós estamos é ampliando espaços para facilitar a acessibilidade dessas pessoas a conseguir o teste e talvez evitar que precisem sair de casa, que possam ter um mecanismo de conseguir o pedido do teste e só sair para executar. Porque antes a pessoa tinha que seguir para uma unidade de saúde, passar por uma avaliação e depois ir em um outro local pra fazer o teste", diz Fernando Ritter, coordenador da Vigilância de Saúde de Porto Alegre.

A ação vai mobilizar voluntários e profissionais da saúde. Mais de 400 pessoas se inscreveram nas primeiras 24 horas.

O objetivo, para mais adiante, é usar unidades móveis de testagem para que possam estar cada dia em um lugar da cidade.

"A gente tem pela frente quatro dias de muito trabalho. A gente tem que ajustar, tem que treinar as equipes que vão estar atendendo os telefones, que vão ser acadêmicos. Eles vão trabalhar das suas casas, ou seja, isso não vai precisar que eles circulem pela cidade pra fazer esse teleatendimento. Isso facilita muito hoje com a tecnologia. A gente tem que usar a tecnologia a nosso favor", completa a coordenadora."

 

04/04/2021 - GZH

Versão Impressa

"Variante brasileira do vírus é mais contagiosa e resistente

A confirmação de que a capital gaúcha registrou transmissão comunitária da variante brasileira do coronavírus, chamado P.1 (ou P1), aumenta a preocupação de autoridades e profissionais da saúde com uma terceira onda da covid-19 no Estado e uma eventual saturação do sistema de saúde.

A identificação ocorreu em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Em nota publicada na terça-feira, as secretarias de Saúde do município e do Estado informaram que foram identificados 21 casos de pessoas residentes em Porto Alegre com a nova variante.

Embora existam centenas de variantes do coronavírus já identificadas no mundo, a variante brasileira P1 tem mutações que tornam o coronavírus mais contagioso e também mais resistente a anticorpos da doença, o que pode aumentar o número de casos inclusive entre as pessoas que já se recuperaram da covid-19.

– Existem alguns indícios sugerindo muito fortemente que ela seja muito mais transmissível. Hoje são umas quatro variantes de preocupação no mundo inteiro, do Reino Unido, da África do Sul, da Califórnia (nos Estados Unidos) e do Brasil. São variantes de preocupação no mundo inteiro porque têm algumas propriedades de maior infectibilidade, ainda que não necessariamente de maior gravidade – explica o médico Alexandre Zavascki, professor de infectologia da Faculdade de Medicina da UFRGS e chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Moinhos de Vento.

Um estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que adultos infectados pela variante brasileira P.1 do coronavírus têm uma carga viral – quantidade de vírus no corpo – 10 vezes maior do que adultos infectados por outras “versões” do vírus. Uma maior carga viral contribui para que a variante se espalhe mais rápido.

– Se a pessoa tem mais carga viral nas vias aéreas superiores, a tendência é de que ela vá estar expelindo mais vírus. E, se ela está expelindo mais vírus, a chance de uma pessoa se infectar próxima a ela é maior – líder do estudo.

Anticorpos

Ele afirma, entretanto, que não há relação entre quantidade de vírus no corpo e gravidade da doença ou, até mesmo, presença deles.

Outra preocupação com a variante P.1, que não foi respondida com o estudo da Fiocruz, é a de que ela possa escapar da resposta imunológica montada pelas vacinas ou contra infecções prévias. A suspeita vem do fato de portar mutações em comum com a variante B.1.351, descoberta na África do Sul, que já demonstrou poder reduzir a eficácia de imunizantes em estudos conduzidos no país.

“Não tem uma causa única”

Coordenador da Vigilância em Saúde da Capital, Fernando Ritter afastou a suspeita de que a situação tenha associação com pacientes vindos do Norte. Em entrevista à Rádio Gaúcha, afirmou que “é extremamente tranquilo para a gente dizer que esta transmissão não tem uma causa única”, sendo a circulação de pessoas a principal delas:

– Essa circulação aconteceu todo dia, toda hora. Temos um aeroporto potente, pessoas chegando e saindo.

Não conseguimos identificar nenhuma relação entre as pessoas que vieram do Norte, até porque toda equipe da Secretaria de Saúde acompanhou de perto os hospitais que receberam esses pacientes, eles foram isolados. Não tem associação com as pessoas que atenderam com aquelas que foram internadas.

Para ajudar a frear a transmissão, Ritter enfatizou a necessidade de medidas que reduzem a taxa de reprodução do vírus, como isolamento social e cuidados com a higiene das mãos. Além disso, a Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde trabalha em parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) para ampliar a testagem na Capital no modelo drive-thru. A expectativa é de que seja implantada nos próximos dias, mas não há data confirmada.

– Nosso principal limitador é a capacidade de recursos humanos, apesar do RS ser mais capaz, o governo do Estado dobrou a capacidade de UTIS, tem limite. Se as pessoas não colaborarem, vamos sucumbir ainda mais – apontou."

 

03/03/2021 – Jornal do Comércio

https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/coronavirus/2021/03/781101-rs-tem-segundo-dia-com-rede-de-utis-com-100-de-lotacao.html

RS tem segundo dia com rede de UTIs com 100% de lotação

Pelo segundo dia o Rio Grande do Sul tem 100% de ocupação geral das estruturas de UTIs. É o pior momento da pandemia que ganhou ainda mais alerta, após a confirmação de mais casos da variante P.1 do novo coronavírus, chamada de Manaus e mais transmissível que as demais já identificadas, agora em Porto Alegre.

Diante do quadro caótico e de colapso, o governo estadual e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) abriram campanhas para inscrição de voluntários que possam ajudar na linha de frente de atendimento.

Segundo o painel de leitos intensivos do Estado, o setor ostentava, às 18h30min desta quarta, 100,9% de ocupação. Com oferta total de 2.923 leitos, sendo 2.948 ocupados – 1.889 com pacientes confirmados com Covid-19, 235 com suspeita da doença e 824 internados por outras razões.

No painel, a oferta de leitos livres está zerada. Isso se explica porque há locais já usando leitos de retaguarda, acima do número oficial. A taxa geral é puxada para cima porque há nove regiões Covid das 21 atuais com média de pacientes internados nas unidades acima da capacidade.

No mapa, apenas a região de Bagé ainda não apresenta UTIs lotadas, com taxa abaixo de 100%. A região tem menos de 80% de uso da estrutura entre os cinco estabelecimentos.

A região Covid-19 Lajeado era a que apresentava a pior situação, com 130,4% de ocupação – 90 internados para 69 leitos de UTI adulto. Depois vinha a região Santa Cruz do Sul, com 116,7% - 70 internados em 60 leitos -, e Novo Hamburgo, com 114% de ocupação - 163 pessoas em 143 UTIs.

Acima de 100%, operavam, ainda, as regiões de Capão da Canoa (108,3%) - 78 pacientes para 72 UTIs, Caxias do Sul (111,8%) - 351 pessoas para 314 vagas -, Palmeiras das Missões (105,7%) - 37 internados em 35 leitos.

Na Capital, 10 hospitais tinham unidades lotadas, quatro deles acima de 100%, como o Moinhos de Vento (130,3%), o Independência (120%), o Hospital de Clínicas (109,5%) e a Santa Casa (101,3%). Outros hospitais com 100% são o São Lucas, Ernesto Dornelles, Divina Providência, Vila Nova, Restinga e Santa Ana. Outros 138 doentes esperavam por leito em UTIs.

Em meio a este nível de demanda, que é reforçado pela espera em emergências, que somam 155 doentes esperando leito em UTIs, nova remessa de vacina chegou nesta quarta ao Estado. O Rio Grande do Sul chegou a 12,6 mil mortes por Covid-19, com confirmação nessa terça-feira (2), de 185 novos óbitos, maior número para um dia.

 

03/03/2021 – GZH Portal

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/ufcspa-e-secretaria-estadual-da-saude-abrem-inscricoes-para-voluntarios-que-queiram-atuar-no-combate-a-pandemia-ckltlhaxb003u014ns8xos875.html

“UFCSPA e Secretaria Estadual da Saúde abrem inscrições para voluntários que queiram atuar no combate à pandemia

Profissionais e estudantes interessados podem preencher os formulários de cadastro pela internet; veja como participar

Diante do avanço da pandemia de coronavírus e do esgotamento de recursos materiais e humanos nas instituições de saúde do Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e a Secretaria Estadual da Saúde (SES) abriram inscrições para o cadastro de voluntários que queiram atuar no combate à covid-19. Profissionais e estudantes interessados poderão preencher o formulário de participação pela internet. 

Os voluntários inscritos pela UFCSPA devem atuar em ações de teleorientação sobre a covid-19 e atividades em laboratórios de testagem da Capital e do Estado, além de participar dos serviços municipais e estaduais de vigilância e auxiliar presencialmente na paramentação e biossegurança dos profissionais da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Também há vagas abertas para profissionais de saúde formados, principalmente das áreas de enfermagem, fisioterapia, medicina e psicologia, que possam realizar atividades voluntariamente, com qualquer carga horária, na Santa Casa. Todos os interessados podem se inscrever por meio deste site, após ler o termo de compromisso e responsabilidade. 

 Já o cadastro de voluntários da SES — que teve sua reativação definida na terça-feira (2), em uma reunião do Gabinete de Crise, como medida para enfrentar o avanço da pandemia — é para o desempenho de atividades de atenção e cuidado à saúde da população conforme a necessidade. Para realizar inscrição, basta acessar este site e preencher o formulário com todos os dados solicitados, informando também sua disponibilidade para atuação.

Além disso, a Secretaria lançou um cadastro destinado a profissionais de saúde, como médicos, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros e fonoaudiólogos, que poderão ser convidados a atuar no combate à covid-19 em hospitais, unidades de pronto atendimento e demais serviços nos diferentes municípios do Estado, caso haja a necessidade de substituição ou ampliação da força de trabalho.

O formulário de cadastro pode ser preenchido por meio deste link. Conforme a SES, as condições de contrato e os locais de atuação serão acordados diretamente com os profissionais. A remuneração, por sua vez, será de responsabilidade exclusiva da instituição contratante. “

 

03/03/2021 - GZH

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/03/coordenador-da-vigilancia-em-saude-de-porto-alegre-sobre-transmissao-de-variante-na-capital-nao-tem-uma-causa-unica-cklthdyzy002a0166r5cp7usp.html

Coordenador da Vigilância em Saúde de Porto Alegre sobre transmissão de variante na Capital: "Não tem uma causa única

"Para Fernando Ritter, chegada da variante à cidade não tem associação com pacientes vindos do Norte, mas do contato das relações pessoais

Coordenador da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter avaliou nesta quarta-feira (3) o quadro de disseminação da variante brasileira do coronavírus, identificada pela primeira vez em Manaus. Na terça-feira (2), as secretarias de Saúde de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul informaram que a Capital registra transmissão comunitária da nova cepa — quando não é possível rastrear qual a origem da infecção, indicando que o vírus circula entre as pessoas do local.

Ritter afastou a suspeita de que a situação tenha associação com pacientes vindos do Norte. Segundo ele, "é extremamente tranquilo para a gente dizer que esta transmissão não tem uma causa única", sendo a circulação de pessoas a principal delas:

— Essa circulação aconteceu todo dia, toda hora. Temos um aeroporto potente, pessoas chegando e saindo. Não conseguimos identificar nenhuma relação entre as pessoas que vieram do Norte, até porque toda equipe da Secretaria de Saúde acompanhou de perto os hospitais que receberam esses pacientes, eles foram isolados. Não tem associação com as pessoas que atenderam com aquelas que foram internadas — disse.

— A transmissão aconteceu muito mais nas nossas relações pessoais, de trabalho, do que tentar achar um culpado. O culpado talvez sejamos todos nós, que em algum momento relaxamos e nos expomos — completou.

Foram identificados 21 pessoas residentes em Porto Alegre com a nova variante. A identificação ocorreu em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), em um projeto de pesquisa que tem como objetivo descrever o perfil genômico de amostras sequenciadas pelo laboratório do hospital.

Segundo o coordenador, das pessoas identificadas com a nova variante, uma veio a óbito por complicações que não estão relacionadas à covid-19, uma segue internada e as outras receberam alta ou estão sob acompanhamento. 

Ampliação de testagem

Para ajudar a frear a taxa de transmissão, Ritter enfatizou a necessidade de adoção de medidas de supressão no combate ao coronavírus, aquelas que reduzem a taxa de reprodução, como o isolamento social e cuidados com a higiene das mãos. Além disso, a  Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde trabalha em uma parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) para ampliar a testagem covid-19 na Capital no modelo drive-thru. A expectativa é de que a medida seja implantada nos próximos dias, mas ainda não há data confirmada.

— As pessoas só ficam em casa quando tem certeza que estão positivas. Enquanto não tem certeza, ela acaba circulando por vários motivos. Nosso principal limitador hoje é a capacidade de recursos humanos, apesar do RS ser mais capaz, o governo do Estado dobrou a capacidade de UTIs, tem um limite. Se as pessoas não colaborarem, nós vamos sucumbir ainda mais — apontou o Ritter.”

 

03/03/2021 – GZH

Versão Impressa

"SAÚDE EM COLAPSO

Fora de controle em várias regiões do país, a covid-19 transformou os hospitais brasileiros em trincheiras de guerra, com UTIS lotadas, pacientes à espera de tratamento intensivo e número de mortes em ascensão.

As unidades de terapia intensiva (UTIS) de Porto Alegre voltaram a ultrapassar o teto de vagas e chegaram a 100,56% de lotação, ontem. O dado engloba internações por covid-19 e outras doenças. A alta ocorre apesar de a cidade ter ganhado 38 novas vagas em UTIS desde domingo, alcançando 915 leitos. Antes da pandemia, eram 550.

Os 100% de lotação já haviam sido superados no sábado e no domingo, mas a ocupação caiu para 99% na segunda-feira. Nesses casos, o percentual supera 100% porque hospitais alocam pacientes em espaços não planejados e pegam equipamentos emprestados, como monitores e respiradores, de outros setores para não deixar as pessoas desamparadas.

Jeruza Neyeloff, epidemiologista da diretoria médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, alerta:

– Estamos sem ter leitos para os pacientes que precisam urgentemente. “Escolhendo” pacientes para leitos, e outros ficam em PAS (prontos-atendimentos) sem acesso aos cuidados que precisam. Não é a descrição de um sistema em bom funcionamento.

Alexandre Schwarzbold, professor de Infectologia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e presidente da Sociedade Sul-riograndense de Infectologia, fala em colapso nas UTIS:

– Colapso é quando não temos mais leitos de UTI e pacientes morrem esperando por um leito. Esses pacientes precisam ventiladores de alta pressão que não existem em cenários diferentes. Hoje, não há mais leitos.

Já a secretária-adjunta da Saúde em Porto Alegre, Ana dal Ben, nega que haja colapso do sistema de saúde municipal, alegando que PAS e emergências ainda recebem pessoas. De 23 de fevereiro até ontem, subiu 45% o número de pacientes com covid-19 (ver quadro), que passaram a ser atendidos em leitos intensivos na Capital. Ontem, 137 pessoas aguardavam vagas em UTI.

A demanda ocorre a despeito da expansão nas vagas, cita o médico epidemiologista e de família Airton Tetelbom Stein, professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA):

 – Chegamos a um nível de crescimento tão rápido nas últimas semanas que, mesmo aumentando o número de leitos de UTI, não há como dar conta. Claramente, a regulação do sistema mostra situação insustentável.

O Clínicas, ontem, divulgou fotos inéditas da UTI covid (acima), registradas de forma voluntária pelo fotógrafo Silvio Avila.

O Rio Grande do Sul também registrou, no início da tarde de ontem, 100,1% de taxa de ocupação de leitos de UTI. Conforme dados das 14h, havia 2.812 pacientes em leitos de unidades de tratamento intensivo – quatro a mais do que os 2.808 leitos oficialmente abertos no Rio Grande do Sul.

Das 21 regiões em que o Estado foi dividido no modelo de distanciamento controlado, no mesmo horário, havia lotação acima de 100% em nove: Porto Alegre, Lajeado, Novo Hamburgo, Santa Cruz do Sul, Caxias do Sul, Capão da Canoa, Guaíba, Taquara e Cachoeira do Sul."

  

03/03/2021 – Diário Gaúcho

http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/dia-a-dia/noticia/2021/03/utis-de-porto-alegre-chegam-a-100-5-de-lotacao-mesmo-com-ampliacao-de-leitos-15076029.html

“UTIs de Porto Alegre chegam a 100,5% de lotação mesmo com ampliação de leitos

Capital gaúcha registra quase 10% a mais de pacientes com coronavírus nesta terça-feira, em comparação ao dia anterior

Em meio ao avanço da pandemia, as unidades de terapia intensiva (UTIs) de Porto Alegre voltaram a ultrapassar o teto de vagas e chegaram a 100,5% de lotação nesta terça-feira (2). A alta ocupação ocorre apesar de a cidade ter ganhado 33 novas vagas em UTIs nesta terça, alcançando 915 leitos. Antes da pandemia, eram 550.

Os 100% de lotação já haviam sido atingidos no último domingo (28), mas a ocupação caíra para 99% na segunda-feira (1º) após hospitais criarem cinco novos leitos para casos graves. Nesta terça-feira, a alta demanda de atendimento ultrapassou, novamente, os 100%, apesar das 38 novas vagas abertas nesta semana.

Quando a ocupação ultrapassa os 100%, hospitais alocam pacientes em espaços não planejados para tratar coronavírus e pegam equipamentos emprestados, como monitores e respiradores, de outros setores.

A secretária-adjunta da Saúde em Porto Alegre, Ana dal Ben, nega que haja colapso do sistema de saúde municipal porque, apesar da lotação de UTIs, unidades de pronto-atendimento e emergências ainda conseguem receber pessoas.

Pacientes com coronavírus representam 67,7% de todos os internados em UTIs na cidade, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Médicos vêm apontando que Porto Alegre chegou a um cenário de não haver como abrir vagas suficientes para atender à crescente demanda.

Em uma única semana, subiu em 45% o número de pacientes de todas as doenças, incluindo covid-19, que passaram a ser atendidos em leitos intensivos da capital gaúcha. Só de segunda-feira (1º) para esta terça-feira, o número de internados cresceu quase 10%, passando de 510 para 555.

Na tarde desta terça-feira, 137 pessoas aguardavam, nas emergências, por uma vaga em UTI. Dos 17 hospitais, nove estavam com ocupação igual ou superior a 100% e outros seis tinham lotação acima de 90%. O Ernesto Dornelles não atualizou os dados.

Na prática, uma pessoa que precise de atendimento intensivo, seja pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por convênio, não terá como ser atendida imediatamente na maioria dos hospitais de Porto Alegre.

A procura por leitos de UTI ocorre a despeito da expansão nas vagas e de a cidade ser reconhecida nacionalmente pelo grande número de leitos, em virtude da presença de universidades, e pela qualidade de seus hospitais, cita o médico epidemiologista e de família Airton Tetelbom Stein, professor na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

 — Quando o número de casos no Brasil era pequeno, havia a preocupação de aumentar a estrutura de hospitais para o serviço de saúde dar conta do maior número de casos de covid e de outros problemas de saúde. Mas chegamos a um nível de crescimento tão rápido nas últimas semanas que, mesmo aumentando o número de leitos de UTI, não há como dar conta. Tanto é que todos esses hospitais, inclusive privados, estão fechando o atendimento a outros problemas de saúde. Claramente, a regulação do sistema de saúde mostra uma situação insustentável de dar conta com esse número tão elevado de casos — avalia Stein.

A situação mais complicada nesta terça era no Hospital Moinhos de Vento, onde a ocupação chegou a 114,9% no início da tarde. A instituição chegou a alugar um contêiner para acomodar corpos de pacientes mortos por coronavírus.

Em nota, o Moinhos de Vento destaca que 35% dos pacientes em suas UTIs têm menos de 60 anos e afirma que alugar o contêiner é uma medida preventiva para manter a qualidade da instituição.

“A partir desta terça-feira (2), será instalado provisoriamente um contêiner refrigerado anexo ao hospital. Será utilizado somente em caso de real necessidade, considerando a possibilidade de atrasos na retirada dos óbitos por parte das funerárias, realidade essa percebida em outras cidades do Brasil e do mundo”, diz o texto.

A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, segundo hospital da cidade em número de vagas, informou também nesta terça-feira que chegou ao limite da capacidade de atendimento.

"Chegamos ao nosso limite assistencial, de recursos humanos e tecnologias, já com estruturas assistenciais em blocos cirúrgicos e salas de recuperação, com a consciência absoluta do papel social que empreendemos e o dever máximo de alcançar a maior segurança possível nos tratamentos", diz o diretor médico da Santa Casa, Antonio Nocchi Kalil, por meio de nota enviada pela instituição.

O Hospital Conceição, terceira instituição com mais vagas em UTIs da capital gaúcha, chegou aos 97,6% da capacidade e afirmou, em nota, que conseguirá criar cinco novas vagas em UTI para pacientes com coronavírus e cinco leitos para pacientes sem covid-19 no Cristo Redentor.

O Conceição ainda decidiu suspender as provas para seleção de novos profissionais por concurso, com a exceção de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem intensivistas, que estão em falta no mercado.”

  

03/03/2021 – Correio do Povo

https://www.correiodopovo.com.br/podcasts/direto-ao-ponto/como-escolher-as-m%C3%A1scaras-para-conter-as-variantes-da-covid-19-1.579897

“Como escolher as máscaras para conter as variantes da Covid-19

Direto ao Ponto detalha as diferenças entre os equipamentos e os cuidados que cada um exige

Enquanto os pesquisadores continuam a aprender mais sobre o coronavírus responsável pela Covid-19, velhas discussões retornam à pauta com o surgimento de novas ondas e diferentes variantes, como uso de máscaras. No início da pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) dizia que não havia evidências suficientes para dizer que pessoas saudáveis deveriam usar máscaras, mas esse ato se tornou um dos mais eficazes e recomendados para prevenir a propagação do vírus. Outras medidas importantes são praticar distanciamento físico e lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel.

Porém, nem todas as máscaras são iguais e nem todas estão amplamente disponíveis. Para explicar as diferenças entre os principais tipos existentes, sua capacidade de proteção e indicações, o Direto ao Ponto recebe Melissa Markoski, doutora em Biologia Celular e Molecular, professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro da Rede Análise Covid-19."

Ouça clicando aqui.

  

02/03/2021 – Jornal O Globo

https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus/mortes-por-covid-19-no-brasil-aumentam-ate-sete-vezes-no-inicio-do-ano-24905043

"Mortes por Covid-19 no Brasil aumentam até sete vezes no início do ano

Houve uma alta de 71% dos óbitos no país comparando o total ocorrido entre novembro e dezembro de 2020 com todos os registrados entre janeiro e fevereiro deste ano

RIO e SÃO PAULO — Um levantamento feito pelo GLOBO a partir de dados do consórcio de veículos de imprensa formado pelo jornal e pelo Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo mostra como a pandemia de Covid-19 acelerou nos últimos quatro meses. Comparando o total de mortes ocorridas entre novembro e dezembro de 2020 com todos os óbitos registrados entre janeiro e fevereiro deste ano, houve um aumento de 71% no Brasil. No Amazonas houve a maior alta: 662%.

Já os diagnósticos positivos da doença aumentaram 34%, comparando os mesmos períodos. Um crescimento que assusta pela rapidez e é ressaltado por dados diários: ontem, o Brasil bateu um novo recorde de média móvel de mortes (1.223). É o terceiro dia consecutivo e o quarto em uma semana que o cálculo ultrapassou seu maior patamar desde o início da pandemia. Já são 255.836 óbitos e 10.589.608 de infectados no país.

Os estados não seguem o mesmo ritmo na variação de mortes e casos. Os que apresentaram maior percentual de aumento de óbitos no primeiro bimestre do ano foram, além do Amazonas, Roraima (229%), Pará (225%), Rondônia (187%), Minas Gerais (129%), Tocantins (112%), Alagoas (104%) e Ceará (102%).

Segundo epidemiologistas, a explosão na mortalidade pela doença no país tem relação com diversos fatores, e o espalhamento da nova variante do vírus que emergiu em Manaus, usada como justificativa pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para explicar os números, é um fator minoritário.

— Uma outra coisa que aconteceu foram as festas de Natal e Réveillon, que resultaram em situações de aglomeração. Estamos pagando por isso agora, e vamos pagar pelo carnaval também, por um bom tempo — diz o epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da USP.

Cientistas não contestam que a variante de Manaus seja uma preocupação importante, mas ela ainda não seria um fator dominante para explicar o rápido crescimento. Para Márcio Bittencourt, especialista do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, o número de problemas que contribuem para o agravamento da pandemia é grande.

— A gente não está fazendo testagem ampliada, a gente não está fazendo busca ativa de casos, não está fazendo busca ativa de contatos, não testa os assintomáticos, não faz isolamento de casos, não fazemos quarentenas de familiares e seus contatos. Fazemos mau uso das máscaras e de medidas de bloqueio, não fazemos as medidas de controle de fluxo de estabelecimentos, não temos medidas de controle de fronteira nem controle de transporte... — enumera.

Lockdown não é solução mágica

Santa Catarina (-2%), Distrito Federal (1%), Espírito Santo (8%) e Rio Grande do Sul (13%) apresentaram queda ou menor aumento nos óbitos na comparação entre os períodos analisados. Os estados do sul, por exemplo, tiveram um pico de mortes no último bimestre de 2020 e, por isso, um crescimento relativo menor no início deste ano. Mesmo assim, permanecendo num patamar alto, a região está num momento grave da pandemia.

A rede de atendimento à saúde em vários municípios gaúchos está perto do esgotamento de leitos hospitalares.

— Este é o pior dia da pandemia, estamos atrás de pessoas para ajudar na UTI — disse, ontem, Lucia Campos Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)."

 

02/03/2021 – Jornal O Vale - Taubaté,SP

https://www.ovale.com.br/_conteudo/brasil/2021/03/122778-em-oito-estados--mortes-por-covid-19-no-1---bimestre-de-2021-foram-mais-que-o-dobro-do-anterior.html

 “Em oito estados, mortes por Covid-19 no 1º bimestre de 2021 foram mais que o dobro do anterior

Um levantamento feito pelo GLOBO a partir de dados do consórcio de veículos de imprensa formado pelo jornal e pelo Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo mostra como a pandemia de Covid-19 acelerou nos últimos quatro meses. Comparando o total de mortes ocorridas entre novembro e dezembro de 2020 com todos os óbitos registrados entre janeiro e fevereiro deste ano, houve um aumento de 71% no Brasil.

Já os diagnósticos positivos da doença aumentaram 34%, comparando os mesmos períodos. Um crescimento que assusta pela rapidez e é ressaltado por dados diários: ontem, o Brasil bateu um novo recorde de média móvel de mortes (1.223). É o terceiro dia consecutivo e o quarto em uma semana que o cálculo ultrapassou seu maior patamar desde o início da pandemia. Já são 255.836 óbitos e 10.589.608 de infectados no país.

Os estados não seguem o mesmo ritmo na variação de mortes e casos. Os que apresentaram maior percentual de aumento de óbitos no primeiro bimestre do ano foram Amazonas (662%), Roraima (229%), Pará (225%), Rondônia (187%), Minas Gerais (129%), Tocantins (112%), Alagoas (104%) e Ceará (102%).

Segundo epidemiologistas, a explosão na mortalidade pela doença no país tem relação com diversos fatores, e o espalhamento da nova variante do vírus que emergiu em Manaus, usada como justificativa pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para explicar os números, é um fator minoritário.

— Uma outra coisa que aconteceu foram as festas de Natal e Réveillon, que resultaram em situações de aglomeração. Estamos pagando por isso agora, e vamos pagar pelo carnaval também, por um bom tempo — diz o epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da USP.

Cientistas não contestam que a variante de Manaus seja uma preocupação importante, mas ela ainda não seria um fator dominante para explicar o rápido crescimento. Para Márcio Bittencourt, especialista do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, o número de problemas que contribuem para o agravamento da pandemia é grande.

— A gente não está fazendo testagem ampliada, a gente não está fazendo busca ativa de casos, não está fazendo busca ativa de contatos, não testa os assintomáticos, não faz isolamento de casos, não fazemos quarentenas de familiares e seus contatos. Fazemos mau uso das máscaras e de medidas de bloqueio, não fazemos as medidas de controle de fluxo de estabelecimentos, não temos medidas de controle de fronteira nem controle de transporte... — enumera.

Lockdown não é solução mágica

Santa Catarina (-2%), Distrito Federal (1%), Espírito Santo (8%) e Rio Grande do Sul (13%) apresentaram queda ou menor aumento nos óbitos na comparação entre os períodos analisados. Os estados do sul, por exemplo, tiveram um pico de mortes no último bimestre de 2020 e, por isso, um crescimento relativo menor no início deste ano. Mesmo assim, permanecendo num patamar alto, a região está num momento grave da pandemia.

A rede de atendimento à saúde em vários municípios gaúchos está perto do esgotamento de leitos hospitalares.

Este é o pior dia da pandemia, estamos atrás de pessoas para ajudar na UTI — disse, ontem, Lucia Campos Pellanda, reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A comparação entre os bimestres também mostra que o número de casos confirmados, não apenas as mortes, estão subindo bruscamente. Os diagnósticos positivos mais que dobraram no Amazonas (193%) e em Rondônia (122%). O aumento de casos foi significativo no Mato Grosso (91%), em Alagoas (90%) e Minas Gerais (81%).

Além de apontar a falta de medidas de vigilância epidemiológica necessária para frear a pandemia, os pesquisadores ouvidos pela reportagem criticam a proposta do lockdown como uma solução mágica para conter a epidemia.

— É difícil entender o que querem quando falam ‘lockdown’, porque nós nunca fizemos um lockdown de verdade no país, com exceção daquele que está sendo feito agora em Araraquara (SP) — diz Lotufo.

Para Bittencourt, o poder público deveria pensar, antes, em medidas básicas:

— Se a gente vai fechar a cidade inteira ou não é um detalhe. A gente vai fazer a medida que custa mais caro e continuar não fazendo o resto. O lockdown pode ajudar, mas não conserta tudo — diz o médico."

 

02/03/2021 – Jornal Público - Portugal

https://www.publico.pt/2021/03/02/mundo/noticia/covid19-situacao-brasil-tao-grave-1952730

Covid-19: situação no Brasil nunca esteve tão grave como agora

Desde o início do ano que se batem recordes de mortes diárias e hospitalizações. Mas Bolsonaro mantém a oposição a medidas de isolamento.

O Brasil está a atravessar o período mais grave da pandemia da covid-19 até ao momento, agravado pela persistência da crise política entre os governadores e o Presidente, Jair Bolsonaro, que insiste em rejeitar a adopção de medidas de isolamento para a população.

Ao todo, são mais de 255 mil mortes e mais de dez milhões de casos que o Brasil regista desde o início da progressão da pandemia, há cerca de um ano, o que faz do maior país sul-americano o segundo do mundo mais atingido pela doença. Essa posição está a consolidar-se depois de um mês de Fevereiro em que morreram 30.484 pessoas pela doença causada pelo vírus SARS-CoV-2 – apenas Julho do ano passado superou este valor, com três dias a mais.

A média móvel de mortes diárias está acima das mil há 39 dias consecutivos, de acordo com os números que um consórcio de imprensa reúne – o Ministério da Saúde interrompeu a divulgação dos dados diários sobre a covid-19 há vários meses. Em oito estados, o número de mortos nos primeiros dois meses do ano foi o dobro face aos dois meses anteriores.

A situação nos hospitais é também mais grave do que em momentos anteriores que, até agora, eram considerados os picos da pandemia no Brasil. Segundo os últimos balanços, em 17 dos 26 estados brasileiros, e também no Distrito Federal, o sistema hospitalar está perto do colapso, de acordo com a CNN Brasil.

Em São Paulo, a maior cidade do país, três dos maiores hospitais privados estão muito próximos de esgotar a capacidade. No hospital Albert Einstein, onde foi diagnosticado o primeiro caso de infecção no Brasil, bateu-se o recorde de internamentos desde então em Fevereiro.

O mesmo acontece em cidades do interior do estado, que até tinham sido mais poupadas às vagas anteriores, mas que desde o início do ano atingem novos recordes. Em Araraquara, uma cidade com 238 mil habitantes a 270 quilómetros de São Paulo, não há vagas nas unidades de cuidados intensivos há uma semana e em Janeiro e Fevereiro morreram 113 pessoas, mais do que em todo o ano anterior por causa da covid-19.

Uma das situações mais preocupantes é a de Porto Alegre, que no final de Fevereiro viu esgotar pela primeira vez a capacidade de internamento dos hospitais, algo que até agora não tinha acontecido na capital do Rio Grande do Sul. No estado do Acre, os hospitais também estão lotados, numa altura em que o estado do Norte enfrenta, para além dos efeitos da pandemia, um surto de dengue, cheias e uma crise migratória, que levou o governo estadual a decretar o estado de calamidade pública.

Festas e crise política

Os primeiros meses de 2021 coincidiram com uma combinação de factores explosiva no Brasil. O alívio das restrições ao confinamento por altura das festas de Natal e do Ano Novo deu azo a um considerável aumento das deslocações – as festividades coincidem com as férias de Verão no Brasil, em que muitas famílias aproveitam para sair das cidades para as praias ou para o interior dos estados.

Os especialistas dizem que os efeitos das festas de Carnaval – os desfiles oficiais foram proibidos, mas muitas pessoas acabaram por se juntar em festas privadas e ilegais – ainda estão por se fazer sentir.

A isto junta-se a cada vez maior propagação da variante de Manaus do vírus, que ainda não foi muito estudado, mas parece indiciar uma maior transmissibilidade. O epidemiologista Airton Stein, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, diz ao G1 que o Brasil está a fazer um “voo cego” na gestão da nova variante. “Não tem, em todo o país, um número adequado de vigilância genómica [da estirpe de Manaus], disse o especialista.

Como pano de fundo da crise sanitária, arrasta-se a crise política que há um ano opõe Bolsonaro à maioria dos governadores, que se queixam da falta de uma coordenação nacional para fazer frente à pandemia. Bolsonaro insiste em rejeitar a adopção de medidas de restrição de movimentos da população e de encerramento das actividades não-essenciais.

Esta semana, numa viagem ao Ceará, o Presidente brasileiro voltou a criticar essas medidas. “Essa politicalha do ‘fica em casa, a economia a gente vê depois’ não deu certo e não vai dar certo. Não podemos dissociar a questão do vírus e do desemprego”, afirmou. Bolsonaro também ameaçou deixar a factura dos subsídios sociais para os governadores que decidirem manter em vigor a quarentena, embora a última palavra sobre o assunto caiba ao Congresso.

Numa carta aberta, os secretários de Saúde pediram a aplicação de um conjunto de medidas nas cidades em que o sistema de saúde está mais pressionado, como o recolher obrigatório nocturno, o encerramento de praias e estabelecimentos comerciais, e a imposição de controlos sanitários nos aeroportos.

 

02/03/2021 – BR104 - Alagoas

https://www.br104.com.br/coronavirus/fevereiro-foi-o-2o-mes-com-mais-casos-de-morte-diaria-por-covid-durante-pandemia/

Fevereiro foi o 2º mês com mais casos de mortes diárias por Covid durante a pandemia

Os dados foram divulgados com base nas informações repassadas pelas secretarias de Saúde do país

Em fevereiro, o Brasil registrou 30.484 mortes pela Covid-19. Esses números fazem parte de um estudo levantado pela imprensa, com base nas informações obtidas em conjunto com as secretarias de Saúde de todo país.

Mesmo com alguns dias a menos, em relação aos outros meses do calendário brasileiro, fevereiro registrou o segundo número mais alto de mortes em decorrência da Covid-19 desde o início da pandemia, e o maior desde julho.

Um cálculo levantado no período de 39 dias, mostrou que mais de mil pessoas morreram após ser infectadas pelo vírus. Apenas no dia 25 deste mês (fevereiro), foram registradas mais de 1.582 mortes em 24h. Um recorde desde o início da disseminação da doença.

Além disso, durante o mês, três estados brasileiros também bateram recordes de mortes por coronavírus: Minas Gerais, Rondônia e Roraima. O colapso que antes atingia apenas o Estado do Amazonas, agora abrange outras áreas do país.

Segundo o epidemiologista Airton Stein, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a pandemia causada pelo novo coronavírus se assemelha a uma montanha-russa.

— Essa pandemia no mundo todo se caracteriza como uma montanha-russa – no sentido científico. Num momento parece que a gente está chegando no final – no ano passado, com as vacinas, parecia que iríamos estar próximos de uma solução. E aí, logo a seguir, vieram as variantes — explicou.

De acordo com o professor, existe a probabilidade da existência de uma variante do vírus ainda mais transmissível. Ele explica que, mesmo sabendo desta mutação, não está havendo o controle da mesma.

— Certamente está tendo um vírus que é mais transmissível, o que faz parte da história evolutiva de todos os vírus, então isso também não é uma coisa nova. A gente sabe que o vírus tem mutação, mas não está controlando essas novas variantes. Não tem, em todo o país, um número adequado de vigilância genômica. A gente está fazendo um voo cego — destaca.

 

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