Pílulas de Humanidades

Pílulas de Humanidades é uma ação do Departamento de Educação e Humanidades (DEH) da UFCSPA que visa contribuir com o bem-estar social nesses difíceis tempos de isolamento, oportunizando à comunidade o contato com obras literárias e fílmicas que nos fazem refletir sobre o que nos torna humanos.



É um clichê observar que as melhores gravações de música clássica, mesmo com os melhores intérpretes, perdem algo daquela mística de ouvir um concerto ou uma sinfonia ao vivo, com os instrumentos à nossa frente. E, agora, em meio à pandemia, com as salas de concerto fechadas… Ainda assim, o streaming nos salva, até certo ponto, e por isso a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais está organizando a Maratona Beethoven, totalmente online, com os músicos tocando o repertório desse gênio maior da música a partir da bonita Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte. A Maratona Beethoven começou em setembro e vai até dezembro. Os concertos são transmitidos nas quintas-feiras à noite e ficam disponíveis gratuitamente no YouTube da Filarmônica de Minas. E a programação pode ser vista em filarmonica.art.br/newsletter/2020_Maratona-Beethoven2.pdf (PDF).

Rodrigo de Lemos é professor de língua e cultura francesa do DEH/UFCSPA.

 

Conheci Moacyr Scliar ainda na infância por meio de seus livros e depois, pessoalmente, quando ele me atropelou enquanto eu atravessava a rua distraidamente. Muito preocupado, me socorreu, me colocou no seu carro e me levou até o PS. E fomos conversando sobre literatura. Muitos anos depois, participei da inauguração do anfiteatro que o reverencia em nossa UFCSPA. É que o famoso escritor foi também médico e professor da casa. A face oculta: inusitadas e reveladoras histórias da medicina (Artes e Ofício, 2010), é uma coletânea de crônicas escritas em sua coluna na ZH entre os anos 1993 e 2001, mas são histórias atemporais, de um médico muito humano, que abre o livro falando de si como paciente, que sorri com sorrisos alheios, que lembra com humor de noites insones, de uma história de gonorreia, dos famosos hieróglifos de médicos... Ah, e têm histórias que parecem escritas hoje, como “Terapia online” e “Lavem as mãos”.

Ana Boff de Godoy é professora de humanidades da UFCSPA.

Muito se fala no presente sobre a ideia de que o gênero é uma construção social. Lembram-se da famosa frase da Simone de Beauvoir, “não se nasce mulher, torna-se mulher”? Paul B. Preciado, nascido Beatriz, mostra de modo muito potente como quem nasceu num corpo de mulher pode se tornar (e, neste caso, se forjar) homem. Testo Junkie (“Testo” de testosterona) (n-1 edições, 2018) é o livro no qual ele conta sobre o processo de se tornar Paul.

Ana Carolina da Costa e Fonseca é professora de Filosofia na UFCSPA.

Localizada na região de Peckham, no sul da cidade inglesa de Londres, a Biblioteca Feminista conta com um acervo robusto de textos independentes, livros e artigos dedicados aos diferentes movimentos de libertação das mulheres, sobretudo do que a literatura feminista denomina de “segunda onda”. Além de contar com um espaço físico para leitura e pesquisa documental e bibliográfica, a biblioteca também sedia seminários, grupos de estudos e apoia pesquisas sobre o tema. Em 2020, a biblioteca completou 45 anos de existência. É possível consultar o catálogo de acervos e saber um pouco mais sobre “herstories” através do link http://feministlibrary.co.uk/

Maria Paula Prates é professora de Antropologia do DEH/UFCSPA.

Reeditado pela Companhia da Letras em 2016, Vestígios do dia venceu o Booker Prize em 1989, ano de sua publicação. Obra do Nobel de Literatura de 2017, o japonês Kazuo Ishiguro, foi escrito em primeira pessoa, como um diário do protagonista, o devotado mordomo Stevens, que não cansa de rememorar as três décadas de trabalho dedicado ao aristocrata Lord Darlington – aparentemente um irrepreensível cidadão de bem, mas que se envolve ardilosa e perigosamente com o nazifascismo no período entreguerras. O drama pessoal do antigo patrão se mistura ao drama público da Inglaterra à época, e ambos se sobrepõem ao drama do próprio mordomo, que se vê obrigado (por necessidade e dever moral) a preterir seus afetos e desejos (até os mais simples deles) em nome de suas responsabilidades. Uma obra que nos convida a pensar sobre nosso lugar no mundo e sobre o que nos faz humanos.

Ana Boff de Godoy é professora de humanidades da UFCSPA.