Texto da reitora Lucia sobre as dificuldades de alunos e professores com o EAD

Reitora Lucia Pellanda

Esse é um período difícil dentro de um ano difícil. Estamos nos adaptando a uma nova situação. Primeiro, veio a constatação de que as coisas não se resolveriam da mesma forma do que em outros países, e que aqui as consequências da pandemia seriam muito mais prolongadas.

Em seguida, veio uma ampla discussão sobre como minimizar os prejuízos para a formação dos futuros profissionais, como minimizar os efeitos sobre projetos de vida, planos para o futuro.

A universidade nunca parou, ao contrário, duplicou seus esforços. Mas quem estava longe estava sofrendo mais por estar parado também.

A retomada em EaD significa muitas coisas. Significa tentar fazer o melhor para minimizar danos, sabendo que é uma situação totalmente excepcional em que é impossível reproduzir mesmo uma mera sugestão de normalidade. Significa admitir nosso fracasso em lidar com a pandemia como sociedade, e admitir que não sabemos o que vai acontecer (ou temos medo de saber), porque não temos exemplos para nos basear. Estamos desbravando um oceano novo, sem saber onde fica a outra margem, em meio a muita bruma.

É certo que vai ser difícil e muita coisa vai dar errado nessa tentativa. Vai ser preciso ajustar as velas muitas vezes.

Mas pelo menos temos uma bússola.
E a bússola são nossos valores: cuidado, respeito, valorização da saúde em primeiro lugar.

Temos as diretrizes que foram amplamente discutidas: cuidar para não haver sobrecarga para estudantes, docentes e técnicos, porque a forma de contar o tempo no ead é diferente. Fazer uma avaliação horizontalizada de cada semestre para que as disciplinas possam se conversar e não aumentar demais a carga. Começar devagar e ir ajustando.

Professor, pegue leve. Estudante, pegue leve. Técnico, pegue leve. Está todo mundo dando o seu melhor, mas lembrem que estamos em uma pandemia. A gente não precisa fazer tudo perfeito como seria em outro contexto. A vida é bem imperfeita em 2020, e já era antes também.

Agora é hora de ficar só com o essencial, com o que a gente consegue fazer. E qualquer coisa que fizermos em um ano assim já vai ser muito.

Se for preciso parar para conversar, vamos parar para conversar. Vamos cuidar de nós primeiro.

Professor(a), exigir menos da turma e de si mesmo agora não é levar as coisas menos a sério. Estudante, exigir menos de si mesmo e do professor não é levar as coisas menos a sério.

Se as coisas não estão bem, algumas coisas podem ser tentadas. Acho que a primeira delas sempre é uma conversa franca da turma com o professor. Respeito e vontade de melhorar quase sempre dão certo. A imensa maioria dos professores está fazendo o seu melhor, se esforçou muito para aprender novas ferramentas, para migrar para esse novo mundo. Ao mesmo tempo, também está se desdobrando para dar conta de muitas coisas, com um stress enorme. E muitos estão vivendo situações familiares extremamente difíceis. Explicar para a professora o que a turma está passando pode ser uma forma de ajustar as coisas e aliviar um pouco os ombros dela, inclusive.

O passo seguinte é conversar com a coordenação do curso, especialmente se a situação está difícil em relação ao conjunto, se a soma é que está pesada demais. As coordenações fizeram um trabalho cuidadoso de avaliar cada semestre do curso para adaptar ao ead, e também tem sido incansáveis para organizar tudo e ajudar os professores. A prograd e as coordenações estão em constante comunicação para apoiar docentes e estudantes.

Por último, a prograd, o nap, os tutores, os assuntos estudantis e a reitoria estão aqui pra ajudar. Tem os canais oficiais (e-mail, página, blog da reitoria).

Vamos participar todos para construir um pouquinho de saúde em meio a tanta coisa difícil. Já chegamos tão longe para defender a saúde em primeiro lugar, não vamos deixar de fazer isso agora.

Essas coisas também são importantes de aprender. Se aprendermos a buscar soluções conjuntas, com união e respeito e colaborando pra melhorar, garanto que esse aprendizado vai servir pra vida toda. Vai ser mais importante até do que um conteúdo, pois esse a gente busca depois.

Não se cobre tanto, não cobre tanto dos outros. Isso vale para todo mundo, professor, aluno, tecnico, pra mim, pra quem tá com a família, pra quem tá sozinho, pra quem tá vivendo uma pandemia.

Não ultrapassar os próprios limites. Pegar leve não é perder qualidade ou deixar de fazer as coisas com seriedade. Para termos qualidade, precisamos da saúde em primeiro lugar.

Uma parte importante desse novo momento é podermos estar mais próximos. Vamos usar isso a nosso favor.

No ano que vem a gente recupera.
Temos a vida toda pra recuperar, mas primeiro vamos aprender a cuidar de nós.