Gabinete, pró-reitorias e assessorias avaliam contexto interno e externo e consideram diversas variáveis para a tomada de decisões sobre o funcionamento da universidade

A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), por meio do Gabinete da Reitoria, das pró-reitorias e assessorias, vem permanentemente avaliando o contexto interno e externo da comunidade acadêmica desde o início da situação de emergência climática sobre o Rio Grande do Sul, no dia 30 de abril. Em reuniões periódicas, o comitê de crise tem acompanhado a situação de estudantes, de graduação e pós-graduação, servidores, estagiários, bolsistas e terceirizados, além de monitorar outros fatores que interferem sobre a vida das pessoas, como a saúde mental, o acesso a transporte, a localização, perdas humanas e materiais, entre outros aspectos.

Em relação às atividades acadêmicas, a última portaria conjunta entre Prograd, Proext e ProPPG (Portaria No. 477 de 17 de maio de 2024), definiu a suspensão das atividades de ensino e extensão até 2 de junho e a flexibilização de formatos para pós-graduação até 31 de maio. As atividades administrativas seguem em regime de teletrabalho até 31 de maio, conforme a Portaria 222/2024/Reitoria, de 13 de maio de 2024.

O levantamento das necessidades de toda a comunidade interna tem sido realizado por meio de formulários específicos para cada público, que podem ser encontrados na aba "Cadastro de vítimas das enchentes" no site do programa Recomeça UFCSPA e nos links divulgados pelas coordenações dos cursos. As informações coletadas ajudam no encaminhamento de ações e na tomada de decisões sobre o funcionamento institucional.

Diante do contexto, estão previstas ainda para esta semana reuniões com Chefias de Departamentos e Coordenações de Cursos, com docentes, TAs e com representações estudantis, para a discussão sobre cada situação, repasse de orientações e encaminhamentos.

Pontos como retorno gradual, com atividades à distância, primeiramente assíncronas, estabelecimento de critérios para retorno presencial, como a mobilidade da população na Região Metropolitana de Porto Alegre e as condições de transporte público para o acesso ao campus e os impactos diretos das enchentes na vida material e na saúde dos estudantes estão sendo considerados.

Outras questões também estão em discussão, como a modalidade de validação de atividades de voluntariado, a manutenção de estágios,  exercícios domiciliares para que os discentes que não puderem acompanhar as aulas não sejam prejudicados, flexibilização de prazos diversos, organização de turmas concluintes para garantia da colação de grau e a recuperação de cargas horárias.

Em todos os mapeamentos, foram identificadas como principais necessidades: água potável, consultas médicas ou medicamentos, alimentos, produtos de higiene, cobertores e roupas. Em uma força-tarefa de solidariedade, servidores e estudantes da UFCSPA uniram esforços para atender essas demandas, seja nos abrigos, nas casas ou na universidade, fornecendo esses itens essenciais.

Confira o panorama da situação da comunidade acadêmica com dados coletados via formulários até o momento (22 de maio):

Graduação

Os Cursos de Graduação estão realizando levantamento de dados sobre como os alunos foram afetados e suas possibilidades de retorno às atividades. De acordo com os dados coletados sobre os estudantes de graduação da UFCSPA, que somam aproximadamente 3.100 acadêmicos, 49% prestaram informações solicitadas.

Dos respondentes, até agora, cerca de 58% dos alunos conseguiriam retornar somente na modalidade EaD, principalmente, devido às restrições de transporte público e deslocamentos em vias de acesso. 49 desses estudantes, mesmo conseguindo responder ao pedido de informações, não teriam nenhuma condição de retorno às atividades.

Para atendimento, o Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAP) está fazendo o acompanhamento de 96 acadêmicos com situações de vulnerabilidade impostas pela condição de emergência climática, em especial por necessidades emocionais e/ou socioeconômicas.

Pós-Graduação e Residências

A Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (ProPPG), juntamente com os coordenadores dos Programas, do COREMU e do COREME, mapeiam as demandas emergentes dos alunos de pós-graduação e residentes. Os resultados estão nos paineis de dados do Mapeamento da Pós-Graduação Da Universidade Federal De Ciências Da Saúde De Porto Alegre Da Catástrofe Climática 2024. 

Do total de residentes médicos e multiprofissionais, em torno de 40% (173 residentes) responderam o levantamento realizado pela PROPPG, e 57 (12%) destes indicaram que precisaram sair de casa em algum momento em função das condições envolvendo alagamento e/ou falta de luz e/ou falta de água. 

Dos estudantes do stricto sensu, do total de 294 (40% do total de matriculados) respondentes, 93 informaram que precisaram sair de casa em algum momento, em função de restrições de luz e/ou água ou ainda por risco de alagamento, e 17 estudantes relataram que a casa foi alagada. 

Importante destacar que com o apoio do Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAP), os 14% de discentes que declararam necessitar de apoio à saúde mental tiveram acolhimento. A solidariedade e o cuidado com a nossa comunidade são essenciais.

Progesp

A Progesp, além de atendimentos emergenciais, tem realizado ações de cuidado e acolhimento e de avaliação de danos e o planejamento para a recuperação da vida das pessoas.

Sobre docentes, TAs e terceirizados, estagiários e bolsistas da UFCSPA, que somam 676 pessoas ao todo, de acordo com os dados coletados até o momento em formulário próprio ou por indicação interna de suas chefias ou colegas, a equipe da Progesp já conseguiu contato com 216, 32% de todo o público, e continua esse esforço de alcançar a todos. Das pessoas já contatadas, 44 (20%) estão com danos materiais em situação crítica (perdeu tudo, está abrigado ou com danos importantes). Outras 169 (80%) pessoas mapeadas não se enquadram na situação crítica, embora boa parte dela esteja fora de suas residências ou abrigando familiares e amigos. 

Quanto ao estresse agudo, estão sendo acolhidos e acompanhados pela Pró-Reitoria de Gestão com Pessoas (Progesp) um total de 159 pessoas, que também conta com equipe de voluntários da psicologia para atendimentos especializados.